Analisando e refutando as leis nacionais dos rodeios
Artigo escrito em outubro de 2007
Muitos peões, organizadores de rodeio e mesmo amantes dos rodeios, perante os protestos das associações de defesa animal, costumam argumentar que as leis nacionais dos rodeios existem para legalizar a atividade, distanciando-a da possibilidade de ser considerada crime, minimizar o sofrimento infligido aos animais e coibir maus tratos nessas atividades. Essas leis são a 10.220/01, que regulamenta a atividade de peão de rodeio, e a 10.519/02, que trata de cuidados sanitários e outras providências para os rodeios.
Eles não esperavam, no entanto, que aparecesse alguém para refutar essa lei e seus fundamentos utilizando de análise minuciosa dos artigos, parágrafos e incisos. Como não encontrei nenhum site de proteção animal analisando essas leis, este artigo conseguiu ser uma investida pioneira contra as argumentações dos amantes de rodeios e dos seus profissionais.
Abaixo estão as duas leis federais dos rodeios dissecadas e a análise refutatória das mesmas. Elas estão dispostas na ordem original, sem nenhuma alteração na ordenação dos artigos, parágrafos e incisos. Nenhum artigo, parágrafo ou inciso foi omitido. Cada trecho das leis está entre aspas e suas refutações estão logo abaixo dele.
“Crueldade contra animais nas seções de curiosidades” no Observatório da Imprensa
O artigo Crueldade contra animais nas seções de curiosidades: jornalismo antiético está no Observatório da Imprensa:
Jornalismo antiético - Crueldade contra animais nas seções de curiosidades
Entre, leia e comente (se desejar, lá e aqui)! E ajude a pressionar a mídia online para que pare de tratar o sofrimento e exploração de animais como algo "bizarro" ou "curioso".
Crueldade contra animais nas seções de curiosidades: jornalismo antiético

Diversos sites insistem em postar notícias gozando do sofrimento animal dentro de suas seções de bizarro. Clique na imagem para vê-la em tamanho completo.
Muitos portais noticiários online possuem uma seção voltada a notícias inusitadas, consideradas bizarras. Recordes e situações esquisitas são os principais temas desses setores. Nada mal até aí. Acontece que alguns desses sites extrapolam o bom senso e inserem notícias nada engraçadas ou inusitadas: animais em situação angustiante, entretenimentos centrados na exploração animal, episódios de caça ou pesca na maioria dos quais há assassinato de animais, comercialização de bichos “esquisitinhos”. O bizarro perde o sentido de inusitado, curioso e engraçado e toma ares de mau gosto, falta de compaixão e, em última análise, sadismo e estupidez.
É infelizmente comum encontrar esse tipo de notícia pela internet sendo tratado como tão curioso quanto notícias inofensivas. Rinhas de animais em outros países, animais caçados, gatos entalados durante dias em canos ou bueiros, cães perdidos, elefantes “treinados”, entre tantas outras notas recheadas de crueldade, dividem o espaço das seções de notícias bizarras como recordes, corpos esquisitos, prisões de bandidos atrapalhados etc.
Notícias que envolvem animais em apuros geralmente têm seus equivalentes humanos postados em seções policiais, cotidianas, nacionais ou internacionais ou simplesmente não publicados. Não esperemos para ver, ao lado de uma notícia de um cão entalado num cano PVC, uma sobre uma criança presa num tubo largo para esgoto, porque esta última, ao contrário da primeira, nunca será postada em seções de bizarro.
Reflexão sobre o duplipensar moral onívoro
Artigo escrito em dezembro de 2009
Israel, século 8 A.E.C.; Roma, século 1 A.E.C.; Arábia, século 6; Brasil, século 17. Escravos... Sendo de etnia ou nacionalidade dominada, eram tratados como propriedades. Sua existência era praticamente atrelada a seus senhores ou “donos”. Eram obrigados a lhes prover mão-de-obra, recebendo durante a vida apenas alimentação e algumas roupas em troca.
Como eram propriedades, seus senhores se viam livres para lhes causar violências diversas, que variavam de acordo com o país e época: marcação a ferro quente, gritos de ordem, espancamentos no caso de demonstração de rebeldia. A liberdade era palavra proibida. Não viviam mais como fins em si mesmos, por suas necessidades, anseios, prazeres e interesses próprios, mas estritamente para os interesses do senhor que os tinha como propriedade. Eram seres dotados de sentimentos, desejos, anseios e capacidade de sofrer, mas seus “donos” não se importavam com isso.
Qualquer lugar do mundo, século 21. Animais rurais... Sendo de espécie dominada, são tratados como propriedades. Sua existência é. na prática, atrelada a seus senhores ou “donos”. São obrigados a lhes fornecer matéria-prima, recebendo durante a vida apenas alimentação em troca.
Como são propriedades, seus senhores se veem livres para lhes causar violências diversas: marcação a ferro quente, fustigações como ordens, espancamentos no caso de demonstração de rebeldia. A liberdade é palavra proibida, um absurdo aos olhos da espécie dominante. Não vivem como fins em si mesmos, por suas necessidades, anseios, prazeres e interesses próprios, mas estritamente para os interesses do senhor que os tem como propriedade. São seres dotados de sentimentos, desejos, anseios e capacidade de sofrer, mas seus “donos” não se importam com isso.
Por que a vaquejada é uma maldade
Artigo escrito em julho de 2009
A vaquejada encanta multidões, mais ainda quando os vaqueiros obtêm vitórias com a proclamação “Valeu o boi!”. A vitória deles é a vibração de quem assiste. Para os vaqueiros e o público, é uma festa só. Mas e para os animais envolvidos nessa atividade? Eles gostam de ser freneticamente esporados ou de ser perseguidos e derrubados? É algo a se pensar sobre a moralidade de um dito esporte que, se vermos mais a fundo, consiste necessariamente em explorar e agredir animais.
Você que gosta de vaquejadas precisa entender o lado dos bois e dos cavalos também. Eles, ao contrário dos humanos que se divertem à beça, não saem nem um pouco beneficiados com a vida que têm. Se pudessem falar, você se surpreenderia com o desgosto deles por terem que viver com o fim de ser explorados e judiados em competições.
Por mais formosos que pareçam quando aparecem nas exposições de animais, eles sentem dor, bastante dor, e até medo durante as vaquejadas.
“Dono” e “posse”, palavras que não combinam com os animais
Artigo escrito em março de 2008
Dois vícios infelizmente ainda comuns entre defensores de animais e legisladores, sem falar da população como um todo, são considerar a tutela e responsabilidade de uma pessoa sobre seu bicho de estimação uma “posse” e chamar humanos que cuidam e tutelam animais domésticos de “donos”. Quem nunca falou ou ouviu expressões como “o dono desse cão...” ou “...em prol da posse responsável de animais”? É esse uso extremamente inadequado e vicioso, senão especista, dessas palavras que todos precisam repensar e abolir da relação entre os humanos e os animais não-humanos.
Há de se responder às perguntas: por que é inadequado dizer que um tutor de bichos de estimação é dono deles? Por que não é bom falar “o dono do bicho”? Por que não falar de posse de animais domésticos?
Em primeiro lugar, evoco a semântica denotativa, a que não tem sentido figurado (conotativo). As palavras “dono” e “posse” denotam propriedade. O dono de algo é proprietário desse mesmo algo. Quem tem posse tem propriedade sobre o objeto possuído. Seria ético dizer que temos propriedade sobre nossos bichos de estimação?
Para aumentar a minha objeção sobre o uso dessas palavras sobre a relação humano-bicho, invoco suas definições nos dicionários “Priberam/Texto Editores” e “Aurélio”. Mesmo que você contrarie dizendo que a língua portuguesa é flexível e não se prende às definições contidas em um dicionário, eu mostro-as com o propósito de apontar o sentido original dos vocábulos referidos.
A antiética da cultura do comércio e propriedade de animais
Artigo escrito em janeiro de 2008
Imagine o Mercado de Delos, numa cena corriqueira do século 3 A.C.. Lá, homens, mulheres e até crianças eram “emplacados” com tábuas penduradas no pescoço com origem, qualidades e defeitos descritos e o preço em dracmas. Comerciantes abastados chegavam à ilha da cidade, compravam essas pessoas para lhes servirem de escravos e arrogavam então a si a posse dos humanos comprados.
Imagine você, vindo de uma viagem no tempo, perguntando para um comerciante daqueles quem eram aquelas três crianças nuas no barco dele e se tinham algum parentesco com ele. Então ele diz: “Ah, são uns escravos que comprei agora há pouco. E não sou pai deles, sou dono”. E explica que os garotos comprados eram de sua preferência: morenos, cabelos longos e de olhos verdes, e satisfaziam aos seus desejos de ter crianças bonitas para sua companhia afetiva.
Uma sensação de indignação e compaixão invade você ao ver aquele senhor tratando aquelas crianças como mercadorias, como coisas, como objetos de posse e categorizáveis. Não tolera que ele esteja daquela forma comprando vidas humanas dotadas de afeto e sentimentos num mercado. Num ato de reação humana a atos de desumanidade, você semeia uma conversa argumentativa com o “dono” das crianças na intenção de mostrar que ele está sendo imoral e desumano e fazê-lo libertar aquelas crianças ou adotá-las como filhos de verdade. Seus argumentos falam de as crianças serem humanas iguais a ele, terem sentimentos, pensamentos, desejos, virtudes e direitos naturais à dignidade.
O homem então, depois de dez minutos de conversa, vai embora irritado, levando as crianças, sem assimilar a moral de direitos humanos que você tentou incutir nele. Para ele, os meninos eram seres inferiores e sem direito à dignidade que apenas os humanos de sua “raça” tinham e cujos sentimentos e demonstrações de inteligência serviriam para sua função de escravos de companhia.
Para a aviação, animais são apenas artigos, objetos
Numa ida ao aeroporto ontem, registrei um informativo esdrúxulo em termos de ética de uma empresa de aviação cujo nome esqueci.
Vejam só (perdoem a baixa qualidade do restante da imagem, meu celular tem uma câmera desqualificada, ainda que minimamente funcional).

Companhia de aviação exibe informativo especista, tratando animais como objetos. Clique na imagem para vê-la em tamanho completo.
Animais vivos misturam-se entre bicicletas, medicamentos, bebidas, baterias etc. na lista de artigos permitidos como bagagem despachada. Ou seja, para a companhia de aviação em questão, animais são tão objetos quanto qualquer instrumento de pequeno porte de origem industrial.
É assim que a sociedade enxerga os animais domésticos -- como coisas que se misturam a qualquer objeto feito por humanos. Como diria Boris Casoy, isso-é-uma...vergonha. (Mesmo ele tendo destratado garis em off, seu bordão não perde a utilidade.)
Frase da semana (31/01-06/02)
Na verdade é um parágrafo.
"11. O religioso
No começo, Deus criou o homem e a mulher, além de todos os animais que rastejam no chão, voam pelos céus e nadam nos mares. O homem e a mulher possuíam alma e o domínio sobre os animais. Por isso que o homem e a mulher pode fazer todo tipo de coisa típica do Satanás com os animais. Afinal, os animais não possuem alma nem salvação para poderem ir ao inferno. Que o inferno deles seja na Terra mesmo." Samory Santos, meu irmão de consciência, dono do blog Opinião Vegana, no post Os Treze Especistas
Falou tudo, nem preciso comentar. E a melhor parte é a sublinhada.
Animais racionais (Parte 10)
Essa foi uma feliz reportagem da Globo, sem manipulações, mas que comete o vicioso ato de considerar animais propriedade.
Peixes adestrados recebem cafuné no Espírito Santo (vídeo disponível aqui)
Peixes que gostam de carinho e atendem quando são chamados. Parece mentira, mas é o que acontece no Espírito Santo. A reportagem é de André Junqueira.
Na correria da cidade parece que não sobra tempo para conversa. A cidade não pode parar, tem que seguir. Quem quer saber de história? Ainda mais quando a história parece ser de pescador. Imagina! Vai dizer que nunca ouviu falar de peixe adestrado?
”É mentira”, avisa uma mulher.
"Eles inventam muita coisa sem lógica, muita lenda", afirma a escrevente Sheila Brasil.
"Peixe adestrado? Já ouvi falar de cachorro e gato, mas agora é a primeira vez em que ouço falar de peixe adestrado", diz o técnico em cabeamento Whender Silva.







