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	<title>Arauto da Consciência &#187; Direitos Animais</title>
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	<description>Divulgando uma nova visão de mundo, em prol de um novo mundo</description>
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		<title>&#8220;Fazendinhas&#8221; de shopping: o que estão ensinando aos nossos pequenos?</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Jul 2010 09:00:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Robson Fernando</dc:creator>
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<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: center;"><img class="size-medium wp-image-5727 aligncenter" title="toneis de leite" src="http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/toneis-de-leite-400x300.jpg" alt="" width="250" height="187" /></p>
<p style="text-align: justify;">Alguns shoppings brasileiros, diante da realidade ultraurbana das crianças das grandes cidades, muitas das quais crescem acreditando que carne, leite e ovos são fabricados do nada no supermercado, tomaram a iniciativa de montar “fazendinhas” em parte de seu interior, no intuito de diverti-las, “ensiná-las” de onde vem os produtos de origem animal da mesa onívora brasileira e pô-las em contato com o mundo rural – ainda que de forma bem limitada.</p>
<p style="text-align: justify;">Nesses pedaços de ruralidade incrustados nas urbes, estão expostos os mais diversos animais das fazendas de verdade: bovinos, porcos, coelhos, galinhas, perus, cavalos (ou pôneis)... Pode-se andar de charrete, montar equinos, participar de pescaria, e até levar animais típicos do campo para casa. Parece muito bom e saudável mostrar à meninada acostumada com a selva de concreto um pouco da vida da fazenda...</p>
<p style="text-align: justify;">Eu disse “parece”. Porque, na ótica da ética animal, não o é nem um pouco. Em vez de apreciação, reservo a essas “fazendinhas” de shopping uma indagação preocupada: o que estão ensinando aos nossos pequenos?</p>
<p style="text-align: justify;">A verdade é que estão lhes naturalizando o que há de pior na relação entre seres humanos e bichos: o regime de escravidão que norteia a pecuária, as fazendas de criação de animais, a mercantilização da vida. Aprende-se, com ou sem “educadores” presentes, que os animais rurais existem para nos servir, seja como comida, seja como meio de transporte, seja como bichinhos de estimação – mesmo sendo criados em pequenas gaiolas.</p>
<p style="text-align: justify;">Essas instalações temporárias são na verdade um complexo de exploração animal, em três sentidos: propriamente exploram os animais, trazidos de fazendas de verdade para os shoppings, obrigados a cavalgar com crianças no lombo ou na charrete e expostos a todo o barulho estressante do local; engaiolam e comercializam diversos deles e, o mais preocupante, promovem a antipedagogia ética, pautada no utilitarismo servil, induzindo as crianças a crerem que cada espécie daqueles bichos de fato “servem”, vivos ou mortos, para determinados fins – e que isso é natural, é normal, é assim que a vida funciona e deve funcionar.</p>
<p style="text-align: justify;">Visitei recentemente uma dessas “fazendinhas”, em um shopping movimentado de uma cidade metropolitana nordestina que não revelo aqui – pode ter sido em Natal, em Salvador, em Fortaleza, em Campina Grande, em qualquer uma grande cidade do Nordeste, ou até no Recife mesmo. Abaixo descrevo minha experiência nesse tipo de lugar. Nota importante: fui justamente para observar tudo e poder descrever aqui a realidade vislumbrada, não foi por outro motivo.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-5714"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Dentro da "fazendinha”</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Fui com um colega nativo da cidade para esse shopping, cujo nome não revelo por motivos óbvios. Paguei a entrada de R$3 para poder ter acesso à minicidade rural, montada e decorada ao estilo de cidade pequena de interior, numa área reservada do estacionamento. Tristemente terminei financiando esse sistema, mas, como foi isso que possibilitou a existência deste artigo, fico com a consciência tranquila. Fui lá para investigar e descrever o cenário, não para alienar uma criança em minha companhia ou muito menos para me divertir.</p>
<p style="text-align: justify;">A primeira “atração” que vi lá foi uma piscina, parecida com aquelas de mil litros, com dezenas de peixes pequeninos e um aglomerado de crianças tentando pescá-los com varas com redes na ponta. Presume-se que quem pescasse os bichinhos podia levá-los para casa. Uma “muvuca” de garotos assustava os animais presos na pequena piscina, tanto por sua presença barulhenta como pela agitação provocada na água pelas varas.</p>
<p style="text-align: justify;">E quem conseguisse capturar seu peixe, ou levava num saco plástico transparente ou podia comprar um aquário. Logo defronte à piscina da pescaria, diversos aquários estavam à venda. Alguns tinham tamanho ridiculamente pequeno – pouco mais de 1000 centímetros cúbicos (10 centímetros de aresta) –, enquanto outros eram um pouco maiores, mas ainda minúsculos. É naqueles paralelepípedos pequeninos que os peixes capturados ou comprados pelas crianças passarão o resto de suas vidas.</p>
<p style="text-align: justify;">E, ao lado dos aquários vazios, estavam à venda diversos peixes, ditos ornamentais, de diversas aparências, algumas consideradas curiosas. Vidas à venda, que podiam ser trocadas por dinheiro, para servirem como objetos de decoração dos apartamentos daquela criançada urbana. Presos nas pequenas gaiolas de vidro que serviam de vitrine, passariam a viver toda a sua vida nos já citados aquários minúsculos. Em situação pior do que criminosos que vivem em prisão perpétua em celas de poucos metros quadrados, mas que ainda podem sair temporariamente delas para as refeições e banhos de sol, os peixes viverão até a morte circulando por poucos centímetros cúbicos de água, privados de liberdade.</p>
<div id="attachment_5716" class="wp-caption aligncenter" style="width: 260px"><a href="http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/aquarios-minusculos.jpg"><img class="size-medium wp-image-5716" title="aquarios minusculos" src="http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/aquarios-minusculos-400x300.jpg" alt="" width="250" height="187" /></a><p class="wp-caption-text">Aquários minúsculos à venda. Peixes serão aprisionados neles e aí viverão até morrer.</p></div>
<div id="attachment_5717" class="wp-caption aligncenter" style="width: 260px"><a href="http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/aquario-minusculo-com-peixe-dentro.jpg"><img class="size-medium wp-image-5717" title="aquario minusculo com peixe dentro" src="http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/aquario-minusculo-com-peixe-dentro-400x300.jpg" alt="" width="250" height="187" /></a><p class="wp-caption-text">Uma vida inteira de prisão em poucos centímetros cúbicos de água está reservada a esse peixinho.</p></div>
<div id="attachment_5715" class="wp-caption aligncenter" style="width: 260px"><a href="http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/aquarios-de-peixes-a-venda1.jpg"><img class="size-medium wp-image-5715" title="aquarios de peixes a venda" src="http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/aquarios-de-peixes-a-venda1-400x300.jpg" alt="" width="250" height="187" /></a><p class="wp-caption-text">As crianças terminam naturalizando a crença de que peixes ornamentais podem ser trocados por dinheiro e que o lugar deles é no aquário, não na Natureza.</p></div>
<div id="attachment_5718" class="wp-caption aligncenter" style="width: 260px"><a href="http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/aquario.jpg"><img class="size-medium wp-image-5718" title="aquario" src="http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/aquario-400x300.jpg" alt="" width="250" height="187" /></a><p class="wp-caption-text">Esses peixes estão à venda, e seu destino é serem presos em outros aquários.</p></div>
<div id="attachment_5719" class="wp-caption aligncenter" style="width: 260px"><a href="http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/pescaria-na-piscina.jpg"><img class="size-medium wp-image-5719" title="pescaria na piscina" src="http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/pescaria-na-piscina-400x300.jpg" alt="" width="250" height="187" /></a><p class="wp-caption-text">A pescaria torna a vida dos peixinhos presos na piscina um inferno. Aqueles que forem pescados, presumo, serão condenados a uma vida inteira de prisão num aquário.</p></div>
<div id="attachment_5720" class="wp-caption aligncenter" style="width: 260px"><a href="http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/peixe-levado-pra-casa.jpg"><img class="size-medium wp-image-5720" title="peixe levado pra casa" src="http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/peixe-levado-pra-casa-400x300.jpg" alt="" width="250" height="187" /></a><p class="wp-caption-text">Os peixes levados para casa serão aprisionados em aquários, muitos deles ridiculamente pequenos. E servirão de objetos de decoração.</p></div>
<p style="text-align: justify;">A parada seguinte foram as cercas dos animais rurais cujas carne e leite, até então, como dito no começo deste texto, muitas crianças acreditavam ser fabricadas nos supermercados. Novilhos bovinos, bodes e cabras, porquinhos e aves. Muito embora não demonstrassem vividamente desconforto com o ambiente muito barulhento da “fazendinha”, é notável que aquele não era o ambiente onde desejariam estar – um lugar sem céu, limitado por uma cerca pequenina que provê pouquíssima liberdade de movimento e rodeado de seres humanos barulhentos e muito potencialmente perturbadores.</p>
<p style="text-align: justify;">Os animais estavam em exposição. Tal como objetos – artefatos num museu ou carros num showroom. Seres humanos têm uma queda por conhecer o exótico e o distante, e isso inclui uma vontade forte de capturar animais em seu habitat e expô-los aprisionados, em zoológicos e nas “fazendinhas” de shopping. A vontade do animal de viver em liberdade, sem a perturbação do barulho humano e em comunhão com sua terra natal, não é nada perante quem os vê como curiosa peça de exibição e pensa “Para que ir até o habitat do bicho se podem muito bem trazê-los de lá? É muito mais fácil para mim”. E se fossem seres humanos os “objetos” em exibição? Seria um escândalo moral, tanto que nenhum pecuarista tem coragem de abrir exposições de pessoas vivas. Mas, como são “apenas animais”, vale tudo nesse sentido.</p>
<p style="text-align: justify;">Exibidos como coisas curiosas, os animais terminam invocando o “ensino” sobre a sua “função”. Não era necessária a presença de “educadores”. Bastava que os pais das crianças apontassem, por exemplo: “Olha, filho/a, esses são novilhos. Quando crescerem, irão para um matadouro e vão virar carne comestível. É do corpo deles que vem a carne do hambúrguer que você come todos os dias, e a do churrasco da família.” As crianças assim “aprendem” que bois e vacas, porcos, bodes e cabras e galinhas servem para “fornecer” comida, não tendo sua vida qualquer fim fora esse, nem sentido se não forem vistos como “matéria-prima” para os seres humanos.</p>
<p style="text-align: justify;">O “crachá” identificador na orelha dos novilhos denunciam: os animais estão catalogados na propriedade do fazendeiro que os trouxe ao shopping. Ou melhor, <em>são</em> propriedade, <em>pertencem</em> ao pecuarista com quem a administração do shopping tem contrato firmado para trazer os bichos. E isso é exibido na maior naturalidade. Pais aceitam, filhos “aprendem” que é normal <em>possuir</em> animais como parte de uma propriedade.</p>
<div id="attachment_5721" class="wp-caption aligncenter" style="width: 260px"><a href="http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/novilhos.jpg"><img class="size-medium wp-image-5721" title="novilhos" src="http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/novilhos-400x300.jpg" alt="" width="250" height="187" /></a><p class="wp-caption-text">Novilhos em exibição. Confinados numa cerquinha, atraíram a curiosidade das crianças.</p></div>
<div id="attachment_5722" class="wp-caption aligncenter" style="width: 260px"><a href="http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/novilho-com-selo-identificador.jpg"><img class="size-medium wp-image-5722" title="novilho com selo identificador" src="http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/novilho-com-selo-identificador-400x300.jpg" alt="" width="250" height="187" /></a><p class="wp-caption-text">O “crachá” da orelha escancara: o animal está contabilizado como propriedade do fazendeiro que o levou ao shopping.</p></div>
<div id="attachment_5723" class="wp-caption aligncenter" style="width: 260px"><a href="http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/bodes.jpg"><img class="size-medium wp-image-5723" title="bodes" src="http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/bodes-400x300.jpg" alt="" width="250" height="187" /></a><p class="wp-caption-text">Bodes também expostos como artefatos</p></div>
<div id="attachment_5724" class="wp-caption aligncenter" style="width: 260px"><a href="http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/porquinhos.jpg"><img class="size-medium wp-image-5724" title="porquinhos" src="http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/porquinhos-400x300.jpg" alt="" width="250" height="187" /></a><p class="wp-caption-text">Pequenos porcos, tentando manter sossego num ambiente barulhento.</p></div>
<div id="attachment_5725" class="wp-caption aligncenter" style="width: 260px"><a href="http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/jaula-de-aves-2.jpg"><img class="size-medium wp-image-5725" title="jaula de aves 2" src="http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/jaula-de-aves-2-400x300.jpg" alt="" width="250" height="187" /></a><p class="wp-caption-text">Aves numa jaula: expor animais em lugares que lhes são estranhos requer aprisionamento, para que não fujam.</p></div>
<div id="attachment_5727" class="wp-caption aligncenter" style="width: 260px"><a href="http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/toneis-de-leite.jpg"><img class="size-medium wp-image-5727" title="toneis de leite" src="http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/toneis-de-leite-400x300.jpg" alt="" width="250" height="187" /></a><p class="wp-caption-text">Tonéis de leite como decoração. Explorar animais retirando-lhes a vida ou o leite é a rotina da fazenda, naturalizada na mentalidade dos frequentadores da “fazendinha”.</p></div>
<p style="text-align: justify;">Numa salinha de atividades infantis, destacava-se um tapete de couro cru. Nem chegou a ser cortado para tomar uma forma geométrica. As crianças são induzidas, de forma indireta, a encarar com naturalidade os produtos oriundos da morte pecuarista. Não lhes passa pela cabeça as imagens do matadouro cheio de sangue ou da morte do boi, que foram indispensáveis para aquele couro estar forrando o chão. Para elas, aquele “tecido” é tão inocente quanto um tapete de banheiro.</p>
<div id="attachment_5728" class="wp-caption aligncenter" style="width: 260px"><a href="http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/tapete-de-couro.jpg"><img class="size-medium wp-image-5728" title="tapete de couro" src="http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/tapete-de-couro-400x300.jpg" alt="" width="250" height="187" /></a><p class="wp-caption-text">O tapete de couro abaixo dos móveis de decoração infantil é visto como tão inocente quanto um tecido de algodão.</p></div>
<p style="text-align: justify;">Depois de tirar o olho do couro, o que foi visto em seguida foi uma gaiola com vários coelhinhos e porquinhos-da-índia dentro. Estavam à venda. Assim como os peixes destinados ao aquário, o destino dos animais vendidos seria a prisão perpétua numa gaiola – não cheguei a ver se havia gaiolas à venda lá, presumo que as que eu vi foram compradas em outros lugares.</p>
<p style="text-align: justify;">O cenário para aqueles animais era de prisão e de relativa perturbação (ainda que alguns deles se mantivessem calmos) perante o barulho do ambiente. Aguardavam para ser trocados por dinheiro, tal como uma mercadoria qualquer. Sua vida, para as crianças, valia 15 reais. Esse era o preço para se decretar propriedade sobre um coelhinho ou porquinho-da-índia.</p>
<p style="text-align: justify;">E uma propriedade carcerária, para piorar a coisa. Lembro que, depois de ter saído da “fazendinha”, encontrei uma garotinha com um coelho relativamente grande dentro de uma gaiola. Ela me revelou que o bicho seria realmente criado por toda a vida dentro da pequena jaula. Enfim, aqueles eram animais triplamente abusados: tratados como mercadorias e como propriedade e tendo negada sua liberdade – seja pelo seu vendedor, seja pela garotada que os comprou.</p>
<div id="attachment_5729" class="wp-caption aligncenter" style="width: 260px"><a href="http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/coelhos-e-preas-a-venda.jpg"><img class="size-medium wp-image-5729" title="coelhos e preas a venda" src="http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/coelhos-e-preas-a-venda-400x300.jpg" alt="" width="250" height="187" /></a><p class="wp-caption-text">Vidas custando 15 reais. O regime da “fazendinha” é de tratar animais como mercadoria e propriedade.</p></div>
<div id="attachment_5730" class="wp-caption aligncenter" style="width: 260px"><a href="http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/gaiola-de-coelhos-e-preas-1.jpg"><img class="size-medium wp-image-5730" title="gaiola de coelhos e preas 1" src="http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/gaiola-de-coelhos-e-preas-1-400x300.jpg" alt="" width="250" height="187" /></a><p class="wp-caption-text">Coelhos e porquinhos-da-índia presos, esperando ser transferidos para outras prisões – as gaiolas das crianças.</p></div>
<div id="attachment_5731" class="wp-caption aligncenter" style="width: 260px"><a href="http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/coelho-em-gaiola-fora-da-fazendinha.jpg"><img class="size-medium wp-image-5731" title="coelho em gaiola (fora da fazendinha)" src="http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/coelho-em-gaiola-fora-da-fazendinha-400x300.jpg" alt="" width="250" height="187" /></a><p class="wp-caption-text">Uma criança criará esse coelhinho dentro da gaiola. O animalzinho está condenado a ser prisioneiro até morrer. Provavelmente nunca conhecerá a liberdade, se não terminar doado para algum parente com casa dotada de espaço livre.</p></div>
<p style="text-align: justify;">Depois de acompanhar a perturbação barulhenta, o aprisionamento, a mercantilização e o tratamento como propriedade, vi a exploração em sua forma mais evidente. Pôneis puxavam charretes ou eram montados por crianças – dentro de cercados tão pequenos que duvido que tenha valido a pena para alguma criança andar poucos metros conduzida pelos bichos – o que, ao meu ver, deve dar um gosto de quero-mais para os pequenos, que insistirão para ir a algum hotel-fazenda num futuro próximo. Para as crianças, fica a impressão de que cavalos, controláveis como são, são mistos de animais e coisas, algo como carros vivos sem roda.</p>
<p style="text-align: justify;">Os pôneis puxadores de charretes estavam revestidos de muitos adereços usados como controle animal: cabresto, viseira, cordas e mais cordas, tantos equipamentos que transformam esses animais em veículos. Nem pareciam seres vivos, de tanta parafernália que visava o controle de seus movimentos. E o pior: a crina deles estava pintada de rosa. Os cavalinhos montados, por sua vez, não estavam pintados, mas a situação de exploração era a mesma: diversos adereços de controle de movimentos.</p>
<p style="text-align: justify;">Os animais de ambas as situações estavam fadados a trabalhar, conduzindo crianças num pequeno cercado, por grande parte do tempo em que o shopping estivesse aberto – presumo que havia revezamento de trabalho entre os pôneis, para o caso de um deles cansar. Uma rotina de escravidão.</p>
<div id="attachment_5732" class="wp-caption aligncenter" style="width: 260px"><a href="http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/ponei-de-charrete-pintado-1.jpg"><img class="size-medium wp-image-5732" title="ponei de charrete pintado 1" src="http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/ponei-de-charrete-pintado-1-400x300.jpg" alt="" width="250" height="187" /></a><p class="wp-caption-text">Pônei de crina pintada, obrigado a puxar charrete até cansar.</p></div>
<div id="attachment_5733" class="wp-caption aligncenter" style="width: 260px"><a href="http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/poneis-montados-1.jpg"><img class="size-medium wp-image-5733" title="poneis montados 1" src="http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/poneis-montados-1-400x300.jpg" alt="" width="250" height="187" /></a><p class="wp-caption-text">Pônei obrigado a conduzir crianças em seu lombo até cansar. A exploração animal é naturalizada no cenário da “fazendinha”.</p></div>
<p style="text-align: justify;">A última “atração” que fotografei foi o touro mecânico. Felizmente não era um animal de verdade, torturado com um sedém em sua virilha, mas o brinquedo acaba induzindo a meninada a gostar de rodeio, a acreditar que montar touros “bravos” é muito divertido e inspirador. Acostumando as crianças aos touros mecânicos da vida, é questão de tempo para que elas passem a simpatizar com esse pseudoesporte, hoje cada vez mais repudiado – e os animais e seus defensores ganhem mais adversários.</p>
<div id="attachment_5734" class="wp-caption aligncenter" style="width: 260px"><a href="http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/touro-mecanico-1.jpg"><img class="size-medium wp-image-5734" title="touro mecanico 1" src="http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/touro-mecanico-1-400x300.jpg" alt="" width="250" height="187" /></a><p class="wp-caption-text">O touro mecânico acostuma as crianças a gostarem de rodeios. E isso é péssimo tanto para os animais como para seus defensores.</p></div>
<p style="text-align: justify;"><strong>Que raios estão ensinando às crianças?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Tudo isso não tem apenas o aspecto de diversão, mas também um caráter pedagógico. Ou melhor, segundo a visão da ética animal, <em>antipedagógico</em>. Mesmo não havendo educadores à disposição na “fazendinha” que observei, existe a transmissão de ensinamentos, por parte dos pais ou montado por autoconstrução lógica e digerido pela própria criança. São transmitidos à garotada as crenças e valores prevalentes na pecuária os quais fundamentam moral e culturalmente toda a exploração animal existente no meio rural – desde o uso como meio de transporte até a transformação dos bichos, pelo abate, em carne, passando pelo entretenimento por passeios e pelo rodeio.</p>
<p style="text-align: justify;">Aprende-se lá que os animais rurais não são fins em si mesmos, mas sim meios para fins estritamente humanos – em outras palavras, que eles sempre nascem para servir para algo e a alguém. Eles não nascem simplesmente para viver na natureza, sendo ou não perseguido por predadores, mas para fornecer carne, leite ou ovos; servir de transporte sendo montado ou puxando veículos de tração – seja atendendo a necessidades da ruralidade, seja provendo entretenimento para quem busca uma cavalgada ou um passeio de charrete no campo para esquecer os problemas –; prover diversão sendo explorado em rodeios; e ser um servo afetivo das pessoas – animal de falsa estimação, cuja “vida útil” como “pet” acaba num churrasco de feriadão ou numa reunião de família; entre outras utilidades.</p>
<p style="text-align: justify;">E isso é naturalizado no ambiente ruraloide montado no shopping: o pai aponta para o filho a “fazendinha” antes de irem embora e diz em conclusão sobre todas as formas presentes de “utilizar” animais: “Filho, os animais nascem para isso mesmo, para nos servir. E eles servem muito bem, para as mais variadas coisas.” E o filho, carente de discernimento ético por ser ainda muito pequeno, aceita e assimila esse dogma, talvez para toda a vida.</p>
<p style="text-align: justify;">Aliás, a juventude inocente e ingênua das crianças da primeira infância forma um filão muito apto para ser convencido de que explorar animais no mundo rural é válido, aceitável e justo. É de se pensar que os pecuaristas usam as “fazendinhas” de shopping para “ensinar” à meninada que o animais têm utilidade, não valor intrínseco, e assim angariar futuros compradores de alimentos de origem animal, apreciadores de rodeios e vaquejadas, pessoas sedentas por diversão no lombo de um cavalo, enfim, clientes que lhes darão muito dinheiro e farão o “crime” (entre aspas por ainda não ser reconhecido legalmente como tal) da exploração animal compensar.</p>
<p style="text-align: justify;">Dinheiro, para falar a verdade, é o que mostra como os animais ali não são respeitados em sua essência de seres sencientes demandantes de direitos: a entrada paga permite pelo menos ver os animais em exposição, como se estes fossem objetos exóticos de um museu – como dito mais acima, pôr pessoas em exibição seria um absurdo moral mesmo para quem expõe bichos, diga-se de passagem –; há bichos à venda, a preços variados, para serem tratados como objetos de decoração ou como animais de falsa estimação, todos destinados a uma prisão perpétua em gaiolas ou aquários – tratados como mercadorias que, segundo a mentalidade especista, não se importam em ser trocadas por dinheiro para serem transferidas de prisão; paga-se para andar de cavalo, em charrete ou montando, dando à exploração de pôneis e cavalos um caráter muito lucrativo.</p>
<p style="text-align: justify;">As crianças vão participando disso tudo e aceitando tacitamente todo o sistema. Guardam como se fosse um ensinamento importante: coelhos servem como animais de “estimação” a serem criados em gaiolas; peixes, como objetos de decoração; bois e vacas, para fornecer carne, leite, couro etc. ou ser montados ou derrubados por peões “valentes” em rodeios e vaquejadas; porcos e bodes e cabras, idem; galinhas e frangos, para distribuir respectivamente ovos e carne; cavalos, para transportar pessoas... Não faria sentido que nenhum deles vivesse se não tivesse uma utilidade para os seres humanos.</p>
<p style="text-align: justify;">Da mesma forma, assimila-se que é normal que animais sejam mortos para virar carne e couro – além de mais uma miríade de produtos de origem animal – em indústrias frigoríficas; ou que tenham seu corpo violado para fornecer leite e ovos. E é assim mesmo que tudo funciona e deve funcionar: animais como servos, dispostos a dar a vida pelos interesses dos seus senhores; humanos como seus proprietários (sic). E as crianças vão crescendo, abraçando essas crenças como verdades.</p>
<p style="text-align: justify;">E, ainda por cima, acostumam-se com a falsa imagem – o “rancho do velho McDonald” citado por Tom Regan – de que os bichos vivem em roças tradicionais, são tratados como “da família”, seu leite é ordenhado por um contente vaqueiro, seus ovos são colhidos no galinheiro por uma senhora que vive de bem com a vida e tais animais são mortos com “carinho”.</p>
<p style="text-align: justify;">Isso contando com o fato de que nada ali na “fazendinha” fazia a mínima alusão aos latifúndios do agronegócio; às granjas industriais que prendem galinhas em pequenas gaiolas e “produzem” frangos aos milhares; às cada vez mais utilizadas fazendas-fábrica; ao confinamento de porcos dentro de pequenas baias individuais em grandes instalações agroindustriais; à alimentação da maioria dos animais com hormônios, drogas e grãos transgênicos; ao precário, atordoante e anti-higiênico transporte de “carga viva”; muito menos aos matadouros industriais movidos a facão e sangue ou àqueles clandestinos onde ainda se mata a golpes de marreta ou machado – abatedouros cuja aterrorizante imagem mental facilmente faria uma criança parar de comer carne por muito tempo, se não para sempre. A imagem rural desenhada ali era matuta, bucólica e tranquila, exceto pela multidão humana e pelo barulho que a mesma produzia.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>Conclusão</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Concebidas como parques de diversão rural e, em última análise, como merchandising pecuarista, as “fazendinhas” de shopping como a que eu observei são um atentado ao bom senso e à ética não-antropocêntrica. Promovem um inestimável desserviço às crianças, ao lhes naturalizar o utilitarismo servil a que os animais são submetidos nas fazendas e passar a falsa imagem do ruralismo tradicional roceiro, cada vez mais raro numa realidade em que o extremamente predatório agronegócio, cada vez mais industrializado, dita as regras na ruralidade brasileira.</p>
<p style="text-align: justify;">Estamos formando crianças acostumadas em ver animais sendo tratados como mercadorias, aprisionados em gaiolas, aquários e cercas, explorados vivos e mortos para os mais diversos fins. A garotada cresce aceitando como natural e normal que a vida não-humana seja banalizada, mercantilizada, comparada à não-vida, tratada sem o mínimo respeito e dignidade, e participando desse sistema que escraviza seres tão sencientes quanto os humanos.</p>
<p style="text-align: justify;">Se as “fazendinhas” expusessem pessoas, seja como “aberrações” físicas ou como trabalhadores escravos, seriam hoje vistas como o mais abjeto dos absurdos. Mas quem está em jogo são “apenas” outros animais, e por isso a sociedade abraça a iniciativa de trazer o mundo rural para perto dos habitantes do urbano, e leva suas crianças para ver animais explorados e aprisionados e até para comprar alguns deles, que viverão confinados em gaiolas nos apartamentos e longe da vastidão e do ar puro do campo.</p>
<p style="text-align: justify;">É esse mundo que queremos, onde exploração e escravidão são a melhor diversão do momento para crianças?</p>
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		<title>Mais uma perversão de cientistas torturadores (Parte 49)</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Jul 2010 17:57:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Robson Fernando</dc:creator>
				<category><![CDATA[Assassinato e Matança de Animais]]></category>
		<category><![CDATA[Barbárie]]></category>
		<category><![CDATA[Burrice e Malignidade]]></category>
		<category><![CDATA[Como os Animais São Vistos]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos Animais]]></category>
		<category><![CDATA[Escravidão Animal]]></category>
		<category><![CDATA[Estupidez e Irracionalidade]]></category>
		<category><![CDATA[Maus Tratos e Crueldade]]></category>
		<category><![CDATA[Notícia Julho 2010]]></category>
		<category><![CDATA[Opressão]]></category>
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		<category><![CDATA[Pérolas]]></category>
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			</a>
		</div>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.abril.com.br/noticias/brasil/estudo-desvenda-acao-veneno-picada-jararaca-1191242.shtml" target="_blank"><strong><em>Estudo desvenda ação do veneno em picada de jararaca</em></strong></a></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Um estudo liderado por pesquisadores brasileiros identificou o mecanismo de ação do veneno das cobras da família das jararacas. Além do efeito tóxico que atinge o corpo todo e é combatido pelo soro antiofídico, o veneno das cobras botrópicas <strong>tem uma ação específica no local da picada que pode causar inflamação, hemorragia e, em alguns casos, levar à necrose e à amputação da parte atingida</strong>.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>A proteína envolvida no efeito local, a jararagina, <strong>acumula-se junto aos vasos sanguíneos, danificando-os e precipitando a hemorragia</strong>, explica Cristiani Baldo, do Laboratório de Imunopatologia do Instituto Butantã, principal autora da pesquisa. A descoberta pode apontar o caminho para novos tratamentos.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>A jararagina havia sido isolada em 1991, mas só agora sua ação foi comprovada. "I<span style="color: #8b0000;">njetamos a proteína, marcada, <strong>em camundongos</strong> e vimos que ela se localiza bem perto do vaso sanguíneo <strong>e o degrada</strong>.</span>"</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Uma possibilidade de tratamento aberta pelo estudo, publicado no site PLoS Neglected Tropical Diseases, seria o uso de inibidores de metaloproteinase, a classe de proteínas a que a jararagina pertence, em combinação com o soro antiofídico. "Mas é preciso estudar qual o inibidor mais adequado, ver se não teria um efeito ruim na saúde", alerta a pesquisadora.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Em 2008, o Ministério da Saúde registrou 26,9 mil casos de picadas por cobras venenosas, sendo mais de 70% por cobras da família das jararacas. Desses casos, em 10% houve sequelas por causa de complicações locais.</em></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Não bastou envenenar os animais. Eles foram mortos depois de 15 minutos de dor incessante por inalação de gás carbônico, segundo <a href="http://www.plosntds.org/article/fetchObjectAttachment.action?uri=info%3Adoi%2F10.1371%2Fjournal.pntd.0000727&amp;representation=PDF" target="_blank"><strong>a própria pesquisa</strong></a>.</p>
<p style="text-align: justify;">E para agravar a coisa, a pesquisa não foi uma descoberta de cura, mas o estudo do efeito nocivo de um veneno.</p>
<p style="text-align: justify;">Na <a href="http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/773230-butantan-desvenda-hemorragia-da-picada-de-jararaca.shtml" target="_blank"><strong>Folha.com</strong></a>, que omitiu a tortura e assassinato dos camundongos, 4 dos 6 comentários deram parabéns à pesquisa, tudo indicando que seus autoræs desconheciam a metodologia dela.</p>
<p style="text-align: justify;">A pesquisa se mostra como um avanço científico importante, mas eticamente o que vemos é mais um atentado à vida animal. Será que essa pesquisa seria tão aclamada se os indivíduos envenenados e assassinados fossem, digamos, bebês humanos? Será que nesse caso o fim justificaria os meios?</p>
<p style="text-align: justify;">Em suma, mais um episódio da bicentenária novela da tortura de animais em nome da ciência. E ainda foi feita sob a vigência da Lei Arouca, que supostamente "protege" os animais "de laboratório". O dito desconexo d<small>@</small>s vivisseccionistas não engana ninguém.</p>
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		<title>FAQ da campanha pró-vivissecção X coerência e direitos animais (Links)</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Jul 2010 11:30:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Robson Fernando</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Alienação e Conformismo]]></category>
		<category><![CDATA[Animais Tratados como Propriedade]]></category>
		<category><![CDATA[Antropocentrismo]]></category>
		<category><![CDATA[Aprisionamento de Animais]]></category>
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<p style="text-align: center;">Aqui os links das quatro partes do artigo <em>FAQ da campanha pró-vivissecção X coerência e direitos animais</em>:</p>
<p style="text-align: center;"><strong><big><big><a href="http://consciencia.blog.br/2010/07/faq-da-campanha-pro-vivisseccao-coerencia-direitos-animais-parte-1.html" target="_blank">Parte 1</a> - <a href="http://consciencia.blog.br/2010/07/faq-da-campanha-pro-vivisseccao-coerencia-direitos-animais-parte-2.html" target="_blank">Parte 2</a> - <a href="http://consciencia.blog.br/2010/07/faq-da-campanha-pro-vivisseccao-coerencia-direitos-animais-parte-3.html" target="_blank">Parte 3</a> - <a href="http://consciencia.blog.br/2010/07/faq-da-campanha-pro-vivisseccao-coerencia-direitos-animais-parte-4-final.html" target="_blank">Parte 4</a></big></big></strong></p>
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		<title>Pode a ciência que se utiliza de animais ser considerada ética? (por Sérgio Greif)</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Jul 2010 02:38:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Robson Fernando</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Assassinato e Matança de Animais]]></category>
		<category><![CDATA[Como os Animais São Vistos]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos Animais]]></category>
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		<category><![CDATA[Vivissecção e Testes em Animais]]></category>
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		<description><![CDATA[O biólogo Sérgio Greif contribuiu para a reação da categoria defensora dos direitos animais à campanha do governo e de organizações científicas de "conscientização" em prol da experimentação animal com esse simples e bem explicativo artigo. Pode a ciência que se utiliza de animais ser considerada ética? por Sérgio Greif, biólogo Em sua tentativa de [...]


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			</a>
		</div>
<p style="text-align: justify;">O biólogo Sérgio Greif contribuiu para a reação da categoria defensora dos direitos animais à <a href="http://consciencia.blog.br/2010/07/responsabilidade-etica-respeito-de-mentira.html" target="_blank"><strong>campanha do governo e de organizações científicas de "conscientização" em prol da experimentação animal</strong></a> com esse simples e bem explicativo artigo.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong><a href="http://www.ecodebate.com.br/2010/07/05/pode-a-ciencia-que-se-utiliza-de-animais-ser-considerada-etica-artigo-de-sergio-greif/">Pode a ciência que se utiliza de animais ser considerada ética?</a></strong><br />
<em>por Sérgio Greif, biólogo</em></p>
<p style="text-align: justify;">Em sua tentativa de tornar a experimentação animal algo mais aceitável pelo público os defensores da vivissecção frequentemente recorrem a argumentos de ordem ética. Informam, por meio de sua propaganda, o quanto a ciência dos animais de laboratórios evoluiu nos últimos tempos, a ponto dos laboratórios de hoje em nada lembrarem as câmaras de tortura de outrora, que tanto proporcionaram em termos de material fotográfico para as campanhas anti-vivissecção.</p>
<p style="text-align: justify;">A alegação, em verdade uma agressão à inteligência do público, quer fazer as pessoas crerem que os ratos de laboratório levam, atualmente, vida de reis. Cientistas graduados precisam usar de subterfúgios para convencer o público de que aquilo que eles fazem não é errado. E os argumentos são os mais pobres possíveis “Ratos de laboratório recebem ração balanceada e água limpa à vontade. É muito mais do que ratos em vida livre recebem; Ratos de laboratório vivem vidas confortáveis, em ambientes limpos, forrados com serragem e em condições de temperatura controlada.” Há ainda o argumento emotivo pseudo-racional “Se não forem usados animais serão usados o que? Você preferiria que se utilizassem crianças?”</p>
<p style="text-align: justify;">A verdade é que a experimentação animal não é nem pode ser uma ciência com ética. Primeiramente porque, embora a experimentação animal seja praticada no contexto acadêmico, ela não pode ser defendida em termos científicos. Em segundo lugar, não há nenhuma racionalidade em argumentar que, porque animais experimentais são melhor tratados hoje do que eram 10, 20, 30 anos atrás, hoje eles recebem tratamento ético.</p>
<p style="text-align: justify;">Diferente da ética envolvendo a experimentação com seres humanos, animais vivos jamais se oferecem para participar de experimentos. Animais não podem se candidatar a participar de experimentos, eles não podem ser informados em relação aos riscos envolvidos nem podem desistir de participar da pesquisa a qualquer tempo. Pelo contrário, sua participação é forçada e invariavelmente resulta em prejuízos para o animal, senão durante os procedimentos, ao fim, com sua morte.</p>
<p style="text-align: justify;">Em uma comparação com seres humanos, animais de laboratório são tão vitimas quanto o foram as vitimas dos experimentos nazistas, ou das pesquisas sobre sífilis envolvendo negros americanos, ou qualquer outro experimento que utilizou seres humanos sem considerar seus interesses individuais.<span id="more-5695"></span></p>
<p style="text-align: justify;">A ética que aplicamos aos animais não pode ser diferente da ética que aplicamos aos seres humanos. Caso possuamos uma ética distinta para lidarmos com seres com sentimentos semelhantes estaremos incorrendo em discriminação. Nazistas certamente sabiam que suas cobaias tinham sentimentos e interesses particulares, mas eles ignoravam seus direitos mais básicos com base em uma auto-atribuída noção de superioridade. O mesmo em relação a doutores brancos que utilizaram como cobaias negros.</p>
<p style="text-align: justify;">Todo o problema se encontra na noção de que o outro (o negro, o cigano, o judeu, a mulher, o animal), embora tenha sentimentos e interesses particulares, goza de menos direito simplesmente por ser considerado (por parâmetros nada racionais) inferior. Nesse caso a ética aplicada a seres superiores não parece fazer sentido quando aplicada a seres inferiores.</p>
<p style="text-align: justify;">Todo organismo senciente tem interesses, e independente de quais sejam os interesses individuais particulares de cada espécie, todas partilham um interesse comum que é o de fugir ao sofrimento e à morte e buscar uma sobrevivência compatível com sua natureza.</p>
<p style="text-align: justify;">O confinamento de animais ou sua utilização para finalidades distintas daquelas para as quais o animal naturalmente se desenvolveu, sua submissão, seu subjugo, a aplicação de qualquer ação prejudicial ao indivíduo que seja, vão de encontro aos interesses desse animal enquanto indivíduo.</p>
<p style="text-align: justify;">Nenhum defensor da experimentação animal ousa afirmar que animais não sentem nem tem seus próprios interesses. Pelo contrário, eles reconhecem que animais sentem, mas que esses sentimentos podem ser negligenciados em favor do bem de um ser superior, no caso, o ser humano. Pois não é esse mesmo raciocínio, o da crença da superioridade de um grupo perante outro grupo, que leva muitas vezes à negligência dos direitos humanos?</p>
<p style="text-align: justify;">Portanto para a pergunta: “Pode a experimentação animal ser considerada ética?” a resposta é obviamente não, pois o único caso em que ela poderia ser considerada ética (se animais pudessem entender os propósitos do experimento, conhecer os riscos envolvidos, pudessem assinalar a vontade de participar e pudessem desistir do experimento a qualquer momento) é impossível de ocorrer.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando tratamos de seres humanos como cobaias involuntárias, os argumentos utilitaristas de “prováveis benefícios” não tem lugar. Não nos interessa que poucos precisaram ser sacrificados para o benefício de muitos, pois a utilização de cobaias involuntárias contraria direitos individuais.</p>
<p style="text-align: justify;">O questionamento em relação à ética que envolve a experimentação animal está acima de qualquer questionamento em relação à adequação da metodologia ou em relação à finalidade do experimento. Da mesma forma que em relação à pesquisa ética envolvendo seres humanos, ela é muito anterior e mais urgente.</p>
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		<title>Estudo revela que experimentação animal é falha e ineficiente</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Jul 2010 02:30:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Robson Fernando</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ciência]]></category>
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		<description><![CDATA[Estudo revela a ineficiência dos testes em animais Existem várias razões para não se testar em um animal: é desumano, cruel, caro, e modelos animais não podem responder pelo organismo humano. Agora, foi descoberta mais uma razão para se acrescentar à lista: as gaiolas em que os ratos são mantidos alteram seu cérebro. De acordo [...]


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			</a>
		</div>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.anda.jor.br/?p=75877" target="_blank"><strong><em>Estudo revela a ineficiência dos testes em animais</em></strong></a></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Existem várias razões para não se testar em um animal: é desumano, cruel, caro, e modelos animais não podem responder pelo organismo humano. Agora, foi descoberta mais uma razão para se acrescentar à lista: as gaiolas em que os ratos são mantidos alteram seu cérebro.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>De acordo com <a href="http://animals.change.org/blog/view/cages_cause_brain_damage_in_lab_mice" target="_blank"><strong>reportagem da Animals Change</strong></a>, um dos argumentos para provar que testes em animais não funcionam, além do fato de que humanos têm fisiologia diferente de camundongos ou chimpanzés, é que a condição estressante dos laboratórios pode alterar o resultado de um experimento. O estresse causa uma série de reações físicas que mudam a reação do corpo a drogas ou outros estímulos. Em outras palavras, o ambiente artificial de um laboratório não diz nada sobre como um animal responderia a diversos fatores no mundo real, é ainda mais distante de mostrar algo útil para a sociedade humana.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Cientistas do mundo todo criaram experimentos que envolvem ratos. Acabar com tais experimentos daria um prejuízo grande. Mas um novo estudo da Universidade do Colorado mostra que os efeitos do ambiente de teste não apenas modificam o psicológico do animal – modificam fisicamente o cérebro.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Os cérebros dos roedores são extremamente sensíveis ao ambiente que os cerca. Diferentes fatores alteram seu senso olfativo ou nível de agressividade, por exemplo. Diego Restrepo, que recentemente publicou um artigo sobre o assunto, disse: “isso poderia explicar por que existem tantas falhas em repetir descobertas laboratoriais e por que tantos dados conflitantes são publicados em diferentes laboratórios mesmo quando camundongos geneticamente iguais são usados.”</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Portanto qualquer coisa que aconteça em laboratório, por definição, não tem como ser um “processo natural”.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Essa pesquisa pode ser usada para o bem ou para o mal. Num mundo ideal, os cientistas reconheceriam as implicações desse estudo: modelos animais não funcionam.</em></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Essa constatação é um tapa na cara d<small>@</small>s organizadoræs da campanha de "conscientização" em prol do uso de animais em laboratório. É uma das evidências de que é falho o seu argumento de que o modelo animal deve continuar sendo usado por ser funcional.</p>
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		<title>FAQ da campanha pró-vivissecção X coerência e direitos animais (Parte 4 e final)</title>
		<link>http://consciencia.blog.br/2010/07/faq-da-campanha-pro-vivisseccao-coerencia-direitos-animais-parte-4-final.html</link>
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		<pubDate>Mon, 26 Jul 2010 12:00:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Robson Fernando</dc:creator>
				<category><![CDATA[*Posts em Destaque*]]></category>
		<category><![CDATA[Alienação e Conformismo]]></category>
		<category><![CDATA[Animais Tratados como Propriedade]]></category>
		<category><![CDATA[Antropocentrismo]]></category>
		<category><![CDATA[Aprisionamento de Animais]]></category>
		<category><![CDATA[Artigo]]></category>
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		<category><![CDATA[Equívocos do Bem-Estarismo Animal]]></category>
		<category><![CDATA[Escravidão Animal]]></category>
		<category><![CDATA[Especismo e Arrogância Humana]]></category>
		<category><![CDATA[Hipocrisia e Demagogia]]></category>
		<category><![CDATA[Interesses Escusos]]></category>
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		<category><![CDATA[Vivissecção e Testes em Animais]]></category>
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		<description><![CDATA[Esta parte é o final do artigo que visa comentar o FAQ do site “eticanapesquisa.org.br”, parte da campanha de “conscientização”, promovida pelo Governo Federal e por organizações científicas brasileiras, relativa ao uso de animais em pesquisas. *** 10. Que doenças evoluíram seu tratamento, em razão das pesquisas? São várias, podemos citar duas: o câncer e [...]


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<li><a href='http://consciencia.blog.br/2010/07/faq-da-campanha-pro-vivisseccao-coerencia-direitos-animais-parte-1.html' rel='bookmark' title='Permanent Link: FAQ da campanha pró-vivissecção X coerência e direitos animais (Parte 1)'>FAQ da campanha pró-vivissecção X coerência e direitos animais (Parte 1)</a></li>
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			</a>
		</div>
<p style="text-align: justify;">
<div id="attachment_5642" class="wp-caption aligncenter" style="width: 330px"><a href="http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/biotério-6.jpg"><img class="size-full wp-image-5642" title="biotério 6" src="http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/biotério-6.jpg" alt="" width="320" height="240" /></a><p class="wp-caption-text">Mensagem na porta de um laboratório no CCS/UFPE. Foto tirada por mim em 2009.</p></div>
<p style="text-align: justify;">Esta parte é o final do artigo que visa comentar <a href="http://www.eticanapesquisa.org.br/saibamais" target="_blank"><strong>o FAQ do site “eticanapesquisa.org.br”</strong></a>, parte da campanha de “conscientização”, promovida pelo Governo Federal e por organizações científicas brasileiras, relativa ao uso de animais em pesquisas.</p>
<p style="text-align: justify;">***</p>
<p style="text-align: justify;"><em>10. Que doenças evoluíram seu tratamento, em razão das pesquisas?<br />
São várias, podemos citar duas: o câncer e a fibrose cística. No caso do câncer, por exemplo, pode ser realizado atualmente a terapia gênica, onde são retiradas células do tumor, inserido um gene que reage contra o câncer e reinjetado as células no paciente. Desse modo, as células geneticamente modificadas irão “ensinar” ao sistema imunológico do paciente a reconhecer as peculiaridades de suas células cancerígenas e destruir o tumor. Atualmente, esse tipo de pesquisa vem alcançado avanços significativos em ratos e camundongos e, certamente, poderão salvar várias vidas, inclusive as dos seres humanos.<br />
No tratamento da fibrose cística, foi desenvolvido um modelo animal que reproduz a doença humana. Essa tecnologia permitiu que novos testes fossem realizados no combate a essa terrível doença genética, que acomete principalmente o pulmão de crianças em todo o mundo. Contra essa doença, está sendo realizada também a “terapia gênica”, onde as pesquisas com animais são extremamente relevantes.<br />
Devemos lembrar também dos coqueteis anti-aids, um conjunto de medicamentos que já salvou e ajuda a prolongar a vida de milhões de pessoas em todo o mundo.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Nessa resposta, revela-se que a experimentação animal, cujos autores dizem prezar pela “responsabilidade, ética e respeito aos animais”, causou sofrimento crônico em animais que foram submetidos ao mais diversos tipos de câncer e à fibrose cística, descrito pelos próprios autores do FAQ como uma “terrível doença genética”.</p>
<p style="text-align: justify;">Se a fibrose cística é terrível como dizem esses cientistas, imaginemos como seria estar na pele dos animais que foram induzidos a nascer com essa doença e passaram toda a sua vida sofrendo com ela. Essa questão 10 mostra como falta o mínimo de senso de alteridade e empatia interespecíficas nas pessoas que exploram animais em suas experiências e defendem a continuidade desse tipo de método de pesquisa. É uma demonstração de que esses indivíduos são incapazes de se pôr imaginariamente na pele dos animais que exploram.</p>
<p style="text-align: justify;">É isso que os idealizadores da campanha de “conscientização” vivisseccionista querem? Que “terríveis doenças” continuem sendo induzidas em animais não-humanos para que seres humanos sejam salvos – e não possam optar por viver sem depender de remédios resultantes desse tipo de violência?</p>
<p style="text-align: justify;">***<span id="more-5629"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><em>11. Como a pesquisa com animais ajuda os próprios animais?<br />
As pesquisas com vacinas também beneficiaram a saúde dos animais ao aprimorarem tratamentos como os da raiva, do tétano, da leucemia animal e daquelas contra parasitas. Além disso, os estudos comportamentais melhoram a qualidade no trato com os próprios animais. Vale lembrar que alguns animais foram salvos da extinção, graças a várias pesquisas científicas realizadas, muitas delas, utilizando embriões de camundongos.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Essa resposta é uma demonstração clara do especismo seletivo dos cientistas interessados na vivissecção. Torturam-se uns animais não-humanos, alheios de qualquer compaixão, para salvar outros, que por sua vez recebem muito carinho e afeto por parte de seus tutores.</p>
<p style="text-align: justify;">É muito provável que as cobaias que contraíram hidrofobia, tétano, leucemia e infecções por parasitas sofreram muito antes de receber os medicamentos certos para serem curados – detalhe: mesmo depois de curados, podem ter sido mortos mesmo assim para avaliação, tal como a questão nº2 deixa evidente que acontece de praxe. E também é certo que as muitas experiências anteriores com tratamentos fracassados dessas doenças, baseadas na tentativa-e-erro, impuseram sofrimento intenso e mortes dolorosas aos  bichos explorados. Sem falar nos estudos comportamentais que “melhoram a qualidade no trato com os próprios animais”: é possível imaginarmos pesquisas que induzem os animais a sentimentos e comportamentos negativos e destrutivos, como tristeza, estresse, raiva e agressividade.</p>
<p style="text-align: justify;">***</p>
<p style="text-align: justify;"><em>12. Como a pesquisa com animais ajuda os humanos e outros animais?<br />
As pesquisas possibilitaram o desenvolvimento de vários tratamentos e procedimentos de prevenção, tais como vacinas contra gripe H1N1, poliomielite, a caxumba, o sarampo, a difteria, a rubéola e a hepatite; além de tratamentos onde destacamos as transfusões de sangue, hemodiálise, transplantes e cirurgias. Graças às pesquisas do brasileiro Sergio Ferreira, foi descoberto um dos mais utilizados e potentes anti-hipertensivos: o Captopril. Além disso, a morfina utilizada na dramática dor de pacientes com câncer terminal também foi testada em animais.<br />
Várias das pesquisas com animais foram importantes no desenvolvimento de medicamentos para tratamento das mais diversas doenças, tais como hipertensão, diabetes, aids. Até mesmo os anestésicos, analgésicos e antibióticos precisaram do estudo em animais para que pudessem ser desenvolvidos e beneficiar a vida de todos os animais, inclusive seres humanos. Não podemos esquecer que o aprimoramento de cirurgias e dos transplantes de órgãos e dos estudos com células-tronco que salvam milhares de vidas todos os anos são procedimentos que hoje são seguros graças aos estudos realizados previamente em animais.<br />
Tudo isso certamente melhorou a qualidade de vida não só dos seres humanos, mas de diversos animais.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Minhas objeções às questões 10 e 11 já comentam em grande parte esta questão. Mas alguns trechos desta  chamam uma atenção especial:</p>
<p style="text-align: justify;">Primeiro: “[...] a morfina utilizada na dramática [sic] dor de pacientes com câncer terminal também foi testada em animais.” Deduz-se: animais não-humanos tiveram que sofrer dores igualmente dramáticas em estado de câncer terminal.</p>
<p style="text-align: justify;">Segundo: “Até mesmo os anestésicos, analgésicos e antibióticos precisaram do estudo em animais para que pudessem ser desenvolvidos e beneficiar a vida de todos os animais, inclusive seres humanos.” Ou seja, animais tiveram que sentir muita dor para que pudessem ser beneficiados por anestésicos e analgésicos. Sem falar nos antibióticos, que foram injetados nos bichos ou ingeridos por eles apenas depois que determinadas doenças infecciosas, devidamente propagadas no organismo das cobaias, lhes causaram estragos relevantes e consequente sofrimento.</p>
<p style="text-align: justify;">Repito: é essa ciência recheada de crueldade que os idealizadores da campanha querem que continue existindo permanentemente, e que nós apoiemos?</p>
<p style="text-align: justify;">***</p>
<p style="text-align: justify;"><em>13. Por que são utilizados animais em pesquisas científicas?<br />
Os cientistas utilizam animais nas pesquisas científicas com o objetivo de entender melhor os problemas de saúde que afetam os animais, inclusive os seres humanos. Além disso, as pesquisas utilizando animais permitem que novos tratamentos médicos sejam mais seguros. Algumas doenças envolvem processos bastante complexos e, devido a essa complexidade, precisam ser estudados em organismo vivo.<br />
Os animais, principalmente os mamíferos tais como ratos, camundongos e coelhos são biologicamente semelhantes aos seres humanos em vários aspectos biológicos. Eles são suscetíveis a muitas das mesmas doenças que acometem o homem </em>[sic]<em>. O fato de terem ciclos de vida curtos, comparados ao do homem</em> [sic]<em>, facilita o estudo dos fenômenos fisiológicos do nascimento ao envelhecimento e até mesmo durante várias gerações.<br />
Além disso, durante um estudo científico é possível controlar o ambiente que influencia o animal (alimentação, temperatura, iluminação etc), o que é difícil de ser realizado com seres humanos.?Por esse motivo, os animais são fundamentais em pesquisas para desenvolver medicamentos, vacinas e procedimentos médicos (tais como cirurgias, transplantes etc). Se os resultados dos estudos em animais se mostram eficazes, então alguns poucos voluntários humanos são convidados a participar de um ensaio clínico inicial para tratar da segurança do procedimento (chamada fase I de teste).<br />
Os estudos em animais são feitos previamente para assegurar o benefício do tratamento de uma doença ou procedimento e verificar se essa nova tecnologia não leva risco à vida. Com isso, os testes que causariam riscos aos seres humanos e a outros animais são amenizados. Vale lembrar que para se desenvolver a vacina anti-rábica, por exemplo, foram utilizados de quatro a seis mil cães, mas depois foram salvos mais de trinta milhões.</em></p>
<p style="text-align: justify;">O primeiro parágrafo dessa resposta é dotado de uma enorme hipocrisia. Seus elaboradores fingem que não são especistas, que não priorizam a espécie humana, que pensam com a mesma dedicação em outras espécies animais, mesmo naquelas que, não sendo de estimação, não recebem o afeto de tutores (“...que afetam os animais, inclusive os seres humanos.”).</p>
<p style="text-align: justify;">Parece que pensam no melhor para os camundongos tanto quanto pensam no bem dos humanos, mas uma pesquisa simples mostra que não é bem assim. Numa pesquisa no Scielo, site que disponibiliza muitos periódicos e artigos científicos, encontrei apenas 63 artigos com as palavras “camundongos” e “veterinária” (ou “veterinário”), menos de 10% entre 642 trabalhos que tiveram referências a “camundongos”  – e o pior, nem todas as pesquisas que continham a palavra “veterinária(o)” eram de fato pesquisas a serem aplicadas subsequentemente em pacientes animais domésticos. É evidente que a prioridade de se explorar animais na pesquisa científica são de fato os seres humanos.</p>
<p style="text-align: justify;">O mesmo primeiro parágrafo, com seu apelo à “necessidade” de se usar animais nas pesquisas, nos remete à mesma argumentação usada na questão nº4: a incapacidade dos cientistas (dos favoráveis à vivissecção, deixo claro) de desenvolver métodos de pesquisa alternativos completos o bastante para dispensar as cobaias.</p>
<p style="text-align: justify;">No segundo e terceiro parágrafos, dois argumentos se fazem presentes: as semelhanças biológicas das cobaias com o organismo humano, já comentadas abaixo da questão nº9, e aquela que parece ser a única justificativa dos interessados na vivissecção para não explorarem seres humanos: o ciclo de vida curto dos animais não-humanos de pequeno porte e a facilidade de lidar com o ambiente (artificial e prisional, que fique claro) onde os mesmos vivem.</p>
<p style="text-align: justify;">Esse segundo é visto como o bastante para aplacar a indignação de quem quem perguntar “por que vocês não fazem pesquisa com seres humanos, já que dizem tratar outros animais tão bem?”. Essa pergunta pode até ter sido parcialmente aplacada tecnicamente, mas não o bastante. Ainda dá para questionar: por que os cientistas que dizem tratar as cobaias com “ética e e dignidade” não fazem nem mesmo pesquisas de curta ou média duração com seres humanos sem terem usado outros animais antes?</p>
<p style="text-align: justify;">Sem falar que não responde eticamente à indagação de não se explorar cobaias humanas. Hoje seria perfeitamente possível criar em laboratório seres humanos transgênicos capazes de crescer em ritmo muito mais acelerado do que pessoas comuns e livres. Só não o fazem, é evidente, por motivos éticos, que hoje só dizem respeito aos direitos humanos e negam aos seres não-humanos a mesma dignidade de serem respeitados da mesma forma.</p>
<p style="text-align: justify;">O parágrafo final volta a pecar pela fragilidade da argumentação. Primeiro diz que “Os estudos em animais são feitos previamente para assegurar o benefício do tratamento de uma doença ou procedimento e verificar se essa nova tecnologia não leva risco à vida. Com isso, os testes que causariam riscos aos seres humanos e a outros animais são amenizados.”, o que é uma confissão clara de que a vida das cobaias é posta em risco total, já que as técnicas são usadas nelas, mesmo sob totais insegurança e incerteza, antes de serem aplicadas em seres humanos ou animais de estimação. Confessa-se que não há a menor preocupação com a vida das cobaias que reagem mal ao tratamento sob teste.</p>
<p style="text-align: justify;">Segundo, parte para o desprezo total aos animais enquanto indivíduos interessados em sua própria vida e  integridade quando diz que “vale lembrar que para se desenvolver a vacina anti-rábica, por exemplo, foram utilizados de quatro a seis mil cães, mas depois foram salvos mais de trinta milhões”. Ignora-se totalmente o fato de que o interesse de viver livre e não sofrer não é um fenômeno social, condicionado à coletividade de animais socializados entre sua população, mas sim a capacidade psicológica que cada animal, tomado individualmente, possui.</p>
<p style="text-align: justify;">Vale parafrasear <a href="http://www.ecodebate.com.br/2010/07/05/pode-a-ciencia-que-se-utiliza-de-animais-ser-considerada-etica-artigo-de-sergio-greif/" target="_blank"><strong>o biólogo Sérgio Greif</strong></a>: “não nos interessa que poucos precisaram ser sacrificados para o benefício de muitos, pois a utilização de cobaias involuntárias contraria direitos individuais.”</p>
<p style="text-align: justify;">***</p>
<p style="text-align: justify;">O FAQ da campanha pró-vivissecção tem conteúdo bastante para enganar pessoas mais incautas e leigas em direitos animais e assim formar uma opinião pública alienada do conhecimento da verdadeira essência cruel da experimentação animal. Mas, como o argumento falacioso e frágil tem perna curta, assim como a mentira, uma campanha-antídoto de esclarecimento por parte dos defensores dos direitos animais poderá, sem muito trabalho argumentativo, desbancar tudo o que os interessados na perpetuação da vivissecção tentam passar para a população.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao leitor que ainda não conhece o bastante o que são os verdadeiros direitos animais, concluo o artigo dizendo: há muita acomodação na comunidade científica. A maioria dos cientistas da área biomédica, não tendo recebido uma educação bioética decente – não-antropocêntrica, que respeitasse os direitos animais e transcendesse o mero “bem-estar” – ao longo da vida, não está interessada em mudar o atual cenário de dependência crônica da ciência biomédica por cobaias.</p>
<p style="text-align: justify;">Há também acusações sérias, por parte de vários defensores do fim da exploração animal, de que há um complô de interesses econômicos entre pesquisadores e empresas que abastecem laboratórios e biotérios com equipamentos para a pesquisa com cobaias. Mas é fato que essas denúncias só serão investigadas quando os direitos animais começarem a ser reconhecidos legalmente e respeitados pelos governos no Brasil – daqui a várias décadas, deduza-se, não sem um histórico precedente de forte mobilização por parte dos defensores dos animais.</p>
<p style="text-align: justify;">Portanto, insisto que o brasileiro não se deixe enganar pela campanha conjunta do governo federal (Ministério da Ciência e Tecnologia) e de diversas organizações científicas para tentar convencer a população de que explorar e matar animais para fins científicos é “válido” e “aceitável”. Procure compreender os direitos animais, busque conhecimento sobre o assunto. Ao mesmo tempo em que vai saber por que a campanha dos órgãos citados não passa de uma tentativa de alienar a sociedade em prol da perpetuação da exploração animal na ciência, você irá melhorar muito sua própria relação com os animais.</p>
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		<title>FAQ da campanha pró-vivissecção X coerência e direitos animais (Parte 3)</title>
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		<pubDate>Sun, 25 Jul 2010 12:00:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Robson Fernando</dc:creator>
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			</a>
		</div>
<p style="text-align: justify;">
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 250px"><img title="vivisseccao 3" src="http://www.natalneuro.org.br/sobre_iinn/images/021.jpg" alt="" width="240" height="180" /><p class="wp-caption-text">Gaiolas de camundongos transgênicos, segundo o site de origem (natalneuro.org.br)</p></div>
<p style="text-align: justify;">Esta parte é a continuidade do artigo que visa comentar <a href="http://www.eticanapesquisa.org.br/saibamais" target="_blank"><strong>o FAQ do site “eticanapesquisa.org.br”</strong></a>, parte da campanha de “conscientização”, promovida pelo Governo Federal e por organizações científicas brasileiras, relativa ao uso de animais em pesquisas.</p>
<p style="text-align: justify;">***</p>
<p style="text-align: justify;"><em>7. De onde vêm os animais utilizados em experimentos?<br />
Todos são produzidos </em>[sic]<em> e criados em biotérios (ambiente de criação de animais destinados exclusivamente para pesquisa). Os pesquisadores podem comprar </em>[sic]<em> os animais, desde que tenham projetos aceitos por Comissões de Ética, criados nesses biotérios licenciados ou criá-los em biotérios próprios.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Se considerar que os interessados pela vivissecção estão praticamente em pé de guerra contra a defesa dos direitos animais, na “batalha” de argumentos eles perdem feio. Nesta questão eles deixam claro que tratam os animais como coisas, como objetos industrializados que podem ser produzidos numa fábrica (biotério), tal como um microscópio ou um computador, e vendidos como mercadorias para o primeiro cientista disposto a explorá-los de forma violenta numa experiência.</p>
<p style="text-align: justify;">Trata-se, nessa atitude, de alhear os animais não-humanos de sua dignidade como seres sencientes,  dotados do interesse de viver bem e livres, nascidos como fins em si mesmos – em vez de como meios para fins de outrem. E transformá-los em objetos passíveis de ser fabricados, comercializados e usados, tal como qualquer produto industrializado cuja existência é condicionada a interesses humanos.</p>
<p style="text-align: justify;">Isso ser feito com pessoas – transformar em produtos industrializados comerciáveis e usáveis por exploração violenta – seria considerado a pior e mais diabólica das agressões aos direitos humanos, mas, como quem é coisificado e explorado são “apenas animais”, isso é livre, é permitido pela lei, é incentivado pelos governos, tal como a campanha de “conscientização” deixa escancarado.</p>
<p style="text-align: justify;">Está visível a violência moral promovida, mesmo sem perceber, por quem deseja a perpetuação da experimentação animal.</p>
<p style="text-align: justify;">***<span id="more-5627"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><em>8. Quais são os animais mais usados em experimentação animal?<br />
De acordo com o Departamento de Agricultura norte-americano, 90% dos animais usados são roedores, em sua maioria ratos e camundongos. De acordo com o mesmo Departamento, entre 1968 e 1986 o número de animais utilizados diminui em 40% em razão dos métodos alternativos e do refinamento dos experimentos com animais.<br />
Esses animais são utilizados para desenvolver drogas usadas no tratamento de doenças como hipertensão, diabetes, vários tipos de câncer, bem como lesões na medula espinhal, entre outros. Camundongos, em sua maioria, agora estão sendo utilizados para determinar a função de genes, o que é importante para entendimento de doenças genéticas, por exemplo.<br />
Outros mamíferos, como cães, gatos e primatas (macacos, por exemplo) contabilizam, em todo o mundo, menos de 1% de todos os animais utilizados em pesquisas.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Nessa parte é explorado de forma quase subliminar o apelo à compaixão da sociedade por determinadas espécies. Fala-se que cães, gatos, primatas e outros mamíferos são menos de 1% dos animais explorados em pesquisas, logo a ciência vivisseccionista respeitaria os animais que as pessoas mais estimam.</p>
<p style="text-align: justify;">Se foi para contra-atacar os defensores dos direitos animais, erraram novamente, uma vez que esqueceram que estes defendem, além do fim da exploração animal pela ciência, também o fim do “respeito” seletivo a determinadas espécies animais em detrimento de outras – por exemplo, amar cães e gatos mas ignorar o sofrimento de camundongos, bois/vacas, porcos e peixes causado por humanos –, o chamado especismo seletivo, que é a discriminação de espécies animais por parte do ser humano pela atribuição de patamares morais desiguais de acordo com a espécie.</p>
<p style="text-align: justify;">***</p>
<p style="text-align: justify;"><em>9. Os animais são bons modelos para os humanos ou há particularidades que fazem com que outras espécies não possam fornecer informações confiáveis sobre o organismo humano?<br />
Os cientistas afirmam que há mais semelhanças que diferenças entre as espécies animais. Na verdade, todos os mamíferos têm os mesmos órgãos (coração, pulmões, rins, fígado etc). Esses órgãos executam as mesmas funções e são coordenados da mesma maneira tanto nos humanos quanto em outros animais. Estas semelhanças superam outras diferenças que são menores. Porém, até mesmo as pequenas diferenças podem fornecer informações úteis.<br />
Um camundongo possui até 90% da sua informação genética similar a dos seres humanos. Diferentes espécies animais compartilham não só códigos genéticos semelhantes, mas esses genes são estruturados de formas similares nos cromossomos, o que é um ponto importante para as pesquisas básicas com animais, pois falam a favor da semelhança com o funcionamento da fisiologia do ser humano. Na maioria dos casos, os animais desenvolvem e transmitem uma série de doenças encontradas em humanos, como câncer, asma, diabetes, doenças coronárias, hepatite, rubéola, tuberculose, malária entre outras. Essas doenças, além de se desenvolverem de forma semelhante entre os animais humanos ou não, podem ser estudadas e tratadas de forma semelhante. Isso facilita o desenvolvimento de novos medicamentos e procedimentos que possam curar doenças.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Como resposta, trago como citação um trecho do <a href="http://www.scribd.com/doc/17531210/Vivisseccao" target="_blank"><strong>resumo feito pela defensora animal Gabriela Toledo, da ONG Projeto Esperança Animal, sobre experimentação com cobaias</strong></a>:</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Um dos grandes erros da vivissecção é usar o animal como modelo humano. A experimentação animal parte do conceito errôneo de que espécies diferentes reagem de maneira idêntica ou similar a determinadas drogas e/ou substâncias. Apesar das diferenças gritantes entre cada indivíduo - respostas aos estímulos; os hábitos; o organismo; sexos; raças; formas de locomoção; raciocínio; estrutura celular, esquelética e muscular; as doenças e as reações fisiológicas, as respostas aos medicamentos são totalmente diferentes entre as espécies. - na vivissecção as diferenças são praticamente ignoradas.<br />
As diferenças existem até mesmo entre espécies próximas, como é o caso do rato e do camundongo. Um exemplo bem ilustrativo foi um estudo de 1989 para determinar a carcinogenicidade de fluorido: Aproximadamente 520 ratos e 520 camundongos receberam doses diárias do mineral fluorido por 2 anos. Nenhum dos camundongos foi afetado pelo fluorido, mas os ratos apresentaram problemas de saúde incluindo câncer na boca e nos olhos. Resumindo, experiências iguais realizadas simultaneamente nas duas espécies garantiram resultados totalmente diferentes.<br />
Muitas enfermidades que afetam seres humanos não afetam animais, por exemplo, os principais tipos de câncer que afetam humanos são muito diferentes daqueles que acometem os ratos. O tipo de tuberculose que afeta as pessoas é muito diferente do que é produzido artificialmente em animais.<br />
É comprovado que estudos envolvendo animais gera atraso na evolução científica, além de ser um grande desperdício de dinheiro e de vida animal.<br />
A vivissecção, em geral, conduz o pesquisador ao erro, uma vez que os resultados obtidos em experimentos com animais são totalmente diferentes dos resultados obtidos em humanos.<br />
[...]<br />
Lembrando que, geralmente, as “cobaias” são geneticamente modificadas a fim de tentar conseguir um quadro semelhante ao organismo humano. Doenças são artificialmente induzidas o que, por si só, já compromete os resultados das pesquisas.</em></p>
<p style="text-align: justify;">A resposta dos elaboradores do FAQ também acaba confessando que a pesquisa com cobaias causa sofrimento nos animais, pois os infecta com as doenças mais variadas e dolorosas, e que esse é um fundamento seu – consideram necessário reproduzir as doenças nos animais não-humanos (as quais, fique claro, segundo os próprios vivisseccionistas, se desenvolvem de forma semelhante entre os animais humanos e não-humanos), para que a cura às mesmas sejam testadas de modo a dar certo nos seres humanos.</p>
<p style="text-align: justify;">***</p>
<p style="text-align: justify;">Continue lendo a próxima parte deste artigo, para perceber como são frágeis os argumentos de quem é interessado na perpetuação do uso de animais em pesquisas.</p>
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		<title>Planeta Bizarro do G1 (Globo.com) trata sofrimento animal como curiosidade</title>
		<link>http://consciencia.blog.br/2010/07/planeta-bizarro-g1-globo-com-trata-sofrimento-animal-como-curiosidade.html</link>
		<comments>http://consciencia.blog.br/2010/07/planeta-bizarro-g1-globo-com-trata-sofrimento-animal-como-curiosidade.html#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 25 Jul 2010 06:06:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Robson Fernando</dc:creator>
				<category><![CDATA[Baixaria]]></category>
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		<description><![CDATA[Por diversas vezes no Consciência Efervescente denunciei ao leitorado o fato de o G1, portal de notícias da Globo.com, não levar a sério eventos que envolvem sofrimento animal, crueldade contra bichos e até morte de animais. Sua seção Planeta Bizarro, a despeito de todas as minhas denúncias e reclamações, continua sendo o lugar reservado para [...]


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</ol>]]></description>
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			</a>
		</div>
<p style="text-align: justify;">Por diversas vezes no Consciência Efervescente denunciei ao leitorado o fato de o G1, portal de notícias da Globo.com, não levar a sério eventos que envolvem sofrimento animal, crueldade contra bichos e até morte de animais. Sua seção Planeta Bizarro, a despeito de todas as minhas denúncias e reclamações, continua sendo o lugar reservado para transformar o bizarro-mau em bizarro-curioso.</p>
<p style="text-align: justify;">Fui inspirado a voltar a protestar via blog contra essa atitude depois que vi que foi publicada ontem essa notícia lá:</p>
<blockquote><p><a href="http://g1.globo.com/planeta-bizarro/noticia/2010/07/vegan-tatuado-e-acusado-de-incendio-que-destruiu-fabrica-de-la-de-ovelha.html" target="_blank"><strong><em>Vegan tatuado é acusado de incêndio que destruiu fábrica de lã de ovelha</em></strong></a></p></blockquote>
<p style="text-align: justify;">Não envolveu diretamente sofrimento animal e crueldade agressora, mas praticamente caçoou do veganismo, exibindo-o como nada mais que uma dieta (quando quem sabe o que é veganismo sabe que ele vai muito além da dieta <em>vegetariana-completa</em>) adotada por gente esquisita tatuada e tendente ao terrorismo e ignorando a sua motivação ética.</p>
<p style="text-align: justify;">Como vegano que sou, ainda que não tatuado nem praticante das chamadas ações diretas nem vegano apenas de dieta, denuncio aquele que é mais uma demonstração de como há na mídia brasileira, ainda que esta esteja em evolução ética no que tange a abordar notícias sobre animais, pessoas que teimam em continuar tratando com gozo as adversidades que promovem exploração e/ou causam sofrimento em animais não-humanos.</p>
<p style="text-align: justify;">Abaixo uma lista das 25 mais recentes notícias bizarras-ruins transformadas pelo PB/G1 em bizarras-curiosas, desde 16 de junho passado:</p>
<blockquote><p><strong><em><a href="http://g1.globo.com/planeta-bizarro/noticia/2010/07/urso-e-flagrado-com-cabeca-entalada-em-frasco-de-plastico-no-canada.html">Urso é flagrado com cabeça entalada em frasco de plástico no Canadá</a></em></strong></p>
<p><strong><em><a title="Cadela é confundida com coiote e acaba solta na natureza nos EUA" href="http://g1.globo.com/planeta-bizarro/noticia/2010/07/cadela-e-confundida-com-coiote-e-acaba-solta-na-natureza-nos-eua.html">Cadela é confundida com coiote e acaba solta na natureza nos EUA</a></em></strong></p>
<p><strong><em><a title="Polícia encontra burro forçado a voar de parapente" href="http://g1.globo.com/planeta-bizarro/noticia/2010/07/policia-encontra-o-burro-forcado-voar-de-parapente.html">Polícia encontra burro forçado a voar de parapente</a></em></strong></p>
<p><strong><em><a title="Donos usam cães para pedir esmola nas Filipinas" href="http://g1.globo.com/planeta-bizarro/noticia/2010/07/donos-usam-caes-para-pedir-esmola-nas-filipinas.html"><span style="color: #c0c0c0;">Donos</span> usam cães para pedir esmola nas Filipinas</a></em></strong></p>
<p><strong><em><a title="Coelho ‘dentuço’ passa por cirurgia para corrigir problema" href="http://g1.globo.com/planeta-bizarro/noticia/2010/07/coelho-dentuco-passa-por-cirurgia-para-corrigir-problema.html">Coelho ‘dentuço’ passa por cirurgia para corrigir problema</a></em></strong></p>
<p><strong><em><a title="Para atrair turistas, burro salta de paraquedas na Rússia" href="http://g1.globo.com/planeta-bizarro/noticia/2010/07/para-atrair-turistas-burro-salta-de-paraquedas-na-russia.html">Para atrair turistas, burro salta de paraquedas na Rússia</a></em></strong></p>
<p><strong><em><a title="Mundial de corrida de caracol define novo campeão" href="http://g1.globo.com/planeta-bizarro/noticia/2010/07/mundial-de-corrida-de-caracol-define-novo-campeao.html">Mundial de corrida de caracol define novo campeão<span id="more-5649"></span></a></em></strong></p>
<p><strong><em><a title="Americano iguala recorde ao pescar peixe de quase 40 quilos" href="http://g1.globo.com/planeta-bizarro/noticia/2010/07/americano-iguala-recorde-ao-pescar-peixe-de-quase-40-quilos.html">Americano iguala recorde ao pescar peixe de quase 40 quilos</a></em></strong></p>
<p><strong><em><a title="Taiwan promove competição de bichos de estimação pintados" href="http://g1.globo.com/planeta-bizarro/noticia/2010/07/taiwan-promove-competicao-de-bichos-de-estimacao-pintados.html">Taiwan promove competição de bichos de estimação pintados</a></em></strong></p>
<p><strong><em><a title="Cão sobrevive após levar seis tiros nos EUA" href="http://g1.globo.com/planeta-bizarro/noticia/2010/07/cao-sobrevive-apos-levar-seis-tiros-nos-eua.html">Cão sobrevive após levar seis tiros nos EUA</a></em></strong></p>
<p><strong><em><a title="Artista cria retrato com 200 mil formigas mortas" href="http://g1.globo.com/planeta-bizarro/noticia/2010/07/artista-cria-retrato-com-200-mil-formigas-mortas.html">Artista cria retrato com 200 mil formigas mortas</a></em></strong></p>
<p><strong><em><a title="Esquecido em carro, cão toca buzina para pedir ajuda" href="http://g1.globo.com/planeta-bizarro/noticia/2010/07/esquecido-em-carro-cao-toca-buzina-para-pedir-ajuda.html">Esquecido em carro, cão toca buzina para pedir ajuda</a></em></strong></p>
<p><strong><em><a title="Gato persegue esquilo e acaba entalando a cabeça em cano" href="http://g1.globo.com/planeta-bizarro/noticia/2010/07/gato-persegue-esquilo-e-acaba-entalando-cabeca-em-cano.html">Gato persegue esquilo e acaba entalando a cabeça em cano</a></em></strong></p>
<p><strong><em><a title="Gato cai no bueiro e companhia de esgoto é chamada para resgate" href="http://g1.globo.com/planeta-bizarro/noticia/2010/07/gato-cai-no-bueiro-e-companhia-de-esgoto-e-chamada-para-resgate.html">Gato cai no bueiro e companhia de esgoto é chamada para resgate</a></em></strong></p>
<p><strong><em><a title="Vaca dá 'olé' em 11 homens durante fuga no Canadá" href="http://g1.globo.com/planeta-bizarro/noticia/2010/07/vaca-da-ole-em-11-homens-durante-fuga-no-canada.html">Vaca dá 'olé' em 11 homens durante fuga no Canadá</a></em></strong></p>
<p><strong><em><a title="Empresa americana lança vodca de salmão defumado" href="http://g1.globo.com/planeta-bizarro/noticia/2010/07/empresa-americana-lanca-vodca-de-salmao-defumado.html">Empresa americana lança vodca de salmão defumado</a></em></strong></p>
<p><strong><em><a title="Ex-policial procura mulher para fazer sexo com seu cachorro" href="http://g1.globo.com/planeta-bizarro/noticia/2010/07/ex-policial-procura-mulher-para-fazer-sexo-com-seu-cachorro.html">Ex-policial procura mulher para fazer sexo com seu cachorro</a></em></strong></p>
<p><strong><em><a title="Atum vermelho de 445 kg é vendido por mais de R$ 65 mil no Japão" href="http://g1.globo.com/planeta-bizarro/noticia/2010/07/atum-vermelho-de-445-kg-e-vendido-por-mais-de-r-65-mil-no-japao.html">Atum vermelho de 445 kg é vendido por mais de R$ 65 mil no Japão</a></em></strong></p>
<p><strong><em><a title="Aranhas são fritas e oferecidas como petisco no Camboja" href="http://g1.globo.com/planeta-bizarro/noticia/2010/06/aranhas-sao-fritas-e-oferecidas-como-petisco-no-camboja.html">Aranhas são fritas e oferecidas como petisco no Camboja</a></em></strong></p>
<p><strong><em><a title="Camundongos de praia dominam arte do surfe na Austrália" href="http://g1.globo.com/planeta-bizarro/noticia/2010/06/camundongos-de-praia-dominam-arte-do-surfe-na-australia.html">Camundongos de praia dominam arte do surfe na Austrália</a></em></strong></p>
<p><strong><em><a title="Cachorra fujona escapa de voo e pula na água nos Estados Unidos" href="http://g1.globo.com/planeta-bizarro/noticia/2010/06/cachorro-fujona-escapa-de-voo-e-pula-na-agua-nos-estados-unidos.html">Cachorra fujona escapa de voo e pula na água nos Estados Unidos</a></em></strong></p>
<p><strong><em><a title="Restaurante aproveita Copa e oferece hambúrguer com carne de leão " href="http://g1.globo.com/planeta-bizarro/noticia/2010/06/restaurante-aproveita-copa-e-oferece-hamburguer-com-carne-de-leao.html">Restaurante aproveita Copa e oferece hambúrguer com carne de leão </a></em></strong></p>
<p><strong><em><a title="Americana se encrenca ao despachar gato pela caixa do correio " href="http://g1.globo.com/planeta-bizarro/noticia/2010/06/americana-se-encrenca-ao-despachar-gato-pela-caixa-do-correio.html">Americana se encrenca ao despachar gato pela caixa do correio </a></em></strong></p>
<p><strong><em><a title="Cachorro levado por ventania reencontra a dona na Hungria" href="http://g1.globo.com/planeta-bizarro/noticia/2010/06/cachorro-levado-por-ventania-reencontra-dona-na-hungria.html">Cachorro levado por ventania reencontra a dona na Hungria</a></em></strong></p>
<p><strong><em><a title="Cachorra sobrevive a cirurgia depois de engolir 5 gatos de cerâmica" href="http://g1.globo.com/planeta-bizarro/noticia/2010/06/cachorra-sobrevive-cirurgia-depois-de-engolir-5-gatos-de-ceramica.html">Cachorra sobrevive a cirurgia depois de engolir 5 gatos de cerâmica</a></em></strong></p></blockquote>
<p style="text-align: justify;">Se fossem crianças nessas situações de sofrimento e aflição (p. ex., entaladas em potes, postas à força em paraquedas, engolindo objetos), não teriam publicado nada disso, uma vez que há questões éticas para se caçoar online de seres humanos para quem compõe a redação do PB/G1. Mas, como são "apenas animais", tratar suas aflições, medos e sofrimentos é livremente visto como algo digno da seção de curiosidades.</p>
<p style="text-align: justify;">Sei que é inútil pedir boicote ao G1 ou que os seus links não sejam divulgados para "não alimentar o troll", já que o G1 é um portal de enorme audiência. Mas fica o aviso: esse site, que ridiculariza as adversidades pelas quais animais passam, não é ético, merece receber protestos d<small>@</small>s leitoræs.</p>
<p style="text-align: justify;">Por bastante tempo insisti para que, assim como grande parte dos grandes portais de notícias brasileiros, criassem uma seção apenas para animais não-humanos, onde as notícias não polêmicas e as ruins como as listadas acima seriam publicadas, para que passem a demonstrar ter uma visão minimamente decente da vida animal. Mas não me ouviram - afinal, para elæs eu era só um indivíduo tolo, zé-ninguém metido a salvador do mundo, querendo peitar uma gigante colossal como as Organizações Globo.</p>
<p style="text-align: justify;">Bem que protestos de mais e mais pessoas, leitoræs comprometid<small>@</small>s em ao menos respeitar os animais, poderiam fazer a diferença que eu sozinho não fiz.</p>
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		<title>FAQ da campanha pró-vivissecção X coerência e direitos animais (Parte 2)</title>
		<link>http://consciencia.blog.br/2010/07/faq-da-campanha-pro-vivisseccao-coerencia-direitos-animais-parte-2.html</link>
		<comments>http://consciencia.blog.br/2010/07/faq-da-campanha-pro-vivisseccao-coerencia-direitos-animais-parte-2.html#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 24 Jul 2010 12:00:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Robson Fernando</dc:creator>
				<category><![CDATA[*Posts em Destaque*]]></category>
		<category><![CDATA[Alienação e Conformismo]]></category>
		<category><![CDATA[Animais Tratados como Propriedade]]></category>
		<category><![CDATA[Antropocentrismo]]></category>
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		<category><![CDATA[Hipocrisia e Demagogia]]></category>
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		<category><![CDATA[Vivissecção e Testes em Animais]]></category>
		<category><![CDATA[Ética e Moral]]></category>

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		<description><![CDATA[Esta parte é a continuidade do artigo que visa comentar o FAQ do site “eticanapesquisa.org.br”, parte da campanha de “conscientização”, promovida pelo Governo Federal e por organizações científicas brasileiras, relativa ao uso de animais em pesquisas. *** 4. Quais as alternativas ao uso de animais em pesquisa científica e por que os animais não podem [...]


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<li><a href='http://consciencia.blog.br/2010/07/faq-da-campanha-pro-vivisseccao-coerencia-direitos-animais-parte-3.html' rel='bookmark' title='Permanent Link: FAQ da campanha pró-vivissecção X coerência e direitos animais (Parte 3)'>FAQ da campanha pró-vivissecção X coerência e direitos animais (Parte 3)</a></li>
<li><a href='http://consciencia.blog.br/2010/07/faq-da-campanha-pro-vivisseccao-coerencia-direitos-animais-parte-4-final.html' rel='bookmark' title='Permanent Link: FAQ da campanha pró-vivissecção X coerência e direitos animais (Parte 4 e final)'>FAQ da campanha pró-vivissecção X coerência e direitos animais (Parte 4 e final)</a></li>
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			</a>
		</div>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter" title="vivisseccao 2" src="http://1.bp.blogspot.com/_UD7GxAKV09I/S07Axd87wAI/AAAAAAAAAPU/Mac3u1eNPGw/s320/DSC01091.JPG" alt="" width="240" height="180" /></p>
<p style="text-align: justify;">Esta parte é a continuidade do artigo que visa comentar <a href="http://www.eticanapesquisa.org.br/saibamais" target="_blank"><strong>o FAQ do site “eticanapesquisa.org.br”</strong></a>, parte da campanha de “conscientização”, promovida pelo Governo Federal e por organizações científicas brasileiras, relativa ao uso de animais em pesquisas.</p>
<p style="text-align: justify;">***</p>
<p style="text-align: justify;"><em>4. Quais as alternativas ao uso de animais em pesquisa científica e por que os animais não podem ser inteiramente substituídos por modelos alternativos?<br />
Para os cientistas, ainda não existem hoje métodos que substituam inteiramente o uso de animais nas pesquisas na área biológica. Em algum momento das pesquisas, os testes com animais são necessários. ?Em alguns procedimentos, os pesquisadores podem usar culturas de células e tecidos bem como modelos computacionais. Porém, tais métodos, não substituem totalmente o uso de animais. Há pesquisas na área da fisiologia, comportamento, biomedicina e da nutrição que exigem o organismo vivo para segurança da pesquisa que está sendo realizada.<br />
Os modelos alternativos têm por objetivo reduzir o número de animais utilizados e isso é um grande avanço. São métodos eficientes para serem usados na fase inicial da pesquisa. O teste final, no entanto, tem de ser feito em animais, pois os efeitos de um novo procedimento, medicamento ou vacina podem ser completamente diferentes e até arriscados quando testados em um organismo completo vivo. Mesmo a tecnologia mais sofisticada não pode imitar as interações complexas entre as células, tecidos e órgãos que ocorrem nos seres humanos e animais. Os cientistas precisam entender essas interações antes de introduzir um novo tratamento ou uma substância em animais, sejam eles humanos ou não.<br />
Às vezes, os estudos dos seres vivos mais simples, tais como bactérias, leveduras, vermes e moscas de fruta podem fornecer uma boa visão nos processos biológicos. Estudos com estes seres têm fornecido conhecimentos específicos sobre como alguns genes funcionam, por exemplo. Estas informações podem ser muito úteis, uma vez que muitos genes similares também estão presentes nos seres humanos e em outros mamíferos.<br />
Mas os órgãos de nosso corpo e dos nossos sistemas biológicos interagem de forma sofisticada. Esses processos não podem ser plenamente compreendidos em organismos simples, em moléculas isoladas ou células e, em algum momento deverão ser testados em mamíferos.<br />
É por isso que é importante estudar os processos em animais e isso também incluem os testes em seres humanos.?Devido às muitas e variadas interações entre os órgãos do corpo humano e sistemas, não só doenças, mas também novos medicamentos, vacinas e técnicas cirúrgicas devem ser estudados em animais para garantir sua segurança e eficácia.<br />
Alguns cientistas não consideram, no entanto, a cultura de células de tecido como um método alternativo, mas um possesso de refinamento da pesquisa, evitando que um número desnecessário de animais seja utilizado. Mesmo as pesquisas com células exigem o uso de animais para a produção e extração dessas células.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Bota-se areia em todas as alternativas de pesquisa citadas, ignora-se o fato de que muitas descobertas da medicina – a exemplo da penicilina, da aspirina e de cirurgias diversas – não precisaram de cobaias. Faz-se isso na tentativa de superestimar a dependência da ciência biomédica das pesquisas com cobaias. E em momento nenhum fala-se de qualquer perspectiva de se substituir os animais nas pesquisas no futuro, mesmo daqui a décadas.<span id="more-5623"></span></p>
<p style="text-align: justify;">A extensa resposta dessa quarta questão foi um atestado de pequenez nos mais diversos sentidos:<br />
- acomodação e limitação a uma metodologia antiquada, praticamente bicentenária, de pesquisa biomédica<br />
- incapacidade de se livrar de um paradigma secular de pesquisa científica<br />
- ignorância sobre o poder da tecnologia e da engenharia, com destaque à informática de ponta, de inovar e revolucionar técnicas de pesquisa científica<br />
- acima de tudo, falta de interesse de se buscar novos métodos</p>
<p style="text-align: justify;">Se os químicos e físicos estadunidenses e europeus que viveram nos últimos 200 anos pensassem como esses cientistas brasileiros “pensam”, muitas das tecnologias existentes, como o computador e o telefone celular, não existiriam nem em ficções científicas hoje em dia, e ainda se acreditaria que o Sol é composto de fogo de combustão, dado o perpetuamente limitado acervo de tecnologias que estariam disponíveis para estudos de Ciências da Natureza.</p>
<p style="text-align: justify;">E é esse pensamento estagnado – e acusado de interesses escusos por quem vê nessa acomodação uma aliança econômica a favorecer as indústrias laboratoriais que ganham dinheiro vendendo equipamentos ligados à vivissecção – que limita até mesmo que as alternativas sejam desenvolvidas, de modo que os defensores dos direitos dos animais possam mostrar ao mundo que uma metodologia de pesquisa biomédica sem torturar animais é ou será possível.</p>
<p style="text-align: justify;">***</p>
<p style="text-align: justify;"><em>5. Quais são as leis que regulam a experimentação animal no Brasil?<br />
A lei 11.794 de 08/10/2008 também conhecida como “Lei Arouca” regulamenta a prática com animais utilizados para propósito de ensino e pesquisa, restringindo a utilização desses animais somente nos estabelecimentos de ensino superior bem como nos de educação profissional técnica de nível médio da área biomédica. Essa Lei exige que esses estabelecimentos tenham Comissões de Ética e que possam gerenciar, avaliar e autorizar todos os protocolos de pesquisas envolvendo animais. Além disso, as Comissões de Ética devem proteger [sic] os animais utilizados em pesquisa e averiguar se as condições em que eles se encontram são as mais adequadas.<br />
A lei na integra se encontra em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/lei/l11794.htm</em></p>
<p style="text-align: justify;">A parte que vale comentar é o trecho “as Comissões de Ética devem proteger [sic] os animais utilizados em pesquisa”. A verdade é que não existe proteção nenhuma por parte das comissões de “ética”, fora o vazio discurso do “bem-estar animal” e a censura de uma ou outra experiência de crueldade extrema. E, como pôde ser percebido aqui mesmo neste artigo, falar de condições dignas e respeitosas para esses animais é risível.</p>
<p style="text-align: justify;">***</p>
<p style="text-align: justify;"><em>6. Os animais de laboratório sofrem maus-tratos?<br />
Não, pois os Códigos de Ética impedem os maus-tratos e punem os pesquisadores que não tratarem os animais de acordo com a legislação vigente em seus países. Além disso, se os animais forem expostos a situações que lhes causem estresse ou sofrimento, não oferecerão resultados confiáveis para a pesquisa. Sendo assim, os animais são tratados e acomodados de modo a não sofrer influências do meio exterior (nos biotérios, temperatura, umidade e ciclo de luz são controlados). Além disso, analgésicos e anestésicos são utilizados quando os animais são submetidos a procedimentos que possam causar dor. Esses procedimentos podem ser comparados ao que acontece com os seres humanos quando são submetidos a cirurgias, por exemplo.<br />
O uso de animais em pesquisas é controlado pelas Comissões de Ética que, na forma da lei, aprovam e supervisionam os protocolos. No Brasil existe, desde 2008, uma Lei (11.794 de 08/10/2008) que regulamenta toda a experimentação com animais, protegendo-os contra maus-tratos.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Esse é o auge do risível e da falácia no FAQ vivisseccionista. Todas as suas frases contradizem a realidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Primeiro, faço minhas as palavras de Fernanda Franco, jornalista da Agência de Notícias de Direitos Animais, em mensagem dirigida a mim por e-mail: “Forçar um ser a fazer o que não é de sua vontade ou natureza, e que vai contra o seu bem próprio, já contém os maus-tratos. Exploração sem maus-tratos é um absurdo, é como chuva sem água: impossível, indissociável – toda exploração contém maus-tratos.”</p>
<p style="text-align: justify;">Segundo, tenta-se esconder uma realidade quase óbvia da experimentação animal: muitas pesquisas requerem de fato o sofrimento dos animais, seja por lhes induzir ao câncer, seja por lhes injetar veneno, seja por inserir em seu sistema circulatório alguma droga cujos efeitos colaterais precisam ser controlados, seja por diversos outros motivos.</p>
<p style="text-align: justify;">Há aquelas também, pelo menos constando em literatura científica internacional muito recente, que explicitamente requereram situações de estresse, como foi o caso recentemente divulgado de <a href="http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,estresse-ajuda-ratos-a-lutar-contra-o-cancer-diz-estudo,578418,0.htm" target="_blank"><strong>uma experiência na qual se concluiu que o estresse pode ajudar na retração de quadros de câncer</strong></a>.</p>
<p style="text-align: justify;">Terceiro, há casos em que a injeção de analgésicos e anestésicos pode interferir negativamente na pesquisa, uma vez que podem acontecer no organismo do animal reações químicas adversas dos atenuantes de dor com a droga a ser testada, podendo, por exemplo, agravar tumores, anular o efeito de uma outra droga ou, em casos mais raros, causar imprevisível reação alérgica em determinados indivíduos, dependendo das peculiaridades do organismo de um ou outro animal.</p>
<p style="text-align: justify;">Quarto, a comparação com a cirurgia humana não faz sentido, porque a vivissecção muitas vezes promove experiências baseadas em tentativa-e-erro, podendo ou não elas falhar e causar trágicas consequências, o que não acontece com as já prontas, consolidadas e bem desenvolvidas operações em seres humanos, cuja chance de falhar é muitíssimo menor que experiências vivisseccionais cujos efeitos ainda estão para ser descobertos.</p>
<p style="text-align: justify;">Quinto, a Lei Arouca tem todo um condicionamento bem-estarista, mas é incapaz de alhear a experimentação animal de sua essência metódica, que é aprisionar, explorar, causar sofrimento e matar seres sencientes. É uma lei que não agrada nem a maioria das ONGs voltadas ao bem-estar animal.</p>
<p style="text-align: justify;">***</p>
<p style="text-align: justify;">A próxima parte deste artigo terá mais perguntas e respostas a serem comentadas, de modo a desmascarar a argumentação de quem está interessado na continuidade da experimentação animal científica no Brasil.</p>
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		<title>FAQ da campanha pró-vivissecção X coerência e direitos animais (Parte 1)</title>
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		<pubDate>Fri, 23 Jul 2010 12:00:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Robson Fernando</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Alienação e Conformismo]]></category>
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<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter" title="vivisseccao 1" src="http://www.digitaljournal.com/img/6/6/2/1/4/9/i/2/7/2/o/Copy_0_mice.jpg" alt="" width="225" height="240" /></p>
<p style="text-align: justify;">A campanha do governo para “conscientizar” a população sobre a alegada importância de se promover a pesquisa com cobaias está aí. Não há apenas os comerciais televisivos, mas também um site (<strong><a href="http://www.eticanapesquisa.org.br/" target="_blank">www.eticanapesquisa.org.br</a></strong>) feito exclusivamente para “esclarecer” os fundamentos do uso de animais em pesquisas. Nesse site, há depoimentos, vídeos e <a href="http://www.eticanapesquisa.org.br/saibamais" target="_blank"><strong>um FAQ (frequently asked questions – perguntas frequentes) sobre o tema</strong></a>.</p>
<p style="text-align: justify;">No entanto, o próprio FAQ mostra como são frágeis e incoerentes os argumentos dos vivisseccionistas (cientistas que realizam a vivissecção, a pesquisa com cobaias vivas) perante a verdadeira ética dos direitos animais. É fácil derrubá-los, bastando comentar as respostas dadas às perguntas listadas pelos criadores do site.</p>
<p style="text-align: justify;">Abaixo, e nas próximas partes deste artigo, comento a resposta dada a cada pergunta, desmontando a argumentação usada por quem está interessado em continuar explorando e matando animais em laboratórios.</p>
<p style="text-align: justify;">****</p>
<p style="text-align: justify;"><em>1. O ser humano tem direito de usar o animal em experimentações que beneficiarão o próprio homem </em>[sic]<em>? E como ficam os direitos dos animais?<br />
Deve ficar claro que uso de animais em pesquisas não só beneficia o ser humano, mas também outros animais. Quase todos os grandes avanços na área da saúde durante o século XX utilizaram animais em suas pesquisas.<br />
Sobre o que se convencionou chamar de “direito animal”, entendemos que é obrigação da sociedade assegurar o bem-estar animal através de Leis claras que regulamentem a prática. Sem essa segurança respaldada na Lei, os animais estarão desprotegidos. O Brasil está fazendo sua parte e, desde 2008, tem uma Lei que regulamente a utilização de animais para propósito científico e didático em todo Território Nacional. Aos que infringirem a Lei, punições estão asseguradas.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Em primeiro lugar, a pergunta “O ser humano tem direito de usar o animal em experimentações...?” não foi respondida. Preferiu-se enrolar o “questionador” recorrendo aos alegados benefícios científicos rendidos pela vivissecção ao ser humano e, através da medicina veterinária, aos animais domésticos. Hoje ainda é preferido, mesmo recorrendo-se à hipocrisia, omitir a multicentenária visão antropocêntrica e utilitarista dada pela comunidade científica à vida animal – de que a humanidade é moralmente a espécie superior e, por isso, pode determinar que certos animais não-humanos nasçam para servir perpetuamente aos interesses humanos e não tenham valor algum fora essa utilidade servil.<span id="more-5620"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Em segundo lugar, o conceito de direitos animais foi distorcido e espertamente confundido com o ainda incipiente Direito Animal, que geralmente pode ser compreendido como a seção do Direito reservada aos animais não-humanos enquanto sujeitos de direito. E, aproveitando-se que hoje o foco maior do Direito Animal é o bem-estar dos animais, o combate a atos de crueldade explícita – sendo questões ligadas aos direitos animais propriamente ditos ainda secundárias na atual abordagem legal –, uma nova enrolação foi promovida, dessa vez em torno da suposta obediência aos teóricos critérios de bem-estar estabelecidos na Lei Arouca.</p>
<p style="text-align: justify;">Nada relacionado aos direitos dos animais à vida, à liberdade e a não ser propriedade de outrem é abordado – também pudera, considerando que a vivissecção lhes nega frontalmente esses direitos e os vivisseccionistas ainda não conseguem pensar em qualquer justificativa ética para essa negação. Em outras palavras, a pergunta “E como ficam os direitos dos animais?” também não é verdadeiramente respondida, preferindo-se enrolar o leitor com a falsa preocupação dos cientistas com o bem-estar de seus prisioneiros.</p>
<p style="text-align: justify;">***</p>
<p style="text-align: justify;"><em>2. Todos os animais envolvidos invariavelmente devem ser eutanasiados ao fim do processo de pesquisa?<br />
A maioria dos animais, depois de atingido o objetivo principal da pesquisa, são sacrificados. Em muitos deles, a análise de seus tecidos é fundamental para compreensão dos resultados das pesquisas que estão sendo realizadas. Esses animais são sacrificados de acordo com as regras humanitárias de eutanásia das Comissões de Ética, seguindo procedimentos regulamentados em normas internacionais. Esses procedimentos consistem em abreviar a vida do ser estudado sem dor ou sofrimento.?Além disso, a legislação brasileira, bem como as legislações de vários outros países, não permite que um animal seja reutilizado depois de atingido o propósito inicial da pesquisa.</em></p>
<p style="text-align: justify;">É sabido que nem todos os animais explorados em pesquisas são anestesiados, considerando que nem todas as experiências requerem o assassinato dos mesmos. Tanto que o Artigo 14, parágrafo 2º, diz que “excepcionalmente [sic], quando os animais utilizados em experiências ou demonstrações não forem submetidos a eutanásia, poderão sair do biotério após a intervenção, ouvida a respectiva CEUA quanto aos critérios vigentes de segurança, desde que destinados a pessoas idôneas ou entidades protetoras de animais devidamente legalizadas, que por eles queiram responsabilizar-se”. Ou seja, os animais “de laboratórios” não são invariavelmente executados. Isso bastaria para responder à pergunta.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas, interessantemente, o respondedor da pergunta dá um tiro de fuzil no pé, com toda essa exaltação ao assassinato dos animais usados em experiências. Indiretamente ele fala que matá-los é parte essencial das pesquisas de vivissecção. Fala em seguida dos critérios “humanitários” de “eutanásia” desses bichos, mas isso é menos do que insuficiente para desbancar a argumentação dos defensores dos direitos animais.</p>
<p style="text-align: justify;">O que está em jogo na luta pelos direitos animais, ignoram ou desconhecem os formuladores do FAQ, não é se os animais são mortos de forma “digna", mas simplesmente se é direito nosso matá-los. E o que vemos na resposta à pergunta nº2 é que os cientistas arrogam para si esse “direito”, negando para isso o direito dos bichos à vida.</p>
<p style="text-align: justify;">***</p>
<p style="text-align: justify;"><em>3. Em que momento uma pesquisa se torna segura para ser realizada em humanos? E como é feita essa transição?<br />
Após o momento em que os testes com animais apresentam resultados seguros, eles serão realizados em um grupo pequeno de pacientes humanos (fase I) para somente em seguida serem realizado em um grupo expressivo de pacientes voluntários (fases II e III).</em></p>
<p style="text-align: justify;">Isso é uma confissão de que, em certo momento, os testes são inseguros demais para serem reproduzidos em seres humanos. Ou seja, são incertos e falhos demais e poderiam causar sofrimento e até morte nas pessoas que participassem da experiência.</p>
<p style="text-align: justify;">Isso quer dizer uma coisa: que há sim sofrimento nas pesquisas de vivissecção, sofrimento que foge ao controle da Lei Arouca. É quando as cobaias sofrem, por exemplo, com graves efeitos colaterais dos princípios ativos testados. É de se imaginar a agonia de um camundongo quando tem injetada em seu corpo uma droga cujos efeitos adversos ainda eram desconhecidos. Mesmo que seja eutanasiado pelo cientista uma hora depois de ter ingerido o medicamento em teste, ele sofreu, de qualquer jeito. E ainda foi morto precocemente depois de tudo.</p>
<p style="text-align: justify;">Considerando que, segundo os cientistas, o corpo do camundongo tem muitas semelhanças fisiológicas com o corpo humano, o que é inseguro para um é inseguro para outro de acordo com a própria lógica deles. Por que então pesquisas inseguras são realizadas em animais então, mesmo sabendo-se que estes poderão sofrer até a morte com os efeitos de tais experiências? Isso mostra como a argumentação bem-estarista dos formuladores da campanha é frágil, incoerente e muito contraditória.</p>
<p style="text-align: justify;">***</p>
<p style="text-align: justify;">Para deixar este artigo mais confortável de se ler, eu o dividi em partes. As próximas partes trarão mais perguntas e respostas desse FAQ que serão comentadas e desmascaradas, pelo bem dos animais não-humanos.</p>
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		<title>Abusos éticos na ciência</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Jul 2010 19:50:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Robson Fernando</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Como os Animais São Vistos]]></category>
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		<description><![CDATA[Maioria dos cientistas já testemunhou abuso ético A maioria dos cientistas já testemunhou ou se envolveu em casos de infração científica como falsificação de dados ou plágio. É isso que revela um estudo inédito conduzido pelo Simmons College, dos Estados Unidos. De um total de 2.599 cientistas americanos e canadenses com pesquisas financiadas pelos Institutos [...]


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<p style="text-align: justify;"><a href="http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/770762-maioria-dos-cientistas-ja-testemunhou-abuso-etico.shtml" target="_blank"><strong><em>Maioria dos cientistas já testemunhou abuso ético</em></strong></a></p>
<p style="text-align: justify;"><em>A maioria dos cientistas já testemunhou ou se envolveu em casos de infração científica como falsificação de dados ou plágio. É isso que revela um estudo inédito conduzido pelo Simmons College, dos Estados Unidos.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>De um total de 2.599 cientistas americanos e canadenses com pesquisas financiadas pelos Institutos Nacionais de Saúde (NIH, na sigla em inglês), 84% disseram já ter presenciado ou participado de infrações científicas.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Dentre os cientistas que participaram direta ou indiretamente de um trabalho com dados fraudulentos, 63% disseram ter tentado intervir para evitar o abuso.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>As informações, coletadas por meio de um questionário enviado por e-mail aos cientistas, respondido anonimamente, estão na edição desta quinta-feira (22) da revista "Nature". </em></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Se fôssemos estender esse conceito de ética científica à exploração de seres sencientes, a porcentagem de cientistas da área de biomedicina a terem presenciado ou praticado abusos éticos seria 100%.</p>
<p style="text-align: justify;">Para quem diz "tratar com respeito e dignidade" os animais "de laboratório" mas de fato promove torturas <a href="http://consciencia.blog.br/2010/07/frase-da-semana-18-2407.html" target="_blank"><strong>mengelianas</strong></a> uma pior que a outra, violar a ética é fichinha.</p>
<p style="text-align: justify;">Sem contar que o próprio ato de usar os animais em laboratório é <em>per se</em> uma violação ética.</p>
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		<title>Frase da semana (18-24/07)</title>
		<link>http://consciencia.blog.br/2010/07/frase-da-semana-18-2407.html</link>
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		<pubDate>Wed, 21 Jul 2010 12:15:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Robson Fernando</dc:creator>
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<p style="text-align: justify;"><strong><em>"Os mais perversos torturado[re]s são infantis pertos dos cientistas. Temos milhares de Josef Mengele espalhados por ai."</em></strong> Sygmund Tyfroid comentando <a href="http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,campanha-defende-cobaia-em-pesquisas,574225,0.htm" target="_blank"><strong>notícia sobre a campanha pró-vivisseccionista do governo federal e de organizações científicas no Estadao.com.br</strong></a></p>
<p>Abaixo um pouco sobre Josef Mengele, o Anjo da Morte nazista, extraído da <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Josef_Mengele" target="_blank"><strong>Wikipédia</strong></a>:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><em>Em suas experiências com seres humanos em <a title="Auschwitz" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Auschwitz">Auschwitz</a>, ele injetou tinta azul em olhos de crianças, uniu as veias de gêmeos, deixou pessoas em tanques de água gelada para testar suas resistências, amputou membros de prisioneiros e coletou milhares de órgãos em seu laboratório.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>A partir de <a title="1943" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/1943">1943</a>, os gémeos eram seleccionados e colocados em barracões especiais. Quando na rampa de selecção localizava gêmeos, os irmãos eram colocados num recinto especial e eram tratados melhor que os restantes internos. Praticamente todas as experiências de Mengele careciam de valor científico, mas foram financiadas pelo governo nazi. Incluíam, por exemplo, tentativas de mudar a cor dos olhos mediante injecções de substâncias químicas nos olhos de crianças, amputações diversas e outras cirurgias brutais e, pelo menos numa ocasião, uma tentativa de criar siameses artificialmente mediante a união de veias de irmãos gémeos (a operação foi um fracasso e o único resultado foi que as mãos dos pacientes se infectaram gravemente). As pessoas objeto de experiências de Mengele, no caso de sobreviverem, foram quase sempre assassinadas depois para dissecação.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Em cooperação com outros médicos, Mengele tentou também encontrar um método de esterilização em massa; muitas das vítimas foram mulheres a quem injectava diversas substâncias, sucumbindo muitas delas ou ficando estéreis noutros casos.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Mengele fez experiências com ciganos e judeus que tinham doenças hereditárias como nanismo, síndrome de Down, irmãos siameses e outras afecções e dissecou vivas algumas pessoas mestiças, submergindo depois os seus cadáveres numa tina com um líquido que consumia as carnes, deixando livres os ossos. Os esqueletos eram enviados para Berlim como macabro mostruário da degeneração física dos judeus ou outros.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Por vezes realizava sessões de tortura submergindo em água gelada prisioneiros fortes para observar as suas reacções ante a <a title="Hipotermia" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Hipotermia">hipotermia</a>. Também cooperou com o seu equivalente da Força Aérea, o médico <a title="Sigmund Rascher (página não existe)" href="http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Sigmund_Rascher&amp;action=edit&amp;redlink=1">Sigmund Rascher</a><a title="Luftwaffe" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Luftwaffe">Luftwaffe</a>, em algumas experiências em que submetia pessoas a mudanças de <a title="Pressão" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Press%C3%A3o">pressão</a> extremas, e os indivíduos morriam com horrorosas convulsões por excessiva pressão intracraniana. Rascher foi o equivalente de Mengele na experimentação em seres humanos, mas com fins militares. A sua perversidade andava a par da de Mengele, mas a sua história e final foram muito distintos.</em> da</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Devido as atrocidades cometidas por ele durante a guerra, seu título de Doutor foi revogado pelas Universidades de <a title="Universidade de Frankfurt" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Universidade_de_Frankfurt">Frankfurt</a> e <a title="Universidade de Munique" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Universidade_de_Munique">Munique</a>.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Mengele fez numa ocasião carregar um vagão de trem com caixões que os prisioneiros notaram "demasiado pesados para o seu volume". Os caixões iam com destino a Günzburg e alguns prisioneiros deduziram correctamente que continham lingotes de ouro, provenientes das extracções dentárias das vítimas do campo. Este foi um dos primeiros indícios de que Mengele tinha pressentido o fim da <a title="Alemanha Nazi" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Alemanha_Nazi">Alemanha Nazi</a>.</em></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Leia o artigo <a href="http://consciencia.blog.br/2010/07/responsabilidade-etica-respeito-de-mentira.html" target="_blank"><strong>Responsabilidade, ética e respeito... de mentira</strong></a> e a sequência "<a href="http://consciencia.blog.br/?s=Mais+uma+pervers%C3%A3o+de+cientistas+torturadores" target="_blank"><strong>Mais uma perversão de cientistas torturadores</strong></a>" e verá que de fato o que não falta por aí são novos Anjos da Morte torturando e matando animais não-humanos, com técnicas que muitas vezes deixariam os doutores nazistas com inveja.</p>
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		<title>Mais uma perversão de cientistas torturadores (Parte 48)</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Jul 2010 04:23:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Robson Fernando</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Acupuntura e reiki agora têm explicação científica Pesquisas recentes comprovam efeitos benéficos e até encontram explicações científicas para acupuntura e reiki. Estudos sobre o assunto, antes restritos às universidades orientais, ganharam espaço entre pesquisadores americanos, europeus e até brasileiros. Recentemente, a Organização Mundial de Saúde (OMS) criou uma denominação especial para esses métodos: são as [...]


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			</a>
		</div>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><em><a href="http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,EMI152042-17770,00-ACUPUNTURA+E+REIKI+AGORA+TEM+EXPLICACAO+CIENTIFICA.html" target="_blank"><strong>Acupuntura e reiki agora têm explicação científica</strong></a></em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Pesquisas recentes comprovam efeitos benéficos e até encontram explicações científicas para acupuntura e reiki. Estudos sobre o assunto, antes restritos às universidades orientais, ganharam espaço entre pesquisadores americanos, europeus e até brasileiros. Recentemente, a Organização Mundial de Saúde (OMS) criou uma denominação especial para esses métodos: são as terapias integrativas.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Um artigo ex</em>[plicando o ]<em>mecanismo da acupuntura contra a dor foi publicado por pesquisadores da Universidade de Rochester na revista Nature Neuroscience em 30 de maio. Criada há quatro mil anos, a prática consiste na aplicação de agulhas em pontos do corpo. Pela explicação tradicional, ela ativa determinadas correntes energéticas para equilibrar a energia do organismo. </em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Cientificamente, as agulhas teriam efeitos no sistema nervoso central (cérebro e espinha dorsal). As células cerebrais são ativadas e liberam endorfina, um neurotransmissor responsável pela sensação de relaxamento e bem-estar. O estudo dos nova-iorquinos descobriu uma novidade: a terapia, que atinge tecidos mais profundos da pele, teria efeitos no sistema nervoso periférico. As agulhas estimulam também a liberação de outro neurotransmissor, a adenosina, com poder antiinflamatório e analgésico.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>No experimento com <span style="color: #8b0000;">camundongos com <strong>dores</strong> nas patas</span> </em><span style="color: #696969;">[logicamente induzidas por ação humana (violência)]</span><em>, cientistas aplicavam as agulhas no joelho do animal. Eles constataram que o nível de adenosina na pele da região era 24 vezes maior do que o normal e que houve uma redução do <strong>desconforto</strong> em dois terços. </em><span style="color: #696969;">[Para quem diz que experimentação animal não causa dor ou sofrimento, essa é uma boa prova em contrário.]</span></p>
<p style="text-align: justify;"><em>A equipe tentou potencializar a eficácia da terapia, colocou um medicamento usado para tratar câncer nas agulhas. A droga aprimorou o tratamento: o nível de adenosina  e a duração dos efeitos no organismo dos aniamis <span style="text-decoration: line-through;">praticamente tripli</span>quase triplicou e o tempo de duração dos efeitos no organismo dos ratos também triplicou. Mas este método não poderia ser feito em humanos porque o medicamento ainda não é usado clinicamente. “O próximo passo é testar a droga em pessoas, para aperfeiçoá-la ou para encontrar outras drogas com o mesmo efeito”, diz Maiken Nedergaard, coordenadora do estudo.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em><span id="more-5600"></span><br />
</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Reiki</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Seus praticantes acreditam nos efeitos benéficos da energia das mãos do terapeuta colocadas sobre o corpo do paciente contra doenças. Para entender as alterações biológicas do reiki, o psicobiólogo Ricardo Monezi testou o tratamento <span style="color: #8b0000;">em <strong>camundongos com câncer</strong></span>. “O animal não tem elaboração psicológica, fé, crenças e a empatia pelo tratador. A partir da experimentação com eles, procuramos isolar o efeito placebo”, diz. Para a sua pesquisa na USP, Monezi escolheu o reiki entre todas as práticas de imposição de mãos por tratar-se da única sem conotação religiosa.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>No experimento, a equipe de pesquisadores dividiu 60 <strong><span style="color: #8b0000;">camundongos com tumores</span></strong> em três grupos. <span style="color: #8b0000;">O grupo controle não recebeu nenhum tipo de tratamento</span>; o grupo “controle-luva” recebeu imposição com um par de luvas preso a cabos de madeira; e o grupo “impostação” teve o tratamento tradicional sempre pelas mãos da mesma pessoa. </em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Depois de <strong><span style="color: #8b0000;">sacrificados</span></strong>, os animais foram avaliados quanto a sua resposta imunológica, ou seja, a capacidade do organismo de destruir tumores. Os resultados mostraram que, nos animais do grupo “impostação”, os glóbulos brancos e células imunológicas tinham dobrado sua capacidade de reconhecer e destruir as células cancerígenas.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>“Não sabemos ainda distinguir se a energia que o reiki trabalha é magnética, elétrica ou eletromagnética. Os artigos descrevem- na como ‘energia sutil’, de natureza não esclarecida pela física atual”, diz Monezi. Segundo ele, essa energia produz ondas físicas, que liberam alguns hormônios capazes de ativar as células de defesa do corpo. A conclusão do estudo foi que, como não houveram </em><span style="color: #696969;">[sic]</span><em> diferenças significativas nos os grupos que não receberam o reiki, as alterações fisiológicas do grupo que passou pelo tratamento não são decorrentes de efeito placebo. </em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>A equipe de Monezi começou agora a analisar os efeitos do reiki em seres humanos. O estudo ainda não está completo, mas o psicobiólogo adianta que o primeiro grupo de 16 pessoas, apresenta resultados positivos. “Os resultados sugerem uma melhoria, por exemplo, na qualidade de vida e diminuição de sintomas de ansiedade e depressão”. O trabalho faz parte de sua tese de doutorado pela Universidade Federal do Estado de São Paulo (Unifesp).</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>E esses não são os únicos trabalhos desenvolvidos com as terapias complementares no Brasil. A psicobióloga Elisa Harumi, avalia o efeito do reiki em pacientes que passaram por quimioterapia; a doutora em acupuntura Flávia Freire constatou melhora de até 60% em pacientes com apnéia do sono tratados com as agulhas, ambas pela Unifesp. A quantidade pesquisas recentes sobre o assunto mostra que a ciência está cada vez mais interessada no mecanismo e efeitos das terapias alternativas.</em></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">As experiências não respondem à pergunta sobre se reiki e acupuntura funcionam mesmo (a acupuntura, no entanto, tem uns estudos que a tornam eficaz em seres humanos, se não me engano), uma vez que não foram feitas em seres humanos, mas custaram sofrimento para todos os animais (seja com dores nas patas, seja com o câncer consumindo seus corpos) e a morte para vários deles (assassinados para estudo posterior na pesquisa sobre reiki).</p>
<p style="text-align: justify;">É triste ver essas técnicas sendo postas em prática e testadas à base de muita violência e tortura contra animais não-humanos. O monge Mikao Usui, criador do reiki, e os primeiros acupunturistas devem estar se revirando no túmulo com o fato de que estão torturando e matando seres sencientes para que suas técnicas funcionem.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">P.S: detalhe para os vários defeitos de digitação e gramática na reportagem. Esse jornalismo de hoje, hein?</p>
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		<title>A bancada ruralista deve ser expulsa de Brasília</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Jul 2010 04:55:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Robson Fernando</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Post originalmente publicado às 21:59 de 26/03/2010. Será "upado" sempre que eu achar necessário reiterar a necessidade de expulsar pelo voto a bancada ruralista do poder ou diminuí-la significativamente. Uma vez declarei que tinha medo de Marina Silva por comportamentos dúbios de um passado então recente relativos a suas crenças religiosas. Depois de vê-la esclarecê-los, [...]


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			</a>
		</div>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2010/03/nao-bancada-ruralista.gif"><img class="aligncenter size-medium wp-image-3355" title="nao-bancada-ruralista" src="http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2010/03/nao-bancada-ruralista-245x300.gif" alt="" width="245" height="300" /></a><em></em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Post originalmente publicado às 21:59 de 26/03/2010. Será "upado" sempre que eu achar necessário reiterar a necessidade de expulsar pelo voto a bancada ruralista do poder ou diminuí-la significativamente.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Uma vez declarei que tinha medo de Marina Silva por comportamentos dúbios de um passado então recente relativos a suas crenças religiosas. Depois de vê-la esclarecê-los, o medo acabou e passei a confiar nela como a melhor candidata à presidência de 2010. Entretanto, um outro temor faz-se forte: o de que a bancada ruralista do Congresso realmente cresça, talvez o dobro, e agigante seu já terrível poder político, tal como prometeu.</p>
<p style="text-align: justify;">Quem participa de movimentos sociais e ambientalistas, mora em comunidades tradicionais, defende os animais, milita pela reforma agrária, é ameaçado por jagunços de grandes latifundiários, entre tantos outros tipos de pessoas, não só entende esse medo como também o manifesta. E dessa vez, ao contrário do caso de Marina, não há nada que aplaque a nossa apreensão diante dos possíveis êxito e expansão dessa bancada que definitivamente não visa o melhor para o Brasil, fora o nosso próprio voto.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma das parcelas mais conservadoras do Congresso e representante política dos latifundiários do agronegócio, sua vitória ameaçará muitas causas de bem comum pelas quais se luta há décadas: reforma agrária, ambientalismo, direitos animais, paz no campo, ética trabalhista (combate à exploração semiescrava no meio rural), justiça social...</p>
<p style="text-align: justify;">***</p>
<p style="text-align: justify;">Para amplificar este alerta à população, me vejo na necessidade de descrever os quatro mais significativos problemas que a vitória planejada dos ruralistas piorará (a ordem dos problemas não é um ranking de importância): o meio ambiente, a exploração animal, a reforma agrária e conflitos de campo e a exploração trabalhista.</p>
<p style="text-align: justify;">a) Prejuízos ambientais: A referida bancada não dá a mínima para os problemas ambientais pelos quais o Brasil e o mundo passam – muito pelo contrário, sempre lutou para piorá-los ainda mais. Hoje já lutam para abrandar o Código Florestal, aumentar o desmatamento legalizado da Amazônia e reduzir praticamente à impotência uma das legislações ambientais federais mais fortes do planeta.</p>
<p style="text-align: justify;">Com sua expansão, correremos alto risco de ver o avanço da preocupação ambiental dentro do governo estagnar, leis ambientais novas – aquelas que contrariarem os escusos interesses do agronegócio – serem barradas e as existentes serem atrofiadas ou encolhidas e num futuro próximo a Amazônia, o Cerrado e outros biomas serem confinados aos livros de geografia e biologia do passado e a fauna que lhes pertencem, aos zoológicos e criadouros autorizados.</p>
<p style="text-align: justify;">Acrescentem-se nesse aspecto também os assassinatos de ambientalistas. Chico Mendes, Dorothy Stang e diversas outras personalidades menos conhecidas não me deixam mentir. Os latifundiários passam por cima de ecossistemas, comunidades tradicionais e povoados indígenas mesmo que isso implique também matar quem luta ativamente em oposição a tal atitude.<span id="more-3395"></span></p>
<p style="text-align: justify;">b) Recrudescimento da exploração animal: Os pecuaristas e os grandes fazendeiros de forragem animal (soja, milho e outros) poderão viver momentos de glória, ainda melhores que o atual, com um congresso mais ruralista aprovando tudo o que puder para beneficiar a pecuária de grandes proporções – como consequência, ainda mais animais serão explorados e mortos pelo setor. E os rodeios e vaquejadas, cujos senhores são em sua maioria esses grandes donos de gados, ganharão muito com a expansão de suas perniciosas atividades.</p>
<p style="text-align: justify;">A legislação de proteção animal, tão rarefeita hoje no Brasil, poderá não só parar no tempo, como até retroceder, caso a bancada cresça o bastante para influenciar os legisladores a aprovarem o Projeto de Lei 4548/1998, que pretende retirar da proteção da Lei de Crimes Ambientais os animais domésticos e rurais. Mais leis a favor de rodeios e vaquejadas poderão ser fomentadas e aprovadas, para o maior sofrimento dos bois e cavalos.</p>
<p style="text-align: justify;">A luta pelos direitos animais será prejudicada e encontrará um obstáculo ainda maior para crescer, ser levada a sério e se consolidar, com uma bancada que vive de explorar e matar animais rurais muito mais forte e disposta a não deixar passar qualquer lei de abolicionismo animal e alimentar a alienação ética dos brasileiros (leia-se comer carne, leite e ovos sem peso na consciência, admirar rodeios e vaquejadas, gostar de usar couro, zombar do vegetarianismo e do veganismo etc.).</p>
<p style="text-align: justify;">c) Impedimento da reforma agrária e violência no campo: Como estamos falando de barões do agronegócio, grandes pecuaristas, latifundiários adeptos da monocultura de larga escala, a reforma agrária é algo demoníaco para sua bancada política. É um pesadelo para os ruralistas a possibilidade, hoje ainda utópica, de redistribuição de terras, uma vez que seu negócio seria frontalmente ameaçado – compreenda-se que os altíssimos e recordistas lucros do agronegócio só são possíveis porque o Brasil sofre com uma extrema concentração fundiária e, por isso, este é um setor econômico, socialmente falando, altamente parasitário que vive graças à exclusão social.</p>
<p style="text-align: justify;">Assim sendo, não é de surpreender que a bancada ruralista lute com todas as forças, através de seus influentes lobby e alianças, para desencorajar e bloquear qualquer proposta política que vise uma justa redistribuição de terras, além de promover, através da mídia, a satanização e desmoralização de movimentos sociais que lutam pelo direito à terra. Pelos erros de uma organização, todas as demais terminam sendo taxadas de baderneiras e tratadas como uma patologia rural.</p>
<p style="text-align: justify;">Acrescentando sua luta contra a reforma agrária, os grandes donos de terras também promovem repressão direta contra movimentos sociais que reivindicam justiça na distribuição fundiária no Brasil e lideranças indígenas que resistem à ocupação ilegal de suas terras ancestrais, através de jagunços e, muitas vezes, da invocação da polícia, cujos soldados, obrigados a se restringir a cumprir ordens de seus superiores, terminam advogando em favor dos ruralistas e reprimindo aqueles que invadiram determinada terra, mesmo quando esta é improdutiva. Desses conflitos repressivos, saem diversas mortes e prisões arbitrárias, divulgadas ou não pela imprensa.</p>
<p style="text-align: justify;">Veja-se também a forte investida da bancada para barrar o Plano Nacional de Direitos Humanos, o qual pretende favorecer a negociação entre movimentos sociais e fazendeiros em detrimento da repressão deliberada, sob o pretexto da “violação do direito à propriedade privada”. Com o dobro do poder tal como anunciou como pretensão, é previsível que a reforma agrária seja impedida a todo custo, a violência no campo piore e essa oposição ao plano de direitos humanos se torne ainda mais poderosa.</p>
<p style="text-align: justify;">d) Exploração trabalhista: há muitos trabalhadores submetidos a regimes de escravidão ou semiescravidão em muitos latifúndios. A bancada ruralista, em vez de visar a justiça e a ética em suas próprias propriedades, mune-se da capacidade de resistir até mesmo contra projetos de lei de combate ao trabalho escravo, votando contra eles e perpetuando a impunidade no campo. Parece tê-lo abraçado como herança das grandes fazendas das épocas colonial e imperial. É de se observar que o pretendido crescimento eleitoral dessa turma irá dificultar ainda mais iniciativas de combate à exploração degradante de trabalho braçal no meio rural brasileiro.</p>
<p style="text-align: justify;">***</p>
<p style="text-align: justify;">Há muitas razões pelas quais o pretendido crescimento da bancada ruralista é algo a ser temido e contra o qual devemos nos posicionar. Essa turma nos poderes Executivo e Legislativo representa não tudo, mas muito do que não presta para o Brasil. Como povo com o dever de decidir nas urnas seu próprio futuro, devemos mostrar com nosso voto que não queremos no poder mais ninguém que a ela pertença em Brasília.</p>
<p style="text-align: justify;">Não deixemos nos enganar pela manipulação demagógica que os muitos candidatos ruralistas promoverão durante a campanha eleitoral. Não nos iludamos com aqueles que posarão de santos supostamente em defesa dos seus estados. Vamos, em vez de dobrar seu poder, expulsá-los de Brasília e das assembleias legislativas e palácios de governo de cada uma das unidades da federação. Isso abrirá o caminho para um país mais justo e respeitoso para com o meio ambiente, os animais e as pessoas que querem apenas um pedaço de terra para plantar e viver com dignidade.</p>
<p style="text-align: justify;">***</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><a href="../2010/03/noticias-sobre-a-bancada-ruralista-pintando-e-bordando.html">Saiba o que a bancada ruralista vem fazendo com o Brasil, nesta coletânea de links de notícias dos últimos anos</a></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><a href="http://consciencia.blog.br/2010/06/apoio-aos-agrotoxicos-mais-um-motivo-para-expulsar-bancada-ruralista-poder.html" target="_blank">Leia mais: Bancada ruralista é a favor de envenenar a população, sendo contra o banimento de agrotóxicos extremamente perigosos</a><br />
</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>***</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Lista de parlamentares da bancada ruralista eleit<small>@</small>s em 2006 (não deixe que ninguém se reeleja) (Fonte: <a href="http://congressoemfoco.com.br/Noticia.aspx?id=10691" target="_blank">Congresso em Foco</a>):</strong></p>
<p>Deputados federais</p>
<p>Abelardo Lupion (PFL-PR) - reeleito<br />
Afonso Hamm (PP-RS) - novo<br />
*Aelton Freitas (PL-MG) - novo<br />
Aníbal Gomes (PMDB-CE) - reeleito<br />
Aracely de Paula (PL-MG) - reeleito<br />
Armando Abílio (PSDB-PB) - reeleito<br />
Aroldo Cedraz (PFL-BA) - reeleito<br />
Átila Lins (PMDB-AM) - reeleito<br />
Bonifácio de Andrada (PSDB-MG) - reeleito<br />
**Carlos Bezerra (PMDB-MT) - novo<br />
Carlos Melles (PFL-MG) - reeleito<br />
Chico da Princesa (PL-PR) - reeleito<br />
Ciro Nogueira (PP-PI) - reeleito<br />
Custódio Mattos (PSDB-MG) - reeleito<br />
Darcísio Perondi (PMDB-RS) - reeleito<br />
Dilceu Sperafico (PP-PR) - reeleito<br />
Dona Íris Rezende (PMDB-GO) - nova<br />
Edinho Bez (PMDB-SC) - reeleito<br />
Edmar Moreira (PP-MG) - reeleito<br />
*Elcione Barbalho (PMDB-PA) - nova<br />
***Eliseu Moura (PP-MA) - reeleito<br />
Eunício Oliveira (PMDB-CE) - reeleito<img title="Mais..." src="http://consciencia.blog.br/wp-includes/js/tinymce/plugins/wordpress/img/trans.gif" alt="" /><br />
*Fátima Pelaes (PMDB-AP) - nova<br />
Félix Mendonça (PFL-BA) - reeleito<img title="Mais..." src="http://consciencia.blog.br/wp-includes/js/tinymce/plugins/wordpress/img/trans.gif" alt="" /><br />
*Francisco Rodrigues (PFL-RR) - novo<br />
Gastão Vieira (PMDB-MA) - reeleito<br />
Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) - reeleito<br />
Gervásio Silva (PFL-SC) - reeleito<br />
*Giovanni Queiroz (PDT-PA) - novo<br />
Gonzaga Patriota (PSB-PE) - reeleito<br />
Herculano Anghinetti (PP-MG) - reeleito<br />
Hermes Parcianello (PMDB-PR) - reeleito<br />
Homero Pereira (PPS-MT) - novo<br />
Jaime Martins (PL-MG) - reeleito<br />
João Leão (PP-BA) - reeleito<br />
João Magalhães (PMDB-MG) - reeleito<br />
João Matos (PMDB-SC) - reeleito<br />
João Pizzolatti (PP-SC) - reeleito<br />
José Múcio Monteiro (PTB-PE) - reeleito<br />
José Rocha (PFL-BA) - reeleito<br />
José Santana de Vasconcelos (PL-MG) - reeleito<br />
*João Tota (PP-AC) - novo<br />
Jovair Arantes (PSDB-GO) - reeleito<br />
Júlio Redecker (PSDB-RS) - reeleito<br />
Jusmari de Oliveira (PFL-BA) - nova<br />
Leonardo Picciani (PMDB-RJ) - reeleito<br />
Leonardo Vilela (PSDB-GO) - reeleito<br />
Luciano Castro (PL-RR) - reeleito<br />
Luís Carlos Heinze (PP-RS) - reeleito<br />
Luiz Bittencourt (PMDB-GO) - reeleito<br />
Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR) - reeleito<br />
Luiz Carlos Setim - Setim (PFL-PR) - novo<br />
Luiz Fernando Faria (PP-MG) - novo<br />
Márcio Reinaldo Moreira (PP-MG) - reeleito<br />
Marcondes Gadelha (PSB-PB) - reeleito<br />
Mauro Lopes (PMDB-MG) - reeleito<br />
Max Rosenmann (PMDB-PR) - reeleito<br />
Milton Monti (PL-SP) - reeleito<br />
Moacir Micheletto (PMDB-PR) - reeleito<br />
Nárcio Rodrigues (PSDB-MG) - reeleito<br />
Nélio Dias (PP-RN) - reeleito<br />
Nelson Marquezelli (PTB-SP) - reeleito<br />
Nelson Meurer (PP-PR) - reeleito<br />
Odílio Balbinotti (PMDB-PR) - reeleito<br />
Osmar Serraglio (PMDB-PR) - reeleito<br />
Osvaldo Reis (PMDB-TO) - reeleito<br />
Paes Landim (PTB-PI) - reeleito<br />
Pompeo de Mattos (PDT-RS) - reeleito<br />
Rafael Guerra (PSDB-MG) - reeleito<br />
Roberto Balestra (PP-GO) - reeleito<br />
Ronaldo Caiado (PFL-GO) - reeleito<br />
Ronaldo Cunha Lima (PSDB-PB) - reeleito<br />
Saraiva Felipe (PMDB-MG) - reeleito<br />
Sérgio de Oliveira Cunha - Petecão (PMN-AC) - novo<br />
Silas Brasileiro (PMDB-MG) - reeleito<br />
Vadão Gomes (PP-SP) - reeleito<br />
*Valdir Colatto (PMDB-SC) - novo<br />
Waldemir Moka (PMDB-MS) - reeleito<br />
Wellington Fagundes (PL-MT) - reeleito<br />
Zonta (PP-SC) - reeleito</p>
<p><em>(Nota do <strong>Arauto</strong>: adicionemos a esta lista <strong>Aldo Rebelo</strong>, que vota a favor do afrouxamento do Código Florestal. Confira <a href="http://www.ipam.org.br/noticias/-p-Codigo-Florestal-Aldo-Rebelo-diz-que-a-legislacao-e-muito-rigorosa-p-/538" target="_blank"><strong>aqui</strong></a>, <a href="http://painelflorestal.com.br/noticia-7650-aldo+rebelo+objetivo+de+reformular+o+codigo+florestal+e+preservar+a+natureza.htm" target="_blank"><strong>aqui</strong></a> e <a href="http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&amp;Itemid=18&amp;task=detalhe&amp;id=31245" target="_blank"><strong>aqui</strong></a>.)</em></p>
<p>* Atualmente, exerce mandato de senador.<br />
** Deputados de legislaturas anteriores que retornam à Câmara.<br />
*** Considerado reeleito pelo Diap, embora não exerça atualmente o mandato parlamentar (é suplente de deputado).</p>
<p>Senadores</p>
<p>Demóstenes Torres (PFL-GO) - atual<br />
Edison Lobão (PFL-MA) - atual<br />
Efraim Morais (PFL-PB) - atual<br />
Eliseu Resende (PFL-MG) - novo<br />
Expedito Junior (PPS-RO) - novo<br />
Heráclito Fortes (PFL-PI) - atual<br />
João Ribeiro (PFL-TO) - atual<br />
Joaquim Roriz (PMDB-DF) - novo<br />
Jonas Pinheiro (PFL-MT) - atual<br />
José Agripino (PFL-RN) - atual<br />
Kátia Abreu (PFL-TO) - nova<br />
Leomar Quintanilha (PCdoB-TO) - atual<br />
Leonel Pavan (PSDB-SC) - atual (é candidato a vice-governador no 2º turno)<br />
Lúcia Vânia (PSDB-GO) - atual<br />
Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) - reeleito</p>
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		<title>Resenha do livro &#8220;Virei vegetariano, e agora?&#8221;</title>
		<link>http://consciencia.blog.br/2010/07/resenha-livro-virei-vegetariano-agora.html</link>
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		<pubDate>Sat, 17 Jul 2010 01:12:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Robson Fernando</dc:creator>
				<category><![CDATA[Boas Ideias]]></category>
		<category><![CDATA[Carne]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos Animais]]></category>
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		<description><![CDATA[Um guia compacto para os vegetarianos marinheiros de primeira viagem. Esse é o livro Virei vegetariano, e agora?, do nutricionista Eric Slywitch, um dos dois mais conhecidos e renomados profissionais da nutrição vegetariana no Brasil (o outro é George Guimarães). É uma obra de que o Brasil necessitava, em tempos de ascensão do vegetarianismo. O [...]


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<li><a href='http://consciencia.blog.br/2010/01/resenha-do-documentario-meat-the-truthuma-verdade-mais-que-inconveniente.html' rel='bookmark' title='Permanent Link: Resenha do documentário Meat the Truth/Uma Verdade Mais Que Inconveniente'>Resenha do documentário Meat the Truth/Uma Verdade Mais Que Inconveniente</a></li>
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<p style="text-align: justify;"><a href="http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/vireivegeagora.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-5579" title="vireivegeagora" src="http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/vireivegeagora.jpg" alt="" width="200" height="313" /></a>Um guia compacto para os vegetarianos marinheiros de primeira viagem. Esse é o livro <em>Virei vegetariano, e agora?</em>, do nutricionista Eric Slywitch, um dos dois mais conhecidos e renomados profissionais da nutrição vegetariana no Brasil (o outro é George Guimarães). É uma obra de que o Brasil necessitava, em tempos de ascensão do vegetarianismo.</p>
<p style="text-align: justify;">O leitor vegetariano, que passa por desventuras frequentes numa sociedade que costuma não respeitar o não-consumo de carne e de outros derivados animais, pode encontrar nele diversas dicas muito importantes de como sobreviver socialmente no país que mais exporta carne bovina no mundo. Também vê à sua disposição um rico leque de informações nutricionais sobre como manter um vegetarianismo saudável.</p>
<p style="text-align: justify;">De cara, no primeiro capítulo do livro, Slywitch expõe os vários motivos que levam uma pessoa a se tornar vegetariana, mas eu reconheço que senti falta de uma descrição mais rica das questões ético-filosóficas – a mais fundamental razão pró-vegetariana –, em contraste com a abundância de dados sobre razões ambientais e de saúde que justificam a adesão à alimentação ética.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao longo da obra, vemos diversas orientações, em especial aquelas relacionadas a comportamentos – até “foras” são sugeridos quando a pessoa perde a paciência com indivíduos que a chateiam com insistência por causa de sua opção alimentar –, formas de os próprios onívoros lidarem respeitosamente com os vegetarianos, questões nutricionais – o foco principal da profissão do autor –, desmascaramento de mitos sociais, biológicos, ambientais etc. e cartas de aconselhamento ao novo vegetariano e aos nutricionistas que ainda conhecem menos do que deveriam sobre alimentação sem carne.<span id="more-5578"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Um ponto bacana no livro é que ele também se orienta a onívoros, dando-lhes dicas de como lidar com os vegetarianos e como ajustar sua própria alimentação – tendo destaque a recomendação para se limitar a ingestão diária de carne a 100 gramas – para uma saúde melhor. É provável que essas dicas para os onívoros, somadas aos motivos de saúde expostos no Capítulo 1, estimulem a vegetarianização pela saúde nos leitores que ainda não deixaram de comer carne.</p>
<p style="text-align: justify;">Há, por outro lado, dois defeitos que notei na obra. Um é a enorme ênfase dada às deficiências alimentares – o livro deixa a entender que a deficiência alimentar é uma ameaçadora endemia quase generalizada na humanidade, tanto para onívoros como para vegetarianos, variando apenas o nutriente em carência –, o que pode dar aos “alfacistas” e polemistas antivegetarianos a impressão de que a quase-generalização da questão das carências nutricionais estaria sendo usada para “justificar” e “mascarar” a suposta fraqueza do vegetarianismo, gerando uma brecha para mais ataques que confundirão pessoas leigas.</p>
<p style="text-align: justify;">O outro ponto questionável, ainda que não tão importante no universo do vegetarianismo, é a leve mistureba entre ciência e religião no Capítulo 4, no qual Slywitch tenta afirmar que religião e espiritualidade têm uma “ciência” própria cujas regras metodológicas ainda estariam para ser descobertas – o que, para ateus e céticos, é apenas um reflexo das crenças do próprio autor. E uma pessoa que faz uso corriqueiro da ciência tentar dar à religião um caráter de “verdade metódica” comparável ao método científico pode ter inesperados efeitos negativos, como o estímulo não intencional à pseudociência.</p>
<p style="text-align: justify;">À parte a preocupação talvez superestimada com carências nutricionais, o livro de Slywitch é importantíssimo como guia “de bolso” (aguardemos a versão de bolso!) para os recém-vegetarianos, que ainda estão aprendendo a viver com seu novo hábito alimentar. Hoje em dia há uma enorme necessidade de livros pró-vegetarianos e pró-direitos animais no Brasil, e o <em>Virei vegetariano, e agora?</em> supre essa demanda. Que venham mais livros em breve!</p>
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		<title>Conscientização ambientalista e animalista: reações furiosas, paradigmas de pensamento e preconceitos</title>
		<link>http://consciencia.blog.br/2010/07/conscientizacao-ambientalista-animalista-reacoes-furiosas-paradigmas-de-pensamento-preconceitos.html</link>
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		<pubDate>Fri, 16 Jul 2010 21:07:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Robson Fernando</dc:creator>
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<p><img class="aligncenter" title="xingamentos" src="http://petcivilufjf.files.wordpress.com/2010/05/palavrao.jpg" alt="" width="371" height="240" /></p>
<p style="text-align: justify;">Algo muito visto hoje em dia é a rejeição ofensiva aos ideais do ambientalismo e do abolicionismo animal. Muita gente, mesmo algumas pessoas que se dizem politizadas e ávidas por um mundo melhor, quando se deparam com um debate sobre direitos animais e a interrupção do modelo tradicional insustentável de desenvolvimento econômico num blog ou fórum de debates públicos, costuma reagir com desdém e até grosseria aos argumentos apresentados. Tentarei abaixo descrever melhor minha experiência recente convivendo com esse comportamento e especular por que ele acontece.</p>
<p style="text-align: justify;">Tenho visto, em diversos debates lançados por mim ou por outros defensores ambientalistas ou animalistas, que as reações mais frequentes vão do desdém raivoso (“Vai arrumar o que fazer, vai arrumar mulher!”, “De novo esses ecochatos?!”, “Esses vegans são uns pentelhos mesmo...”, “Quanta frescura, quanta ecochatice!”, “por que você não experimenta viver sem remédios?” etc.) à contra-argumentação ofensiva, na qual uma troca de argumentações até acontece, mas o lado receptor termina descambando no baixo nível, com agressividade e ataques ad hominem. Isso sem falar no clássico “Enquanto crianças estão morrendo de fome, você vem falar de animais (ou de mato)?!”</p>
<p style="text-align: justify;">Nos meus debates mais recentes (este artigo é de julho de 2010), em que abordei o desmatamento do estuário onde se localiza o Porto de Suape e a campanha do governo e de organizações científicas em favor do uso de animais em pesquisa, percebi a mesma linha de reações. Ainda houve uma contraparte de pessoas que apoiaram meu discurso e até tentaram defendê-lo para os opostos – bem menor no caso do texto sobre a experimentação animal –, mas terminou prevalecendo a reação raivosa.</p>
<p style="text-align: justify;">Em vez de pessoas desejosas de conhecer a ideia e pensar um pouco melhor se o que pensavam até então não era algo tão óbvio, ou querendo expor contra-argumentos num debate civilizado em que se dissesse, por exemplo, “Veja bem, não é assim como você pensa, porque...”, o que vi foi infelizmente uma demonstração forte de incômodo com o que foi exposto. A ideia exposta, mesmo que não fizesse apologia a qualquer forma de violência, injustiça  ou supremacismo – muito pelo contrário, observe-se – nem incidisse em acusações injustas, gerou um furor contagiante, com acusações de “choradeira” e “criticar por criticar”, ironias e outras formas de desdém.<span id="more-5576"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Algumas pessoas opostas, mesmo de forma agressiva, mostraram seus pontos de vista, cuja compilação posso resumir em dois tópicos:<br />
- O progresso é essencial à humanidade, mesmo que seja promovido a qualquer custo, mesmo que destrua todo o verde do mundo. Não há meio termo, mas sim uma dicotomia inviolável: ou se devasta e se polui tudo aquilo que seja “necessário” derrubar e contaminar para salvar os seres humanos da pobreza e do atraso, ou se preserva o verde que resta, fazendo a civilização correr o risco de cair na estagnação ou mesmo na retração tecnológica.<br />
- Os interesses dos seres humanos são supremos no planeta, pelo fato de o ser humano ser a espécie superior e dominante. Mesmo dez mil animais não-humanos, tais como camundongos “de laboratório” ou bois do gado “de corte”, não valem o que uma única pessoa vale. Assim sendo, é perfeitamente justificável infligir sofrimento e morte aos bichos que servem à humanidade (como carne ou como cobaias) para que esta seja poupada de sofrer e não seja privada de suas necessidades.</p>
<p style="text-align: justify;">E alguns expressaram: quem se opusesse a esse pensamento deveria seguir uma vida silvestre numa floresta, afastado de qualquer tecnologia, e recusar qualquer tratamento medicamentoso, mesmo que morresse nessas condições.</p>
<p style="text-align: justify;">Além disso, houve muitas cobranças de que eu mostrasse alternativas prontas – ou disponíveis a curto prazo – e obviamente aprováveis tanto à destruição da vegetação estuarina que rodeia Suape como às experiências em cobaias. Se eu não as mostrasse, meus argumentos não valeriam de nada, seriam vazios, nada além de um inócuo “criticar por criticar”. Ignorou-se (reconheço também que deixei de expor esse detalhe) que já há militantes das causas atuando para trazer, a médio ou longo prazo a despeito das cobranças dos críticos, essas alternativas, e que estas invariavelmente requerem tempo, interesse generalizado, empenho, paciência e, acima de tudo, uma teoria ética pré-existente que justifique tal trabalho material.</p>
<p style="text-align: justify;">A impressão que dá é que a teoria não pode influenciar a realidade e só pode ser gerada e exposta quando existir um precedente material pronto, ignorando-se que a teoria é que justifica a criação do material que, uma vez aplicado, servirá de alternativa ao paradigma destrutivo.</p>
<p style="text-align: justify;">Não condeno ninguém por manifestar tais atitudes nem comento particularmente cada um que as manifestou, até porque não é costume meu falar de pessoas, mas sim de ideias. Mas posso analisar o paradigma social por trás de tudo isso.</p>
<p style="text-align: justify;">Percebe-se que ainda prevalece com força na sociedade o pensamento antropocêntrico e imediatista, pelo qual vale tudo para se garantir o bem-estar dos seres humanos de hoje, em detrimento dos seres não-humanos e mesmo dos interesses das gerações humanas futuras. O que vale são as pessoas de hoje, que vivem agora.</p>
<p style="text-align: justify;">Terminam assim excluídos do círculo moral prevalente os humanos do futuro, que no presente  nada mais são do que personagens inexistentes, restritos neste instante à mera imaginação humana e cuja existência futura não é sequer certa, e os animais do presente, que, não tendo concepções racionais de senso moral nem capacidade de verbalizar seus interesses, sentimentos e sofrimentos, são julgados seres inferiores, entes marginais perante as supremacistas vontades humanas e exploráveis em prol do engrandecimento da vida humana atual.</p>
<p style="text-align: justify;">Há uma carência crônica de senso de alteridade, de capacidade ético-moral para se pôr no lugar de outrem – do boi que sente cheiro de sangue e muge alto às portas do matadouro, do camundongo que sibila sofrendo de câncer ou do indivíduo humano que, nascido no século 22, encontra condições ambientais degradadas e hostis demais para permitir uma vida minimamente confortável.</p>
<p style="text-align: justify;">Não se tem o costume de pensar que, em vez de camundongos ou caranguejos, os seres ameaçados e tratados como inferiores poderiam ser (ou melhor, às vezes são) os próprios humanos. O mesmo indivíduo que esculacha “ecochatos” não se põe na pele, por exemplo, de um pescador que, mesmo morando a dezenas de quilômetros de Suape, será alheado de seu ganha-pão pela escassez de peixes no mar de Boa Viagem ou de Candeias, onde pesca. O mesmo que desqualifica com ad hominem o defensor animal contrário à vivissecção não se dá ao trabalho de imaginar que poderia ter nascido como um cão “de laboratório”, preso perpetuamente num canil individual e submetido a experiências tortuosas, em vez de como humano livre.</p>
<p style="text-align: justify;">Além do interesse imediatista e egoísta e da carência de alteridade, é marcante o aprisionamento das ideias das pessoas a dicotomias que não dificilmente se mostram falsas – por exemplo, ou o camundongo ou o ser humano, não havendo possibilidade de ambos saírem vivos e sãos mesmo num futuro próximo; ou o mangue ou o desenvolvimento de Suape, não existindo a alternativa do desenvolvimento sustentável que poupe o manguezal e redefina a posição geográfica das indústrias do futuro. Para se livrar desse pensamento dicotômico, a pessoa exige que sejam apresentadas alternativas prontas para serem aplicadas, ignorando-se, repito, que a teoria é essencial para que haja a criação material das novas opções.</p>
<p style="text-align: justify;">E a grosseria, a reação raivosa, a disposição de atacar em vez de questionar ou debater? Posso atribuí-la ao apego visceral ao modelo de vida vigente, paralelamente aos preconceitos existentes sobre os ambientalistas e defensores dos animais. Acha-se erroneamente que os “ecochatos”, aqueles que denunciam mas não dão alternativas a priori prontas, querem abolir as tecnologias poluentes sem dar uma contrapartida sustentável e ameaçam o progresso econômico em curso, sendo ignorados em seus apelos ao desenvolvimento sustentável.</p>
<p style="text-align: justify;">Da mesma forma, os defensores animais, cada vez mais generalizados pelo lado mais maldoso do senso comum como “vegans” (forma inglesa de “veganos”, usada muitas vezes em tom de menosprezo), são vistos como gente que prefere a vida animal não-humana à humana, ignorando-se que a defesa da libertação animal é pela igualdade moral das espécies sencientes, não pela inversão do desequilíbrio da balança, e também que a argumentação antivivisseccionista leva em conta que é a pressão ativista que irá inspirar alternativas de pesquisa.</p>
<p style="text-align: justify;">Nesse preconceito inclui-se também a rejeição a tudo aquilo que supostamente ameace o status quo de desenvolvimento, “avanço” científico, bem-estar e conforto. Não se pensa que a proposta é mudar o sistema, reformando aos poucos os métodos de desenvolver e pesquisar, mas sim que é acabar com ele e não deixar nada no lugar, o que gera medo e reação viscerais. Pois, afinal, quem traz ideias “idiotas” e “absurdas” tem mais é que ser esculachado e ridicularizado – pensa-se. Poucos conseguem canalizar esses sentimentos de modo a questionar racionalmente a validade dos argumentos ambientalistas e animalistas.</p>
<p style="text-align: justify;">São esses preconceitos e as reações raivosas de muitos leitores que tornam a conscientização um fardo para quem a conduz. Uma vez que faltam às pessoas o sentimento da alteridade e noções básicas de direitos animais e ambientalismo sustentabilista, faz-se necessário que os conscientizadores trabalhem em introduções ou recomendem artigos ou livros que introduzam a esses assuntos.</p>
<p style="text-align: justify;">Que fique claro, todavia, que a reação antipática não deve intimidar quem conscientiza. Houve resistência furiosa em outros momentos da história – por exemplo, à conquista de direitos civis pelas mulheres e à abolição da escravidão humana –, e estamos em um momento  semelhante, em que há um mundo melhor no horizonte e este só será conquistado com persistência e cabeça fria.</p>
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