Arauto da Consciência
9mar/100

Trens serviam os nazistas. Navios servem os pecuaristas

10 mil animais são embarcados em navio para serem mortos no Líbano

Neste domingo (7), 10 mil animais foram exportados do Porto de Rio Grande (RS), a caminho de novos centros de concentração de animais: as fazendas de criação e exploração localizadas no Líbano. A bordo do navio-curral Almawashi, do Panamá, os animais serão transportados até o Líbano, onde serão descarregados no porto de Beirute. A viagem leva até 23 dias.

O Brasil, como peça chave na criação e no fornecimento de animais, infelizmente, ainda protagoniza essa indústria cuja matéria prima é o sofrimento, a tortura e a exploração praticados contra esses seres que são, como nós, sujeitos de direito e cuja senciência é comprovada.

Esses animais condenados pelas mãos humanas ao sofrimento não são poupados em nenhum momento, sendo tratados sempre como se fossem meras mercadorias.

A pecuária é uma indústria mórbida, cruel e consiste na criação e exploração de animais para o consumo humano. No entanto, para que ela exista, é necessário que haja quem consuma o seu produto final, que é a carne derivada da morte desses animais. Enquanto houver um mercado de consumo, o negócio prospera.

Essa cadeia de sofrimento só terá fim quando houver uma mudança definitiva no comportamento de cada indivíduo que ainda consome os produtos derivados dessa indústria sanguinária e cruel.

As únicas diferenças entre o carregamento de vidas que está indo para o Líbano ser exterminado e os carregamentos de vidas que viajavam de trem para os campos de concentração para que as mesmas fossem também exterminadas são as espécies e o meio usado: o nazismo usava trens, a pecuária usa navios.

Ferrovia que rumava para um campo de concentração nazista. Hoje são navios que levam as vidas para serem ceifadas no destino.

Bookmark e Compartilhe
5mar/104

A Cidade das Aflições onívoras contra a Segunda Sem Carne

Como explicado em outras épocas, a Cidade das Aflições é o capítulo do livro O Mundo Assombrado pelos Demônios, de Carl Sagan, em que ele põe uma lista de comentários das pessoas que se recusavam a entender um trabalho dele de ceticismo antiufológico publicado poucos anos antes do lançamento do livro -- e republicado em quase metade deste.

Vemos Cidades das Aflições em vários temas diferentes, onde as pessoas se manifestam, por exemplo, contra a homossexualidade (dando ataques de homofobia ou argumentos falaciosos contra a homossexualidade) e contra medidas econômicas contra a destruição da Amazônia.

Agora a mais nova Cidade milita contra uma proposta de trazer a ascendente campanha mundial de promoção da Segunda Sem Carne para Porto Alegre, divulgada na notícia abaixo:

Vereador propõe criação da “Segunda sem Carne”

O vereador Beto Moesch (PP) protocolou projeto de lei para instituir em Porto Alegre a “Segunda sem Carne”. Pela proposta, residências, restaurantes e demais estabelecimentos que comercializam gêneros alimentícios serão convidados a optar por refeições vegetarianas todas as segundas-feiras.

“O objetivo é promover mais reflexão e conscientização sobre o consumo excessivo de carne. A dieta vegetariana é ecológica, saudável, ética e compassiva. Precisamos disseminá-la o máximo possível entre a população”, defende o parlamentar.

A iniciativa conta com o apoio da Sociedade Vegetariana Brasileira, idealizadora da campanha nacional “Segunda sem Carne”, já adotada pelo governo de metrópoles como São Paulo.

A medida também procura promover o veganismo, filosofia de vida baseada nos direitos animais, cujos adeptos procuram não consumir produtos nem participar de atividades em que há exploração ou uso de bichos, excluindo os alimentos de origem animal.

A expansão da pecuária é uma das principais causas do desmatamento. Além disso, de acordo com pesquisa da Organização das Nações Unidas, cerca de 18% da emissão dos gases causadores do aquecimento global são gerados pela produção de carnes em larga escala.

Bookmark e Compartilhe
1mar/100

Ambientalismo e Direitos Animais: uma simbiose fraternal

Artigo escrito em junho de 2009

Presenciamos anualmente muitas ações de organismos ambientalistas estatais (IBAMA, Ministério do Meio Ambiente, secretarias estaduais ambientais etc.) e não-governamentais (Greenpeace, WWF, Sea Shepherd etc.) direcionadas ao combate de crimes ambientais que envolvem opressão de animais não-humanos. Tais atuações vêm comprovando e apontando uma verdade essencial que se aproxima cada vez mais do óbvio dia após dia: ambientalismo e Direitos Animais são movimentos irmãos, possuem uma associação perfeita e inquebrantável, e tentar vê-los ou praticá-los de forma separada será uma encaração sempre incompleta e limitada.

Essa associação é muito rica e, mais que uma relação de causa e efeito entre a exploração animal e crimes ambientais, é uma constatação lógica e uma visão ecológica bem mais abrangente e completa. As duas causas completam-se entre si de tal modo que ações de um lado que deem menor importância ao outro serão apenas enxugamento de gelo.

O primeiro ponto principal que torna ambientalismo e Direitos Animais inseparáveis surge na convergência de ambos em zelar pela fauna. O primeiro vê os animais como parte essencial da biosfera ao lado da flora, dos micro-organismos e dos elementos abióticos e o segundo defende que sua integração à natureza como seres livres e íntegros lhes é um direito inalienável, juntando-se numa proteção excelentemente justificada.

O ambientalismo, quando livre das limitações impostas por visões naturalistas e antropocêntricas, inclui todo o Reino Animal em sua esfera de proteção, passando a abranger também os animais domésticos e os humanos, tendo nesse ponto um importantíssimo respaldo dos Direitos Animais e até fundindo-se com este.

Bookmark e Compartilhe
26fev/102

Espuma da morte, tecnologia de dar inveja aos nazistas

ESPUMA MORTAL

À primeira vista, o uso da tecnologia choca. Mas pode fazer toda a diferença num momento de crise. [A única crise que estou vendo é a crise de racionalidade da espécie humana, que foi capaz de criar mais essa máquina de assassinar em massa.] Ela foi desenvolvida para eliminar rapidamente grandes plantéis – mais precisamente, mil aves por minuto e preservar as condições sanitárias de toda a cadeia produtiva. A máquina que produz a “espuma assassina”, comprada pela Associação Catarinense de Avicultura (Acav), foi apresentada ontem em uma propriedade no município de Arutã, próximo a Concórdia, na região Oeste.

A foto [http://www.clicrbs.com.br/rbs/image/7809053.jpg] mostra o teste em que foram abatidos cerca de 400 frangos, ontem pela manhã. O equipamento fabricado nos Estados Unidos (imagem menor) garante a eliminação das aves de forma operacionalmente rápida e biologicamente segura, garante o presidente da Acav, Cléber Ávila. Por ter uma consistência maior do que uma espuma normal, ela mata os animais por asfixia.

Ele diz que a criação de uma estrutura operacional e logística para o extermínio rápido de grandes plantéis de aves é uma exigência do plano de emergência avícola que todos os estados deveriam adotar. Trata-se de um cenário hipotético, mas que deve ser imaginado como possível, para que todas as ações de intervenção sejam controladas. O equipamento, que ficará em Concórdia, custou R$ 200 mil, mas poderá ser deslocado para qualquer região em caso de identificação de um foco de doença. SC abate cerca de 700 milhões de aves por ano.

Parabéns a quem desenvolveu essa apreciável tecnologia de matança em massa. @ autor/a dessa façanha levou ao extremo o dogma de que a vida animal não tem nenhum valor fora o sangrento dinheiro da pecuária e desenvolveu mais uma máquina de fazer o mal, causar sofrimento, dor e morte em grandes proporções.

Essa pessoa deve estar orgulhosa agora. Agora o número de animais a serem mortos a cada dia vai crescer bastante graças ao eficiente engenho d@ Doutor/a Eichmann que irá, com muito sangue e sofrimento, aumentar os lucros da pecuária avícola. Porque, afinal, ela precisa matar mais para recuperar os lucros neste momento de crise, não é?

@ criador/a dessa espuma assassina merece o Prêmio Adolf Hitler de Ciência e Tecnologia.

Infelizmente, ao contrário de tantos nazistas que atuaram contra seres humanos, a entidade zoonazista criadora da espuma não será caçada e levada à Justiça por nenhum Simon Wiesenthal da vida.

Bookmark e Compartilhe
24fev/100

Só essa vez? Pense bem!

Artigo escrito em dezembro de 2008

Você, um vegetariano completo convicto, ou que assim se diz, está numa festa tal. Diante de um aglomerado de doces e salgados com ingredientes de origem animal – leite e ovos na composição –, não resiste e come alguns. A desculpa é: “é só essa vez mesmo”. Caro amigo vegetariano que caiu em tentação, não é porque é apenas uma vez, apenas alguns gramas, que a ingestão de secreções animais – leia-se leite e/ou ovos, in natura, em forma de derivado ou como ingrediente de alguma guloseima composta – se torna isenta de objeção ética. Não é porque o consumo é mínimo que o leite e os ovos se tornam inofensivos para os animais que os expeliram. Isso vale também para quem se diz “veg” e, com a equivalente desculpa de que é só por uns instantes, de que é só um filete ou dois corações de galinha, não resiste à tentação da carne num evento “especial”.

Essa infeliz atitude acontece até com quem é vegetariano pelos animais, ironicamente. Pode vir com a desculpa de se “libertar” temporariamente da “limitação” de opções – já que não há disponibilidade de guloseimas vegetarianas/veganas na maioria das cidades. É, enquanto um humano se “liberta” de um cardápio que ele não luta para expandir, mais uma vida que poderia ter sido poupada de sofrimento e abusos é explorada graças a alguém que se diz seu defensor.

Bookmark e Compartilhe
23fev/100

Terra não aguenta o carnivorismo da humanidade

Obs.: o carnivorismo do título significa "consumo de carne", não a dieta exclusivamente à base de carne de felinos.

Terra é incapaz de acompanhar ritmo atual de consumo de carnes e pescado

No topo absoluto da cadeia alimentar, os seres humanos se dão ao luxo de comer de tudo, mas a um preço elevado: a pesca massiva está levando as espécies marinhas à extinção, e a piscicultura polui a água, o solo e a atmosfera - o que precisa fazer com que mudemos de hábitos.

Alimentar a humanidade - nove bilhões de indivíduos atpé 2050, segundo as previsões da ONU - exigirá uma adaptação de nosso comportamento, sobretudo nos países mais ricos, que precisarão ajudar os países em desenvolvimento.

Segundo um relatório da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), publicado nesta quinta-feira, a produção mundial de carne deverá dobrar para atender à demanda mundial, chegando a 463 milhões de toneladas por ano.

Um chinês que consumia 13,7 kg de carne em 1980, por exemplo, hoje come em média 59,5 kg por ano. Nos países desenvolvidos, o consumo chega a 80 kg per capita.

"O problema é como impedir que isso aconteça. Quando a renda aumenta, o consumo de produtos lácteos e bovinos segue o mesmo caminho: não há exemplo em contrário no mundo", destacou Hervé Guyomard, diretor científico em Agricultura do Instituto Nacional de Pesquisa Agrônima da França (INRA), responsável pelo relatório Agrimonde sobre "os sistemas agrícolas e alimentares mundiais no horizonte de 2050".

Bookmark e Compartilhe
18fev/100

Resenha do filme Fast Food Nation

Chocante e escancarador. Um copo de ácido jogado no hambúrguer. Assim é o filme Fast Food Nation (2006), que, sob o disfarce da ficção, disseca a indústria do fast-food e exibe toda a podridão nela existente: carne contaminada com fezes, relações humanas deterioradas do matadouro até a lanchonete, anti-higiene na montagem do hambúrguer, acidentes de trabalho mais que terríveis... e, acima de tudo, o banho de sangue e sofrimento que é o abate dos bois cuja carne será comida por quem nem sonha com a verdadeira história do seu aparentemente inocente sanduíche.

O nome “Mickey’s”, da empresa central da trama – ao lado da IMP, que abate animais e processa e empacota as carnes –, você pode substituir livremente pelo de qualquer corporação cujos lanches você talvez coma. Na falta de evidências em contrário vindas de cada empresa, a realidade é genericamente identificável com qualquer fast-food, ou pelo menos é assustadoramente provável que a grande empresa cujos hambúrgueres você come tenha uma realidade interna semelhante à retratada no filme.

Paralelamente, é retratado um pouco da vida atordoante de mexicanos que emigram ilegalmente para os Estados Unidos, como é andar quilômetros num deserto, ser carregado num furgão, viver sob as ordens e até ameaças dos “coiotes”. Aliás, o que o filme mostra serve para qualquer pessoa do mundo inteiro que esteja iniciando uma emigração ilegal através da fronteira mexicana-estadunidense. Essa subtrama se liga ao fast-food do filme pela empregação (e exploração) de alguns desses imigrantes na IMP.

As outras duas subtramas centram-se em Don Anderson, alto-executivo da Mickey’s e criador do bem-sucedido hambúrguer “Big One” (“Grandão” na dublagem brasileira), investigando os processos do matadouro-frigorífico da IMP, ciente de que há traços significativos de fezes misturados na carne; e em Amber, adolescente que trabalha em uma lanchonete da Mickey’s.

Bookmark e Compartilhe
16fev/100

Reflexão sobre o duplipensar moral onívoro

Artigo escrito em dezembro de 2009

Israel, século 8 A.E.C.; Roma, século 1 A.E.C.; Arábia, século 6; Brasil, século 17. Escravos... Sendo de etnia ou nacionalidade dominada, eram tratados como propriedades. Sua existência era praticamente atrelada a seus senhores ou “donos”. Eram obrigados a lhes prover mão-de-obra, recebendo durante a vida apenas alimentação e algumas roupas em troca.

Como eram propriedades, seus senhores se viam livres para lhes causar violências diversas, que variavam de acordo com o país e época: marcação a ferro quente, gritos de ordem, espancamentos no caso de demonstração de rebeldia. A liberdade era palavra proibida. Não viviam mais como fins em si mesmos, por suas necessidades, anseios, prazeres e interesses próprios, mas estritamente para os interesses do senhor que os tinha como propriedade. Eram seres dotados de sentimentos, desejos, anseios e capacidade de sofrer, mas seus “donos” não se importavam com isso.

Qualquer lugar do mundo, século 21. Animais rurais... Sendo de espécie dominada, são tratados como propriedades. Sua existência é. na prática, atrelada a seus senhores ou “donos”. São obrigados a lhes fornecer matéria-prima, recebendo durante a vida apenas alimentação em troca.

Como são propriedades, seus senhores se veem livres para lhes causar violências diversas: marcação a ferro quente, fustigações como ordens, espancamentos no caso de demonstração de rebeldia. A liberdade é palavra proibida, um absurdo aos olhos da espécie dominante. Não vivem como fins em si mesmos, por suas necessidades, anseios, prazeres e interesses próprios, mas estritamente para os interesses do senhor que os tem como propriedade. São seres dotados de sentimentos, desejos, anseios e capacidade de sofrer, mas seus “donos” não se importam com isso.

Bookmark e Compartilhe
9fev/100

Os verdadeiros Strogg somos nós

Imagem muito boa preparada por Fabio Chaves do Vista-se. Valeu, Fabio!

Artigo escrito em novembro de 2008

AVISO: Este artigo pode conter spoilers sobre Quake 2 e 4. Se você não quer saber o que vai enfrentar caso queira jogá-los, leia este artigo só depois que chegar em determinadas partes da ação.

(Strogg: raça de semi-cyborgs alienígenas inimigos dos humanos, nos jogos Quake 2 e Quake 4. Habitam o planeta Stroggos e seus processos de manipulação de prisioneiros terráqueos são de extrema crueldade, incluindo processamento de corpos esquartejados e conversão em cyborgs orgânicos com amputação de pernas e injeção de controles cerebrais. Só conhecendo esses jogos mesmo para ter noção de tudo de que eles são capazes.)

Convido todo aquele que sabe quem são os Strogg (acima um pequeno explicativo) a pensar em como nós nos equiparamos a eles quando o assunto é nossa relação com o restante do Reino Animal. Se ligarmos os pontos corretamente, perceberemos que somos tão cruéis como esses extraterrestres que controlam, mutilam, torturam ou esquartejam seus prisioneiros. Porque, afinal, também controlamos suas vidas, os mutilamos, promovemos tortura e esquartejamos seus corpos depois de tudo. Só não instalamos ainda membros cibernéticos nem bebemos corpos moídos em liquidificador. Por enquanto.

Nosso sistema equivalente ao planeta Stroggos é composto de centros de pesquisa científica mais as fazendas, granjas e matadouros onde condenamos de milhões a bilhões de animais a vidas miseráveis e breves. Abaixo eu faço uma comparação que, em última análise, dá a idéia de que a idealização da raça Strogg e seus feitos diabólicos pode ter sido inspirada no lado brutal e antiético da própria humanidade.

Bookmark e Compartilhe
8fev/100

Consumo ético não é só selo verde

Artigo escrito em fevereiro de 2009

Vem-se falando muito, cada vez mais, de “consumo ético”, “consumo responsável”. Entretanto, pode-se notar que a compra de produtos ecologicamente corretos vem sendo tratada como a quase totalidade dessa abordagem ética, como se para consumir com responsabilidade fosse necessário apenas e simplesmente começar a comprar “itens verdes”. A verdade é que a ética do consumo vai muito além, transcende enormemente essa visão limitada e engloba assuntos bem menos tratados nas discussões.

Me refiro a questões como direitos trabalhistas, direitos animais e empresas inimigas do meio ambiente. Nessa visão liberta do reducionismo “só consumo verde”, uma empresa que, por exemplo, explora e desrespeita seus empregados não passará a ser ética se começar a vender produtos ambientalmente amigáveis mas continuar maltratando seus subordinados. E uma companhia tal, por mais princípios “verdes” que adote, não passará ao lado ético se não deixar de testar seus produtos em animais.

Releva-se também, para esse entendimento ético mais abrangente, a opção do boicote. Muito além de priorizar certos produtos, o consumidor consciente evita outros que, opostamente à proambientalidade ou à neutralidade ecológica, tenham sido fabricados por empresas comprovadamente envolvidas com a destruição ambiental.

Para melhor entendimento, vale descrever essas “novas” frentes éticas, exemplificando as três citadas e indicando outras não menos relevantes.

Bookmark e Compartilhe
24jan/100

Safra recorde da soja, eu não comemoro

Brasil terá supersafra de soja em 2010

O Brasil vai ter uma super-safra de soja este ano. No Mato Grosso[, onde grande parte da área de plantio do grão se originou de desmatamento ilegal segundo o Greenpeace], a colheita já começou. As máquinas fazem fila nas lavouras. As colheitadeiras avançam pela noite.

“Às vezes, no apuro para aproveitar o sol que deu hoje, a gente entra um pouquinho pela noite”, conta o gerente da fazenda João Zanetti.

Trabalho para garantir uma safra recorde. Em Mato Grosso, os agricultores reduziram a área plantada de algodão e arroz para aumentar a de soja.

"Este ano, esperamos produtividade de 17 a 18 milhões de toneladas, um incremento na produção de 6%“, explica o diretor da Associação dos Produtores de Soja, Neri Geller.

Bookmark e Compartilhe
10jan/101

Resenha do documentário Meat the Truth/Uma Verdade Mais Que Inconveniente

O vídeo Meat the Truth – traduzido no Brasil como “Uma verdade mais que inconveniente” –, um misto de documentário e apresentação stand-up, apresentado pela bonita deputada e ativista holandesa Marianne Thieme, foi bem-sucedido ao preencher a enorme lacuna que Al Gore deixou no seu Uma Verdade Inconveniente: a participação mais que relevante da pecuária nas mudanças climáticas que estão castigando o mundo. Vale apontar onde o vídeo acertou e onde errou – erros que, embora poucos, deram séria imperfeição ao vídeo.

Para dar comprovação aos dados mostrados, Marianne citou o estudo da FAO – Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação – que mostravam a pecuária como maior vilã do clima global. Com o devido embasamento, muitos pontos muito interessantes foram abordados com competência, tais como: Como é esse impacto tão grande da pecuária sobre o clima? Tornar-se vegetariano/a, ou deixar de comer carne um ou mais dias por semana, faz alguma diferença? Por que Al Gore convenientemente omitiu a pecuária na sua “verdade inconveniente”? Por que os governos são coniventes com o impacto ambiental dessa atividade?

Os principais pontos que a deputada holandesa mostrou em relação ao impacto ambiental pecuário foram a produção de metano, um gás-estufa muito mais poderoso que o gás carbônico, e o desmatamento de florestas como a Amazônia.

Como todo bom documentário apresentador da alternativa vegetariana de alimentação, mostrou diversos fatores relativos à crueldade nas fazendas-fábrica, principalmente a debicagem de aves e o confinamento intensivo dos animais. Fez também o favor de reexibir o The Meatrix, aquela paródia de Matrix em que os personagens são bichos de espécies exploradas pela indústria de alimentos de origem animal.

Também deu a oportunidade de participação ao PETA e à Humane Society, além de mostrar a história do “Mad Cowboy”, um ex-pecuarista que, depois de décadas na indústria da exploração animal, aprendeu a respeitar os animais e tornou-se vegetariano completo e militante pelos Direitos Animais.

Num dado momento, Marianne imitou propositalmente Al Gore e subiu numa plataforma para mostrar um gráfico que mostrava quanto a indústria da carne ameaça crescer nos próximos 40 anos se o consumo continuar aumentando como hoje.

O vídeo fez muito bem seu papel de completar o que Al Gore havia deixado pendente, mas cometeu falhas significativas:
- Enfocou menos que devia as questões de saúde. Mostrou pouco os males da carne vermelha ao organismo humano e deixou totalmente de mostrar por que o vegetarianismo é sustentável e confiável como alternativa alimentar ao onivorismo, o que deixa quem lhe assistiu com um sentimento de estar entre a cruz da carne e a espada de uma alimentação cuja confiabilidade não foi atestada no documentário;
- O vídeo de Johan Renck, que mostra o ânus de uma vaca expelindo fezes, certamente “convidou” e “convidará” muitas pessoas a fecharem o vídeo e acharem que estavam diante de “mais um filme vegetariano sem noção que não deveria ser levado a sério”. O aspecto nojento desse trecho afasta muitos/as espectadores/as e prejudica a transmissão da mensagem de conscientização vegetariana;
- Pouco mostrou dos efeitos das carnes brancas – de aves e peixes – no meio ambiente. O esvaziamento da fauna oceânica, que possui efeitos ainda pouco conhecidos no clima global, também é uma verdade extremamente inconveniente, mas o filme, num notável vacilo, omitiu. Deixou-se de evitar que a população que assistisse ao vídeo migrasse seus hábitos de consumo para o peixe, algo que também tem severíssimo impacto na natureza.

Faltas do vídeo à parte, a bela deputada fez bonito no esforço da conscientização. Meat the Truth é mais um documentário digno de ser exibido e distribuído para o máximo possível de pessoas, juntando-se aos brasileiros A Carne É Fraca e Não Matarás e ao tão falado Earthlings (Terráqueos). Para uma melhor eficácia na propagação da verdade inconveniente do impacto ambiental pecuário, será muito bom se alguma equipe tomar a iniciativa de dublar o documentário. Será um favor imprescindível para muita gente.

Bookmark e Compartilhe