Rodeio, tragédia para os dois lados
O do touro, explorado e torturado, e também o do peão, que corre o risco de morte por ser eventualmente pisoteado por um touro sofredor.
Peão morre pisoteado por boi no sul de Minas
Um peão supostamente embriagado morreu na noite de domingo (7) após cair e ser pisoteado por um boi em um rodeio amador na cidade de Camanducaia, no sul de Minas Gerais.
De acordo com a informações preliminares da polícia, o pedreiro Márcio Antonio de Paula, de 30 anos, foi arremessado e pisoteado pelo animal. Ele foi encaminhado à Santa Casa da cidade, mas já chegou morto.
O evento foi realizado sem autorização da prefeitura. O caso está sendo investigado pela polícia local.
Ao contrário de muit@s defensoræs animais, não comemoro essa morte. Mas sim relevo que o rodeio é uma tragédia, assim como qualquer outra forma de exploração de animais. É fato: exploração animal é tragédia para os dois lados -- não-humanos e humanos --, seja na pecuária, seja em pseudoesportes, seja na vivissecção, seja na matança de animais silvestres...
Também não comemoro a morte do peão porque não é com violência ou morte que pessoas ignorantes se tornam pessoas esclarecidas. Mais que o sadismo que muita gente afirma que os peões e vaqueiros têm, o defeito maior dessa gente, normalmente pouco instruída, é a ignorância perante a ética de respeito aos bichos -- e, por mais que relutemos em aceitar, não é simplesmente culpa deles.
É festa de rodeio! (Parte 3)
Essa foi notícia que deu o que falar durante aqueles dias do Inferno de Barretos de 2009.
Boi é visto como máquina nos rodeios e "aditivos" aos animais causam polêmica
As carretas chegam e desembarcam as "máquinas". Socos e choques ajudam a manobrá-las para os boxes... quer dizer: os currais do lado de fora da arena. Isso acontece quatro horas antes de eles começarem a apresentação de oito segundos de salto e rodopios tentando ejetar seu piloto.
Antes da performance, é amarrado um sedém em sua virilha. E é essa tira de lã de cordeiro que gera a maior polêmica do rodeio. Os organizadores falam que o utensílio dá apenas cócegas no bovino para que ele salte em círculos. Para os defensores dos animais, o sedém machuca e é o "aditivo" para tantos saltos na arena. Como boi não dá depoimento, a indústria do peão de boiadeiro segue movimentando milhões (o cálculo oficial fica em R$ 200 milhões).
Um dos que mais faturam nesse nicho são os tropeiros, denominação para os donos das manadas. Paulo Emílio é um deles. Tem 200 touros e quatro carretas para transportá-los. Em sua fazenda, os bovinos contam com exercícios de hidroginástica em um açude que devem atravessar para perder barriga, além de uma pista de areia para fortalecerem as patas.
É festa de rodeio! (Parte 2)
Mais um vídeo de bestas bárbaras agredindo animais num rodeio do interior de São Paulo.
É festa de rodeio!
O vídeo já diz por si só a maioria do que eu poderia dizer.
Faço objeções, que no entanto não minimizam a crueldade em que o rodeio consiste: choques elétricos são proibidos por lei e o sedém espreme o ventre, não mais a genitália, do touro -- o que não deixa de ser uma tortura, imagine você tendo o abdômen fortemente apertado por uma corda.
Analisando e refutando as leis nacionais dos rodeios
Artigo escrito em outubro de 2007
Muitos peões, organizadores de rodeio e mesmo amantes dos rodeios, perante os protestos das associações de defesa animal, costumam argumentar que as leis nacionais dos rodeios existem para legalizar a atividade, distanciando-a da possibilidade de ser considerada crime, minimizar o sofrimento infligido aos animais e coibir maus tratos nessas atividades. Essas leis são a 10.220/01, que regulamenta a atividade de peão de rodeio, e a 10.519/02, que trata de cuidados sanitários e outras providências para os rodeios.
Eles não esperavam, no entanto, que aparecesse alguém para refutar essa lei e seus fundamentos utilizando de análise minuciosa dos artigos, parágrafos e incisos. Como não encontrei nenhum site de proteção animal analisando essas leis, este artigo conseguiu ser uma investida pioneira contra as argumentações dos amantes de rodeios e dos seus profissionais.
Abaixo estão as duas leis federais dos rodeios dissecadas e a análise refutatória das mesmas. Elas estão dispostas na ordem original, sem nenhuma alteração na ordenação dos artigos, parágrafos e incisos. Nenhum artigo, parágrafo ou inciso foi omitido. Cada trecho das leis está entre aspas e suas refutações estão logo abaixo dele.
Eles próprios assumem: o rodeio incomoda os animais!
Mesmo com seus eufemismos, alguns sites que dedicam um espaço a esse show de violência, exploração e atrocidade chamado rodeio reconhecem que o a atividade realmente incomoda os animais explorados.
Primeiro, o UOL Notícias, que reservou uma infeliz seção especial ao rodeio no ano passado e fala explicitamente sobre incomodar:
Se sua empresa patrocina rodeios e vaquejadas, vai gostar dessa!
Artigo escrito em junho de 2008
Quando se fala no lucro de rodeios e vaquejadas, torna-se magnânima a participação das empresas patrocinadoras. Sem elas, não há evento lucrativo desse porte. Elas se vêem e se portam como “defensoras heróicas da cultura e da tradição” e dizem zelar pela manutenção de eventos “culturais” que demonstrem a “força” e a “bravura” do povo do interior personificado em peões e vaqueiros.
Muito bem, suponho que os defensores dessas coisas me venceram! E agora admito que rodeio e vaquejada não são violências nem brutalidades e que são moralmente válidos.
Agora, para aumentar o hall de eventos da mesma categoria desses dois e o lucro dos patrocinadores, eu gostaria de fazer algumas sugestões de eventos que certamente exaltarão a força, a coragem, a bravura, o poder físico, de muitos aspirantes a heróis e ídolos dos recantos rurais e cidades brasileiros do mesmo jeito que aqueles dois... esportes fazem. Possuem a mesma inspiração de exaltar a história e a tradição muitas vezes secular dos povos que os praticam e agradarão suas parcerias comerciais:
Consumo ético não é só selo verde
Artigo escrito em fevereiro de 2009
Vem-se falando muito, cada vez mais, de “consumo ético”, “consumo responsável”. Entretanto, pode-se notar que a compra de produtos ecologicamente corretos vem sendo tratada como a quase totalidade dessa abordagem ética, como se para consumir com responsabilidade fosse necessário apenas e simplesmente começar a comprar “itens verdes”. A verdade é que a ética do consumo vai muito além, transcende enormemente essa visão limitada e engloba assuntos bem menos tratados nas discussões.
Me refiro a questões como direitos trabalhistas, direitos animais e empresas inimigas do meio ambiente. Nessa visão liberta do reducionismo “só consumo verde”, uma empresa que, por exemplo, explora e desrespeita seus empregados não passará a ser ética se começar a vender produtos ambientalmente amigáveis mas continuar maltratando seus subordinados. E uma companhia tal, por mais princípios “verdes” que adote, não passará ao lado ético se não deixar de testar seus produtos em animais.
Releva-se também, para esse entendimento ético mais abrangente, a opção do boicote. Muito além de priorizar certos produtos, o consumidor consciente evita outros que, opostamente à proambientalidade ou à neutralidade ecológica, tenham sido fabricados por empresas comprovadamente envolvidas com a destruição ambiental.
Para melhor entendimento, vale descrever essas “novas” frentes éticas, exemplificando as três citadas e indicando outras não menos relevantes.








