Arauto da Consciência
25fev/102

Dez frases que nunca direi

Obs.: a ordem não quer dizer nada.

1. Velha, me dá dinheiro pra comprar um galeto ali na esquina?

2. O homem [predicado qualquer, não relacionado a gênero, sobre biologia, filosofia ou ciências humanas].

3. Ainda vou comprar aquele Nike Shox made in China fuderoso.

4. [no telefone] Vou fazer um churrasco aqui na frente de casa nesse domingo, com carne de todo tipo, pra todos os gostos, e você está convidada.

5. É isso mesmo, eu deixei de ser vegetariano, desisti.

6. Tô chateado porque me esqueceram de convidar pra Vaquejada de Carpina.

7. [Algum/a colega vegetarian@], você deveria pensar nas crianças que estão passando fome no centro da cidade em vez de estar discutindo sobre animais irracionais.

8. Anuncio logo: vou querer de presente os últimos CDs de Jennifer Lopez e Amy Winehouse.

9. Esse cachorro tem dono [sic]?

10. Em nome do pai, do filho, do espírito santo, amém.

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22fev/100

Detalhes importantes da vaquejada

Esses são detalhes que o próprio site Vaquejadas.com divulga. São comprovações de que a atividade envolve agressões que vão além do ato de perseguir e derrubar um boi.

Parte da regra (grifo meu):

Dois dos acessórios são:

A espora...

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13fev/100

A falta de oposição à vaquejada no Nordeste

Artigo escrito em julho de 2009

Algo notável na região Nordeste é a falta de oposição significante às vaquejadas por parte de forças defensoras dos animais. Ao contrário dos rodeios do Sul-Sudeste, que estão enfrentando cada vez mais protestos e atos judiciais adversos e vêm tendo sua crueldade crescentemente escancarada em vídeos de denúncia na internet, o pseudoesporte nordestino não vem recebendo atualmente contra si nenhuma dessas investidas.

Hoje três grandes motivos, que merecem ser explicados melhor, desencorajam ou inviabilizam qualquer investida minimamente importante contra tal atividade: a fraqueza da militância defensora animal no Nordeste, a carência ou inexistência de campanhas de conscientização contra crueldade contra animais na região e o temor que o apadrinhamento político e econômico desses eventos desperta em quem pensa em iniciar uma luta regional pelo bem dos bois e cavalos usados nessas ocasiões. Juntas, essas causas intimidam quem queria atuar pelo fim da vaquejada e pela prevalência do respeito aos bichos.

O primeiro motivo pode ser facilmente constatado pelo fato de que atualmente não há na região nenhuma ONG ativista nacionalmente conhecida de defesa animal e veg(etari)anismo. Entidades de proteção animal aqui existem, mas possuem apenas atuação local ou no máximo restrito à vizinhança intermunicipal.

Com essa ausência, não é de surpreender que no momento não haja nenhum movimento disseminado de denúncia da crueldade das vaquejadas. Mesmo campanhas regionais de conscientização da população em prol do tratamento ético e respeitoso de bichos escasseiam na região, para não dizer que estão em ausência – pelo menos em Pernambuco não há quase nada direcionado nesse sentido. Procure-se vídeos sobre a maldade dos rodeios e será encontrada uma quantidade razoável. Decida-se vasculhar a internet por vídeos direcionados a denunciar a vaquejada como atividade cruel e exploradora e nada ou quase nada será encontrado!

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8fev/100

Se sua empresa patrocina rodeios e vaquejadas, vai gostar dessa!

Artigo escrito em junho de 2008

Quando se fala no lucro de rodeios e vaquejadas, torna-se magnânima a participação das empresas patrocinadoras. Sem elas, não há evento lucrativo desse porte. Elas se vêem e se portam como “defensoras heróicas da cultura e da tradição” e dizem zelar pela manutenção de eventos “culturais” que demonstrem a “força” e a “bravura” do povo do interior personificado em peões e vaqueiros.

Muito bem, suponho que os defensores dessas coisas me venceram! E agora admito que rodeio e vaquejada não são violências nem brutalidades e que são moralmente válidos.

Agora, para aumentar o hall de eventos da mesma categoria desses dois e o lucro dos patrocinadores, eu gostaria de fazer algumas sugestões de eventos que certamente exaltarão a força, a coragem, a bravura, o poder físico, de muitos aspirantes a heróis e ídolos dos recantos rurais e cidades brasileiros do mesmo jeito que aqueles dois... esportes fazem. Possuem a mesma inspiração de exaltar a história e a tradição muitas vezes secular dos povos que os praticam e agradarão suas parcerias comerciais:

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8fev/100

Consumo ético não é só selo verde

Artigo escrito em fevereiro de 2009

Vem-se falando muito, cada vez mais, de “consumo ético”, “consumo responsável”. Entretanto, pode-se notar que a compra de produtos ecologicamente corretos vem sendo tratada como a quase totalidade dessa abordagem ética, como se para consumir com responsabilidade fosse necessário apenas e simplesmente começar a comprar “itens verdes”. A verdade é que a ética do consumo vai muito além, transcende enormemente essa visão limitada e engloba assuntos bem menos tratados nas discussões.

Me refiro a questões como direitos trabalhistas, direitos animais e empresas inimigas do meio ambiente. Nessa visão liberta do reducionismo “só consumo verde”, uma empresa que, por exemplo, explora e desrespeita seus empregados não passará a ser ética se começar a vender produtos ambientalmente amigáveis mas continuar maltratando seus subordinados. E uma companhia tal, por mais princípios “verdes” que adote, não passará ao lado ético se não deixar de testar seus produtos em animais.

Releva-se também, para esse entendimento ético mais abrangente, a opção do boicote. Muito além de priorizar certos produtos, o consumidor consciente evita outros que, opostamente à proambientalidade ou à neutralidade ecológica, tenham sido fabricados por empresas comprovadamente envolvidas com a destruição ambiental.

Para melhor entendimento, vale descrever essas “novas” frentes éticas, exemplificando as três citadas e indicando outras não menos relevantes.

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8fev/100

Por que a vaquejada é uma maldade

Artigo escrito em julho de 2009

A vaquejada encanta multidões, mais ainda quando os vaqueiros obtêm vitórias com a proclamação “Valeu o boi!”. A vitória deles é a vibração de quem assiste. Para os vaqueiros e o público, é uma festa só. Mas e para os animais envolvidos nessa atividade? Eles gostam de ser freneticamente esporados ou de ser perseguidos e derrubados? É algo a se pensar sobre a moralidade de um dito esporte que, se vermos mais a fundo, consiste necessariamente em explorar e agredir animais.

Você que gosta de vaquejadas precisa entender o lado dos bois e dos cavalos também. Eles, ao contrário dos humanos que se divertem à beça, não saem nem um pouco beneficiados com a vida que têm. Se pudessem falar, você se surpreenderia com o desgosto deles por terem que viver com o fim de ser explorados e judiados em competições.

Por mais formosos que pareçam quando aparecem nas exposições de animais, eles sentem dor, bastante dor, e até medo durante as vaquejadas.

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20set/090

Valeu o boi, valeu a crueldade

Essas cenas da Vaquejada de Xerém/RJ são uma amostra de como a vaquejada é um abuso contra animais tanto intrinsecamente como nos bastidores:

Só é uma pena que não tenham filmado ainda dentro do brete, para revelarem o que realmente acontece lá dentro para o boi sair de lá correndo tanto.

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16set/092

O combate às vaquejadas começou

Sentença judicial proíbe a realização de vaquejadas em Xerém, RJ

O Ministério Público Federal, por meio de uma ação civil pública, determinou a proibição das vaquejadas em Xerém, distrito de Duque de Caxias (RJ). O juiz Vladimir Santos Vitovsky, titular da 5ª Vara Federal de São João de Meriti, condenou os réus Parque Ana Dantas Promoções e Eventos Ldta e Jonatas de Oliveira Dantas Filho a não mais realizar vaquejadas ou eventos similares com o uso de animais, sob pena de multa de R$ 100 mil por dia de descumprimento.

A sentença solicita a fiscalização das atividades do Parque Ana Dantas, por parte da FEEMA (Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente) e do IBAMA (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), exigindo a tomada de providências cabíveis para a proteção da Reserva Biológica do Tinguá e não autorizando a realização de nenhuma atividade que implique submissão de animais à crueldade.

Os motivos

O juiz condena os réus ao pagamento de indenização no valor de 1 milhão de reais por danos morais coletivos. Vistovsky alega que a infra-estrutura do parque está localizada apenas a 600 metros da Reserva Biológica do Tinguá, unidade de conservação federal, criada pelo Decreto 97.780/89.

De acordo com a Resolução Conama 13 de 1990, “nas áreas circundantes das Unidades de Conservação, num raio de dez quilômetros, qualquer atividade que possa afetar a biota [seres vivos, fauna e flora], deverá ser obrigatoriamente licenciada pelo órgão ambiental competente.”

Os argumentos apresentados por Vitovsky ainda reconhecem a importância de se preservar o bem-estar animal. Ao justificar as penas que serão cumpridas pelos réus, o juiz considera que o evento envolve brutalidade, maltrata e expõe à crueldade os animais.

Outras penalidades

O Parque Ana Dantas e o empresário Jonatas de Oliveira Dantas ainda foram condenados a pagar multa de R$450 mil reais. A pena foi aplicada porque os réus não cumpriram uma ordem expedida pela justiça que solicitava a prévia comunicação ao juiz, com 45 dias de antecedência, quando da realização do evento vaquejada. O Parque anunciou e realizou vaquejadas nos últimos dias 15 e 16 de agosto sem ter comunicado previamente à justiça. O juiz entendeu que não seria recomendável suspender o evento a tão poucos dias de sua realização, então deixou que acontecesse, mas aplicou a multa.

A notícia é excelente, mas é uma pena que seja lá no Rio de Janeiro e que o Nordeste continue praticando, sem qualquer oposição notável, esse pseudoesporte.

Fico feliz que agora exista um precedente jurídico para se começar o combate às vaquejadas nordestinas quando a oposição defensora dos animais surgir.

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15set/090

Campanha contra vaquejadas em Campina Grande

Recebi hoje a notícia mais agradável de Direitos Animais dos últimos anos: Sérgio Carvalho, por e-mail, me falou que existe em ascensão uma campanha contra as vaquejadas sediada em Campina Grande.

O blog da campanha é esse: http://contravaquejada.blogspot.com/

Espero e desejo que esse blog permaneça de pé definitivamente (em outras palavras, não seja abandonado como tantos outros) e que a campanha cresça a cada dia e avance na conscientização da população campinense e nordestina.

Vocês da campanha campinense contra a vaquejada têm meu total apoio. Contem desde já com este aliado recifense!

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10set/090

O novo Dia Nacional da Vaquejada

Está a caminho uma lei que estabelecerá um dia de homenagem à violência contra animais. O projeto de lei 2655/2007, de Jusmari Oliveira, impõe o Dia Nacional da Vaquejada no dia 13 de dezembro. Para quem admira essa atividade como uma manifestação cultural, é uma ótima notícia. Já para quem é consciente de que ela é clara e inexoravelmente uma agressão contra bois e cavalos, por outro lado, é uma novidade triste.

Numa realidade em que intelectuais quebram a cabeça para construir soluções que façam a sociedade substituir valores e costumes violentos e nocivos por uma cultura de paz e respeito a seres humanos e não-humanos, a tal data comemorativa será um evidente retrocesso. Sua aprovação, além do mais, mostrará que a classe política brasileira realmente gosta de explorar animais, vide as leis do rodeio, a Lei Arouca, o Ministério da Pesca e Aquicultura, os incentivos ao agronegócio, o deferimento do projeto de lei 4548/98 etc., indo totalmente na contramão da ascensão mundial da ética dos Direitos Animais.

A justificativa dada pela hoje ex-deputada Jusmari para o Dia da Vaquejada segue o padrão de todas as propostas legislativas que buscam o beneficiamento da cultura com exploração animal: exaltar os aspectos culturais e econômicos que justificam esse tipo de atividade “esportiva”, como os pretensos valores de valentia, força e aguerrimento de vaqueiros e peões, os empregos gerados e os/as turistas atraídos/as, e ignorar totalmente a questão ética envolvida.

No projeto de lei, chavões tentam justificar a iniciativa: “movimentar a economia”, “gerar emprego e promover turismo”, “aspectos culturais marcantes”, “formação do povo”. Nada que deixasse de justificar também figuras como a escravidão, o turismo sexual e a pirataria, todas estas que, com a devida omissão ética, também gerariam muitas riquezas e valorizariam certos aspectos socioculturais, ainda que nocivos, do nosso passado e presente.

Será comemorado o ato de vaqueiros “pilotarem” cavalos, como se estes fossem máquinas de velocidade, com o objetivo de perseguir e derrubar pela cauda um boi atordoado. Sendo isso uma violência, é de se refletir: por que tal ato evidentemente violento deve ser homenageado? É porque ser bruto com animais gera dinheiro? É porque a violência da vaquejada “ajudou” a formar nossa sociedade? Detalhes éticos ninguém do círculo político quer levar em consideração.

Por outro lado, há um ponto positivo nessa história: 13 de dezembro passará a ser, a médio prazo, um dia de protestos de ativistas defensores/as dos animais no Nordeste, região de onde a vaquejada é típica. Será uma oportunidade de o movimento nordestino de defesa dos Direitos Animais, que hoje ainda não consegue ir muito longe de tratar cães e gatos – e tampouco oferece qualquer oposição às vaquejadas –, crescer e se consolidar.

Será um marasmo nos primeiros anos, dada essa fraqueza atual, mas inevitavelmente, como parte da tendência natural de crescimento nacional e mundial da luta pelos direitos dos animais, começarão os protestos de gatos pingados, que crescerão a cada dia 13/12, ao longo dos anos. A data dará motivação para se lutar contra o domínio desse tipo de entretenimento na região e o apoio governamental ao mesmo.

O Dia da Vaquejada é uma péssima novidade, que dificilmente será impedida pelo movimento brasileiro de defesa animal, ainda muito fraco em comparação ao europeu e ao norteamericano. Mas pode ser um mal a vir para um bem, se considerarmos que irá se tornar com o tempo também o Dia de Mobilização contra as Vaquejadas, de intensidade crescente. Basta sabermos, ano após ano, utilizar tal oportunidade contra os interesses de quem se beneficia desse tipo de “esporte”.

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3set/091

13 de dezembro, dia da brutalidade

Como mostra o Portal da Câmara dos Deputados, está perto de ser concretizado um dia de homenagem à violência contra animais, mais precisamente o Dia da Vaquejada. Sendo sancionado, será um retrocesso para os esforços de conscientização de uma cultura que tanto hesita em se livrar de seus aspectos mais violentos. Será no dia 13 de dezembro.

Abaixo, a justificativa, que, assim como o blablablá do ex-deputado Nonô, que se mostrou partidário à crueldade contra animais domésticos e domesticados, enfatiza o aspecto "cultural" e omite completamente a questão ética da coisa.


(Justificativa do Dia da Vaquejada)

O Projeto de Lei que estamos submetendo à apreciação desta casa, objetiva estabelecer uma data como referência como uma atividade cultural e esportiva da maior significação para o país que é a vaquejada [Uma atividade baseada na crueldade contra animais e que não merece ser chamada de "esportiva". Saiba aqui por quê.].

Considerada como “Esporte de massa” [Não entendi o que ela quis dizer com isso.], a vaquejada merece o apoio das esferas públicas [Não, não merece nada disso. Merece apenas a proibição, uma vez que é uma atividade que claramente faz abuso dos animais, tanto dos bois que são judiados como dos cavalos que são agredidos às esporadas e tratados como meras máquinas de velocidade em vez de como seres sencientes.], inclusive por movimentar a economia das regiões onde acontecem os espetáculos, gerando emprego e promovendo turismo [Pirataria e tráfico de drogas também geram muito emprego. Turismo sexual de adolescentes também é uma forma de turismo que atrai muita gente para o Brasil. Deveriam ser legalizados por esses "benefícios"?].

Os aspectos culturais da vaquejada são marcantes [E os aspectos éticos não?] e altamente significativos para a formação do povo nordestino [Eu preferiria, mesmo contra minha convicção ética, dizer que foi o vaqueiro que foi significativo para a formação sertaneja. A vaquejada, lançada como competição há cerca de 60 anos, é algo recente se comparado com a história dos vaqueiros, que vem desde os séculos 16 e 17.] e estão disseminados por todos os rincões do país. É uma manifestação cultural [Tão cultural quanto as cerimônias de sacrifício juvenil cananeias e astecas e as lutas de gladiadores romanos.] que transpôs as fronteiras do Nordeste e alcança todos os Estados brasileiros, onde as organizações e associações de vaqueiros já estão formando federações e, em andamento, estrutura-se a Confederação Nacional.

Pelas razões aqui expostas, consideramos que os nobres pares que compõem esta Casa do Congresso Nacional, acolherão este projeto de lei, aprovando a fixação da data de 13 de Dezembro como “dia Nacional da Vaquejada”. Vale ressaltar que 13 de dezembro é o dia tradicionalmente cultuado religiosamente pelos bravos e valentes [Se ele se referiu a cavaleiros de vaquejada, eu prefiro dizer "brutos, covardes e violentos", já que na arena nada mais fazem do que judiar de animais.] homens que muito fizeram e fazem pela região e pelo país.

Diante todo o exposto, requeiro o apoio dos ilustres pares para a aprovação desse projeto de lei.

JUSMARI OLIVEIRA
Deputada Federal – PR/BA [Baian@s, lembrem-se de não votar nessa sujeita nas próximas eleições.]

Para consolar, há pelo menos um ponto positivo nessa iniciativa: será um dia de protestos no Nordeste. A cada ano, o dia 13 de dezembro terá mais e mais manifestações, cada vez maiores e mais numerosas, contra esse pseudoesporte que, se não agredisse animais, não existiria. Através dessa ocasião, o movimento nordestino de defesa dos Direitos Animais poderá enfim começar a crescer.

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2ago/090

Perguntas indiscretas (Parte 5)

Algumas perguntas que não querem calar sobre a vaquejada, e cujas respostas eu quero ler não de defensoræs animais, mas sim de gente que entenda de vaquejadas:

- O que há e o que acontece dentro do brete?
- Por que nenhum site ou página dedicad@ a vaquejadas no Google revela o que acontece dentro do brete?
- Por que o boi sai correndo aceleradamente do brete? O que estimula sua corrida?
- Como funcionam as esporas e a chibata, acessórios que integram a vaquejada?

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29jul/093

Selo contra vaquejadas

Você, blogueir@ ou não, nordestin@ ou não, copie e cole esse selo em algum canto do seu blog e/ou imprima para colar em algum caderno, carro, lugar de sua casa ou parede nas ruas. Ajude a começar o combate por parte das pessoas que respeitam os animais contra essa barbárie nordestina chamada vaquejada.

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24jul/090

Por que quase ninguém hoje luta contra vaquejadas (Parte 3)

Motivo 3: Porque temos no Nordeste, ao mesmo tempo, uma atividade cruel fortemente enraizada no gosto coletivo e nenhuma campanha de conscientização em vigor sobre crueldade contra animais.

Procure vídeos sobre crueldade de rodeios e encontrará vários -- embora grande parte seja apenas cópias de um antigo vídeo denunciando rodeios americanos. Procure sobre maldade em vaquejadas e não encontrará nada pertinente.

Mesmo que alguém tente fazer campanha solitária contra essa atividade, esbarrará no limite das possibilidade de ação individual, na ausência de apoio mesmo das (poucas e fracas) ONGs nordestinas de defesa animal e no sério risco de sofrer ameaças de pessoas interessadas na prosperidade das vaquejadas. Isso desestimula a grande maioria dos esforços de ativismo.

É notável que pouquíssimas pessoas hoje trabalham contra as vaquejadas na região. Em contraste, a popularidade do pseudoesporte anda de vento em popa. Com a generosa e poderosa ajuda das bandas de Falso Forró, jovens e adult@s lotam tais eventos, ora procurando música de curtição ora querendo apreciar os dois lados dos eventos.

Tão popular e quase sem oposição, a vaquejada permanece em alta.

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24jul/092

Por que quase ninguém hoje luta contra vaquejadas (Parte 2)

Motivo 2: porque o ativismo de defesa animal no Nordeste é fraquíssimo.

É só verificar a diferença entre o ativismo no Sudeste e no Sul, onde há notáveis entidades lutando contra as mais diferentes atrocidades cometidas por humanos contra animais, e o no Nordeste, onde não há matriz de nenhuma ONG ativista nacionalmente conhecida.

São raras as vozes que se levantam retumbantes pelo respeito aos animais na nossa região. Se até mesmo para cobrar providências policiais contra pessoas que espancam bichos nas ruas há poucas vozes em ação atualmente, imagine para bradar contra um evento cultural infelizmente tão popularizado e enraizado na região.

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24jul/090

Por que quase ninguém hoje luta contra vaquejadas

Motivo 1: Nessa vaquejada aqui (não vou rebaixar o blog ao ponto de estampar cartazes de vaquejada, portanto peço que cliquem no link para ver de que vaquejada se trata), vejam alguns dos sujeitos que apoiam:

Isso mesmo. Polític@s, gente de poder que se beneficia desses espetáculos de crueldade e alienação.

Como nós que ainda só somos gatos pingados contrários a essa atividade, sem contar sequer com o apoio de muita gente, vamos batalhar contra gente que pode usar de seu poder de influência para nos infligir gravíssima retaliação, de alguma forma que nos faça nos arrependermos de ter comprado tal briga?

Precisamos primeiro aumentar o poder do ativismo de defesa animal no Nordeste para então podermos lidar com essas gentes poderosas.

(Pelo menos já fica a recomendação de não votar nesses sujeitos nas próximas eleições.)

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3mai/090

[Coluna] Vaquejadas: mais uma temporada de estupidez e crueldade

Os cartazes anunciando vaquejadas começaram a aparecer pelas cidades pernambucanas. É a temporada 2009 de uma atividade cruel e idiocrática que chamam de “esporte”. Me pergunto o que há de graça na vaquejada, por que tratar bichos como carrinhos e joões-bobos soa tão espetacular, por que a motivação cultural tem que prevalecer sobre a dignidade dos animais.

Durante bons meses, campeonatos e circuitos desse pseudoesporte vão lotar arquibancadas por todo o interior. Caruaru, Surubim, Bezerros, Gravatá, Carpina... E tristemente não há em Pernambuco ninguém, nenhuma ONG de defesa animal, se opondo em público, publicando questionamentos éticos sobre isso. Na ausência de gritos de “Basta!”, eu levanto minha voz.

Que me desculpem aqueles(as) que, nunca tendo parado para se perguntar se os fundamentos disso que chamam de “esporte” são morais, se a agressão de bois aflitos é uma manifestação cultural digna de um povo respeitável e batalhador como o nordestino, poderão achar meu texto “sem nexo” ou até ofensivo. Mas não vejo motivo algum para respeitar essa atividade infame. Nenhum mesmo.

Onde veem virilidade e força, vejo covardia e bruteza. Quando comemoram o “valeu boi”, eu lamento e mexo a cabeça para os lados. No que supõem ser a “força do vaqueiro matuto”, vejo uma ignorância sádica ocupando o lugar da compaixão e do respeito à vida animal não-humana. Enquanto veem certos touros e cavalos como “animais de ótima qualidade”, eu os vejo como seres sofridos e oprimidos, tratados com muita maldade, ridículo e coisificação.

Cavalos correm na longa pista arenosa porque foram ou estão sendo esporados e fustigados pelos vaqueiros e pelos breteiros. Bois só correm tanto porque estão com medo dos seus agressores, porque sabem que vão lhe fazer mal.

É notável o aparato de instrumentos que servem para controlar, agitar e agredir os cavalos: chibatas para fustigá-los no brete; esporas para o vaqueiro bater os calcanhares no bicho; bridões, bridas, peiteiras, rédeas etc. para torná-los veículos controlados ao bel prazer dos homens que lhes montam, como se fossem carros velozes em vez de animais com sentimento.

Isso é moral? É ético? É aceitável para quem afirma ter evoluído ao longo dos milênios?

Muitos dão a desculpa da “cultura”, de que aquilo é uma manifestação cultural, uma expressão da “força” do sertanejo nordestino. É nesse ponto que tenho que dizer “Peraí, maltratar animais por um prazer um tanto sádico é cultura?” e preciso apontar a problemática em que os defensores da vaquejada se meteram:

Aquele(a) que defende esse pseudoesporte como cultura sua aceita também que sociedades pelo mundo pratiquem a mutilação genital feminina, em que o clitóris é arrancado da mulher e sua genitália é parcialmente costurada? Que pratiquem o infanticídio por motivos de controle populacional ou convenção social familial? Que imponham castas para separar, discriminar, maltratar e excluir certas categorias de pessoas das relações sociais saudáveis? Que, no caso de uns povos desaparecidos, cultuem a guerra e o sacrifício humano como coisas sagradas?

Diante de tantos absurdos escandalosos, o que está faltando para a sociedade interiorana nordestina consentir que a vaquejada é uma maldade, um atentado à dignidade dos seres vivos não-humanos? Que muito mais demonstra selvageria e barbárie do que virilidade e força? Por que, mesmo com tantos aspectos a escancarar a crueldade inerente a ela, ainda vão perder seu tempo – e quiçá sua dignidade – prestigiando os circuitos desse pseudoesporte?

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2mai/090

Copa da estupidez

Copa da Vaquejada agita Bezerros neste fim de semana

(...)

São R$ 20 mil em prêmios. O primeiro lugar ganha uma moto 0 km e mais R$ 2 mil. Do segundo ao décimo ou décimo quinto lugar, o prêmio é de R$ 15 mil divididos pelos concorrentes.

É, está começando a temporada desse pseudoesporte bizarro e estúpido.

É uma pena muito grande que quase não haja movimento ativista contra esse tipo de atividade.

Nessa copa da estupidez, ganha dindim quem agredir com mais classe um boi que está correndo com medo e aflição. Se agredir com estilo, é "valeu boi".

Estou pensando em reservar a próxima Coluna para esse começo de temporada de idiocracia.

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12set/080

Chesf patrocinando vaquejadas (Parte 2)

Novamente a mesma empresa que almeja a onipresença nos eventos culturais do Nordeste investe na ignorância e maldade. Dessa vez é na Vaquejada de Surubim, 61 anos de crueldade e abusos.

O pior é que também o Governo de Pernambuco está representado lá no apoio a mais essa cerimônia de agressão de seres inocentes.

Como um mês atrás, novamente não tenho foto do anúncio, mas o pernambucano pode flagrá-lo em muitas avenidas e rodovias do estado, além de cartazes em pontos estratégicos como paradas de ônibus movimentadas e universidades.

Repito outra coisa que disse um mês atrás: Deixe seu protesto aqui: http://www5.chesf.gov.br/Aplic/ComunicaCER.nsf/formprincipal?openform
É o formulário de fale-conosco da empresa, onde você deverá deixar sua manifestação escrita de indignação. Por favor, não deixe xingamentos ou desabafos contendo palavrões ou ameaças, mantenha o bom senso e deixe uma manifestação civilizada. Não podemos nos igualar à ignorância e bruteza dos que não pensam nos animais ou não sabem muito bem que eles são maltratados e agredidos nesses pseudoesportes baseados na crueldade.

Acrescento hoje que você também pode deixar um protesto aqui: http://www2.pe.gov.br/web/portalpe/faleconosco
É o fale-conosco do Governo de Pernambuco.

Obs.: Caso um ou os dois respondam você por e-mail com a velha desculpa de "valorizar a cultura e tradição", mande, se puder, outra mensagem pelos mesmos links, dessa vez refutando a validade desse argumento e deixando claro que cultura não pode nem deve se sobrepor à dignidade dos animais e à Constituição, que deixa claro que não aceita crueldade contra animais no Artigo 225, parágrafo 1º, inciso VII.

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18ago/080

Vaquejadas: detalhes de toda a maldade de um pseudo-esporte abusivo

Para todo aquele que, de pseudo-esporte, só conhece rodeios e touradas e não conhece a brutalidade nordestina chamada vaquejada, aqui está uma abordagem que informará você sobre essa atividade tão abominável quanto os outros dois e reforça o (ainda escasso) conteúdo disponível na internet sobre esse método de exploração e inflição de crueldade.

Vaquejadas: detalhes de toda a maldade de um pseudo-esporte abusivo

CONCEITO

- A vaquejada consiste em um vaqueiro competidor e outro auxiliar correrem a cavalo atrás de um boi para o competidor puxar a cauda deste e o boi cair levantando as quatro patas dentro da linha de limite estabelecida na arena.
- Para que o boi, como sendo um animal dócil e vagaroso, comece a correr em fuga na arena, são necessários métodos que lhe causem desespero e medo de predação iminente. Entre esses métodos, um exemplo é o encurralamento. Aplicações de socos e chutes nos bois já foram noticiadas por defensores dos animais.
- Os cavalos também costumam sofrer perturbações de agitação comportamental e escoriações: são fustigados com chibatas de couro e incitados a correr mediante golpes de esporas fixas nas botas do vaqueiro.


O animal, correndo por uma desesperada tentativa de fugir de algo interpretado por si como predador, termina sendo derrubado com um forte e doloroso puxão de sua cauda.

CONSEQUÊNCIAS FREQUENTES NAS VÍTIMAS (BOIS)

Essas conseqüências não são vistas ou flagradas em todos os eventos, mas costumam acontecer com notável freqüência.
- Fraturas nos ossos traseiros que sustentam a cauda
- Lesões sérias na medula espinhal, com casos não-raros de comprometimento de seu funcionamento nervoso
- Casos não muito raros de mutilação da cauda devido à força do puxão pelo vaqueiro
- Lesões e luxações em vértebras
- Traumatismos em partes diversas do corpo, especialmente nas patas
- Lesões em órgãos internos
- Fraturas nas patas quando do momento da queda

DETALHES ADICIONAIS

- Foram relatados muitos casos em que os chifres das vítimas são serrados com serrotes de marceneiro e sem anestesia, causando sangramento nos chifres cujas pontas foram arrancadas.
- Casos de má alimentação são relatados com freqüência. Alguns casos parecem propositais para deixarem as vítimas menos pesadas e mais fáceis de serem derrubadas, apesar de algumas vaquejadas de grande porte não aprovarem essa prática.
- O julgamento de avaliação do desempenho dos vaqueiros costuma ser feito com o boi em pé, mas os próprios organizadores de vaquejadas admitem que muitos animais ficam incapacitados de se levantar para esse julgamento.
- Em muitas competições, o animal vitimado ainda é um novilho, um bovino “adolescente” que ainda não tem a robusteza de um boi adulto.


A soma da força muscular do vaqueiro com a velocidade do cavalo que ele monta resulta numa dolorosa tração na cauda do boi que não raramente inflige o deslocamento dos ossos que a conectam ao corpo do animal.

EXPLORAÇÃO E AGRESSÃO

O uso de animais, incluindo sua perseguição e judiação, como instrumentos de entretenimento caracterizam exploração animal.
A perseguição do boi e o puxão da sua cauda caracterizam agressão, da mesma forma que puxar com força e agressividade cabelos de uma pessoa. Caso humanos tivessem cauda, o hábito de puxá-la com intenção maldosa para derrubar a pessoa no chão caracterizaria agressão ou mesmo lesão corporal.

VAQUEJADA E ESPECISMO

É importante expor primeiro o que é especismo, termo ainda desconhecido da maioria das pessoas: é o ato de o ser humano arrogar para si o atributo de superior às demais espécies de animais e, aproveitando-se disso, negar aos outros animais o direito à vida, à liberdade, à dignidade e ao bem-estar e explorá-los a seu bel prazer, muitas vezes com requintes de maldade, crueldade e aparente sadismo.
O especismo não é quase nada diferente do racismo, da xenofobia e da homofobia. A única diferença é que, enquanto nesses três casos quem tem seus direitos naturais e jurídicos negados pelo lado agressor são humanos respectivamente com fenótipos “raciais”, nacionalidade ou orientação sexual diferentes dos agressores, no especismo as vítimas são os animais não-humanos castigados e explorados, “punidos” pelo “crime” de não terem nascido humanos.
Também caracteriza especismo a acepção e segregação de espécies por preferência carismática dos humanos. Por exemplo, é especista a pessoa que estima, ama e defende cães e gatos enquanto mata, come ou explora bois e galináceos.

Caracteriza especismo infligir aos animais não-humanos atos que seriam considerados abomináveis caso fossem infligidos em humanos.

Alguns exemplos de atos especistas, todos recheados de crueldade:

- Utilizar animais como fontes de matérias-primas e produtos alimentícios. Isso não soa abominável para os especistas, é até considerado supernormal e corriqueiro, mas estes abominariam o caso de serem utilizados humanos para se obter carne, leite (em caráter industrial não-maternal), pele e gordura de seus corpos, por exemplo;
- Utilizar animais em atividades de tração e força física com a imposição de dominação e açoites ao animal. Os especistas de hoje considerariam a tração humana escrava usada para mover carruagens e liteiras tal como era feito em épocas antigas remotas uma abominação;
- Usar animais como instrumentos provedores de entretenimento e pseudoesporte. Nenhum especista gostaria de ver “espetáculos” em que, por exemplo, homens sob tortura disputassem quem resistiria por mais tempo a agressões lancinantes, ou homens a cavalo disputassem quem puxaria o cabelo de uma mulher em fuga numa arena para derrubá-la no chão. Também nenhum especista dos dias de hoje admitiria “espetáculos” de “domação” de humanos de tribos primitivas subjugadas e capturadas;
- Impor e infligir a animais testes científicos primários de produtos como cosméticos ou medicamentos. Especistas normalmente só convocam humanos para testes quando o produto já está em versão beta, considerada segura, depois de versões alfa já terem ferido, cegado, queimado ou causado outros problemas graves em animais não-humanos nos testes.
- Aprisionar, em cárcere ou cativeiro, animais para fins de estimação, como pássaros, camundongos e peixes “ornamentais”. Nenhum especista admitiria aprisionar humanos escravos para estes lhe garantirem “estimação” e “afeto”, mas acharia totalmente normal aprisionar aves e peixes com o mesmo intuito.
- Vender animais para fins de estimação, ainda que sejam espécies carismáticas como cães e gatos, ou “utilitárias”, como o caso de cavalos e bois. Os especistas abominam e criminalizam o tráfico de seres humanos, mas consideram muito normal o de animais não-humanos.

Não caracteriza especismo, no entanto, matar vermes e microorganismos patológicos, ainda que pertencentes ao reino animal, por questão de sobrevivência e erradicação de doenças.
Também não é especista o ato de abater por legítima defesa uma fera que atacasse a pessoa sem que houvesse possibilidades de ambos os lados permanecerem vivos após a tentativa de predação, uma vez que não caracteriza exploração de animais indefesos.
Também não caracteriza especismo cuidar de animais domésticos, tais como cães e gatos, desde que os objetivos fundamentais desta tutela tenham sido, interdependentemente, libertá-los do abandono, do cárcere ou da iminência de morrer em um centro de controle de zoonoses, em vez de direcionar suas vidas ao fim estrito da servidão afetiva, e lhes sejam garantidos liberdade, dignidade e bem-estar acompanhados de legítimo amor.

Agora a pergunta: por que vaquejada também é especismo?

Vaquejada consiste em explorar os bois, mediante o infligir de medo e desespero nesses animais, para o entretenimento dos vaqueiros competidores e do público apreciador.
Vaqueiros, organizadores de vaquejadas e o público apreciador do evento arrogam para si a superioridade ante os bois e, com esse atributo forjado, sentem-se no poder de explorá-los e judiá-los.
Os cavalos também são explorados, são vistos apenas como instrumentos que integram a vaquejada, como coisas passíveis de compra e venda, mercadorias. Costumam ser traficados como, por exemplo, “cavalos ótimos para vaquejadas”. Têm sua vida e dignidade reduzidas a atributos de um carro de alta velocidade. Com o agravante de serem esporados pelos vaqueiros que querem mantê-los rápidos.
Bois são tratados como brinquedos de derrubar, como joões-bobos. Cavalos são tratados como carros de alta velocidade. Não são vistos como seres vivos dotados de sentimentos, como animais merecedores de dignidade, mas como objetos “esportivos”, como instrumentos de competição.
Seres humanos jamais seriam tratados do mesmo jeito por esses especistas. Eles alegam pertencer a uma sociedade que evoluiu, mas não consideram que a exploração dos animais, com aqueles mesmíssimos métodos e coisificações de que os exploradores antigamente lançavam mão em prol do abuso de humanos escravizados antigamente, é um atraso, uma chaga anacrônica na ética de seu povo, um ato bárbaro e covarde que também deveria ser rebaixado ao escaninho de barbáries do passado a que pertencem a escravidão e as bênçãos religiosas à guerra.
E outro motivo é percebido quando comparamos os bois vítimas com humanos perseguidos numa competição de igual sadismo. Os especistas jamais tolerariam a existência de uma competição, mesmo sendo considerada “cultura” ou “tradição”, em que homens a cavalo, em competição um contra o outro, perseguissem um escravo de cabelos longos em desesperada fuga para o melhor competidor puxar o cabelo do escravo e arrastá-lo ou derrubá-lo no chão a uma velocidade de no mínimo 15 quilômetros por hora.


Flagra da ong Projeto Esperança Animal: o boi tem seus chifres serrados com serrote de marceneiro para que não haja risco de ferir seus algozes ou os cavalos montados por eles.

VAQUEJADA, EXPLORAÇÃO ANIMAL E O PRETEXTO DA CULTURA E TRADIÇÃO

A vaquejada é considerada pelos vaqueiros, pelos organizadores de vaquejadas e pelos apreciadores do “esporte” um evento que preza pela cultura interiorana nordestina e pela tradição dos vaqueiros da região.
No entanto, se formos ver o passado, a história da humanidade, veremos que inúmeros atos que hoje são considerados cruéis e abomináveis eram considerados em normais e prezados na cultura e tradição em sua época. Três exemplos internacionais podem ser citados:

- A própria ESCRAVIDÃO era normal e fazia parte da cultura de quase todas as civilizações urbanas e rurais do mundo antigo. Até a segunda metade do século 19, a escravidão dos negros era algo corriqueiro e totalmente tradicional para o povo. As feiras de tráfico de escravos, então, eram lugares de renovação e perpetuação dessa cultura. Ai que quem vier nos dias de hoje defendendo a legalização da escravidão de negros como “retomada das tradições clássicas do povo brasileiro”. Simplesmente estaria em sérios apuros com a polícia e até mesmo com os detentos do presídio para onde seria encaminhado.
- Os SACRIFÍCIOS HUMANOS eram algo ainda mais que cultural e tradicional: eram sagrados. Jovens, de adolescentes virgens até mesmo crianças e bebês, eram esfaqueados em altares para que seu sangue descesse o altar e “nutrisse a terra”. Muitos tinham seu coração arrancado ainda batendo. E ninguém nem sonhava com anestesia na época! Para os povos que praticavam esses sacrifícios, o sangue alimentava os deuses ou então o sol, neste caso para que o astro continuasse brilhando perpetuamente. Ai daqueles que aparecessem na frente do templo protestando contra esses atos, dizendo que era crueldade. Quem fizesse isso seria executado por blasfêmia e ofensa aos deuses! Hoje nem precisamos dizer como seriam vistas cerimônias de sacrifício humano. A polícia levaria todo mundo em cana por homicídio qualificado.
- O costume de ELIMINAR A VIDA DE BEBÊS DEFICIENTES também era uma tradição corriqueira em muitos povos da Antiguidade. Eliminava a “massa onerosa” do povo; ninguém, nenhum Estado, queria sustentar uma nação com várias pessoas deficientes, inabilitadas para o trabalho braçal que sustentava os pilares de seu povo. Hoje, ninguém de sã consciência desejaria entregar seu filho com paralisia cerebral ou com mutilação congênita para alguém matar.
- Existia em Esparta, na Grécia Antiga, um sistema chamado CRÍPTIA ou CRIPTÉIA: soldados adolescentes, para serem promovidos a guerreiros adultos, eram submetidos ao fardo de perseguir e matar o máximo possível de escravos soltos, chamados hilotas, na cidade. O fato de matar os escravos era visto como o comprovante de que os adolescentes estavam aptos para aderirem ao nobre exército espartano. Isso era visto, imagine... como cultura e tradição.
- Já na Índia clássica, existia, e ainda hoje faz-se ilegalmente vigente, a segregação oficial da população em CASTAS. Os monges bramanistas, os filósofos e os professores ocupavam a mais alta casta (chamada Brahmin). Nas castas abaixo da Brahmin, estavam em ordem decrescente os governantes, os militares, os comerciantes, os fazendeiros, os artesãos, os operários e finalmente os camponeses. Abaixo da estratificação de castas, existiam os párias, ou intocáveis, que eram discriminados, segregados e excluídos pelo povo de uma forma quase “racista”. Essa segregação era parte da cultura indiana. Era uma tradição milenar. Ainda hoje, muitos indianos ainda discriminam e segregam as pessoas da subcasta pária. Tudo escrito na bandeira da cultura e da tradição.

Como se vê nos cinco exemplos acima, cultura e tradição nem sempre são algo bom e admirável. Nesses pontos, coisas inofensivas como carnaval e futebol estão no mesmo patamar de cultura e tradição que sacrifícios humanos e segregação social por castas. A diferença é que os dois primeiros são por definição inofensivos e admiráveis, e os dois últimos são vistos hoje como ruins e abomináveis. Mas todos são culturas e tradições.

Com isso tudo, chega-se à pergunta: será que devemos preservar as coisas, por piores e mais abomináveis que sejam, só porque elas são “cultura e tradição”?
Será que nossa sociedade tem que respeitar a vaquejada, mesmo ela sendo, por definição, cheia de crueldade e exploração, só porque é algo da “cultura e tradição” nordestina?

Manifestações culturais antigas como os sacrifícios humanos astecas seriam vistas com repugnância hoje. Como eram aplicadas contra pessoas, não haveria vez para a conversa de que "temos que preservá-las porque fazem parte da cultura e tradição de um povo". Mas se as vítimas fossem animais não-humanos, essa censura moral seria substituída por aprovação e admiração.

CONCLUSÃO

Vaquejada é uma atividade cruel, exploradora, agressora, especista e, por isso tudo, abominável. Não é justo continuarmos preservando e deixando apreciar-se o ato de se maltratar e agredir bois só porque ele tem a bandeira da “cultura e tradição”. Muitas “culturas e tradições” que representavam discriminação, exploração, ferimentos e mortes foram abandonadas ao longo da História e hoje são vistas como perversas e repulsivas. Por tudo o que foi constatado, a vaquejada também deveria estar nessas “tradições” abandonadas. É baseado nisso que nós precisamos lutar com todas as nossas forças para que essa atividade pseudo-esportiva seja ilegalizada, criminalizada, combatida e banida do Nordeste, do Brasil e do mundo. Assim como a escravidão e os sacrifícios humanos foram jogados na cova dos erros da humanidade cujas lições de não mais repeti-los foram quase totalmente aprendidas.

FONTES DE REFERÊNCIA:

http://www.alpa.org.br/artigovaquejada.htm
http://www.vaquejadas.com/regras/
http://www.vaquejada.com.br/acessorios/
http://www.nucleouniversitario.com.br/vaquejada.html
http://www.mp.ba.gov.br/noticias/2007/jun_14_vaquejada.asp
http://www.mp.ba.gov.br/atuacao/ceama/noticias/2007/jun_05_acao.pdf
http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=10659
http://en.wikipedia.org/wiki/Human_sacrifice
http://www.portadeacesso.com/escritores/amauri/tratado_da_familia.doc
http://macua.blogs.com/moambique_para_todos/files/SURDEZJC.doc
http://en.wikipedia.org/wiki/Krypteia
http://pt.wikipedia.org/wiki/Castas

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13ago/080

Chesf patrocinando vaquejadas

A 26ª Vaquejada de Bezerros terá como um dos patrocinadores a Companhia Hidrelétrica do São Francisco - Chesf, como os pernambucanos de várias cidades podem ver nos outdoors espalhados por várias avenidas e rodovias.

Infelizmente não tenho foto do anúncio, mas, como falei, o pernambucano pode flagrá-lo em muitas avenidas e rodovias do estado, além de cartazes em pontos estratégicos como paradas de ônibus movimentadas e universidades.

A empresa decepcionou a todos nós, que vemos constantemente seu nome entre os patrocinadores de diversos eventos culturais e de repente flagramos seu apoio a esse pseudo-esporte marcado pelo sadismo e sustentado na ignorância.

Deixe seu protesto aqui: http://www5.chesf.gov.br/Aplic/ComunicaCER.nsf/formprincipal?openform
É o formulário de fale-conosco da empresa, onde você deverá deixar sua manifestação escrita de indignação.
Por favor, não deixe xingamentos ou desabafos contendo palavrões ou ameaças, mantenha o bom senso e deixe uma manifestação civilizada. Não podemos nos igualar à ignorância e bruteza dos que não pensam nos animais ou não sabem muito bem que eles são maltratados e agredidos nesses pseudoesportes baseados na crueldade.

Obs.: Caso a empresa responda você por e-mail com a velha desculpa de "valorizar a cultura e tradição", mande, se puder, outra mensagem pelo link acima, dessa vez refutando a validade desse argumento e deixando claro que cultura não pode nem deve se sobrepor à dignidade dos animais e à Constituição, que deixa claro que não aceita crueldade contra animais no Artigo 225, parágrafo 1º, inciso VII.

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25jun/080

Se sua empresa patrocina rodeios e vaquejadas, vai gostar dessa!

Quando se fala no lucro de rodeios e vaquejadas, torna-se magnânima a participação das empresas patrocinadoras. Sem elas, não há evento lucrativo desse porte. Elas se vêem e se portam como “defensoras heróicas da cultura e da tradição” e dizem zelar pela manutenção de eventos “culturais” que demonstrem a “força” e a “bravura” do povo do interior personificado em peões e vaqueiros.

Muito bem, suponho que os defensores dessas coisas me venceram! E agora admito que rodeio e vaquejada não são violências nem brutalidades e que são moralmente válidos.

Agora, para aumentar o hall de eventos da mesma categoria desses dois e o lucro dos patrocinadores, eu gostaria de fazer algumas sugestões de eventos que certamente exaltarão a força, a coragem, a bravura, o poder físico, de muitos aspirantes a heróis e ídolos dos recantos rurais e cidades brasileiros do mesmo jeito que aqueles dois... esportes fazem. Possuem a mesma inspiração de exaltar a história e a tradição muitas vezes secular dos povos que os praticam e agradarão suas parcerias comerciais:

1. Vale-tudo com crianças ou adolescentes: treinados como em culturas antigas da Ásia, mostrarão sua força em arenas ou ringues, trocando golpes ainda que comece a escorrer sangue e se quebre algum osso. Na base da pancadaria, mostrarão o quão valente é a sua cultura! São crianças, sim. É violência, sim. É exploração brutal de pequenos jovens, sim. É verdade também que poderiam estar livres e brincando como qualquer outra criança ou adolescente de sua idade.

Mas e daí? O que vale para as empresas patrocinadoras é que é uma cultura sendo exaltada para um público apreciador, e este vai começar a comprar seus produtos ou serviços. Já imagino a resposta-padrão para protestos vindos de raivosos defensores de direitos humanos contra os patrocinadores desses vale-tudos: “o propósito da empresa é propiciar alegria e entretenimento ao público”, e (suponhamos) “há uma lei que disciplina o tratamento reservado aos pequenos lutadores e os livra de maus-tratos em suas arenas de treinamento e suaviza os instrumentos de tortura usados pelos seus responsáveis antes de cada luta”.

Estatuto da Criança e do Adolescente? Que vá às favas! Há incisos na Constituição proibindo a crueldade contra menores? E daí? O que importa é que uma cultura guerreira e a alegria e entretenimento das pessoas estão sendo valorizados.

2. Criptéia ou Críptia: assim como na antiga Esparta, na Grécia, adolescentes recrutas do exército são armados com espadas e saem pela cidade atrás de escravos ou mendigos para executá-los. Quem captura e mata mais torna-se apto a entrar para o exército principal da nação.

E daí que há mortes nisso? É cultura! É tradição! Estas valem muito mais para os patrocinadores do que a vida e a dignidade das pessoas escravizadas ou jogadas na rua. Lembre-se: o que vale é a alegria e o entretenimento de quem aprecia esse evento. Lei? Já que existem leis regularizando rodeios, poderiam ser reativadas as leis do passado concernentes à escravidão.

3. Mongolic Life: um novíssimo reality-show em que várias pessoas, durante um ano, vivem na pele de quatro tribos da Mongólia do século 12. Isoladas numa estepe, têm que se alimentar de qualquer animal que apareça perto deles, racionar cada pedaço de carne, vestir-se da pele de qualquer bicho, sugar o leite de suas éguas e montar cabanas de feltro de lã ou pele. Quem trair ou desertar o show será morto. Quem cuspir ou urinar dentro da tenda também é morto, mas ainda vale defecar dentro da tenda.

No sexto mês, um líder tribal irá guiar toda a comunidade para uma guerra de agressão contra uma rica cidade, construída para a ocasião do reality-show. Qualquer desertor dessa guerra será morto junto com todos os seus companheiros. Todos os habitantes da cidade, menos artesãos e intelectuais, devem ser mortos e ter suas cabeças empilhadas. É uma barbárie para lá de atroz, uma cultura que deveria ser esquecida? Nada disso, o povo mongol revivido por esses participantes é um povo bravo, lutador e guerreiro, que resistiu a todas as grosserias de um clima hostil.

Assim como o rodeio e a vaquejada, não importa que haja tanto sofrimento e barbárie por trás, é uma cultura, uma tradição que o empresariado deveria valorizar e patrocinar. E lembre-se que haveria uma barreira antropológica que impedisse a repressão de outra cultura (só o deus mongólico Tengri saberia como essa barreira desativaria a Constituição ou o Código Penal para um reality-show violento sobre uma cultura alheia, mas fica para fim de efeito a suposição).

4. Campeonato de Coragem: relembrando a bravura do povo asteca, peões e vaqueiros largariam seus cavalos por um tempo e começariam a procurar cavalos e bois fugitivos no Cerrado ou na Caatinga. Munidos com paus ou porretes, se lançariam na mata e aplicariam pauladas nos bichos para atordoá-los, não para matá-los, do mesmo jeito que os soldados astecas caçavam e capturavam escravos.

Teriam que trazer os bichos vivos no ponto de concentração combinado, mesmo que atordoados, doloridos e arrastados. O maior capturador de animais espancados ganharia um troféu e uma boa soma em dinheiro. E daí que usariam instrumentos violentos? É a cultura! É um motivo de diversão pra quem assiste pela televisão. Lembre-se que não importa o que há atrás dessa e das outras gincanas, o que importa o proporcionamento de “alegria e entretenimento” ao público.


Quem não se preocupa com a dignidade dos animais agredidos nas arenas de rodeios e vaquejadas dificilmente teria compaixão suficiente para deixar de patrocinar vale-tudos envolvendo crianças

Pronto, dei minhas dicas para as empresas que adoram patrocinar eventos da laia de rodeios e vaquejadas. E daí que haja tanta maldade? Tanto sangue? Tanto tolhimento de dignidade e liberdade? Tanta exploração escandalosa? Tanta ausência de compaixão, respeito e dignidade para com o próximo diferente? Tanta gente protestando contra? E daí que sejam eventos imorais e brutais? O que importa é a “diversão”, a “cultura”, a... “alegria” de quem assiste.

Ou essas empresas carentes de ética e responsabilidade se ajeitam e param de patrocinar barbáries como rodeios e vaquejadas ou verão o feitiço se virar contra o feiticeiro tão logo que houver população esclarecida suficiente para o surgimento de uma onda de boicotes éticos. Seu envolvimento nessas atrocidades irá lhe tirar clientes, em vez de atraí-los.

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