Arauto da Consciência
6mar/100

Escola de idiotice

Diretora ensina Rebolation  a alunos e gera polêmica

Uma diretora causou polêmica ao ensinar a dança Rebolation para os alunos em uma escola estadual da cidade de Papagaio, no interior de Minas Gerais. As imagens foram gravadas por uma aluna da escola.

Pais e professores ficaram revoltados com a atitude da diretora da escola. Para eles, ela não estaria dando um bom exemplo aos alunos ao ensinar uma dança sensual às crianças.

O vídeo da baixaria "didática" está aqui:

Essa é mais uma da série "Professoras de Idiotice" -- a primeira foi a da professora que dançou para uma banda de swingueira (vôte!) no ano passado.

O pior é que a diretora parece ser de meia-idade, escapa do perfil de professoras jovens cuja juventude se deu nessa época de baixaria musical que vem desde os anos 90.

Pois é, essa é a educação que temos. Em vez de fazer o que deveria -- educar e ensinar valores éticos novos que despachem os atuais valores parasitas --, ajuda a perpetuar a fossa social, moral e política que foi cavada e mantida durante séculos.

A próxima vai ser um professor sendo flagrado ensinando seus/suas alun@s a promover pequenos atos de corrupção, como praticar pequenos furtos e subornar policiais.

P.S: Notaram que a Record põe notícias sobre educação numa seção chamada "Vestibulares e Concursos"? Muito bizarro. É como se a educação  servisse apenas para "formar" vestibuland@s e concursand@s.

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3mar/100

Poesia: Não vou

Escrita em dezembro de 2008

Não vou deixar para lá que fui roubado e que posso sê-lo de novo a qualquer dia.

Não vou esquecer que minha integridade física já foi ameaçada porque faltou segurança pública competente.

Não vou considerar isso normal.

Não vou atender quando alguém me disser “deixa isso pra lá”.

Não vou banalizar os assaltos e os assassinatos.

Não vou passar a pensar que ser assaltado, ameaçado, mirado por uma arma de fogo ou branca, é comum, normal e aceitável.

Não vou fazer brincadeira com algo sério como a ameaça que sofri de ser esfaqueado ou baleado caso não desse meu celular.

Não vou aceitar ser oficiosamente proibido de usar, numa democracia, num país livre, uma ferramenta de exercício de cidadania como um celular que tira fotos dos mais diversos problemas a que somos submetidos.

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28fev/100

Reflexões de Idiocracy: rumo à Idiocracia brasileira?

Artigo escrito em março de 2009, minimamente editado

A comédia cult Idiocracy (2006) mostra, talvez de uma forma exagerada mas muito hilária, os extremos a que a degradação cultural de um país provavelmente pode chegar. A burrice, a imbecilidade, a ignorância, o desrespeito, a coprologia, a obscenidade e outras imundícies são costumes socioculturais predominantes nos EUA do ano 2505, tudo porque não se conseguiu educar uma população de deficientes intelectuais que procriava gerações sucessivas igualmente idiotizadas. “Tudo porque não se conseguiu educar”? Isso nos lembra algo.

Quem pensou no Brasil pensou no óbvio. Assim como o sistema educacional estadunidense, que na distopia foi incapaz de reverter a imbecilização da população no terceiro milênio da Era Comum, o brasileiro também está apanhando feio na luta contra a degradação dos valores culturais e morais*. Estilos musicais degenerados marcados por letras descerebradas se popularizaram, o alcoolismo social é praxe, trotes universitários violentos e tapetadas (agressões contra pedestres por idiotas a carro “armados” com um tapete enrolado) estão em alta entre a juventude... O que dizer mais para evidenciar que o Brasil da vida real está ameaçado de se tornar uma idiocracia da mesma categoria que os EUA do “futuro”?

Embora sua obra tenha sido uma ficção hiperbólica, Mike Judge, seu diretor, inspirou-se, entre outros fatores socioculturais, num fato real nos Estados Unidos: a capengagem do sistema educacional. Uma realidade precária que já havia sido denunciada em livros por Carl Sagan – que abordou a deficiência na formação científica naquele país n’O Mundo Assombrado pelos Demônios – e Michael Moore – cuja queixa exposta na obra Stupid White Men mostrou o quanto é fácil a ascensão da estupidez cultural num país educacionalmente fraco.

Uma máscara que tem como molde a situação idiocrática estadunidense se encaixa direitinho no status quo brasileiro. Está aí para todos verem: a grande maioria de nossas escolas, incluindo aí não só os penuriosos colégios públicos como também muitas instituições particulares ricas e sofisticadas, está falhando miseravelmente na formação de mentes pensantes preocupadas com a ética, a moralidade* e a promoção de uma cultura respeitável.

A virtude da responsabilidade pessoal sobre si mesmo não está sendo valorizada como deveria na prática do ensino e a suscetibilidade da juventude em assimilar costumes idiotas mas prazerosos está sendo negligenciada. Como consequência, os jovens estão sendo levados sem a mínima resistência pelas correntes da ressaca cultural do hedonismo e da irresponsabilidade total. Mesmo as drogas, em vez de assustarem por sua nocividade extrema tão divulgada na mídia, estão atraindo com facilidade um bom número de adolescentes e jovens adultos que não aprendem direito a discernir o certo do errado.

Sem perspectivas de melhoria na forma como a nossa educação pública e privada lida com a formação cultural dos brasileiros, vamos caminhando rumo à versão brasileira e real da distopia estadunidense, a nossa idiocracia. Os absurdos que Mike Judge pensou estão se repetindo em nossa realidade. Enquanto nos EUA do século 26 assistir a uma bunda no cinema e apreciar a violência policial são costumes corriqueiros, aqui “beber, cair e levantar” e “brindar sempre a p*taria” estão se tornando convenções sociais valorizadas. Antes que os jovens de hoje elejam daqui a pouco o “rei do cabaré” para presidente, os educadores precisam discutir como essa cultura tão degenerada deve ser enfrentada e seus danos na mentalidade juvenil brasileira mitigados.

*Minha concepção de moral, ao contrário dos (falsos) moralistas ultraconservadores, não milita, por exemplo, pela homofobia e pela recristianização dos valores socioculturais brasileiros, muitíssimo pelo contrário.

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28fev/100

O mal do excesso de leituras obrigatórias na universidade

Artigo escrito em agosto de 2009

Cursos de ciências humanas, desde sempre, requerem muita leitura. A maioria dos/as professores/as deixam disponíveis para cópia trechos de livros e artigos contendo o que devemos estudar para aprender e estudar para avaliações. A leitura obrigatória é mais que fundamental nesses cursos, mas muitas vezes somos pegos por avalanches de conteúdo. A carga é tanta que não temos quase nenhum tempo livre para outras realizações, inclusive acadêmicas, e isso é um problema.

É certo que, sem leitura do conteúdo indicado pelo/a docente, é bastante difícil acompanhar as aulas, aprender tudo que elas trazem de pertinente e ter bom desempenho em notas. Professores/as que arriscam não determinar leituras disciplinares têm a qualidade da ministração de sua disciplina deteriorada. Esses cursos são indissociáveis do conteúdo a ser lido. Mas deve-se perceber que o programa de estudo de não poucos/as professores/as beira ou passa do limiar do excessivo.

Tem mestre que passa conteúdo novo a cada aula, podendo ser de um até quatro textos diferentes a serem abordados num só dia, o que toma uma enorme carga horária dos/as estudantes. Estes/as ficam numa situação bastante difícil: ou estudam tudo aquilo ou correm o risco de obter notas baixas nas provas e seminários.

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26fev/100

A história não é só do homem

Mulheres que nos ensinaram que a história não é só "o homem". Em sentido horário: Margaret Mead, Teodora de Constantinopla, Rainha Nzinga de Ndongo e Matamba (conhecida como Ana de Sousa Nzinga) e Betty Williams.

Artigo escrito em março de 2009. Escrito em dedicação às mulheres, em especial à minha mãe e às Erickas, colegas da antiga turma de Gestão Ambiental.

Ouvimos e lemos muito sobre a formação do homem, a ação do homem, as mais variadas questões relativas ao homem. Cita-se muito “o homem” na literatura e nos discursos. Enquanto para a maioria das pessoas falar do homem é normal, algumas pessoas notam de forma evidente um viés machista nessas expressões. O homem, ser humano macho, é (im)posto como o Homo sapiens padrão e nossa sociedade acostumou-se em assim considerar.

Muito embora a mulher seja coautora da história humana ao lado do homem, e não apenas uma colaboradora coadjuvante, seu papel torna-se ou parece tornar-se inconscientemente minimizado quando se enfatiza a palavra “homem” nos livros e nas falas daqueles que nos ensinam, mesmo que não seja essa a intenção de quem escreve, discursa e ensina. É visível que essa assinalação de uma humanidade de essência masculina reflete o machismo das sociedades ocidentais, ou ao menos das lusófonas.

Muito embora as sociedades patriarcais tenham, ao longo dos milênios, inibido severamente a capacidade e potencial das mulheres de construir os valores e estruturas sociais de seus povos, preferindo um caminho de dominação machista, com normas e valores que as trata(va)m como pessoas inferiores, à alternativa da construção sociocultural igualitária, é mais misoginia do que uma reconstituição fiel da realidade histórica humana atribuir à mulher um papel menor, “fora do padrão”, na história do ser humano a ponto de apenas “o homem” merecer ser citado.

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25fev/101

Alienação na sala de espera

Artigo escrito em julho de 2009

Quem frequenta lugares que demandam uma espera, como salões de beleza e consultórios médicos particulares, sabe as opções de distração que existem para a pessoa aguardar atendimento. Seja em salas confortáveis, seja dentro do único cômodo do recinto, é mais que esperado que encontremos a nosso dispor um televisor, sintonizado quase sempre nas emissoras mais populares ou num DVD tolo, e um punhado de revistas, geralmente de fofocas, novelas e carros e menos comumente de notícias voltadas para as classes média e alta.

Considerando a inutilidade (in)formativa das revistas não-jornalísticas geralmente disponíveis nesses lugares e a manipulação a que o jornalismo da TV aberta e das revistas mais comuns lá nos submetem, é de se refletir: salas de espera são recantos onde se reforçam a alienação e a estagnação intelectual. Não é por culpa das pessoas que não têm alternativas melhores, mas sim justamente dessa falta de opções quanto ao que ler e ver, da falta de costume cultural de se dispor ali de meios realmente construtivos de informação e provisão de conhecimento.

As pessoas abençoadas pelo hábito de ler livros e levá-los consigo para qualquer cantinho de aguardo são as únicas protegidas do adormecimento cerebral que essas revistas e canais televisivos de última categoria promovem – ou nem isso, quando a sala é pequena e o volume da TV está alto, interferindo na leitura do bom livro. Já as demais, coitadas, estão condenadas a viver por talvez horas numa prisão abstrata, uma cela minúscula e tortuosa onde só existem revistas como Caras, Contigo, Minha Novela, Tititi, Quatro Rodas e Veja e uma TV transmitindo Globo, Record, SBT ou um DVD musical meia-boca.

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17fev/100

Ciclo vicioso do mal na sociedade brasileira

Clique no diagrama para vê-lo em tamanho completo.

Este é o ciclo vicioso do mal na sociedade brasileira, o qual eu observei ao longo da vida. A corrupção entranhada na própria população (vide "jeitinho", subornos a guardas de trânsito, furtos de papel higiênico ou canetas em instituições públicas etc.), a mídia, a deficiente educação e a política interrelacionam-se de tal forma que fica bastante difícil pensar como determinados males do país podem ser remediados.

É uma questão muito complicada:
- Se quisermos mexer nos valores do povo, teremos que começar pela educação, que hoje está precária e o governo não se interessa em reformar.
- Se quisermos intervir na atenção estatal dada à educação, os políticos não vão querer fazer nada a favor desse desejo.
- Se quisermos mudar o quadro político, tem que ser com a ajuda das massas e da mídia, mas ambas não ajudarão -- a mídia é parcialmente possuída pela desmandada classe política, não está afim de mudar nada, bem pelo contrário, e o próprio povo cultiva a desonestidade e a não-cidadania que são colhidas em forma de corrupção e descompromisso nos poderes executivo e legislativo federal, estadual e municipal.
- Se quisermos forçar a mídia a se ajeitar e instruir a população em vez de emburrecê-la e conformá-la, os políticos que parcialmente as controlam não vão deixar nosso plano dar certo.

Gostarei muito de ver esse ciclo, num futuro mais próximo possível, sendo debatido.

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16fev/100

Um lado da educação em que a maioria dos candidatos políticos não pensa: o humano

Artigo escrito em junho de 2008

Campo de promessas mais freqüente em propagandas eleitorais ao lado da saúde, a educação tem sua importância quase que unanimemente reconhecida entre candidatos a vereador, deputado, prefeito, governador, senador e presidente. Todos que expõem promessas (ou, se preferir, “propostas”) no horário eleitoral, com exceções vacilantes, prometem adotar como um dos direcionamentos principais do seu mandato a resolução dos problemas da educação do Brasil, do estado ou da cidade.

É “investir em saúde e educação” para cá, “vou construir mais escolas” para lá, “vamos contratar mais professores” aqui, “meu objetivo é, até o fim do mandato, pôr todas as crianças na escola” lá, “toda escola tem que ter biblioteca e laboratório de informática” acolá... Ainda tem alguns que de vez em quando tocam no lado humano da coisa, ainda que superficialmente, quando falam em dar salários dignos aos professores e chamá-los a uma reciclagem pedagógica – que nem chega a ser descrita ou explicada na imensa maioria desses poucos candidatos que têm essa promessa. Entremos num YouTube® da vida ou esperemos a próxima época de propagandas eleitorais, aí relembraremos que essas promessas são de praxe.

Assistindo ou lembrando de uma amostra qualquer de propagandas eleitorais, vemos que muitos (aparentemente) se preocupam com a educação. Se tivéssemos todas essas promessas cumpridas de fato, veríamos, deixe-me ver... Muitas escolas, todas elas informatizadas e dotadas de biblioteca e com infra-estrutura impecável; bibliotecas faustosas e laboratórios de informática com computadores bem modernos; as escolas existentes todas limpinhas e com ar-condicionado nas salas; professores com bons salários; crianças e adolescentes lotando as salas, com evasão zero; universidades com boa qualidade e munidas de tudo aquilo que as faça serem boas, incluindo laboratórios de experimentação animal(!!!), contra os quais nenhuma boa alma candidata se posiciona contra; professores dando aulas de qualidade e recebendo reciclagens pedagógicas freqüentes – sendo a consistência destas últimas para o povo uma incógnita que só algum santo católico ou o Deus seu chefe saberá dizer em que consiste, já que quase nenhum candidato diz como acontecem. Tudo bonitinho, mas está faltando algo sério no sistema. É algo que seria talvez o mais importante de todos os aspectos acima.

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15fev/100

Os limites da coerção policial numa sociedade sem tratamento

Artigo escrito em janeiro de 2009

Com a Lei Seca, que pune com rigor motoristas que misturam álcool e direção, levantou-se um debate notável sobre o choque entre coerção e cultura, quando uma lei rigorosa se choca com os costumes viciados da sociedade. Duas perguntas oportunas são lançadas nessa discussão. A primeira é: uma norma que passe por cima de um vício cultural sem que este tenha sido devidamente remediado pela conscientização coletiva consegue cumprir o seu objetivo? E a segunda reflete uma outra preocupação de enorme importância, com muito em comum com a outra questão: até que ponto o poder policial consegue forçar a inibição da delinquência e da violência sem que as raízes sociais delas sejam devidamente tratadas?

Gerou-se o aperto do costume alcoólico com a proibição total do álcool no sangue do motorista. Enquanto há fiscalização nas estradas, todos estão pensando duas vezes antes de “abastecer” o corpo com etanol. Mas bastou um relaxamento no rigor fiscal que os acidentes causados pela embriaguez no volante voltaram a crescer significativamente. A verdade escancarada é que, por não ter sido antecedida por um esforço de conscientização cultural de longo prazo, a Lei Seca só vem funcionando quando os corpos de polícia de trânsito apertam. É o mesmo efeito de uma seringa entupida contendo ar: o aperto, equivalente à coerção, só reduz o objeto a ser tratado por compressão forçada, nunca por diminuição do conteúdo. A mentalidade da sociedade não muda, só é forçada a se comportar dentro do limite. O combate policial à ebriedade dos motoristas pode continuar e até tornar-se mais eficiente com a investida de mais policiais, viaturas e delegacias móveis, mas será sempre limitado a forçar a compressão dos hábitos viciados, nunca sua redução consciente.

Assim a primeira pergunta encontra sua resposta: o objetivo da norma coerciva não antecipada pelo trabalho da consciência coletiva é atingido sim, mas só enquanto há fiscalização rígida. Não conseguirá nunca converter o costume popular viciado em responsabilidade autocultivada, mas só lhe impor volume menor.

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15fev/100

Para que servem mesmo os hinos nacionais?

Artigo escrito em fevereito de 2009

Obs.: Este artigo é dirigido não apenas para os brasileiros, mas para todos os países e povos do planeta. Traduzi-lo para outras línguas será de muito bom grado. Também não busca inferiorizar o Brasil ou qualquer outra nação em relação às demais, muito pelo contrário.

“Ouviram do Ipiranga as margens plácidas...” Quando ouço essa música, em vez de sentir “orgulho” do país, pensar na suposta superioridade ambiental do mesmo, imaginar o Brasil como potência geopolítica num futuro hipotético, começo a pensar: para que servem mesmo os hinos nacionais? Qual a contribuição deles para um mundo melhor e mais unido? A utilidade do hino, em meu pensamento, se faz fortemente questionada.

Mediante essas questões, me vem à mente a ideia de que os hinos são resquícios de uma época em que o nacionalismo, o sentimento de que seu país é superior a todos os demais, era tratado como uma virtude e um valor inquestionável – ou melhor, questionável apenas por anarquistas. Entretanto, quando se muda o ângulo da visão do mundo, da arrogância patriocêntrica à filosofia de união internacional, percebemos que os hinos nacionais são dispensáveis num mundo unido e igualitário que irreleve diferenças territoriais, étnicas e religiosas.

A opinião favorável ao hino patriótico afirma que ele é bom porque exalta os esforços, tradições e virtudes do povo, valoriza a riqueza ambiental do país e releva a identidade nacional. É muito bonita a intenção, mas e os outros povos, as outras nações? O que realmente faz tal pátria ter um povo mais esforçado e virtuoso e melhores tradições do que todas as outras? Por que temos que necessariamente crer que somos “melhores” em vez de tratar todos os povos e nações do planeta como igualmente dignos e lutadores?

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15fev/100

O animal irracional que destrói o próprio ambiente

Onde não há cercas protegendo a área natural, a "besta civilizada" certamente invadirá e destruirá.

Artigo escrito em fevereiro de 2009

Não são raras as vezes em que o ser humano, supostamente o único animal racional, tem um comportamento muito mais bruto e bestial do que qualquer outro animal, vistos os banhos de sangue, agressões contra animais, destruição de patrimônios públicos e muitas outras selvagerias que comete. Entre essas outras, tornou-se óbvio que o meio ambiente é outro complexo de seres – vivos ou não – que vem sofrendo horrores com a incapacidade de muitos humanos de pensar em fazer o bem e seguir uma conduta condizente com a tão arrogada racionalidade de sua espécie.

Antigamente os cercados envolviam aglomerações humanas protegendo as pessoas da bestialidade predadora dos animais selvagens. Já hoje, reparemos que as áreas menores de preservação ambiental são quase todas cercadas por muros ou cercas. Estes existem porque protegem os ecossistemas restantes da fúria selvagem dos... humanos. Sem o cercamento, invariavelmente haverá uma severa invasão e destruição da área natural pela ação humana.

Pelos mais diversos motivos, desde uma necessidade de usufruir dos recursos naturais locais até pura maldade, a maioria dos humanos ditos civilizados não demonstra capacidade de usufruir de forma saudável e sustentável os bens que um trecho de ecossistema pode fornecer. Para deter e controlar esse ímpeto destruidor, fizeram-se necessários aparatos socioantropológicos que determinassem o respeito ao ambiente como valor supremo – leia-se religiões sacralizadoras da natureza, que muitas vezes considera(va)m-na um(a) deus(a) – e, mais modernamente, barreiras físicas artificiais entre o território humano e o espaço natural.

O mais interessante é que essa relação irracional da humanidade com a natureza tem sido marcada por uma razão-e-proporção absurda e contraditória: o nível tecnológico de uma civilização é inversamente proporcional ao respeito ao meio ambiente e diretamente proporcional à destruição causada. Tornar-se “civilizado” e “avançado”, ao invés de trazer evolução na relação humano-ambiente, recrudesceu os maus instintos dos humanos, tanto individual como coletivamente.

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9fev/100

TV Animal fora do ar: parabéns, SBT, por tamanha estupidez

O SBT parecia ter tomado vergonha na cara e lançado um programa de conteúdo educativo e conscientizador, e melhor, voltado para animais, abordando até um pouquinho de direitos animais (pelo menos constava isso na proposta do programa). Parecia estar começando a reconhecer o (teórico) papel social da televisão de prover informação, educação extraescolar e conscientização, como eu desejava.

Para quem sequer lembrava que o SBT existe, esta é a notícia de quando a emissora lançou esse programa, com uma proposta muito boa:

TV Animal retorna à grade do SBT totalmente reformulado

Um programa com proposta educativa e informativa que leva entretenimento para toda a família, principalmente para os amantes de animais

O "TV Animal" retorna à grade do SBT totalmente reformulado com a apresentação de Beto Marden a partir de 9 de outubro. A atração reúne quadros que proporcionam aos telespectadores conhecimento e curiosidades sobre os hábitos de animais de espécies variadas semanalmente, sempre às sextas-feiras, às 20h15.

Nesta quarta, 30 de setembro, o SBT reuniu jornalistas de diversos veículos de imprensa no Aquário de São Paulo, Zona Sul da cidade, para apresentar a nova atração.

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27jan/107

Ser professor/a do ensino básico é subemprego no Brasil

Depois de um tour virtual pelo Brasil na busca por salários de concursos de professoræs de ensino básico (mais especificamente no site PCI Concursos), eis umas amostras de uma das nossas maiores vergonhas nacionais:

salários vergonhososClique na imagem para ver tudo direitinho.

É uma amostra de como a nobilíssima profissão de professor/a é reduzida ao subemprego no Brasil. E pensar que ter um cargo burocrático em fóruns de justiça vale muito mais no Brasil do que edificar o conhecimento e ética de seres humanos.

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21jan/100

“Tudo” melhora no Brasil, menos a educação

País perde 12 posições em ranking de educação

O Brasil perdeu 12 posições no índice de educação feito pela Unesco, o braço da ONU (Organização das Nações Unidas) para a educação e a cultura. A queda, do 76º para o 88º lugar entre 128 países, ocorreu principalmente em razão da piora no índice de crianças que chegam até a quarta série. Segundo a Unesco, de 80,5%, em 2005, o percentual caiu em 2007 para 75,6%.

Com isso, o IDE (Índice de Desenvolvimento Educacional) do Brasil, caiu de 0,901 para 0,883 em uma escala de 0 a 1, o menor entre todos os países do Mercosul. Isso mantém o país em um patamar considerado mediano pela Unesco.

O IDE é composto pelas taxas de alfabetização de adultos, igualdade de gênero, matrícula na educação primária e sobrevivência na escola até a quinta série - no caso do Brasil, foi considerado o dado relativo à quarta série. [Ao meu ver, é pobre demais para avaliar a qualidade da educação.]

Os primeiros lugares ficaram com Noruega, Japão e Alemanha. Os últimos, com Etiópia, Mali e Niger, todos no continente africano.

Esse ranking deixa de fora a avaliação da qualidade do ensino e a difusão do hábito da leitura, mas dá para ter uma ideia de que a educação realmente não entrou para as prioridades do governo Lula. PAC, Bolsa-Família, tratamento da crise econômica mais adequado que na época de FHC, zelo pelo Nordeste, muitos motivos nos fazem perceber que este governo foi mais aceitável que o antecessor, mas insistiu-se para a educação não sair do buraco.

Espero que Marina Silva, além de não ceder aliança à detestável direita (eu ainda quero saber onde no mundo a direita não é detestável), inclua a educação como sua coprioridade (ao lado do meio ambiente).

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20jan/100

Post de teste

Este post não tem conteúdo, serve apenas para inaugurar as categorias temáticas do blog.

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10jan/102

Resenha: O Mundo Assombrado pelos Demônios: a ciência vista como uma vela no escuro

Bem que Carl Sagan, n’O Mundo Assombrado pelos Demônios, podia ter investido ainda mais contra a pseudociência, a superstição, a crendice e a religiosidade bitolada, mas seus esforços pela promoção da ciência e do ceticismo são enormemente bem vindos. Ele fez um ótimo trabalho na tentativa de promover esses dois perante a humanidade que ainda se deixa levar pela tendência a cair em crendices emocionadas, embora eu ache que ele poderia ter ido mais longe no combate frontal ao que não deveria ser acreditado e que reservou espaço demais para a crença em ETs seqüestradores.

O primeiro capítulo anuncia bem o que Carl pretendeu defender e combater: as conseqüências da não-valorização da ciência, alguns benefícios desta para a humanidade os episódios em que a mesma foi e é usada para o mal e as peripécias desvairadas da pseudociência (e as tragédias proporcionadas por ela). O segundo faz uma intensa propaganda da ciência, algo do tipo “como é gostoso viver a ciência”, inclusive mostrando-a como niveladora de egos – pela refutação de idéias não-comprovadas de seja lá quem for. Nada mal para introduzir o leitor ao gosto pelo pensamento científico, algo que é retomado muitos capítulos depois.

O terceiro já muda o foco, para a pareidolia, embora esse vocábulo não esteja presente ao menos na edição que li. Explora questões como o monte chamado de “A Face em Marte”, a “cratera da carinha sorridente” na Lua e aparições da Maria bíblica. Foi uma boa abordagem para começar o desmonte de crendices.

A partir do quarto, até o capítulo 11, 127 páginas de ETs atrás de ETs. O leitor tem a impressão de que os “demônios” do título do livro são na verdade uma metáfora para os alienígenas, que Carl mostra serem parte apenas do imaginário folclórico. As questões mais detalhadamente abordadas foram as (falsas) memórias das pessoas que dizem ter sido raptadas por ETs, levadas para discos voadores e vitimadas por vivissecção, as “provas” da presença de áliens vigiando a Terra e o suposto trabalho dos governos em esconder a “verdade” de que “eles” estão nos olhando, fazendo experimentos tecnologicamente rudimentares com humanos e cavando “sinais” em plantações. Questões de ceticismo religioso como os “julgamentos” da Inquisição e as visões alucinadas medievais de demônios ou santos aparecem, mas com pouca expressividade. Foi uma pena que o ET de Varginha e a febre das supostas aparições extraterrestres no Brasil não entraram no livro, até porque aconteceram na mesma época do lançamento do mesmo, leia-se 1996.

A partir do capítulo “A arte refinada de detectar mentiras”, o ceticismo e a pseudociência são abordados com vigor. É quando o leitor pensa – e com razão – “poxa, finalmente o livro começou a mostrar para que veio!” Tem destaque meu o “caso Carlos”, que foi a forja da incorporação de um jovem de descendência latina por um espírito, esquema montado pelo “mago do ceticismo” James Randi, e o breve desmascaramento de picaretagens como cirurgias mediúnicas e curas de doenças pela força da fé. Porém, eu acho que Carl Sagan ainda pegou muito leve com a pseudociência e a superstição. Poderia ter ido muito mais longe e abordado mais casos específicos de quando a picaretagem hipnotiza as mentes crédulas.

Mais adiante, a propaganda da ciência é retomada com muita força. Carl tem todo o meu apoio nessa parte. As mais variadas questões da ciência são abordadas, incluindo um pouco de antropologia – quando fala da tribo africana !Kung San e cita as semelhanças entre povos humanos pré-letrados ou da Pré-História, como a crença em deuses e/ou espíritos e o uso de tecnologia – e o alerta para o perigo do uso maligno da ciência, tendo destaque a história de Edward Teller, o pai da bomba H e defensor visceral das armas de destruição em massa. Entretanto, faltou totalmente uma importante denúncia do mau uso da ciência: as torturas da vivissecção animal.

Em seguida, a educação científica dos Estados Unidos é diagnosticada como tendo sérios problemas. Foi obviamente uma análise bem mais comportada do que aquele dossiê educacional também americano que Michael Moore levantaria no livro Stupid White Men, lançado cerca de cinco anos depois d’O Mundo Assombrado Pelos Demônios. As deficiências apontadas são denunciadas como causas da decadência da dedicação científica naquele país e sua retração na corrida dos países desenvolvidos pela excelência do tratamento acadêmico da pesquisa científica. Reconheço muita nobreza na postura de Carl Sagan em defender melhorias na educação americana e a valorização da heterodoxia pedagógica, aquela(s) forma(s) de ensinar que apaixonam os estudantes. E quanto ao “nerdismo” dos cientistas e pretendentes a cientistas, ele entrou na apaixonada defesa daqueles que são taxados de “nerds” por sua preferência às ciências exatas e naturais, citando o exemplo de James Clerk Maxwell, o pioneiro do eletromagnetismo.

Nos dois capítulos finais, a ciência e a atitude cético-científica é transformada em cetro da democracia, da liberdade e dos direitos humanos. Foi uma abordagem muito digna e inspiradora, ainda mais por ter enfrentado o comportamento de alienação social. Segundo Carl, o verdadeiro patriota tem um comportamento que questiona e não aceita qualquer porcaria política, servindo o último capítulo idealmente para os brasileiros, embora ele não tenha falado diretamente ao Brasil.

Ao longo da obra, houve questionamentos muito comportados e limitados à religião. Aliás, Carl demonstra um respeito um tanto medroso pela mesma, evitando lançar ataques condenatórios e críticas pesadas do tipo daqueles que Richard Dawkins direciona quando pratica o que chamam de pensamento neo-ateísta. Creio que ele tinha muitos amigos religiosos fervorosos e o medo de machucar a fé deles inibiu O Mundo Assombrado pelos Demônios de atacar a religião explicitamente. Pelo contrário, em alguns momentos Carl defende a “religião honesta” que estimula o pensamento filosófico e questionador, embora comprovemos no dia-a-dia que tal atitude comportamental é bastante rara na população se vinda de crentes comuns não engajados em profissões requerentes do exercício do pensamento. Também não podemos contar com o livro como priorizador da Razão sobre a emoção humana, embora a ciência tão defendida esteja diretamente ligada àquela, até porque falta uma apologia consolidada à racionalidade na obra.

O Mundo Assombrado pelos Demônios é uma obra nobre porque enobrece a ciência e o ato de pensar cientificamente. E, como Carl Sagan, todos devemos perceber que é esse o pensamento que pode proporcionar um mundo melhor, em vez da imaginação crédula e inocente e da alienação educacional.

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