Um lado da educação em que a maioria dos candidatos políticos não pensa: o humano
Artigo escrito em junho de 2008
Campo de promessas mais freqüente em propagandas eleitorais ao lado da saúde, a educação tem sua importância quase que unanimemente reconhecida entre candidatos a vereador, deputado, prefeito, governador, senador e presidente. Todos que expõem promessas (ou, se preferir, “propostas”) no horário eleitoral, com exceções vacilantes, prometem adotar como um dos direcionamentos principais do seu mandato a resolução dos problemas da educação do Brasil, do estado ou da cidade.
É “investir em saúde e educação” para cá, “vou construir mais escolas” para lá, “vamos contratar mais professores” aqui, “meu objetivo é, até o fim do mandato, pôr todas as crianças na escola” lá, “toda escola tem que ter biblioteca e laboratório de informática” acolá... Ainda tem alguns que de vez em quando tocam no lado humano da coisa, ainda que superficialmente, quando falam em dar salários dignos aos professores e chamá-los a uma reciclagem pedagógica – que nem chega a ser descrita ou explicada na imensa maioria desses poucos candidatos que têm essa promessa. Entremos num YouTube® da vida ou esperemos a próxima época de propagandas eleitorais, aí relembraremos que essas promessas são de praxe.
Assistindo ou lembrando de uma amostra qualquer de propagandas eleitorais, vemos que muitos (aparentemente) se preocupam com a educação. Se tivéssemos todas essas promessas cumpridas de fato, veríamos, deixe-me ver... Muitas escolas, todas elas informatizadas e dotadas de biblioteca e com infra-estrutura impecável; bibliotecas faustosas e laboratórios de informática com computadores bem modernos; as escolas existentes todas limpinhas e com ar-condicionado nas salas; professores com bons salários; crianças e adolescentes lotando as salas, com evasão zero; universidades com boa qualidade e munidas de tudo aquilo que as faça serem boas, incluindo laboratórios de experimentação animal(!!!), contra os quais nenhuma boa alma candidata se posiciona contra; professores dando aulas de qualidade e recebendo reciclagens pedagógicas freqüentes – sendo a consistência destas últimas para o povo uma incógnita que só algum santo católico ou o Deus seu chefe saberá dizer em que consiste, já que quase nenhum candidato diz como acontecem. Tudo bonitinho, mas está faltando algo sério no sistema. É algo que seria talvez o mais importante de todos os aspectos acima.
Ser professor/a do ensino básico é subemprego no Brasil
Depois de um tour virtual pelo Brasil na busca por salários de concursos de professoræs de ensino básico (mais especificamente no site PCI Concursos), eis umas amostras de uma das nossas maiores vergonhas nacionais:
Clique na imagem para ver tudo direitinho.
É uma amostra de como a nobilíssima profissão de professor/a é reduzida ao subemprego no Brasil. E pensar que ter um cargo burocrático em fóruns de justiça vale muito mais no Brasil do que edificar o conhecimento e ética de seres humanos.
“Tudo” melhora no Brasil, menos a educação
País perde 12 posições em ranking de educação
O Brasil perdeu 12 posições no índice de educação feito pela Unesco, o braço da ONU (Organização das Nações Unidas) para a educação e a cultura. A queda, do 76º para o 88º lugar entre 128 países, ocorreu principalmente em razão da piora no índice de crianças que chegam até a quarta série. Segundo a Unesco, de 80,5%, em 2005, o percentual caiu em 2007 para 75,6%.
Com isso, o IDE (Índice de Desenvolvimento Educacional) do Brasil, caiu de 0,901 para 0,883 em uma escala de 0 a 1, o menor entre todos os países do Mercosul. Isso mantém o país em um patamar considerado mediano pela Unesco.
O IDE é composto pelas taxas de alfabetização de adultos, igualdade de gênero, matrícula na educação primária e sobrevivência na escola até a quinta série - no caso do Brasil, foi considerado o dado relativo à quarta série. [Ao meu ver, é pobre demais para avaliar a qualidade da educação.]
Os primeiros lugares ficaram com Noruega, Japão e Alemanha. Os últimos, com Etiópia, Mali e Niger, todos no continente africano.
Esse ranking deixa de fora a avaliação da qualidade do ensino e a difusão do hábito da leitura, mas dá para ter uma ideia de que a educação realmente não entrou para as prioridades do governo Lula. PAC, Bolsa-Família, tratamento da crise econômica mais adequado que na época de FHC, zelo pelo Nordeste, muitos motivos nos fazem perceber que este governo foi mais aceitável que o antecessor, mas insistiu-se para a educação não sair do buraco.
Espero que Marina Silva, além de não ceder aliança à detestável direita (eu ainda quero saber onde no mundo a direita não é detestável), inclua a educação como sua coprioridade (ao lado do meio ambiente).






