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	<title>Arauto da Consciência &#187; Atentados à Liberdade</title>
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		<title>Irmã/o/s de consciência denunciam pistolagem na cidade de Lagoa dos Gatos (Parte 2)</title>
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		<pubDate>Fri, 30 Apr 2010 01:06:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Robson Fernando</dc:creator>
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			</a>
		</div>
<p style="text-align: justify;">Mais uma denúncia relacionada a Lagoa dos Gatos, vinda por e-mail de irmã/o/s de consciência.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>A opressão vista de perto</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Nenhuma teoria, por mais revolucionária que seja, me deu ou dará o ímpeto de lutar e permanecer na luta além de qualquer coisa do que a visita a Lagoa dos Gatos, interior de Pernambuco, para ver de perto o assentamento da LIGA DOS CAMPONESES POBRES e sua realidade. Há mais ou menos duas semanas atrás não só eu como outros companheiros fomos avisados pelo o que estão passando os assentados, que tem como único objetivo repartir a terra igualmente e nela plantar, de forma equânime para que todos, sem exceção, compartilhem de uma vida mais digna. O que de fato está ocorrendo lá nada mais é do que o reflexo da face mais perversa de nosso país, latifundiários, possuidores de vastas terras, ocupantes de cargos legislativos e com contas no exterior, estão oprimindo da forma mais visceralmente cruel indivíduos que nada, alem dos braços e pernas, possuem de seu.</p>
<p style="text-align: justify;">Embasados em sua luta, por um destino menos dependente, tomaram a fazenda da família Da Fonte, influente não só no nosso estado mais também em todo Brasil, tendo, inclusive um dos seus como representante legitimo e democrático no poder, o Sr. Eduardo da Fonte, deputado federal pelo PP. Lá iniciaram um trabalho árduo na arte de plantar, agoar e colher batatas, milho, macaxeira, coentro, para a sua subsistência e troca em outras mercadorias, tudo isso pra sobreviver. Pois bem, os companheiros lá estavam instalados e prosperando, quando em meados de março os donos legítimos de fato e direito, entraram armados ate os dentes respaldados pela policia, bombeiros e toda espécie de homem armado para retirar aqueles invasores, com tratores destruíram tudo sem deixar um pó sequer das plantações ou das casas de barro e madeira que estavam sendo construídas para acolher as quase cem famílias que ali estavam, inclusive que abrigava a escola popular. Os companheiros foram então obrigados a instalarem-se à margem do latifúndio, este protegido e guardado por pistoleiros traficantes de crack naquela área. Não podemos afirmar, entretanto que a presença destes senhores, que vem ameaçando, amedrontando e matando gente, está sob o julgo dos proprietários, só podemos afirmar que o Sr. Mauricio da Fonte, esteve lá no dia do despejo e mais nada. De resto, só nos cabe a especulação fundamentada em relatos de moradores da região e dos despejados.<span id="more-3768"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Pois bem, não satisfeitos em expulsar, os pistoleiros a mando do excelentíssimo “ninguém pode afirmar quem foi” mataram um companheiro da LCP, o Nanal, que nem assentado era, era somente aliado à causa, foi morto quando estava cumprindo o seu oficio, entrega de leites logo pela manhã na cidade; o objetivo dos pistoleiros? Amedrontar todos os companheiros e fazê-los recuar em sua luta, o que de fato não aconteceu, no dia da morte do companheiro, houve uma passeata, que por sinal já estava marcada, para denunciar as barbaridades que estavam e estão sendo praticadas e para propagar a luta. Nenhum dos órgãos competentes tomou uma posição sequer, a policia  não investigou a morte de Nanal que, além de companheiro de luta, já teve passagens pela policia, ou seja, investigar pra quê? Pobre miserável e bandido não faz nem falta, dá-se é graças a deus por que foi morto um homem desses.</p>
<p style="text-align: justify;">O clima de lá, companheiros, é de ameaça, constrangimento e terror, todos os camponeses não só os expulsos, da região de Peri-Peri, mas os da região de Riachão(assentamento visitado, próspero, ativo e legitimo do povo) vivem sob ameaças dos pistoleiros, que inclusive a noite, dão tiros para o ar como sinônimo de sua ordem, conseqüência do descaso de uns, mais isso, não podemos afirmar que há um excelentíssimo mandante, somente afirmar que há um desmando e descaso sério por parte daqueles escolhidos para defender a população, seja ela negra, branca ou camponesa e que sabem o que ocorre por lá. Os nossos irmãos de raça, cor e sangue estão lá sendo ameaçados cotidianamente e sem outra opção de vida, até a presidente do sindicato dos trabalhadores rurais não pode falar e dar seu testemunho pois teme por sua vida, ajuda aos assentados como pode, por debaixo dos panos, pois caso contrário terminará como o companheiro Nanal. Além dos ameaçados e mortos, tem os presos injustamente, como é o caso do companheiro Fabio, preso com base em acusações infundadas, sempre por porte ilegal de armas, enquanto os pistoleiros dão tiros pro céu.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong> Por isso companheiros, veio fazer desse escrito uma carta de denuncia dos desmandos e falta de assistência e ineficiência do nosso estado, que se diz de direito. Não podemos nos calar e nos omitir diante de uma situação tão grave quanto essa, que, companheiros não subjuga somente aos amigos de peri-peri e riachão mas a todos que lutam por uma vida mais digna e igual, e por essa luta não podem pagar o preço que pagam por falta de apoio. Junte-se a nós em pró da revolução e, caso você não acredite em revolução, envie esta carta, pelo menos tenha sensibilidade por aqueles que morrem da forma mais vil que um ser pode morrer, lutando para sobreviver.</strong></p>
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		<title>Irmã/o/s de consciência denunciam pistolagem na cidade de Lagoa dos Gatos</title>
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		<pubDate>Fri, 30 Apr 2010 00:21:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Robson Fernando</dc:creator>
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<p style="text-align: justify;">Recebi agora um e-mail de colegas que pediram para eu expor aqui a situação d<small>@</small>s camponesæs de Lagoa dos Gatos, que vêm sendo ameaçad<small>@</small>s por pistoleiros. Em solidariedade à luta dels, trago aqui o texto.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">(Texto sem título)</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Texto dedicado a Nanal e todos os agricultores que arriscam sua vida  por uma repartição digna da terra</em></p>
<p style="text-align: justify;">A situação vivida no município de Lagoa dos Gatos, agreste pernambucano, contradiz visceralmente a crença na suposta consolidação da democracia brasileira, crença disseminada entre a maioria dos “ilustres” partidos brasileiros que reduzem democracia a eleição.</p>
<p style="text-align: justify;">Pois bem, a história é a seguinte: o camponês Nanal foi assassinado com oito tiros enquanto exercia seu ofício de leiteiro. Ele era um valente apoiador da luta pela terra em Lagoa dos Gatos, e talvez por seu passado marcado por passagens na polícia e sua convicção ideológica perante uma autoridade institucionalmente constituída que serve de joelhos aos anseios da classe latifundiária, foi identificado como alvo. Sua morte foi anunciada e cumprida, sem qualquer interferência da justiça num país “democrático” tal qual o Brasil.</p>
<p style="text-align: justify;">Apesar do sucesso da empreitada o seu objetivo maior não foi alcançado: a intimidação dos camponeses e o decorrente enfraquecimento da luta. Falo dos camponeses que restam, pois dependendo da eficiência do poder público e da política bastante diplomática dos latifundiários, aqueles não terão tempo para ver uma terra dignamente repartida, se isso um dia acontecer.</p>
<p style="text-align: justify;">No dia do citado homicídio estava “por coincidência” programada uma passeata pela cidade, direcionada para a questão agrária, apesar do clima de terror disseminado a mobilização aconteceu e foi até a prefeitura cobrar alguma atitude. O prefeito é um baluarte da consolidada democracia brasileira, não precisarei descrevê-lo, apenas citá-lo:- “Eu não tenho nada a ver com isso, a culpa é de vcs que ficam fazendo desordem, até pq e eu não preciso me preocupar pq tenho meus próprios seguranças”. Uma peça interessantíssima que comprova a riqueza da realidade política brasileira, talvez o mesmo não saiba como contribuiu para ilustrar a situação mesquinha em que se encontram os municípios brasileiros, lacaios da elite econômica e opressores das populações exploradas.<span id="more-3764"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Outro fato muito ilustrativo foi a participação de outro representante do povo. O Ilustríssimo deputado federal Eduardo da Fonte, herdeiro-proprietário de uma fazenda em Peri-Peri, área localizada nas cercanias de Lagoa dos Gatos. A citada fazenda, antes de fartura em termos de mato e pedra, tornou-se muito produtiva e até provocou uma sensível redução no preço do coentro na feira da cidade. Graças ao suado trabalho dos terríveis agricultores, que tem como único objetivo desenvolver uma agricultura de subsistência que propicie algum excedente para se conseguir alguma renda.</p>
<p style="text-align: justify;">Diante de tamanha ameaça o deputado procurou os meios legais e supostamente igualitários para retomar a posse do seu valioso patrimônio e retomar a plantação de mato e pedras e com isso conseguir vultuosos empréstimos do governo. O direito foi concedido e para garantir a efetividade da justa conquista Eduardo da fonte enviou o seu irmão para acompanhar o processo salvador da ordem, além disso, utilizou-se de extrema sutileza já que um sujeito civilizado, ao contrário da horda de bárbaros que querem parasitar sua terra, enviando um trator para passar por cima da horta que foi plantada através de enxada, foice e estrovenga em dias e dias de trabalho intenso.</p>
<p style="text-align: justify;">Talvez dessa forma ele conseguisse convencer os camponeses que enquanto houver justiça e trator, haverá pedra e mato no lugar de batata, feijão, milho, macaxeira, pimentão, coentro e todos os outros produtos dispensáveis na mesa brasileira. Mas não conseguiu, porque alguns despejados continuam na beira da fazenda esperando uma oportunidade para tomá-la novamente. Eduardo um tanto quanto desatento, apesar de não conseguir suportar a presença camponesa no seu celeiro, parece negligenciar a presença de pistoleiros ligados ao tráfico de crack na região. Que por incrível que pareça estão ameaçando e humilhando constantemente os agricultores despejados e ao mesmo tempo possuem uma mania, geralmente se efetiva de madrugada, de utilizarem o céu como tiro ao alvo. Talvez em cada estrela seja visualizada a face de algum agricultor.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas eu não acredito que uma personalidade como Eduardo da Fonte, grande expoente do combate as drogas, exímio conhecedor da dinâmica do tráfico e fazedor de leis maravilhosas que definitivamente fará a legislação antidrogas bombar, esteja por dentro disso. Eu prefiro acreditar numa desatenção. Da mesma forma que acredito na democracia brasileira. Da mesma forma que acredito na covardia dos camponeses de Lagoa dos Gatos. Da mesma forma que acredito que outro camponês não morrerá. Esperemos e acreditemos. Viva a nova democracia!</p>
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		<title>Minha &#8220;comemoração&#8221; aos 50 anos de Brasília: por que foi construída longe das grandes cidades?</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Apr 2010 23:45:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Robson Fernando</dc:creator>
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		<description><![CDATA["Comemoro" os 50 anos da fundação de Brasília trazendo do passado (lá das férias de inverno de 2009) uma breve reflexão sobre o fato de aquela cidade ter sido construída bem no meio do cerrado. É só viagem minha ou Brasília foi construída lá no Planalto Central, no meio do nada (urbanamente falando) e longe [...]


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<p style="text-align: justify;">"Comemoro" os 50 anos da fundação de Brasília trazendo do passado (lá das férias de inverno de 2009) uma breve reflexão sobre o fato de aquela cidade ter sido construída bem no meio do cerrado.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">É só <em>viagem</em> minha ou Brasília foi construída  lá no Planalto Central, no meio do nada (urbanamente falando) e longe das maiores populações  urbanas brasileiras, justamente para proteger o centro político do país  de revoluções populares e evitar o contato da turma política com massas  em protesto?</p>
<p style="text-align: justify;">Se a capital brasileira continuasse no Rio, seria muitíssimo mais  fácil que os três poderes enfrentassem cara-a-cara manifestações  populares contra os desmandos políticos e/ou a favor de políticas  públicas satisfatoriamente competentes. Seria muito mais prático concentrar uma grande massa de paulistas, cariocas e mineir<small>@</small>s no Rio,  localizado mais próximo a seus estados, do que em Brasília, situada a não menos que 600 quilômetros de distância -- chegando a mais de 900 no caso do Rio e de Vitória -- das capitais do Sudeste.</p>
<p style="text-align: justify;">É de se pensar essa questão. A fundação de Brasília pode ter sido a  maior banana dada por políticos contra o povo na história do país.</p>
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		<title>O artesão e a centelha: a força de quem fala e/ou escreve contra as injustiças e matanças</title>
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		<pubDate>Sun, 18 Apr 2010 01:55:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Robson Fernando</dc:creator>
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<p style="text-align: justify;">Como já afirmei algumas vezes no Consciência Efervescente e talvez aqui no <strong>Arauto</strong>, sou fã de Bruno Müller, escritor de artigos fantásticos sobre direitos animais -- melhor dizendo, direitos dos animais humanos e não-humanos.</p>
<p style="text-align: justify;">Tem o porém de que seus artigos são grandes e isso desencoraja leitoræs mais preguiços<small>@</small>s. Entretanto, quem os lê sai de "alma" lavada.</p>
<p style="text-align: justify;">Assim sendo, tenho o prazer de trazer mais um texto dele.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.anda.jor.br/?p=49160&amp;cpage=1#comment-12483" target="_blank"><strong>O artesão e a centelha</strong></a><br />
<em>por Bruno Müller</em>, para a ANDA</p>
<p style="text-align: justify;">Um lugar comum da vida dos escritores profissionais, particularmente  aqueles dos quais se exige grande prolixidade, como cronistas e  colunistas de jornal, é a falta de assunto. Sobre o que escrever? O  leitor (e o empregador) não quer saber se lhe faltam ideias ou notícias a  comentar naquele determinado dia. Há que mostrar produtividade. É  difícil manter um padrão de qualidade, de relevância e profundidade  quando nos permitem tão pouco (uma lauda, com sorte) e nos exigem tanto  (um texto por dia, e nem quero começar a pensar nos blogueiros  profissionais, que precisam atualizar o conteúdo quase que de hora em  hora).</p>
<p style="text-align: justify;">Mas, afinal, do que estou reclamando? Em primeiro lugar, não sou  escritor profissional. Em segundo lugar, não tenho uma coluna diária num  jornal ou página de internet. Por fim, assunto é o que não me falta. Há  tanta injustiça ocorrendo cotidiana e simultaneamente no mundo, que é  humanamente impossível dar conta de tudo, mesmo que tenhamos apenas um  dia para nos prepararmos. Pois a injustiça não descansa, não tira férias  e não dá trégua.</p>
<p style="text-align: justify;">Nos jornais de 25 de fevereiro de 2010 podemos ler: morreu, em  decorrência de uma greve de fome , o dissidente cubano Orlando Zapata,  perseguido político, condenado por “desobediência”, “desordem pública” e  “resistência” [1], isto é: condenado e em última instância morto por  confrontar um regime desumano – pois desumano é um regime que persegue  seus oponentes e lhes deixa morrer de fome por intolerância e  intransigência, não importando com quais fantasmas, reais ou  imaginários, ele se bata, nem que propósitos, torpes ou sublimes, ele  alegue ter. Seu funeral se deu sob estrita vigilância e algumas dezenas  de subcidadãos cubanos foram detidos “preventivamente” [2].</p>
<p style="text-align: justify;">Os políticos  latino-americanos, que se dizem tão sensíveis às injustiças,  silenciaram de forma vergonhosa, inclusive dois dos mais loquazes, que  gostam de dar palpite em tudo, e que visitaram Cuba no mesmo dia: os  presidentes do Brasil, Luís Inácio Lula da Silva, e da Venezuela, Hugo  Chávez [3]. Cúmplices de um crime. Nenhuma lágrima será vertida por esse  infeliz na casta de intelectuais e ativistas europeus e  latino-americanos que dizem lutar por um mundo mais “justo e  igualitário”. Não admira que um dos seus símbolos seja o globo terrestre  invertido: eles não querem o fim da opressão, e sim a troca de papel  entre opressores e oprimidos.<span id="more-3597"></span></p>
<p style="text-align: justify;">No dia 24 de fevereiro de 2010 a ONU divulgou que 346 crianças  morreram no Afeganistão apenas em 2009, em função da “Guerra ao Terror”,  131 delas (37,8% do total) em função de ataques aéreos das forças da  OTAN, que também atingiram mais de 600 escolas [4]. Apenas um dia antes  foi noticiada a morte de 27 civis, confundidos com terroristas, também  em ataque aéreo da OTAN, a qual reconheceu o próprio o erro e pediu  “desculpas”; já o secretário de Defesa dos EUA simplesmente disse que  “erros acontecem” [5].</p>
<p style="text-align: justify;">E o que dizer da violência contra os animais, a mais covarde e  injusta de todas, pois promovida contra seres incapazes de se defender?  No dia 23 de fevereiro de 2010 veio a público o caso de animais criados  pela indústria da pele na Finlândia, um dos maiores produtores dessa  “mercadoria” em todo o mundo [6]. O vídeo-denúncia afirma que são 50  milhões de animais vitimados anualmente por esta indústria. Ele mostra  pequenos mamíferos cobiçados por sua beleza, confinados, empilhados,  mutilados, expostos a epidemias e danos neurológicos e, por fim,  eletrocutados e asfixiados, tudo em nome da “moda”, enquanto estilistas e  designers denunciam a “hipocrisia” e o “politicamente correto” contra  sua “liberdade criativa”.</p>
<p style="text-align: justify;">Não deixam de estar certos quanto à  hipocrisia. Afinal, grande parte dos seres humanos que alegam repulsa  contra as atrocidades e a frivolidade do comércio de peles não abre mão  do seu igualmente atroz e frívolo bife, frango grelhado, salame, ovo  cozido, queijos refinados ou iogurte “light”, dentre outras  especialidades da indústria da morte.</p>
<p style="text-align: justify;">E esses são apenas exemplos recentes. Alguns número genéricos podem  ajudar a colocar a questão em contexto. Na região metropolitana do Rio  de Janeiro, segundo dados do Instituto de Segurança Pública do estado,  foram 5.794 homicídios em 2009 e 5.717 em 2008, médias de cerca de 35  para cada 1[00].000 habitantes, estatística digna de países em guerra [7].  E, por falar em guerra, na Faixa de Gaza, na Palestina, apenas na  ofensiva israelense do inverno de 2008-2009, mais de mil palestinos  morreram. A região é ocupada por Israel desde 1948 e foi palco de  inúmeros conflitos armados desde então, perpetrados pelos dois lados.</p>
<p style="text-align: justify;">Nessa disputa assimétrica, porém, a balança de sofrimento pende de forma  inegável e desmedida para um deles: o palestino. Os palestinos convivem  com a pobreza generalizada; violações frequentes das liberdades  públicas e do direito de locomoção; a construção de um muro de concreto  de “defesa”, que divide o território palestino e incorpora mais terra ao  Estado de Israel; o bloqueio econômico que asfixia sua já limitada  economia. Milhares de palestinos foram removidos à força de suas casas,  desde o início da ocupação israelense. O índice de desemprego na Faixa  de Gaza, segundo a OXFAM, supera a marca de 40% [8]. E, para piorar o  quadro, corrupção, autoritarismo e disputas fratricidas entre as  próprias autoridades palestinas atingem uma população que vive  prisioneira há mais de seis décadas.</p>
<p style="text-align: justify;">Por fim, neste exato momento, milhares de seres sensíveis estão sendo  mortos, mutilados, torturados pelo simples fato de não serem humanos.  Os dados defasados da FAO (de 2003) falam em 45,9 bilhões de galináceos,  1,24 bilhão de suínos, 345 milhões de caprinos e 292 milhões de bovinos  abatidos por ano, para citar dados de apenas algumas espécies de  animais “de criação”. As estimativas seriam de um total de 50 bilhões de  animais abatidos para consumo em 2003, e, com o aumento do consumo de  produtos de origem animal no mundo, a tendência é esse número apenas  aumentar. E percebamos que esses dados se referem apenas aos países que  fazem tal levantamento estatístico, apenas no setor da alimentação,  excluindo o extermínio de animais em outras indústrias, e o  número incalculável de animais marinhos mortos pela indústria  pesqueira [9].</p>
<p style="text-align: justify;">Dificilmente vocês ouvirão manifestações públicas de repúdio a  eventos dessa natureza de uma mesma fonte. Pois, infelizmente, a  solidariedade humana é bastante seletiva. O sofrimento de uns vale mais  que o de outros, a depender de afinidades culturais, étnicas, sociais,  políticas, ideológicas e, claro, afinidades de espécie.  Perdidos entre  cada lado do muro da Guerra Fria, que não mais existe no mundo material,  mas persiste e persistirá por muitas décadas no mundo das ideias, as  vítimas humanas da opressão continuarão a existir e multiplicar-se.  Quanto aos animais não humanos, os humanos opressores e oprimidos,  cotidianamente, irmanam-se ao menos nessa prática, numa matança de  escala incomparável para servir seu paladar, curiosidade e orgulho de  superioridade, num holocausto fútil e absolutamente evitável.</p>
<p style="text-align: justify;">Nas  palavras de meu amigo e colega escritor Rafael Jacobsen: “apesar de o  número exato de pessoas exterminadas pelos nazistas nos campos de  concentração ainda ser objeto de pesquisa e debate, as estimativas mais  avantajadas apontam para (…) um total de 22.130.000 pessoas (sim, mais  de 22 milhões). Faço mais um rápido cálculo mental e começo a rir: esse  número representa mirrados 0,04% em comparação com os tais de 50 bilhões  de animais mortos a cada ano. Súbito, a imensa tragédia do holocausto  adquire contornos de brincadeira de criança” [10].</p>
<p style="text-align: justify;">Tudo isso se dá enquanto alguns, como eu, se dedicam a este inocente  (e alguns diriam inócuo) ofício de pensar e escrever. Não admira mesmo  que ativistas das mais variadas causas tenham uma certa desconfiança  daqueles que usam a pena como arma, e a verdade como munição. O que  palavras vãs podem contra as dores que se materializam a cada hora,  minuto, segundo? “Palavras, palavras, palavras”, como diria Hamlet. Como  a palavra pode aliviar a dor? O que resta diante de tantas insanidades?</p>
<p style="text-align: justify;">Toda a experiência humana, toda a sua história, seus feitos,  conquistas, suas artes e descobertas empalidecem, tornam-se fúteis,  perdem sentido quando a vida humana e animal é tratada com total descaso  e descartada como lixo; quando os indivíduos são silenciados, atados,  perseguidos e, por fim, mortos, apenas por serem mais frágeis ou  pensarem diferente ou terem uma origem diversa; quando suas mortes são  desconsideradas, como se jamais sequer tivessem existido; vistas como  efeito colateral ou mal necessário; ou tidas como resultado da ordem  natural das coisas, um sofrimento material sobre o qual não pesa  qualquer sofrimento moral, seja por seus algozes, seja pelas testemunhas  omissas.</p>
<p style="text-align: justify;">E, no entanto, a palavra tem poder, sim.Todos nós, mesmo os mais  imediatistas e voluntaristas, e os menos eruditos, trabalhamos com  ideias e conceitos que alguém um dia se deu ao trabalho de colocar no  papel. O escritor dificilmente inaugura alguma tendência. A  originalidade é uma impossibilidade matemática: com tantos seres humanos  vivendo ao mesmo tempo, expostos aos mesmos estímulos, alguns deles  partilhando dos mesmos interesses ou vivendo sob as mesmas condições, é  difícil comprovar o pioneirismo em qualquer corrente filosófica.  Contudo, o escritor dá método e coerência às ideias que estão soltas no  mundo.</p>
<p style="text-align: justify;">O escritor é um artesão da palavra. Se ele pouco ou nada cria, ainda  assim sua arte e ofício são mais importantes do que a maioria é capaz de  admitir ou mesmo reconhecer. Ele verbaliza as tendências de sua época, é  um porta-voz de seu tempo. Não cria revoluções, mas ajuda a  propagá-las, incendiando as mentes de seus contemporâneos. Ele fabrica a  cola que une aqueles que partilham de suas ideias, dá a estas a  coerência necessária para a ação consciente e eficaz, e as exporta para  além do estreito círculo em que elas habitam.</p>
<p style="text-align: justify;">Sua palavra pode ser a  última arma que resta para jogar luz sobre a brutalidade que é praticada  nas sombras e questionar a indignidade que é justificada pelos tiranos.  O artesão pode, pela sua pena, lançar aquela centelha de dúvida,  esperança ou entusiasmo que possibilita a mudança e inspirar aquele  vislumbre de sabedoria e conhecimento necessários para despertar  consciências e, em última instância, conquistar a vitória sobre a  ignorância e a injustiça.</p>
<p style="text-align: justify;">Sinto profunda tristeza quando vejo meus semelhantes calarem diante  de todas essas formas de tirania, desmerecerem a vida de suas vítimas e  negligenciarem sua dor. Se nada mais posso fazer por esses indivíduos  feitos não indivíduos, corpos animados transformados em matéria  inanimada, posso ao menos usar minha pena e minha voz para denunciar seu  flagelo, demonstrar minha indignação e minha recusa em compactuar com  uma realidade tão atroz. Nesse caso, a palavra não é apenas uma forma de  aliviar o próprio sofrimento que experimentamos diante do sofrimento  alheio. É também uma forma de despertar consciências para que talvez, no  futuro, elas sejam abolidas, para nunca mais virem a se repetir.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">[1] “Anistia Internacional pede a Cuba que libere seus prisioneiros  políticos”. In: <a href="http://noticias.uol.com.br/ultnot/afp/2010/02/24/ult34u219092.jhtm">http://noticias.uol.com.br/ultnot/afp/2010/02/24/ult34u219092.jhtm</a>.  Acessado em 25 de fevereiro de 2010.<br />
[2] “Comissão denuncia prisão de opositores antes de enterro de  dissidente”. In: <a href="http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/afp/2010/02/25/funeral-de-dissidente-cubano-sob-vigilancia-e-repressao.jhtm">http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/afp/2010/02/25/funeral-de-dissidente-cubano-sob-vigilancia-e-repressao.jhtm</a>.  Acessado em 25 de fevereiro de 2010.<br />
[3] “Análise: Visita de Lula a Cuba sinaliza a sucessor importância de  laços”. In: <a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u698312.shtml">http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u698312.shtml</a>.  Acessado em 25 de fevereiro de 2010. Sobre a proverbial política  externa ativa do governo Lula, gostaria de recordar a antológica  observação do ex-presidente argentino Néstor Kirchner: o Brasil quer  eleger até o Papa. Claro que nosso governo usou a falácia da  “não-intervenção” para silenciar sobre o prisioneiro cubano, assim como  já fez sobre as eleições fraudadas e repressão popular no Irã. A  desculpa colaria se nosso governo tivesse tido o mesmo pudor ao tratar  do golpe de Estado em Honduras e das bases estadunidenses na Colômbia. O  presidente também nega ter recebido qualquer carta dos dissidentes  cubanos. Diante do currículo (ou folha-corrida) desse governo, quem dá  um tostão pela veracidade da alegação? Dizem que nossa política externa é  autônoma e afirmativa, mas a mim parece mais hipócrita e covarde, com  certeza refletindo as melhores qualidades dos homens e mulheres que a  comandam.<br />
[4] “Ataques aéreos mataram 38% de crianças vítimas de conflito afegão  em 2009”. In: <a href="http://noticias.uol.com.br/ultnot/efe/2010/02/24/ult1807u54493.jhtm">http://noticias.uol.com.br/ultnot/efe/2010/02/24/ult1807u54493.jhtm</a>.  Acessado em 25 de fevereiro de 2010.<br />
[5] O GLOBO. “OTAN mata por engano 27 civis no Afeganistão”. 23 de  fevereiro de 2010, p. 26.<br />
[6] “Grupo pelos direitos dos animais denuncia sete fazendas de pele,  na Finlândia”. In: <a href="http://www.anda.jor.br/?p=48376">http://www.anda.jor.br/?p=48376</a>.  Acessado em 25 de fevereiro de 2010.<br />
[7] “Taxa de homicídios no Rio não usa base do IBGE”. In: <a href="http://urutau.proderj.rj.gov.br/isp_imagens/Uploads/SaiunaImprensa10_059.pdf">http://urutau.proderj.rj.gov.br/isp_imagens/Uploads/SaiunaImprensa10_059.pdf</a>.  Acessado em 25 de fevereiro de 2010.<br />
[8] OXFAM. “The Gaza Strip: A Humanitarian Implosion”. In: <a href="http://www.oxfam.org.uk/resources/downloads/oxfam_gaza_lowres.pdf">http://www.oxfam.org.uk/resources/downloads/oxfam_gaza_lowres.pdf</a>.  Acessado em 25 de fevereiro de 2010.<br />
[9] JACOBSEN, Rafael. “Ano Novo, Velhos Números”. In: <a href="http://vista-se.com.br/site/ano-novo-velhos-numeros">http://vista-se.com.br/site/ano-novo-velhos-numeros</a>.  Acessado em 25 de fevereiro de 2010.<br />
[10] Idem.</p>
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		<pubDate>Mon, 22 Mar 2010 15:46:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Robson Fernando</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Bancada ruralista pretende dobrar de tamanho com doações de cooperativas por Mauro Zanatta do Valor Econômico Um exército de 2 milhões de produtores ligados a sindicatos rurais, federações de agricultura e cooperativas iniciou um amplo movimento político de mobilização para dobrar o tamanho da influente bancada ruralista no Congresso Nacional. Autorizadas pela nova lei eleitoral [...]


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			<content:encoded><![CDATA[<div class='wpfblike' style='height: 40px;'><iframe src='http://www.facebook.com/plugins/like.php?href=http://consciencia.blog.br/2010/03/bancada-ruralista-maior-e-mais-poderosa-diga-nao.html&amp;layout=default&amp;show_faces=true&amp;width=400&amp;action=like&amp;colorscheme=light' scrolling='no' frameborder='0' allowTransparency='true' style='border:none; overflow:hidden; width:400px;'></iframe></div><div class="tweetmeme_button" style="float: right; margin-left: 10px;">
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			</a>
		</div>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><em><a href="http://acertodecontas.blog.br/clipagem/bancada-ruralista-pretende-dobrar-de-tamanho-com-doacoes-de-cooperativas/" target="_blank"><strong>Bancada ruralista pretende dobrar de tamanho com doações de cooperativas</strong></a></em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>por Mauro Zanatta<br />
do Valor Econômico</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Um exército de 2 milhões de produtores ligados a sindicatos rurais, federações de agricultura e cooperativas iniciou <span style="color: #8b0000;">um amplo movimento político de mobilização para <strong>dobrar o tamanho da influente bancada ruralista</strong> no Congresso Nacional</span>.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Autorizadas pela nova lei eleitoral a doar recursos para campanhas, as cooperativas já preparam listas de candidatos que devem ser eleitos em outubro. “Vamos apoiar gente de todos os partidos. Não interessa a cor, mas o credo na doutrina cooperativista”, resume o presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Márcio Lopes de Freitas. Aprovada em setembro de 2009, a Lei nº 12.034 permitiu a doação de até 2% do faturamento bruto desse grupos a campanhas eleitorais. “Porque uma empresa podia e uma cooperativa não?”, questiona Freitas.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #8b0000;"><em>Em São Paulo, as cooperativas farão, nesta semana, três seminários estaduais para pregar o voto em candidatos do segmento. </em></span><em>“Mais do que doação financeira, nossa força estará nos votos”, diz o presidente da Ocesp, Edivaldo Del Grande. “Temos que fazer o lobby saudável e eleger uma bancada com os nove milhões de votos potenciais de que dispomos”. Na Assembleia Legislativa, 14 dos 94 deputados fazem parte da bancada cooperativista. No Congresso, 26 dos 70 deputados federais são ligados ao setor.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Dona de uma base composta por mais de um milhão de produtores, a Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA) incorporou a meta de apoiar e buscar doações a campanhas de parlamentares ligados ao setor. “É lobby, sim. <span style="color: #8b008b;">Mas é lobby positivo.</span> Vamos nos organizar financeiramente para que nossos candidatos sejam apoiados”, diz a presidente da CNA, senadora Kátia Abreu (DEM-TO), pré-candidata ao governo estadual </em><span style="color: #696969;">[Se a Sarah Palin Brasileira for eleita lá, os ecossistemas de Tocantins estarão sob situação tão desesperadora quanto os de Mato Grosso sob Blairo Maggi, o <a href="http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2010/03/maquinadefreewilly.jpg" target="_blank"><strong>Máquina de Free Willy</strong></a> Brasileiro]</span><em>. “Como não podemos doar, as empresas do agronegócio serão procuradas para contribuir com os candidatos do setor”.<span id="more-3353"></span></em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>A CNA mantém um arsenal institucional a serviço dos parlamentares ruralistas. De pesquisas e informações econômicas, passando por assessoria técnica, até mesmo sugestões de redação de projetos de lei. “Política tem que ser essencial para os produtores tanto quanto comer e dormir”, filosofa Kátia Abreu, uma das mais aguerridas lideranças ruralistas do Congresso. “Mas temos que participar não só das eleições de 2010?.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Batizada oficialmente como Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) </em><span style="color: #696969;">[O Greenpeace a batizou como Bancada da Motosserra. Eu a batizo como a Bancada do Terror da Terra.]</span><em>, a bancada ruralista <span style="color: #8b0000;">tem hoje 266 deputados e senadores filiados</span>. Mas a “tropa de choque” efetiva se resume a 90 congressistas. A Frente Parlamentar do Cooperativismo (Frencoop) reúne 227 congressistas, mas apenas 30 membros têm atuação decisiva nas disputas de bastidores. <span style="color: #8b0000;">Ou seja, o movimento politico dos ruralistas poderia aumentar essa “tropa de choque” para até 240 parlamentares.</span> “Se dobrar mesmo, será ótimo </em><span style="color: #696969;">[MWAHAHAHAHAHAHAHA!!!!]</span><em>.  Mas os eleitos têm que se comprometer com as demandas do setor”, diz Kátia Abreu.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>No Senado, onde a bancada é mais reduzida, os líderes ruralistas esperam o reforço de candidatos de peso, como o governador de Mato Grosso, Blairo Maggi (PR), e dos deputados Abelardo Lupion (DEM-PR), Waldemir Moka (PMDB-MS) e Dagoberto Nogueira (PDT-MS), além da jornalista Ana Amélia Lemos (PP-RS). Na Câmara, o reforço deve vir de presidentes e dirigentes de sindicatos rurais. As novas estrelas podem ser o ex-vice-governador Rogério Salles (PSDB-MT), o megaprodutor rural Eduardo Moura (PPS-MT) e o presidente da federação de Goiás, José Mário Schreiner (PP).</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>O reforço na mobilização dos ruralistas reflete, em boa medida, as ferozes disputas da bancada contra militantes ambientalistas do Congresso. As brigas pela reforma das leis ambientais converteram um grupo maior de produtores para a luta política.</strong> “Essa luta ambiental se espalhou por todo o Brasil”, diz o presidente da FPA, deputado Valdir Colatto (PMDB-SC). Pré-candidato ao governo do Paraná, o senador Osmar Dias (PDT-PR) atribui as dificuldades em aprovar a reforma do Código Florestal ao tamanho reduzido da bancada ruralista. “Mas o setor despertou </em><span style="color: #696969;">[</span><span style="color: #696969;">Mumm-Ra acordou de seu caixão! Tremam, árvores e animais da selva!]</span><em>, entendeu que o Congresso interfere na vida diária dos produtores”, diz. “As cooperativas também acordaram que, sem representantes, perdem espaço econômico e político. Por isso, vão nos ajudar”, afirma o senador ruralista.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Eleito deputado federal <span style="color: #8b0000;">com 100 mil votos em 2006</span>, na esteira do movimento ruralista de Mato Grosso, o presidente da federação estadual de Agricultura Homero Pereira (PR) prevê o reforço da bancada estadual com a mobilização das bases rurais e as doações de cooperativas. “É importante porque podemos apresentar mais candidatos”, diz. “Precisamos ter, aqui em Mato Grosso, uma participação política no mesmo nível da nossa fatia na economia”, afirma Pereira, também vice-presidente da CNA.</em></p>
</blockquote>
<p>Está nas mãos de nada menos que o povo o destino do meio ambiente e dos animais rurais brasileiros. Se a população optar por manter ou ampliar o poder político dessa gentalha, o meio ambiente vai sofrer. Os rodeios e vaquejadas terão mais força. A pecuária explorará e matará ainda mais animais e destruirá ainda mais os ecossistemas brasileiros.</p>
<p style="text-align: justify;">Se você NÃO quer que:<br />
- a Amazônia, o Cerrado e outros biomas se tornem apenas memória dos livros de geografia e biologia<br />
- os animais silvestres passem a existir apenas em zoológicos<br />
- a pecuária se torne um demônio ainda mais poderoso e sedento de sangue do que já é<br />
- os direitos animais continuem tendo um imenso obstáculo no Brasil<br />
- o agrocriminegócio assuma um controle ainda maior da economia brasileira<br />
- a legislação ambiental seja mutilada e reduzida à impotência<br />
- os rodeios e vaquejadas ganhem poder a ponto de explorar e torturar ainda mais animais (lembre-se que esses pseudoesportes são mancomunados com muitos dos mais poderosos pecuaristas do Brasil)<br />
- os movimentos sociais que lutam pela verdadeira Reforma Agrária sejam ainda mais demonizados, desmoralizados e reprimidos violentamente<br />
- a pequena agricultura seja deixada de lado nas políticas públicas em prol dos latifúndios<br />
- a Reforma Agrária se torne uma utopia distante<br />
- os jagunços e pistoleiros continuem matando mais e mais pessoas de bem que lutam pelos nossos biomas e pelo direito d<small>@</small>s mais humildes à terra<br />
- o trabalho escravo em latifúndios seja acobertado e a luta contra o mesmo seja prejudicada<br />
- a concentração de renda piore ainda mais, com uma porcentagem crescente da renda da população brasileira na mão de grandes agropecuaristas<br />
- entre outras tantas consequências extremamente perversas</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>NÃO vote em nenhum/a deputad<small>@</small>, governador/a ou senador/a ligad<small>@</small> à bancada ruralista! Diga NÃO à continuidade (ou mesmo ao aumento) do poder político dessa turma que não se importa em acabar com o verde no Brasil e derramar o sangue dos animais rurais.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Divulgue essa campanha pela consciência contra a Bancada do Terror da Terra!</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2010/03/nao-bancada-ruralista.gif"><img class="aligncenter size-full wp-image-3355" title="nao-bancada-ruralista" src="http://consciencia.blog.br/wp-content/uploads/2010/03/nao-bancada-ruralista.gif" alt="" width="480" height="586" /></a></p>
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		<title>Frases da semana (7-13/03)</title>
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		<pubDate>Fri, 12 Mar 2010 17:21:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Robson Fernando</dc:creator>
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		<description><![CDATA["Eu penso que a greve de fome não pode ser usada como um pretexto de direitos humanos para libertar as pessoas. Imagine se todos os bandidos que estão presos em São Paulo entrassem em greve de fome e pedissem liberdade?." Lula na terça passada, no ato infeliz de comparar pres@s polític@s com bandid@s "Compartilho da [...]


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</ol>]]></description>
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			</a>
		</div>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>"Eu penso que a greve de fome não pode ser usada como um pretexto de  direitos humanos para libertar as pessoas. Imagine se todos os bandidos  que estão presos em São Paulo entrassem em greve de fome e pedissem  liberdade?."</strong></em> <a href="http://br.noticias.yahoo.com/s/09032010/25/mundo-lula-greve-fome-nao-vale.html" target="_blank">Lula na terça passada, no ato infeliz de comparar pres<small>@</small>s polític<small>@</small>s com bandid<small>@</small>s</a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>"Compartilho da posição do presidente Lula não só sobre Cuba, mas sobre  toda a política externa." </em></strong><a href="http://www.odiario.com/noticia/238158" target="_blank">Dilma Rousseff um dia depois, defendendo seu patrão e cabo eleitoral</a></p>
<p style="text-align: justify;">Lula pode ter dito mais uma de suas besteiras comuns, tal como George W. Bush fazia, mas essa o fez perder pontos comigo. Seu argumento, que compara pres<small>@</small>s polític<small>@</small>s cuban<small>@</small>s com marginais brasileiros, é tão defensável quanto <a href="http://consciencia.blog.br/2010/03/frase-da-semana-2802-0603-e-algumas-surpreendentes-passagens-biblicas.html" target="_blank">as passagens bíblicas de violência extrema apadrinhada por Javé</a>.</p>
<p style="text-align: justify;">Ele mostrou toda a sua conivência -- ou, em última análise, apoio -- para com a violência totalitária do regime cubano. Mostrou-se adepto de dar banana à ética em nome de camaradagens políticas -- se bem que isso é infelizmente normal no mundo político, pois, como diz a Desciclopédia, a política é a versão "mundo do contra" da ética.</p>
<p style="text-align: justify;">Infelizmente, agora a direita tem bastante munição para disparar nos programas eleitorais contra Dilma e lhe tirar votos. A sandice de Lula e o subsequente apoio de Dilma, ao meu ver, só não irão tirar votos dela se os direitistas forem muito incompetentes e o povo for estúpido a ponto de esquecer o que ele e ela disseram -- o último eu não duvido nada, uma vez que em 1998 o povão esqueceu a declaração de FHC chamando aposentad<small>@</small>s precoces de vagabund<small>@</small>s e o reelegeu.</p>
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		<title>Uso livre do celular, um direito que ninguém se incomodou em ter perdido</title>
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		<pubDate>Sun, 21 Feb 2010 21:58:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Robson Fernando</dc:creator>
				<category><![CDATA[Alienação e Conformismo]]></category>
		<category><![CDATA[Artigo]]></category>
		<category><![CDATA[Atentados à Liberdade]]></category>
		<category><![CDATA[Burrice e Malignidade]]></category>
		<category><![CDATA[Posts e Atos de Conscientização]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>
		<category><![CDATA[Violência e Criminalidade]]></category>

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		<description><![CDATA[Artigo escrito em dezembro de 2008 É fato: não temos mais o direito de andar nas ruas das cidades brasileiras portando ao mesmo tempo tranqüilidade e um celular. Este é o produto de roubo preferido dos meliantes das ruas. Ninguém mais deixa de ouvir ou falar a frase “roubaram meu celular”. Esta já é uma [...]


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<li><a href='http://consciencia.blog.br/2010/08/se-homem-significa-ser-humano-entao-por-ninguem-diz-homem-sexo-feminino.html' rel='bookmark' title='Permanent Link: Se &#8220;homem&#8221; significa &#8220;ser humano&#8221;, então por que ninguém diz &#8220;homem do sexo feminino&#8221;?'>Se &#8220;homem&#8221; significa &#8220;ser humano&#8221;, então por que ninguém diz &#8220;homem do sexo feminino&#8221;?</a></li>
<li><a href='http://consciencia.blog.br/2010/03/poesia-nao-vou.html' rel='bookmark' title='Permanent Link: Poesia: Não vou'>Poesia: Não vou</a></li>
</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='wpfblike' style='height: 40px;'><iframe src='http://www.facebook.com/plugins/like.php?href=http://consciencia.blog.br/2010/02/uso-livre-do-celular-um-direito-que-ninguem-se-incomodou-em-ter-perdido.html&amp;layout=default&amp;show_faces=true&amp;width=400&amp;action=like&amp;colorscheme=light' scrolling='no' frameborder='0' allowTransparency='true' style='border:none; overflow:hidden; width:400px;'></iframe></div><div class="tweetmeme_button" style="float: right; margin-left: 10px;">
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			</a>
		</div>
<p><em>Artigo escrito em dezembro de 2008</em></p>
<p style="text-align: justify;">É fato: não temos mais o direito de andar nas ruas das cidades brasileiras portando ao mesmo tempo tranqüilidade e um celular. Este é o produto de roubo preferido dos meliantes das ruas. Ninguém mais deixa de ouvir ou falar a frase “roubaram meu celular”. Esta já é uma das frases mais marcantes dos últimos tempos no país, ao lado de antigos e recentes dizeres populares da moda como “Créu!”, “Pede pra sair”, “Ah, eu tô maluco!”, “Oh coitado!” e “Chupa que é de uva”. Parece ter virado moda mesmo ser assaltado na rua, e ninguém demonstra estar verdadeiramente incomodado com isso.</p>
<p style="text-align: justify;">É interessante o comportamento: dezenas de celulares – e também tocadores de mp3 e câmeras digitais – são roubados por dia em cada capital e quase nenhuma reclamação pública em prol de demonstrar incômodo generalizado é feita. Perdemos o direito de usufruir do que há de mais novo e moderno na tecnologia portátil, mas ninguém parece estar obviamente insatisfeito. O medo existe, mas é reduzido a um sentimento de foro íntimo, algo irreversível.</p>
<p style="text-align: justify;">Culpa-se muito, muito mesmo, as autoridades por não haver mais essa liberdade tecnológica. Polícia e políticos são apedrejados em cada conversa de bar e de vizinhos ou reunião de família. Mas, esquisito é, poucos chegam neles para pedir melhorias. Como é que vamos esperar alguma mudança se não reclamamos para quem devemos? Dizemos muito: essa polícia é ineficiente, não protege, não é boa, é mal distribuída, não faz isso, não faz aquilo. Mas cadê alguém para enviar um ofício à PM e mostrar as necessidades de cada comunidade e clamores da população? Cadê as pessoas que, nas poucas vezes em que mandam um abaixo-assinado ou algo do tipo, não persistem na cobrança política de soluções?<span id="more-2857"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Dizem que só algumas dezenas de cidadãos reclamando não têm nenhum efeito. Isso é verdade sim, mas é pensando assim que cada indivíduo entre os milhões da gente do Brasil deixam de emanar cobranças. É até idiota: somos divididos entre os milhões que não cobram e as dezenas que reivindicam e as massas preferem estar na categoria dos que não reclamam. A troco de quê? Normalmente culpa-se a mídia por estimular esse comportamento mostrando a violência como irreversível e nunca mostrar que o povo pode fazer a diferença por algo que não apenas ir à delegacia ou ligar 190. É notável que a consciência não é o forte da maioria, já que preferem esperar que alguém lhes diga o que fazer – e a televisão, que poderia muito bem desempenhar esse papel, não o faz – a tomar iniciativas por sentir que a situação ao redor os está incomodando. Nesse caso posso dizer que a culpa é dos dois lados, a TV e a população.</p>
<p style="text-align: justify;">Tomaram meu celular. Aparece a pergunta “o que fazer?” logo em seguida. Listo algumas ações a serem feitas: reclamar com os policiais que estavam num posto de guarda a poucos metros de mim e nada viram ou fizeram, ir à delegacia fazer um boletim de ocorrência e, finalmente, botar a boca no trombone espalhando a público que não estou satisfeito com a situação cotidiana que não me permite mais usar em paz um aparelho com câmera e música sem que haja medo e alto risco de perdê-lo mediante ameaça armada. É interessante refletir: qual das três providências é a mais importante? Sob a perspectiva da verdadeira cidadania, é a terceira, é uma forma de expressar: “Ei, isso não está certo! Alguém venha consertar essa falha porque eu quero que tenhamos paz!”. Mas infelizmente ela é ignorada e esquecida por quase todo mundo, que já acha a falta do “direito do celular” algo tratável como normal e tolerável a partir de quando os sentimentos de trauma causados pelo roubo começam a diminuir.</p>
<p style="text-align: justify;">É por isso que insisto que o povo também é culpado por sua própria insegurança. Não estamos proibidos de cobrar mudanças, mas o costume de aceitar e não reclamar às pessoas certas é muito mais forte do que essa liberdade. Dizem que “deveria haver tolerância zero”, mas como falar disso se as pessoas toleram a mil que não podem mais usar um bom celular na rua?</p>
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		<title>A armadura pesada do guerreiro covarde e nossa alienação</title>
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		<pubDate>Sun, 21 Feb 2010 20:29:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Robson Fernando</dc:creator>
				<category><![CDATA[Alienação e Conformismo]]></category>
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		<category><![CDATA[Posts e Atos de Conscientização]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>
		<category><![CDATA[Violência e Criminalidade]]></category>
		<category><![CDATA[Ética e Moral]]></category>

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		</div>
<p style="text-align: justify;"><em>Artigo escrito em novembro de 2008</em></p>
<p style="text-align: justify;">O bairro do Ipsep era bastante tranqüilo, se comparado com outros lugares de Recife. No passado, um carro antigo do meu pai amanhecia aberto e com a chave na ignição, intocado. Assaltos eram tão freqüentes quanto na Finlândia, respeitando-se a proporção de área territorial. Hoje vejo melancolicamente os conjuntos residenciais do bairro se tornando fortalezas gradeadas. Até pouco tempo atrás (considerando que hoje é novembro de 2008) eu tinha acesso fácil às paradas de ônibus mais próximas, graças aos atalhos que eram as ruas de terra entre os prédios-caixão desses condomínios. Agora eu tenho que arrudiar as esquinas porque tais atalhos foram fechados com grades e portões.</p>
<p style="text-align: justify;">Se você mora no Brasil, não precisa pensar muito até ter noção de que isso foi promovido em razão do aumento da violência. Roubos de carro e assaltos de rua passaram a pipocar por esse bairro, piorando desde quatro anos e meio atrás. Percebamos com igual acurácia que está sendo desenrolada uma perversa tendência de comportamento: enquanto fortificamos os lugares onde moramos, com particularização de ruas, cercamento com grades e cercas elétricas e seguranças particulares, negamos com uma vergonhosa convicção a luta contra aqueles que nos obrigam a levantar tantas proteções domiciliares. Somos como um guerreiro covarde que veste a mais pesada das armaduras mas não quer ter sua espada, nem que seja uma curtinha.</p>
<p style="text-align: justify;">Não vá entender essa espada como uma convocação à reação a assaltos, mas como a luta popular contra o problema da violência. É essa luta que praticamente não existe hoje no Brasil. Ou será que você chama essas inúteis “caminhadas pela paz” de protestos convincentes?<span id="more-2849"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Negamos nossa cidadania, nosso poder político, quando nos calamos perante a criminalidade e permanecemos agindo como se nada de mais estivesse acontecendo. Desprezamos o parágrafo único do Artigo 1º da Constituição Federal (“Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição”) e nos comportamos como se não tivéssemos nenhuma função notável nos trabalhos de ditar nossa vida e nosso destino. Somos alienados, às vezes com um desgraçado orgulho. Nos alienamos até de nós mesmos quando deixamos para lá a cruel coação que sofremos no assalto ocorrido poucos dias atrás e não contribuímos para que isso não se repita com outros e com nós mesmos. É como Karl Marx escreveu: o indivíduo que se aliena da sociedade está se alienando de si mesmo.</p>
<p style="text-align: justify;">E é isso mesmo o que está acontecendo. Agimos como se nada tivéssemos com a sociedade de que participamos. Se nós somos assaltados, o pensamento que temos em seguida, depois de nos acalmar, é esse abaixo:</p>
<p style="text-align: justify;">“Ah, fui na delegacia e fiz meu BO. Sei que não vou mais recuperar meu celular e a carteira, mas pode ser que o marginal que o roubou acabe sendo morto na boca-de-fumo dele. Se isso acontecer, ótimo. E o que é que vou fazer agora? Ah, nada mais. Agora é deixar pra lá e tocar a vida pra frente. Fazer o quê? É culpa dessa polícia ineficiente, desses políticos corruptos que não têm compromisso com o povo, dessa educação que cai aos pedaços e não protege ninguém de desviar pro mau caminho. E quanto a mim, o que tenho a ver com isso? Fora votar num candidato que preste, acho que mais nada, porque mesmo se eu quisesse protestar eu estaria sozinho, nem sequer tenho habilidade pra organizar uma manifestação, nem mesmo com meus vizinhos ou parentes. Bah, por que é que tô perdendo tempo pensando nisso? Vou é deixar pra lá, continuar com a vida. Espero que o ladrão morra logo. Se eu for assaltado(a) de novo, o que é que eu vou fazer? É a vida, né?”</p>
<p style="text-align: justify;">Precisamos deixar de ver o mundo dessa forma. Vamos pensar logicamente: numa sociedade letárgica para com seus problemas coletivos, que praticamente não está nem aí se os assaltos explodem pelo lugar onde vive, que não está comprometida nem mesmo com o seu próprio amanhã pessoal, como é que vamos esperar que apareça dela um número suficientemente grande de políticos heroicamente engajados no combate à violência e às desigualdade sociais ou mesmo um número satisfatório de policiais e delegados de bom porte, honestos e firmes no dever de varrer os meliantes armados das ruas? Se temos uma vontade sincera de inibir ou banir um determinado problema, por que preferimos nos acostumar e conformar com ele em vez de agir contra? Que diabo de vontade é essa que não nos esforçamos em cumprir? Se “a situação está insuportável”, como é que estamos suportando até mesmo sua piora por tanto tempo? Se temos tanto desejo de um país pacato e justo, por que não queremos, como povo, como tijolos que juntos formam um castelo, lutar por ele?</p>
<p style="text-align: justify;">Esse comportamento configura a nós, o povo, como um dos maiores culpados pelas desgraças que fustigam o Brasil e nossas cidades. Somos culpados pela violência, porque deixamos os bandidos agirem livremente e não fazemos nada contra isso fora ir à delegacia e esbravejar particularmente para nossos parentes, amigos ou vizinhos que a criminalidade está “insuportável”. Somos culpados pela educação pública caduca, porque, quando concluímos nossa passagem por tal escola ou faculdade, nos comportamos como se ela não existisse mais, não nos damos o trabalho de pensar como o ensino de lá pode melhorar em comparação com nossa época de alunos, sequer damos sugestões de como acolher bem os novos estudantes. Somos culpados pelas desigualdades sociais, porque a primeira coisa que fazemos ao ver uma favela é virar a cara em vez de refletir sobre como fazemos parte dessa realidade desigual. Somos culpados pela nossa péssima relação com o Mundo Animal, porque... olhe para seu almoço cheio de carne e para seu cachorro que foi comprado como objeto num pet-shop e dorme acorrentado no quintal ou no quartinho e vá juntando as peças.</p>
<p style="text-align: justify;">Se não queremos ser a solução, não é de surpreender que sejamos vistos até como parte do problema. Mas como podemos ser a solução? Minha sugestão é, em cada roda de conversa que temos sobre assuntos sérios como esses, incitar a manifestação em público, o protesto, o pensamento coletivo de soluções. Se reclamamos da criminalidade para nossos amigos do bar – ao menos enquanto não estamos bêbados –, vamos aproveitar que estamos ali reunidos para debater sobre como podemos fazer nossa parte junto a outras turmas conhecidas. Consideremos nessas ocasiões que são poucos os que não têm acesso a alguma autoridade ou pessoa endinheirada através de algum conhecido nosso que conhece a tal personalidade ou alguém ligado a ela. Assim muitas vezes poderemos contar com uma mão com aura de poder quando quisermos reunir um certo número de pessoas para uma manifestação ou mutirão.</p>
<p style="text-align: justify;">É assim que o nosso pensamento viciosamente alienado vai ser combatido e o serão também problemas como a violência e a desigualdade social. E crescerá um sentimento de que nós, o povo, podemos sim melhorar o nosso amanhã quando estamos unidos e pensando direito. E a covarde tendência de fortificação e cercamento de nossas residências que está acabando com nossas facilidades de deslocamento poderá finalmente ser interrompida e substituída pela de recrudescimento da atitude cidadã popular contra a criminalidade. Em vez de uma armadura pesada que mal nos deixa andar, passaremos a usar uma espada para combater o mal que nos cerca, e sentiremos uma saudável diferença.</p>
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		<title>Assine, contra a Lei das Religiões</title>
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		<pubDate>Wed, 17 Feb 2010 11:12:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Robson Fernando</dc:creator>
				<category><![CDATA[Abaixo-assinado]]></category>
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		<category><![CDATA[Religião]]></category>
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</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='wpfblike' style='height: 40px;'><iframe src='http://www.facebook.com/plugins/like.php?href=http://consciencia.blog.br/2010/02/assine-contra-a-lei-das-religioes.html&amp;layout=default&amp;show_faces=true&amp;width=400&amp;action=like&amp;colorscheme=light' scrolling='no' frameborder='0' allowTransparency='true' style='border:none; overflow:hidden; width:400px;'></iframe></div><div class="tweetmeme_button" style="float: right; margin-left: 10px;">
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		</div>
<p style="text-align: justify;">O projeto de lei 160/2009, que institui a Lei das Religiões, promete tornar as coisas muito mais fáceis para pastores corruptos e para religios<small>@</small>s interessad<small>@</small>s em calar as críticas a suas igrejas e crenças.</p>
<p style="text-align: justify;">Transcrevo o que a página do abaixo-assinado fala para você ter ideia do que estou falando:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><em><span>Vimos por meio  desta protestar contra o Projeto de Lei 160/2009 (Lei das Religiões),  por acreditarmos que este fere diversos princípios constitucionais,  entre eles a laicidade estatal e a proibição de distinções ou preferências  entre brasileiros, além da isonomia. Nossos principais motivos para  pedir a rejeição do projeto são  os que seguem:</span></em></p>
<ul style="text-align: justify;" type="DISC">
<li> <em><span> O Art. 7 º, que    prevê reserva de áreas no Plano Diretor dos Municípios, para    que templos sejam erguidos. Consideramos que isso afronta o Art. 19,    I, da Constituição, que veda a subvenção estatal de cultos religiosos    ou igrejas. Subvencionar culto é concorrer de qualquer forma para que     se exerça a atividade religiosa, e acreditamos que não há dúvidas    de que reservar áreas do Município, portanto bens públicos, para    que locais de culto sejam construídos, constitui subvenção inconstitucional    de culto religioso.<br />
Consideramos também que o dispositivo implica em     profundas complicações práticas, pelo extenso número de áreas a    ser reservadas para contemplar todas as religiões presentes em um Município    (principalmente quando se considera que algumas denominações evangélicas    necessitariam de locais próprios, por apresentarem grandes divergências    entre si). Seria necessário estabelecer se o tamanho ou número de áreas    seria igual para todos, ou proporcional ao número de fiéis na cidade,    além do risco de gerar o entendimento de que as áreas reservadas para    aquele templo seriam  as únicas  que eles estariam autorizados a ocupar. </span></em></li>
<li> <em><span> O Art. 6 º, §1º,    tem uma redação extremamente confusa, quando diz que  '"<strong>nenhum edifício,    dependência ou objeto afeto aos cultos religiosos, observando a função    social da propriedade e a legislação própria, pode ser demolido,ocupado,    penhorado, transportado, sujeito a obras ou destinado pelo Estado e    entidades públicas a outro fim, salvo por utilidade pública ou por    interesse social, na forma da lei.''</strong><br />
Analisando-se só a primeira    parte, é um artigo redundante. Isso porque,  ' 'observada a fun ção    social da propriedade e a legislação vigente ' ' ,  nenhum bem  pode ser alienado, penhorado, etc, sem a concordância de seu proprietário.    Já o vocábulo  salvo  na segunda parte pode dar a entender que    as  únicas  hip óteses que autorizam a alienação, penhora, etc,    são a utilidade pública e o interesse social.<br />
Interpretado dessa forma,    ele é inconstitucional, pois fere o princípio da isonomia e a proibição    de criar distinções ou preferencias entre brasileiros...pois impossibilitaria    intervenções estatais na propriedade como a penhora em execução    fiscal, e poderia eventualmente (embora consideremos improvável) gerar    discussão em relação à desapropriação, já que persiste a distinção    doutrinária entre  utilidade pública  e  necessidade pública,  uma hip ótese que não está expressamente    mencionada no artigo. Em suma, o artigo é mal escrito, confuso, na    melhor das hipóteses é desnecessário e na melhor delas é inconstitucional. <span id="more-2798"></span></span></em></li>
<li> <em><span> O Art. 14  é sutil    em introduzir uma mudança no texto que pode ter consequências práticas    muito sérias sobre a arrecadação de impostos brasileira. Isto porque    ele fala em imunidade das  ' ' pessoas jurídicas eclesiásticas e religiosas,    e patrimônio, renda e serviços relacionados a suas finalidades essenciais ' ' .    O que a Constitui ção prevê atualmente é a imunidade dos  ' ' templos    de qualquer culto e do patrimônio, renda e serviços relacionados a    suas finalidades essenciais ' ' .<br />
Pode parecer que n ão há diferença,    mas a maior parte da doutrina e muitos ministros do STF concordam que     ' ' templo ' ' é o  local físico de realização do culto.  O assunto  é controverso, pois existem julgados interpretando o assunto    de diferentes maneiras. Estender a imunidade tributária ás  ' ' pessoas    juridicas religiosas ' '  pode levar  á imunidade de diversas entidades    inseridas em um contexto de mercado competitivo, de emissoras de rádio    e TV religiosas a gravadoras do segmento de música gospel. Afinal,    pode-se alegar que elas estão cumprindo a  ' ' finalidade essencial ' '     da entidade religiosa (divulgar sua religião).<br />
Acreditamos que o momento    histórico atual, com a proliferação das  ' ' igrejas-empresa ' ' , e os    esc ândalos recentes envolvendo igrejas como a Renascer e a Universal,    não recomendam que seja ampliada a imunidade tributária de organizações    que arrecadam um volume de dinheiro tão grande, sem que haja o menor    controle judicial sobre a aplicação destes recursos. Há que se guardar     a lição de Ives Gandra Martins, que leciona que a imunidade tributária    dos templos não pode servir de instrumento para a concorrência desleal. </span><span>Há que se analisar dados como os trazidos pela Revista VEJA, edição    2126 - ano 42 - nº 33, que em matéria intitulada Um Corpo com Duas     Cabeças, demonstrou que em 2008 a Igreja Universal do Reino de Deus    repassou recursos no aporte de 400 milhões de reais á Rede Record,    o equivalente a um terço da arrecadação da emissora no mercado publicitário,    o que é explicado pelo fato do preço pago pela Igreja por faixa de     horário ser mais do que o quádruplo do valor cobrado pela Globo, emissora    com a maior audiência no país. A revista demonstrou ainda que as instalações    mais importantes da Rede Record em São Paulo estão em nome da Igreja    Universal, que veículos da emissora ficam á disposição dos  bispos    do programa evangélico  Fala que eu te Escuto  e que a Igreja paga cursos de jornalismo e administração para empregar    fiéis na emissora. Tudo isso tornado possível com o 1,4 bilhão que    a Universal arrecada por ano e que, graças a uma interpretação ampla    da expressão  templos de qualquer culto,  estão imunes a tributação.<br />
Uma boa parte do 1,4 bilhão vem de técnicas    que os próprios ex-pastores chegam a denominar de  ' ' lavagem cerebral ' '     e levam muitos fi éis à falência, a ponto de doações à Igreja serem    anuladas por via judicial. A reportagem da revista chega a mencionar    um fiel precisou ser interditado judicialmente por sua mãe por ser    considerado pródigo (pessoa que gasta compulsivamente, incapaz de controlar    as próprias finan ças) pois estava dilapidando seu patrimônio em doações    à Universal.<br />
Acreditamos que o cenário atual demonstra um total desvirtuamento    da intenção da Constituinte, que foi a de proteger a liberdade de    crença e culto, evitando que o Estado pudesse utilizar a tributação    para emba raçar o funcionamento de templos. Lembramos que em 1988 templos    não geravam lucro, e não havia o  ' ' mercado da f é ' '  que se observa    hoje. Tememos pelos abusos que podem acontecer se, em lugar de se restringir    a interpreta ção do vocábulo  ' ' templos ' '  para que a vontade do legislador    seja cumprida, se aprove lei que amplia a imunidade para todas as  ' ' pessoas    jur ídicas eclesiásticas e religiosas ' ' , e o patrim ônio, renda e serviços    relacionados a suas finalidades essenciais. </span></em></li>
<li> <em><span>O Art. 18, ao prever    responsabilização civil por ''violação à liberdade de crença''    e aos ''locais de culto e liturgias''é outro que pode gerar interpretações    preocupantes, pois ele não explica o que constituem tais violações.    Se interpretado em conjunto com o Art. 6º, não há motivo para preocupações,    pois todas as condutas de desrespeito ali previstas já são passíveis    de punição penal e civil. Mas não há nada no Art. 18 que remeta    ao 6º, e isso pode dar margem a interpretações perigosas. Uma igreja    que desejasse reprimir críticas a sua doutrina ou a sua conduta poderia    se valer deste artigo para pedir a punição civil (através de indenização)    de quem a criticasse.<br />
Lembramos que não é necessário que a igreja    ganhe a causa; o início de uma onda de processos seria suficiente para    intimidar os críticos. Não consideramos essa hipótese provável,    mas precedentes existem, como o incentivo da Igreja Universal para que    fiéis ajuizassem, em 2008, ações judiciais (muitas com iniciais idênticas,    o que comprova que foram entregues prontas a seus autores) contra um    jornal paulistano após reportagem do periódico sobre o crescimento    financeiro da Igreja…ou o processo criminal contra o blogueiro Alberto    Murray Neto, acusado de vilipêndio a objeto de culto simplesmente por    ter postado na internet uma imagem do Cristo Redentor usando um colete    à prova de balas, em referência à violência urbana que assola o    Rio de Janeiro.</span></em></li>
</ul>
<p style="text-align: justify;"><em><span>A apresentação  do PL 160/2009 foi justificada pela aprovação, no Senado, da Concordata  entre Brasil e Vaticano. Sustentam seus defensores que ela é necessária  para manter a igualdade entre todos os cultos. Apontamos na Concordata  os mesmos problemas que enxergamos na Lei das Religiões, afinal o texto  da segunda é em grande parte igual ao da primeira. No entanto, somos  da opinião de que um erro não justifica o outro, e que a única saída  justa para manter a igualdade entre TODOS os brasileiros, sejam eles  religiosos ou não, é a rejeição de qualquer acordo que vise dar  privilégios a entidades religiosas. Lembramos que pesquisas recentes  revelam inclusive que a maioria dos católicos brasileiros é contrário  á Concordata. </span></em></p>
<p style="text-align: justify;"><em><span> Não queremos um Estado onde a religião seja usada para outorga de  privilégios, pois, onde existem privilegiados, automaticamente existem  também excluídos. Não queremos um Estado onde o aparato estatal é  utilizado para acobertar pessoas que, em nome de Deus, exploram a fé  e a boa vontade alheia, arrastando o nome da divindade na lama. Por  todo o exposto, pedimos encarecidamente que os senhores respeitem a  Constituição, e rejeitem o PL 160/2009! </span></em></p>
</blockquote>
<p>Portanto, trago o link do abaixo-assinado, e recomendo a você leitor/a que assine:</p>
<h2 style="text-align: center;"><a href="http://leidasreligioes.divulgue.info/" target="_blank"><strong>Abaixo-assinado contra o PL 160/2009, que institui a Lei das Religiões</strong></a></h2>
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</ol></p>]]></content:encoded>
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		<title>Resenha: 1984</title>
		<link>http://consciencia.blog.br/2010/01/resenha-1984.html</link>
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		<pubDate>Thu, 21 Jan 2010 12:30:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Robson Fernando</dc:creator>
				<category><![CDATA[Abusos Militares]]></category>
		<category><![CDATA[Atentados à Liberdade]]></category>
		<category><![CDATA[Burrice e Malignidade]]></category>
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		<category><![CDATA[Corrupção e Desmandos Políticos]]></category>
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		<category><![CDATA[Resenha]]></category>
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		<description><![CDATA[Aviso: esta resenha contém spoilers sobre o referido livro. Se você já o leu e quer ler a resenha ou ainda não leu o livro mas quer ter uma ideia prévia de como a trama se desenrola, clique em "Continue lendo..." caso este post não esteja sendo exibido numa página individual. "1984" é um livro [...]


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<p align="justify"><i>Aviso: esta resenha contém spoilers sobre o referido livro. Se você já o leu e quer ler a resenha ou ainda não leu o livro mas quer ter uma ideia prévia de como a trama se desenrola, clique em "Continue lendo..." caso este post não esteja sendo exibido numa página individual.</i></p>
<p><span id="fullpost"></p>
<p>"1984" é um livro diferente da grande maioria das ficções: não tem um herói – embora tenha um protagonista – nem um final feliz. Nem um desfecho compreensível o livro chega a ter – sendo necessário, para muitos, a leitura de um spoiler depois de ter acabado todas as páginas para se saber o que realmente aconteceu com Winston, o protagonista que não consegue ser um herói, no final da história. Portanto, se você só gosta de livros com heróis ou heroínas lutando obstinadamente em favor de um final feliz que de fato aguarda os(as) leitores(as) nas últimas páginas, “1984” não é um livro recomendável.</p>
<p>A obra maior de George Orwell é uma distopia cruelmente pessimista sobre como seria a Inglaterra e o mundo num ano de 1984 dominado por regimes totalitários pancontinentais. A Inglaterra não é mais Inglaterra, e sim a Oceania, um megapaís que abrangeria grande parte das terras emersas do planeta. Está em uma guerra perpétua em que ela e as meganações Eurásia e Lestásia revezam através do conflito o controle parcial da calota polar ártica e de parte da África e da Ásia.</p>
<p>A história de Winston antes de sua prisão pela Polícia do Pensamento – corpo policial que prende todo(a) aquele(a) que ousa pensar diferente do que o Partido manda que se pense – é inspiradora, uma vez que ele é identificável com quem adota uma visão de mundo mais esclarecida que destoe da alienação sociopolítica da sociedade. É a parcela menos pessimista do livro.</p>
<p>Ao contrário do que demonstra a população que trabalha com o Partido, ele mantém pensamentos destoantes do que o governo totalitário prega. Consegue manter-se seguro (apenas aparentemente, visto o que O’Brien, o personagem que se exibe como o maior antagonista, revela nos capítulos da tortura), mantendo discrição em casa e no trabalho – o Ministério da Verdade.</p>
<p>Esse ministério, aliás, é um dos órgãos de um sistema estatal cuja dominação deve ser descrita: é um domínio ultratotalitário em que a população da “Oceania” – especialmente os seis milhões de membros do chamado Partido Externo – é vigiada por aparatos como a Polícia do Pensamento e teletelas, um misto de televisor com câmera que vigia o comportamento das pessoas dentro de suas casas e em locais públicos e transmite propaganda governamental.</p>
<p>O Partido vangloria-se divulgando mentiras em suas propagandas e boletins e mantém o poder pelo controle psicológico dos(as) seus/suas filiados(as) através de estratégias de manipulação de pensamento como o duplipensar – capacidade de acreditar simultaneamente que, por exemplo, o céu é azul e é verde – e o crimedeter – rejeição psicológica imediata a qualquer pensamento subversivo que tente aflorar do cérebro.</p>
<p>A política existente impede até a manifestação dos instintos, emoções e virtudes humanas, como o amor – que deveria ser dedicado exclusivamente ao Grande Irmão, o líder governamental que talvez nem exista –, a libido e a amizade. Tornava as pessoas marionetes indefesas.</p>
<p>Voltando a Winston, ele corajosamente alimenta pensamentos de dúvida sobre o que o Partido faz com um terço da humanidade da ficção. Certo dia, Júlia, uma mulher que ele frequentemente via nos corredores do Ministério da Verdade, consegue que ele fale com ela e arquiteta com ele encontros em lugares diversos, onde os dois formam um casal e descobrem o censurado prazer de amar um ao outro.</p>
<p>Encontram no andar superior de uma antiga igreja, habitada pelo Sr. Charrington, um refúgio livre da vigilância da Polícia do Pensamento. Pelo menos era o que acreditavam.</p>
<p>O’Brien, que finge em suas feições ser outro “camarada” secretamente descontente com o governo totalitário e pertencer à Fraternidade, um grupo rebelde cuja existência é uma crença não comentada entre os membros do Partido Externo, marca de forma codificada um encontro com eles em seu apartamento, onde tem noção da inimizade do casal dirigida à entidade política. Distribui a eles, por intermédio de um estranho, “O Livro”, presumivelmente escrito por Emmanuel Goldstein, o líder da rebelde Fraternidade.</p>
<p>“O Livro” é a parte mais interessante de “1984”. É um momento em que George Orwell ensaia uma ficção sociológica e explica o passado verídico da humanidade e o presente distópico surgido nas revoluções que deram origem às três meganações do planeta. Conta o funcionamento da guerra perpétua que sustenta a economia delas e a estagnação de toda a arte, ciência e outras habilidades intelectuais, entre outros detalhes fundamentais para a compreensão de grande parte da obra.</p>
<p>No dia em que Winston lê para Júlia o livro, a surpresa fatal: a antiga igreja tinha uma teletela e Sr. Charrington era um agente disfarçado da Polícia do Pensamento. A voz metálica da tela anuncia a prisão e guardas de uniforme negro prendem os dois. O casal é violentamente separado e encaminhado para a cadeia do Ministério do Amor. Seu crime era a “crimideia”, o delito de pensar diferente do que o Partido dizia.</p>
<p>Winston vê o terror da prisão onde eram confinados presos políticos e criminosos. Em seguida, O’Brien, revelando-se um capacho leal do Partido e torturador profissional, chega na cela e o encaminha a uma sala onde é espancado brutalmente por cruéis soldados. O protagonista em seguida é submetido a outras torturas dolorosas em outra sala. É forçado a fazer confissões reais e imaginárias.</p>
<p>Nos antepenúltimo capítulo, Winston trava um diálogo com O’Brien, no qual é gritante o contraste entre a fraqueza do protagonista e o poder do antagonista, que podia torturá-lo novamente a qualquer momento. É revelada a verdadeira natureza da dominação totalitária estabelecida: baseia-se no ódio em vez do zelo à população, busca a manutenção do poder acima de qualquer outro objetivo, não intenciona a melhoria da sociedade, almeja esmagar qualquer traço de emoção que não seja devotado ao Partido e ao Grande Irmão. Enfim, realmente quer que a população da Oceania seja um conjunto de marionetes sob rígido controle.</p>
<p>Nos penúltimo capítulo, Winston passa a conhecer o que é a tão terrível Sala 101: um lugar onde as pessoas dão de cara com seus piores pesadelos. Ele se obriga a pedir que “façam isso com Júlia”, para só assim ser livrado da gaiola de ratos que poderiam devorar sua cabeça. O último é uma quebra de coesão em relação ao anterior, uma vez que mostra um Winston de cérebro lavado, enfim submisso ao sistema comandado pelo Partido, sem mais nenhuma emoção para com uma Júlia também lavada. Presume-se que ele deveria ser finalmente morto, mas até o fim da trama ele não o é.</p>
<p>E o mundo viveu triste e condenado para sempre. Um trágico final.</p>
<p>Para quem acaba o livro esperando reações heroicas e ação eletrizante em nome da libertação, o livro decepciona. Quem termina de lê-lo, fecha-o entristecido, por não ter encontrado nada que desse um pingo de esperança para a detenção da crudelíssima ação do Partido, e até assustado e temeroso pelo futuro da humanidade, uma vez que George Orwell dá à obra um aspecto assustadoramente verossímil. Pergunta-se: será que o mundo realmente corre o risco de um futuro tão trágico e terrível?</p>
<p>O consolo é enxergar o contexto histórico em que ele publicou o livro. O ano de publicação era 1949, uma quente época da Guerra Fria, em que Estados Unidos e União Soviética disputavam o domínio econômico do planeta e a hegemonia militar. Não havia muito motivo para otimismo político na época.</p>
<p>Hoje, com exceção da China e seu realíssimo Partido “Comunista” que vem ascendendo no panorama geopolítico mundial e adotando alguns dos fundamentos da ditadura do Grande Irmão, vemos que muito da estrutura que possibilitaria a realização da ameaça distópica foi desmontado com a queda da União Soviética e o enfraquecimento geopolítico dos Estados Unidos.</p>
<p>O livro não deixa mensagens encorajadoras ou esperançosas para quem o lê, não dá uma “moral da história” que inspire as pessoas – e por isso pode ser uma leitura muito frustrante para alguns/mas –, mas consegue despertar a curiosidade de muitos(as) para a política e para o estudo das formas de como ditaduras como a chinesa e as africanas se mantêm no poder. Inspira de forma indireta quem quer elaborar formas de levantar a conscientização política da população antes que se configurem perigos reais de golpe de Estado facilitados pela alienação sociopolítica popular.</p>
<p>A obra de Orwell é mais recomendável para quem já tem um gosto por livros de política, enquanto não o é para quem só gosta de obras com lutas travadas em prol da justiça e finais felizes. Elogio-a por levantar utilíssimos debates políticos, mas critico-o por semear pessimismo e desesperança quanto ao futuro da humanidade.</span></p>
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		<pubDate>Thu, 21 Jan 2010 11:00:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Robson Fernando</dc:creator>
				<category><![CDATA[(In)justiça]]></category>
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<p align="justify">Para quem gosta de crônicas, humor politizado e história brasileira contemporânea, o livro de Stanislaw Ponte Preta (pseudônimo de Sérgio Porto) é um prato cheio e delicioso. Esse livro, escrito em plena ditadura militar – mas antes do AI-5 –, soube bem como tirar sarro dos atos mais estúpidos e arbitrários do regime autoritário em seus primeiros anos e também mostrar que a vida do povão na época, mesmo politicamente reprimida e controlada pelos militares, era em tantas ocasiões agitada e engraçada.</p>
<p>O livro inicia-se com 25 páginas contendo um sem-número de anedotas envolvendo trapalhadas crassas da polícia, da DOPS, das Forças Armadas e de políticos, expostas como verídicas. São fatos ocorridos entre 1964 e 1966, em que se destaca a polícia querendo prender Sófocles, morto em 406 A.E.C. e autor da peça teatral “Electra”. É um humor político bastante refinado, que não chegou a defender a restauração do governo civil mas estabeleceu críticas à atuação dos militares num nível que não despertasse a repressão à sua pessoa e obra.</p>
<p>Em seguida, é a vez das crônicas dirigidas à crítica humorística das autoridades políticas e policiais. Com extensão de duas páginas cada, elas novamente nos levam a rir muito daquele poder público autoritário, tão raivoso mas tão patético. Novamente Stanislaw leva o lado risível do poder público da época às últimas consequências: a risada intensa de quem lê. Mesmo hoje, mais de 40 anos depois da publicação do Febeapá, continuamos rindo muito, e vemos como o caráter paquidérmico dos nossos governos federais e estaduais vêm desde muito tempo atrás.</p>
<p>Nessa primeira parte, que abrange as anedotas e as crônicas das autoridades, os comportamentos mais atacados foram a mania da população de chamar uns aos outros de “subversivos” e “comunistas” quando algo que não gostavam acontecesse; obsessão repressiva da DOPS e da polícia militar, que queriam prender autores teatrais que já haviam morrido muitos anos antes, apreendiam até liquidificadores e fechavam até creches sob acusação de subversão; e o moralismo extremo que tentava impedir a popularização das liberdades femininas em usar minissaias, vestidos decotados, exibir as pernas e outros hábitos novos.</p>
<p>Na segunda parte, entra em cena a vida cotidiana do povão brasileiro, de todas as regiões do país. Os 40 contos abordam fatos também anunciados como reais e a maioria deles, pelo que podemos notar, dá alguma cutucada na autoridade política da época com rápidas referências a pessoas ou entidades de poder. É uma comédia da vida privada o que Stanislaw mostra.</p>
<p>O humor é constante até o antepenúltimo conto. Os dois últimos são sérios: um fala de reservar o “coração suplementar”, invento médico-tecnológico da época, para os problemas cotidianos enquanto nosso coração principal fosse reservado aos sentimentos e o último narra uma tragédia em que um mendigo afronta a polícia repressora e moralista e acaba morto. É um protesto contra o moralismo exacerbado que podia até matar e a coerção estatal que desrespeitava completamente os direitos individuais e liberdades das pessoas.</p>
<p>O Febeapá é uma das obras literárias que melhor escancaram o “país da piada pronta” que o Brasil é pelo menos desde a distante década de 60. Para quem quer um humor histórico, sociológico e político, o livro é excelente, e ainda torna-se mais valoroso pela coragem que Stanislaw manifestou em escrevê-lo cheio de críticas ao risível poder ditatorial opressor que dominava o Brasil em sua época. É uma pena que ele faleceria não muito tempo depois, deixando saudades enormes no humor brasileiro.</p>
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		<title>Resenha do documentário The Corporation</title>
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		<pubDate>Thu, 21 Jan 2010 10:30:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Robson Fernando</dc:creator>
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<p align="justify">The Corporation (2003) cumpriu bem seu papel de alertar os olhos dos telespectadores quanto ao papel vilânico exercido por grande parte das maiores empresas multinacionais do mundo. Desmascarou os monstros – ou melhor, as entidades psicopatas, como o documentário “diagnostica” – escondidos atrás dos(as) simpáticos(as) garotos(as)-propaganda. Entretanto, tropeçou ao limitar a abordagem de certos assuntos críticos, ao deixar de abordar mais profundamente esperanças e soluções e ao direcionar os sentimentos da audiência com uma habilidade limitada e falha.</p>
<p>Para quem não assistiu ainda ou quer se lembrar “do que é que falava mesmo”, o filme se divide em vários blocos que contam tópicos como:<br />- a história do poder abusivo das corporações, quando aproveitou a 14ª emenda da Constituição norteamericana para adquirir direitos de pessoa física;<br />- a imoralidade ou amoralidade do exercício do poder empresarial, a falta de ética;<br />- os baixíssimos salários oferecidos a empregados em países pobres;<br />- as indenizações que foram obrigadas a pagar e o fato de as mesmas serem tratadas como custos adicionais que podem ser arcados;<br />- o uso de substâncias tóxicas na pecuária;<br />- os danos ambientais de muitos empreendimentos;<br />- as tentativas – muitas bem-sucedidas – de apoderamento do “direito” de obter patente em cima de espécies de seres vivos transgênicos;<br />- o mau-caratismo das estratégias de incremento da preferência consumista infantil;<br />- a hipocrisia da (suposta) responsabilidade social;<br />- o poder sedutor da propaganda;<br />- a venda de valores sociais e de desejos;<br />- o poder de manipulação política, incluindo a superação do poder aos próprios políticos;<br />- as intimidações aos meios de comunicação e a quem quer denunciar os abusos corporativos;<br />- a aliança empresarial com governos totalitários;<br />- a tentativa de golpe de Estado contra Franklin Roosevelt;<br />- as tentativas de privatizar recursos naturais e o direito ao usufruto dos mesmos em outros países.</p>
<p>The Corporation mexe muito, muito mesmo, com os sentimentos de quem assiste, desde os iniciantes no pensamento consciente, que querem deixar a alienação que marcava suas vidas até pouco tempo atrás, até os mais ativistas. As reações são variadas: embora em alguns poucos momentos lance mão de cenas que fazem rir por uns segundos, o caráter alarmista provoca desde a desilusão com muitas marcas muito consumidas até o mórbido desejo de que os CEOs e diretores das gigaempresas fossem todos mortos.</p>
<p>Como denunciante do inferno que existe atrás da fachada “celestial” da publicidade, como flagrante das inúmeras atrocidades cometidas em nome do lucro alto, o filme cumpre bem a função. Abre os olhos de muitas pessoas que até certo momento nutriam sonhos capitalistas, sonhos de consumo, sonhos de um futuro como gigaempresário(a). Revela que produtos de muitas marcas têm crime, morte e destruição entre seus ingredientes.</p>
<p>Cumpre seu objetivo, mas a strictu sensu. Exerce mal a segunda parte do processo de conscientização anticorporativa: mostrar soluções e como cada pessoa pode proceder, individual ou coletivamente, para derrubar os superpoderes malignos das corporações.</p>
<p>Restringe-se a mostrar de forma vaga que “um mundo melhor, sem o mal corporativo, é possível”, num discurso que lembra mais os sonhos de um adolescente de 17 anos que tenta uma vaga numa faculdade de jornalismo do que o levantamento de possibilidades claras e estratégias consistentes de como, por exemplo, consumir eticamente e contribuir para que o megaempresariado passe a pensar duas vezes antes de agir como demônios.</p>
<p>Embora tivesse feito (breves) referências a questões como defesa da democracia, manifestações, boicotes, união popular e prestação de contas, várias perguntas ficaram em aberto para quem, após o filme, passou a interessar-se mais pela luta por um mundo livre de corporações “demoníacas”: Como organizar campanhas de boicote? Como acordar uma parte significativa da população urbana regional ou nacional de modo que haja possibilidade de haver ativismo anticorporativo em massa? Como impedir uma decisão política que, por exemplo, determine uma privatização absurda? Como impedir que uma empresa nacional em ascensão, prestes a alcançar a multinacionalidade, saia da linha e se torne mais uma “corporação do mal”? Como se opor a abusos éticos como o patenteamento sobre seres vivos ou códigos genéticos? Como contribuir individualmente para ajudar a derrubar a crueldade capitalista?</p>
<p>Exemplos como a oposição dos agricultores indianos à patente imposta ao arroz basmati ainda foram dados, mas no geral faltou uma maior ênfase em casos bem-sucedidos das mais variadas formas de oposição aos abusos capitalistas – faltando inclusive exemplificar campanhas de boicote que alcançaram sucesso.</p>
<p>E, acima de tudo, faltou a proposição de um debate global sobre como suplantar a estrutura capitalista-corporativa atual e lançar um sistema econômico sustentável, ético, respeitável e socialmente conveniente. Nos mais marxistas, essa falta de alternativa sistemática acirra o desejo de promover um estouro revolucionário socialista, proposta que a História já comprovou ser um fracasso.</p>
<p>Essa limitação no apontamento de soluções terminou causando um atropelo nos sentimentos das pessoas que guardavam esperanças de que o filme apontasse soluções de forma pragmática e desse o pontapé para que se começassem articulações de militância.</p>
<p>Considerando que em certo momento, antes dessa fraca exposição de saídas, foi dada a impressão de que as corporações venceram definitivamente, que não há mais soluções para salvar o planeta, que tentativas de ativismo serão vãs e que o mundo está perto de entrar em colapso irreversível, houve uma condução um tanto atrapalhada das emoções dos telespectadores.  O mais provável foi que esse fortíssimo toque passional não havia sido previsto pelos produtores do documentário.</p>
<p>Essa falha na canalização emocional, ao ver de alguns, tem potencial de despertar em algumas pessoas de pensamento ideológico mais passional uma explosão psicológica de revolta, desespero por encaração de um problema sem soluções definitivas à vista e até ímpetos coléricos de revolucionismo para quem ainda vê o ideal comunista como única “alternativa” à crueldade capitalista.</p>
<p>Outra falha importante foi a exclusão de alguns assuntos fundamentais, no mínimo dois: os Direitos Animais e o poder da educação. A questão animal ficou limitada à exposição do problema dos hormônios e drogas aplicados em vacas e na intoxicação do leite, aliás, uma abordagem muito bem-estarista, restrita à denúncia dos danos bioquímicos ao organismo daqueles animais. A vivissecção ficou como promessa descumprida.</p>
<p>Não houve debates sobre as muitas outras crueldades praticadas pela pecuária ou pela prática de testes de produtos em bichos, nem uma abordagem ética da coisificação e comercialização de animais não-humanos. O veganismo, visto e compreendido por um número crescente de cidadã(o)s como uma das atitudes mais praticáveis e eficientes de oposição a abusos corporativos no que tange à ética animal e ao meio ambiente, sequer foi mencionado no filme.</p>
<p>A educação também quase não entrou na história. Aliás, foi ainda menos perceptível do que os animais. Ficamos sem saber se as “corporações do mal” também estão interferindo na educação escolar ao redor do mundo e se/como as escolas estão lidando com a perversão consumista induzida nas crianças. Uma das grandes esperanças de salvação para as sociedades mundiais, a formação estudantil de pessoas conscientes e resistentes à tentação publicitária, terminou esquecida.</p>
<p>Passando da época do The Corporation, primeira metade da década de 2000, a hoje, final da década, nos vemos no desejo necessitado de assistir a um “The Corporation 2”. O mesmo poderia abranger questões como o agronegócio e suas implicações catastróficas no meio ambiente, a situação da China e do Sudeste Asiático, onde uma versão ainda mais monstruosa do capitalismo encontrou moradia, e enfim a ética animal, além de observar o impacto da crise econômica global de 2008-2009, que aconteceu como uma explosão no sistema capitalista-corporativo mundial, analisar se houve algo de bom nesse quase-quebra-quebra.</p>
<p>E também, a sugerida continuação poderia abordar muitíssimo melhor as soluções possíveis para derrubar o poder megalomaníaco e cruel das corporações. Que venha falando de boicotes que deram certo, do movimento vegano, de manifestações que proporcionaram a expulsão de uma ou mais megaempresas de determinado(s) país(es), etc. Que analise se a ascensão de governos como o de Evo Morales – eleito na mesma Bolívia onde outrora tentaram privatizar a água – é algo positivo para a humanidade, para as esperanças de reação contra os poderes abusivos das multinacionais.</p>
<p>Se eu desse uma nota ao documentário, daria 6 – passaria de ano ainda, ainda que “na agulha” –, vistas as limitações e ausências descritas mais acima e a consequente incompletude do trabalho de conscientização. Não adianta gritar: “Ei! As corporações são monstruosas e o capitalismo é cruel! Abram os olhos!” e não dar soluções claras ou ao menos uma convocação geral a um debate global. O filme cumpriu o objetivo principal, mas de forma muito limitada. Que venha um “The Corporation 2” para terminar o serviço, que, convenhamos, foi muito nobre e bem-intencionado apesar das faltas.</p>
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