Arauto da Consciência

Exemplos de androcentrismo e machismo na sociedade brasileira

Postado em 03/07/2010 à/s 16:01

Abaixo mais um texto sobre como o androcentrismo se entranhou nos aspectos mais banais da vida social no Brasil, incluindo a linguagem. Do site da Rede Mulher, eu trouxe o texto de Vera Vieira sobre como a discriminação contra mulheres se arraigou na representações sociais imagéticas e linguísticas no país sobre o sexo feminino.

 

A discriminação à mulher está presa à tirania das palavras e imagens
por Vera Vieira (*)

Quando se diz "A salvação do planeta está nas mãos dos homens", ao invés de " A salvação do planeta está nas mãos da humanidade", reflete-se a posição que o homem vem ocupando na história, reforçando-se seu papel hierárquico e as relações de poder e dominação masculina na sociedade.

Ao longo dos tempos, tem ficado bastante evidenciado o papel da linguagem sexista no reforço dos estereótipos machistas que contribuem sobremaneira para o desequilíbrio das relações sociais entre homens e mulheres, caracterizadas pelo binômio dominação/subordinação. Ao nascermos, nosso sexo é definido pela natureza. Já o comportamento diferenciado tem a influência direta da formação e educação que recebemos no meio social, historicamente marcadas pela subordinação da mulher ao homem. Trata-se de um fenômeno cultural que se arrasta ao longo de milênios e que deve ser mudado.

As pessoas são educadas e formadas tanto pelas escolas, como pela família, Igreja, meios de comunicação de massa, leis do Estado, etc., que são responsáveis pela clara definição dos papéis desiguais da mulher e do homem, com conseqüências dramáticas na sociedade. Bastam somente alguns dados para essa comprovação: alto índice de violência doméstica sofrida pela mulher (com um número assustador de mortes), independente de raça, cor, etnia, classe social ou escolaridade; a média salarial baixa, mesmo com maior formação; pouca ocupação de cargos de liderança e número elevado de mulheres chefes de família, entre outros.

Bookmark e Compartilhe

Veganos, esses chatos…

Postado em 30/06/2010 à/s 20:47

Muitas pessoas que não simpatizam com o veganismo e o acham uma “afronta à natureza” dizem que nós veganos somos chatos e pentelhos. Segundo elas, protestar contra a exploração animal é uma chatice comparável a uma onda de spam.

Não é necessário pregar o veg(etari)anismo como um religioso fundamentalista prega suas crenças como verdades absolutas – atitude que é injustamente generalizada pelo senso comum de muitos onívoros e enfaticamente condenada pelos veganos mais sensatos. Basta apenas que defendamos os animais, condenando em público as crueldades de quem, por exemplo, tortura e mata animais para comê-los. Só por isso somos chatos de galocha.

Em um vídeo brasileiro em que uma atriz, com uma naturalidade sádica, contava como torturou animais até a morte para comê-los em sua experiência como escoteira, um onívoro, diante de dezenas de protestos e repúdios contra a atitude da atriz, do entrevistador e do público que, de forma também sádica, gargalhava e aplaudia o depoimento, comentou: “hahahhaha esses vegans? são tão ou mais chatos que os crentes!”

A esse comentário, eu faço questão de responder: sim, somos chatos.

Somos tão chatos quanto os militantes negros antirracismo dos Estados Unidos das décadas de 1950 e 60. Aqueles indivíduos eram tão chatos que não deixavam os brancos de sua época humilharem os compatriotas afrodescendentes em paz! Que coisa insuportável deve ser uma pessoa ter questionado seu direito de agredir e segregar o próximo, não poder esculachar um indivíduo na rua por ser de cor diferente sem que venham sujeitos indignados lhe cobrando ética, respeito e vergonha na cara. Que chatos!

Somos tão chatos quanto Mahatma Gandhi e seus seguidores. Os ingleses não podiam mais impor sua dominação na Índia, arrogar soberania sobre um mosaico cultural milenar, torturar e matar nativos insubordinados, com sossego. Devia ser muita chatice os militares britânicos serem impedidos de continuar mantendo seu monopólio econômico, seu domínio firmado na base da violência neocolonialista, por causa daqueles pacifistas tolos que não tinham o que fazer e ficavam com suas pregações inúteis de resistência pacífica e desobediência civil. Não-violência? Pacifismo? Independência? Soberania? Que bando de insuportáveis! Pareciam os crentes pregadores de hoje de tão inconvenientes!

Bookmark e Compartilhe

Pela valorização do patriotismo crítico no Brasil

Postado em 31/05/2010 à/s 20:04

O texto abaixo, de Rafael Martins, publicado por Jefferson Xavier no Vooz, mostra como eu penso. Confundido com o nacionalismo fajuto, ufânico e meramente simbólico mas não sendo a mesma coisa, o patriotismo de querer um país melhor está em escassez no Brasil. O texto é do ano passado mas continua atual -- e provavelmente assim continuará por décadas.

Deixo claro que a opinião tanto minha quanto a de Rafael sobre a palavra patriotismo usada aqui não é o citado nacionalismo simbolista e fajuto, mas sim um civismo crítico que consiste em lutar como cidadã/o pela prevalência da justiça, seja jurídica, seja social, no Brasil.

Brasileiro acha que ser patriota é torcer pela seleção
Por Rafael Martins, escrito em 2009

Ano que vem tem copa do mundo e veremos mais uma vez aquelas manifestações de norte a sul do Brasil, ruas pintadas de verde – amarelo, bandeiras do Brasil penduradas nos carros, camisas com a bandeira do Brasil, rostos pintados com as cores da bandeira, gente chorando de alegria e chorando de tristeza.. Algum vizinho vai bater na sua porta e perguntar se você vai participar da “vaquinha” para pintar a rua. Vai ter rosto de Ronaldinho Gaúcho pintado pra cá, rosto de Kaká pintado pra lá. Vai ser aquela mobilização nacional pelos nossos “heróis”, a nossa seleção brasileira de futebol.

Torcer pela seleção brasileira não tem nada de mal, o problema é que aqui no Brasil a maioria das pessoas acha que ser patriota é torcer pelo Brasil na copa do mundo. E isso é alimentado com fervor pelas redes de televisão, pelas propagandas de cerveja, pelas propagandas de chinelos, pelos rádios etc..etc..etc..

Eu não tenho a menor dúvida em dizer que isso é lamentável! Acho que já está mais do que na hora do Brasil levar um “TAPA NA CARA” e cair na real.

A raiz de muitos problemas do nosso Brasil está ai, quer ver?

Bookmark e Compartilhe

Uma “homenagem” aos “alfacistas”: Predadores e vampiros de vegetarianos

Postado em 25/05/2010 à/s 22:36

Mais um texto de Bruno Müller que admirei muito, dessa vez expondo tudo o que precisamos saber sobre @s chamad@s "alfacistas" (nome que tem a variante "alfascistas", numa alusão ao fascismo), pessoas que afirmam "defender" as alfaces e fazem provocativas apologias ao livre consumo de carnes -- das quais elæs enfatizam o consumo das vermelhas.

Reitero aqui que sou fã dos textos dele, que podem ser lidos em sua coluna da ANDA e no blog Seres Livres.

Predadores e vampiros de vegetarianos
por Bruno Müller

Vez por outra recebo por intermédio de algum amigo vegano um link de mais um daqueles inúmeros textos que circulam na internet de carnívoros exercitando sua fina inteligência a ironizar vegetarianos e enaltecer o gene humano caçador. Não gosto de repassá-los para não alimentar a psicose alheia. Nem é preciso, pois quem já viu um, já viu todos. É sempre a mesma ladainha que sempre passa, invariavelmente, pela “vida secreta das plantas”. São os populares “alfascistas”. São, muito coerentemente, predadores e vampiros que se alimentam da atenção, raiva e bílis de vegetarianos desavisados.

Parece roteiro de filme B (ou C? ou Z?). A mesma fórmula batida com o mesmo enredo. Alguém descobriu que o tema “ode à carne” desperta a ira dos vegetarianos e, desde então, “jornalistas” sensacionalistas ou blogueiros carentes têm usado do artifício para suprir suas necessidades afetivas com um pouco de atenção negativa. E o filão não para de crescer, alimentado pela boa audiência de defensores de animais indignados. Os vegetarianos mordem a isca (pode ser especista, mas me parece uma analogia muito adequada!), e a trama segue o roteiro preestabelecido: uns xingam, outros amaldiçoam e alguns poucos até tentam falar sério – numa situação em que a seriedade só entra no enredo como “escada” para mais alguns exercícios de sarcasmo e humor “refinados”. Alguns carnívoros também se manifestam. Geralmente eles estão voltando de, ou partindo para, um churrasco. Sendo o Brasil o terceiro país do mundo em consumo de carne, não tenho motivos para duvidar da veracidade de suas alegações.

Toda trama bem-sucedida tem sua sequência, claro. O “escritor”, inebriado pela fama, começa amaldiçoando a educação no país – seus leitores formam uma massa de analfabetos funcionais incapazes de captar seu humor “inteligente”. Se a maioria discorda de você, está óbvio que é porque não sabe ler nem interpretar. Polemistas em geral sempre respondem aos seus críticos com uma condescendente acusação de estupidez e semianalfabetismo que, claro, lhes exime completamente da necessidade de responder às tais críticas com argumentos plausíveis. E se os fatos desmentem o polemista – pior para os fatos. Ele simplesmente os ignora. E eu, com minha limitada inteligência de vegano subnutrido, não consigo entender como pessoas tão inteligentes repetem sempre os mesmos axiomas que não requerem provas ou argumentos – até porque são autoevidentes, só veganos estúpidos não percebem.

Bookmark e Compartilhe

Dia da abolição da escravatura humana, mas também dia da escravidão animal: Dia do Zootecnista

Postado em 13/05/2010 à/s 19:43

Hoje, numa verdadeira ironia acidental, também é Dia d@ Zootecnista. Aquelæ profissional encarregad@ de aperfeiçoar e otimizar os sistemas de exploração animal, ditando de que forma explorar e matar animais dá mais lucro para o pecuarista.

Abaixo três vídeos em homenagem a uma das profissões legalizadas mais infames existentes. Mostra como a tecnologia zootécnica está a serviço da exploração e matança de animais "de produção".

O vídeo abaixo é mais light, mas mostra um esquema muito sofisticado de exploração de vacas leiteiras. Recomendo a você que assista com olhar crítico.

Bookmark e Compartilhe

Escravidão que ainda não foi abolida

Postado em 13/05/2010 à/s 18:23

Neste 13 de maio foi celebrada a abolição da escravocracia brasileira – em 2010, a chamada Lei Áurea completou 122 anos de sanção. Homens e mulheres deixaram a condição de propriedade de outrem, pararam de ser tratados como seres inferiores e comercializáveis. A data é um marco nos avanços dos direitos humanos no Brasil, mas deveria ser também um dia de reflexão sobre uma outra escravidão que, ainda distante da ilegalização, continua muito forte e, pior, respeitada e defendida em todo o mundo: a escravidão animal não-humana.

É extremamente fácil encontrar demonstrações de que todos os países, incluindo o Brasil, jamais deixaram de ser nações escravocratas. Basta ver os cavalos e burros puxando pesadas carroças nas ruas. Ou então os bois e cavalos sendo judiados e explorados como máquinas – com direito a “tuning” em forma de sedéns, cabrestos, cilhas, selas, estribos etc. – em rodeios e vaquejadas.

Ou mesmo animais domésticos e silvestres nos circos, onde são obrigados a demonstrar comportamentos alheios à sua natureza sob a força das jaulas, algemas e chibatadas. Ou também nas granjas e matadouros, onde são forçados a servir aos interesses gastronômicos humanos com suas próprias vidas ao serem confinados em gaiolas e/ou assassinados pelos açougueiros. Ou ainda nas universidades e centros de pesquisa, onde roedores, cães, gatos, primatas e outros animais são torturados e mortos “pelo bem da ciência”.

Ou mesmo dentro de casa: aqueles cães e gatos, comprados ainda filhotes como mercadorias, como brinquedos cuti-cuti, e que servem hoje como servos afetivos, cuja existência só foi possibilitada pelo interesse de uns de ganhar dinheiro e pela disposição de outros a comprar todos os afetos, emoções e companheirismo proporcionados por animais domésticos. Ou então, também no lar das pessoas, os peixes e pássaros, comprados e aprisionados perpetuamente, tratados como meros objetos de decoração.

Ou, para ver como é óbvia a escravidão de animais nos dias de hoje, nos parques de exposição. Animais à venda, tratados como instrumentos de trabalho, como matérias-primas, como recursos, como mercadorias. Da mesma forma que se procedia nos mercados de escravos da Antiguidade.

Bookmark e Compartilhe

Mais uma reflexão sobre sexismo linguístico: agora é a vez da palavra “mulher”

Postado em 12/05/2010 à/s 19:59

Hoje tive um insight parecido com o que tive em fevereiro ou março do ano passado: o uso da palavra "mulher" como sinônimo de "esposa" com alguma conotação não-intencional de "sob tutela do marido".

Enquanto se fala de "o homem" como sinônimo de "o ser humano", fala-se de "a mulher do..." como "a esposa". E curiosamente quase nunca falamos de "o homem da rainha Elizabeth II", "o homem de minha ex-namorada" -- mesmo que exista esse uso, segundo o dicionário Aurélio, eu pessoalmente nunca ouvi alguém falar isso.

Percebo nessa nova autorrevelação de consciência uma dualidade com a mesma tonalidade de vício de linguagem sexista. Segundo o vocabulário androcêntrico que temos...

Mulher: parceira/cônjuge de um homem/macho (ao correspondente masculino, usa-se marido)

Homem: ser humano

(Não reconheço ainda uma relação entre as definições acima, mas pode ser até que exista)

Ao meu ver -- ainda não falando sociologicamente -- falar "a mulher do padeiro", "a mulher do presidente" e raramente "o homem da secretária", "o homem da dona da confeitaria" já denota alguma desigualdade entre mulheres e homens.

E, novamente sem cientificidade, consigo encontrar semelhança entre "a mulher do meu vizinho" com, por exemplo, "o gato da minha tia" ou "o cachorrinho do meu amigo". Me parece que "a mulher do..." conota uma relação de tutela e submissão, da mesma forma que os animais domésticos têm sua vida submissa e dependente de seus/suas tutoræs -- uma relação de submissão* que não devemos confundir com uma relação de propriedade.

Bookmark e Compartilhe

2010 é o ano dos ecocídios, não da biodiversidade. Mais um ecocídio vem aí em Pernambuco

Postado em 12/05/2010 à/s 18:45

E o novo ecocídio da vez não tem a responsabilidade de Eduardo Campos -- pelo menos enquanto ele não sanciona --, mas de Augusto Coutinho (DEM), o mesmo que havia votado contra o ecocídio de Suape.

Projeto de lei autoriza desmatamento de 7,4 hectares de mata atlântica

Mais um projeto de lei em tramitação na Assembleia Legislativa para autorizar desmatamento de vegetação nativa. Dessa vez a autoria é de Augusto Coutinho (DEM), o mesmo que liderou recentemente discussão na Alepe sobre projeto de lei que permite a supressão de 691,4574 hectares mangue, mata atlântica e restinga em Suape. A obra, diz o texto, é para  o alagamento de uma área para a formação de reservatório de uma "pequena central hidrelétrica."

O projeto de lei (PL), de número 1591, prevê o desmatamento de 7,4 hectares, distribuídos em 44 fragmentos, para a construção da central, chamada Pedra Furada, no município de Ribeirão, na Zona da Mata Sul. As áreas, segundo o PL, estão localizadas às margens do Rio Sirinhaém. O decreto denominando a obra como de utilidade pública, afirma o texto, está na Portaria nº 15, de 16 de janeiro de 2008, do Ministério de Minas e Energia. E a Licença de Instalação já está assinada pela  Agência Pernambucana de Meio Ambiente (CPRH). O número, detalha o PL, é 01.10.03.020489-4 e a validade, 15 de março de 2011.

É de desmatamento em desmatamento que a natureza em Pernambuco vai se acabando. Pelo visto os poderes Executivo e Legislativo, seja da situação "esquerdista", seja da oposição direitista, não vão parar enquanto a última árvore não tiver sido derrubada em território pernambucano em nome desse doentio progresso insustentável e irresponsável.

Dessa vez infelizmente não vai haver ninguém se mobilizando contra mais essa ameaça de desmatamento, já que se trata de área bem menor -- pouco mais de 1% do ecocídio de Suape -- e de menos importância regional e global que o caso do estuário da Bacia do Ipojuca e, nesse caso, a coisa ser mais passível de compensação com vegetação equivalente do que a destruição de mangues. Mas reitero que,  assim como de grão em grão a galinha enche o papo, é de hectare em hectare que no final não teremos mais nenhum hectare de ecossistemas naturais em pé!

Bookmark e Compartilhe

Município paranaense mantém lei inconstitucional que favorece o abandono de animais

Postado em 08/05/2010 à/s 22:15

Reportagem exibida por filial da TV Globo apoia lei inconstitucional criada em município do Paraná

Matéria jornalística apresentada pela RPC (afiliada da TV Globo do Estado do Paraná) mostra a maneira equivocada de o poder público tratar a questão dos cães abandonados em São José dos Pinhais. Na cidade, existe uma lei que limita o número de animas por residência a dez.

Na reportagem, é sugerido que uma senhora que recolhe e cuida de cães está praticando um crime, já que contraria a lei criada pelo município, que por sinal é inconstitucional. A produção da matéria foi uma vergonha para o jornalismo paranaense.

Assista à reportagem e verá que a lei municipal em questão é absurda. Fala-se de animais abandonados, mas ao mesmo tempo condena-se aquelas pessoas que tentam, à sua maneira, dar uma vida minimamente digna aos mesmos.

A lei de São José dos Pinhais é daquele tipo de legislação que enxerga bichos abandonados não como seres vivos sencientes que tudo o que precisam é de acolhimento e tratamento, mas como meros "vetores de doenças", "mordedores" autômatos que, para deixarem de representar risco à saúde pública, devem ser eliminados. Nessa concepção especista de animais abandonados, as pessoas respirarão mais aliviadas sem a presença desses "estorvos" nada mais são do que lixo com pernas cuja vida nada vale.

Fica a mensagem ao referido veículo de comunicação e à prefeitura de São José dos Pinhais: a população vai cair em cima, exigindo a retratação jornalística, a revogação dessa lei, que, além de absurda e totalmente incoerente, é inconstitucional, e o estabelecimento de política pública civilizada para os animais de rua.

Bookmark e Compartilhe

Resenha: Deus, um delírio

Postado em 07/05/2010 à/s 4:04

O livro Deus, um delírio, de Richard Dawkins, é um guia muito bom para aquelas pessoas que estão com suas crenças religiosas na corda-bamba, em dúvida sobre a existência de um deus pessoal. As explicações científicas expostas pelo “Rottweiler de Darwin”, também chamado pelas más línguas de “aiatolá dos ateus”, são a iluminação, no sentido mais iluminista possível, que lhes faltava para que chegassem logo à conclusão de que não faz sentido acreditar em Deus, seja lá por qual nome ele seja chamado.

Também é um compêndio de motivos que levam os chamados “neoateus” a afirmar que o mundo seria melhor sem religiões – pelo menos sem a tríade abraâmica, composta por cristianismo, islamismo e judaísmo. Muitas das explicações conscientizantes do livro, no entanto, devem ser lidas e analisadas com ponderação, uma vez que nelas podem estar sendo utilizados critérios cientificamente questionáveis para explicar alguns fenômenos relacionados a criações socioculturais, como a própria religião e a moral.

O próprio Dawkins afirma que religiosos convictos ou fanáticos sequer refletirão sobre qualquer ideia trazida por seu livro. Assim sendo, ele deixa claro que seu público-alvo é gente que teve, ao longo de sua vida ou nos últimos tempos, sua fé enfraquecida e fragilizada por desilusões e/ou eventos incitadores da Razão. Ateus convictos que querem fortalecer seus argumentos e adquirir ainda mais certeza de sua descrença, no entanto, também são seus mais potenciais leitores.

Todos estão bem servidos de informações abundantes sobre a debilidade dos argumentos de quem tenta defender filosófica e “cientificamente” a crença num deus. Diversos fatores são desmascarados, no capítulo 2, como as “provas” de Tomás de Aquino, alegações de experiências pessoais e o fato de existirem e terem existido cientistas religiosos.

Bookmark e Compartilhe

Novo artigo sobre o uso da palavra “homem” na Wikipédia em português

Postado em 02/05/2010 à/s 14:26

Escrevi agora um artigo na Wikipédia em português sobre o uso da palavra homem, curto mas didático e conscientizador.

Leia: Uso da palavra homem

Bookmark e Compartilhe

Restaurante de São Paulo oferece carne de filhotes

Postado em 26/04/2010 à/s 18:11

Não é carne de filhotes de cães ou gatos como você pode ter pensado ao ler o título, mas a crueldade não difere:

Restaurante anuncia seleção de grelhados com seis novos pratos

O restaurante Escobar (zona oeste de São Paulo), que transparece a inspiração argentina, tanto no ambiente quanto no menu, acaba de lançar uma seleção de grelhados. As seis novas sugestões de cortes especiais vêm acompanhadas de salada e custam de R$ 46 a R$ 90.

Os clientes já podem provar a bisteca de ancho (contrafilé grelhado no azeite de ervas frescas e sal grosso com pimenta-do-reino, por R$ 46), o carré de leitão (porção de costelinhas tipo aperitivo, por R$ 48) e a costeleta de vitela (carne com menos gordura, por R$ 52).

O novo cardápio também inclui a picanha de cordeiro (com chimichurri de ervas frescas ou geleia de menta, por R$ 46), o bacalhau-lombo (cozido no azeite e grelhado, servido com vinagrete de alcaparras, por R$ 58) e o combinado (que reúne seleção de cortes especiais, como carré de cordeiro, picanha, ancho e coração de alcatra, que serve de três a quatro pessoas, por R$ 90).

Ou seja, carnes de filhotes. Brutalmente separados de suas desesperadas mães e confinados até serem mortos pela mão assassina da pecuária.

Leitões, porquinhos filhotes que ainda estão mamando

Bookmark e Compartilhe

O artesão e a centelha: a força de quem fala e/ou escreve contra as injustiças e matanças

Postado em 17/04/2010 à/s 22:55

Como já afirmei algumas vezes no Consciência Efervescente e talvez aqui no Arauto, sou fã de Bruno Müller, escritor de artigos fantásticos sobre direitos animais -- melhor dizendo, direitos dos animais humanos e não-humanos.

Tem o porém de que seus artigos são grandes e isso desencoraja leitoræs mais preguiços@s. Entretanto, quem os lê sai de "alma" lavada.

Assim sendo, tenho o prazer de trazer mais um texto dele.

O artesão e a centelha
por Bruno Müller, para a ANDA

Um lugar comum da vida dos escritores profissionais, particularmente aqueles dos quais se exige grande prolixidade, como cronistas e colunistas de jornal, é a falta de assunto. Sobre o que escrever? O leitor (e o empregador) não quer saber se lhe faltam ideias ou notícias a comentar naquele determinado dia. Há que mostrar produtividade. É difícil manter um padrão de qualidade, de relevância e profundidade quando nos permitem tão pouco (uma lauda, com sorte) e nos exigem tanto (um texto por dia, e nem quero começar a pensar nos blogueiros profissionais, que precisam atualizar o conteúdo quase que de hora em hora).

Mas, afinal, do que estou reclamando? Em primeiro lugar, não sou escritor profissional. Em segundo lugar, não tenho uma coluna diária num jornal ou página de internet. Por fim, assunto é o que não me falta. Há tanta injustiça ocorrendo cotidiana e simultaneamente no mundo, que é humanamente impossível dar conta de tudo, mesmo que tenhamos apenas um dia para nos prepararmos. Pois a injustiça não descansa, não tira férias e não dá trégua.

Nos jornais de 25 de fevereiro de 2010 podemos ler: morreu, em decorrência de uma greve de fome , o dissidente cubano Orlando Zapata, perseguido político, condenado por “desobediência”, “desordem pública” e “resistência” [1], isto é: condenado e em última instância morto por confrontar um regime desumano – pois desumano é um regime que persegue seus oponentes e lhes deixa morrer de fome por intolerância e intransigência, não importando com quais fantasmas, reais ou imaginários, ele se bata, nem que propósitos, torpes ou sublimes, ele alegue ter. Seu funeral se deu sob estrita vigilância e algumas dezenas de subcidadãos cubanos foram detidos “preventivamente” [2].

Os políticos latino-americanos, que se dizem tão sensíveis às injustiças, silenciaram de forma vergonhosa, inclusive dois dos mais loquazes, que gostam de dar palpite em tudo, e que visitaram Cuba no mesmo dia: os presidentes do Brasil, Luís Inácio Lula da Silva, e da Venezuela, Hugo Chávez [3]. Cúmplices de um crime. Nenhuma lágrima será vertida por esse infeliz na casta de intelectuais e ativistas europeus e latino-americanos que dizem lutar por um mundo mais “justo e igualitário”. Não admira que um dos seus símbolos seja o globo terrestre invertido: eles não querem o fim da opressão, e sim a troca de papel entre opressores e oprimidos.

Bookmark e Compartilhe

Frase(s) da semana (04-10/04)

Postado em 05/04/2010 à/s 19:36

Em vez de uma frase, é um comentário inteiro a frase desta semana.

Boa sorte. Beba gasolina e coma borracha.

Ninguém quer que voltemos ao Séc XIII, muito menos Marina Silva, como você, possuidor de clarividência espetacular, prevê e faz querer crer.

Certamente estaremos melhor nas mãos dos mensaleiros, e o melhor, em uma versão insossa de uma demagogo.

Ou então nas mãos de um vampiro que pertence a um grupo que já mostrou o que quer com o país ¬¬

Só no Brasil mesmo, as pessoas têm capacidade de achar ruim que preza pela defesa do meio ambiente e da educação, vide a forma como Cristóvão Buarque é visto.

Simplesmente a prioridade hoje é outra.

Mas, infelizmente, desenvolvimento e crescimento, para o brasileiro comum, aquele bem comum mesmo, é o recorde na produção e venda de veículos e na construção civil, além, é claro, da grande extração de petróleo.

Ai ai. Vou dormir. Acordem-me quando esse efeito retardado sair da cabeça dessas pessoas.

Obg.

por Carlos Carrilho, um dos poucos comentaristas que entenderam o lado ambientalista no post Megadesmatamento em Suape: ecocídio em nome do progresso, postado no blog Acerto de Contas (o mesmo texto está aqui no Arauto da Consciência também)

É triste que a maioria ainda pense no progresso econômico como algo imprescindivelmente superior à questão ambiental.

Quero ver se essas pessoas que torcem pelo progresso, por mais insustentável e destruidor que ele seja, vão querer, como disse Carlos, beber gasolina e comer borracha.

Bookmark e Compartilhe

Peixe na Semana Santa: questões ambientais e éticas ignoradas pela sociedade e pela mídia

Postado em 02/04/2010 à/s 2:48

Na Semana Santa, a celebração da morte e ressurreição de Jesus divide o espaço com o boom do comércio e consumo de carne de peixes. O feriadão em questão, em especial a Sexta-Feira Santa, é a época em que mais se comercializa e se consome esse tipo de carne no ano. As feiras, peixarias e supermercados de todo o Brasil lotam-se com milhões e milhões de peixes e uma multidão os compra para comê-los. A sociedade curte muito e a mídia incentiva, mas, aos olhos da natureza e da ética do respeito à vida animal, tais comportamentos se fazem perigosos e condenáveis.

A imprensa que fomenta a morte dos peixes

A imprensa, alienando a população de todos os problemas éticos e ambientais causados pela pesca, mostra com satisfação a prosperidade temporária dos vendedores de peixe (morto), ignorando e/ou omitindo completamente que é essa mesma fartura que vem causando um dramático declínio na população de grande parte das espécies “pescáveis”, se não todas, em todos os mares e oceanos do planeta.

As notícias sobre queda e extinção local de muitas espécies de peixes multiplicam-se, mas, de forma quase irônica, as relacionadas ao comércio e consumo de “pescado”, sempre acríticas, ganham destaque, muitas vezes nos mesmíssimos jornais, telejornais ou sites, durante o feriado cristão. Notas sobre preço, disponibilidade e demanda e receitas culinárias imperam nos dias anteriores à Sexta-Feira Santa, dia em que a carne vermelha é vedada da mesa dos cristãos – por motivos meramente religiosos, nada relacionados com ética, compaixão ou não-violência.

E os fatos de que os peixes agonizam muito em asfixia depois de retirados da água e poderiam ter suas vidas poupadas e respeitadas graças à existência do vegetarianismo simplesmente inexistem perante o olhar dessa mídia.

Bookmark e Compartilhe

Notícias pessoais que preciso contar

Postado em 01/04/2010 à/s 13:32

Sei que o Arauto da Consciência não é um blog sobre vida pessoal, mas estas notícias se referem aos diversos temas e subtemas do blog.

Hoje o dia foi revolucionário para mim. Em menos de 12 horas, muita coisa aconteceu:

- Aceitei Jesus como meu Senhor e Salvador e percebi o erro infeliz de ter sido ateu por cinco anos. A culpa foi enorme e tive que me penitenciar perante Deus para me expiar da minha antiga antifé. Também aprendi que devo acreditar mais no que as pessoas dizem, sobre os espíritos, os milagres, a Criação do mundo e outras coisas que a ciência nunca vai conseguir explicar;

- Aprendi com um amigo do interior que vaquejadas não maltratam os animais. Isso nada mais é que papo de neohippie que quer aparecer. Aprendi que vaquejada é um esporte inseparável da cultura nordestina. Se acabassem com a vaquejada, o que seria do Nordeste?

- Desisti do veganismo. Aprendi que sou apenas uma unidade, uma gota d'água no oceano, e sozinho não tenho poder para nada. Sou pequeno demais para mudar alguma coisa na visão de ética dos brasileiros. Sendo assim, voltei a comer carne e meu almoço de hoje vai ser numa churrascaria. Mal posso esperar voltar a saborear aquela maminha que eu não como há quase três anos, além daquele pudim de leite amarelinho;

- Aprendi também que defensores animais e vegans em geral são um bando de bitolados que não têm o que fazer, são uns chatos que fazem a inutilidade de defender animais enquanto tem tantas crianças por aí passando fome;

- Percebi que estava perdendo muito tempo em defender causas impossíveis, como parar o desmatamento de Suape, tornar a classe política brasileira honesta, expulsar a bancada ruralista do poder, fazer as passagens de ônibus pararem de aumentar e começarem a cair, lutar por um sistema econômico verde e diferente dos que conhecemos etc. Para que defender isso tudo, se eu sou só uma gota d'água no oceano, o capitalismo venceu e quem manda de verdade é a lei do mais forte? Por que questionar isso tudo se não vai adiantar nada? Aceitei os conselhos de um parente meu e decidi enfim desistir dessa minha luta paranoica que no final não levaria a nada;

- Eu pensei direitinho: o meio ambiente está perdido mesmo. O negócio é desfrutar da vidinha boa logo antes que tudo acabe, e apoiar incondicionalmente tudo o que fizerem em prol do progresso de Pernambuco e do Brasil. Sei agora que ambientalistas são uns iludidos, uns politicamente corretos escrotos, e sua gritaria não vai dar em nada;

Bookmark e Compartilhe