Ataque à Turma da Mônica, o maior owned articulístico da internet brasileira?
Me chamou muito a atenção um fato de poucos dias atrás, que vem repercutindo até este momento. Dioclécio Luz, cuja profissão desconheço, escreveu um texto que consistiu num verdadeiro petardo contra os gibis da Turma da Mônica. Suas críticas se direcionavam à suposta falta de profundidade na personalidade das personagens dos quadrinhos -- incluindo as principais --, às características dos mesmos interpretáveis como uma apologia ao bullying, às características peculiares de cada personagem focadas em seus defeitos físicos ou comportamentais e à comparação dessas personalidades brasileiras com as personalidades muito profundas de heróis dos quadrinhos euamericanos.
Um trecho de seu artigo, que pode ser lido na íntegra aqui, diz:
O outro aspecto a se observar na Turma da Mônica é o abuso dos clichês. Pelo menos três personagens são clichês: Mônica, como se viu, a que resolve as coisas na porrada; Cascão, que odeia água; Magali, a comilona. Antes de tudo, note-se que são clichês negativos. Ninguém da turma é conhecido por ser inteligente, criativo, sensível, cuidadoso, gentil, amável, isto é, por qualidades humanas, por virtudes humanas. Na verdade, temos, mais uma vez, o incentivo ao bulling – esses três personagens trazem consigo motivos para discriminação e para serem agredidos pelos colegas.
O problema dos clichês nos personagens é que eles não existem fora disso. Cascão ou Magali (e a Mônica) não existem fora dessas suas "virtudes". As observações, as visões do mundo, as idéias, as sugestões, tudo isso que dá personalidade a um personagem, não existe na Turma da Mônica. A gente sabe que é Magali quando ela fala em comida; a gente sabe que é Cascão por seu ódio à água; a Mônica aparece quando é hora da porrada. Mas essas características de Cascão e Magali, como veremos mais adiante, não são exatamente traços de personalidade, e sim, desvios comportamentais. A violência da Mônica, sim, está mais próximo de um problema de personalidade.
Como se pode ver, praticamente uma versão brasileira do livro A sedução dos inocentes, que condenou os quadrinhos nos EUA na década de 50 e causou um bom dano na indústria dos gibis na época.
Escola de idiotice
Diretora ensina Rebolation a alunos e gera polêmica
Uma diretora causou polêmica ao ensinar a dança Rebolation para os alunos em uma escola estadual da cidade de Papagaio, no interior de Minas Gerais. As imagens foram gravadas por uma aluna da escola.
Pais e professores ficaram revoltados com a atitude da diretora da escola. Para eles, ela não estaria dando um bom exemplo aos alunos ao ensinar uma dança sensual às crianças.
O vídeo da baixaria "didática" está aqui:
Essa é mais uma da série "Professoras de Idiotice" -- a primeira foi a da professora que dançou para uma banda de swingueira (vôte!) no ano passado.
O pior é que a diretora parece ser de meia-idade, escapa do perfil de professoras jovens cuja juventude se deu nessa época de baixaria musical que vem desde os anos 90.
Pois é, essa é a educação que temos. Em vez de fazer o que deveria -- educar e ensinar valores éticos novos que despachem os atuais valores parasitas --, ajuda a perpetuar a fossa social, moral e política que foi cavada e mantida durante séculos.
A próxima vai ser um professor sendo flagrado ensinando seus/suas alun@s a promover pequenos atos de corrupção, como praticar pequenos furtos e subornar policiais.
P.S: Notaram que a Record põe notícias sobre educação numa seção chamada "Vestibulares e Concursos"? Muito bizarro. É como se a educação servisse apenas para "formar" vestibuland@s e concursand@s.
“Saudades” da religião celta…
Tenho "saudades" de quando a Irlanda tinha apenas a religião dos druidas, não havia sido invadida pela Igreja Pedófila.
(Saudades entre aspas porque não vivi a época, que acabou lá pelo século 4 ou 5.)
Quem disse que a cultura da anorexia caiu de moda na alta moda?
Hipermagreza domina passarelas da SPFW
"Gente, o que é isso, essa menina está doente?" A frase, de um fashionista sentado na primeira fila de um desfile da SPFW, ilustra um espanto recorrente na atual edição do evento: as modelos estão mais magras do que nunca. Prova disso é que estilistas estão tendo dificuldades em montar seus "castings", fazem ajustes de última hora e escolhem peças estratégicas que escondam os ossos saltados das modelos.
Na SPFW da magreza radical brilham modelos na faixa dos 18 anos, que têm índice de massa corporal, calculado pela Folha, igual ao de crianças de 9 anos. No mundo dos adultos, a Organização Mundial da Saúde chama esse índice de "magreza severa".
A explicação vem da top Aline Weber, 21, que mora em Nova York e participou do filme "Direito de Amar", de Tom Ford. "Três coleções atrás, no auge do pânico antianorexia, as pessoas pesavam as modelos no backstage para ver se elas estavam saudáveis. Agora, a poeira baixou. Se você engorda um pouco, todo mundo está ali pra te julgar. Se você emagrece, falam que você está linda." Aline diz conhecer muitas meninas bulímicas e anoréxicas fora do Brasil. "As russas são as piores", conta.
Resenha do documentário Jesus Camp
Quem assiste ao documentário Jesus Camp (2006) adquire a convicção de que o ministério cristão Kids on Fire, presidido pela pastora Becky Fischer, é um perigoso Talibã cristão criador de fanáticos/as religiosos/as. O vídeo mostra, embora num ponto de vista tendente à neutralidade, uma das formas como as igrejas evangélicas mais fundamentalistas dos Estados Unidos estão recrutando fiéis. Escancara todo o processo de lavagem cerebral e fanatização intensiva de crianças sob controle de ministérios extremistas.
Centrados no cotidiano das crianças Levi, Tory e Rachael, Jesus Camp relata como o acampamento de férias da Kids on Fire transformava crianças em fanáticos/as de guerra. Eram crianças treinadas desde cedo a seguirem cegamente o cristianismo, “aprendendo” a crença criacionista por livro de “ciência”, sendo induzidas a acreditar que filmes como os de Harry Potter são demoníacos, tendo sua mente bombardeada por insistentes pregações religiosas, sendo doutrinadas que o aborto tem que ser banido de seu país.
Segundo a pastora Fischer, é nessa idade, entre 5 e 8 anos, que as crianças absorvem algo que ficará em suas cabeças pelo resto da vida. Embora o filme não intencione a denúncia explícita como os documentários de Michael Moore fazem, a abordagem de cada detalhe do verdadeiro abuso psicológico daquela meninada nos leva à indignação diante de tanto absurdo. As crianças choram pela emoção induzida pela fé, têm sensações praticamente psiquiátricas de que estão sendo “abençoadas” pelo deus cristão, gritam por Jesus, são mentalmente levadas a pregar e prestar juramento à sua religião, repetem obsessivamente a si mesmas a convicção religiosa...
Nos cerca de 80 minutos do documentário, aprendemos como as igrejas fundamentalistas estadunidenses estabelecem, de forma muito covarde, um controle cerebral sobre mentes tão tenras e imaturas; como a lavagem cerebral que aplicam é tão sofisticada; como estão criando extremistas que se põem em guerra, terroristas em nome de Jesus.
George W. Bush, um dos presidentes mais malignos da história estadunidense, é abençoado pelas crianças do acampamento fundamentalista. Nos momentos em que ele e o juiz Samuel Alito são citados, percebemos como seu governo representou tudo que não prestava. Não bastasse ser um senhor da guerra e inimigo do meio ambiente, Bush também favoreceu o fundamentalismo cristão, segundo as próprias personalidades principais do ministério Kids on Fire.
Depois de terminamos de assistir a Jesus Camp, entramos num processo de reflexão: como essa gente é capaz de fazer tudo isso com meninos e meninas que mal tiveram a oportunidade de aprender a pensar? Pensamos também que, se essa atitude de doutrinar crianças para o fanatismo religioso se proliferar nos EUA, a situação futura daquele país será muito desconfortável, vislumbrando-se para o futuro a violação do laicismo do Estado, a expansão e radicalização da população ultraconservadora e os prejuízos às mulheres e às minorias, ambas as quais serão oprimidas por sombrios governos orientados pelo fundamentalismo cristão tal como foi o mandato duplo de Bush.
Jesus Camp nos dá um alerta: se esse processo de fanatização crescer por lá, se a população estadunidense se deparar com mais pastores/as do tipo de Becky Fischer, a coisa lá vai ficar ainda mais feia, e, em última análise, o mundo sofrerá ainda mais do que sofreu na era Bush.
Mas felizmente o acampamento do fanatismo foi brecado: em novembro de 2006, graças às reações indignadas da parte esclarecida e lúcida da população estadunidense, a colônia cristã infantil do documentário foi fechado e não há mais planos de novas concentrações de crianças cristãs por parte da pastora até o momento em que esta resenha foi escrita. Esperemos que a militância antifundamentalista se fortaleça de modo que cânceres religiosos como o ministério Kids on Fire não tenham mais vez por lá.







