Arauto da Consciência

O mal do excesso de leituras obrigatórias na universidade

Postado em 28/02/2010 à/s 14:00

Artigo escrito em agosto de 2009

Cursos de ciências humanas, desde sempre, requerem muita leitura. A maioria dos/as professores/as deixam disponíveis para cópia trechos de livros e artigos contendo o que devemos estudar para aprender e estudar para avaliações. A leitura obrigatória é mais que fundamental nesses cursos, mas muitas vezes somos pegos por avalanches de conteúdo. A carga é tanta que não temos quase nenhum tempo livre para outras realizações, inclusive acadêmicas, e isso é um problema.

É certo que, sem leitura do conteúdo indicado pelo/a docente, é bastante difícil acompanhar as aulas, aprender tudo que elas trazem de pertinente e ter bom desempenho em notas. Professores/as que arriscam não determinar leituras disciplinares têm a qualidade da ministração de sua disciplina deteriorada. Esses cursos são indissociáveis do conteúdo a ser lido. Mas deve-se perceber que o programa de estudo de não poucos/as professores/as beira ou passa do limiar do excessivo.

Tem mestre que passa conteúdo novo a cada aula, podendo ser de um até quatro textos diferentes a serem abordados num só dia, o que toma uma enorme carga horária dos/as estudantes. Estes/as ficam numa situação bastante difícil: ou estudam tudo aquilo ou correm o risco de obter notas baixas nas provas e seminários.

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Um lado da educação em que a maioria dos candidatos políticos não pensa: o humano

Postado em 16/02/2010 à/s 14:39

Artigo escrito em junho de 2008

Campo de promessas mais freqüente em propagandas eleitorais ao lado da saúde, a educação tem sua importância quase que unanimemente reconhecida entre candidatos a vereador, deputado, prefeito, governador, senador e presidente. Todos que expõem promessas (ou, se preferir, “propostas”) no horário eleitoral, com exceções vacilantes, prometem adotar como um dos direcionamentos principais do seu mandato a resolução dos problemas da educação do Brasil, do estado ou da cidade.

É “investir em saúde e educação” para cá, “vou construir mais escolas” para lá, “vamos contratar mais professores” aqui, “meu objetivo é, até o fim do mandato, pôr todas as crianças na escola” lá, “toda escola tem que ter biblioteca e laboratório de informática” acolá... Ainda tem alguns que de vez em quando tocam no lado humano da coisa, ainda que superficialmente, quando falam em dar salários dignos aos professores e chamá-los a uma reciclagem pedagógica – que nem chega a ser descrita ou explicada na imensa maioria desses poucos candidatos que têm essa promessa. Entremos num YouTube® da vida ou esperemos a próxima época de propagandas eleitorais, aí relembraremos que essas promessas são de praxe.

Assistindo ou lembrando de uma amostra qualquer de propagandas eleitorais, vemos que muitos (aparentemente) se preocupam com a educação. Se tivéssemos todas essas promessas cumpridas de fato, veríamos, deixe-me ver... Muitas escolas, todas elas informatizadas e dotadas de biblioteca e com infra-estrutura impecável; bibliotecas faustosas e laboratórios de informática com computadores bem modernos; as escolas existentes todas limpinhas e com ar-condicionado nas salas; professores com bons salários; crianças e adolescentes lotando as salas, com evasão zero; universidades com boa qualidade e munidas de tudo aquilo que as faça serem boas, incluindo laboratórios de experimentação animal(!!!), contra os quais nenhuma boa alma candidata se posiciona contra; professores dando aulas de qualidade e recebendo reciclagens pedagógicas freqüentes – sendo a consistência destas últimas para o povo uma incógnita que só algum santo católico ou o Deus seu chefe saberá dizer em que consiste, já que quase nenhum candidato diz como acontecem. Tudo bonitinho, mas está faltando algo sério no sistema. É algo que seria talvez o mais importante de todos os aspectos acima.

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