Arauto da Consciência

Frase da semana (25-31/07)

Postado em 25/07/2010 à/s 23:09

"pq *** nao bate com a carro.. cai de moto..e quebra uma perna..
rompe algum ligamento.. o cruzado anterior ou o posterior.. ou os dois logo.
PQPPPPPPPPPPPPPPPPPPP e muito ruim!!!"
Torcedor de um time de futebol (time cujo nome não vou revelar), descarregando sua raiva no Orkut, furioso com um jogador (também cujo nome não revelo) atualmente muito execrado entre a torcida de seu time por estar jogando muito mal

É impressionante como um mero jogo de bola, como o futebol, consegue despertar tanta raiva, a tal ponto que um indivíduo torcedor passa a desejar todo o mal do mundo para um esportista em má fase.

De sua realidade original, como um divertido esporte onde atletas jogavam em clima de confraternização, com a torcida bem-vestida levando seus filhos e filhas, em jogos nos quais mesmo a maior goleada terminava em paz entre as torcidas e o sentimento nas mesmas de que "Que bom que meu time ganhou (ou que pena que o meu time perdeu), mas tudo bem, é só um jogo"...

...a uma transtornada realidade onde cada jogo desperta emoções enlouquecidas para o bem ou para o mal, onde o jogador que joga mal invoca na torcida as mais violentas imagens mentais, onde perder diversas vezes seguidas é considerado um crime hediondo e ser rebaixado de divisão (no campeonato estadual ou nacional) é uma tragédia quase comparável à morte.

Fala-se hoje de "jogo de vida ou morte", "jogadores guerreiros", "Batalha dos Aflitos" (a partida em que o Náutico perdeu para o Grêmio em 2005 e por isso permaneceu mais um ano na Série B), "guerra"... Tudo isso para um jogo de bola besta, mas com simbologias culturais extremamente infla(ma)das. E ainda tem gente que leva os jargões bélicos usados no futebol ao pé da letra, o que origina a violência entre torcidas, seja dentro, seja fora dos estádios.

O futebol deixou de ser um esporte de entretenimento e passou a ser um exaltador cultural de emoções explosivas. E isso infelizmente é parte integrante da sociedade brasileira (e de diversos outros países, até de europeus, onde há ou havia torcidas violentas como os hooligans ingleses e os racistas de alguns países de lá) de hoje.

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Exemplos de androcentrismo e machismo na sociedade brasileira

Postado em 03/07/2010 à/s 16:01

Abaixo mais um texto sobre como o androcentrismo se entranhou nos aspectos mais banais da vida social no Brasil, incluindo a linguagem. Do site da Rede Mulher, eu trouxe o texto de Vera Vieira sobre como a discriminação contra mulheres se arraigou na representações sociais imagéticas e linguísticas no país sobre o sexo feminino.

 

A discriminação à mulher está presa à tirania das palavras e imagens
por Vera Vieira (*)

Quando se diz "A salvação do planeta está nas mãos dos homens", ao invés de " A salvação do planeta está nas mãos da humanidade", reflete-se a posição que o homem vem ocupando na história, reforçando-se seu papel hierárquico e as relações de poder e dominação masculina na sociedade.

Ao longo dos tempos, tem ficado bastante evidenciado o papel da linguagem sexista no reforço dos estereótipos machistas que contribuem sobremaneira para o desequilíbrio das relações sociais entre homens e mulheres, caracterizadas pelo binômio dominação/subordinação. Ao nascermos, nosso sexo é definido pela natureza. Já o comportamento diferenciado tem a influência direta da formação e educação que recebemos no meio social, historicamente marcadas pela subordinação da mulher ao homem. Trata-se de um fenômeno cultural que se arrasta ao longo de milênios e que deve ser mudado.

As pessoas são educadas e formadas tanto pelas escolas, como pela família, Igreja, meios de comunicação de massa, leis do Estado, etc., que são responsáveis pela clara definição dos papéis desiguais da mulher e do homem, com conseqüências dramáticas na sociedade. Bastam somente alguns dados para essa comprovação: alto índice de violência doméstica sofrida pela mulher (com um número assustador de mortes), independente de raça, cor, etnia, classe social ou escolaridade; a média salarial baixa, mesmo com maior formação; pouca ocupação de cargos de liderança e número elevado de mulheres chefes de família, entre outros.

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Exemplos de androcentrismo na língua portuguesa

Postado em 30/06/2010 à/s 18:58

Hélio Consolaro, professor de português e dono do site Por Trás das Letras, mostra como a língua portuguesa tem muitos detalhes androcêntricos, que o fazem ser um idioma machista.

E algo que intrigou, tanto numa resposta de um professor ao artigo abaixo no site de Hélio como em outros textos na internet -- textos com argumentos muito fracos, por sinal --, é que há pessoas que negam que o português é uma língua androcêntrica. Essas pessoas, pelo que vi, acham natural e perfeitamente aceitável que o masculino tenha assumido o papel de gênero padrão ou "neutro" -- mas não explicam por que não foi o feminino a assumir tal papel -- e tentam justificar o viés machista do português com a existência de distorções de gênero existentes em outros idiomas. Me parece que há uma ideologia de "democracia de gênero" que, assim como a da "democracia racial", é uma falácia distante da verdade e fundada em muitas outras falácias.

Machismo na língua
por Hélio Consolaro, no site Por Trás das Letras

Adriano da Gama Kury em seu livro Para Falar e Escrever Melhor o Português dedicou no capítulo Na língua há também comandantes e comandadados algumas páginas ao assunto do machismo da língua na concordância nominal.

Aliás, ele recomenda a leitura do livro A Mulher na Língua do Povo, de Eliane Vasconcelos Leitão. Citaremos alguns exemplos:

1) Havendo substantivos dos dois gêneros (masculino/feminino), a norma gramatical diz que o adjetivo referente vai para o masculino plural: "Alunos e alunas aplicados", pode haver na classe um aluno e 39 alunas. É um caso de machismo evidente.

2) O mesmo acontece na designação de seres inanimados, que nem sexo possuem: "Havia papéis, gravuras, revistas e canetas espalhados..." (predominou o masculino papéis). Só em caso excepcional a concordância se dá com o substantivo mais próximo, no caso canetas.

3) Alguns pronomes de gênero neutro na sua forma, como alguém, ninguém e se. Na concordância, o adjetivo assume o gênero masculino. Exemplos:

a) "Ficava horas na janela a ver se alguém conhecido passava."

b) "Não havia ninguém famoso na reunião."

c) "Nunca se é suficientemente generoso."

4) Nos nomes que sintetizam substantivos de gênero diferentes. Exemplos:

a) "Tenho três filhos, duas moças e um rapaz."

b) "Na próxima semana haverá reunião de pais." (Incluem as mães.)

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Ótimo artigo sobre linguagem androcêntrica e desigualdades de gênero

Postado em 12/05/2010 à/s 21:31

Encontrei na internet esse ótimo ensaio, escrito por José Eustáquio Diniz Alves, que fala com riqueza de detalhes sobre a questão da linguagem androcêntrica e como ela reproduz e legitima as desigualdades de gênero existentes até hoje no Brasil.

Vale muito a pena ler. É muito bom também para professors colocarem para seus/suas aluns lerem e para discutirem em sala de aula -- como forma de nos aproximar de um zeitgeist moral limpo da desigualdade de tratamento entre os gêneros.

Só achei que algumas citações de ditos populares tiveram sua suposta conotação machista extrapolada, uma vez que não se explica como se chegou à conclusão de que aquelas frases foram realmente construídas com base androcêntrica.

Abaixo trago o link e o resumo do ensaio:

A linguagem e as representações da masculinidade
por José Eustáquio Diniz Alves

Este artigo tem por objetivo analisar como a linguagem corrente, os ditos populares e as piadas refletem e reforçam as representações assimétricas de gênero na sociedade. A linguagem e as representações da masculinidade e da feminilidade estão impregnadas de valores criados ao longo de séculos. O discurso masculino, construído no plano simbólico, busca tornar naturais as desigualdades sociais de gênero, legitimando as divisões sexual e social do trabalho, diferentes comportamentos sexuais e reprodutivos, bem como uma menor inserção social, cultural e política das mulheres na sociedade.

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Mais uma reflexão sobre sexismo linguístico: agora é a vez da palavra “mulher”

Postado em 12/05/2010 à/s 19:59

Hoje tive um insight parecido com o que tive em fevereiro ou março do ano passado: o uso da palavra "mulher" como sinônimo de "esposa" com alguma conotação não-intencional de "sob tutela do marido".

Enquanto se fala de "o homem" como sinônimo de "o ser humano", fala-se de "a mulher do..." como "a esposa". E curiosamente quase nunca falamos de "o homem da rainha Elizabeth II", "o homem de minha ex-namorada" -- mesmo que exista esse uso, segundo o dicionário Aurélio, eu pessoalmente nunca ouvi alguém falar isso.

Percebo nessa nova autorrevelação de consciência uma dualidade com a mesma tonalidade de vício de linguagem sexista. Segundo o vocabulário androcêntrico que temos...

Mulher: parceira/cônjuge de um homem/macho (ao correspondente masculino, usa-se marido)

Homem: ser humano

(Não reconheço ainda uma relação entre as definições acima, mas pode ser até que exista)

Ao meu ver -- ainda não falando sociologicamente -- falar "a mulher do padeiro", "a mulher do presidente" e raramente "o homem da secretária", "o homem da dona da confeitaria" já denota alguma desigualdade entre mulheres e homens.

E, novamente sem cientificidade, consigo encontrar semelhança entre "a mulher do meu vizinho" com, por exemplo, "o gato da minha tia" ou "o cachorrinho do meu amigo". Me parece que "a mulher do..." conota uma relação de tutela e submissão, da mesma forma que os animais domésticos têm sua vida submissa e dependente de seus/suas tutoræs -- uma relação de submissão* que não devemos confundir com uma relação de propriedade.

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Novo artigo sobre o uso da palavra “homem” na Wikipédia em português

Postado em 02/05/2010 à/s 14:26

Escrevi agora um artigo na Wikipédia em português sobre o uso da palavra homem, curto mas didático e conscientizador.

Leia: Uso da palavra homem

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Desafio às mulheres

Postado em 10/03/2010 à/s 19:04

Na chamada Semana da Mulher, lanço um desafio àquelas que ainda falam ou escrevem, com naturalidade e sem nenhum constrangimento, "o homem" como sinônimo de ser humano ou humanidade. Na verdade são dois:

1. Desafio-as a, num discurso, falar "Nós, os homens, ..." ou "Nós homens ..."

2. Desafio-as a falar ou escrever sem nenhum constrangimento: Eu sou um homem!

Para quem estranhar: ué, vocês não consideram a palavra "homem" sinônimo de "ser humano"?

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Sensacionalixo (Parte 2: o tsunami do JC)

Postado em 09/03/2010 à/s 12:34

Pela segunda semana seguida um jornalão pernambucano traz uma quase-barriga (barriga é uma notícia não confirmada ou simplesmente falsa) extremamente sensacionalista assustando as pessoas. Depois da Folha de Pernambuco e as "extraordinárias" alterações na duração dos dias e no eixo da Terra, agora é a vez do Jornal do Commercio mandar um bicho-papão sensacionalista.

Nordeste não está livre de tsunami (link apenas para assinantes do JC)

O ano começou marcado por catástrofes naturais nos quatro cantos do planeta. Agora, como se não bastasse, cientistas fazem prognóstico de ondas gigantes na costa do País.

Enchentes em Angra dos Reis, São Paulo e Ilha da Madeira, terremotos no Haiti, Taiwan e Chile. Não bastasse tanta calamidade no início de 2010, agora pesquisadores anunciam um tsunami no Oceano Atlântico. O alvo brasileiro: Fernando de Noronha e a costa do Nordeste acima da Paraíba.

A formação da onda gigante depende da erupção do Cumbre Vieja, prevista pelo cientista americano Steven Ward, da Universidade da Califórnia. O vulcão, localizado na Ilha La Palma, no arquipélago das Ilhas Canárias, perto da costa africana, entrou em atividade pela última vez em meados do século 18. “E seu ciclo é de 250 anos”, avisa o especialista em riscos geológicos da Universidade Federal da Paraíba Paulo Roberto de Oliveira Rosa. Ou seja, o gigante adormecido está perto de acordar de novo.

Não seria só a lava, mas também as paredes do vulcão, a causa do cataclismo. É que na última erupção cientistas registraram o aparecimento de uma grande fissura na parte oeste da cratera vulcânica, que fica posicionada virada para o Atlântico.

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Discutindo “o homem” no Dia Internacional da Mulher

Postado em 08/03/2010 à/s 20:02

Post comemorativo do Dia Internacional da Mulher de 2010. Postado originalmente às 7h

Neste dia que comemora a luta feminista, vale apontar algo que me deixa constrangido, embora eu seja um homem, nesse universo de desigualdades de gênero: a aceitação por parte de tantas pessoas, incluindo muitas mulheres(!), do milenar dogma de que o homem é o centro da humanidade, através do uso, sem questionamentos, da palavra “homem” como sinônimo de “ser humano”.

Afirmam que “homem”, embora defina seres humanos adultos do sexo masculino, tem originalmente o significado de “ser humano”, o qual perduraria até hoje. Não entendem, no entanto, que essa palavra, por ter sido masculinizada ao longo da história, tornou-se enviesada e ambígua demais, logo inadequada, para continuar representando uma entidade de gênero neutro (o ser humano genericamente falando).

É certo que as traduções que equivalem etimologicamente a “homem” originaram-se de fato significando “ser humano” (exemplos: “homo” no latim, “man” no inglês, “mann” no alemão), mas nem sempre significaram “humano adulto do sexo masculino”. Foi na Idade Média, consolidando um processo de centralização sociocultural da imagem da humanidade na figura masculina e consequente desuso dos termos que estritamente significavam “humano adulto do sexo masculino” (como “uir” no latim clássico e “wer” no inglês arcaico; essa palavra não existiu na língua portuguesa), provavelmente acelerado pelo cristianismo de raízes misóginas semitas e gregas, que “homem” passou a significar simultaneamente a humanidade e os seus machos, tornou-se uma palavra dúbia e excelentemente masculina.

A neutralidade original do “homem”, aliás, foi o manto que escondeu na Declaração de Independência dos Estados Unidos e na francesa Declaração Universal dos Direitos do Homem(sic) e do Cidadão que os direitos declarados só começariam a valer para os homens – as mulheres continuariam presas ao lar como servas domésticas, e privadas da maioria dos direitos humanos e políticos.

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Ataque à Turma da Mônica, o maior owned articulístico da internet brasileira?

Postado em 08/03/2010 à/s 20:01

Me chamou muito a atenção um fato de poucos dias atrás, que vem repercutindo até este momento. Dioclécio Luz, cuja profissão desconheço, escreveu um texto que consistiu num verdadeiro petardo contra os gibis da Turma da Mônica. Suas críticas se direcionavam à suposta falta de profundidade na personalidade das personagens dos quadrinhos -- incluindo as principais --, às características dos mesmos interpretáveis como uma apologia ao bullying, às características peculiares de cada personagem focadas em seus defeitos físicos ou comportamentais e à comparação dessas personalidades brasileiras com as personalidades muito profundas de heróis dos quadrinhos euamericanos.

Um trecho de seu artigo, que pode ser lido na íntegra aqui, diz:

O outro aspecto a se observar na Turma da Mônica é o abuso dos clichês. Pelo menos três personagens são clichês: Mônica, como se viu, a que resolve as coisas na porrada; Cascão, que odeia água; Magali, a comilona. Antes de tudo, note-se que são clichês negativos. Ninguém da turma é conhecido por ser inteligente, criativo, sensível, cuidadoso, gentil, amável, isto é, por qualidades humanas, por virtudes humanas. Na verdade, temos, mais uma vez, o incentivo ao bulling – esses três personagens trazem consigo motivos para discriminação e para serem agredidos pelos colegas.

O problema dos clichês nos personagens é que eles não existem fora disso. Cascão ou Magali (e a Mônica) não existem fora dessas suas "virtudes". As observações, as visões do mundo, as idéias, as sugestões, tudo isso que dá personalidade a um personagem, não existe na Turma da Mônica. A gente sabe que é Magali quando ela fala em comida; a gente sabe que é Cascão por seu ódio à água; a Mônica aparece quando é hora da porrada. Mas essas características de Cascão e Magali, como veremos mais adiante, não são exatamente traços de personalidade, e sim, desvios comportamentais. A violência da Mônica, sim, está mais próximo de um problema de personalidade.

Como se pode ver, praticamente uma versão brasileira do livro A sedução dos inocentes, que condenou os quadrinhos nos EUA na década de 50 e causou um bom dano na indústria dos gibis na época.

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A história não é só do homem

Postado em 26/02/2010 à/s 14:37

Mulheres que nos ensinaram que a história não é só "o homem". Em sentido horário: Margaret Mead, Teodora de Constantinopla, Rainha Nzinga de Ndongo e Matamba (conhecida como Ana de Sousa Nzinga) e Betty Williams.

Artigo escrito em março de 2009. Escrito em dedicação às mulheres, em especial à minha mãe e às Erickas, colegas da antiga turma de Gestão Ambiental.

Ouvimos e lemos muito sobre a formação do homem, a ação do homem, as mais variadas questões relativas ao homem. Cita-se muito “o homem” na literatura e nos discursos. Enquanto para a maioria das pessoas falar do homem é normal, algumas pessoas notam de forma evidente um viés machista nessas expressões. O homem, ser humano macho, é (im)posto como o Homo sapiens padrão e nossa sociedade acostumou-se em assim considerar.

Muito embora a mulher seja coautora da história humana ao lado do homem, e não apenas uma colaboradora coadjuvante, seu papel torna-se ou parece tornar-se inconscientemente minimizado quando se enfatiza a palavra “homem” nos livros e nas falas daqueles que nos ensinam, mesmo que não seja essa a intenção de quem escreve, discursa e ensina. É visível que essa assinalação de uma humanidade de essência masculina reflete o machismo das sociedades ocidentais, ou ao menos das lusófonas.

Muito embora as sociedades patriarcais tenham, ao longo dos milênios, inibido severamente a capacidade e potencial das mulheres de construir os valores e estruturas sociais de seus povos, preferindo um caminho de dominação machista, com normas e valores que as trata(va)m como pessoas inferiores, à alternativa da construção sociocultural igualitária, é mais misoginia do que uma reconstituição fiel da realidade histórica humana atribuir à mulher um papel menor, “fora do padrão”, na história do ser humano a ponto de apenas “o homem” merecer ser citado.

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