Arauto da Consciência

Não desista do Brasil

Postado em 11/07/2010 à/s 9:00

Esta mensagem é para você que, vendo tantos problemas sociais e políticos no Brasil e sem saber se há solução para eles, afirma que gostaria muito de ir embora e morar num país menos problemático. Para você que afirma algo como “O Brasil não tem mais jeito. Não dá para viver direito aqui. Quero fugir pra um outro país e viver mais dignamente.”

Diante de um cenário de violência em alta, distribuição indecente de renda, corrupção, promessas eleitorais descumpridas, ensino público caindo aos pedaços etc., realmente é sedutora a imagem de morar no Canadá, ou na Inglaterra, ou na Austrália, ou na Alemanha... longe do caos sociopolítico que nos tem como cativos. Mas pergunto: será que isso realmente é o melhor a se fazer?

Penso que o que faria uma pessoa voltar atrás de sua vontade emigratória seria que o Brasil se tornasse uma nação livre de tantos problemas, ou pelo menos com esses defeitos em um grau muito menor. Creio que você esteja concordando comigo. Mas como você espera que isso aconteça, se um número insuficiente de pessoas se engaja em tentar consertar nosso país?

De fato vemos, de um lado, governos que não cumprem o papel de trabalhar pelo povo, de assegurar o cumprimento e respeito dos direitos sociais que temos. Governos ocupados por pessoas que buscam interesses próprios, não o bem comum, e para isso promovem atos de negligência social, corrupção e atendimento de lobbies escusos.

Do outro, há um povo dormindo em berço esplêndido, esquecendo o que nossa Constituição diz sobre a cidadania ser fundamento da República brasileira e todo o poder emanar do povo. Uma população que não tem como costume exigir justiça social dos governantes, ou protestar contra quem lhe faz mal, preferindo aceitar o estado de coisas enquanto ele não se torna absolutamente insuportável. Há exceções, gente que faz valer seu atributo de cidadãos, mas ainda assim é muito pouca para melhorar substancialmente o Brasil.

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Veganos, esses chatos…

Postado em 30/06/2010 à/s 20:47

Muitas pessoas que não simpatizam com o veganismo e o acham uma “afronta à natureza” dizem que nós veganos somos chatos e pentelhos. Segundo elas, protestar contra a exploração animal é uma chatice comparável a uma onda de spam.

Não é necessário pregar o veg(etari)anismo como um religioso fundamentalista prega suas crenças como verdades absolutas – atitude que é injustamente generalizada pelo senso comum de muitos onívoros e enfaticamente condenada pelos veganos mais sensatos. Basta apenas que defendamos os animais, condenando em público as crueldades de quem, por exemplo, tortura e mata animais para comê-los. Só por isso somos chatos de galocha.

Em um vídeo brasileiro em que uma atriz, com uma naturalidade sádica, contava como torturou animais até a morte para comê-los em sua experiência como escoteira, um onívoro, diante de dezenas de protestos e repúdios contra a atitude da atriz, do entrevistador e do público que, de forma também sádica, gargalhava e aplaudia o depoimento, comentou: “hahahhaha esses vegans? são tão ou mais chatos que os crentes!”

A esse comentário, eu faço questão de responder: sim, somos chatos.

Somos tão chatos quanto os militantes negros antirracismo dos Estados Unidos das décadas de 1950 e 60. Aqueles indivíduos eram tão chatos que não deixavam os brancos de sua época humilharem os compatriotas afrodescendentes em paz! Que coisa insuportável deve ser uma pessoa ter questionado seu direito de agredir e segregar o próximo, não poder esculachar um indivíduo na rua por ser de cor diferente sem que venham sujeitos indignados lhe cobrando ética, respeito e vergonha na cara. Que chatos!

Somos tão chatos quanto Mahatma Gandhi e seus seguidores. Os ingleses não podiam mais impor sua dominação na Índia, arrogar soberania sobre um mosaico cultural milenar, torturar e matar nativos insubordinados, com sossego. Devia ser muita chatice os militares britânicos serem impedidos de continuar mantendo seu monopólio econômico, seu domínio firmado na base da violência neocolonialista, por causa daqueles pacifistas tolos que não tinham o que fazer e ficavam com suas pregações inúteis de resistência pacífica e desobediência civil. Não-violência? Pacifismo? Independência? Soberania? Que bando de insuportáveis! Pareciam os crentes pregadores de hoje de tão inconvenientes!

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Pela valorização do patriotismo crítico no Brasil

Postado em 31/05/2010 à/s 20:04

O texto abaixo, de Rafael Martins, publicado por Jefferson Xavier no Vooz, mostra como eu penso. Confundido com o nacionalismo fajuto, ufânico e meramente simbólico mas não sendo a mesma coisa, o patriotismo de querer um país melhor está em escassez no Brasil. O texto é do ano passado mas continua atual -- e provavelmente assim continuará por décadas.

Deixo claro que a opinião tanto minha quanto a de Rafael sobre a palavra patriotismo usada aqui não é o citado nacionalismo simbolista e fajuto, mas sim um civismo crítico que consiste em lutar como cidadã/o pela prevalência da justiça, seja jurídica, seja social, no Brasil.

Brasileiro acha que ser patriota é torcer pela seleção
Por Rafael Martins, escrito em 2009

Ano que vem tem copa do mundo e veremos mais uma vez aquelas manifestações de norte a sul do Brasil, ruas pintadas de verde – amarelo, bandeiras do Brasil penduradas nos carros, camisas com a bandeira do Brasil, rostos pintados com as cores da bandeira, gente chorando de alegria e chorando de tristeza.. Algum vizinho vai bater na sua porta e perguntar se você vai participar da “vaquinha” para pintar a rua. Vai ter rosto de Ronaldinho Gaúcho pintado pra cá, rosto de Kaká pintado pra lá. Vai ser aquela mobilização nacional pelos nossos “heróis”, a nossa seleção brasileira de futebol.

Torcer pela seleção brasileira não tem nada de mal, o problema é que aqui no Brasil a maioria das pessoas acha que ser patriota é torcer pelo Brasil na copa do mundo. E isso é alimentado com fervor pelas redes de televisão, pelas propagandas de cerveja, pelas propagandas de chinelos, pelos rádios etc..etc..etc..

Eu não tenho a menor dúvida em dizer que isso é lamentável! Acho que já está mais do que na hora do Brasil levar um “TAPA NA CARA” e cair na real.

A raiz de muitos problemas do nosso Brasil está ai, quer ver?

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Precisamos de carne e leite para nossos esforços físicos… NOT!

Postado em 17/05/2010 à/s 22:32

O site Vida Vegetariana dá mais uma amostra de que o vegetarianismo completo (erroneamente confundido com o veganismo, que abrange todas as categorias de consumo) é mais que suficiente para nossas necessidades, mesmo quando somos ultramaratonistas.

Vegano quebra recorde americano* de quilometragem em corrida de 24 horas

O atleta vegano Scott Jurek quebrou o recorde americano na "Maratona Internacional de 24 Horas", que aconteceu em Brive, na França, ao correr 266 km durante um dia inteiro.

Mark Godale, que até então era o recordista na maratona, enviou um e-mail público a um jornal de Seattle, cidade-natal de Jurek, elogiando o novo recordista. "Marcar um novo recorde americano de 24 horas é uma grande conquista", disse Godale. "Jurek tem um grande coração e muita coragem. Parabéns a ele e a toda a equipe para seu grande sucesso em Brive".

E com certeza o novo recordista não deixou somente Godale ou os americanos felizes. Todos nós vegetarianos estamos muito orgulhosos!

Jurek sempre se alimentou de carne e batatas, mas pouco antes de ingressar na faculdade descobriu a dieta vegana e conseguiu, com sucesso, abandonar todas as carnes e derivados de animais.

O colunista do jornal The New York Times, Mark Bittman, decidiu fazer uma corrida curta com Jurek para ver qual é a preparação dele. Antes do exercício, os dois comeram uma salada grega com tomate, pepino, azeitona; um prato com tofu, vegetais e missô; e quinua com molho de caju.

O maratonista também declarou ao jornal que consome vitaminas de castanhas e frutas, que possuem em média mil calorias. Come bastante batata doce, tofu e tempeh, combinados com feijão.

"Nada disso é estranho", disse Jurek. "Se você voltar a 300 ou 400 anos, verá que carne era reservada para ocasiões especiais ou para aquelas pessoas que trabalhavam duro. Lembre-se: todo corredor de longa-distância precisa se tornar vegano, ao menos durante o período de competição. Seu corpo não consegue digerir muito bem gordura ou proteína", finaliza na entrevista.

Mais uma evidência de que o vegetarianismo completo é mais que suficiente, sustentável e saudável para as necessidades do corpo, mesmo quando nos empenhamos em esforços gigantescos como correr 24 horas seguidas.

Vemos que o que separa o vegetarianismo de uma larga respeitabilidade científica é o interesse d@s cientistas de pesquisar a suficiência da alimentação ética. Mas, segundo Eric Slywitch e George Guimarães (neste texto e neste texto), esse problema já está em declínio e hoje a questão já é mais de desinformação do que propriamente de carência de estudos.

*A palavra americano está em cinza claro porque, como já falei disso antes, seu uso como gentílico dos Estados Unidos é controverso por denotar a centralização de uma atribuição válida para todo o continente América para um único país que tenta ser o tal, num centrismo  injusto parecido com o da palavra homem. Mais informações leia na Wikipedia em inglês.

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Relembrando um feliz momento de justiça pelos animais

Postado em 03/05/2010 à/s 21:00

A notícia abaixo é de agosto do ano passado, mas dá regozijo relê-la:

Sentença judicial proíbe a realização de vaquejadas em Xerém, RJ

O Ministério Público Federal, por meio de uma ação civil pública, determinou  a proibição das vaquejadas em Xerém, distrito de Duque de Caxias (RJ). O juiz Vladimir Santos Vitovsky, titular da 5ª Vara Federal de São João de Meriti, condenou os réus Parque Ana Dantas Promoções e Eventos Ldta e Jonatas de Oliveira Dantas Filho a não mais realizar vaquejadas ou eventos similares com o uso de animais, sob pena de multa de R$ 100 mil por dia de descumprimento.

A sentença solicita a fiscalização das atividades do Parque Ana Dantas, por parte da FEEMA (Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente) e do IBAMA (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), exigindo a tomada de providências cabíveis para a proteção da Reserva Biológica do Tinguá e não autorizando a realização de nenhuma atividade que implique submissão de animais à crueldade.


Os motivos

O juiz condena os réus ao pagamento de indenização no valor de 1 milhão de reais por danos morais coletivos.  Vistovsky alega que a infra-estrutura do parque está localizada apenas a 600 metros da Reserva Biológica do Tinguá, unidade de conservação federal, criada pelo Decreto 97.780/89.

De acordo com a Resolução Conama 13 de 1990, “nas áreas circundantes das Unidades de Conservação, num raio de dez quilômetros, qualquer atividade que possa afetar a biota [seres vivos, fauna e flora], deverá ser obrigatoriamente licenciada pelo órgão ambiental competente.”

Os argumentos apresentados por Vitovsky ainda reconhecem a importância de se preservar o bem-estar animal. Ao justificar as penas que serão cumpridas pelos réus, o juiz considera que o evento envolve brutalidade, maltrata e expõe à crueldade os animais.

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Educação e construção pessoal, por José Manuel Moran

Postado em 09/04/2010 à/s 7:00

Um texto ótimo de José Manuel Moran, do seu livro A educação que desejamos: novos desafios e como chegar lá. Bastante motivador, retrata como a educação para toda a vida (dentro e fora da escola) pode ajudar a construir nossa pessoa.

Educação e construção pessoal
por José Manuel Moran, texto extraído do site Noticiário Net

Podemos transformar a nossa vida em permanente, paciente, afetuoso e emocionante processo de aprendizagem. Em todos os momentos, em todos os espaços, em todos os nossos tempos, em todas as situações podemos aprender muito ou pouco, dependendo da atitude profunda em relação à nossa motivação.

Quanto mais avançamos em idade, mais claramente mostramos o que aprendemos, o que somos, em que nos transformamos, o que é autêntico e o que não é. Cada um de nós, com o passar dos anos, vai revelando, por sua atuação e palavras, o que aprendeu realmente, até onde evoluiu.

A infância e a juventude são fases de descobertas, de busca de identidade, de inserção nos diversos espaços pessoais. É difícil avaliar ainda o que é autêntico, o que permanecerá como eixo fundamental em cada pessoa e o que é “fabricado”, “postiço” ou moda, que se modificará significativamente com o tempo.

No começo da idade adulta nós vamos nos definindo em todos os campos – o intelectual, o emocional, o profissional. Já mostramos mais claramente o que aprendemos e o que não aprendemos, o que é verdadeiro e o que é fantasia. A nossa personalidade e a maneira de nos adaptarmos socialmente ficaram mais perceptíveis, mais ainda podemos nos iludir, perder a nós mesmos, adiar decisões. Muitas decisões podem ser justificadas com motivos como “sustentar uma família”, “não perder um emprego”, “tentar levar adiante uma relação afetiva”.

Ao chegar na maturidade, então, mostramos realmente o que somos, o que aprendemos, o que nos complica e o que nos realiza; nossos pontos fortes e fracos; o que conseguimos e o que deixamos de lado. Pode ser uma etapa muito rica – com os compromissos sociais, profissionais e familiares mais consolidados - se enfrentamos nosso eu mais profundo, repensamos algumas decisões, buscamos novos desafios, sermos pessoas mais livres e realizadas, mesmo num contexto de um progressivo declínio físico.

Enquanto alguns avançam na aprendizagem, muitos desistem. Como não conseguiram realizar alguns dos grandes sonhos – que nem sempre eram deles, mas plantados por terceiros – acreditam que não vale a pena ir além. Procuram fora de si motivos para continuar vivendo: em momentos de entretenimento, de ocupação, de sobrevida. Aprendem pouco com o cotidiano: são como náufragos, a deriva, que só pensam em continuar vivos. “Vão vivendo”, contentando-se com suas expectativas mínimas, com suas receitas repetidas, com o arroz e feijão básicos, sem degustar tantos outros manjares possíveis.

Cada etapa da vida tem seu fascínio, seus motivos para gostar de aprender mais. Esse é um dos encantamentos da vida: poder evoluir, crescer, ser pessoas mais plenas, mesmo com muitas contradições, dificuldades e perplexidades. Vale a pena sempre manter a atitude positiva, ativa, curiosa, atenta de querer aprender sempre mais, de fazer a ponte entre o exterior e o interior, entre o social e o pessoal, entre o intelectual, o emocional e o comportamental.

O desafio mais interessante da nossa vida é transformá-la em um processo contínuo de aprendizagem, de evolução e de realização – no meio de contradições; um processo cada vez mais pleno, autêntico, rico e profundo.

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Notícias pessoais que preciso contar

Postado em 01/04/2010 à/s 13:32

Sei que o Arauto da Consciência não é um blog sobre vida pessoal, mas estas notícias se referem aos diversos temas e subtemas do blog.

Hoje o dia foi revolucionário para mim. Em menos de 12 horas, muita coisa aconteceu:

- Aceitei Jesus como meu Senhor e Salvador e percebi o erro infeliz de ter sido ateu por cinco anos. A culpa foi enorme e tive que me penitenciar perante Deus para me expiar da minha antiga antifé. Também aprendi que devo acreditar mais no que as pessoas dizem, sobre os espíritos, os milagres, a Criação do mundo e outras coisas que a ciência nunca vai conseguir explicar;

- Aprendi com um amigo do interior que vaquejadas não maltratam os animais. Isso nada mais é que papo de neohippie que quer aparecer. Aprendi que vaquejada é um esporte inseparável da cultura nordestina. Se acabassem com a vaquejada, o que seria do Nordeste?

- Desisti do veganismo. Aprendi que sou apenas uma unidade, uma gota d'água no oceano, e sozinho não tenho poder para nada. Sou pequeno demais para mudar alguma coisa na visão de ética dos brasileiros. Sendo assim, voltei a comer carne e meu almoço de hoje vai ser numa churrascaria. Mal posso esperar voltar a saborear aquela maminha que eu não como há quase três anos, além daquele pudim de leite amarelinho;

- Aprendi também que defensores animais e vegans em geral são um bando de bitolados que não têm o que fazer, são uns chatos que fazem a inutilidade de defender animais enquanto tem tantas crianças por aí passando fome;

- Percebi que estava perdendo muito tempo em defender causas impossíveis, como parar o desmatamento de Suape, tornar a classe política brasileira honesta, expulsar a bancada ruralista do poder, fazer as passagens de ônibus pararem de aumentar e começarem a cair, lutar por um sistema econômico verde e diferente dos que conhecemos etc. Para que defender isso tudo, se eu sou só uma gota d'água no oceano, o capitalismo venceu e quem manda de verdade é a lei do mais forte? Por que questionar isso tudo se não vai adiantar nada? Aceitei os conselhos de um parente meu e decidi enfim desistir dessa minha luta paranoica que no final não levaria a nada;

- Eu pensei direitinho: o meio ambiente está perdido mesmo. O negócio é desfrutar da vidinha boa logo antes que tudo acabe, e apoiar incondicionalmente tudo o que fizerem em prol do progresso de Pernambuco e do Brasil. Sei agora que ambientalistas são uns iludidos, uns politicamente corretos escrotos, e sua gritaria não vai dar em nada;

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Frase da semana (28/03-03/04)

Postado em 01/04/2010 à/s 2:55

"Publicar gente que prega veganismo, vegetarianismo, abduções socio-econômicas e outros que tais? Tenha santa paciência…" Comentário (cuj@ don@ não vou identificar) encontrado em um blog multitemático (que, por motivo de bom senso, também não vou dizer qual foi, mas digo que não foi aqui)

Não vou criticar quem escreveu isso, até porque não é minha política criticar as pessoas. Mas sim faço uma reflexão sobre o pensamento que vigora em grande parte da população, a ridicularização da nova consciência.

Schopenhauer já dizia no século 19: "A verdade passa por três estágios: primeiro, é ridicularizada; segundo, sofre oposição violenta; terceiro, é aceita como autoevidente." E de fato ele estava certo. O veg(etari)anismo, os direitos animais, a utopia do terceiro sistema econômico, o não-teísmo (ateísmo e agnosticismo) cético, entre tantos outros valores e ideologias que são ainda novidades "esquisitas" para a população, vêm sendo tratadas com desdém por muita gente, seja na fase da ridicularização (direitos animais, veg[etari]anismo e outros), seja na da oposição violenta (ateísmo, alvo da intolerância de gente que não admite que existam pessoas que não compartilham de sua fé).

Não culpo as pessoas por isso. Elas são levadas a atos absurdos de reprovação de valores e ideias que destoem dos paradigmas vividos como padrão pela sociedade pela força do que Durkheim chama de fatos sociais. O onivorismo, a exploração animal, a religião não lúcida, o materialismo* capitalista, o padrão de comportamento masculino "se você não gosta de catar mulé uma atrás da outra, você é um pateta", todos esses fenômenos têm um poder de coerção tal que as pessoas se mobilizam para reprovar e reprimir quem pensa e age diferente.

Não digo que eu mesmo poderia ridicularizar o vegetarianismo em outras épocas porque sempre tive, desde criança, uma suscetibilidade a ser mexido por ideias "forasteiras" plausíveis. Mas, digamos, fui cristão até a adolescência, e eu poderia muito bem criticar algum/a colega ateu/ateia, convidando-@ a "aceitar Jesus" ou tentando convencê-l@ de que o ateísmo seria perigoso (pela lógica da Aposta de Pascal). Enfim, eu cristão e as pessoas que seguem os comportamentos e valores nocivos esta(áva)mos pres@s na Caverna de Platão, atad@s a crenças e valores nada saudáveis e resistentes a ver a luz do mundo real. Não posso culpar @s pres@s por seu encarceramento numa caverna que só lhes mostra ilusões e preconceitos sobre o que é bom e ruim para o mundo, a natureza e os seres sencientes.

Saber como tirar essas pessoas dessa caverna das ilusões, fazê-las começar a pensar racionalmente em seus comportamentos, é um desafio que anima @s sociólog@s, e essa é uma das maiores motivações para eu estar no curso de Ciências Sociais.

A saber, sempre que enfatizam que eu e o Arauto defendemos o veg(etari)anismo, somos verdes e descrentes, defendemos ideias muito diferentes do que a sociedade hoje "pensa", tais colocações me caem como um elogio.

*O materialismo a que me refiro é o comportamento capitalista de apego máximo a bens materiais cuja obtenção e posse se tornam objetivos de vida.

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Bancada ruralista maior e mais poderosa? Diga NÃO!

Postado em 22/03/2010 à/s 12:46

Bancada ruralista pretende dobrar de tamanho com doações de cooperativas

por Mauro Zanatta
do Valor Econômico

Um exército de 2 milhões de produtores ligados a sindicatos rurais, federações de agricultura e cooperativas iniciou um amplo movimento político de mobilização para dobrar o tamanho da influente bancada ruralista no Congresso Nacional.

Autorizadas pela nova lei eleitoral a doar recursos para campanhas, as cooperativas já preparam listas de candidatos que devem ser eleitos em outubro. “Vamos apoiar gente de todos os partidos. Não interessa a cor, mas o credo na doutrina cooperativista”, resume o presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Márcio Lopes de Freitas. Aprovada em setembro de 2009, a Lei nº 12.034 permitiu a doação de até 2% do faturamento bruto desse grupos a campanhas eleitorais. “Porque uma empresa podia e uma cooperativa não?”, questiona Freitas.

Em São Paulo, as cooperativas farão, nesta semana, três seminários estaduais para pregar o voto em candidatos do segmento. “Mais do que doação financeira, nossa força estará nos votos”, diz o presidente da Ocesp, Edivaldo Del Grande. “Temos que fazer o lobby saudável e eleger uma bancada com os nove milhões de votos potenciais de que dispomos”. Na Assembleia Legislativa, 14 dos 94 deputados fazem parte da bancada cooperativista. No Congresso, 26 dos 70 deputados federais são ligados ao setor.

Dona de uma base composta por mais de um milhão de produtores, a Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA) incorporou a meta de apoiar e buscar doações a campanhas de parlamentares ligados ao setor. “É lobby, sim. Mas é lobby positivo. Vamos nos organizar financeiramente para que nossos candidatos sejam apoiados”, diz a presidente da CNA, senadora Kátia Abreu (DEM-TO), pré-candidata ao governo estadual [Se a Sarah Palin Brasileira for eleita lá, os ecossistemas de Tocantins estarão sob situação tão desesperadora quanto os de Mato Grosso sob Blairo Maggi, o Máquina de Free Willy Brasileiro]. “Como não podemos doar, as empresas do agronegócio serão procuradas para contribuir com os candidatos do setor”.

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17 ideias para você salvar o mundo

Postado em 19/03/2010 à/s 21:48

Retirei essa do Ambiente Brasil -- que cita a fonte original como Super Especial - Como Salvar a Terra/junho 2001.

17 Idéias para você Salvar o Mundo
Do Ambiente Brasil

Nunca na história tivemos acesso a tanta informação - e também a tantas opiniões diferentes. Faça a coisa certa.

1. Informe-se

Acompanhe as notícias sobre o meio ambiente, atualize-se, estude a fundo os aspectos que mais lhe interessam

2. Aja localmente

Pense a respeito de como colaborar na família, na vizinhança, na escola dos filhos e na comunidade. Participe mais de tudo e difunda suas idéias sobre um mundo melhor.

3. Pense localmente

Estabeleça vínculo entre temas locais e globais. Apesar de magnitudes diferentes, os dois universos se correlacionam.

4. Some

Antes de pensar em formar uma organização não-governamental, procure ema parecida na qual você possa se engajar.

5. Otimismo é fundamental

Envolva-se de maneira criativa e divertida. Se quer atrair outras pessoas, pense em discursos e eventos positivos.

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Os encantos da livraria

Postado em 06/03/2010 à/s 15:30

Livros são "frutas" muito deliciosas. Mais ainda quando são aqueles dos estilos que você mais gosta.

Artigo escrito em fevereiro de 2009

1º de fevereiro de 2009 foi a primeira vez que eu entrei numa livraria para obter nomes de livros interessantes. Eu acreditava que seria apenas uma pesquisa comum, mas o que vivi foi um agrado comparável a um passeio numa linda floresta. Foi o prazer de estar num templo do conhecimento e da consciência, que só não foi total porque eu não tinha dinheiro para comprar livros naquele momento.

Caminhar pela seção de ciências humanas e verificar cada livro que prometia deliciar meu gosto de ler foi como se eu estivesse colhendo deliciosas e suculentas frutas de uma árvore. As duas estantes com livros de Ciências Sociais e História pareciam mais piscinas naturais de água mineral cristalina e quentinha. Senti um encanto que talvez nunca tenha sentido na infância. Era como se eu fosse um menino em pleno “nirvana da fantasia” passeando num mundo de brinquedos ou num parque de diversões de última geração.

Para quem gosta de ler, é um prazer ilimitado estar perto do que você mais gosta de ler. No meu caso, história antiga, história indígena, sociologia, antropologia, política, literatura pré-cristã, filosofia são os meus “sabores” preferidos.

Naquele momento de deleite, lembrei de três anos e meio antes, quando fui com uma colega para a mesminha livraria. Não conseguia encontrar atração na leitura. Preferia perder tempo em conversas fúteis na internet. Que tremendo contraste com hoje! É verdade que aquele não-gosto pela leitura era questão de gosto, por aí mesmo eu vejo como foi uma revolução pessoal a aquisição do gosto por ler, acontecida no final de 2007.

Só não foi melhor o passeio pela floresta mágica dos livros porque eu não tinha dinheiro para comprar nada ali. Mas valeu o prazer porque pude escrever num papel quais “frutas” daquele pomar eu vou “colher” depois. Nem que seja num sebo, onde os preços são a metade ou ainda menos. No mais breve possível, esses livros, tão deliciosos quanto água mineral geladinha ou frutos suculentos, serão colhidos.

Quem adotou a leitura como um dos seus hobbies pode sentir a sublimidade que é passear numa livraria. Desejo o mesmíssimo prazer a todo aquele que procura a edificação intelectual e espiritual – esta última podendo ou não ser a elevação da religiosidade – com o conhecimento dos livros, elementos sagrados para o intelecto humano.

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Conformado com a mira

Postado em 26/02/2010 à/s 21:38

Artigo escrito em setembro de 2008, depois do sequestro e assassinato de Eloá Pimentel

O Brasil praticamente parou por causa da tragédia do seqüestro em Santo André, do mesmo jeito que no caso do ônibus 174 oito anos atrás. Mas infelizmente sei que mais uma vez a comoção generalizada novamente vai se reduzir à resignação e ao conformismo, como sempre. É um comportamento indesejavelmente freqüente no país esse ato de sentir pena e indignação temporárias e depois esquecer tudo como se nada tivesse acontecido.

É algo que, pode ter toda a certeza, nos põe como inferiores à população de diversos outros países nos quesitos cidadania, preocupação social e também respeito ao próximo e além do mais é uma das grandes causas de a criminalidade ter se consolidado tão solidamente por aqui.

Não gostaria de fazer comparação entre nações, mas me vejo obrigado a fazê-lo, e digo que é de causar vergonha do povo a que pertenço quando vejo na internet protestos no Canadá, na Argentina, na Finlândia e em outros cantos do mundo eclodindo quando mesmo casos isolados de atentado à vida e à segurança dos cidadãos acontecem.

Nesses países, basta que um episódio de violência (como a última chacina em escola na Finlândia) estampe os jornais ou as estatísticas de segurança pública apenas ameacem crescer (como em Buenos Aires em 2002) que o povo vai às ruas assegurar que a polícia não perca seu poder coercivo e o governo não amoleça nas políticas de bem-estar social. Ao seu modo, ora com cartazes e gritos ora com panelaços, o povo mostra que não se conforma quando sua liberdade e bem-estar são ameaçados e faz valer seu poder como senhor supremo de seu país.

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A história não é só do homem

Postado em 26/02/2010 à/s 14:37

Mulheres que nos ensinaram que a história não é só "o homem". Em sentido horário: Margaret Mead, Teodora de Constantinopla, Rainha Nzinga de Ndongo e Matamba (conhecida como Ana de Sousa Nzinga) e Betty Williams.

Artigo escrito em março de 2009. Escrito em dedicação às mulheres, em especial à minha mãe e às Erickas, colegas da antiga turma de Gestão Ambiental.

Ouvimos e lemos muito sobre a formação do homem, a ação do homem, as mais variadas questões relativas ao homem. Cita-se muito “o homem” na literatura e nos discursos. Enquanto para a maioria das pessoas falar do homem é normal, algumas pessoas notam de forma evidente um viés machista nessas expressões. O homem, ser humano macho, é (im)posto como o Homo sapiens padrão e nossa sociedade acostumou-se em assim considerar.

Muito embora a mulher seja coautora da história humana ao lado do homem, e não apenas uma colaboradora coadjuvante, seu papel torna-se ou parece tornar-se inconscientemente minimizado quando se enfatiza a palavra “homem” nos livros e nas falas daqueles que nos ensinam, mesmo que não seja essa a intenção de quem escreve, discursa e ensina. É visível que essa assinalação de uma humanidade de essência masculina reflete o machismo das sociedades ocidentais, ou ao menos das lusófonas.

Muito embora as sociedades patriarcais tenham, ao longo dos milênios, inibido severamente a capacidade e potencial das mulheres de construir os valores e estruturas sociais de seus povos, preferindo um caminho de dominação machista, com normas e valores que as trata(va)m como pessoas inferiores, à alternativa da construção sociocultural igualitária, é mais misoginia do que uma reconstituição fiel da realidade histórica humana atribuir à mulher um papel menor, “fora do padrão”, na história do ser humano a ponto de apenas “o homem” merecer ser citado.

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Carta para quem está desistindo do Brasil e querendo ir embora

Postado em 24/02/2010 à/s 20:00

Artigo escrito em julho de 2009

Esta mensagem é para você que, algum dia num passado recente ou mais distante, já falou que queria se mudar “porque o Brasil não tem mais jeito” ou algo muito parecido. É para você que, ou cotidianamente ou numa hora de desespero, tem ou teve esse desejo sedutor de encontrar paz e justiça social em uma nação do chamado Primeiro Mundo por ter se cansado de viver num país que não lhe oferece condições de viver tranquilamente.

É para todos(as) que, por verem tanta insegurança, corrupção, caos urbano, miséria, educação pública ruim e tantos outros problemas nunca resolvidos, expressam verbalmente que não aguentam mais morar no Brasil e desejariam muito ir para um país melhor que os(as) acolhesse dignamente.

Você que diz desejar sumir deste país precário e desesperançoso tem razões para pensar assim que podem ser compreendidas. Mas tem certeza de que é o melhor a se fazer? A quem você estaria ajudando se algum dia realmente emigrasse de vez por esse motivo?

Pergunto também: o que deveria acontecer para você voltar atrás da “decisão” de se mudar? Ok, a resposta mais provável é “que o Brasil se tornasse um país minimamente decente em termos de lugar para se viver e justiça social”. Mas como você espera que isso aconteça, se as duas entidades que deveriam se encarregar de torná-lo melhor não trabalham como deveriam?

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Um lado da educação em que a maioria dos candidatos políticos não pensa: o humano

Postado em 16/02/2010 à/s 14:39

Artigo escrito em junho de 2008

Campo de promessas mais freqüente em propagandas eleitorais ao lado da saúde, a educação tem sua importância quase que unanimemente reconhecida entre candidatos a vereador, deputado, prefeito, governador, senador e presidente. Todos que expõem promessas (ou, se preferir, “propostas”) no horário eleitoral, com exceções vacilantes, prometem adotar como um dos direcionamentos principais do seu mandato a resolução dos problemas da educação do Brasil, do estado ou da cidade.

É “investir em saúde e educação” para cá, “vou construir mais escolas” para lá, “vamos contratar mais professores” aqui, “meu objetivo é, até o fim do mandato, pôr todas as crianças na escola” lá, “toda escola tem que ter biblioteca e laboratório de informática” acolá... Ainda tem alguns que de vez em quando tocam no lado humano da coisa, ainda que superficialmente, quando falam em dar salários dignos aos professores e chamá-los a uma reciclagem pedagógica – que nem chega a ser descrita ou explicada na imensa maioria desses poucos candidatos que têm essa promessa. Entremos num YouTube® da vida ou esperemos a próxima época de propagandas eleitorais, aí relembraremos que essas promessas são de praxe.

Assistindo ou lembrando de uma amostra qualquer de propagandas eleitorais, vemos que muitos (aparentemente) se preocupam com a educação. Se tivéssemos todas essas promessas cumpridas de fato, veríamos, deixe-me ver... Muitas escolas, todas elas informatizadas e dotadas de biblioteca e com infra-estrutura impecável; bibliotecas faustosas e laboratórios de informática com computadores bem modernos; as escolas existentes todas limpinhas e com ar-condicionado nas salas; professores com bons salários; crianças e adolescentes lotando as salas, com evasão zero; universidades com boa qualidade e munidas de tudo aquilo que as faça serem boas, incluindo laboratórios de experimentação animal(!!!), contra os quais nenhuma boa alma candidata se posiciona contra; professores dando aulas de qualidade e recebendo reciclagens pedagógicas freqüentes – sendo a consistência destas últimas para o povo uma incógnita que só algum santo católico ou o Deus seu chefe saberá dizer em que consiste, já que quase nenhum candidato diz como acontecem. Tudo bonitinho, mas está faltando algo sério no sistema. É algo que seria talvez o mais importante de todos os aspectos acima.

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