Nacionalixo
No Consciência Efervescente eu falei uma vez sobre o nacionalixo, isto é, nacionalismo que desperta os mais absurdos sentimentos e valores em pessoas que passam a ser comportar como fanátic@s religios@s da pior categoria por causa da suposta superioridade internacional de seu país -- ele ter um valor que nenhum outro país no mundo teria -- ou por um orgulho patriótico que passa dos limites do bom senso.
Hoje o nacionalixo da vez atua contra os animais não-humanos: para @s nacionalistas mais irracionais, o Japão é "O Pais", e por isso tem todo o direito de assassinar baleias pelo mundo, violando as convenções internacionais por uma tradição de opressão e matança.
Japão protesta contra documentário sobre matança de golfinhos
Protestos de nacionalistas japoneses marcaram a estreia, neste sábado, do documentário “The Cove” (“A Cova”), sobre a matança de golfinhos nos cinemas do Japão. O filme foi premiado com o Oscar de melhor documentário de longa metragem em 2010 e mostra como um grupo de cineastas usou câmeras ocultas para documentar a matança de golfinhos pelos pescadores da aldeia japonesa de Taiji.
“The Cove” tem como apresentador o ambientalista Rick O’Barry, que foi treinador dos golfinhos que apareciam na série de televisão norte-americana “Flipper”.
O documentário estreou em apenas seis cinemas em todo o Japão; alguns deles estavam vazios no primeiro dia. Outros 18 cinemas planejam exibir o filme no futuro. No cinema de arte Image Forum, em Tóquio, cerca de 30 manifestantes nacionalistas gritaram slogans contra o filme e agitaram bandeiras imperiais japonesas do tempo da II Guerra Mundial. A polícia teve de intervir para separá-los de um grupo de ambientalistas e evitar brigas.
Digressão sobre o mal chamado nacionalismo
No texto Veganismo na província, de Bruno Müller, publicado na ANDA, a parte inicial fala de forma brilhante sobre a perversão sociocultural que é o nacionalismo.
Com poucas edições para tornar o trecho sobre nacionalismo um texto standalone, eis a mais inteligente e incisiva digressão sobre o nacionalixo que li até hoje.
Breves notas sobre o nacionalismo
Por Bruno Müller, no artigo Veganismo na província
O nacionalismo é uma das ideologias mais absurdas, ridículas, irracionais, perigosas e desprezíveis do mundo. Não estou sozinho nessa opinião*. Atribui-se a Albert Einstein a seguinte frase: “o nacionalismo é uma doença infantil; é o sarampo da humanidade”. Como se vê, não é só a física quântica que define os gênios.
O tema do nacionalismo me fascina desde a adolescência. Deve ser pelo fato de ser tão difundido entre os brasileiros. Do nacional-desenvolvimentismo dos anos 1950 até o nacional-futebolismo de sempre, passando pelo integralismo protofascista e o nacionalismo de esquerda, parece ser a única ideologia que realmente “pegou” no Brasil. O que certamente diz muito sobre seu povo e sua classe dirigente. E me recorda uma teoria. No filme “As Invasões Bárbaras”, um dos personagens defende que a inteligência é um fenômeno coletivo. Na Florença de 1504, por exemplo, brilhavam Maquiavel na filosofia e política, Michelangelo e Leonardo da Vinci nas artes, tendo Rafael como discípulo. Quando a maioria de um povo partilha uma mesma ideologia, será que isso diz alguma coisa sobre a sua inteligência coletiva?
O nacionalismo tem várias facetas e vertentes e, longe de sinal de vigor e versatilidade, isso aponta para sua incontornável debilidade. O que define uma nação? Ninguém sabe dizer ao certo. Idioma, etnia, religião, concentração geográfica, histórica ligação política. Tudo depende do que as pessoas podem alegar para se definirem uma nação e se sentirem no direito de matar outras pessoas só por serem de outra “nação”. Contudo, o constante contato entre os povos torna seu idioma e cultura dinâmicos, em constante mutação, ao passo que a pureza étnica não passa de uma aspiração falsa, e ainda por cima racista.
Nenhum povo tem uma origem única. Na Europa antiga e medieval, seja pelas conquistas militares, seja pelos fluxos comerciais, povos de diferentes origens, diferentes idiomas, diferentes culturas, estavam em contato constante. Os grandes impérios da Europa moderna, como a Áustria, a Prússia e a Rússia, eram uma colcha de retalhos étnica. A miscigenação pode ser mais evidente quando envolve povos de diferentes fenótipos, como nos países da América, mas acreditem-me, suecos, alemães, russos, italianos e britânicos são resultados de tantas misturas quanto qualquer brasileiro.
Pior que a fragilidade da sua conceituação, só mesmo as suas implicações. A presunção de originalidade e de diferença, que rapidamente transmuta-se em presunção de superioridade, ideais de grandeza e aspiração de pureza. Grandeza, superioridade, pureza… soa familiar?
Notícias pessoais que preciso contar
Sei que o Arauto da Consciência não é um blog sobre vida pessoal, mas estas notícias se referem aos diversos temas e subtemas do blog.
Hoje o dia foi revolucionário para mim. Em menos de 12 horas, muita coisa aconteceu:
- Aceitei Jesus como meu Senhor e Salvador e percebi o erro infeliz de ter sido ateu por cinco anos. A culpa foi enorme e tive que me penitenciar perante Deus para me expiar da minha antiga antifé. Também aprendi que devo acreditar mais no que as pessoas dizem, sobre os espíritos, os milagres, a Criação do mundo e outras coisas que a ciência nunca vai conseguir explicar;
- Aprendi com um amigo do interior que vaquejadas não maltratam os animais. Isso nada mais é que papo de neohippie que quer aparecer. Aprendi que vaquejada é um esporte inseparável da cultura nordestina. Se acabassem com a vaquejada, o que seria do Nordeste?
- Desisti do veganismo. Aprendi que sou apenas uma unidade, uma gota d'água no oceano, e sozinho não tenho poder para nada. Sou pequeno demais para mudar alguma coisa na visão de ética dos brasileiros. Sendo assim, voltei a comer carne e meu almoço de hoje vai ser numa churrascaria. Mal posso esperar voltar a saborear aquela maminha que eu não como há quase três anos, além daquele pudim de leite amarelinho;
- Aprendi também que defensores animais e vegans em geral são um bando de bitolados que não têm o que fazer, são uns chatos que fazem a inutilidade de defender animais enquanto tem tantas crianças por aí passando fome;
- Percebi que estava perdendo muito tempo em defender causas impossíveis, como parar o desmatamento de Suape, tornar a classe política brasileira honesta, expulsar a bancada ruralista do poder, fazer as passagens de ônibus pararem de aumentar e começarem a cair, lutar por um sistema econômico verde e diferente dos que conhecemos etc. Para que defender isso tudo, se eu sou só uma gota d'água no oceano, o capitalismo venceu e quem manda de verdade é a lei do mais forte? Por que questionar isso tudo se não vai adiantar nada? Aceitei os conselhos de um parente meu e decidi enfim desistir dessa minha luta paranoica que no final não levaria a nada;
- Eu pensei direitinho: o meio ambiente está perdido mesmo. O negócio é desfrutar da vidinha boa logo antes que tudo acabe, e apoiar incondicionalmente tudo o que fizerem em prol do progresso de Pernambuco e do Brasil. Sei agora que ambientalistas são uns iludidos, uns politicamente corretos escrotos, e sua gritaria não vai dar em nada;
Para que servem mesmo os hinos nacionais?
Artigo escrito em fevereito de 2009
Obs.: Este artigo é dirigido não apenas para os brasileiros, mas para todos os países e povos do planeta. Traduzi-lo para outras línguas será de muito bom grado. Também não busca inferiorizar o Brasil ou qualquer outra nação em relação às demais, muito pelo contrário.
“Ouviram do Ipiranga as margens plácidas...” Quando ouço essa música, em vez de sentir “orgulho” do país, pensar na suposta superioridade ambiental do mesmo, imaginar o Brasil como potência geopolítica num futuro hipotético, começo a pensar: para que servem mesmo os hinos nacionais? Qual a contribuição deles para um mundo melhor e mais unido? A utilidade do hino, em meu pensamento, se faz fortemente questionada.
Mediante essas questões, me vem à mente a ideia de que os hinos são resquícios de uma época em que o nacionalismo, o sentimento de que seu país é superior a todos os demais, era tratado como uma virtude e um valor inquestionável – ou melhor, questionável apenas por anarquistas. Entretanto, quando se muda o ângulo da visão do mundo, da arrogância patriocêntrica à filosofia de união internacional, percebemos que os hinos nacionais são dispensáveis num mundo unido e igualitário que irreleve diferenças territoriais, étnicas e religiosas.
A opinião favorável ao hino patriótico afirma que ele é bom porque exalta os esforços, tradições e virtudes do povo, valoriza a riqueza ambiental do país e releva a identidade nacional. É muito bonita a intenção, mas e os outros povos, as outras nações? O que realmente faz tal pátria ter um povo mais esforçado e virtuoso e melhores tradições do que todas as outras? Por que temos que necessariamente crer que somos “melhores” em vez de tratar todos os povos e nações do planeta como igualmente dignos e lutadores?
Humanitarismo é a desculpa para o ensaio do Big Stick no Haiti
EUA preveem ter 20 mil soldados no Haiti e negam ocupação do país
O secretário de Estado adjunto para a América Latina, Arturo Valenzuela [Curiosidade inútil: quase um anagrama de Venezuela], afirmou nesta sexta-feira que os Estados Unidos "respeitam a soberania" do Haiti e que as críticas ao seu protagonismo no atendimento às vítimas do terremoto que devastou Porto Príncipe "são simplesmente erradas". Com previsão de ter 20 mil militares americanos no Haiti até o próximo domingo, ele disse que os EUA trabalham em colaboração com as forças das Nações Unidas e com o governo local.
"Os EUA respeitam a soberania do Haiti. Estamos ali porque os haitianos nos convidaram, nos pediram, e temos uma responsabilidade moral como comunidade internacional de ajudar esse país", disse Valenzuela à imprensa após um fórum organizado pela Câmara de Comércio americana.
Sem mencionar os países que também acusam os EUA de "invadir" o Haiti, Valenzuela indicou que se trata de uma "crítica simplesmente errada, que provavelmente ignora a realidade".








