Arauto da Consciência

Nacionalixo

Postado em 03/07/2010 à/s 17:59

No Consciência Efervescente eu falei uma vez sobre o nacionalixo, isto é, nacionalismo que desperta os mais absurdos sentimentos e valores em pessoas que passam a ser comportar como fanátic@s religios@s da pior categoria por causa da suposta superioridade internacional de seu país -- ele ter um valor que nenhum outro país no mundo teria -- ou por um orgulho patriótico que passa dos limites do bom senso.

Hoje o nacionalixo da vez atua contra os animais não-humanos: para @s nacionalistas mais irracionais, o Japão é "O Pais", e por isso tem todo o direito de assassinar baleias pelo mundo, violando as convenções internacionais por uma tradição de opressão e matança.

Japão protesta contra documentário sobre matança de golfinhos

Protestos de nacionalistas japoneses marcaram a estreia, neste sábado, do documentário “The Cove” (“A Cova”), sobre a matança de golfinhos nos cinemas do Japão. O filme foi premiado com o Oscar de melhor documentário de longa metragem em 2010 e mostra como um grupo de cineastas usou câmeras ocultas para documentar a matança de golfinhos pelos pescadores da aldeia japonesa de Taiji.

“The Cove” tem como apresentador o ambientalista Rick O’Barry, que foi treinador dos golfinhos que apareciam na série de televisão norte-americana “Flipper”.

O documentário estreou em apenas seis cinemas em todo o Japão; alguns deles estavam vazios no primeiro dia. Outros 18 cinemas planejam exibir o filme no futuro. No cinema de arte Image Forum, em Tóquio, cerca de 30 manifestantes nacionalistas gritaram slogans contra o filme e agitaram bandeiras imperiais japonesas do tempo da II Guerra Mundial. A polícia teve de intervir para separá-los de um grupo de ambientalistas e evitar brigas.

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Digressão sobre o mal chamado nacionalismo

Postado em 25/05/2010 à/s 19:22

No texto Veganismo na província, de Bruno Müller, publicado na ANDA, a parte inicial fala de forma brilhante sobre a perversão sociocultural que é o nacionalismo.

Com poucas edições para tornar o trecho sobre nacionalismo um texto standalone, eis a mais inteligente e incisiva digressão sobre o nacionalixo que li até hoje.

Breves notas sobre o nacionalismo
Por Bruno Müller, no artigo Veganismo na província

O nacionalismo é uma das ideologias mais absurdas, ridículas, irracionais, perigosas e desprezíveis do mundo. Não estou sozinho nessa opinião*. Atribui-se a Albert Einstein a seguinte frase: “o nacionalismo é uma doença infantil; é o sarampo da humanidade”. Como se vê, não é só a física quântica que define os gênios.

O tema do nacionalismo me fascina desde a adolescência. Deve ser pelo fato de ser tão difundido entre os brasileiros. Do nacional-desenvolvimentismo dos anos 1950 até o nacional-futebolismo de sempre, passando pelo integralismo protofascista e o nacionalismo de esquerda, parece ser a única ideologia que realmente “pegou” no Brasil. O que certamente diz muito sobre seu povo e sua classe dirigente. E me recorda uma teoria. No filme “As Invasões Bárbaras”, um dos personagens defende que a inteligência é um fenômeno coletivo. Na Florença de 1504, por exemplo, brilhavam Maquiavel na filosofia e política, Michelangelo e Leonardo da Vinci nas artes, tendo Rafael como discípulo. Quando a maioria de um povo partilha uma mesma ideologia, será que isso diz alguma coisa sobre a sua inteligência coletiva?

O nacionalismo tem várias facetas e vertentes e, longe de sinal de vigor e versatilidade, isso aponta para sua incontornável debilidade. O que define uma nação? Ninguém sabe dizer ao certo. Idioma, etnia, religião, concentração geográfica, histórica ligação política. Tudo depende do que as pessoas podem alegar para se definirem uma nação e se sentirem no direito de matar outras pessoas só por serem de outra “nação”. Contudo, o constante contato entre os povos torna seu idioma e cultura dinâmicos, em constante mutação, ao passo que a pureza étnica não passa de uma aspiração falsa, e ainda por cima racista.

Nenhum povo tem uma origem única. Na Europa antiga e medieval, seja pelas conquistas militares, seja pelos fluxos comerciais, povos de diferentes origens, diferentes idiomas, diferentes culturas, estavam em contato constante. Os grandes impérios da Europa moderna, como a Áustria, a Prússia e a Rússia, eram uma colcha de retalhos étnica. A miscigenação pode ser mais evidente quando envolve povos de diferentes fenótipos, como nos países da América, mas acreditem-me, suecos, alemães, russos, italianos e britânicos são resultados de tantas misturas quanto qualquer brasileiro.

Pior que a fragilidade da sua conceituação, só mesmo as suas implicações. A presunção de originalidade e de diferença, que rapidamente transmuta-se em presunção de superioridade, ideais de grandeza e aspiração de pureza. Grandeza, superioridade, pureza… soa familiar?

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Notícias pessoais que preciso contar

Postado em 01/04/2010 à/s 13:32

Sei que o Arauto da Consciência não é um blog sobre vida pessoal, mas estas notícias se referem aos diversos temas e subtemas do blog.

Hoje o dia foi revolucionário para mim. Em menos de 12 horas, muita coisa aconteceu:

- Aceitei Jesus como meu Senhor e Salvador e percebi o erro infeliz de ter sido ateu por cinco anos. A culpa foi enorme e tive que me penitenciar perante Deus para me expiar da minha antiga antifé. Também aprendi que devo acreditar mais no que as pessoas dizem, sobre os espíritos, os milagres, a Criação do mundo e outras coisas que a ciência nunca vai conseguir explicar;

- Aprendi com um amigo do interior que vaquejadas não maltratam os animais. Isso nada mais é que papo de neohippie que quer aparecer. Aprendi que vaquejada é um esporte inseparável da cultura nordestina. Se acabassem com a vaquejada, o que seria do Nordeste?

- Desisti do veganismo. Aprendi que sou apenas uma unidade, uma gota d'água no oceano, e sozinho não tenho poder para nada. Sou pequeno demais para mudar alguma coisa na visão de ética dos brasileiros. Sendo assim, voltei a comer carne e meu almoço de hoje vai ser numa churrascaria. Mal posso esperar voltar a saborear aquela maminha que eu não como há quase três anos, além daquele pudim de leite amarelinho;

- Aprendi também que defensores animais e vegans em geral são um bando de bitolados que não têm o que fazer, são uns chatos que fazem a inutilidade de defender animais enquanto tem tantas crianças por aí passando fome;

- Percebi que estava perdendo muito tempo em defender causas impossíveis, como parar o desmatamento de Suape, tornar a classe política brasileira honesta, expulsar a bancada ruralista do poder, fazer as passagens de ônibus pararem de aumentar e começarem a cair, lutar por um sistema econômico verde e diferente dos que conhecemos etc. Para que defender isso tudo, se eu sou só uma gota d'água no oceano, o capitalismo venceu e quem manda de verdade é a lei do mais forte? Por que questionar isso tudo se não vai adiantar nada? Aceitei os conselhos de um parente meu e decidi enfim desistir dessa minha luta paranoica que no final não levaria a nada;

- Eu pensei direitinho: o meio ambiente está perdido mesmo. O negócio é desfrutar da vidinha boa logo antes que tudo acabe, e apoiar incondicionalmente tudo o que fizerem em prol do progresso de Pernambuco e do Brasil. Sei agora que ambientalistas são uns iludidos, uns politicamente corretos escrotos, e sua gritaria não vai dar em nada;

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Para que servem mesmo os hinos nacionais?

Postado em 15/02/2010 à/s 14:22

Artigo escrito em fevereito de 2009

Obs.: Este artigo é dirigido não apenas para os brasileiros, mas para todos os países e povos do planeta. Traduzi-lo para outras línguas será de muito bom grado. Também não busca inferiorizar o Brasil ou qualquer outra nação em relação às demais, muito pelo contrário.

“Ouviram do Ipiranga as margens plácidas...” Quando ouço essa música, em vez de sentir “orgulho” do país, pensar na suposta superioridade ambiental do mesmo, imaginar o Brasil como potência geopolítica num futuro hipotético, começo a pensar: para que servem mesmo os hinos nacionais? Qual a contribuição deles para um mundo melhor e mais unido? A utilidade do hino, em meu pensamento, se faz fortemente questionada.

Mediante essas questões, me vem à mente a ideia de que os hinos são resquícios de uma época em que o nacionalismo, o sentimento de que seu país é superior a todos os demais, era tratado como uma virtude e um valor inquestionável – ou melhor, questionável apenas por anarquistas. Entretanto, quando se muda o ângulo da visão do mundo, da arrogância patriocêntrica à filosofia de união internacional, percebemos que os hinos nacionais são dispensáveis num mundo unido e igualitário que irreleve diferenças territoriais, étnicas e religiosas.

A opinião favorável ao hino patriótico afirma que ele é bom porque exalta os esforços, tradições e virtudes do povo, valoriza a riqueza ambiental do país e releva a identidade nacional. É muito bonita a intenção, mas e os outros povos, as outras nações? O que realmente faz tal pátria ter um povo mais esforçado e virtuoso e melhores tradições do que todas as outras? Por que temos que necessariamente crer que somos “melhores” em vez de tratar todos os povos e nações do planeta como igualmente dignos e lutadores?

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Humanitarismo é a desculpa para o ensaio do Big Stick no Haiti

Postado em 22/01/2010 à/s 19:18

EUA preveem ter 20 mil soldados no Haiti e negam ocupação do país

O secretário de Estado adjunto para a América Latina, Arturo Valenzuela [Curiosidade inútil: quase um anagrama de Venezuela], afirmou nesta sexta-feira que os Estados Unidos "respeitam a soberania" do Haiti e que as críticas ao seu protagonismo no atendimento às vítimas do terremoto que devastou Porto Príncipe "são simplesmente erradas". Com previsão de ter 20 mil militares americanos no Haiti até o próximo domingo, ele disse que os EUA trabalham em colaboração com as forças das Nações Unidas e com o governo local.

"Os EUA respeitam a soberania do Haiti. Estamos ali porque os haitianos nos convidaram, nos pediram, e temos uma responsabilidade moral como comunidade internacional de ajudar esse país", disse Valenzuela à imprensa após um fórum organizado pela Câmara de Comércio americana.

Sem mencionar os países que também acusam os EUA de "invadir" o Haiti, Valenzuela indicou que se trata de uma "crítica simplesmente errada, que provavelmente ignora a realidade".

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Resenha: 1984

Postado em 21/01/2010 à/s 9:30

Aviso: esta resenha contém spoilers sobre o referido livro. Se você já o leu e quer ler a resenha ou ainda não leu o livro mas quer ter uma ideia prévia de como a trama se desenrola, clique em "Continue lendo..." caso este post não esteja sendo exibido numa página individual.

"1984" é um livro diferente da grande maioria das ficções: não tem um herói – embora tenha um protagonista – nem um final feliz. Nem um desfecho compreensível o livro chega a ter – sendo necessário, para muitos, a leitura de um spoiler depois de ter acabado todas as páginas para se saber o que realmente aconteceu com Winston, o protagonista que não consegue ser um herói, no final da história. Portanto, se você só gosta de livros com heróis ou heroínas lutando obstinadamente em favor de um final feliz que de fato aguarda os(as) leitores(as) nas últimas páginas, “1984” não é um livro recomendável.

A obra maior de George Orwell é uma distopia cruelmente pessimista sobre como seria a Inglaterra e o mundo num ano de 1984 dominado por regimes totalitários pancontinentais. A Inglaterra não é mais Inglaterra, e sim a Oceania, um megapaís que abrangeria grande parte das terras emersas do planeta. Está em uma guerra perpétua em que ela e as meganações Eurásia e Lestásia revezam através do conflito o controle parcial da calota polar ártica e de parte da África e da Ásia.

A história de Winston antes de sua prisão pela Polícia do Pensamento – corpo policial que prende todo(a) aquele(a) que ousa pensar diferente do que o Partido manda que se pense – é inspiradora, uma vez que ele é identificável com quem adota uma visão de mundo mais esclarecida que destoe da alienação sociopolítica da sociedade. É a parcela menos pessimista do livro.

Ao contrário do que demonstra a população que trabalha com o Partido, ele mantém pensamentos destoantes do que o governo totalitário prega. Consegue manter-se seguro (apenas aparentemente, visto o que O’Brien, o personagem que se exibe como o maior antagonista, revela nos capítulos da tortura), mantendo discrição em casa e no trabalho – o Ministério da Verdade.

Esse ministério, aliás, é um dos órgãos de um sistema estatal cuja dominação deve ser descrita: é um domínio ultratotalitário em que a população da “Oceania” – especialmente os seis milhões de membros do chamado Partido Externo – é vigiada por aparatos como a Polícia do Pensamento e teletelas, um misto de televisor com câmera que vigia o comportamento das pessoas dentro de suas casas e em locais públicos e transmite propaganda governamental.

O Partido vangloria-se divulgando mentiras em suas propagandas e boletins e mantém o poder pelo controle psicológico dos(as) seus/suas filiados(as) através de estratégias de manipulação de pensamento como o duplipensar – capacidade de acreditar simultaneamente que, por exemplo, o céu é azul e é verde – e o crimedeter – rejeição psicológica imediata a qualquer pensamento subversivo que tente aflorar do cérebro.

A política existente impede até a manifestação dos instintos, emoções e virtudes humanas, como o amor – que deveria ser dedicado exclusivamente ao Grande Irmão, o líder governamental que talvez nem exista –, a libido e a amizade. Tornava as pessoas marionetes indefesas.

Voltando a Winston, ele corajosamente alimenta pensamentos de dúvida sobre o que o Partido faz com um terço da humanidade da ficção. Certo dia, Júlia, uma mulher que ele frequentemente via nos corredores do Ministério da Verdade, consegue que ele fale com ela e arquiteta com ele encontros em lugares diversos, onde os dois formam um casal e descobrem o censurado prazer de amar um ao outro.

Encontram no andar superior de uma antiga igreja, habitada pelo Sr. Charrington, um refúgio livre da vigilância da Polícia do Pensamento. Pelo menos era o que acreditavam.

O’Brien, que finge em suas feições ser outro “camarada” secretamente descontente com o governo totalitário e pertencer à Fraternidade, um grupo rebelde cuja existência é uma crença não comentada entre os membros do Partido Externo, marca de forma codificada um encontro com eles em seu apartamento, onde tem noção da inimizade do casal dirigida à entidade política. Distribui a eles, por intermédio de um estranho, “O Livro”, presumivelmente escrito por Emmanuel Goldstein, o líder da rebelde Fraternidade.

“O Livro” é a parte mais interessante de “1984”. É um momento em que George Orwell ensaia uma ficção sociológica e explica o passado verídico da humanidade e o presente distópico surgido nas revoluções que deram origem às três meganações do planeta. Conta o funcionamento da guerra perpétua que sustenta a economia delas e a estagnação de toda a arte, ciência e outras habilidades intelectuais, entre outros detalhes fundamentais para a compreensão de grande parte da obra.

No dia em que Winston lê para Júlia o livro, a surpresa fatal: a antiga igreja tinha uma teletela e Sr. Charrington era um agente disfarçado da Polícia do Pensamento. A voz metálica da tela anuncia a prisão e guardas de uniforme negro prendem os dois. O casal é violentamente separado e encaminhado para a cadeia do Ministério do Amor. Seu crime era a “crimideia”, o delito de pensar diferente do que o Partido dizia.

Winston vê o terror da prisão onde eram confinados presos políticos e criminosos. Em seguida, O’Brien, revelando-se um capacho leal do Partido e torturador profissional, chega na cela e o encaminha a uma sala onde é espancado brutalmente por cruéis soldados. O protagonista em seguida é submetido a outras torturas dolorosas em outra sala. É forçado a fazer confissões reais e imaginárias.

Nos antepenúltimo capítulo, Winston trava um diálogo com O’Brien, no qual é gritante o contraste entre a fraqueza do protagonista e o poder do antagonista, que podia torturá-lo novamente a qualquer momento. É revelada a verdadeira natureza da dominação totalitária estabelecida: baseia-se no ódio em vez do zelo à população, busca a manutenção do poder acima de qualquer outro objetivo, não intenciona a melhoria da sociedade, almeja esmagar qualquer traço de emoção que não seja devotado ao Partido e ao Grande Irmão. Enfim, realmente quer que a população da Oceania seja um conjunto de marionetes sob rígido controle.

Nos penúltimo capítulo, Winston passa a conhecer o que é a tão terrível Sala 101: um lugar onde as pessoas dão de cara com seus piores pesadelos. Ele se obriga a pedir que “façam isso com Júlia”, para só assim ser livrado da gaiola de ratos que poderiam devorar sua cabeça. O último é uma quebra de coesão em relação ao anterior, uma vez que mostra um Winston de cérebro lavado, enfim submisso ao sistema comandado pelo Partido, sem mais nenhuma emoção para com uma Júlia também lavada. Presume-se que ele deveria ser finalmente morto, mas até o fim da trama ele não o é.

E o mundo viveu triste e condenado para sempre. Um trágico final.

Para quem acaba o livro esperando reações heroicas e ação eletrizante em nome da libertação, o livro decepciona. Quem termina de lê-lo, fecha-o entristecido, por não ter encontrado nada que desse um pingo de esperança para a detenção da crudelíssima ação do Partido, e até assustado e temeroso pelo futuro da humanidade, uma vez que George Orwell dá à obra um aspecto assustadoramente verossímil. Pergunta-se: será que o mundo realmente corre o risco de um futuro tão trágico e terrível?

O consolo é enxergar o contexto histórico em que ele publicou o livro. O ano de publicação era 1949, uma quente época da Guerra Fria, em que Estados Unidos e União Soviética disputavam o domínio econômico do planeta e a hegemonia militar. Não havia muito motivo para otimismo político na época.

Hoje, com exceção da China e seu realíssimo Partido “Comunista” que vem ascendendo no panorama geopolítico mundial e adotando alguns dos fundamentos da ditadura do Grande Irmão, vemos que muito da estrutura que possibilitaria a realização da ameaça distópica foi desmontado com a queda da União Soviética e o enfraquecimento geopolítico dos Estados Unidos.

O livro não deixa mensagens encorajadoras ou esperançosas para quem o lê, não dá uma “moral da história” que inspire as pessoas – e por isso pode ser uma leitura muito frustrante para alguns/mas –, mas consegue despertar a curiosidade de muitos(as) para a política e para o estudo das formas de como ditaduras como a chinesa e as africanas se mantêm no poder. Inspira de forma indireta quem quer elaborar formas de levantar a conscientização política da população antes que se configurem perigos reais de golpe de Estado facilitados pela alienação sociopolítica popular.

A obra de Orwell é mais recomendável para quem já tem um gosto por livros de política, enquanto não o é para quem só gosta de obras com lutas travadas em prol da justiça e finais felizes. Elogio-a por levantar utilíssimos debates políticos, mas critico-o por semear pessimismo e desesperança quanto ao futuro da humanidade.

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