Protestos de ateus contra a intolerância de Datena (Parte 2) (CALA BOCA DATENA)
O vídeo abaixo, o segundo da série, é o segundo desabafo não exaltado de ateu a ser publicado no YouTube contra a explosão de intolerância do apresentador José Luiz Datena.
Mantenho o "(CALA BOCA DATENA)" nos títulos dos posts referentes ao episódio para que os ateus e as ateias mantenham sua mobilização no Twitter (que é postar "Cala Boca Datena" e/ou "#CalaBocaDatena" de modo a tentar elevar a repercussão do episódio) pra mostrar para @s teístas que nós merecemos respeito, que somos pessoas de bem que foram severamente ofendidas por um senhor que, arrogando-se a "voz do povo", comporta-se como um arauto do sensacionalismo e promotor do showbiz da violência.
O vídeo que posto agora é de Helleno de Carvalho, dono de um canal no YouTube onde posta diversos discursos irreligiosos.
Resenha do livro “Virei vegetariano, e agora?”
Um guia compacto para os vegetarianos marinheiros de primeira viagem. Esse é o livro Virei vegetariano, e agora?, do nutricionista Eric Slywitch, um dos dois mais conhecidos e renomados profissionais da nutrição vegetariana no Brasil (o outro é George Guimarães). É uma obra de que o Brasil necessitava, em tempos de ascensão do vegetarianismo.
O leitor vegetariano, que passa por desventuras frequentes numa sociedade que costuma não respeitar o não-consumo de carne e de outros derivados animais, pode encontrar nele diversas dicas muito importantes de como sobreviver socialmente no país que mais exporta carne bovina no mundo. Também vê à sua disposição um rico leque de informações nutricionais sobre como manter um vegetarianismo saudável.
De cara, no primeiro capítulo do livro, Slywitch expõe os vários motivos que levam uma pessoa a se tornar vegetariana, mas eu reconheço que senti falta de uma descrição mais rica das questões ético-filosóficas – a mais fundamental razão pró-vegetariana –, em contraste com a abundância de dados sobre razões ambientais e de saúde que justificam a adesão à alimentação ética.
Ao longo da obra, vemos diversas orientações, em especial aquelas relacionadas a comportamentos – até “foras” são sugeridos quando a pessoa perde a paciência com indivíduos que a chateiam com insistência por causa de sua opção alimentar –, formas de os próprios onívoros lidarem respeitosamente com os vegetarianos, questões nutricionais – o foco principal da profissão do autor –, desmascaramento de mitos sociais, biológicos, ambientais etc. e cartas de aconselhamento ao novo vegetariano e aos nutricionistas que ainda conhecem menos do que deveriam sobre alimentação sem carne.
Conscientização ambientalista e animalista: reações furiosas, paradigmas de pensamento e preconceitos

Algo muito visto hoje em dia é a rejeição ofensiva aos ideais do ambientalismo e do abolicionismo animal. Muita gente, mesmo algumas pessoas que se dizem politizadas e ávidas por um mundo melhor, quando se deparam com um debate sobre direitos animais e a interrupção do modelo tradicional insustentável de desenvolvimento econômico num blog ou fórum de debates públicos, costuma reagir com desdém e até grosseria aos argumentos apresentados. Tentarei abaixo descrever melhor minha experiência recente convivendo com esse comportamento e especular por que ele acontece.
Tenho visto, em diversos debates lançados por mim ou por outros defensores ambientalistas ou animalistas, que as reações mais frequentes vão do desdém raivoso (“Vai arrumar o que fazer, vai arrumar mulher!”, “De novo esses ecochatos?!”, “Esses vegans são uns pentelhos mesmo...”, “Quanta frescura, quanta ecochatice!”, “por que você não experimenta viver sem remédios?” etc.) à contra-argumentação ofensiva, na qual uma troca de argumentações até acontece, mas o lado receptor termina descambando no baixo nível, com agressividade e ataques ad hominem. Isso sem falar no clássico “Enquanto crianças estão morrendo de fome, você vem falar de animais (ou de mato)?!”
Nos meus debates mais recentes (este artigo é de julho de 2010), em que abordei o desmatamento do estuário onde se localiza o Porto de Suape e a campanha do governo e de organizações científicas em favor do uso de animais em pesquisa, percebi a mesma linha de reações. Ainda houve uma contraparte de pessoas que apoiaram meu discurso e até tentaram defendê-lo para os opostos – bem menor no caso do texto sobre a experimentação animal –, mas terminou prevalecendo a reação raivosa.
Em vez de pessoas desejosas de conhecer a ideia e pensar um pouco melhor se o que pensavam até então não era algo tão óbvio, ou querendo expor contra-argumentos num debate civilizado em que se dissesse, por exemplo, “Veja bem, não é assim como você pensa, porque...”, o que vi foi infelizmente uma demonstração forte de incômodo com o que foi exposto. A ideia exposta, mesmo que não fizesse apologia a qualquer forma de violência, injustiça ou supremacismo – muito pelo contrário, observe-se – nem incidisse em acusações injustas, gerou um furor contagiante, com acusações de “choradeira” e “criticar por criticar”, ironias e outras formas de desdém.
Exemplos de androcentrismo e machismo na sociedade brasileira
Abaixo mais um texto sobre como o androcentrismo se entranhou nos aspectos mais banais da vida social no Brasil, incluindo a linguagem. Do site da Rede Mulher, eu trouxe o texto de Vera Vieira sobre como a discriminação contra mulheres se arraigou na representações sociais imagéticas e linguísticas no país sobre o sexo feminino.
A discriminação à mulher está presa à tirania das palavras e imagens
por Vera Vieira (*)
Quando se diz "A salvação do planeta está nas mãos dos homens", ao invés de " A salvação do planeta está nas mãos da humanidade", reflete-se a posição que o homem vem ocupando na história, reforçando-se seu papel hierárquico e as relações de poder e dominação masculina na sociedade.
Ao longo dos tempos, tem ficado bastante evidenciado o papel da linguagem sexista no reforço dos estereótipos machistas que contribuem sobremaneira para o desequilíbrio das relações sociais entre homens e mulheres, caracterizadas pelo binômio dominação/subordinação. Ao nascermos, nosso sexo é definido pela natureza. Já o comportamento diferenciado tem a influência direta da formação e educação que recebemos no meio social, historicamente marcadas pela subordinação da mulher ao homem. Trata-se de um fenômeno cultural que se arrasta ao longo de milênios e que deve ser mudado.
As pessoas são educadas e formadas tanto pelas escolas, como pela família, Igreja, meios de comunicação de massa, leis do Estado, etc., que são responsáveis pela clara definição dos papéis desiguais da mulher e do homem, com conseqüências dramáticas na sociedade. Bastam somente alguns dados para essa comprovação: alto índice de violência doméstica sofrida pela mulher (com um número assustador de mortes), independente de raça, cor, etnia, classe social ou escolaridade; a média salarial baixa, mesmo com maior formação; pouca ocupação de cargos de liderança e número elevado de mulheres chefes de família, entre outros.
Veganos, esses chatos…
Muitas pessoas que não simpatizam com o veganismo e o acham uma “afronta à natureza” dizem que nós veganos somos chatos e pentelhos. Segundo elas, protestar contra a exploração animal é uma chatice comparável a uma onda de spam.
Não é necessário pregar o veg(etari)anismo como um religioso fundamentalista prega suas crenças como verdades absolutas – atitude que é injustamente generalizada pelo senso comum de muitos onívoros e enfaticamente condenada pelos veganos mais sensatos. Basta apenas que defendamos os animais, condenando em público as crueldades de quem, por exemplo, tortura e mata animais para comê-los. Só por isso somos chatos de galocha.
Em um vídeo brasileiro em que uma atriz, com uma naturalidade sádica, contava como torturou animais até a morte para comê-los em sua experiência como escoteira, um onívoro, diante de dezenas de protestos e repúdios contra a atitude da atriz, do entrevistador e do público que, de forma também sádica, gargalhava e aplaudia o depoimento, comentou: “hahahhaha esses vegans? são tão ou mais chatos que os crentes!”
A esse comentário, eu faço questão de responder: sim, somos chatos.
Somos tão chatos quanto os militantes negros antirracismo dos Estados Unidos das décadas de 1950 e 60. Aqueles indivíduos eram tão chatos que não deixavam os brancos de sua época humilharem os compatriotas afrodescendentes em paz! Que coisa insuportável deve ser uma pessoa ter questionado seu direito de agredir e segregar o próximo, não poder esculachar um indivíduo na rua por ser de cor diferente sem que venham sujeitos indignados lhe cobrando ética, respeito e vergonha na cara. Que chatos!
Somos tão chatos quanto Mahatma Gandhi e seus seguidores. Os ingleses não podiam mais impor sua dominação na Índia, arrogar soberania sobre um mosaico cultural milenar, torturar e matar nativos insubordinados, com sossego. Devia ser muita chatice os militares britânicos serem impedidos de continuar mantendo seu monopólio econômico, seu domínio firmado na base da violência neocolonialista, por causa daqueles pacifistas tolos que não tinham o que fazer e ficavam com suas pregações inúteis de resistência pacífica e desobediência civil. Não-violência? Pacifismo? Independência? Soberania? Que bando de insuportáveis! Pareciam os crentes pregadores de hoje de tão inconvenientes!
Uma “homenagem” aos “alfacistas”: Predadores e vampiros de vegetarianos
Mais um texto de Bruno Müller que admirei muito, dessa vez expondo tudo o que precisamos saber sobre @s chamad@s "alfacistas" (nome que tem a variante "alfascistas", numa alusão ao fascismo), pessoas que afirmam "defender" as alfaces e fazem provocativas apologias ao livre consumo de carnes -- das quais elæs enfatizam o consumo das vermelhas.
Reitero aqui que sou fã dos textos dele, que podem ser lidos em sua coluna da ANDA e no blog Seres Livres.
Predadores e vampiros de vegetarianos
por Bruno Müller
Vez por outra recebo por intermédio de algum amigo vegano um link de mais um daqueles inúmeros textos que circulam na internet de carnívoros exercitando sua fina inteligência a ironizar vegetarianos e enaltecer o gene humano caçador. Não gosto de repassá-los para não alimentar a psicose alheia. Nem é preciso, pois quem já viu um, já viu todos. É sempre a mesma ladainha que sempre passa, invariavelmente, pela “vida secreta das plantas”. São os populares “alfascistas”. São, muito coerentemente, predadores e vampiros que se alimentam da atenção, raiva e bílis de vegetarianos desavisados.
Parece roteiro de filme B (ou C? ou Z?). A mesma fórmula batida com o mesmo enredo. Alguém descobriu que o tema “ode à carne” desperta a ira dos vegetarianos e, desde então, “jornalistas” sensacionalistas ou blogueiros carentes têm usado do artifício para suprir suas necessidades afetivas com um pouco de atenção negativa. E o filão não para de crescer, alimentado pela boa audiência de defensores de animais indignados. Os vegetarianos mordem a isca (pode ser especista, mas me parece uma analogia muito adequada!), e a trama segue o roteiro preestabelecido: uns xingam, outros amaldiçoam e alguns poucos até tentam falar sério – numa situação em que a seriedade só entra no enredo como “escada” para mais alguns exercícios de sarcasmo e humor “refinados”. Alguns carnívoros também se manifestam. Geralmente eles estão voltando de, ou partindo para, um churrasco. Sendo o Brasil o terceiro país do mundo em consumo de carne, não tenho motivos para duvidar da veracidade de suas alegações.
Toda trama bem-sucedida tem sua sequência, claro. O “escritor”, inebriado pela fama, começa amaldiçoando a educação no país – seus leitores formam uma massa de analfabetos funcionais incapazes de captar seu humor “inteligente”. Se a maioria discorda de você, está óbvio que é porque não sabe ler nem interpretar. Polemistas em geral sempre respondem aos seus críticos com uma condescendente acusação de estupidez e semianalfabetismo que, claro, lhes exime completamente da necessidade de responder às tais críticas com argumentos plausíveis. E se os fatos desmentem o polemista – pior para os fatos. Ele simplesmente os ignora. E eu, com minha limitada inteligência de vegano subnutrido, não consigo entender como pessoas tão inteligentes repetem sempre os mesmos axiomas que não requerem provas ou argumentos – até porque são autoevidentes, só veganos estúpidos não percebem.
Ótimo artigo sobre linguagem androcêntrica e desigualdades de gênero
Encontrei na internet esse ótimo ensaio, escrito por José Eustáquio Diniz Alves, que fala com riqueza de detalhes sobre a questão da linguagem androcêntrica e como ela reproduz e legitima as desigualdades de gênero existentes até hoje no Brasil.
Vale muito a pena ler. É muito bom também para professors colocarem para seus/suas aluns lerem e para discutirem em sala de aula -- como forma de nos aproximar de um zeitgeist moral limpo da desigualdade de tratamento entre os gêneros.
Só achei que algumas citações de ditos populares tiveram sua suposta conotação machista extrapolada, uma vez que não se explica como se chegou à conclusão de que aquelas frases foram realmente construídas com base androcêntrica.
Abaixo trago o link e o resumo do ensaio:
A linguagem e as representações da masculinidade
por José Eustáquio Diniz Alves
Este artigo tem por objetivo analisar como a linguagem corrente, os ditos populares e as piadas refletem e reforçam as representações assimétricas de gênero na sociedade. A linguagem e as representações da masculinidade e da feminilidade estão impregnadas de valores criados ao longo de séculos. O discurso masculino, construído no plano simbólico, busca tornar naturais as desigualdades sociais de gênero, legitimando as divisões sexual e social do trabalho, diferentes comportamentos sexuais e reprodutivos, bem como uma menor inserção social, cultural e política das mulheres na sociedade.
Mais uma reflexão sobre sexismo linguístico: agora é a vez da palavra “mulher”
Hoje tive um insight parecido com o que tive em fevereiro ou março do ano passado: o uso da palavra "mulher" como sinônimo de "esposa" com alguma conotação não-intencional de "sob tutela do marido".
Enquanto se fala de "o homem" como sinônimo de "o ser humano", fala-se de "a mulher do..." como "a esposa". E curiosamente quase nunca falamos de "o homem da rainha Elizabeth II", "o homem de minha ex-namorada" -- mesmo que exista esse uso, segundo o dicionário Aurélio, eu pessoalmente nunca ouvi alguém falar isso.
Percebo nessa nova autorrevelação de consciência uma dualidade com a mesma tonalidade de vício de linguagem sexista. Segundo o vocabulário androcêntrico que temos...
Mulher: parceira/cônjuge de um homem/macho (ao correspondente masculino, usa-se marido)
Homem: ser humano
(Não reconheço ainda uma relação entre as definições acima, mas pode ser até que exista)
Ao meu ver -- ainda não falando sociologicamente -- falar "a mulher do padeiro", "a mulher do presidente" e raramente "o homem da secretária", "o homem da dona da confeitaria" já denota alguma desigualdade entre mulheres e homens.
E, novamente sem cientificidade, consigo encontrar semelhança entre "a mulher do meu vizinho" com, por exemplo, "o gato da minha tia" ou "o cachorrinho do meu amigo". Me parece que "a mulher do..." conota uma relação de tutela e submissão, da mesma forma que os animais domésticos têm sua vida submissa e dependente de seus/suas tutoræs -- uma relação de submissão* que não devemos confundir com uma relação de propriedade.
Notícias pessoais que preciso contar
Sei que o Arauto da Consciência não é um blog sobre vida pessoal, mas estas notícias se referem aos diversos temas e subtemas do blog.
Hoje o dia foi revolucionário para mim. Em menos de 12 horas, muita coisa aconteceu:
- Aceitei Jesus como meu Senhor e Salvador e percebi o erro infeliz de ter sido ateu por cinco anos. A culpa foi enorme e tive que me penitenciar perante Deus para me expiar da minha antiga antifé. Também aprendi que devo acreditar mais no que as pessoas dizem, sobre os espíritos, os milagres, a Criação do mundo e outras coisas que a ciência nunca vai conseguir explicar;
- Aprendi com um amigo do interior que vaquejadas não maltratam os animais. Isso nada mais é que papo de neohippie que quer aparecer. Aprendi que vaquejada é um esporte inseparável da cultura nordestina. Se acabassem com a vaquejada, o que seria do Nordeste?
- Desisti do veganismo. Aprendi que sou apenas uma unidade, uma gota d'água no oceano, e sozinho não tenho poder para nada. Sou pequeno demais para mudar alguma coisa na visão de ética dos brasileiros. Sendo assim, voltei a comer carne e meu almoço de hoje vai ser numa churrascaria. Mal posso esperar voltar a saborear aquela maminha que eu não como há quase três anos, além daquele pudim de leite amarelinho;
- Aprendi também que defensores animais e vegans em geral são um bando de bitolados que não têm o que fazer, são uns chatos que fazem a inutilidade de defender animais enquanto tem tantas crianças por aí passando fome;
- Percebi que estava perdendo muito tempo em defender causas impossíveis, como parar o desmatamento de Suape, tornar a classe política brasileira honesta, expulsar a bancada ruralista do poder, fazer as passagens de ônibus pararem de aumentar e começarem a cair, lutar por um sistema econômico verde e diferente dos que conhecemos etc. Para que defender isso tudo, se eu sou só uma gota d'água no oceano, o capitalismo venceu e quem manda de verdade é a lei do mais forte? Por que questionar isso tudo se não vai adiantar nada? Aceitei os conselhos de um parente meu e decidi enfim desistir dessa minha luta paranoica que no final não levaria a nada;
- Eu pensei direitinho: o meio ambiente está perdido mesmo. O negócio é desfrutar da vidinha boa logo antes que tudo acabe, e apoiar incondicionalmente tudo o que fizerem em prol do progresso de Pernambuco e do Brasil. Sei agora que ambientalistas são uns iludidos, uns politicamente corretos escrotos, e sua gritaria não vai dar em nada;
Uma palavra do “Deus” da sociedade
Considerando que Deus é relativo, o texto abaixo, do blog Psicopataxx, pode realmente corresponder à concepção de Deus de alguém. Aliás, de muit@s.
Uma palavrinha do nosso "Deus" - como ser um cidadão perfeito
por Erick do Psicopataxx
Antes de tudo seja objetivo, seja funcional, ponha uma meta material e lute por isso até a morte, independente se isso faz sentindo ou não.
Seja controlado, use a racionalidade, faça o que lhe dissermos.
Acumule bens materiais, quanto mais você ter melhor você será.
Siga uma religião, sem nosso Deus você não resistirá.
Sonhe com carros, casamento, casa, sapatos e ternos, afinal esses são os sonhos de uma pessoa normal.
Queira sempre está na moda, ser popular, assim você será alguém.
Lembre-se não existe emprego ruim, é uma questão de adaptação.
E engula nossos conceitos de moral, justiça e liberdade, essas são verdades absolutas.
Se acomode no seu grande e confortável sofá no domingo após um delicioso e sangrento churrasco e contemple nossa programação especial, fizemos esse lixo televisivo para você e apenas você.
Não se preocupe com sua obesidade e pressão alta, são naturais, todos tem, juro.
E se preocupe muito menos com as crianças da África e bilhões de animais mortos para saciarem sua gula, afinal Deus quis assim, você não tem nada a ver com isso.
Sabe aqueles ambientalistas? São todos uns babacas, o desmatamento que acontece na Amazônia, no Cerrado e no Pantanal nada tem a ver com você, seu consumo de carne não ajuda em nada, acredite. E mesmo se ajudasse você não irá parar de comer, eu sei disso, eu te conheço.
E lembre-se, o mundo gira em torno de você, dizem que o egoísmo é uma coisa errada mas não acredite, afinal você vive assim, então como pode ser ruim?
Que há pobres, crianças e animais morrendo para sustentarem seu estilo de vida, pode ser que sim, mas você é tão torpe quanto nós, e nós queremos que eles se fodam, essa é a lei do mais forte.
Não olhe com esse ar de desprezo, você é tão perverso quanto nós apenas nunca olhou para dentro de si.
Ficou indignado???
Se ficou indignado, eu lhe digo: ou mude seus hábitos radicalmente ou admita que é um de nós, não há outra alternativa. E então o que vai ser???
Trolls atirando nos próprios pés: reflexão sobre o #DiaMundialSemCarne
No último dia 20 de março, mais uma vez o Twitter foi palco de militância vegetariana, dessa vez em virtude do Dia Mundial Sem Carne – embora o dia seja mundial, só houve a arquitetação de uma campanha twitteriana no Brasil. A tag #DiaMundialSemCarne conseguiu um feito ainda melhor que o #GoVegetarian, também brasileiro, de um mês antes: foi para primeiro lugar nos trending topics nacionais.
Entretanto, essa realização foi, em sua maior parte, não graças aos militantes que mostraram links e frases relacionadas aos males do consumo de carne, mas sim graças à multidão de onívoros que ironizou com o dia. Esse comportamento troll, ao meu ver, merece ser o tema desta reflexão sobre a campanha do #DiaMundialSemCarne.
O que roubou a cena, ao contrário do #GoVegetarian, foi não mais o esforço dos vegetarianos em si, mas a negativa resposta em massa a ele. Foi uma miscelânea de tipos de tweet, incluindo as tradicionais provocações do tipo “hoje eu comi uma picanha...”, “vamos comemorar com um churrasco”, “O dia terminou sem carne, porque esgotei toda a carne que tinha”; retweets (RTs) como “Quem comeu carne no #DiaMundialSemCarne e não se arrependeu, dê RT” ou “No #DiaMundialSemCarne eu colaborei radicalmente: destruí estoques consideráveis de carne a dentadas, por um final totalmente sem carne”; e, com menos frequência, reações mais agressivas, como “boi bom é boi morto” ou “#DiaMundialSemCarne de c... é r...”.
De fato essa foi a reação média ao #DiaMundialSemCarne: birras, provocações, reafirmações do hábito de comer carne. Preferência pela alienação e pela má educação. A grande maioria da população do Twitter que respondeu à campanha simplesmente recusou-se a refletir sobre sua alimentação, levando na brincadeira o sofrimento animal e a destruição ambiental que a carne provoca. Feliz foi a frase de uma vegetariana: “Não se iludam, o que queriam de um povo que discute sobre BBB no Twitter? Serem educados com a tag #DiaMundialSemCarne?”.
Tal povo comprovou que é de fato alienado e sem consciência, prefere dar uma banana ao debate sobre direitos animais e ignorar os alertas cada vez mais constantes e graves dos noticiários sobre os perversos impactos ambientais da produção e consumo de carne.
Record confronta defensora animal com cidade de amantes de rodeio
A Record, mesmo pertencendo à Igreja Universal, ganhou um pontinho hoje para mim. O quadro Troca de Família de hoje, do programa de domingo Tudo É Possível, mostrou como foi a mortificante experiência de Fernanda, defensora dos animais, numa cidade onde o rodeio e a ignorância dominam. Aliás, lembre-se que a Record tem alguma experiência em denunciar atos de crueldade contra animais, o que fez diversas vezes nos últimos anos.
Aliás, ganhou dois pontos, porque também fez o favor de disponibilizar na internet cerca de uma hora do quadro -- a primeira parte, mas dá para ver muito do que aconteceu. Então, divulgo aqui o Troca de Família, um dos poucos momentos de consciência e educatividade da TV aberta brasileira para grandes audiências (o que não conta a TV Brasil).
Atualização (31/03/10, 16:00): Eis a segunda parte do quadro:
Obrigado à Record por esse favor que fez aos animais.
Atualização (04/04/2010, 23:55): Muit@s defensoræs animais se queixaram de que o programa foi tendencioso, pois distorceu a imagem das duas mães -- por exemplo, Fernanda aparecia como uma quase alcoólatra que parecia nada fazer pela casa do peão, algumas trilhas sonoras para sua família eram sombrias, sua casa era mostrada como relativamente imunda por causa dos bichos e cenas como o encontro de Fernanda com uma protetora em Tupã foram excluídas da exibição; já Adriana, a esposa do peão, raramente apareceu bebendo e sua família era sempre acompanhada por trilhas alegres e animadas. Fica aqui então minha lamentação para com a Record, que, mesmo tendo divulgado num passado recente cenas conscientizantes de maus tratos contra animais, mostrou-se parcial em (des)tratar Fernanda e sua família e respeitar bem mais o lado de Adriana e do peão.
“Forró” eletrônico e seus inconvenientes
Artigo escrito em junho de 2009
O chamado “forró” eletrônico ou estilizado (entre aspas por vários motivos que o tornam um não-forró) divide opiniões em todo o Nordeste. Tendo seu auge na segunda metade da década de 2000, esse ritmo ora é apreciado por jovens como um incentivo à curtição oba-oba, desregrada e desinibida da juventude ora é pesadamente criticado por incentivo à promiscuidade e perversão sexuais, banalização da traição, apologia do alcoolismo, coisificação feminina e louvor a um hedonismo irresponsável.
Cabe mostrar aqui por que tanta gente reclama do estilo e de sua popularidade e deseja tanto o fim de sua hegemonia na música nordestina. Esse que, por conveniência, chamarei aqui de FF – Falso Forró – merece muito mais debate do que há hoje e necessita de abordagens éticas, educacionais, sociológicas e antropológicas. Textos como este contribuem para a incitação dessa discussão entre a sociedade.
Os ouvidos dos nordestinos, ao longo dos últimos anos, vêm sendo sacudidos, desejada ou indesejadamente, por versos de efeito-chiclete como “Chupa, chupa, chupa que é de uva”, “Abre, abre, abre-abre-abre”, “Piri-piri, piri-piri, vamo beber, vamo beber”. Muitos adoram e celebram os prazeres sexuais da juventude que por tanto tempo foram reprimidos pela tradição católica nordestina e liberados pela superação das velhas normas sociais repressivas.
Por outro lado, tantos odeiam o ritmo, por uma série de motivos que fazem dele um veículo de comportamentos libertinos e até nocivos. Vale descrever os pontos mais criticados do FF:
a) Apelo sexual e apologia ao sexo irresponsável
Seja pelas letras de pornografia implícita ou escancarada – em que são exaltadas as delícias do sexo e posições sexuais como sexo oral, abertura de pernas e até a penetração –, pelo figurino sumário das dançarinas, vestidas com “pedaços de pano” que por pouco não deixam de cobrir suas partes íntimas, ou mesmo pelo comportamento dos cantores no palco, o tema pornográfico é muito frequente. É, aliás, um dos pilares temáticos do FF. São corriqueiras também as danças sensuais e os gemidos eróticos de vocalistas femininas.
Também destaca-se a irresponsabilidade da forma como o sexo é abordado no FF, com a falta de dedicação à segurança da camisinha e a cativação de um público adolescente que ainda está aprendendo suas primeiras noções sexuais. Os efeitos esperados da pornografia musical do ritmo são uma maior ferveção juvenil por sexo e um grande aumento da suscetibilidade de adolescentes à maternidade/paternidade indesejada e à transmissão de doenças sexualmente transmissíveis.
A sexualidade do FF não seria um problema preocupante se o estilo não tivesse grande parte de uma geração adolescente como público-alvo e não induzisse tantos jovens na flor da idade (entre 13 e 24 anos) ao sexo irresponsável e inconsequente que gera filhos(as) indesejados(as) e propaga patologias.









