Decisão do desmatamento de Suape no TRF, nesta quarta
Repasso e-mail recebido sobre uma mobilização a ser feita contra o ecocídio de Suape. Pode ser a última esperança de salvar o estuário do Ipojuca.
MPPE e MPF ingressaram com ação requerendo liminarmente (de modo rápido) a inconstitucionalidade da polêmica lei e a suspensão do desmatamento de mais de 500 hectares de mangue, floresta atlântica e restinga em SUAPE!
Nesta próxima quarta-feira, 18.08.2010, às 15 horas, haverá uma Audiência apresentacao dos argumentos que fundamentarao um posicionamento do Juiz, favorável ou nao à concessao da liminar.
Por isto, constitui um dos momentos mais importantes na luta contra mais um crime ambiental em nosso Estado e aí é imprescindível a presenca de todas e todos que querem para si e para os seus um desenvolvimento realmente sustentável, com um meio ambiente sadio e equilibrado.
o grupo SALVE MARACAÍPE ESTARÁ E REUNINDO....Vamos nos encontrar na entrada do TRF às 14:30 horas!
JUNTE-E A NÓS!!Saudacoes,
Marcos Pereirafica no endereco abaixo:
Cais do Apolo, s/n - Edifício Ministro Djaci Falcão - Bairro do Recife - Recife - PE - CEP: 50030-908 - PABX: 81 3425.9000
Protocolo Tel.: 81 3425 9550 / FAX: 81 3224 6356 - Email: protocolo@trf5.jus.br
Enchentes e deslizamentos de terra no Grande Recife têm como causa desmatamentos e aterros do passado
Isso o professor Ricardo Braga, da UFPE, explica de forma esclarecedora. De fato as raízes ecocancerosas de cidades como o Recife têm tudo a ver com a realidade atual de enchentes na planície e deslizamentos de terra nos morros.
Foco ambiental: alagamentos e inundações
por prof. Ricardo Braga
Se olharmos o mapa de relevo, veremos que Recife, Olinda e Jaboatão possuem uma planície costeira muito baixa, quase ao nível do mar, rodeada de morros de 60 a 100 metros de altura, em semi-círculo. Podemos dizer que essas cidades formam um grande anfiteatro, onde os morros são as arquibancadas, a planície é o palco, e céu e mar compõem o cenário.
Originalmente as matas cobriam os morros e garantiam a infiltração das águas de chuva, retendo-as para liberar devagarzinho, atenuando as enxurradas e, em conseqüência, o pico das enchentes. Na planície, mesmo assim os riachos enchiam, mas podiam se espalhar em seu leito natural expandido, que eram as várzeas. Depois dezenas de riachos drenavam facilmente águas para os rios Beberibe, Capibaribe, Tejipió e Jaboatão.
Hoje, quando chove forte, casas que ocuparam o morro desmatado, escorregam pela barreira levando sonhos de seus moradores. Outras, na planície, são inundadas de maneira implacável pelas águas apressadas. Que destino caótico de nossa gente, particularmente a de menor renda!
Mas é a história da ocupação dos espaços quem determinou o caos. A cidade impermeabilizou o solo com as edificações e pavimentações, fazendo com que a vazão do escoamento das águas se multiplicasse por até seis vezes quando chove; a erosão dos morros traz junto com as enxurradas a lama de barro e areia; os riachos passaram a ser canais, considerados pela população como local de despejo de esgoto e lixo, dificultando dramaticamente a passagem da água; a carência de áreas de habitação levou à ocupação das margens dos cursos d´água, não deixando alternativa para as águas apressadas, se não recuperar a sua várzea à força.
Resultado: alagamentos, pela dificuldade de drenagem nos lugares onde a chuva cai; e inundações, pelo transbordamento de riachos e canais.Mesmo que todas as causas sejam explicáveis, não é fácil mudar o cenário, que se repete a cada ano. Vê-se que o esforço das prefeituras em limpar os canais e coletar regularmente o lixo é indispensável, mas insuficiente.
Por parte da população, é preciso uma tomada de consciência de que cada um contribui para o caos quando corta e ocupa a barreira em lugares de risco de desmoronamento, espalha lixo como se o espaço fosse de ninguém, obstrui a microdrenagem com a construção de casas, muros e passagens de pedestres, e ocupa as margens dos riachos e canais, não deixando espaço sequer para a sua limpeza.Por parte do poder público, parece ser necessária uma postura mais determinada e menos paliativa, exigindo a elaboração do Plano Diretor Metropolitano de Drenagem Urbana, integrando os municípios na mesma estratégia de solução. Esta, por sua vez, implica em medidas estruturais inovadoras, como reservatórios de amortecimento de cheias em algumas descidas de morros. Ao mesmo tempo, são fundamentais medidas de educação, que possibilitem o reconhecimento pela sociedade que vive nas áreas afetadas, da importância da atitude preventiva, antes que o afogamento seja inevitável.
[Pernambuco] Votar 40?

É Eduardo, É 40. É mais um quadriênio com destruição implacável do ambiente natural. É nada de sustentabilidade.
11 perguntas de um eleitor relutante para Marina Silva

Excelentíssima senadora e candidata Marina Silva,
Declarações recentes da senhora deixaram muita gente apreensiva. Nelas a sra. deixou a entender que suas crenças religiosas estão, de alguma forma, interferindo em sua posição relativa a assuntos sensíveis, relativos a direitos humanos – legalização do casamento homossexual e do aborto – e à questão do consumo de maconha, cuja liberação muitos defendem como forma de enfraquecer os traficantes e por não ser pesada e viciante como as drogas ilegais.
Até muito recentemente, eu tinha total certeza de que meu voto já era seu. Mas, depois de eu ter tomado conhecimento desse discurso considerado conservador e contraditório com o Estado laico, passei a ter receio de lhe dedicar meu voto. É um temor de que mulheres e homossexuais passem mais quatro ou oito anos com direitos muito importantes em suspensão por causa da interferência da crença religiosa alheia.
Além disso, algumas perguntas estão em aberto, sendo questões tão relevantes que são decisivas para os votos meu e de muitos outros eleitores, se eles realmente serão dedicados ao vosso sucesso eleitoral. Inclusive uma delas eu lhe dirigi quando a sra. veio ao Recife – sobre o que achas do desmatamento que está prestes a destruir quase 700 hectares de vegetação estuarina em torno do Porto de Suape – e até hoje não fui respondido.
Assim sendo, eu, como eleitor que ainda vê na senhora uma alternativa promissora para o Brasil, que vem se mostrando melhor que Dilma Rousseff e José Serra na argumentação e na forma de lidar com os debates e entrevistas, que vem conquistando o voto e o carinho de cada vez mais brasileiros esperançosos, me vejo impelido a lançar onze perguntas, para que possas responder com carinho. Respondê-las, espero, vai aliviar ou sanar essa insegurança que eu e muitos outros eleitores estamos tendo em relação a lhe dedicar nossos votos.
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A “água virtual” e o gasto perdulário de água na pecuária
Encontrei esse artigo muito esclarecedor de José Otavio Carlomagno no blog Vanguarda Abolicionista, sobre a mensuração da água que é gasta pela pecuária. E o pior é que não se trata de gasto supérfluo dentro da atividade, gasto que poderia ser diminuído a um mínimo aceitável, mas os próprios gastos ordinários de água no sistema de criação animal e produção de matérias-primas de origem animal.
Leia e vai perceber que toda a água que você consome em casa não é nada perante a água indiretamente gasta por quem come carne e consome outros derivados animais.
Água Virtual
por José Otavio Carlomagno, engenheiro agrônomo
Nestes tempos de realidades virtuais, a água virtual não é uma fantasia, como pode-se pensar, mas uma realidade quase invisível e de difícil mensuração. Entende-se que a água virtual é aquela utilizada na elaboração de um bem de consumo ou serviço, ela está embutida no produto de maneira indireta, pois são os recursos hídricos utilizados no processo de produção. Este conceito foi introduzido em 1993, pelo professor inglês John Anthony Allan, do Kings College, de Londres.
A maioria de nós tem noção do gasto direto individual mensal de água. Para obter-se esse dado o processo é simples, basta dividir-se o consumo de água de uma residência pelo número de moradores da casa. Considera-se como valor médio de consumo direto, na área urbana, 4m³ , que correspondem a 4 mil litros, por habitante e por mês.
Pois bem, o consumo de água virtual é muito maior do que o consumo direto, apesar de ser quase invisível. Para se produzir um único par de sapatos de couro utiliza-se 8m³ de água, ou seja 8 mil litros. Se a pessoa comprar um par de sapatos de couro por mês a água utilizada na sua produção é o dobro do consumo médio direto mensal por indivíduo. Mas pode-se argumentar que poucas pessoas compram um par de sapatos de couro todo mês. Pois bem, para se produzir um único hambúrguer gasta-se 2,4m³ de água, ou 2 mil e 400 litros. Quem come apenas dois hambúrgueres por mês, está consumindo indiretamente uma quantidade de água 20 por cento maior do que todo o gasto direto individual, os dados são da WWF.
Dados da Unesco nos dão conta que para se produzir 1kg de carne bovina, de boi criado a pasto, o gasto de água é de 14 mil a 16 mil litros, para produzir-se 1 kg de carne de boi confinado o gasto com água passa de 20 mil litros, 1 kg de carne de frango gasta 4 mil litros e 1 kg de carne suína 6 mil litros de água. Para se produzir 1 kg de milho utiliza-se 0,45 mil litros de água, podendo esse valor subir para 1,1 mil litros se a cultura for irrigada e situar-se em local de elevada evapotranspiração. Para feijão usa-se 1,5 mil litros de água/kg e em cultura irrigada 2,3 mil l de água/ kg. Outros dados:
Banana: 500 litros/kg
Batata: 105 a 160 litros/kg
Laranja: 378 litros/kg
Tomate: 105 a 280 litros/kg
Trigo: 1150 a 2000 litros/kg
Manteiga: 18000 litros/kg
De maneira geral, os produtos de origem animal são disparados os maiores gastadores de água.
Conscientização ambientalista e animalista: reações furiosas, paradigmas de pensamento e preconceitos

Algo muito visto hoje em dia é a rejeição ofensiva aos ideais do ambientalismo e do abolicionismo animal. Muita gente, mesmo algumas pessoas que se dizem politizadas e ávidas por um mundo melhor, quando se deparam com um debate sobre direitos animais e a interrupção do modelo tradicional insustentável de desenvolvimento econômico num blog ou fórum de debates públicos, costuma reagir com desdém e até grosseria aos argumentos apresentados. Tentarei abaixo descrever melhor minha experiência recente convivendo com esse comportamento e especular por que ele acontece.
Tenho visto, em diversos debates lançados por mim ou por outros defensores ambientalistas ou animalistas, que as reações mais frequentes vão do desdém raivoso (“Vai arrumar o que fazer, vai arrumar mulher!”, “De novo esses ecochatos?!”, “Esses vegans são uns pentelhos mesmo...”, “Quanta frescura, quanta ecochatice!”, “por que você não experimenta viver sem remédios?” etc.) à contra-argumentação ofensiva, na qual uma troca de argumentações até acontece, mas o lado receptor termina descambando no baixo nível, com agressividade e ataques ad hominem. Isso sem falar no clássico “Enquanto crianças estão morrendo de fome, você vem falar de animais (ou de mato)?!”
Nos meus debates mais recentes (este artigo é de julho de 2010), em que abordei o desmatamento do estuário onde se localiza o Porto de Suape e a campanha do governo e de organizações científicas em favor do uso de animais em pesquisa, percebi a mesma linha de reações. Ainda houve uma contraparte de pessoas que apoiaram meu discurso e até tentaram defendê-lo para os opostos – bem menor no caso do texto sobre a experimentação animal –, mas terminou prevalecendo a reação raivosa.
Em vez de pessoas desejosas de conhecer a ideia e pensar um pouco melhor se o que pensavam até então não era algo tão óbvio, ou querendo expor contra-argumentos num debate civilizado em que se dissesse, por exemplo, “Veja bem, não é assim como você pensa, porque...”, o que vi foi infelizmente uma demonstração forte de incômodo com o que foi exposto. A ideia exposta, mesmo que não fizesse apologia a qualquer forma de violência, injustiça ou supremacismo – muito pelo contrário, observe-se – nem incidisse em acusações injustas, gerou um furor contagiante, com acusações de “choradeira” e “criticar por criticar”, ironias e outras formas de desdém.
O desmatamento de Suape causará sofrimento e morte para animais não-humanos e humanos

Por diversas vezes desde o primeiro anúncio da intenção do Governo de Pernambuco de destruir centenas de hectares de ecossistema estuarino nas adjacências do Porto de Suape, alertei para as consequências nefastas que tal ecocídio pode gerar para a biosfera e para a população humana local e regional. Agora falo de uma outra parte específica do ambiente que vai sofrer literalmente com esse desmatamento: os animais, a fauna daquele estuário e do mar adjacente.
Como todos devem saber desde o Ensino Fundamental, estuários são riquíssimos berçários de fauna marinha, servindo de lar, “banquete” e/ou “maternidade” para um sem-número de espécies animais. O estuário da Bacia do Ipojuca, onde desaguam rios como o Ipojuca, o Massangana e o Merepe, não foge à regra. Caranguejos, siris, peixes das mais diversas espécies e outros animais do mar e dos rios dependem dali para viver.
Devastar e aterrar o estuário significará morte certa para milhões de animais, imediata ou não. E uma morte nada “humanitária”: uns, como os caranguejos, serão soterrados com a “cavalaria” de tratores aterrando o solo lamacento que lhes serve de casa, morrendo de asfixia. Outros, como peixes, serão expulsos do lugar e morrerão em pouco tempo, com todo o sofrimento da desnutrição que minguará seus corpos, uma vez que o local onde se alimentavam de plânctons e néctons pequenos estará aterrado e provavelmente contaminado e nem todos os animais encontrarão um novo “restaurante” tão adequado quanto o estuário ipojucano.
As causas reais das enchentes da Zona da Mata nordestina (Parte 2)
A Associação dos Geógrafos Brasileiros - seção Recife também explica as causas das enchentes que devastaram diversas cidades na Zona da Mata alagoana e pernambucana. Dessa vez, junta as questões ambientais, abordadas competentemente no programa Nordeste Viver e Preservar, com fatores socioeconômicos, de como o latifúndio canavieiro e o empobrecimento da população dessa região causado pela concentração de terras e de renda levaram à degradação ambiental que terminou causando tal catástrofe.
Nota pública sobre as enchentes em Pernambuco e Alagoas
escrita em nome da Associação dos Geógrafos Brasileiros
Mais de 80 mil pessoas, só em Pernambuco, tiveram suas casas parcial ou completamente destruídas pela enxurrada. As enchentes causaram, até agora, 17 mortes só em Pernambuco, oito em Recife. Apenas em Alagoas estima-se 600 desaparecidos. Em Pernambuco, 80 municípios estão afetados e 59 cidades atingidas diretamente, 30 estão em situação de emergência, e 9 em estado de calamidade pública. Oitenta pontes foram arrastadas e 2.103 Km de estradas danificadas. As informações demoram a chegar e vem à medida que os acessos às cidades são restabelecidos pelo exército.
A força das águas provocou transbordamento de rios, sangramento das barragens, levou até um tanque de armazenamento de uma usina de açúcar que pesava 180 toneladas. Faltam comida e água, não há comércio para vender absolutamente nada. Diversas cidades estão sem energia elétrica, sem abastecimento de água potável, sem hospitais, sem delegacia, presídios foram destruídos e os bancos estão fechados. O CENÁRIO É DE GUERRA. As pessoas já passam a brigar na rua por qualquer pedaço de comida achado no meio dos entulhos e lama.
Cidades inteiras estão devastadas. Após a enxurrada, a cidade mais populosa da Mata Sul do Estado de Pernambuco, Palmares, com 56 mil habitantes, está completamente destruída e sem acesso por terra. A ponte sob o Rio Una, na BR 101, foi carregada pelas águas. Cortês, na mesma região, foi varrida pelo Rio Sirinhaém e só sobra destroços onde antes era uma cidade. O governo estadual e federal mobilizou as forças armadas, estão sendo desenvolvidos os trabalhos de reestruturação básica, religamento de luz e água potável, os serviços de telefonia móvel estão sendo reestruturados, bem como a montagem de hospitais de campanha.
Bancada ruralista federal: em quem NÃO votar este ano
Como já expus no post A bancada ruralista deve ser expulsa de Brasília, há motivos de sobra para não renovarmos os mandatos desses indivíduos que lutam com muito afinco contra o bem comum e os interesses socioambientais da população brasileira, dos animais e do restante da biosfera brasileira.
Pois bem, uma listinha que consta das eleições de 2006, mostra quem está no poder hoje representando a gangue que quer um agronegócio em crescimento infinito, nem que todo o verde florestal brasileiro seja varrido do mapa e toda a renda do mundo rural seja concentrada em suas mãos em detrimento d@s camponesæs e d@s trabalhadoræs braçais dos seus latifúndios.
Veja a nova (datada de 2006) bancada ruralista (que entraram no poder em 2007) identificada pelo Diap.
Deputados federais
Abelardo Lupion (PFL-PR) - reeleito
Afonso Hamm (PP-RS) - novo
*Aelton Freitas (PL-MG) - novo
Aníbal Gomes (PMDB-CE) - reeleito
Aracely de Paula (PL-MG) - reeleito
Armando Abílio (PSDB-PB) - reeleito
Aroldo Cedraz (PFL-BA) - reeleito
Átila Lins (PMDB-AM) - reeleito
Bonifácio de Andrada (PSDB-MG) - reeleito
**Carlos Bezerra (PMDB-MT) - novo
Carlos Melles (PFL-MG) - reeleito
Chico da Princesa (PL-PR) - reeleito
Ciro Nogueira (PP-PI) - reeleito
Custódio Mattos (PSDB-MG) - reeleito
Darcísio Perondi (PMDB-RS) - reeleito
Dilceu Sperafico (PP-PR) - reeleito
Dona Íris Rezende (PMDB-GO) - nova
Edinho Bez (PMDB-SC) - reeleito
Edmar Moreira (PP-MG) - reeleito
*Elcione Barbalho (PMDB-PA) - nova
***Eliseu Moura (PP-MA) - reeleito
Eunício Oliveira (PMDB-CE) - reeleito
Veganos, esses chatos…
Muitas pessoas que não simpatizam com o veganismo e o acham uma “afronta à natureza” dizem que nós veganos somos chatos e pentelhos. Segundo elas, protestar contra a exploração animal é uma chatice comparável a uma onda de spam.
Não é necessário pregar o veg(etari)anismo como um religioso fundamentalista prega suas crenças como verdades absolutas – atitude que é injustamente generalizada pelo senso comum de muitos onívoros e enfaticamente condenada pelos veganos mais sensatos. Basta apenas que defendamos os animais, condenando em público as crueldades de quem, por exemplo, tortura e mata animais para comê-los. Só por isso somos chatos de galocha.
Em um vídeo brasileiro em que uma atriz, com uma naturalidade sádica, contava como torturou animais até a morte para comê-los em sua experiência como escoteira, um onívoro, diante de dezenas de protestos e repúdios contra a atitude da atriz, do entrevistador e do público que, de forma também sádica, gargalhava e aplaudia o depoimento, comentou: “hahahhaha esses vegans? são tão ou mais chatos que os crentes!”
A esse comentário, eu faço questão de responder: sim, somos chatos.
Somos tão chatos quanto os militantes negros antirracismo dos Estados Unidos das décadas de 1950 e 60. Aqueles indivíduos eram tão chatos que não deixavam os brancos de sua época humilharem os compatriotas afrodescendentes em paz! Que coisa insuportável deve ser uma pessoa ter questionado seu direito de agredir e segregar o próximo, não poder esculachar um indivíduo na rua por ser de cor diferente sem que venham sujeitos indignados lhe cobrando ética, respeito e vergonha na cara. Que chatos!
Somos tão chatos quanto Mahatma Gandhi e seus seguidores. Os ingleses não podiam mais impor sua dominação na Índia, arrogar soberania sobre um mosaico cultural milenar, torturar e matar nativos insubordinados, com sossego. Devia ser muita chatice os militares britânicos serem impedidos de continuar mantendo seu monopólio econômico, seu domínio firmado na base da violência neocolonialista, por causa daqueles pacifistas tolos que não tinham o que fazer e ficavam com suas pregações inúteis de resistência pacífica e desobediência civil. Não-violência? Pacifismo? Independência? Soberania? Que bando de insuportáveis! Pareciam os crentes pregadores de hoje de tão inconvenientes!
Luizianne Lins rejeita destruir mangue em Fortaleza para estaleiro. Adivinhem quem ofereceu lugar para construí-lo…
Sim, o governo mais antiambiental de Pernambuco dos últimos tempos. O governo do senhor das motosserras, inimigo número um dos mangues e florestas pernambucanos, Eduardo Campos.

O governo Eduardo Campos parece ter como meta não deixar uma Rizophora mangle em pé ao redor de Suape.
Governo oferece 80 hectares de mangue para abrigar estaleiro rejeitado por Fortaleza
O estaleiro que a prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins (PT), rejeitou, ocupará uma área de 80 hectares na Ilha de Tatuoca, onde vivem 51 famílias, em Suape, conforme dispensa de licitação publicada do Diário Oficial do dia 22 de junho. Ou seja, serão aterrados 80 hectares de mangue para abrigar o empreendimento.
O ato saiu no Diário Oficial uma semana depois da negativa da prefeita. Ela disse que não daria alvará municipal para o estaleiro porque a obra se destina à construção de 8 navios. “E depois?”, indagou Luizianne, se referindo aos possíveis impactos ambientais que o estaleiro provocaria na orla da capital cearense. Ela preferiu apostar na vocação turística e preservar a atividade da pesca artesanal do lugar. E ameaçou, conforme matéria publicada num jornal local: “Não adianta o governo pedir à União a cessão do terreno. A prefeitura não dará anuência.” A praia escolhida pelo governo do Estado era Titanzinho.
Vemos a dualidade de atitudes nessa notícia: primeiro, Luizianne Lins dá uma lição ao mundo, de que não aceita dar anuência ao progresso descartável às custas do meio ambiente -- embora os motivos citados na reportagem sejam antropocêntricos. Segundo, o nosso velho Máquina pernambucano e o seu comparsa FBC agem em atitude exatamente oposta, aceitando para o já ameaçado e intensamente estuprado ecossistema manguezal do estuário do Ipojuca esse mesmo progresso descartável. 80 hectares de mangue serão destruídos, num autêntico crime ambiental legalizado, para se produzirem oito navios transportadores de gás liquefeito de petróleo, aliando construção descartável com o sujíssimo progresso movido a petróleo.
O que é que poderá parar esse governo irresponsável que está destruindo insanamente centenas de hectares de ecossistemas em todo o estado -- especialmente em Suape?
Agradeço a Luizianne pela atitude sensata de preservar o meio ambiente na área que governa. Mas lamentavelmente a destruição de mangue foi não abortada, mas apenas realocada.
P.S: mesmo que não haja referências diretas a Eduardo Campos na notícia acima, penso que seria absurdo um projeto desse ser todo montado sem a autorização dele. Logo ele é parte desse novo ecocídio, como cúmplice.
As fogueiras juninas como inconvenientes ambientais
Post escrito em 13/06/2009, importado do Consciência Efervescente
Tradição secular, a fogueira de São João está se aproximando da época em que será vista como um costume proibitivo e não-recomendável, se não já começou a ser vista assim. Assim como o balão poliédrico a fogo, tem inconvenientes importantes que fazem a continuidade de seu uso ser algo nocivo, dessa vez para o meio ambiente, vide desmatamento e poluição.
Em época de sonoros debates sobre preservação das florestas e proposições de diminuição máxima de emissões de gases de efeito-estufa e poluentes, os fogaréus juninos vêm sendo escancarados como elementos causadores de um impacto ambiental notável e evitável, o qual nunca foi quantificado em dados mas é fortemente perceptível antes e durante os dias de festejo.
Dados sobre quanto de madeira é retirado a cada ano de matas virgens, reflorestadas ou de plantação para a montagem de fogueiras no Nordeste são difíceis de ser encontrados, mas, percorrendo-se avenidas e estradas de muitas cidades nordestinas, pode-se ter uma ideia de que houve um significante estrago nos ecossistemas explorados para tal fim, em especial em áreas de Mata Atlântica – incluindo brejos de altitude – e de Caatinga.
As pilhas de lenha à venda para confecção de fogueiras são enormes e lembram predominantemente troncos e galhos de árvores de vegetação tropical ou semiárida. Como raramente há garantia de que vieram de manejo florestal, pode ser deduzido que a cada ano é feito um significativo dano, infelizmente jamais medido ou sequer estimado em números, nas matas nordestinas. Contudo, não há nenhuma lei, pelo menos em Pernambuco, regulamentando a extração de madeira para fins de comemoração das festas juninas.









