Venezuela dá banana ao meio ambiente com gasolina superbarata
Na terra onde Cruzeiro busca arrancada, trânsito é caótico e com 'latas-velhas'
Quando deixar o hotel onde está concentrada para seguir até o Estádio Olímpico, nesta quinta-feira, a delegação do Cruzeiro terá mais um exercício de paciência. Afinal, o trânsito de Caracas – local da partida contra o Deportivo Italia, pela Libertadores –, é caótico a qualquer hora do dia. A grande quantidade de carros nas ruas, que torna o movimento tão intenso, se explica pelo baixíssimo preço da gasolina na Venezuela.
Dono da maior reserva de petróleo da América Latina, a Venezuela se permite estipular o preço de R$ 0,05 por litro de gasolina, de acordo com o câmbio atual. Algo irrisório se comparado aos quase R$ 3 em muitas cidades do Brasil. Para se ter uma ideia, uma garrafa de 600 ml de refrigerante na partida do Cruzeiro nos arredores do estádio sairá pelo equivalente a R$ 4.
Isso explica o grande número de carros particulares circulando nas ruas. As últimas estatísticas apontam que na Venezuela há um destes veículos para cada 11 habitantes, o que significa que a população pode ser dar ao luxo de deixar de lado o transporte público para contar com seu próprio meio de locomoção.
Além disso, a fiscalização de veículos é ineficiente. Não há vistoria anual, e as blitzes nas ruas e estradas se restringem a revistar os passageiros. Assim, o venezuelano opta por carros grandes, velhos, que consomem muito combustível e que estão em péssimo estado de conservação.
Taxista de Caracas, Georges Florentín admite que é difícil se acostumar com o trânsito da cidade. Segundo ele, ainda não foi encontrada uma solução eficiente para melhorar a situação, até porque o respeito aos sinais de trânsito, por exemplo, é algo que passa longe do pensamento dos venezuelanos.
- Infelizmente é preciso de um planejamento antecipado para quem deseja sair de carro. Um trajeto de 15 minutos pode acabar durando 45, dependendo da hora do dia - observou.
Provavelmente era intenção da Globo criticar o governo/regime de Hugo Chávez nessa notícia. E atingiu, de forma implícita -- talvez subliminar -- um ponto que até hoje nunca vi ninguém comentar sobre a Venezuela: meio ambiente.
Gasolina superbarata + carros velhos nas ruas = poluição atmosférica em grandes proporções com gases-estufa e muita fumaça. É a opulência petrolífera venezuelana favorecendo o oba-oba do envenenamento e esquentamento do ar daquele país e do planeta.
Até me mostrarem o contrário, estou convicto de que o chavismo não dá a mínima para o meio ambiente, tampouco para as mudanças climáticas. Assim como os Estados Unidos e a China.
Ambientalismo e Direitos Animais: uma simbiose fraternal
Artigo escrito em junho de 2009
Presenciamos anualmente muitas ações de organismos ambientalistas estatais (IBAMA, Ministério do Meio Ambiente, secretarias estaduais ambientais etc.) e não-governamentais (Greenpeace, WWF, Sea Shepherd etc.) direcionadas ao combate de crimes ambientais que envolvem opressão de animais não-humanos. Tais atuações vêm comprovando e apontando uma verdade essencial que se aproxima cada vez mais do óbvio dia após dia: ambientalismo e Direitos Animais são movimentos irmãos, possuem uma associação perfeita e inquebrantável, e tentar vê-los ou praticá-los de forma separada será uma encaração sempre incompleta e limitada.
Essa associação é muito rica e, mais que uma relação de causa e efeito entre a exploração animal e crimes ambientais, é uma constatação lógica e uma visão ecológica bem mais abrangente e completa. As duas causas completam-se entre si de tal modo que ações de um lado que deem menor importância ao outro serão apenas enxugamento de gelo.
O primeiro ponto principal que torna ambientalismo e Direitos Animais inseparáveis surge na convergência de ambos em zelar pela fauna. O primeiro vê os animais como parte essencial da biosfera ao lado da flora, dos micro-organismos e dos elementos abióticos e o segundo defende que sua integração à natureza como seres livres e íntegros lhes é um direito inalienável, juntando-se numa proteção excelentemente justificada.
O ambientalismo, quando livre das limitações impostas por visões naturalistas e antropocêntricas, inclui todo o Reino Animal em sua esfera de proteção, passando a abranger também os animais domésticos e os humanos, tendo nesse ponto um importantíssimo respaldo dos Direitos Animais e até fundindo-se com este.
Por que o etanol não é a salvação
Artigo escrito em novembro de 2008
O álcool combustível nos últimos dois anos passou a ser tratado no Brasil como a grande panacéia da questão ambiental da energia. Quem ainda não viu Lula anunciando feito místico ascenso, ao largo do planeta, algo parecido com “ajoelhai-vos, países desenvolvidos, eu tenho vossa salvaçãããooo!” quando falava maravilhas do etanol por aí? É notável que há uma orientação muito passional nas enormes expectativas de “um mundo melhor por ser movido a um combustível limpo e renovável”, uma força de esperança pessoal bastante parecida com aquela que anima a vida de religiosos e crentes em curas pela fé, por também ser desprovida de ceticismo e encaração crítica. A verdade é que, embora a poluição vinda do cano de escape seja realmente bem menor, há uma contrapartida, um lado de porém, nociva o suficiente para levantar no mínimo questionamentos ríspidos ao caráter messiânico do álcool nos carros.
Falo de alguns problemas, dois ambientais e dois sociais, por sinal muito sérios e que devem ser encarados com muita sobriedade, pé no chão e atenção. Todos envolvem os lugares de onde saem a “promessa”, os imensos latifúndios de cana-de-açúcar e sua expansão, e denunciam a extrema fragilidade, ou mesmo a quebra, do triângulo da sustentabilidade – Ambiental/Econômico/Social.
O primeiro fator ambiental é o nosso “amigo” desmatamento. Lembrem-se, o Nordeste só tem sua economia sustentada pela cana desde a época colonial porque a Mata Atlântica foi quase totalmente varrida da região pelos latifundiários, foi reduzida a frágeis pinguinhos onde árvores frondosas ainda se aglomeram. O mesmo serve para São Paulo, atual maior estado canavieiro do país, onde os canaviais tomaram muito do lugar dos cafezais da República Velha. Dali o cerrado foi banido e a floresta tropical foi dizimada a menos de 8% da área original. Analisando com seriedade, percebemos que só foram possíveis a criação do Proálcool nos anos 70, a proliferação dos carros flex na década atual e os discursos encantados de Lula porque nossos ecossistemas foram mutilados sem piedade e sobrepostos por “desertos verdes” que se perdem no horizonte.
Perguntas indiscretas (Parte 12)
Essa notícia, sobre rendimento do álcool X rendimento da gasolina, me fez pensar na seguinte pergunta-que-não-quer-calar:
- Qual polui menos? 1 litro de gasolina ou ~1,4 litro de álcool, que tem o mesmo rendimento em quilômetros rodados?
Resenha do documentário Meat the Truth/Uma Verdade Mais Que Inconveniente
Para dar comprovação aos dados mostrados, Marianne citou o estudo da FAO – Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação – que mostravam a pecuária como maior vilã do clima global. Com o devido embasamento, muitos pontos muito interessantes foram abordados com competência, tais como: Como é esse impacto tão grande da pecuária sobre o clima? Tornar-se vegetariano/a, ou deixar de comer carne um ou mais dias por semana, faz alguma diferença? Por que Al Gore convenientemente omitiu a pecuária na sua “verdade inconveniente”? Por que os governos são coniventes com o impacto ambiental dessa atividade?
Os principais pontos que a deputada holandesa mostrou em relação ao impacto ambiental pecuário foram a produção de metano, um gás-estufa muito mais poderoso que o gás carbônico, e o desmatamento de florestas como a Amazônia.
Como todo bom documentário apresentador da alternativa vegetariana de alimentação, mostrou diversos fatores relativos à crueldade nas fazendas-fábrica, principalmente a debicagem de aves e o confinamento intensivo dos animais. Fez também o favor de reexibir o The Meatrix, aquela paródia de Matrix em que os personagens são bichos de espécies exploradas pela indústria de alimentos de origem animal.
Também deu a oportunidade de participação ao PETA e à Humane Society, além de mostrar a história do “Mad Cowboy”, um ex-pecuarista que, depois de décadas na indústria da exploração animal, aprendeu a respeitar os animais e tornou-se vegetariano completo e militante pelos Direitos Animais.
Num dado momento, Marianne imitou propositalmente Al Gore e subiu numa plataforma para mostrar um gráfico que mostrava quanto a indústria da carne ameaça crescer nos próximos 40 anos se o consumo continuar aumentando como hoje.
O vídeo fez muito bem seu papel de completar o que Al Gore havia deixado pendente, mas cometeu falhas significativas:
- Enfocou menos que devia as questões de saúde. Mostrou pouco os males da carne vermelha ao organismo humano e deixou totalmente de mostrar por que o vegetarianismo é sustentável e confiável como alternativa alimentar ao onivorismo, o que deixa quem lhe assistiu com um sentimento de estar entre a cruz da carne e a espada de uma alimentação cuja confiabilidade não foi atestada no documentário;
- O vídeo de Johan Renck, que mostra o ânus de uma vaca expelindo fezes, certamente “convidou” e “convidará” muitas pessoas a fecharem o vídeo e acharem que estavam diante de “mais um filme vegetariano sem noção que não deveria ser levado a sério”. O aspecto nojento desse trecho afasta muitos/as espectadores/as e prejudica a transmissão da mensagem de conscientização vegetariana;
- Pouco mostrou dos efeitos das carnes brancas – de aves e peixes – no meio ambiente. O esvaziamento da fauna oceânica, que possui efeitos ainda pouco conhecidos no clima global, também é uma verdade extremamente inconveniente, mas o filme, num notável vacilo, omitiu. Deixou-se de evitar que a população que assistisse ao vídeo migrasse seus hábitos de consumo para o peixe, algo que também tem severíssimo impacto na natureza.
Faltas do vídeo à parte, a bela deputada fez bonito no esforço da conscientização. Meat the Truth é mais um documentário digno de ser exibido e distribuído para o máximo possível de pessoas, juntando-se aos brasileiros A Carne É Fraca e Não Matarás e ao tão falado Earthlings (Terráqueos). Para uma melhor eficácia na propagação da verdade inconveniente do impacto ambiental pecuário, será muito bom se alguma equipe tomar a iniciativa de dublar o documentário. Será um favor imprescindível para muita gente.







