As fogueiras juninas como inconvenientes ambientais
Post escrito em 13/06/2009, importado do Consciência Efervescente
Tradição secular, a fogueira de São João está se aproximando da época em que será vista como um costume proibitivo e não-recomendável, se não já começou a ser vista assim. Assim como o balão poliédrico a fogo, tem inconvenientes importantes que fazem a continuidade de seu uso ser algo nocivo, dessa vez para o meio ambiente, vide desmatamento e poluição.
Em época de sonoros debates sobre preservação das florestas e proposições de diminuição máxima de emissões de gases de efeito-estufa e poluentes, os fogaréus juninos vêm sendo escancarados como elementos causadores de um impacto ambiental notável e evitável, o qual nunca foi quantificado em dados mas é fortemente perceptível antes e durante os dias de festejo.
Dados sobre quanto de madeira é retirado a cada ano de matas virgens, reflorestadas ou de plantação para a montagem de fogueiras no Nordeste são difíceis de ser encontrados, mas, percorrendo-se avenidas e estradas de muitas cidades nordestinas, pode-se ter uma ideia de que houve um significante estrago nos ecossistemas explorados para tal fim, em especial em áreas de Mata Atlântica – incluindo brejos de altitude – e de Caatinga.
As pilhas de lenha à venda para confecção de fogueiras são enormes e lembram predominantemente troncos e galhos de árvores de vegetação tropical ou semiárida. Como raramente há garantia de que vieram de manejo florestal, pode ser deduzido que a cada ano é feito um significativo dano, infelizmente jamais medido ou sequer estimado em números, nas matas nordestinas. Contudo, não há nenhuma lei, pelo menos em Pernambuco, regulamentando a extração de madeira para fins de comemoração das festas juninas.
ONU recomenda vegetarianismo completo pela preservação ambiental
ONU recomenda dieta vegana para compater mudança climática
Uma mudança global para uma dieta vegana é vital para salvar o mundo da fome, pobreza de combustíveis e os piores impactos da mudança climática, diz um novo relatório da ONU. A previsão é de que a populção mundial chegue a 9.1 bilhões de pessoas em 2050 e o apeite por carne e laticínios é insustentável, diz o relatório do programa ambiental da ONU (UNEP).
A agricultura, particularmente produtos de carne e laticínios, é responsável pelo consumo de cerca de 70% da água doce do mundo, 38% do uso de terra e 19% das emissões de gases estufa, diz o relatório que foi lançado para coincidir com o dia do meio ambiente no próximo sábado (05 de junho).
Diz o relatório: “Espera-se que os impactos da agricultura cresçam sustancialmente devido ao crescimento da população e o crescimento do consumo de produtos animais. Ao contrário dos combustíveis fósseis, é difícil produzir alternativas: as pessoas têm que comer. Uma redução substancial de impactos somente seria possível com uma mudança de dieta, eliminando produtos animais.”
O painel de especialistas categorizou produtos, recursos e atividades econômicas e de transporte de acordo com seus impactos ambientais. A agricultura se equiparou com o consumo de combustível fóssil porque ambos crescem rapidamente com mais crescimento econômico, eles disseram.
Professor Edgar Hertwich, o principal autor do relatório, disse: “Produtos animais causam mais dano que produzir minerais de construção como areia e cimento, plásticos e metais. Biomassa e plantações para animais causam tanto dano quanto queimar combustíveis fósseis.”
Ernst von Weizsaecker, um dos cientistas que lideraram o painel, disse: “Crescente afluência está levando a um maior consumo de carne e laticínios – os rebanhos agora consomem boa parte das colheitas do mundo e, por inferência, uma grande quantidade de água doce, fertilizantes e pesticidas.”
A notícia já fala por si só.
Breve reflexão sobre petróleo e tragédias ambientais
Animais sofrem com o maior desastre ambiental dos EUA
O presidente dos Estados Unidos visitou pela terceira vez a área atingida pelo vazamento de petróleo no Golfo do México. Barack Obama cobrou mais rapidez da empresa British Petroleum para indenizar as famílias afetadas pelo desastre ambiental.
A operação aconteceu a 1.600 metros de profundidade. Uma cúpula de metal amarelo com o formato de um grande sino ligado a um tubo foi feita para vedar o poço e funcionar como uma espécie de aspirador gigante, levando o petróleo para os porões de um navio. A peça foi encaixada na ponta do cano com a ajuda de robôs. Mas o vazamento não foi totalmente contido. De cada cem litros de petróleo que continuam se espalhando no mar, apenas cinco estão sendo sugados pelo equipamento e armazenados na superfície.
Os técnicos da Britsh Petroleum disseram que o óleo ainda vaza por válvulas que serão fechadas aos poucos. Se desta vez tudo der certo, eles esperam chegar a recuperar 90 de cada 100 litros que escapam do poço danificado.
Na superfície, a mancha já é tão grande que seria capaz de cobrir todo o estado do Rio de Janeiro e ainda uma pequena parte de São Paulo e de Minas Gerais.
Nesta sexta-feira (4), o presidente Barack Obama voltou ao estado de Louisiana para visitar comerciantes e moradores que estão tendo prejuízos com o desastre ambiental. Ele disse que ainda é cedo para ser otimista com relação ao fim do vazamento.
O óleo já chegou a várias reservas ambientais da costa do estado da Lousiana. Hoje, agentes do governo responsáveis pelo resgate de animais estiveram em um santuário de pelicanos atingido pela maré negra do petróleo.
Quase não dá para ver os animais debaixo de tanto óleo. Alguns respiram com dificuldade. Dezenas de pássaros foram resgatados. Mas, segundo os técnicos, pelo menos um terço deles não vai sobreviver.
A culpa por desastres de vazamento de óleo não é necessariamente de quem consome, até porque somos reféns de um sistema econômico e tecnológico que ainda não conhece fontes de energia limpas e renováveis que substituam integralmente o petróleo. Mas vale refletir como se vem ainda exaltando a produção de petróleo, mesmo em época que vem demandando o estudo urgente de novas fontes de energia.
O maior exemplo, praticamente um exemplo ultimate, é o pré-sal brasileiro. Antes da descoberta dessas reservas muito profundas de petróleo, o governo falava muito e muito da expansão da produção de etanol e biodiesel. Mas, quando o pré-sal foi descoberto e sua exploração viabilizada, praticamente acabou-se o discurso da energia renovável. O petróleo voltou ao pedestal que ocupava desde a primeira metade do século 20, de combustível supremo e insubstitível, de fonte de riqueza irrecusável.
É motivo de lamentação que esse tipo de atitude continue em pleno século 21, aquele que deveria estar sendo o século da revolução ambiental, na qual toda aquela atitude de desprezo ao meio ambiente e exaltação de tecnologias sujas seria superada.
Se temos que ver desastres como o atual e o do caso Exxon Valdez (navio petroleiro que vazou no Alasca em 1989), é em grande parte porque os governos e empresas ainda go$tam muito do petróleo.
E viva o colapso viário urbano (Parte 6)
Brasil passa EUA na produção de carros de passeio
O Brasil, pela primeira vez, produziu mais carros de passeio do que os Estados Unidos, que foram castigados pela crise financeira internacional. No ano passado, enquanto os EUA produziram 2,249 milhões de automóveis, o Brasil tirou de suas fábricas 2,576 milhões de unidades, ficando em quinto lugar no ranking mundial, um à frente dos EUA. Em 2008, os EUA produziram 3,924 milhões de carros de passeio e o Brasil, 2,545 milhões. Há dez anos, a proporção era de 5,637 milhões de unidades para os americanos e de apenas 1,1 milhão para os brasileiros.
Somando os veículos comerciais (picapes, utilitários esportivos, caminhões e ônibus), porém, a conta é bem diferente. A indústria brasileira teve produção de 3,1 milhões de unidades e os EUA, de 5,711 milhões. No ranking total, o país perde apenas uma posição caindo para o sexto lugar. Os dados foram divulgados ontem pela Organização Internacional dos Construtores de Automóveis (Oica), entidade à qual a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) é filiada.
Os números mostram que o maior produtor de automóveis no ano passado foi a China (10,383 milhões de unidades), seguida por Japão (6,862 milhões), Alemanha (4,964 milhões) e Coreia do Sul (3,158 milhões). Na soma dos dois segmentos, a China segue como líder, com 13,790 milhões, seguida de longe por Japão (7,934 milhões), EUA, Alemanha (5,209 milhões), Coreia do Sul (3,512 milhões) e Brasil.
E enquanto isso, as ruas e avenidas se afogam com um número de carros tendendo ao infinito. O ar se carrega com a fumaça da gasolina. Para se extrair mais matéria-prima para novos carros, montanhas e outras áreas são esburacadas para criação de minas. O petróleo reina absoluto como fonte de energia, para infelicidade do mundo e de quem defende a procura de fontes limpas de energia automotora e elétrica.
Agradeça a indústria automotiva ao empresariado de ônibus, que torna cada vez mais intragável o sistema de transporte público, com passagens mais e mais caras e qualidade de serviço há décadas sem melhorias de verdade, e ao governo, que insiste em ser conivente com o problema e se nega a implantar uma política nacional de transporte coletivo urbano, além de negligenciar as ferrovias.
Para ruralistas, crimes ambientais e trabalho escravo não são crimes
O irmão de consciência Ivo S. G. Reis postou em seu blog Debata, Desvende e Divulgue um alerta sobre a intenção da bancada ruralista de retirar do Projeto Ficha Limpa crimes ambientais e trabalhistas (exploração de trabalho escravo).
Leiam, a denúncia é séria e acrescenta mais um ponto em minha campanha contra a manutenção do poder político dessa bancada maligna.
Para ruralistas, trabalho escravo, destruição de florestas e do meio ambiente não são crimes!!!
por Ivo S. G. Reis no blog Debata, Desvende e Divulgue
É de se estarrecer, mas é exatamente assim - e sem nenhum exagero - que pensam os políticos da bancada ruralista, a chamada "bancada da motoserra". Para eles, cortar árvores, fazer queimadas, agredir o meio ambiente e praticar o trabalho escravo, são atividades comuns na agricultura, pecuária e agronegócio e essas práticas não deveriam ser encaradas como "crimes".
Volta à votação hoje [05/05], o esperado "Projeto Ficha Limpa", ontem [04/05] aprovado por 388 votos a um, na Câmara, mas já bastante descaracterizado. E só foi aprovado porque estamos em ano eleitoral, há pressão popular sobre o projeto e porque os políticos sabiam que a votação de nada valeria, pois foram apresentados vários "destaques" que obrigariam, como de fato obrigaram, a uma nova votação, prevista para hoje [05/05] (será?).
Agora pasmem senhores, pasmem! Dentre s destaques apresentados figura o da bancada ruralista, que pretende retirar do projeto o impedimento de candidaturas por condenação por "crimes ambientais" e "prática de trabalho escravo", coisas que eles e/ou os que eles representam mais fazem em suas atividades rotineiras. Na visão deles, políticos processados ou mesmo condenados por tais crimes poderiam, sim, ser candidatos, por não serem os crimes graves (na visão deles) e nem ligados à corrupção. Acham tais práticas tão naturais e necessárias, que já querem que a sociedade as aceite como "normais", feitas em nome do "desenvolvimento". Pode?
E viva o colapso viário urbano (Parte 5)
Vendas de veículos novos no país batem recorde no 1º quadrimestre
As vendas de veículos novos bateram mais um recorde no acumulado do ano, atingindo 1,066 milhão de unidades emplacadas no primeiro quadrimestre, segundo os dados obtidos pela Folha Online, superando a melhor marca até então, de 2008 (909,2 mil).
Em abril, foram licenciados 277,9 mil automóveis, comerciais leves, ônibus e caminhões, com o resultado ainda sendo influenciado pelo efeito da redução de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), que acabou em março mas respingou no mês passado devido aos estoques nas lojas e à corrida dos consumidores às concessionárias nos últimos dias para aproveitar o benefício fiscal.
Ao adiantar os números contabilizados até o último dia 29, que já apontavam o recorde para meses de abril e no primeiro quadrimestre, o novo presidente da Anfavea (associação das montadoras), Cledorvino Belini, disse na sexta-feira (30) que "abril é um bom mês, considerando a média diária e a sazonalidade".
Em março, melhor mês em vendas e produção da indústria automobilística, foram licenciadas 353,7 mil unidades, o que levou a novas marcas também no primeiro trimestre.
E as nossas cidades, ó...
A perigosa hipertrofia da economia chinesa
Economia chinesa cresce 11,9% no 1º trimestre
O crescimento da economia da China acelerou no primeiro trimestre de 2010, para 11,9% na comparação com igual período do ano anterior, ante taxa de 10,7% no quarto trimestre de 2009, informou a agência nacional de estatísticas nesta quinta-feira
Economistas previam para o Produto Interno Bruto (PIB) uma alta de 11,5%. Foi a maior taxa de expansão desde 2007.
A agência acrescentou que os preços ao consumidor chinês caíram 0,7% em março sobre fevereiro e subiram 2,4% na comparação com o mesmo mês do ano anterior. Os preços no atacado subiram 0,5% mês a mês e aumentaram 5,9% na comparação anual.
A produção industrial do país cresceu 18,1% em março sobre o ano anterior, ante estimativa do mercado de 18,2%.
A formação bruta de capital fixo - uma medida do investimento - saltou 26,4% no período de janeiro a março comparado a igual intervalo de 2009, ligeiramente acima das previsões de 26%.
Na época do Consciência Efervescente eu insisti diversas vezes que essa hipertrofia da economia chinesa não é motivo de comemoração, mas de muita apreensão. E volto hoje a insistir nesse ponto.
Tenhamos em mente que esse boom de produção industrial só acontece porque:
- trabalhadoræs são explorad@s de forma cruel, com salários ridículos, jornadas de trabalho imensas, proibição de greves -- lembre-se que a China tem um Estado totalitário a controlando -- e outras privações trabalhistas;
- utiliza-se as fontes de energia principais mais sujas possíveis -- carvão e petróleo -- para se impulsionar essa economia -- lembre-se que a China já superou os Estados Unidos como país mais poluente do planeta;
- a indústria chinesa desviou o interesse industrial de grande parte das empresas do planeta de modo que elas deixaram de fabricar muitos produtos pelo mundo e passaram a concentrar essa produção na China, onde os baixíssimos custos -- inclua-se a mão-de-obra barata e desprovida de direitos -- permitem alto lucro a curto prazo. Isso causa desemprego e fraqueza na economia de muitos outros países industrializados;
- a negação de direitos trabalhistas e a fácil obtenção de energia (suja) e matéria-prima desoneram muito os produtos industrializados e, assim sendo, eles são vendidos a preço de banana em todo o mundo.
Daí temos uma China de economia hipertrofiada. O recanto do que há de pior no capitalismo cresce na faixa dos dois dígitos a cada ano na base de muito mal.
E lembre-se que, quanto mais a economia chinesa cresce desse jeito, mais desgraçada é a poluição que ela emite e mais recursos naturais ela consome. O mundo já teve sua capacidade de renovação de recursos (renováveis) superada em 30%, e a China só vem piorando esse quadro.
Como já falei uma vez, tornou-se impossível boicotar a indústria chinesa para se fazer oposição consciente à megalomania totalitária, capitalista, poluente e antitrabalhista do regime ex-comunista daquele país. Diversos produtos, como lâmpadas fluorescentes, virtualmente só são produzidos na China hoje em dia.
Não sei o que pode ser feito no momento como ação direta, mas sei que o que se pode fazer no momento é conscientizar outras pessoas sobre o que está por trás da hipertrofia chinesa.
Fatos ambientais sobre pecuária, pesca e aquicultura
Numa contribuição para o Dia Mundial Sem Carne, trago vários fatos ambientais sobre o que a pecuária, pesca e aquicultura estão fazendo com o mundo em prol do consumo de carne e outros alimentos de origem animal. Compilei-os num livro que estou escrevendo e trago-os com as devidas fontes:
- A pecuária é vista como uma das principais ameaças a 306 de 825 territórios terrestres de atenção ecológica e a 23 dos 35 hotspots de biodiversidade (áreas de alta biodiversidade que vêm sofrendo com altos níveis de degradação e desmatamento). [http://www.fao.org/ag/magazine/0612sp1.htm]
- Os pastos e as plantações de alimentos para ração animal - soja e milho - são os maiores vetores de desmatamento na América Latina. [http://www.fao.org/forestry/foris/data/cofo/2007/steinfeld_henning_livestocks_role_in_the_deforestation_process.pdf]
- Apenas a pecuária extensiva ocupa 27% de todas as terras emersas. A América do Sul, o que inclui óbvia e principalmente o Brasil, é uma das únicas regiões onde os pastos ainda estão se expandindo. Essa expansão é fomentada, entre outros fatores, pelo crescimento da demanda da população por alimentos de origem animal. [http://www.fao.org/forestry/foris/data/cofo/2007/steinfeld_henning_livestocks_role_in_the_
deforestation_process.pdf]
- Entre 1994 e 2004, a área dedicada à plantação de soja mais que dobrou na América Latina, alcançando 39 milhões de hectares. Segundo a FAO/ONU, o principal responsável por essa explosão da sojicultura latino-americana foi o aumento da demanda das criações pecuárias de grande porte no leste asiático, especialmente na China. [ftp://ftp.fao.org/docrep/fao/010/a0262e/a0262e00.pdf]
- Um quilo de carne bovina pode requerer até 13 quilos de grãos. Um quilo de carne de cordeiro gasta 21 quilos de grãos. Um quilo de ovos de galinha, por sua vez, demanda o consumo de 11 quilos de grãos. [http://www.ajcn.org/cgi/reprint/78/3/660S]
- Apenas a pecuária gasta 8% de todo o consumo humano global de água, principalmente para a irrigação de plantações destinadas a alimentar criações animais. [http://www.fao.org/ag/magazine/0612sp1.htm]
- Em Botsuana, os animais de criação bebem 23% de toda a água consumida nacionalmente. [ftp://ftp.fao.org/docrep/fao/meeting/011/j9421e.pdf]
- Produzir um quilo de proteína animal requer até 100 vezes mais água do que um quilo de proteína de grãos, podendo em alguns países e sistemas específicos requerer até absurdos 200 mil litros, considerando-se todo o gasto em irrigação de plantações para alimentação animal e a ingestão de água pelos animais. [http://www.ajcn.org/cgi/reprint/78/3/660S]
- Um quilo de carne costuma requerer cerca de 20 mil litros de água para ser produzido, enquanto um quilo de arroz ou soja requer cerca de 2 mil litros. [http://www.anda.jor.br/?p=7444]
17 ideias para você salvar o mundo
Retirei essa do Ambiente Brasil -- que cita a fonte original como Super Especial - Como Salvar a Terra/junho 2001.
17 Idéias para você Salvar o Mundo
Do Ambiente Brasil
Nunca na história tivemos acesso a tanta informação - e também a tantas opiniões diferentes. Faça a coisa certa.
1. Informe-se
Acompanhe as notícias sobre o meio ambiente, atualize-se, estude a fundo os aspectos que mais lhe interessam
2. Aja localmente
Pense a respeito de como colaborar na família, na vizinhança, na escola dos filhos e na comunidade. Participe mais de tudo e difunda suas idéias sobre um mundo melhor.
3. Pense localmente
Estabeleça vínculo entre temas locais e globais. Apesar de magnitudes diferentes, os dois universos se correlacionam.
4. Some
Antes de pensar em formar uma organização não-governamental, procure ema parecida na qual você possa se engajar.
5. Otimismo é fundamental
Envolva-se de maneira criativa e divertida. Se quer atrair outras pessoas, pense em discursos e eventos positivos.
E viva o colapso viário urbano (Parte 4)
Faltando menos de 15 dias do fim do IPI reduzido na indústria automobilística, os veículos de modelos mais populares já estão faltando nas concessionárias do Recife. Em algumas delas, os estoques de carros novos já estão desfalcados em mais de 50%. Para quem não quer perder a oportunidade de comprar com o desconto, a alternativa pode ser se contentar com um modelo menos procurado.
Na Italiana (Fiat), já estão faltando Siena, Punto e Doblò. O estoque de Uno está reduzido. “Da última semana para cá, a movimentação aumentou mais de 20%”, conta a gerente de veículos novos, Gilvana Elias. “Queria um Linea, mas desisti de procurar. Para aproveitar o desconto do IPI resolvi me contentar com o Idea Adventure, que é mais ou menos na mesma faixa de preço”, revela o aposentado Edson Rodrigues, 57 anos.
Para o senso comum, é ótimo que o comércio de carros novos esteja explodindo. É um alento para a economia, um sinal de que estamos começando a crescer economicamente. Mas, para uma visão ambiental e urbana, já falei outras vezes, isso é um péssimo sinal.
É uma radicalização da cultura de ter um carro. As pessoas correm atrás de carros novos para terem direito àquilo que o transporte público caro, ineficiente, lotado e muito aperreante lhes nega. Fogem dos ônibus, que estão muito longe de dar conta do recado.
É também uma ameaça ao meio ambiente, com a proximidade da exaustão de recursos minerais (incluindo petróleo e minérios), a piora da poluição e o agravamento da concentração de gases-estufa na atmosfera. Fumaça e mais fumaça poluem nossas já combalidas cidades e ameaçam o clima de todo o planeta.
E, finalmente, é o caos nas ruas. As avenidas e ruas do Brasil paralisam-se, o sistema viário se aproxima do colapso. Os engarrafamentos tornam-se constantes.
Enquanto isso, o governo adora ver os carros se multiplicando pelas ruas, pois é um sinal de que sua política econômica está conseguindo fazer o país crescer. Mas, em contrapartida, despreza o sistema de transporte público. Desde as ameaças de cortes de investimentos no fim da CPMF, lá no final de 2007, não tenho mais ouvido falar em qualquer política pública, estadual ou nacional, de transporte coletivo urbano. Anunciam vias e mais vias a serem construídas, mas nada de ferrovias (salvo poucas exceções que não incluem o Recife), subsídios ou compromissos obrigatórios -- como disponibilizar ônibus suficientes, diminuir superlotações, diminuir o intervalo entre ônibus.
Como disse Sérgio Santos do blog Sujeito Médio: três vivas para o colapso viário das cidades brasileiras!
Venezuela dá banana ao meio ambiente com gasolina superbarata
Na terra onde Cruzeiro busca arrancada, trânsito é caótico e com 'latas-velhas'
Quando deixar o hotel onde está concentrada para seguir até o Estádio Olímpico, nesta quinta-feira, a delegação do Cruzeiro terá mais um exercício de paciência. Afinal, o trânsito de Caracas – local da partida contra o Deportivo Italia, pela Libertadores –, é caótico a qualquer hora do dia. A grande quantidade de carros nas ruas, que torna o movimento tão intenso, se explica pelo baixíssimo preço da gasolina na Venezuela.
Dono da maior reserva de petróleo da América Latina, a Venezuela se permite estipular o preço de R$ 0,05 por litro de gasolina, de acordo com o câmbio atual. Algo irrisório se comparado aos quase R$ 3 em muitas cidades do Brasil. Para se ter uma ideia, uma garrafa de 600 ml de refrigerante na partida do Cruzeiro nos arredores do estádio sairá pelo equivalente a R$ 4.
Isso explica o grande número de carros particulares circulando nas ruas. As últimas estatísticas apontam que na Venezuela há um destes veículos para cada 11 habitantes, o que significa que a população pode ser dar ao luxo de deixar de lado o transporte público para contar com seu próprio meio de locomoção.
Além disso, a fiscalização de veículos é ineficiente. Não há vistoria anual, e as blitzes nas ruas e estradas se restringem a revistar os passageiros. Assim, o venezuelano opta por carros grandes, velhos, que consomem muito combustível e que estão em péssimo estado de conservação.
Taxista de Caracas, Georges Florentín admite que é difícil se acostumar com o trânsito da cidade. Segundo ele, ainda não foi encontrada uma solução eficiente para melhorar a situação, até porque o respeito aos sinais de trânsito, por exemplo, é algo que passa longe do pensamento dos venezuelanos.
- Infelizmente é preciso de um planejamento antecipado para quem deseja sair de carro. Um trajeto de 15 minutos pode acabar durando 45, dependendo da hora do dia - observou.
Provavelmente era intenção da Globo criticar o governo/regime de Hugo Chávez nessa notícia. E atingiu, de forma implícita -- talvez subliminar -- um ponto que até hoje nunca vi ninguém comentar sobre a Venezuela: meio ambiente.
Gasolina superbarata + carros velhos nas ruas = poluição atmosférica em grandes proporções com gases-estufa e muita fumaça. É a opulência petrolífera venezuelana favorecendo o oba-oba do envenenamento e esquentamento do ar daquele país e do planeta.
Até me mostrarem o contrário, estou convicto de que o chavismo não dá a mínima para o meio ambiente, tampouco para as mudanças climáticas. Assim como os Estados Unidos e a China.
Mais um emblema da exploração trabalhista e ambiental chinesa
Após "iPobre" e HiPhone, chineses lançam SpeedPad
Quando a Apple lançou o iPod, eles responderam com o "iPobre". Daí surgiu o iPhone. E eles rebateram com HiPhone. Pois não é agora, com o anúncio do iPad, que os chineses vão deixar a peteca cair. Digam olá ao SpeedPad, tablet genérico que deve infestar pontos de compras populares como a rua Santa Ifigênia (centro de São Paulo) nos próximos meses.
O modelo PWS700HA, da companhia HiVision, foi apresentado na feira alemã de tecnologia Cebit, a maior do mundo. O produto está em exposição no "Golden Mall", área reservada a empreendedores asiáticos. No corredor do SpeedPad, também é possível encontrar pendrives e enfeites para celulares.
Prendam a respiração, porque chegou a hora da descrição técnica.
O tablet chinês tem um magro processador Samsung 6410 (800 MHz), exíguos 2G[b] para armazenamento de arquivos e memória RAM de 256 MB.
Na placa informativa, os anunciantes prometem rodar "Andriod", o que só pode ser o sistema operacional aberto do Google para dispositivos móveis, Android. No tópico "software", a empresa chinesa garante "web browser, e-mail, Google, mapa e clima".
Sua tela tem resolução de 800x480 pixels. É sensível ao toque às custas de uma tecnologia ultrapassada (resistiva). O display é menos preciso e mais barato do que o empregado no iPhone (capacitivo). A bateria dura 6 horas, mas o tempo de vida do aparelho não é informado. Em todo caso, é melhor não se apegar.
Já podem soltar o ar. O trunfo deste portátil, afinal, não é sua configuração, mas o custo. O SpeedPad deve ser lançado com preço semelhante ao do laptop da Xuxa --entre US$ 90 e US$ 100, segundo os expositores que vieram à feira. O difícil vai ser decidir com qual ficar.
Mais uma máquina precária, malfeita e barateira, provavelmente composta de produtos tóxicos, vinda das mãos de operári@s mal-pag@s e recursos naturais extraídos de forma predatória. De trabalhadoræs sob exploração intensa e descarada e empresas que desconhecem termos como ISO9001 e gestão ambiental, jamais espere máquinas de qualidade.
E, pelo visto, o regime totalitário chinês adora isso (sem ironia), uma vez que é sua indústria nacional que, às custas de ferrenha exploração trabalhista e ambiental, se propaga ao mundo, atraindo consumidoræs alienad@s que, sem querer saber da procedência, dão preferência total àquilo que custa pouco e mandam às favas os direitos humanos e trabalhistas, o meio ambiente e qualquer exigência de qualidade.
Uma coisa é verdade: se você comprar máquinas fuleiras como esse HiVision PWS700HA, estará, em prol de preço baixo, mancomunando-se com tudo o que não presta em termos de exploração trabalhista, opressão, totalitarismo e destruição ambiental.
Se e impossível boicotar a China nos dias de hoje, pelo menos é possível evitar comprar esse tipo de quinquilharia que vem a preços baratos demais. Já sabemos que foram mãos exploradas e oprimidas e produtos tóxicos e poluentes que fabricaram esse tipo de máquina barateira e sem qualidade.
Ambientalismo e Direitos Animais: uma simbiose fraternal
Artigo escrito em junho de 2009. "Upado" em comemoração ao Dia Mundial do Meio Ambiente de 2010
Presenciamos anualmente muitas ações de organismos ambientalistas estatais (IBAMA, Ministério do Meio Ambiente, secretarias estaduais ambientais etc.) e não-governamentais (Greenpeace, WWF, Sea Shepherd etc.) direcionadas ao combate de crimes ambientais que envolvem opressão de animais não-humanos. Tais atuações vêm comprovando e apontando uma verdade essencial que se aproxima cada vez mais do óbvio dia após dia: ambientalismo e Direitos Animais são movimentos irmãos, possuem uma associação perfeita e inquebrantável, e tentar vê-los ou praticá-los de forma separada será uma encaração sempre incompleta e limitada.
Essa associação é muito rica e, mais que uma relação de causa e efeito entre a exploração animal e crimes ambientais, é uma constatação lógica e uma visão ecológica bem mais abrangente e completa. As duas causas completam-se entre si de tal modo que ações de um lado que deem menor importância ao outro serão apenas enxugamento de gelo.
O primeiro ponto principal que torna ambientalismo e Direitos Animais inseparáveis surge na convergência de ambos em zelar pela fauna. O primeiro vê os animais como parte essencial da biosfera ao lado da flora, dos micro-organismos e dos elementos abióticos e o segundo defende que sua integração à natureza como seres livres e íntegros lhes é um direito inalienável, juntando-se numa proteção excelentemente justificada.
O ambientalismo, quando livre das limitações impostas por visões naturalistas e antropocêntricas, inclui todo o Reino Animal em sua esfera de proteção, passando a abranger também os animais domésticos e os humanos, tendo nesse ponto um importantíssimo respaldo dos Direitos Animais e até fundindo-se com este.
O desenvolvimento petrolífero não é nenhum motivo de festa
Artigo escrito em junho de 2009
A descoberta das reservas de petróleo pré-sal e a construção da refinaria de Suape foram eventos largamente comemorados pelos governos federal e pernambucano respectivamente. Foram anunciados como provedores de crescimento econômico e partes de uma tendência de aproximação da sonhada prosperidade econômica do Brasil e de Pernambuco. Muita gente, incluindo brasileiros médios, certamente ficou bastante feliz com ambas. Mas eu não fiquei.
Megaempreendimentos petrolíferos, por mais “imprescindíveis” que a mídia faça parecerem, não me deixam mais animados. Simbolizam a teimosia dos planos desenvolvimentistas em permanecerem dependentes do petróleo, do crescimento econômico sujo, da insustentabilidade, do progresso cancerígeno.
Nossos governantes, quando comemoram tais empreendimentos, dão as costas tanto para quem clama pelo redirecionamento da política energética e ambiental como para o próprio planeta, cuja atmosfera vem sofrendo um aquecimento gradual – e catastrófico – graças às emissões que os poços e refinarias ao redor do mundo sustentam.
Ignoram que cada grande reserva de petróleo encontrada – ainda mais enormes, como afirmam que o pré-sal é – é mais um adiamento significativo da hora em que os governos do mundo admitirão a busca por fontes limpas e renováveis como uma providência inadiável e urgente. Representa mais uma carga de milhares ou milhões de toneladas de gás carbônico, metano e outros gases-estufa sendo lançada na atmosfera. É mais um prolongamento da era da dependência crônica da gasolina, diesel e querosene tão poluentes e do automóvel que impede que a bicicleta e o trem assumam um papel importante no transporte de pessoas.
BR-408 sim, Linha Norte não, e menos mata na Zona da Mata
Artigo escrito em outubro de 2009. Fala de um fato ainda corrente, que não perdeu a atualidade.
Foi lançado há algumas semanas [outubro de 2009] o EIA/Rima da duplicação parcial da rodovia BR-408, uma das principais vias da Zona da Mata Norte de Pernambuco. Com ele, um lamentável anúncio: uma área considerável de mata atlântica de municípios como São Lourenço e Paudalho será derrubada para dar lugar à segunda faixa da estrada e às suas margens.
Esse verdadeiro ecocídio poderia ser evitado se, em vez de mais asfalto, fosse reconstruída a velha ferrovia Linha Norte e/ou uma linha férrea paralela para passageiros, mas, como era de se imaginar, dessa ideia ninguém quis chegar perto.
44,71 hectares* de vegetação frondosa e biodiversa serão postos abaixo com a obra, afirma o EIA/Rima. E é de se considerar que todo governo vê como evidente o fato de que toda rodovia que cruza áreas florestais inevitavelmente causará desmatamento direta e indiretamente ao ser pavimentada ou duplicada. Mas isso não está impedindo o governo de levar adiante o empreendimento.
Havia a alternativa de, ou fazer uma Parceria Público-Privada com a Transnordestina S/A para criar na ferrovia Linha Norte uma linha de trens de passageiros – caso fosse possível a empresa trabalhar com passageiros –, ou construir uma ferrovia estatal paralela com o fim de transporte de pessoas. Para o transporte de cargas, a Transnordestina S/A poderia construir estações modernas na velha linha – depois da devida restauração dos trilhos – para se abastecer as indústrias da região.
A estrada-de-ferro, mesmo que tenha trechos construídos dentro de florestas, possui um impacto ambiental muitíssimo menor do que rodovias. Não fomenta a ocupação humana à beira dela e concentra toda a pressão urbana em torno das estações. Os trens, mesmo se passam de meia em meia hora numa linha de longa distância, poluem muito menos do que o enorme fluxo de carros, ônibus e caminhões de uma estrada de asfalto.
Mas como ferrovia é palavrão e tabu para nossos governos, essa opção, ao que parece, nunca foi vislumbrada como alternativa à desmatadora duplicação rodoviária. É preferível destruir um pedaço grande da já escassa mata atlântica a recorrer à solução ferroviária.
A duplicação da BR-408, julgo eu, está na mesma categoria de obras ambientalmente polêmicas em que se inclui a Via Mangue no Recife, por exaltar o uso do carro numa realidade de aquecimento global e exaustão de recursos naturais, causar impactos fortes e muito relevantes na vegetação ao redor, reafirmar a falta de preferência pelo transporte sobre trilhos (trens e VLTs) e favorecer os interesses de indústrias petrolíferas, automotivas e de pneus e empresas de ônibus – no caso da rodovia, de média e longa distância.
Está sendo dado um mau exemplo de como lidar com o meio ambiente ao se optar pelo desmatamento em vez de se estudar alternativas de transporte. A verdade é que, enquanto nossos governos continuarem desprezando os trilhos como modal de grande eficiência e ambientalmente amigável – mais ainda para passageiros –, o Brasil permanecerá sendo um país que não sabe conciliar seus meios de transporte e o meio ambiente.
BR-408, BR-101 nordestina, BR-319 na Amazônia... O governo sabe como estradas são vetores de desmatamento e que a opção ferroviária existe como alternativa, mas insiste em glorificar as primeiras e ignorar a última. Continuaremos lamentando a perda de muitos pedaços de florestas, cerrado, caatinga e outros biomas graças à atitude de valorizar apenas as rodovias.
*”A Área de Influência Direta do empreendimento comporta atualmente 157,34 ha de Mata Atlântica, sendo que os fragmentos contidos na área compreendida pela faixa de servidão do empreendimento (40m de largura) ocupam 39,20ha e na área compreendida pelas faixas de rolamento e de segurança do empreendimento (12,20m de largura) comporta 5,51ha do bioma.” (total de 44,71ha) Fonte: http://www.slideshare.net/vfalcao/rima-br-408-2184416







