Arauto da Consciência

Energia vs. Amazônia: esse é o nosso governo federal

Postado em 18/05/2010 à/s 0:36

Ibama admite extinções em Belo Monte

"Quatro ou cinco espécies de peixes têm potencial de se extinguir, mas assumimos esse risco. Para o conjunto da Amazônia, faria muito mais mal construir 25 termelétricas do que a usina hidrelétrica de Belo Monte", afirma o biólogo Antonio Hernandes, do Ibama.

Coordenador de infraestrutura de energia elétrica do órgão ambiental, Hernandes falou à Folha em resposta às críticas feitas por um grupo de ictiólogos, biólogos especializados em peixes, ao estudo de impacto ambiental que tornou possível o licenciamento e posterior leilão da usina.

Entre outros problemas, esses cientistas apontam a imperícia na identificação das espécies nativas do trecho do rio Xingu que receberá a usina.

Os bichos teriam sido igualados erroneamente a peixes que só existem em outras bacias hidrográficas. Subestima-se, assim, a presença no Xingu de espécies que ainda nem ganharam nome científico.

Também reclamam que houve desleixo no cadastro dos espécimes coletados em museus, o que pode atrapalhar o estudo da diversidade de espécies quando seu habitat estiver alterado ou mesmo desaparecido. E afirmam que o número real de peixes sob risco de sumir pode ser muito maior do que quatro ou cinco.

O Ibama, porém, discorda.

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Usinas no Rio Tapajós alagarão áreas protegidas

As cinco hidrelétricas que o governo planeja construir na região do rio Tapajós, no Pará, afetarão diretamente 871 km² de áreas protegidas de floresta, uma área equivalente a metade da cidade de São Paulo.

O cálculo foi feito pela Folha com base em dados do estudo de inventário hidrelétrico dos rios Tapajós e Jamanxim, produzido pela Eletronorte e pela Camargo Corrêa.

Segundo o relatório, preliminar, deverão ser alagadas pelos reservatórios das usinas porções de dois parques nacionais e três florestas nacionais. Somados, os reservatórios das cinco hidrelétricas terão 1.979 km² de área.

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2010 é o ano dos ecocídios, não da biodiversidade. Mais um ecocídio vem aí em Pernambuco

Postado em 12/05/2010 à/s 18:45

E o novo ecocídio da vez não tem a responsabilidade de Eduardo Campos -- pelo menos enquanto ele não sanciona --, mas de Augusto Coutinho (DEM), o mesmo que havia votado contra o ecocídio de Suape.

Projeto de lei autoriza desmatamento de 7,4 hectares de mata atlântica

Mais um projeto de lei em tramitação na Assembleia Legislativa para autorizar desmatamento de vegetação nativa. Dessa vez a autoria é de Augusto Coutinho (DEM), o mesmo que liderou recentemente discussão na Alepe sobre projeto de lei que permite a supressão de 691,4574 hectares mangue, mata atlântica e restinga em Suape. A obra, diz o texto, é para  o alagamento de uma área para a formação de reservatório de uma "pequena central hidrelétrica."

O projeto de lei (PL), de número 1591, prevê o desmatamento de 7,4 hectares, distribuídos em 44 fragmentos, para a construção da central, chamada Pedra Furada, no município de Ribeirão, na Zona da Mata Sul. As áreas, segundo o PL, estão localizadas às margens do Rio Sirinhaém. O decreto denominando a obra como de utilidade pública, afirma o texto, está na Portaria nº 15, de 16 de janeiro de 2008, do Ministério de Minas e Energia. E a Licença de Instalação já está assinada pela  Agência Pernambucana de Meio Ambiente (CPRH). O número, detalha o PL, é 01.10.03.020489-4 e a validade, 15 de março de 2011.

É de desmatamento em desmatamento que a natureza em Pernambuco vai se acabando. Pelo visto os poderes Executivo e Legislativo, seja da situação "esquerdista", seja da oposição direitista, não vão parar enquanto a última árvore não tiver sido derrubada em território pernambucano em nome desse doentio progresso insustentável e irresponsável.

Dessa vez infelizmente não vai haver ninguém se mobilizando contra mais essa ameaça de desmatamento, já que se trata de área bem menor -- pouco mais de 1% do ecocídio de Suape -- e de menos importância regional e global que o caso do estuário da Bacia do Ipojuca e, nesse caso, a coisa ser mais passível de compensação com vegetação equivalente do que a destruição de mangues. Mas reitero que,  assim como de grão em grão a galinha enche o papo, é de hectare em hectare que no final não teremos mais nenhum hectare de ecossistemas naturais em pé!

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O “belo monte de fezes”: saiba mais sobre a fatídica usina

Postado em 20/04/2010 à/s 23:27

Como dito hoje de noite, o governo federal fez sua parte em tornar o mundo pior e a natureza mais rala ao cassar a liminar que impedia o leilão de Belo Monte e realizá-lo.

Saiba, com um texto trazido pelo Greenpeace, um pouco mais sobre essa usina que vem dividindo opiniões, ora de gente a favor do desenvolvimento (insustentável como o fomentado por "É" Motosserra aqui em Pernambuco), ora de pessoas preocupadas com o descaminho ambiental das fontes de energia no Brasil, que o governo quer tratar com hidrelétricas devastadoras de enormes áreas e importantes rios, com termelétricas e até com energia nuclear:

Belo Monte: triste história

Belo Monte, no rio Xingu onde o governo Lula pretende plantar a terceira maior usina hidrelétrica do mundo, tem uma história recente muito feia. Ela começou em 1979, quando técnicos do governo federal terminaram estudos concluindo sobre a viabilidade da construção de cinco barragens no Xingu e uma no rio Iriri. O desastre social e ambiental provocado pela construção de Itaipu, no rio Paraná, que deslocou milhares de pessoas e afogou um de nossos mais relevantes Parques Nacionais, o de Sete Quedas, aliado à crise financeira pela qual o Brasil então passava, deixou os planos de Belo Monte esquecidos no armário.

O governo de José Sarney ensaiou desengavetá-los, mas diante dos impactos que o plano original provocaria no meio ambiente e das dúvidas sobre o custo da obra preferiu que eles continuassem trancados. Pesou muito na decisão de Sarney a consolidação da resistência dos povos indígenas do Xingu à obra. Eles sempre foram contrários à usina. Mas em 1989, eles se reuniram no 1º Encontro dos Povos Indígenas do Xingu e conseguiram repercussão internacional de sua luta, fazendo o governo recuar para uma revisão dos planos. A porta para a hidrelétrica abriu-se novamente durante o apagão no governo Fernando Henrique.

A envergadura original do projeto foi reduzida. Da proposta inicial de cinco barragens, ficou-se com uma. E para usina, ao invés das convencionais, decidiu-se usar turbinas bulbo, que operam a fio d’água e exigem menor área de alagamento. Isso diminuiu, mas não tornou o impacto da obra mais aceitável. Ela vai causar um desmatamento de pouco mais de 50 mil hectares, provavelmente um dos maiores que irão ocorrer na Amazônia este ano. Seus efeitos sobre a fauna, a biodiversidade e sobre os indígenas que dependem do Xingu para sua sobrevivência , segundo técnicos do Ibama, ainda estão longe de terem sido adequadamente avaliados.

Do ponto de vista econômico e financeiro, as incertezas não são menores. O governo começou dizendo que Belo Monte custaria 7 bilhões de reais. Ultimamente, andou revendo esse montante para 16 bilhões. As empresas que se candidataram ao leilão da concessão, marcado para acontecer amanhã, terça-feira, dia 20 de abril, na sede da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel)  em Brasília, falam em 30 bilhões.

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