Papa Francisco reincide em preconceito contra o “homem (sic) sem Deus”

Os discursos do papa Francisco se contradizem. Ora ele se declara pró-diálogo, declarando inclusive que bons ateus também merecem a redenção divina (declaração “corrigida” por um Vaticano que cassou oficiosamente sua “infalibilidade”), ora vocifera contra aqueles que vivem independentes de uma crença em Deus. Ontem no Vaticano, na missa conclusiva da jornada mundial “Evangelho da Vida”, ele voltou a atacar quem “opta” por viver descrente na existência de um deus.
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Papa Francisco, um pontífice não mais sumo desde que o Vaticano “corrigiu” sua declaração sobre os ateus serem redimidos
Aviso: texto polêmico para católicos. Se você é católico praticante, leia por sua conta e risco.
Essa semana, o papa Francisco surpreendeu o mundo ao dizer que os ateus de bom coração e boas obras também são dignos da salvação divina. Mas, pouco tempo depois, foi “desmentido” por alas hierárquicas inferiores do Vaticano, as quais, por meio de algum porta-voz, declararam que, por não terem fé em Cristo e nos dogmas católicos, os ateus não terão qualquer redenção depois da morte. A instituição Igreja Católica, por insinuar que o “infalível” papa “falhou”, mantém sua milenar intolerância religiosa oficial a um preço muito alto: a integridade do seu moral político e espiritual.
Com essa providência que visa manter o controle sobre seus fiéis pelo medo de renunciar à fé e continuar negando o reconhecimento da dignidade de quem pensa diferente do dogmatismo católico oficial, a ICAR entra em contradição, ao revogar de forma oficiosa o dogma da infalibilidade papal – ao “corrigi-lo” – e tirar dele o moral que tinha como porta-voz de Deus. Aliás, o próprio Deus católico se mostra indeciso, falho e imperfeito, ao anunciar que redime os ateus e voltar atrás em seguida.
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Ateus e pagãos, vítimas do mesmo preconceito, precisam se unir

Observando-se as ladainhas preconceituosas que culpam a “falta de Deus” pelas desgraças que acontecem no mundo, concluímos que não dá para ignorar que os ateus não são os únicos atingidos por tais discursos credocêntricos que arrogam às religiões monoteístas o monopólio da moralidade. Eles não são os únicos que não acreditam no deus único dos preconceituosos que não aceitam a existência de ética fora da(s) religião(ões) de deus único. Há mais pessoas vítimas desse tipo de declaração intolerante: os pagãos, ao mesmo tempo irmãos de descrença monoteísta dos ateus e portadores de um sistema de crenças peculiar.
Ao falar de paganismo e pagãos, me refiro aqui respectivamente a qualquer religião não abraâmica que tenha raízes nas tradições politeístas da Antiguidade e da Alta Idade Média – incluindo-se também o hinduísmo, o xintoísmo e religiões ameríndias e africanas nativas – e aos seus aderentes. Geralmente a máxima “O nosso Deus é o mesmo”, dita por religiosos monoteístas, não se aplica a eles, dadas as fortes diferenças entre as divindades pagãs e os deuses únicos como o bíblico e o corânico.
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Artigo intitulado “Bárbaros intramuros” investe no conservadorismo moral e culpa “falta de Deus” por violência urbana
Um artigo intitulado “Bárbaros intramuros”, publicado na última quinta no portal do Diário da Manhã (DM.com.br) por Valmor Bolan, investiu no apelo conservador à “educação moral” e culpou a “falta de Deus no coração e na mente das pessoas” pela violência urbana.
O trecho preconceituoso foi esse:
Falta moral! É isso do que precisamos recuperar urgentemente. “A sociedade precisa de mais educação moral”, afirma Peter Kreeft, em seu livro Como vencer a guerra cultural, pois estamos em guerra, segundo o autor. Ao contrário do que pensa o ateu Richard Dawkins, Kreeft diz que “a religião sempre foi a fonte primária do conhecimento que a humanidade tem da moralidade”. E toda esta violência é sobretudo sintoma da falta de Deus no coração e na mente das pessoas. O bombardeio midiático diário só fala de violência e de consumismo, com apelos de hedonismo, individualismo e permissividade. Daí então a frieza do coração, que leva muitos a insanidades como as que temos tido notícias ultimamente, e que tem causado dor e consternação.
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Mais um preconceito de clérigo católico contra a descrença em Deus ressoa pela internet. O preconceituoso da vez é o padre Marcelo Rossi, que, abordando de maneira rasa o problema da violência urbana, culpa a “falta de Deus” como “uma das causas” do aumento dos índices de criminalidade nas cidades. O artigo preconceituoso dele é intitulado “Com Fé venceremos a violência” e foi publicado no portal O Tempo ontem:
Acredito que o mundo nunca esteve tão violento, que um dos motivos para isso estar acontecendo é a falta de Deus na vida das pessoas e, consequentemente, a falta de amor nos corações de todos. A vida, ou o sentido de “viver”, nunca foi tão desvalorizada.
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A internet brasileira é cheia de artigos de colunistas, sacerdotes cristãos ou não, falando mal, com bastante preconceito, da não crença em Deus (especificamente no Deus cristão ou, no máximo da abrangência, abraâmico), e hoje veio ao ar mais um desses textos. Escrito por José Ouverney, colunista do Portal R3, o artigo “Sandália da humildade!”, que fala do papa Francisco I, lançou essa pérola antes de alternar da prosa à poesia:
A ausência de Deus nos corações das pessoas mina os sentimentos de fraternidade, respeito, tolerância… Destrói a sensibilidade. E, principalmente, alimenta a vaidade, o egoísmo, a inveja, o rancor. Não estou dizendo nada de novo. Todos nós já sabemos disso.
O trecho estranhamente foge do contexto do que o artigo fala, partindo de falar da missão de Francisco para esse minuto de preconceito, segundo o qual a descrença em Deus (afinal, pessoas que não acreditam em Deus naturalmente não o terão nos seus corações) implica os mais diversos males, apagando virtudes e alimentando desqualidades. Parece ser mais um reflexo da falsa crença binária segundo a qual todos os seres humanos se dividem em cristãos fiéis e cristãos rebeldes, não existindo irreligiosos nem outras religiões.
Protestos educados devem ser enviados aos comentários do texto.
Papa Francisco fala da violência “provocada pela falta de Deus na humanidade”

O papa agora é outro, mas o preconceito contra quem “não tem Deus no coração” é o mesmo. Francisco I herdou de Bento XVI a velha intolerância contra quem vê vida fora da crença em Deus. Num encontro com líderes religiosos na manhã de hoje, o papa afirmou: “Somos testemunhos de quanta violência é provocada pela falta de Deus na humanidade”, na tentativa de conclamar as religiões não católicas a, presumivelmente, não deixarem que a “falta de Deus” “condene” os seres humanos.
Com tal frase, o discurso dele aparenta ser de aproximação com outras religiões monoteístas, mas mostra afastamento perante os ateus e os adeptos de religiões politeístas que não acreditam no deus único dos cristãos. Não era de surpreender, visto que Francisco nada mais é do que apenas mais um papa conservador na história da igualmente conservadora Igreja Católica.
Os ateus estão de olho nos discursos que Francisco I dará durante seu papado, dispostos a se defender tão logo ele vá demonstrando mais preconceito contra quem vive bem sem acreditar em Deus.

Em evento na cidade de Sinop (MT), o Dr. Robert Rey, também conhecido como Dr. Hollywood, deu uma aula de preconceito contra ateus, num discurso típico de pessoas que parecem não saber que existem pessoas que não acreditam em Deus(es). Num discurso considerado uma “mensagem de otimismo”, o “médico das estrelas” falou, segundo o ExpressoMT:
Uma coisa que eu descobri na minha vida é que você tem que acreditar em Deus, porque senão a pessoa fica sem direção, tem que ter Deus na sua vida, eu descobri que, sem Deus, não vai funcionar. Segundo você tem que escolher ser alegre. Terceiro você tem que cuidar do seu templo (do seu corpo). E quarto você tem que devolver à sociedade o que você ganha, e você tem de sonhar o sonho impossível, olha eu sou filho de faxineira, eu sai da classe mais baixa brasileira, e eu conquistei o mundo, por que eu tive o sonho impossível, trabalhei dia e noite, acreditei em mim mesmo, tive Deus no meu coração, então essa é a chave.
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Algumas fanpages ateístas/antiteístas “presentearam” seus curtidores com essa pérola atribuída ao humorista (até onde ele é humorista e não envereda ao atributo de simples idiota autor de piadas ofensivas, desconheço) Bill Maher, na qual ele difama a fé dos religiosos e, dependendo da interpretação, de qualquer outra pessoa que tenha algum tipo de fé.
Segundo ele, a fé seria a mera ausência de pensamento, uma prisão-caverna platônica que prenderia o ser humano a “fantasias e tolices” e uma justificativa para “tanta insensatez e destruição”.
A estratégia para tentar depreciar a fé, religiosa ou não, das pessoas é a mesma que os antirreligiosos sempre usam contra as religiões em geral: generalizar a qualquer pessoa que tenha fé em algo ou alguém os lunatismos e ódios típicos dos fundamentalistas. Por existirem cristãos/muçulmanos/judeus fanáticos que pregam a destruição de quem não compartilha da sua fé e convicções morais, automaticamente todos os seres humanos com fé seriam seres aberrantes aprisionados numa eterna primeira infância que os impulsionaria a uma destruidora anomia moral.
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Depois de mais de um mês, a série Desmentindo imagens antirreligiosas preconceituosas volta a dar as caras por aqui escancarando e desmontando mais imagens panfletárias que advogam de forma generalizante e preconceituosa contra as religiões e o próprio conceito de religião – e algumas das quais, enquanto malignizam a religião, exaltam o ateísmo como se fosse sua nêmese do bem. A imagem da vez é essa:
A imagem “toma de assalto” uma outra que já vinha circulando, comparando as falas (que creio serem mais sínteses imaginadas do ideário segregador das duas personalidades do que citações de frases realmente ditas) dos dois defensores da intolerância para fazer uma inferência falaciosa e muito preconceituosa sobre crença em Deus, religiões e ateísmo e propagar o último como “salvador” do mundo.
A frase tem três partes, todas dignas de crítica:
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O preconceito antirreligioso enfeia o mundo com mais uma pérola de intolerância. Usando um meme de Gil Brother Away, diz que “tua religião” está “enfeiando meu mundo”, o que reflete o preconceito transmitido pelas fanpagens ateístas antirreligiosas e a patente ignorância histórica e antropológica exibida pelas mesmas.
Novamente a base dos antirreligiosos ao atirar preconceito contra as religiões são os abusos das vertentes fundamentalistas de algumas religiões – especificamente denominações fundamentalistas do cristianismo e do islamismo e clérigos aproveitadores que manipulam a religião que professam para obter vantagens pessoais e controlar outras pessoas.
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A esfera antirreligiosa do Facebook, de fanpages que dizem ser ateístas e defender os ateus mas na verdade vêm servindo, vez ou outra, de janelas de despejo de preconceito antirreligioso, continua emanando rajadas de preconceito e generalização e, por tabela, agredindo aquelas pessoas que são religiosas e nem por isso saem por aí ferindo, torturando e matando seres humanos e outros animais.
Nas duas imagens abaixo, atrocidades praticadas por religiosos fundamentalistas novamente são atribuídas à religião em seu conceito e essência:
a)
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