Arauto da Consciência
10mar/102

Vão esforço católico contra a gripe suína / ACORDA! (Parte 22)

Me causou um certo constrangimento alheio essa comunidade no Orkut:

Não intenciono ridicularizar essa comunidade, mas sim fazer uma crítica cético-racional. Para a infelicidade d@s católic@s dessa comunidade, esse "esforço" não funcionará. Pelo contrário, a gripe suína até tornou-se mais poderosa do que as próprias religiões, como se pode ver aqui.

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7mar/102

Crer em Deus é mais complicado do que parece

É o que mostra o vídeo de Fernando Thomazi, intitulado "Você acredita em deus?"

Veja e reflita, se sua fé deixar.

Uma pequena observação de erro: Hércules não era um deus.

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7mar/100

O que Jesus não fez

Criado pelo NonStampCollector, um genial canal de desenhos esclarecedores no YouTube, o vídeo "O que Jesus não faria", dublado por Alessandro Magno e postado no blog Bule Voador, mostra o que Jesus deixou de fazer, coisas que poderiam confirmar a existência do deus cristão para toda a humanidade e, de quebra, melhorar ao extremo a vida da humanidade.

Se você tiver cerca de 9 minutos livres, assista e reflita. O desenho é muito inteligente.

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6mar/100

Saiba isto sobre a Bíblia!

A partir de hoje, como parte do esforço de conscientizar, esclarecer e abrir os olhos, levando a luz da Razão e do livre-pensamento à escuridão da credulidade e submissão religiosa, vou de vez em quando trazer o conteúdo de alguns tópicos da comunidade Contradições da Bíblia no Orkut. Como faço com qualquer assunto que trago de outros sites, vou dizer as devidas referências.

Aposto que você não sabia isso sobre a Bìblia dita sagrada:

Saiba isto sobre a Bíblia
por Sky Kunde, da comunidade Contradições da Bìblia no Orkut

É comum em debates alguém dizer algo como "Mas no original da bíblia blábláblá... " Porém, não existem originais da bíblia, e sim cópias de cópias. Quando alguém diz "original" na verdade está se referindo aos manuscritos mais antigos disponíveis e não aos que foram escritos pelo punho do autor.

Diz na Sociedade Bíblica do Brasil:

"Todos os autógrafos, isto é, os livros originais, como foram escritos pelos seus autores, se perderam.

O mais antigo fragmento do Novo Testamento hoje conhecido é um pequeno pedaço de papiro escrito no início do Século II d.C. Nele estão contidas algumas palavras de João 18.31-33, além de outras referentes aos versículos 37 e 38.

O pergaminho de Isaías é o mais remoto trecho do Antigo Testamento em hebraico. Estima-se que foi escrito durante o Século II a.C."

Qual a relevância disso? Bom, o ponto em questão são as supostas profecias. Se não temos os originais anteriores aos eventos supostamente profetizados então não há como comprovar que realmente previram alguma coisa. Ou seja, as "profecias" podem ter sido inseridas após os fatos!

Exemplo: Jesus, em Mateus 24, diz que o templo seria destruído; o que realmente aconteceu. Mas não temos nenhum trecho de Mateus (ou de qualquer outro evangelho) anterior ao evento contendo tal "profecia".

O mesmo ocorre com outros livros onde são "preditas" várias desgraças contra Israel e os reinos próximos; como o Egito e a Babilônia. Um bom exemplo disso é o livro de Daniel, considerado uma obra do séc. VI a.C. Contudo, evidências internas demonstram tratar-se de uma fraude produzida séculos mais tarde; por volta do ano 165 a.C.!

Desse modo podemos considerar seriamente a ponderação do filósofo David Hume:

"Nenhum testemunho é suficiente para comprovar algo extraordinário a menos que o testemunho seja de um tipo tal que a sua falsidade (ou engano) fosse ainda mais extraordinária que o fato que tenta estabelecer." (citação adaptada)

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3mar/100

Frase da semana (28/02-06/03), e algumas surpreendentes passagens bíblicas

É uma frase minha mesmo.

"Se Deus é contra os midianitas, amalequitas, jebuzeus, amorreus etc., quem será por eles?" Eu no Twitter agora há pouco

É "fato" que o deus bíblico foi um senhor de guerra de dar inveja a muitos generais e autocratas genocidas e imperialistas da Idade do Ferro. Veja alguns exemplos bíblicos de como o mesmo Deus que @s cristã/o/s adoram hoje como senhor absoluto do amor e da bondade foi um dia (supondo que a mitologia bíblica fosse uma coletânea de fatos históricos comprovados) foi um lorde de derramamento de sangue, vingança, destruição e matança (o macabrismo divino rimou até):

Josué 10: 28-42

28 E naquele mesmo dia tomou Josué a Maquedá, e feriu-a a fio de espada, bem como ao seu rei; totalmente a destruiu com todos que nela havia, sem nada deixar; e fez ao rei de Maquedá como fizera ao rei de Jericó.
29 Então Josué e todo o Israel com ele, passou de Maquedá a Libna e pelejou contra ela.
30 E também o SENHOR a deu na mão de Israel, a ela e a seu rei, e a feriu a fio de espada, a ela e a todos que nela estavam; sem nada deixar; e fez ao seu rei como fizera ao rei de Jericó.
31 Então Josué, e todo o Israel com ele, passou de Libna a Laquis; e a sitiou, e pelejou contra ela;
32 E o SENHOR deu a Laquis nas mãos de Israel, e tomou-a no dia seguinte e a feriu a fio de espada, a ela e a todos os que nela estavam, conforme a tudo o que fizera a Libna.
33 Então Horão, rei de Gezer, subiu a ajudar a Laquis, porém Josué o feriu, a ele e ao seu povo, até não lhe deixar nem sequer um.
34 E Josué, e todo o Israel com ele, passou de Laquis a Eglom, e a sitiaram, e pelejaram contra ela.
35 E no mesmo dia a tomaram, e a feriram a fio de espada; e a todos os que nela estavam, destruiu totalmente no mesmo dia, conforme a tudo o que fizera a Laquis.
36 Depois Josué, e todo o Israel com ele, subiu de Eglom a Hebrom, e pelejaram contra ela.
37 E a tomaram, e a feriram ao fio de espada, assim ao seu rei como a todas as suas cidades; e a todos os que nelas estavam, a ninguém deixou com vida, conforme a tudo o que fizera a Eglom; e a destruiu totalmente, a ela e a todos os que nela estavam.
38 Então Josué, e todo o Israel com ele, tornou a Debir, e pelejou contra ela.
39 E tomou-a com o seu rei, e a todas as suas cidades e as feriu a fio de espada, e a todos os que nelas estavam destruiu totalmente; nada deixou; como fizera a Hebrom, assim fez a Debir e ao seu rei, e como fizera a Libna e ao seu rei.
40 Assim feriu Josué toda aquela terra, as montanhas, o sul, e as campinas, e as descidas das águas, e a todos os seus reis; nada deixou; mas tudo o que tinha fôlego destruiu, como ordenara o SENHOR Deus de Israel.
41 E Josué os feriu desde Cades-Barnéia, até Gaza, como também toda a terra de Gósen, e até Gibeom.
42 E de uma vez tomou Josué todos estes reis, e as suas terras; porquanto o SENHOR Deus de Israel pelejava por Israel.

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26fev/100

A evangelização traz a salvação moral?

Artigo escrito em janeiro de 2009

Esse é um fenômeno quase tão antigo quanto a primeira igreja evangélica e não é exclusivo do Brasil, mas percebi que hoje seus motivos estão fortes como há muito não estavam e tornou-se inevitável uma análise da situação ser feita. Trata-se da recorrência de muitas pessoas, de qualquer classe sócio-econômica, ao cristianismo pentecostal para se refugiar das falhas graves de moralidade que os provedores de cultura de massas vêm cometendo.

Quem ainda não conheceu um evangélico que demonstre manifestamente a rejeição às imoralidades mundanas contemporâneas? É de se notar, no entanto, por quem tem sobriedade intelectual, senso crítico e conhecimento suficiente de abusos religiosos, que, por mais que se espere no cristianismo e na igreja um Eldorado da retidão moral e dos chamados bons costumes, ele não o é e muitas vezes exerce um papel totalmente inverso, o de provedor de outras imoralidades e vícios.

Não é à toa que muitos ex-cristãos que hoje não têm mais religião concluem que, ao contrário do que o crescente número de evangélicos espera em seu novo padrão de comportamento, “aceitar Jesus” não é nem nunca foi garantia de se alcançar uma vida de salvação moral.

“Onde está essa tal decadência moral de que tanto falam?”, é necessário perguntar para querer compreender o ponto de vista cristão. Além daquelas tradicionais afirmações de que “as pessoas estão caindo cada vez mais facilmente na promiscuidade”, “não há mais respeito mútuo como antigamente(?)”, “os valores de hoje estão levando muitos às drogas, ao álcool, à autodestruição”, “o amor ao próximo está sendo desvalorizado” e outras que apontam, com ou sem razão, com ou sem vieses preconceituosos, a tendências de relaxamento do que chamam de “moral e bons costumes”, realmente são apontáveis diversos pontos em que os instrumentos que provêm cultura para as massas e influenciam decisivamente os seus hábitos estão atentando de fato contra a moralidade e agredindo diversos valores éticos sociais nos dias de hoje.

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25fev/102

Dez frases que nunca direi

Obs.: a ordem não quer dizer nada.

1. Velha, me dá dinheiro pra comprar um galeto ali na esquina?

2. O homem [predicado qualquer, não relacionado a gênero, sobre biologia, filosofia ou ciências humanas].

3. Ainda vou comprar aquele Nike Shox made in China fuderoso.

4. [no telefone] Vou fazer um churrasco aqui na frente de casa nesse domingo, com carne de todo tipo, pra todos os gostos, e você está convidada.

5. É isso mesmo, eu deixei de ser vegetariano, desisti.

6. Tô chateado porque me esqueceram de convidar pra Vaquejada de Carpina.

7. [Algum/a colega vegetarian@], você deveria pensar nas crianças que estão passando fome no centro da cidade em vez de estar discutindo sobre animais irracionais.

8. Anuncio logo: vou querer de presente os últimos CDs de Jennifer Lopez e Amy Winehouse.

9. Esse cachorro tem dono [sic]?

10. Em nome do pai, do filho, do espírito santo, amém.

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22fev/101

Essas pessoas são néscias, insensatas ou tolas e só fazem o abominável, segundo a Bíblia

Diz Salmos 14:1 (13:1 na bíblia católica):
"Disse o néscio no seu coração: Não há Deus. Têm-se corrompido, fazem-se abomináveis em suas obras, não há ninguém que faça o bem." Bìblia Online (protestante)
"Diz o insensato em seu coração: Não há Deus. Corromperam-se os homens (sic), sua conduta é abominável, não há um só que faça o bem." Bíblia Ave Maria (católica)

Será mesmo que não prestamos e não somos capazes de fazer o bem? Veja o vídeo.

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17fev/102

Assine, contra a Lei das Religiões

O projeto de lei 160/2009, que institui a Lei das Religiões, promete tornar as coisas muito mais fáceis para pastores corruptos e para religios@s interessad@s em calar as críticas a suas igrejas e crenças.

Transcrevo o que a página do abaixo-assinado fala para você ter ideia do que estou falando:

Vimos por meio desta protestar contra o Projeto de Lei 160/2009 (Lei das Religiões), por acreditarmos que este fere diversos princípios constitucionais, entre eles a laicidade estatal e a proibição de distinções ou preferências entre brasileiros, além da isonomia. Nossos principais motivos para pedir a rejeição do projeto são os que seguem:

  • O Art. 7 º, que prevê reserva de áreas no Plano Diretor dos Municípios, para que templos sejam erguidos. Consideramos que isso afronta o Art. 19, I, da Constituição, que veda a subvenção estatal de cultos religiosos ou igrejas. Subvencionar culto é concorrer de qualquer forma para que se exerça a atividade religiosa, e acreditamos que não há dúvidas de que reservar áreas do Município, portanto bens públicos, para que locais de culto sejam construídos, constitui subvenção inconstitucional de culto religioso.
    Consideramos também que o dispositivo implica em profundas complicações práticas, pelo extenso número de áreas a ser reservadas para contemplar todas as religiões presentes em um Município (principalmente quando se considera que algumas denominações evangélicas necessitariam de locais próprios, por apresentarem grandes divergências entre si). Seria necessário estabelecer se o tamanho ou número de áreas seria igual para todos, ou proporcional ao número de fiéis na cidade, além do risco de gerar o entendimento de que as áreas reservadas para aquele templo seriam as únicas que eles estariam autorizados a ocupar.
  • O Art. 6 º, §1º, tem uma redação extremamente confusa, quando diz que '"nenhum edifício, dependência ou objeto afeto aos cultos religiosos, observando a função social da propriedade e a legislação própria, pode ser demolido,ocupado, penhorado, transportado, sujeito a obras ou destinado pelo Estado e entidades públicas a outro fim, salvo por utilidade pública ou por interesse social, na forma da lei.''
    Analisando-se só a primeira parte, é um artigo redundante. Isso porque, ' 'observada a fun ção social da propriedade e a legislação vigente ' ' , nenhum bem pode ser alienado, penhorado, etc, sem a concordância de seu proprietário. Já o vocábulo salvo na segunda parte pode dar a entender que as únicas hip óteses que autorizam a alienação, penhora, etc, são a utilidade pública e o interesse social.
    Interpretado dessa forma, ele é inconstitucional, pois fere o princípio da isonomia e a proibição de criar distinções ou preferencias entre brasileiros...pois impossibilitaria intervenções estatais na propriedade como a penhora em execução fiscal, e poderia eventualmente (embora consideremos improvável) gerar discussão em relação à desapropriação, já que persiste a distinção doutrinária entre utilidade pública e necessidade pública, uma hip ótese que não está expressamente mencionada no artigo. Em suma, o artigo é mal escrito, confuso, na melhor das hipóteses é desnecessário e na melhor delas é inconstitucional.
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15fev/100

“Saudades” da religião celta…

Pedofilia na Irlanda: o Papa, indignado, recebe os bispos

Tenho "saudades" de quando a Irlanda tinha apenas a religião dos druidas, não havia sido invadida pela Igreja Pedófila.

(Saudades entre aspas porque não vivi a época, que acabou lá pelo século 4 ou 5.)

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8fev/100

Em defesa de Yu-Gi-Oh!: por que os ataques cristãos ao desenho e ao jogo são absurdos

Artigo escrito em setembro de 2008. Hoje a época é de Yu-Gi-Oh GX e 5D's, mas o texto não perde a atualidade pelo fato de ainda existirem ataques a jogos e animes de temáticas que afrontam o etnocentrismo cristão.

Em 2008, numa nostalgia de lembrar a adolescência, resolvi rever episódios do anime Yu-Gi-Oh!, que tem o menino Yugi Moto (escrito ao redor do mundo como Yugi Muto ou Mutou) e o espírito do Faraó Yami/Atem que incorpora o primeiro como protagonistas. Como era de se esperar, me lembrei das inúmeras “críticas” (eufemismo de condenações) vindas de denominações cristãs ora contra o desenho ora contra o jogo de cartas que deu origem a ele.

Algo muito esperado vindo de uma religião intolerante e antipagã “por excelência” – ainda que ironicamente recheada de muitos aspectos assimilados de várias culturas pagãs situadas pelos domínios do antigo Império Romano e suas vizinhanças – que, para tentar desqualificar as religiões não-monoteístas, tacham as entidades divinas delas de “demônios” e os rituais sagrados delas de “satânicos”, passando pela obtusidade de falar de forma caluniosa que os espíritos malignos contra os quais essas crenças alheias sempre se posicionaram são seus aliados também.

Nessa nostalgia pessoal e me aproveitando de minha posição de defesa à harmonia e respeito mútuo entre as crenças e descrenças – o que, a saber, não exclui o direito de levantar críticas baseadas em argumentação racional, objetiva e honesta –, entro em defesa a Yu-Gi-Oh!, incluindo eu o jogo de cartas e o anime que se baseia nele. Manejo minha argumentação ao melhor estilo “Monstros de Duelo”, com conhecimento de causa, cabeça fria e senso de saber onde me defender e (contra-)atacar. Então, é hora do duelo, cristãos.

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8fev/100

ACORDA! (revival de post: adeus a Aline Coelho)

O evento deste post aconteceu em novembro de 2009. Refere-se a um evento passado, cuja reflexão e discussão são atemporais.

Diario de Pernambuco anuncia a morte de Aline Coelho: a fé cristã de milhares de pessoas fracassou.

"Deus meu, Deus meu, por que nos desamparaste?!" -- É o que muita gente poderia estar dizendo agora.

Depois de mais de um ano de luta contra a leucemia, Aline Coelho faleceu. Essa triste notícia caiu como um enorme asteroide para tod@s que foram fazer o teste de compatibilidade de medula óssea nos últimos meses, incluindo para mim. Eu sinceramente jamais desejei postar este post "ACORDA!". Posto-o com tristeza.

O momento é de luto para tod@s nós. Presto toda minha solidariedade para @s amig@s e familiares dela e a tod@s que tentaram fazer sua parte.

Nesse momento, aproveito para uma reflexão. Aviso: se você, de tão abalad@, não se dispuser no momento a ler uma reflexão cética sobre o que "Deus" fez ou não fez ou se ele existe ou não, se não quer se sentir "ofendid@" em sua fé, não leia o restante deste post.

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8fev/103

“Com Deus não se brinca” ou “Pessoas que desafiaram Deus”: pulha virtual para coagir pelo medo

André e Abbadon, fundadores do blog Ceticismo.net, mostram por que o texto que circula na internet chamado "Com Deus não se brinca" ou "Pessoas que desafiaram Deus", contendo a "história" de pessoas que teriam brincado ou desafiado o deus cristão e foram punidas com morte ou infortúnio, é nada mais que uma mentira, hoax, pulha preparada com o fim de coagir pessoas pelo medo, passar-lhes a imagem de um deus autoritário que pune quem desafia sua autoridade.

Como a versão original do esclarecimento deles não é amigável para cristã/o/s lerem, pela linguagem relativamente agressiva, fiz algumas edições que facilitará que crentes entendam por que esse conto do deus autoritário que mata quem o desafia é nada mais que uma pulha virtual.


Deus punindo quem blasfema
por André e Abbadon do Ceticismo.net

Vem circulando há anos pela internet (e-mails, fóruns, orkut, páginas de sites religiosos, etc.) uma corrente do tipo pulha virtual que atribui mortes de algumas personalidades que supostamente blasfemaram contra o deus judaico-cristão, ao sofrimento da “ira divina” com fatalidades violentas e horríveis. É uma tática usada por muitos religiosos para infundir o medo nas pessoas que o recebem, para que estas não blasfemem contra o deus deles, sob pena de sofrerem mortes dolorosas, cruéis e prematuras.

Aliás, poderíamos argumentar: que deus é esse que precisa recorrer a expedientes diabólicos e malévolos para punir as pessoas que, supostamente, possuem o “livre-arbítrio” tão alardeado pelos religiosos? Se tivessem realmente esse “livre-arbítrio”, as opiniões dessas pessoas seriam RESPEITADAS e não seriam punidas por isso.

Mas se sofrem punição pela liberdade de opinião e de expressão, então em que exatamente esse deus difere dos ditadores de governos autoritários, repressivos, fascistas, nazistas, chavistas, teocráticos, totalitários? Esses tipos de regime punem pessoas, com penas de morte e encarceramento, só por causa da ousadia em criticá-los, em se expressarem, em apontar os defeitos, em não aceitarem o estado de coisas.

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21jan/100

Uma homenagem ao Dia Mundial da Religião

Hoje é o Dia Mundial da Religião, e nada mais justo do que homenagear os sistemas religiosos que domam socialmente a besta chamada ser humano.

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10jan/101

Resenha do documentário Jesus Camp

Quem assiste ao documentário Jesus Camp (2006) adquire a convicção de que o ministério cristão Kids on Fire, presidido pela pastora Becky Fischer, é um perigoso Talibã cristão criador de fanáticos/as religiosos/as. O vídeo mostra, embora num ponto de vista tendente à neutralidade, uma das formas como as igrejas evangélicas mais fundamentalistas dos Estados Unidos estão recrutando fiéis. Escancara todo o processo de lavagem cerebral e fanatização intensiva de crianças sob controle de ministérios extremistas.

Centrados no cotidiano das crianças Levi, Tory e Rachael, Jesus Camp relata como o acampamento de férias da Kids on Fire transformava crianças em fanáticos/as de guerra. Eram crianças treinadas desde cedo a seguirem cegamente o cristianismo, “aprendendo” a crença criacionista por livro de “ciência”, sendo induzidas a acreditar que filmes como os de Harry Potter são demoníacos, tendo sua mente bombardeada por insistentes pregações religiosas, sendo doutrinadas que o aborto tem que ser banido de seu país.

Segundo a pastora Fischer, é nessa idade, entre 5 e 8 anos, que as crianças absorvem algo que ficará em suas cabeças pelo resto da vida. Embora o filme não intencione a denúncia explícita como os documentários de Michael Moore fazem, a abordagem de cada detalhe do verdadeiro abuso psicológico daquela meninada nos leva à indignação diante de tanto absurdo. As crianças choram pela emoção induzida pela fé, têm sensações praticamente psiquiátricas de que estão sendo “abençoadas” pelo deus cristão, gritam por Jesus, são mentalmente levadas a pregar e prestar juramento à sua religião, repetem obsessivamente a si mesmas a convicção religiosa...

Nos cerca de 80 minutos do documentário, aprendemos como as igrejas fundamentalistas estadunidenses estabelecem, de forma muito covarde, um controle cerebral sobre mentes tão tenras e imaturas; como a lavagem cerebral que aplicam é tão sofisticada; como estão criando extremistas que se põem em guerra, terroristas em nome de Jesus.

George W. Bush, um dos presidentes mais malignos da história estadunidense, é abençoado pelas crianças do acampamento fundamentalista. Nos momentos em que ele e o juiz Samuel Alito são citados, percebemos como seu governo representou tudo que não prestava. Não bastasse ser um senhor da guerra e inimigo do meio ambiente, Bush também favoreceu o fundamentalismo cristão, segundo as próprias personalidades principais do ministério Kids on Fire.

Depois de terminamos de assistir a Jesus Camp, entramos num processo de reflexão: como essa gente é capaz de fazer tudo isso com meninos e meninas que mal tiveram a oportunidade de aprender a pensar? Pensamos também que, se essa atitude de doutrinar crianças para o fanatismo religioso se proliferar nos EUA, a situação futura daquele país será muito desconfortável, vislumbrando-se para o futuro a violação do laicismo do Estado, a expansão e radicalização da população ultraconservadora e os prejuízos às mulheres e às minorias, ambas as quais serão oprimidas por sombrios governos orientados pelo fundamentalismo cristão tal como foi o mandato duplo de Bush.

Jesus Camp nos dá um alerta: se esse processo de fanatização crescer por lá, se a população estadunidense se deparar com mais pastores/as do tipo de Becky Fischer, a coisa lá vai ficar ainda mais feia, e, em última análise, o mundo sofrerá ainda mais do que sofreu na era Bush.

Mas felizmente o acampamento do fanatismo foi brecado: em novembro de 2006, graças às reações indignadas da parte esclarecida e lúcida da população estadunidense, a colônia cristã infantil do documentário foi fechado e não há mais planos de novas concentrações de crianças cristãs por parte da pastora até o momento em que esta resenha foi escrita. Esperemos que a militância antifundamentalista se fortaleça de modo que cânceres religiosos como o ministério Kids on Fire não tenham mais vez por lá.

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10jan/102

Resenha: O Mundo Assombrado pelos Demônios: a ciência vista como uma vela no escuro

Bem que Carl Sagan, n’O Mundo Assombrado pelos Demônios, podia ter investido ainda mais contra a pseudociência, a superstição, a crendice e a religiosidade bitolada, mas seus esforços pela promoção da ciência e do ceticismo são enormemente bem vindos. Ele fez um ótimo trabalho na tentativa de promover esses dois perante a humanidade que ainda se deixa levar pela tendência a cair em crendices emocionadas, embora eu ache que ele poderia ter ido mais longe no combate frontal ao que não deveria ser acreditado e que reservou espaço demais para a crença em ETs seqüestradores.

O primeiro capítulo anuncia bem o que Carl pretendeu defender e combater: as conseqüências da não-valorização da ciência, alguns benefícios desta para a humanidade os episódios em que a mesma foi e é usada para o mal e as peripécias desvairadas da pseudociência (e as tragédias proporcionadas por ela). O segundo faz uma intensa propaganda da ciência, algo do tipo “como é gostoso viver a ciência”, inclusive mostrando-a como niveladora de egos – pela refutação de idéias não-comprovadas de seja lá quem for. Nada mal para introduzir o leitor ao gosto pelo pensamento científico, algo que é retomado muitos capítulos depois.

O terceiro já muda o foco, para a pareidolia, embora esse vocábulo não esteja presente ao menos na edição que li. Explora questões como o monte chamado de “A Face em Marte”, a “cratera da carinha sorridente” na Lua e aparições da Maria bíblica. Foi uma boa abordagem para começar o desmonte de crendices.

A partir do quarto, até o capítulo 11, 127 páginas de ETs atrás de ETs. O leitor tem a impressão de que os “demônios” do título do livro são na verdade uma metáfora para os alienígenas, que Carl mostra serem parte apenas do imaginário folclórico. As questões mais detalhadamente abordadas foram as (falsas) memórias das pessoas que dizem ter sido raptadas por ETs, levadas para discos voadores e vitimadas por vivissecção, as “provas” da presença de áliens vigiando a Terra e o suposto trabalho dos governos em esconder a “verdade” de que “eles” estão nos olhando, fazendo experimentos tecnologicamente rudimentares com humanos e cavando “sinais” em plantações. Questões de ceticismo religioso como os “julgamentos” da Inquisição e as visões alucinadas medievais de demônios ou santos aparecem, mas com pouca expressividade. Foi uma pena que o ET de Varginha e a febre das supostas aparições extraterrestres no Brasil não entraram no livro, até porque aconteceram na mesma época do lançamento do mesmo, leia-se 1996.

A partir do capítulo “A arte refinada de detectar mentiras”, o ceticismo e a pseudociência são abordados com vigor. É quando o leitor pensa – e com razão – “poxa, finalmente o livro começou a mostrar para que veio!” Tem destaque meu o “caso Carlos”, que foi a forja da incorporação de um jovem de descendência latina por um espírito, esquema montado pelo “mago do ceticismo” James Randi, e o breve desmascaramento de picaretagens como cirurgias mediúnicas e curas de doenças pela força da fé. Porém, eu acho que Carl Sagan ainda pegou muito leve com a pseudociência e a superstição. Poderia ter ido muito mais longe e abordado mais casos específicos de quando a picaretagem hipnotiza as mentes crédulas.

Mais adiante, a propaganda da ciência é retomada com muita força. Carl tem todo o meu apoio nessa parte. As mais variadas questões da ciência são abordadas, incluindo um pouco de antropologia – quando fala da tribo africana !Kung San e cita as semelhanças entre povos humanos pré-letrados ou da Pré-História, como a crença em deuses e/ou espíritos e o uso de tecnologia – e o alerta para o perigo do uso maligno da ciência, tendo destaque a história de Edward Teller, o pai da bomba H e defensor visceral das armas de destruição em massa. Entretanto, faltou totalmente uma importante denúncia do mau uso da ciência: as torturas da vivissecção animal.

Em seguida, a educação científica dos Estados Unidos é diagnosticada como tendo sérios problemas. Foi obviamente uma análise bem mais comportada do que aquele dossiê educacional também americano que Michael Moore levantaria no livro Stupid White Men, lançado cerca de cinco anos depois d’O Mundo Assombrado Pelos Demônios. As deficiências apontadas são denunciadas como causas da decadência da dedicação científica naquele país e sua retração na corrida dos países desenvolvidos pela excelência do tratamento acadêmico da pesquisa científica. Reconheço muita nobreza na postura de Carl Sagan em defender melhorias na educação americana e a valorização da heterodoxia pedagógica, aquela(s) forma(s) de ensinar que apaixonam os estudantes. E quanto ao “nerdismo” dos cientistas e pretendentes a cientistas, ele entrou na apaixonada defesa daqueles que são taxados de “nerds” por sua preferência às ciências exatas e naturais, citando o exemplo de James Clerk Maxwell, o pioneiro do eletromagnetismo.

Nos dois capítulos finais, a ciência e a atitude cético-científica é transformada em cetro da democracia, da liberdade e dos direitos humanos. Foi uma abordagem muito digna e inspiradora, ainda mais por ter enfrentado o comportamento de alienação social. Segundo Carl, o verdadeiro patriota tem um comportamento que questiona e não aceita qualquer porcaria política, servindo o último capítulo idealmente para os brasileiros, embora ele não tenha falado diretamente ao Brasil.

Ao longo da obra, houve questionamentos muito comportados e limitados à religião. Aliás, Carl demonstra um respeito um tanto medroso pela mesma, evitando lançar ataques condenatórios e críticas pesadas do tipo daqueles que Richard Dawkins direciona quando pratica o que chamam de pensamento neo-ateísta. Creio que ele tinha muitos amigos religiosos fervorosos e o medo de machucar a fé deles inibiu O Mundo Assombrado pelos Demônios de atacar a religião explicitamente. Pelo contrário, em alguns momentos Carl defende a “religião honesta” que estimula o pensamento filosófico e questionador, embora comprovemos no dia-a-dia que tal atitude comportamental é bastante rara na população se vinda de crentes comuns não engajados em profissões requerentes do exercício do pensamento. Também não podemos contar com o livro como priorizador da Razão sobre a emoção humana, embora a ciência tão defendida esteja diretamente ligada àquela, até porque falta uma apologia consolidada à racionalidade na obra.

O Mundo Assombrado pelos Demônios é uma obra nobre porque enobrece a ciência e o ato de pensar cientificamente. E, como Carl Sagan, todos devemos perceber que é esse o pensamento que pode proporcionar um mundo melhor, em vez da imaginação crédula e inocente e da alienação educacional.

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