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	<title>Arauto da Consciência &#187; Razão e Ceticismo</title>
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	<description>Divulgando uma nova visão de mundo, em prol de um novo mundo</description>
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		<title>Resenha: Deus, um delírio</title>
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		<pubDate>Fri, 07 May 2010 07:04:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Robson Fernando</dc:creator>
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<p style="text-align: justify;"><a href="http://peladin.files.wordpress.com/2008/01/deus-um-delirio.jpg"><img class="aligncenter" title="Deus, um delírio" src="http://peladin.files.wordpress.com/2008/01/deus-um-delirio.jpg" alt="" width="212" height="324" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">O livro <em>Deus, um delírio</em>, de Richard Dawkins, é um guia muito bom para aquelas pessoas que estão com suas crenças religiosas na corda-bamba, em dúvida sobre a existência de um deus pessoal. As explicações científicas expostas pelo “Rottweiler de Darwin”, também chamado pelas más línguas de “aiatolá dos ateus”, são a iluminação, no sentido mais iluminista possível, que lhes faltava para que chegassem logo à conclusão de que não faz sentido acreditar em Deus, seja lá por qual nome ele seja chamado.</p>
<p style="text-align: justify;">Também é um compêndio de motivos que levam os chamados “neoateus” a afirmar que o mundo seria melhor sem religiões – pelo menos sem a tríade abraâmica, composta por cristianismo, islamismo e judaísmo. Muitas das explicações conscientizantes do livro, no entanto, devem ser lidas e analisadas com ponderação, uma vez que nelas podem estar sendo utilizados critérios cientificamente questionáveis para explicar alguns fenômenos relacionados a criações socioculturais, como a própria religião e a moral.</p>
<p style="text-align: justify;">O próprio Dawkins afirma que religiosos convictos ou fanáticos sequer refletirão sobre qualquer ideia trazida por seu livro. Assim sendo, ele deixa claro que seu público-alvo é gente que teve, ao longo de sua vida ou nos últimos tempos, sua fé enfraquecida e fragilizada por desilusões e/ou eventos incitadores da Razão. Ateus convictos que querem fortalecer seus argumentos e adquirir ainda mais certeza de sua descrença, no entanto, também são seus mais potenciais leitores.</p>
<p style="text-align: justify;">Todos estão bem servidos de informações abundantes sobre a debilidade dos argumentos de quem tenta defender filosófica e “cientificamente” a crença num deus. Diversos fatores são desmascarados, no capítulo 2, como as “provas” de Tomás de Aquino, alegações de experiências pessoais e o fato de existirem e terem existido cientistas religiosos.<span id="more-3843"></span></p>
<p style="text-align: justify;">No capítulo anterior, ele explora dois casos interessantes: o “deus” de Albert Einstein, interpretado como uma espécie de metáfora panteísta, e o caso das charges de Maomé, que efervesceu em 2005 e 2006 na Europa e nos países dominados pelo islamismo.</p>
<p style="text-align: justify;">No capítulo 3, ele exibe diversos argumentos que corroboram como a ciência, pelo menos segundo as conclusões dele, pode tornar improvável a existência de Deus tal como os monoteístas creem. O capítulo em questão é um ataque direto às alegações dos fundamentalistas cristãos que fomentam o ensino do “design inteligente”.</p>
<p style="text-align: justify;">No capítulo 4, em que sugere hipóteses para a origem da religião, Dawkins lança mão de análises naturalistas, tentando estabelecer uma origem biológica para crenças sobrenaturais, o que deve ter deixado antropólogos fulos da vida. De fato, quem leu pelo menos a introdução do livro de Émile Durkheim <em>As formas elementares da vida religiosa</em> já passa a ver a explicação de Dawkins com um pé atrás, até porque este deixa de comentar, não lhe fazendo qualquer alusão, o ensinamento do sociólogo francês de que a religião, mesmo em sua gênese, é um fenômeno que, condensando aspectos como sentimentos coletivos e valores socioculturais, deve ser explicado pelas ciências sociais, não pelas naturais.</p>
<p style="text-align: justify;">Os dois capítulos seguintes são dedicados a refutar outro pilar da argumentação dos defensores da religião como algo fundamental: a moral. Neles Dawkins escancara dois pontos maiores: como a Bíblia, em vez de ser um arauto da moralidade e uma inspiração divina ao bom comportamento, é na verdade um livro repleto de sangue e comportamentos violentos que a ética de hoje repudia completamente; e como a religião nada tem a ver com o progresso do <em>zeitgeist</em> moral ocidental, banindo dentre os valores aceitáveis a escravidão, o racismo e outras injustiças – religiões fundamentalistas, pelo contrário, mostram-se como tentativas de justamente causar retrocessos nessa evolução ética.</p>
<p style="text-align: justify;">Dentre esses dois capítulos, o 6 também utiliza uma metodologia biológica darwinista para explicar o fenômeno humano da moral. E, assim como o capítulo 4, também é de deixar antropólogos e sociólogos enfezados. Uma professora de sociologia da UFPE comentou que a posição naturalista de Dawkins para explicar fenômenos humanos é “uma ignorância filosófica/antropológica/sociológica digna de pena”. E todos aqueles entendedores de ciências sociais infelizmente tenderão a concordar com ela, com razão.</p>
<p style="text-align: justify;">No final do capítulo 7, os leitores são mergulhados num poço de tenebroso mal-estar ao entrar em contato com uma explicação sobre o suposto ateísmo de Hitler e o comportamento imoral do convictamente ateu Stalin. Esse mal-estar, deixe-se claro, deve-se ao contato com as trevas da história de homens terrivelmente cruéis e assassinos, cuja existência foi algo que a humanidade desejaria que jamais tivesse acontecido.</p>
<p style="text-align: justify;">Dawkins tenta deixar dúvidas sobre se Hitler realmente acreditava no deus cristão, ao contrário dos tantos autores seculares que afirmam com força que o nazista era cristão dos mais fervorosos dadas as tantas evidências historiográficas escritas e fotográficas da religiosidade cristã do <em>führer</em> e da forte aliança dele com o cristianismo alemão. Já Stalin é uma ilustração de como o ateísmo não leva sozinho uma pessoa a ser ética, embora também não faça o contrário.</p>
<p style="text-align: justify;">Nos capítulos 8 e 9, os abusos das religiões monoteístas são escancarados, com fortíssimo destaque ao fundamentalismo cristão estadunidense – aquela parcela de religiosos que dá mais motivos “por que ser tão hostil” com a religião. Destacam-se no 8 a questão da homofobia religiosa, a incoerência e contradição da “defesa” cristã da vida (no caso a vida humana embrionária) e a medula espinhal da antirreligiosidade “neoateísta” – como a “moderação” na fé alimenta o fanatismo religioso. Já no 9, as crianças são defendidas dos abusos físicos e psicológicos causados pelas religiões e da “deseducação” provida por certas escolas religiosas inglesas e estadunidenses.</p>
<p style="text-align: justify;">No capítulo 10, encerrando o livro, Dawkins ora mostra como Deus atua exatamente como um amiguinho imaginário infantil, ora dá uma de Carl Sagan, introduzindo o leitor a uma viagem ao inacreditavelmente fascinante mundo da ciência. Uma de suas explicações sobre a física quântica mostra como tudo o que existe em nosso corpo e ao nosso redor é composto por 99,999...% de espaço vazio – a impressão de solidez e tenacidade da matéria é causada, segundo ele mostra, por campos de força subatômicos. A ciência é revelada como o bem libertário que rasga a burca que representa a nossa limitação sensorial de enxergar o que é realmente tudo ao nosso redor e no universo.</p>
<p style="text-align: justify;">À parte o muito criticado defeito de dar um tom biológico-naturalista à gênese dos fenômenos sociais da religião e da moral, <em>Deus, um delírio</em> é um bom livro de introdução ao ateísmo, com o qual pessoas de fé menos convicta podem se libertar das correntes com que a religião prendia sua capacidade de pensar livremente.</p>
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		<title>O conto bíblico de Jó e o desmatamento de Suape: uma percepção ética do ato de ceifar e substituir vidas em massa</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Apr 2010 05:52:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Robson Fernando</dc:creator>
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<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 530px"><a href="http://jc3.uol.com.br/blogs/blogcma/canais/agenda/2010/04/12/assembleia_realiza_audiencia_publica_sobre_desmatamento_recorde_em_suape_68064.php"><img title="Mangue de Suape" src="http://jc3.uol.com.br/blogs/repositorio/suapemangue.jpg" alt="" width="520" height="317" /></a><p class="wp-caption-text">Abaixo um texto de reflexão sobre o ecocídio de Suape, baseada no conto bíblico de Jó. Foto: Blog Ciência e Meio Ambiente do JC Online</p></div>
<p style="text-align: justify;">O desmatamento histórico que o Governo de Pernambuco quer causar nas cercanias do Porto de Suape já é conhecido por grande parte da opinião pública. Vem sendo tanto defendido por quem quer progresso incondicional para Pernambuco como repudiado por quem quer a continuidade do verde e uma economia sustentável para o estado. Um ponto, no entanto, a que poucos se atentaram é a previsão de compensação ambiental nos Artigos 2º e 3º e no Anexo II do projeto de lei 1496/2010 (o PL do desmatamento). Mas será que vale deixar a destruição rolar contando-se com a promessa de plantar uma área de extensão igual ou maior?</p>
<p style="text-align: justify;">Pensando – criticamente – no conto bíblico de Jó, no qual a atitude de Deus foi muito semelhante à atual do governo Eduardo Campos, podemos concluir que a tal compensação, mesmo com boas intenções e pretendendo replantar talvez o dobro de vegetação, não é mais preferível do que deixar os 1076 hectares de ecossistemas intactos, preservados.</p>
<p style="text-align: justify;">A tal história de Jó, contada no livro bíblico homônimo, escreve que Jó era um homem muito rico, senhor de muitos servos e rebanhos (a Bíblia não hesita em tratar animais e escravos como propriedade humana) e pai de sete filhos e três filhas, sendo “maior do que todos os do oriente”. Era também “íntegro, reto e temente a Deus e desviava-se do mal”.</p>
<p style="text-align: justify;">Então um dia Deus, na intenção de provar, perante Satanás, que a fidelidade de Jó a ele era incondicional e irredutível, permitiu que o Coisa-Ruim matasse todos os filhos e servos do inocente homem e desse um fim aos rebanhos dele através de hordas militares de outros povos e catástrofes naturais, além de lhe causar “úlceras malignas, desde a planta do pé até ao alto da cabeça”.</p>
<p style="text-align: justify;">Jó manteve a fé em Deus mesmo em situação miserável, e no final o Divino “acrescentou, em dobro, a tudo quanto Jó antes possuía (sic)” e teve mais dez filhos (três meninas e sete meninos), além de, presumivelmente, ter curado as úlceras da pele.<span id="more-3604"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Refletindo sobre o conto de Jó para a ética de nossa época – considerando que muitos cristãos utilizam a Bíblia como referência moral atemporal –, notamos que, mesmo tendo Deus ressarcido Jó com o dobro de suas “propriedades” e mais dez crianças, essa restituição nem de longe sanou a massiva perda que foi causada. Não foi uma ressurreição em massa, apenas a substituição das vidas perdidas, como se fossem de fato coisas substituíveis.</p>
<p style="text-align: justify;">As vidas dos muitos servos, das sete mil ovelhas (única espécie que foi chacinada; os animais de outras espécies foram levados embora pelas hordas) e dos dez primeiros filhos foram ceifadas para sempre, irremediavelmente, sem volta. Todos esses seres (humanos e bichos) sofreram muito em suas mortes, pelas armas das hordas assaltantes, pelo fogo que caiu do céu e pelo vento do deserto. E isso, tantas mortes precedidas de sofrimento tormentoso, Deus não remediou no ressarcimento de Jó.</p>
<p style="text-align: justify;">Em suma, o sofrimento e a perda de tantas vidas causados por Satanás – com autorização de Deus – não foram sanados, mas sim tratados com um tapa-buraco que consistiu na restituição com novos filhos e o dobro de novos escravos humanos e não-humanos.</p>
<p style="text-align: justify;">Fechando a Bíblia e olhando para a vegetação de Suape, vemos que a proposta do governo estadual é muito semelhante à atitude do Deus bíblico: mandar seus comandados destruírem 1076 hectares de ecossistemas de mangue, restinga e mata atlântica e em seguida plantarem cerca de 3 mil hectares de mata atlântica e 61 de restinga (a área de mangue prevista na compensação consta como a ser <em>preservada</em>, não a ser reposta).</p>
<p style="text-align: justify;">Vislumbrando o cenário da destruição, pensamos: e a biodiversidade da enorme área com três ecossistemas diferentes que será derrubada? E as vidas dos milhões ou bilhões de seres vivos que habitam esses 1076 hectares? E o berçário local da vida marinha? A verdade é que, se o governo triunfar, tudo isso será ceifado, destruído. E a compensação ambiental não irá trazer de volta as incontáveis vidas e biodiversidades que serão abatidas, nem o berçário estuarino que será perdido.</p>
<p style="text-align: justify;">Da mesma forma que Satanás respaldado por Deus, o governo quer causar morte e destruição em massa. E, assim como Javé acalmou Jó, tenta ludibriar os órgãos ambientais e o povo com uma proposta de compensação ecológica que, longe de trazer de volta a vida e a biodiversidade que serão exterminadas, pretende tentar substituir a riqueza do ambiente do mangue que será suprimido por um punhado de floresta atlântica cujas fauna e flora, além de não serem as mesmas que as do manguezal, irão demorar bastante para adquirir a exuberância de uma mata primária.</p>
<p style="text-align: justify;">Para Javé e Eduardo Campos, os seres vivos abatidos com suas autorizações não têm um fim em si mesmos, nem um valor intrínseco, nem o direito à vida.* Não lhes são uma parcela da biosfera que deve ser respeitada e preservada, mas apenas coisas substituíveis, que podem ser repostas por outras novas – mesmo não sendo das mesmas espécies e não tendo as mesmas personalidades.</p>
<p style="text-align: justify;">Devemos encarar o ecocídio de Suape com a mesma cara feia – leia-se reprovação ético-moral – com que podemos encarar a história do livro de Jó. Nem o Deus bíblico nem seu “É” Motosserra podem trazer de volta as vidas perdidas e a biodiversidade ceifada por suas atitudes. E, ao contrário das pessoas e animais do mito de Jó, a fauna e flora do mangue, mata atlântica e restinga do entorno do Porto de Suape nós ainda podemos – e, sob um olhar ético, devemos – defender e salvar.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">*Reitero que os motivos pelos quais defendo a preservação da vegetação de Suape, tais como subentendidos neste texto, são os motivos próprios da natureza. Defendo-a pela ética, pelo respeito à biosfera, ao meio ambiente como fim em si mesmo, não apenas porque os seres humanos, incluindo pescadores, irão sofrer com as consequências da possível destruição daquele grande conjunto local de seres vivos.</p>
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		<title>2 anos de blogagem</title>
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		<pubDate>Mon, 12 Apr 2010 02:41:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Robson Fernando</dc:creator>
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<p style="text-align: justify;">Com experiência nos blogs Consciência Efervescente e <strong>Arauto da Consciência</strong>, hoje fiz dois anos de blogueiro.</p>
<p style="text-align: justify;">Sei que muitos blogs alcançam os milhares de visitas em poucas semanas ou meses e esse não foi o caso do <strong>Arauto</strong> nem do CE, uma vez que meu conteúdo não é de humor e entretenimento -- como o <a href="http://porramauricio.tumblr.com/" target="_blank"><strong>Porra Mauricio</strong></a>, hoje um fenômeno absoluto na blogosfera humorística brasileira -- nem eu sou uma personalidade já reconhecida -- tal como Pierre Lucena, um dos donos do blog <a href="http://acertodecontas.blog.br/" target="_blank"><strong>Acerto de Contas</strong></a>, que já era um respeitadíssimo professor da UFPE, doutor e tudo, quando criou junto com Marco Bahé* aquele que é o mais importante blog de Pernambuco. Toda a experiência que eu tinha até 11 de abril de 2008 era pouco mais de seis meses de artigos de opinião e uma tentativa (frustrada) de escrever livro. Assim sendo, é esperado que, pelo menos enquanto não realizo alguma obra que me dê notoriedade e reconhecimento, o blog vá crescer aos pouquinhos, no conta-gotas.</p>
<p style="text-align: justify;">Em comemoração a esses dois anos, posto acima deste post um depoimento de como me tornei vegetariano, deixando de consumir qualquer alimento de origem animal. Obs.: não inclui minha veganização.</p>
<p style="text-align: justify;">Obrigado a tod<small>@</small>s que visitaram meu blog em busca de conhecimento e de algo que lhes desencadeie um despertar de consciência ou lhes corrobore a visão de mundo. Vocês, junto a mim, ajudam o nosso <em>zeitgeist</em> a progredir, tal como Richard Dawkins diria.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">* André Raboni, se você também é um dos fundadores do Acerto, fale comigo que vou te inserir no post.</p>
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		<title>Gripe ou &#8220;griphe&#8221; suína? Entenda quem é contra a vacinação e contra o Tamiflu</title>
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		<pubDate>Sat, 10 Apr 2010 20:49:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Robson Fernando</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Sensacionalismo]]></category>
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			</a>
		</div>
<p style="text-align: justify;">Antes de tudo, ignoro totalmente a baboseira de "Nova Ordem Mundial" e outras teorias folclóricas de conspiração. A questão aqui é relacionada a interesses econômicos de grandes laboratórios farmacêuticos em torno de uma ameaça de pandemia que não se consolidou -- mas foi exagerada pela mídia.</p>
<p style="text-align: justify;">Primeiro, um vídeo legendado que mostra o esquema do Tamiflu e como a gripe suína não é tão "pandêmica" quanto a mídia alardeou durante meses (e já parou de alardear, só voltando a tocar no assunto depois que o governo brasileiro anunciou a vacinação em massa):</p>
<p style="text-align: center;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="640" height="385" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/CcgCBiyGljM&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="640" height="385" src="http://www.youtube.com/v/CcgCBiyGljM&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>E, em seguida, abaixo estão uma postagem do blog Acerto de Contas mais uma notícia, do início deste ano, do Valor Econômico Online, ambas as quais vão fazer você ficar ainda mais pensativ<small>@</small> sobre essa campanha.</p>
<p>Leia as duas notas abaixo, junte as informações com as do vídeo e tire suas conclusões.<span id="more-3488"></span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><strong><em><a href="http://acertodecontas.blog.br/atualidades/gripe-suina-uma-griphe-bem-sucedida/">Gripe Suína: uma “griphe” bem  sucedida</a></em></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Nunca antes na história  deste planeta um víru$ foi tão mercadologicamente bem sucedido quanto o </em><em>influenza A (H1N1). Depois que o ex secretário da defesa dos EUA e membro do  conselho diretor da indústria farmacêutica Gilead Sciences, Donald  Rumsfeld, faturou seus bilhões de dólares vendendo o Tamiflu (não viu?  confira <a href="http://acertodecontas.blog.br/atualidades/quem-lucra-com-a-griphe-suina/">aqui</a>),  chegou a vez da vacina produzida pela empresa suíça Novartis ser  revendida aos países de terceiro mundo.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>E quem colabora com mais 1  Bilhãozinho nessa loteria política e econômica? Acertou quem pensou no  país governado pel<a onclick="javascript:pageTracker._trackPageview('/outbound/article/http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=571IMQ002');" href="http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=571IMQ002">o  homem do ano do Le Monde,</a> o Brasil.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>O Ministério da  Saúde brasileiro pagará mais de R$ 1 Bilhão à França e aos EUA por 83  milhões de doses de vacinas contra o víru$ da grip</em><em>he suínam (<a onclick="javascript:pageTracker._trackPageview('/outbound/article/http://noticias.terra.com.br/gripesuina/interna/0,,OI4188064-EI13839,00-Pais+compra+milhoes+de+doses+de+vacina+contra+gripe+suina.html');" href="http://noticias.terra.com.br/gripesuina/interna/0,,OI4188064-EI13839,00-Pais+compra+milhoes+de+doses+de+vacina+contra+gripe+suina.html">leia  aqui</a>). E isso acontece no exato momento em que a França cancelou a  compra de 50 milhões de doses – mais da metade de todas as que havia  encomendado (<a onclick="javascript:pageTracker._trackPageview('/outbound/article/http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2010/01/05/franca+cancela+pedido+de+50+milhoes+de+doses+da+vacina+anti+h1n1+9262977.html');" href="http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2010/01/05/franca+cancela+pedido+de+50+milhoes+de+doses+da+vacina+anti+h1n1+9262977.html">leia  aqui</a>). E olha que não foram poucas.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Pressões políticas  internas na França, tanto do partido socialista, quanto de membros do  Nouveau Centre e também do partido do governo, pedem uma investigação  parlamentar para apurar acusações relativas às negociações entre o  Ministério da Saúde francês e a indústria que produz a vacina, a  Novartis.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>A França comprou 94 milhões de doses, mas apenas 5  milhões de pessoas tomaram a vacina da grip</em><em>he suína. Assim como  outros países europeus, a França também está se </em><em>livrando das  sobras das doses que havia comprado. Os compradores da vez são países  como o México, o Qatar, o Egito, a Ucrânia e, agora, o Brasil.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Mas  não é só a França que se livra dessa carga. Também a Alemanha, a  Holanda e o Reino Unido pretendem cancelar as compras da Novartis e/ou  vender o estoque que têm (<a onclick="javascript:pageTracker._trackPageview('/outbound/article/http://crohnsnews.wordpress.com/2010/01/05/gripe-a-h1n1-governos-europeus-tentam-revender-sobras-de-vacina-e-renegociar-contratos-com-farmaceuticas/');" href="http://crohnsnews.wordpress.com/2010/01/05/gripe-a-h1n1-governos-europeus-tentam-revender-sobras-de-vacina-e-renegociar-contratos-com-farmaceuticas/">leia  aqui</a>).</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Estão fazendo qualquer negócio pra se livrar desses  entulhos bilionários. Pouco importa se a gripe comum mata mais gente do  que essa grip</em><em>he suína. O lance é dar segmento ao filão de  mercado da vacina.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Esse negócio que o governo brasileiro está  aderindo (em muito devido à própria </em><em>espetacularização da mídia)  parece ser ainda pior do que quando compramos aqueles patins de gelo da  Inglaterra, <a onclick="javascript:pageTracker._trackPageview('/outbound/article/http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDG81336-6014,00-A+NOVA+HISTORIA+DE+DOM+JOAO+VI.html');" href="http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDG81336-6014,00-A+NOVA+HISTORIA+DE+DOM+JOAO+VI.html">no  século XIX</a>.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>É possível que a próxima grip</em><em>he seja um  víru$ do peixe. Mas eu ainda apostaria numa grip</em><em>he da cabra…</em></p>
<p style="text-align: justify;">***************************</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><em><a href="http://economia.uol.com.br/ultimas-noticias/valor/2010/01/15/oms-esta-sob-suspeita-de-lacos-com-laboratorios-na-gestao-da-gripe-a.jhtm" target="_blank"><strong>OMS está sob suspeita de laços com laboratórios na gestão da gripe A</strong></a></em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>(Assis Moreira | Valor Econômico Online)</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>SÃO PAULO - A Organização Mundial da Saúde (OMS) está sob pressão crescente de governos e entidades na Europa, sob suspeita de colusão com a indústria farmacêutica no caso da gripe A (H1N1). Graças à venda maciça de vacinas para combater uma pandemia, os laboratórios podem obter até US$ 10 bilhões de lucros suplementares.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Enquanto a pandemia chega ao seu fim, sem os estragos previstos por especialistas, os governos acumulam medicamento e a ira aumenta sobre os gastos. França, Alemanha, Espanha, Holanda, Estados Unidos tentam revender seus excedentes ou romper os contratos feitos com os laboratórios farmacêuticos.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>A situação chegou agora a tal ponto que o Conselho da Europa, que reúne 47 países do Velho Continente, abriu uma investigação excepcional sobre a influência que teria exercido a indústria farmacêutica sobre a OMS, que decretou a pandemia e a elevou ao nível mais elevado de grau de alerta, fazendo os governos se prepararem para o pior.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Na segunda-feira, o Conselho da Europa iniciará a investigação. Na quarta-feira, os laboratórios Sanofi Pasteur, Novartis, GlaxoSmithKline e Baxter serão interrogados no Senado francês. O Parlamento russo (Duma) também abriu uma investigação por "corrupção" e chegou a ameaçar se retirar da OMS.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>As denúncias contra a OMS começaram a se propagar depois que um membro da comissão de saúde do Conselho da Europa, o médico e epidemiologista alemão Wolfgang Wodarg, não hesitou a fazer uma denúncia sobre "um dos maiores escândalos médicos do século". "Os laboratórios farmacêuticos organizaram essa psicose". Ele questiona "laços incestuosos" entre a OMS e os laboratórios. Segundo ele, "um grupo de pessoas na OMS está associado de maneira muito estreita com essa indústria".</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Para Wodarg, tudo começou com a gripe aviária de 2005-06, quando a indústria farmacêutica se comprometeu a produzir rapidamente uma vacina em caso de alerta. "Isso deu lugar a negociações entre as firmas e os governos. De um lado, os laboratórios se comprometiam a estar prontos. De outro, os governos asseguravam que comprariam tudo. No final, os laboratórios não assumiam nenhum risco economico." De acordo com o jornal Tribune de Genève, um estudo do banco americano JP Morgan estima que a venda de vacinas A (H1N1) vai permitir a Glaxo, a Novartis e a Sanofi um lucro suplementar de US$ 7,5 bilhões a US$ 10 bilhões.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>A diretoria da OMS promete uma avaliação sobre a maneira como administrou a pandemia. Os trabalhos começam na segunda-feira. Mas Keiji Fukuda, conselheiro especial da OMS, tratou de reagir.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>"Não, não superavaliamos os riscos do perigo do vírus. Não, não mudamos de definição da pandemia unicamente para agradar aos laboratórios farmacêuticos. Não, não estamos sob influência. Nós dispomos de medidas internas para evitar conflitos de interesse," Outro problema é o vinculo entre a OMS e o ESWI, grupo de trabalho científico europeu sobre a gripe, que é financiado pelos mesmos laboratórios que são interrogados no Senado francês.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>O próprio modo de financiamento da OMS, metade privado, metade público, está sendo questionado por suposta opacidade.</em></p>
</blockquote>
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		<title>Frase da semana (28/03-03/04)</title>
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		<pubDate>Thu, 01 Apr 2010 05:55:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Robson Fernando</dc:creator>
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<p style="text-align: justify;"><strong><em>"Publicar gente que prega veganismo, vegetarianismo, abduções  socio-econômicas e outros que tais? Tenha santa paciência…"</em></strong> Comentário (cuj<small>@</small> don<small>@</small> não vou identificar) encontrado em um blog multitemático (que, por motivo de bom senso, também não vou dizer qual foi, mas digo que não foi aqui)</p>
<p style="text-align: justify;">Não vou criticar quem escreveu isso, até porque não é minha política criticar as pessoas. Mas sim faço uma reflexão sobre o pensamento que vigora em grande parte da população, a ridicularização da <a href="http://consciencia.blog.br/2009/04/manifesto-de-uma-nova-consciencia.html" target="_blank"><strong>nova consciência</strong></a>.</p>
<p style="text-align: justify;">Schopenhauer já dizia no século 19: "A verdade passa por três estágios: primeiro, é ridicularizada; segundo, sofre oposição violenta; terceiro, é aceita como autoevidente." E de fato ele estava certo. O veg(etari)anismo, os direitos animais, <strong><a href="http://consciencia.blog.br/2009/05/por-um-terceiro-sistema-economico.html" target="_blank">a utopia do terceiro sistema econômico</a></strong>, o não-teísmo (ateísmo e agnosticismo) cético, entre tantos outros valores e ideologias que são ainda novidades "esquisitas" para a população, vêm sendo tratadas com desdém por muita gente, seja na fase da ridicularização (direitos animais, veg[etari]anismo e outros), seja na da oposição violenta (ateísmo, alvo da intolerância de gente que não admite que existam pessoas que não compartilham de sua fé).</p>
<p style="text-align: justify;">Não culpo as pessoas por isso. Elas são levadas a atos absurdos de reprovação de valores e ideias que destoem dos paradigmas vividos como padrão pela sociedade pela força do que Durkheim chama de fatos sociais. O onivorismo, a exploração animal, a religião não lúcida, o materialismo* capitalista, o padrão de comportamento masculino "se você não gosta de catar <em>mulé</em> uma atrás da outra, você é um pateta", todos esses fenômenos têm um poder de coerção tal que as pessoas se mobilizam para reprovar e reprimir quem pensa e age diferente.</p>
<p style="text-align: justify;">Não digo que eu mesmo poderia ridicularizar o vegetarianismo em outras épocas porque sempre tive, desde criança, uma suscetibilidade a ser mexido por ideias "forasteiras" plausíveis. Mas, digamos, fui cristão até a adolescência, e eu poderia muito bem criticar algum/a colega ateu/ateia, convidando-<small>@</small> a "aceitar Jesus" ou tentando convencê-l<small>@</small> de que o ateísmo seria perigoso (pela lógica da Aposta de Pascal). Enfim, eu cristão e as pessoas que seguem os comportamentos e valores nocivos esta(áva)mos pres<small>@</small>s na Caverna de Platão, atad<small>@</small>s a crenças e valores nada saudáveis e resistentes a ver a luz do mundo real. Não posso culpar <small>@</small>s pres<small>@</small>s por seu encarceramento numa caverna que só lhes mostra ilusões e preconceitos sobre o que é bom e ruim para o mundo, a natureza e os seres sencientes.</p>
<p style="text-align: justify;">Saber como tirar essas pessoas dessa caverna das ilusões, fazê-las começar a pensar racionalmente em seus comportamentos, é um desafio que anima <small>@</small>s sociólog<small>@</small>s, e essa é uma das maiores motivações para eu estar no curso de Ciências Sociais.</p>
<p style="text-align: justify;">A saber, sempre que enfatizam que eu e o <strong>Arauto</strong> defendemos o veg(etari)anismo, somos verdes e descrentes, defendemos ideias muito diferentes do que a sociedade hoje "pensa", tais colocações me caem como um elogio.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">*O materialismo a que me refiro é o comportamento capitalista de apego máximo a bens materiais cuja obtenção e posse se tornam objetivos de vida.</p>
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		<title>Experiência da &#8220;senciência vegetal&#8221; refutada</title>
		<link>http://consciencia.blog.br/2010/03/experiencia-da-senciencia-vegetal-refutada.html</link>
		<comments>http://consciencia.blog.br/2010/03/experiencia-da-senciencia-vegetal-refutada.html#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 09 Mar 2010 20:16:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Robson Fernando</dc:creator>
				<category><![CDATA[Burrice e Malignidade]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos Animais]]></category>
		<category><![CDATA[Posts e Atos de Conscientização]]></category>
		<category><![CDATA[Razão e Ceticismo]]></category>
		<category><![CDATA[Texto de Outros/as Autores/as]]></category>

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		<description><![CDATA[É abundante em sites pseudocientíficos e nos argumentos onívoros a tal "experiência de Backster" em que plantas reagiriam de forma senciente e sentimental a estímulos humanos e ambientais. Por outro lado, pouco é divulgado que os "sentimentos vegetais" já foram refutados. A refutação veio no site The Skeptics Dictionary e está disponível em português. Reproduzo [...]


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</ol>]]></description>
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<p style="text-align: justify;">É abundante em sites pseudocientíficos e nos argumentos onívoros a tal "experiência de Backster" em que plantas reagiriam de forma senciente e sentimental a estímulos humanos e ambientais. Por outro lado, pouco é divulgado que os "sentimentos vegetais" já foram refutados. A refutação veio no site The Skeptics Dictionary e está disponível em português.</p>
<p style="text-align: justify;">Reproduzo o texto abaixo e saiba por que a ética pela vida senciente do vegetarianismo e do veganismo não abrange a vida vegetal -- considerando uma moral de respeito ao ser como fim em si mesmo e dotado de interesse de continuar vivendo.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong><big>Percepção vegetal (também conhecida como <em>percepção primária</em> ou <em>Efeito Backster</em>)</big></strong><br />
<a href="http://brazil.skepdic.com/plantas.html" target="_blank"><em>por Robert Todd Carroll, retirado do site The Skeptics Dictionary</em></a></p>
<p style="text-align: justify;">As plantas são seres vivos que possuem paredes         celulares de <a href="http://www.britannica.com/bcom/eb/article/0/0,5716,22370+1+22028,00.html?query=cellulose">celulose</a>,         desprovidos de órgãos nervosos ou sensoriais. Os         animais não têm <a href="http://www.britannica.com/bcom/eb/article/8/0,5716,108758+1+106125,00.html?query=plant%20cells">células</a> com paredes de celulose, mas possuem os referidos         órgãos.</p>
<p style="text-align: justify;">Jamais ocorreria a um fisiologista de animais ou         plantas testar se estas possuem consciência ou <a href="http://www.cetico.hpg.ig.com.br/pes.html">ESP</a>,         pois seu conhecimento seria suficiente para descartar a         possibilidade de que elas tivessem percepções ou         sentimentos semelhantes aos humanos. Em termos leigos, <em>plantas          não têm cérebro, nem nada semelhante a um cérebro.</em></p>
<p style="text-align: justify;">No entanto, uma pessoa completamente ignorante a         respeito de ciências vegetais e animais não só         pesquisou percepções e sentimentos em plantas, como         afirma ter provas científicas de que elas experimentam         uma ampla gama de emoções e pensamentos. Chama-se Cleve         Backster e publicou suas pesquisas em 1968 no <em>International         Journal of Parapsychology </em>("Evidence of a         Primary Perception in Plant Life" <em>[Indícios de         uma Percepção Primária em Vida Vegetal]</em> 10, 1968)<em>.</em></p>
<p style="text-align: justify;">As alegações de Backster foram refutadas por         Horowitz, Lewis e Gasteiger (1975) e Kmetz (1977). Este         resumiu os argumentos contra Backster em um artigo para a         <em>Skeptical Inquirer</em> em 1978. Backster não tinha         utilizado controles adequados em seu estudo. Quando foram         aplicados controles, não se detectou nenhuma reação a         pensamentos ou ameaças. Esses pesquisadores descobriram         que os contornos registrados no polígrafo poderiam ter         sido causados por numerosos fatores, entre os quais a         eletricidade estática, movimentos na sala, alterações         na umidade, etc.<span id="more-3207"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Apesar disso, Backster tornou-se o ídolo de vários         defensores de idéias <a href="http://www.cetico.hpg.ig.com.br/oculto.html">ocultas</a>,         <a href="http://www.cetico.hpg.ig.com.br/parapsicologia.html">parapsicológicas</a> e <a href="http://www.cetico.hpg.ig.com.br/pseudociencia.html">pseudocientíficas</a>.         Seu trabalho já foi citado na defesa da <a href="http://www.cetico.hpg.ig.com.br/vedores.html">rabdomancia</a>,         <a href="http://www.hlla.com/reference/dowsing.html"><span style="color: #990000;"><strong>*</strong></span></a> de diversas formas de         teorias "energéticas", <a href="http://www.lightworks.com/MonthlyAspectarian/1998/May/0598-05.htm"><span style="color: #990000;"><strong>*</strong></span></a> da <a href="http://www.cetico.hpg.ig.com.br/visremota.html">visão         remota</a>, <a href="http://www.biomindsuperpowers.com/Pages/RealStoryCh6.html"><span style="color: #990000;"><strong>*</strong></span></a> e do programa <a href="http://religiousmovements.lib.virginia.edu/nrms/silv.html">Silva         de controle da mente</a> (atualmente conhecido como         Método Silva). Em 1995, Backster foi convidado a         participar da <a href="http://www.ecumenical.bigstep.com/generic.jhtml?pid=13">Convenção         Silva Internacional, em Laredo, no Texas.</a> Trinta anos         depois, ele ainda conta a mesma história, que é         bastante reveladora e vale a pena ser contada por revelar         a curiosa natureza do cientista, assim como sua aparente         ignorância a respeito dos perigos da <a href="http://www.cetico.hpg.ig.com.br/confirma.html">predisposição         para a confirmação</a> e da <a href="http://www.cetico.hpg.ig.com.br/autoilusao.html">auto-ilusão</a>.         Backster demonstrou não compreender por que os         cientistas usam <a href="http://www.cetico.hpg.ig.com.br/estcontrol.html">controles </a>em estudos de causalidade.</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #990000;"><strong>o         "laboratório" &amp; a experiência Eureka!</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;">Backster nos conta que realizou sua primeira         experiência com plantas em 2 de fevereiro de 1966, em         seu laboratório na cidade de Nova York. O         "laboratório" não era um laboratório         científico. Na verdade, desde o início, nem sequer era         um laboratório. Era apenas um local onde ele ministrava         treinamentos no uso do <a href="http://www.cetico.hpg.ig.com.br/pol%C3%ADgrafo.html">polígrafo</a>,         ou "detetor de mentiras". Havia uma planta na         sala. Ele relembra o seguinte:</p>
<blockquote style="text-align: justify;"><p><span style="color: #990000;">Por algum motivo qualquer             ocorreu-me que seria interessante descobrir quanto             tempo levaria para que água, partindo da raiz da             planta, percorresse todo o longo caule até chegar             às folhas.</span></p>
<p><span style="color: #990000;">Após regar a planta ao             máximo, eu pensei, "Minha nossa! Eu tenho             bastante equipamento de poligrafia por aqui. Que tal             se eu ligar numa folha a seção do polígrafo de             resposta galvânica da pele?"</span></p></blockquote>
<p style="text-align: justify;">A seção de <a href="http://www.xrefer.com/entry/150314">resposta          galvânica da pele</a> (GSR) do polígrafo mede a         resistência da pele a uma pequena corrente elétrica. Os         defensores do polígrafo acham que as respostas         galvânicas da pele têm relação com a ansiedade, e         logo com a honestidade da pessoa. A teoria diz que quando         uma pessoa mente fica ansiosa, e que a quantidade de suor         aumenta de forma suave mas mensurável. À medida que a         transpiração aumenta, a resistência à corrente         elétrica diminui. Backster mostra-se claramente um         indivíduo muito curioso. Uma pessoa menos inquisitiva         provavelmente não ligaria para quanto tempo iria levar         para que a água chegasse da raiz até as folhas numa         planta de escritório. Backster não só deu importância         a isso como usou seu equipamento de poligrafia como         instrumento de medição. Raciocinou da seguinte forma:</p>
<blockquote style="text-align: justify;"><p><span style="color: #990000;">Achei que, assim que a água             contaminada subisse pelo tronco e descesse até a             folha, esta, ao tornar-se mais saturada e mais             condutiva, me daria o tempo de subida da água.... Eu             seria capaz de obter isso através do gráfico do             polígrafo.</span></p></blockquote>
<p style="text-align: justify;">Por que iria o polígrafo indicar isso? Porque,         segundo Bacskter, ele estava usando um "circuito de         ponte de Whetstone, que é projetado para medir mudanças         de resistência." Presumivelmente, seriam captadas         mudanças de resistência pelo polígrafo assim que água         alcançasse a folha. Ele previu que a resistência iria         cair lentamente e que as linhas no papel do polígrafo         iriam subir assim que a água atingisse a folha. Ocorreu         o contrário, coisa que, segundo ele,         "surpreendeu-me um pouco."</p>
<p style="text-align: justify;">Ao que parece, ele moveu os eletrodos e observou que         os contornos do gráfico do polígrafo eram "os         contornos de um ser humano sendo testado, reagindo quando         se faz uma pergunta que poderia colocá-lo em         dificuldades." Backster afirma que então perdeu o         interesse em medir quanto tempo a água levaria para ir         das raízes às folhas da planta. Diz ter achado que ela         estava tentando "mostrar-me reações semelhantes         às de pessoas." O pensamento seguinte foi: "O         que eu poderia fazer que representasse uma ameaça ao bem         estar da planta, semelhante ao fato de que uma pergunta         relevante sobre um crime poderia representar uma ameaça         a uma pessoa, submetida a um teste no polígrafo, e que         estivesse mentindo?" Isso é realmente fantástico.         O contorno do gráfico despertou em Backster uma imediata         identificação da planta com as pessoas que ele costuma         testar. Até aquele momento, aparentemente, ele nunca         tinha suspeitado de que as plantas do escritório eram         iguais às pessoas e que responderiam de forma         semelhante. Não está bem claro por que ele pensou em         ameaçar a planta. Também não está claro por que a         resposta ao bem estar de uma pessoa resultaria no mesmo         tipo de reação que a de ser apanhado mentindo. Ao         menos, Backster parece não ter levado seriamente em         conta a idéia de que a planta poderia tentar enganá-lo.</p>
<p style="text-align: justify;">Backster afirma ter tentado obter uma reação por         parte da planta durante 13 minutos e 55 segundos, fazendo         coisas como mergulhar uma folha em café quente, mas não         obteve resposta. Um investigador menos dedicado poderia         ter desistido e ido para casa. Mas não ele, que entendeu         que a planta estava entediada. Foi então que teve a         idéia para a sua experiência Eureka!: "Já sei o         que vou fazer: queimar a folha da planta, exatamente a         que está ligada ao polígrafo." Não está clara a         razão pela qual ele queimaria a folha, já que isso (a)         eliminaria sua umidade, tornando a medição da resposta         galvânica impossível, e (b) poderia danificar o         equipamento conectado a ela. De qualquer forma, Backster         nos conta que houve um problema para levar adiante o         plano: não tinha fósforos. Afirma, no entanto, que ao         postar-se a cerca de um metro e meio da planta, o         polígrafo "entrou em intensa agitação." Em         lugar de concluir que talvez a água tivesse finalmente         chegado à folha, Backster convenceu-se de que a planta         estava reagindo à sua intenção de queimá-la. Esta é         uma inferência realmente interessante para se fazer         naquele momento. Ele não dá nenhum sinal de ter sequer         considerado a possibilidade de haver outras explicações         possíveis para o movimento do polígrafo. Isso pode dar         a alguns leitores a impressão de ser uma boa coisa, de         que uma mente favorecida capta a verdade         instantaneamente. Mas, na verdade, isso é mau porque a         intuição de uma pessoa pode estar errada. O mais         curioso é que, após mais de trinta anos de         experiências, ainda não haja nenhuma prova de que         Backster e seus muitos defensores tenham percebido a         importância de se usar controles em seus estudos sobre a         suposta percepção das plantas.</p>
<p style="text-align: justify;">De qualquer forma, voltando à experiência original:         Backster admite ter cometido uma pequeno furto em nome da         ciência: foi a outro escritório, abriu a gaveta de uma         secretária e tirou alguns fósforos. Quando voltou ao         experimento acendeu um deles. Mas, cientista cuidadoso e         observador que era, percebeu que, como a máquina estava         muito agitada, não seria capaz de medir nenhuma         agitação adicional. Assim, abandonou a sala e quando         retornou "as coisas tinham se normalizado novamente,         o que criou as condições perfeitas e me proporcionou         uma observação de altíssima qualidade." Não         está claro o que ele quer dizer com "observação         de altíssima qualidade". A verdadeira genialidade         de Backster se revela em seu comentário final sobre a         extraordinária experiência:</p>
<blockquote style="text-align: justify;"><p><span style="color: #990000;">Então chegou o meu parceiro             da escola de poligrafia que tínhamos na época. Ele             foi também capaz de fazer a mesma coisa, contanto             que tivesse a intenção de queimar a folha da             planta. Se apenas fingisse que iria queimar a folha,             ela não reagia.</span></p>
<p><span style="color: #990000;">Ela podia saber a diferença             entre fingir que iria fazer e realmente fazê-lo, o             que é por si só bastante interessante sob um ponto             de vista de psicologia vegetal.</span></p></blockquote>
<p style="text-align: justify;">Psicologia vegetal? Suspeito que Backster tenha         inventado isso naquela noite. Se tivesse um mínimo         conhecimento a respeito da importância de se utilizar         controles em estudos que tentam estabelecer causalidades,         talvez tivesse procedido de maneira diferente. O primeiro         passo é definir claramente o que se está testando, e em         que consiste cada passo do procedimento. Backster e seu         colega não tinham uma idéia clara da diferença entre         pretender queimar a planta e fingir pretender queimá-la.         Em seguida, poderia ter ocorrido a eles que poderia         existir um modo melhor de se medir a corrente elétrica         em plantas do que usar um polígrafo. Poderiam ter         consultado especialistas e preparado uma experiência com         equipamento adequado. Assim que tivessem estabelecido         claramente o que se estava testando e como iriam         testá-lo, poderiam ter executado vinte testes com a         secretária fazendo as ações de pretender realmente ou         fingir, sem que eles soubessem qual era o quê, e         coletando os dados do polígrafo. Diriam a um terceiro         quais dos testes indicavam fingimento e quais indicavam         intenção, e ele compararia as alegações deles com os         dados da secretária. O terceiro também se encarregaria         de assegurar que os poligrafistas não pudessem ver o que         a secretária fazia durante a experiência, para que não         fossem influenciados por algo no comportamento dela.         Então, apenas para se ter certeza de que não tenha sido         algum movimento feito pela secretária que tenha feito o         polígrafo reagir quando ela pretendia queimar a planta,         os movimentos de intenção e de fingimento deveriam ser         exatamente os mesmos. Backster deveria ter feito várias         tentativas com várias plantas diferentes. E         provavelmente não deveria ter regado a planta logo antes         de fazer o experimento. Deveria saber que as mudanças de         umidade afetariam as leituras de GSR. O fato é que ele         nunca fez nada parecido com uma experiência controlada e         não esta mais próximo hoje do que em 1966 de entender         por que o polígrafo traçou os contornos que traçou         quando foi conectado à planta. Os admiradores de         Backster podem não estar mentindo quando dizem que a         experiência dele foi repetida milhares de vezes pelo         mundo afora. Infelizmente, a repetitibilidade só         justifica afirmar que um resultado é provavelmente         verdadeiro se a experiência original tiver sido         executada da maneira apropriada.</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #990000;"><strong>semeando e         colhendo</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;">As alegações de Backster vêm sendo propagandeadas e         apoiadas por várias pessoas com qualificações e         conhecimentos equivalentes aos dele: o <a href="http://atlantisrising.com/issue3/ar3thompkins.html">jornalista</a> Peter Tompkins e o <a href="http://www.amazon.com/exec/obidos/ASIN/1558212566/qid=980094321/sr=1-1/ref=sc_b_1/102-5094072-5355306">jardineiro</a> Christopher O. Bird escreveram <em>The Secret Life of         Plants [A Vida Secreta das Plantas]</em>, publicado em         1989, uma apresentação dos trabalhos de Backster e         outros "cientistas" que supostamente prova que         as plantas pensam, sentem e possuem emoções. Bird é o         autor de <em>Modern Vegetable Gardening [Jardinagem         Moderna de Vegetais] </em>e Tompkins tem vários livros de         "segredos": <em>Secrets of the Great Pyramid         [Segredos da Grande Pirâmide] </em>(1997), <em>The Secret         Life of Nature: Living in Harmony With the Hidden World         of Nature Spirits from Fairies to Quarks [A Vida Secreta         da Natureza: Vivendo em Harmonia com o Mundo Oculto dos         Espíritos da Natureza, de Fadas a Quarks] </em>(1997)<em> </em>e<em> Secrets of the Soil: New Solutions for Restoring Our         Planet [Segredos do Solo: Novas Soluções para Restaurar         Nosso Planeta] </em>(1998).</p>
<p style="text-align: justify;">Outro que apóia e expõe a obra de Backster é Robert         B. Stone, Ph.D. e membro do <a href="http://www.mensa.org/">Mensa</a>,  autor de <em>The         Secret Life of Your Cells [A Vida Secreta Das Suas         Células]</em>, publicado em 1994. Stone também é o         autor do <a href="http://www.amazon.com/exec/obidos/ASIN/9991400931/ref=ed_oe_h/102-5094072-5355306">Método          Silva</a> (o programa de controle da mente e auto-cura de         Jose <a href="http://www.silvamethod.co.uk/index.html">Silva</a>)         e de <a href="http://www.amazon.com/exec/obidos/ASIN/0671796372/qid=980095407/sr=1-31/ref=sc_b_6/102-5094072-5355306"><em>Silva's          Method: Unlocking the Genius Within [Método Silva:         Desbloqueando o Gênio Interior]</em></a><em>. </em>Stone e         Silva escreveram um livro juntos: <a href="http://www.silvamethod.co.uk/page7.html"><em>You the         Healer [Você, o Curandeiro]</em></a>. No entanto, caso         alguém procure na literatura científica por algum         respaldo à idéia de que plantas pensam, sentem e         vivenciam emoções, buscará em vão.</p>
<p style="text-align: justify;">A despeito da falta de apoio científico à idéia da         percepção vegetal, ela é aceita por muitos como não         só verdadeira, mas como verificada por numerosos estudos         científicos! O apoio às alegações de Backster é         desproporcional aos indícios apresentados, mas não é         só isso. O poder das plantas de entender os pensamentos         humanos "lendo" nossos "campos         bioenergéticos" é conhecido entre os         parapsicólogos como <em>o efeito Backster.</em><a href="http://www.vogelcrystals.com/legacymarcel.htm">*</a></p>
<p style="text-align: justify;">A seguir, exemplos típicos dos testemunhos em defesa         das alegações de Backster. Observe como ecoam a         afirmação de que a experiência foi duplicada várias         vezes por várias pessoas diferentes. Nenhum desses         testemunhos menciona os estudos críticos que, além de         não conseguirem comprovar as alegações de Backster,         também explicam por que seus estudos eram falhos.</p>
<blockquote style="text-align: justify;"><p><span style="color: #990000;">Cleve Backster usou um             polígrafo (detetor de mentiras) para testar plantas,             conectando eletrodos às folhas. Através do registro             de impulsos elétricos, descobriu que as plantas eram             extremamente sensíveis aos pensamentos dele,             particularmente aos que ameaçavam o bem estar delas.             Backster também observou a reação de uma planta             quando mesmo as menores células eram mortas perto             dela. Observou que elas tinham uma espécie de             memória, reagindo a alguém que anteriormente tinha             feito algum mal a outra planta próxima: numa fila de             pessoas anônimas, a planta podia descobrir qual             delas tinha executado o ato (</span>John Van Mater,             teósofo<span style="color: #990000;">).</span><a href="http://www.theosophy-nw.org/theosnw/brother/br-jvmj2.htm"><span style="color: #990000;">*</span></a></p>
<p>***************************<br />
<span style="color: #990000;">Cleve Backster ficou famoso,             e tem sido desde 1968, quando foi o primeiro a             afirmar que as plantas possuem percepções             primárias capazes de sentir pensamentos humanos e             responder a eles. Isso foi o mesmo que dizer que             PLANTAS têm consciência, são telepáticas e podem             processar informações não-físicas. Isso,             naturalmente, chocou, irritou e horrorizou a todo             tipo de cientistas, e Backster foi ridicularizado na             mídia -- para o deleite dos parapsicólogos da linha             dura, que na época não tinham nada de bom a dizer a             respeito dele. </span><a href="http://www.cetico.hpg.ig.com.br/plantas.html#note1"><span style="color: #990000;">* </span></a><span style="color: #990000;">Para             ajudar a corrigir essa triste rejeição de Backster,             não foi antes do final dos anos de 1980 que os             neurobiólogos descobriram e confirmaram que as             plantas possuem mesmo "percepções             primárias" porque têm "redes neurais             rudimentares."</span><a href="http://www.biomindsuperpowers.com/Pages/RealStoryCh6.html"><span style="color: #990000;">*</span></a><span style="color: #990000;"> </span>[Essa             alegação de Ingo Swann é pura bobagem.             Neurobiólogos não estudam plantas e uma pesquisa             sobre o efeito Backster nos anais da literatura             neurobiológica não encontrará nada.]</p>
<p>***************************<span style="color: #990000;"> </span></p>
<p><span style="color: #990000;">...</span><a href="http://www.cetico.hpg.ig.com.br/vedores.html"><span style="color: #990000;">a rabdomancia de mapas</span></a><span style="color: #990000;"> tem uma explicação tão simples             quanto a rabdomancia <em>in loco</em>. A que é feita             em mapas parece estar relacionada ao que às vezes é             chamado de "Efeito Backster". Especialista             em detetores de mentiras, Backster conectou um             dispositivo de resposta galvânica da pele à folha             mais alta de uma planta. Esse dispositivo mede a             resistência elétrica da pele. Ele então regou a             planta, confiante de que iria medir quanto tempo a             água levaria para alcançar a folha e alterar sua             resistência. Em lugar disso, o detetor prontamente             indicou o que seria um efeito da felicidade numa             pessoa. Isso o surpreendeu, e assim ele decidiu             traumatizar a planta queimando uma folha. Ela             demonstrou uma resposta de medo no detetor assim que             ele teve esse pensamento. A experiência de Backster             foi reproduzida milhares de vezes por várias pessoas             usando diversas variações e tem sido muito bem             divulgada pela televisão e em muitos livros (</span>Walt             Woods, rabdomante de mapas<span style="color: #990000;">).</span>*</p>
<p><a href="http://www.sni.net/at/asd/robin.html"><span style="color: #990000;"> </span></a>***************************</p>
<p><span style="color: #990000;">Os trabalhos de Backster no             fim dos anos 60 e início dos 70 foram uma importante             inspiração para o best seller <em>The Secret Life of             Plants [A Vida Secreta das Plantas], </em>de Peter             Tompkins e Christopher Bird. Nos anos 80, sua obra             foi relatada por Robert Stone em <em>The Secret Life             of Your Cells [A Vida Secreta das Suas Células]</em>.             Sua jornada de pesquisas começou com a redescoberta             quase acidental, em 1966, de que as plantas são             sensíveis e respondem às emoções espontâneas e             às intenções fortemente expressas de seres humanos             importantes. (J. Chandra Bose</span><a href="http://www.cetico.hpg.ig.com.br/plantas.html#note2"><span style="color: #990000;">*</span></a><span style="color: #990000;">,             da Índia, demonstrou um princípio semelhante no             início do século 20.) Usando um instrumento que             mede respostas galvânicas da pele (GSR), uma parte             de seu polígrafo ou detetor de mentiras, Backster             tentou determinar se este mediria o momento da             reidratação de uma planta cujas raízes tinham sido             regadas recentemente. Não funcionou, mas para sua             surpresa, o medidor GSR registrou sua ameaça de             queimar a folha da planta quando pensou             espontaneamente na idéia....</span></p>
<p><span style="color: #990000;">Literalmente centenas de             experimentos nos últimos trinta anos provaram a             existência dessa biocomunicação conhecida como             "Efeito Backster." Minha própria             participação pessoal numa dessas experiências não             me deixou dúvidas de que uma cultura de iogurte numa             gaiola blindada demonstrou reações extraordinárias             a sentimentos que foram despertados em mim e minhas             colegas, quando discutíamos questões controversas             sobre sexo e poder. Curiosamente, o iogurte não             reagiu a períodos de discussão intelectual sobre os             mesmos assuntos. Só se tornou agitado quando nossos             comentários estavam carregados de emoção (</span>Paul             Von Ward, MPA e M.S., pesquisador e escritor sobre os             campos da "consciência e ciências             fronteiriças"<span style="color: #990000;">).</span><a href="http://www.lightworks.com/MonthlyAspectarian/1998/May/0598-05.htm"><span style="color: #990000;">*</span></a></p>
<p>***************************</p>
<p><span style="color: #990000;">Em 1969, Marcel [Joseph             Vogel] ministrou um curso sobre criatividade para             engenheiros da IBM. Foi nessa época que ele leu um             artigo na revista Argosy intitulado "Plantas             Sentem Emoções?" sobre os trabalhos de Cleve             Backster, perito em polígrafos, a respeito da             resposta das plantas à interação com seres             humanos. Apesar da rejeição inicial do conceito da             comunicação homens-plantas, decidiu explorar essas             estranhas alegações.</span></p>
<p><span style="color: #990000;">Ele foi capaz de reproduzir             o efeito Backster usando plantas como transdutores             para os campos bioenergéticos que a mente humana             emite, demonstrando que os vegetais respondem a             pensamentos. Utilizou Filodendros de folhas divididas             conectados a uma ponte de Wheatstone, que comparava             uma resistência conhecida a uma desconhecida.             Descobriu que, quando expirava lentamente, não havia             praticamente nenhuma reação da planta. Quando             pulsava a respiração através das narinas, enquanto             mantinha um pensamento em mente, a planta reagia             sensivelmente. Também foi descoberto que esses             campos, associados à ação de respirar e pensar,             não têm um limite de tempo significativo. A             resposta das plantas ao pensamento foi também a             mesma a oito polegadas, a oito pés ou a oito mil             milhas! Com base nos resultados das experiências, a             lei do inverso do quadrado não se aplica ao             pensamento. Isto foi o início da transformação de             Marcel de um cientista puramente racional num             cientista espiritual ou místico.</span></p>
<p><span style="color: #990000;">Basicamente, descobriu-se             que as plantas respondem mais intensamente ao             pensamento de serem cortadas, queimadas ou rasgadas             do que ao ato real. Marcel constatou que, se rasgasse             um folha de uma planta, uma segunda planta reagiria,             mas somente se ele estivesse prestando atenção             nela. As plantas pareciam estar espelhando as             respostas mentais do cientista. Ele concluiu então             que as plantas agiam como baterias, armazenando a             energia de seus pensamentos e intenções. Comentou a             respeito desses experimentos: "Descobri que há             energia conectada ao pensamento. O pensamento pode             ser pulsado e a energia conectada a ele se torna             coerente e tem um poder semelhante ao do laser."             (</span>Rumi Da, comerciante de cristais finos<span style="color: #990000;">).</span><a href="http://www.vogelcrystals.com/legacymarcel.htm"><span style="color: #990000;">*</span></a></p>
<p>***************************</p></blockquote>
<blockquote style="text-align: justify;"><p><span style="color: #990000;">Nos anos setenta, um             best-seller chamado <em>The Secret Life of Plants</em> <em>[A             Vida Secreta das Plantas]</em> apresentou pesquisas             científicas feitas em todo o mundo explorando a             inteligência das plantas. O capítulo que mais me             impressionou descrevia um policial aposentado da             cidade de Nova York, chamado Cleve Backster, que             ensinava as pessoas a operar detetores de mentiras.             Por brincadeira, conectou suas plantas a um             polígrafo para que pudesse monitorar suas respostas.</span></p>
<p><span style="color: #990000;">Certo dia, Backster             aproximou um fósforo aceso de sua Dracaena             Massangeana, como se fosse queimá-la. Não só a             planta se mostrou agitada no polígrafo como também             todas as outras plantas no lugar. Ele mal podia             acreditar. Continuando a experimentar, descobriu que             elas reagiam a seus pensamentos, mesmo quando estava             a quilômetros de distância. Um dia, na estrada de             Nova Jersey, decidiu informá-las, através do             pensamento, de que estava a caminho de casa. Quando             chegou, descobriu que as plantas tinham respondido             intensamente nos gráficos no exato instante em que             ele se comunicava com elas. A proximidade não é um             fator na capacidade que elas têm de captá-lo!</span></p>
<p><span style="color: #990000;">Qualquer um pode desenvolver             essa habilidade. Todos a temos dentro de nós. Tudo o             que precisamos fazer é reconhecer a possibilidade de             que ela seja verdadeira e então prosseguir com a             mente e o coração abertos (</span>Judith             Handlesman, vegetariana e jardineira espiritual).<a href="http://here-and-now.org/judith/articles.html"><span style="color: #990000;">*</span></a></p>
<p><span style="color: #990000;"><br />
Cleve Backster, amigo nosso,             é definitivamente um cientista pioneiro. Pode ser             criticado por ser pobre em promover suas descobertas.             Suas publicações escassas poderiam ter ganho um             peso adicional se ele tivesse apresentado uma             análise meticulosa das flutuações naturais do             potencial produzidas pelas preparações <em>in vitro</em> de células brancas do sangue. O planejamento do             teste também poderia ter sido melhorado             informando-se as reações fisiológicas de um doador             e estabelecendo-se uma melhor correlação entre este             e a atividade elétrica as células. No entanto,             deve-se julgar uma pessoa pelo que ela fez, e não             pelo que deveria ter feito.</span></p>
<p><span style="color: #990000;">A questão é por que, nos             10 anos desde a publicação dos primeiros resultados             de Backster, ninguém no mundo se deu ao trabalho de             repetir o experimento. </span>[Isso não é verdade.             Veja Horowitz, <em>et al.</em> &amp; Kmetz.]<span style="color: #990000;"> O custo claramente não é a razão             -- é muito mais barato que qualquer experiência             bioquímica. Afinal, o experimento poderia ter sido             executado em animais de laboratório.</span></p>
<p><span style="color: #990000;">Se os resultados de Backster             fossem confirmados, isso poderia teria aberto um ramo             totalmente novo de pesquisa científica, com um             impacto de grandes proporções nas ciências             biológicas. Muitos de nós sabem a resposta: ela se             encontra no domínio da psicologia social e política             da ciência, e envolve nossa dignidade como             cientistas e seres humanos </span>(Robert B. Stone,             Ph.D.. escritor, formado no M.I.T., membro da             Academia de Ciências de Nova York, membro do Mensa e             pesquisador da comunicação mente/corpo)<span style="color: #990000;">. </span><a href="http://www.whps.com/misaha/issue11.htm"><span style="color: #990000;">*</span></a></p></blockquote>
<p style="text-align: justify;">Parece claro que Backster tem seus seguidores e que         eles acham que ele fez um trabalho fundamental e         extraordinário na ciência. Por que ele não ganhou um         Prêmio Nobel? Por que a quase totalidade da comunidade         científica o ignora? A resposta deveria ser óbvia. No         entanto, ele prossegue em seus trabalhos no Backster         Research Center em San Diego, na California, onde alega         ser capaz de demonstrar que suas plantas respondem a seus         afetuosos pensamentos e até mesmo obedecem a seus         comandos mentais. <a href="http://www.tcom.co.uk/hpnet/espfk04.htm">*</a></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #990000;"><strong>Ingo Swann</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;">Um dos maiores admiradores e defensores de Backster é         <a href="http://skepdic.master.com/texis/master/search/?s=SS&amp;q=ingo+swann">Ingo          Swann</a>, divulgador da <a href="http://www.cetico.hpg.ig.com.br/remotevw.html">visão         remota</a> ("Remote Viewing - The Real Story" <em>[Visão         Remota - A História Real]</em>). Swann é aquele que foi         citado acima, falsamente afirmando que a obra de Backster         teria sido confirmada nos anos 80 pelos neurobiólogos,         quando se descobriu que as plantas possuem redes neurais.         Em 1971, segundo Swann, Backster o convidou a visitar seu         laboratório de plantas e escola de poligrafia. Lá, Ingo         afirma ter também feito a agulha do polígrafo ligado à         planta "disparar" quando pensou em queimá-la         com um fósforo. Foi capaz de repetir o evento várias         vezes e não conseguiu obter resposta. Swann lembra-se do         evento e apresenta o que Backster pensa ser uma         conclusão lógica. Naturalmente, nenhum deles pensou na         possibilidade de ter se enganado ou iludido. Não ocorreu         a nenhum deles que deveriam ter estabelecido controles.</p>
<blockquote style="text-align: justify;"><p><span style="color: #990000;">"O que significa             ISSO?" perguntei. "Diga-me você."             Então me ocorreu um pensamento bem assustador, tão             impressionante que provocou arrepios. "Você             quer dizer," perguntei, "que ela APRENDEU             que eu não pensava seriamente em queimar realmente             sua folha? Assim ela agora sabe que não precisa se             alarmar."</span></p>
<p><span style="color: #990000;">Backster sorriu. "Foi             VOCÊ quem disse isso, não eu. Tente outro tipo de             pensamento perigoso." Então pensei em colocar             ácido no vaso da planta. Bingo! Mas a mesma             "curva de aprendizado" logo se repetiu.             Agora eu já entendia na minha própria             "realidade" que as plantas são sensíveis             e telepáticas, como o sabem todos os amantes de             plantas que falam com as suas. Mas a descoberta de             que aquelas plantas podiam APRENDER a discernir entre             intenções humanas verdadeiras e artificiais caiu             como um raio! Em meio a todo esse assombro,             deparei-me com o conceito da "curva de             aprendizado" que acabaria desempenhando o papel             principal no desenvolvimento da visão remota.</span></p>
<p><span style="color: #990000;">Mas Backster prosseguia.             "Você acha que poderia influenciar algum tipo             de metal ou produto químico?" "Eu não sei             como influenciar coisa alguma. Mas posso             tentar." Assim, por várias semanas, fui ao             laboratório de Times Square tentar atingir metais e             substâncias químicas -- e a marcha na direção do             que eu estava inconscientemente sendo atraído             prolongou-se até outubro de 1971. </span><a href="http://www.biomindsuperpowers.com/Pages/RealStoryCh6.html"><span style="color: #990000;">*</span></a></p></blockquote>
<p style="text-align: justify;">Esse tipo de abordagem amadorística aos experimentos         e esse reforço ingênuo de especulações como se fossem         fatos estabelecidos por provas incontroversas é típico         de Backster e os que o apóiam. Um cientista com         discernimento jamais seria iludido por raciocínios         rudimentares e especulações como essas. Mas uma pessoa         cientificamente ignorante poderia facilmente ser tapeada         por essas experiências.</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #990000;"><strong>o efeito         Backster e a religião primitiva</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;">Jim Cranford é mais um defensor de Backster, a quem         considera uma fonte de provas de que as religiões         animistas realmente se comunicavam com a vegetação.</p>
<blockquote style="text-align: justify;"><p><span style="color: #990000;">Embora experiências             similares [à de Backster] tenham sido repetidas             milhares de vezes, por todo o mundo, por mais de 15             anos deixamos de perceber as implicações. Parte do             problema é que Backster não é             "cientista" e esses caras não gostam de             admitir que ninguém mais saiba alguma coisa. Isso é             orgulho e arrogância da pior espécie, mas não é             tão incomum nos laboratórios. Até o restante de             nós acha difícil acreditar que os             "primitivos" se comunicavam mesmo com suas             plantas através de rituais e sacrifícios.             Simplesmente nos recusamos a acreditar que poderia             haver alguma "inteligência" por perto             além da nossa, quando vivemos num mundo que é mais             inteligente que nós o tempo todo. É óbvio que a             nossa visão coletiva das religiões primitivas             precisa de uma revisão. </span><a href="http://www.insomniac.com/Tabari/otrhog/sacrifice.html"><span style="color: #990000;">*</span></a></p></blockquote>
<p style="text-align: justify;">Ao menos Cranford reconhece que Backster não é um         cientista. "Esses caras" exigiriam controles ao         fazer estudos causais.</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #990000;"><strong>Backster         e a Teosofia</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;">Outro defensor das idéias de Backster é o <a href="http://www.cetico.hpg.ig.com.br/teosofia.html">teósofo</a> John Van Mater, Jr., que acredita que os trabalhos de         Backster corroboram a idéia de que</p>
<blockquote style="text-align: justify;"><p><span style="color: #990000;">... existe uma força vital,             uma energia cósmica que envolve os seres vivos,             compartilhado por todos os reinos, inclusive o             humano.... A natureza é uma grande irmandade de             seres, uma simbiose de muitos níveis, a maioria dos             quais além de nossa capacidade de detecção e             compreensão normal. O reino vegetal é uma camada             essencial da vitalidade ou </span><a href="http://www.cetico.hpg.ig.com.br/prana.html"><span style="color: #990000;">prana</span></a><span style="color: #990000;"> do planeta vivo, que ajuda a fornecer em seu             metabolismo um órgão respirante e inteligente, que             produz e regula a atmosfera, além de transferir             energia para a biosfera. As plantas também são um             elo na cadeia dos seres, na qual cada reino ou nível             precisa dos outros para funcionar e evoluir. </span>(Veja             <a href="http://www.theosophy-nw.org/theosnw/brother/br-jvmj2.htm">"Our             Intelligent Companions, the Plants,"</a> <em>[Nossas             Companheiras Inteligentes, as Plantas] </em>John Van             Mater, Jr., revista <em>Sunrise</em> , abril/maio de             1987 publicada pela <a href="http://www.cetico.hpg.ig.com.br/teosofia.html">Theosophical</a> University Press.)</p></blockquote>
<p style="text-align: justify;">Assim, a ciência barata de Backster é invocada para         dar respaldo a idéias metafísicas, juntamente com seu         apoio à rabdomancia, cura energética, telepatia, visão         remota e sabe-se lá o que mais.</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #990000;"><strong>respaldo         científico?</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;">Embora a ciência regular tenha evitado as alegações         de Backster sobre plantas <a href="http://www.cetico.hpg.ig.com.br/telepatia.html">telepáticas</a> e sua "percepção primária," o <a href="http://www.earthpulse.com/products/secret.html">Earthpulse.com</a>,         um site OVNI/Ambientalista New Age que vende livros sobre         "fronteiras da ciência", supostamente         encontrou um botânico chamado Richard M. Klein, da         Universidade de Vermont, para fornecer um comentário de         capa para <em>A Vida Secreta das Plantas.</em></p>
<blockquote style="text-align: justify;"><p><span style="color: #990000;">Se eu não posso 'entrar             numa planta' ou 'sentir emanações' de uma planta e             não conheço ninguém que possa, isso não diminui             em nada a possibilidade de que alguém possa fazê-lo             e o faça....</span></p></blockquote>
<p style="text-align: justify;">Jamais foram ditas palavras mais verdadeiras. No         entanto, uma busca no site da Universidade de Vermont         não encontrou nenhum membro do departamento de         botânica, nem de nenhum outro, chamado Richard M. Klein.         Talvez o Sr. Klein tenha sido abduzido por alienígenas.         Ou talvez esteja trabalhando com Backster em como         conduzir adequadamente um estudo controlado duplo-cego.         Afinal, Backster pode ter finalmente encontrado alguma         utilidade para o polígrafo.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p>***************************</p>
<p style="text-align: justify;"><a name="note1"><strong>*nota 1</strong></a><strong>: </strong>É         interessante que John Kmetz tenha uma leitura diferente         da mídia. Ele escreve: "É lamentável que a         imprensa popular tenha encarado os experimentos de         Backster e os apresentado ao público de uma forma tal         que muitas pessoas atualmente acreditam que as plantas         podem fazer algo que na verdade não podem. A imprensa,         na maioria das vezes, nunca menciona que os artigos sobre         o efeito Backster são baseados em observações de         apenas sete plantas. Talvez eles precisem ser lembrados,         mais uma vez, que estão fazendo alegações exageradas a         respeito de uma experiência que ninguém, inclusive         Backster, em função de recusa por parte dele próprio,         foi capaz de reproduzir."</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><a name="note2"><strong>*not</strong></a><strong>a 2: </strong>Sir Jagadis         Chundra Bose era um cientista bengalês e admirador do <a href="http://www.cetico.hpg.ig.com.br/vitalismo.html">vitalista</a> francês Henri <a href="http://www.kirjasto.sci.fi/bergson.htm">Bergson</a>.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>leitura adicional</strong></p>
<ul style="text-align: justify;">
<li><a href="http://aspp.org/">Sociedade Americana                 dos Fisiologistas Vegetais</a> e seu periódico <a href="http://aspp.org/plant_phys/index.htm"><em>Plant                 Physiology</em></a></li>
<li><a href="http://www.ecumenical.bigstep.com/generic.jhtml?pid=13">Cleve                 Backster na Silva International Convention de                 1995</a></li>
<li><a href="http://www.whps.com/misaha/issue11.htm">Células                 Flagradas no Ato da Comunicação</a> de Robert                 B. Stone, Ph.D. (MISHA [Instituto para o Estudo                 de Artes Alternativas de Cura de Monterey]                 newsletter 11)</li>
</ul>
<p style="text-align: justify;">Horowitz, K. A., D.C. Lewis, e E. L. Gasteiger. 1975.         Plant primary perception <em>[Percepção Primária de         Vegetais]</em>. <em>Science</em> 189: 478-480.</p>
<p style="text-align: justify;">Kmetz, J. M. 1977. A study of primary perception in         plants and animal life <em>[Estudo da percepção         primária na vida animal e vegetal]</em>. <em>Journal of         the American Society for Psychical Research</em> 71(2):         157-170.</p>
<p style="text-align: justify;">Kmetz, John M. 1978. Plant perception <em>[Percepção         vegetal]</em>. <em>The Skeptical Inquirer. </em>Spring/Summer,         57-61.</p>
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	</a>

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</ol></p>]]></content:encoded>
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		<title>Ética e ateísmo, por Bruno Müller</title>
		<link>http://consciencia.blog.br/2010/02/etica-e-ateismo-por-bruno-muller.html</link>
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		<pubDate>Wed, 24 Feb 2010 21:00:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Robson Fernando</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ateísmo]]></category>
		<category><![CDATA[Contradições Humanas]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Posts e Atos de Conscientização]]></category>
		<category><![CDATA[Questionando a Religião]]></category>
		<category><![CDATA[Razão e Ceticismo]]></category>
		<category><![CDATA[Religião]]></category>
		<category><![CDATA[Texto de Outros/as Autores/as]]></category>
		<category><![CDATA[Ética e Moral]]></category>

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		<description><![CDATA[Sou fã dos artigos de Bruno Müller, dono do hoje abandonado blog Seres Livres e colunista da ANDA. Como já falei um tempo atrás, ele foi uma das pessoas que me inspiraram a escrever artigos e a criar o Consciência Efervescente. Concordo em muita coisa com ele, a não ser sobre anarquismo, sobre o qual [...]


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<li><a href='http://consciencia.blog.br/2010/05/resenha-deus-um-delirio.html' rel='bookmark' title='Permanent Link: Resenha: Deus, um delírio'>Resenha: Deus, um delírio</a></li>
<li><a href='http://consciencia.blog.br/2010/03/quando-a-religiao-prega-a-crueldade-contra-animais.html' rel='bookmark' title='Permanent Link: Quando a religião prega a crueldade contra animais'>Quando a religião prega a crueldade contra animais</a></li>
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<p>Sou fã dos artigos de Bruno Müller, dono do hoje  abandonado <a href="http://sereslivres.blogspot.com/">blog Seres Livres</a> e <a href="http://www.anda.jor.br/?cat=46">colunista da ANDA</a>. Como já  falei um tempo atrás, ele foi uma das pessoas que me inspiraram a  escrever artigos e a criar o Consciência Efervescente.</p>
<p>Concordo em muita coisa com ele, a não ser sobre anarquismo, sobre o  qual ainda não sei muito e nada li.</p>
<p>Com vocês, um ótimo artigo sobre ateísmo, religiões e ética.</p>
<p style="text-align: justify;"><big><a href="http://www.anda.jor.br/?p=33042"><strong>Ética e ateísmo</strong></a></big><br />
<em>por  Bruno Müller</em></p>
<p style="text-align: justify;">Certa vez conheci uma pessoa que me disse que, ao saber que eu era  ateu, sentiu-se receosa, mas que, com o tempo, percebeu que apesar disso  eu era uma boa pessoa – como se o ateísmo fosse um entrave para o  desenvolvimento ético de um ser humano. No entanto, essa mesma pessoa  era perversa, manipuladora, mentirosa, arrogante – para resumir, uma  hipócrita.</p>
<p style="text-align: justify;">Com o tempo, entendi que não havia uma contradição em sua  personalidade. Não que pessoas religiosas sejam necessariamente  hipócritas, mas aquelas mais fanáticas e que se consideram ungidas de  uma missão divina, como era o caso dela, frequentemente o são, mesmo sem  se dar conta. Isso porque é necessária uma boa dose de arrogância para  acreditar conhecer os segredos do universo, ter “linha direta” com um  deus e sentir-se apto a revelar – ou impor – esses segredos aos demais.</p>
<p style="text-align: justify;">Ainda jovem, quando a curiosidade me levou a frequentar alguns  cultos, entendi que o pecado que mais se observa nas igrejas e templos é  o do orgulho, da vaidade. O que há na fé que faz as pessoas se sentirem  melhores que as outras que não têm fé ou não têm a supracitada “linha  direta”? Não tenho resposta pronta para essa pergunta, mas esta leva a  uma outra questão, mais fácil de abordar: o sentimento de superioridade  lhes leva a supor que não há bondade fora da religião, que quem não tem  religião não possui estatura moral ou capacidade de praticar o bem e o  respeito ao próximo.<span id="more-2924"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Diversas vezes ouvi, de forma direta ou velada, a opinião de que um  ateu não pode ser uma boa pessoa. Em 2007, uma pesquisa feita no Brasil  mostrou que os ateus são o grupo que seria mais amplamente rejeitado  pelos eleitores numa eleição presidencial: 84%  admitiriam votar num  negro, 57% numa mulher, 32% em um homossexual, e 13% num ateu; 57%  disseram que não votariam em um ateu em hipótese nenhuma [1]. Pesquisas  nos Estados Unidos têm resultados muito semelhantes.</p>
<p style="text-align: justify;">Frequentemente, quando se debate a diversidade e a tolerância  religiosa, é comum se ouvir a seguinte frase: “o que importa é que cada  um, a seu modo, está em busca de deus”. Se você não busca, então você  não conta, está aquém do resto da humanidade. Há também os que dizem que  o ateísmo é rebeldia adolescente e que, cedo ou tarde, o ser humano  aceita a ideia de um deus.</p>
<p style="text-align: justify;">Existe também batida máxima de que os ateus são pessoas amargas e  infelizes que adorariam acreditar em um deus ou apenas ainda não foram  “despertas”. O cronista Reinaldo Azevedo certa vez escreveu: “Tendo a  achar que, se dependesse da vontade, todo mundo acreditaria em Deus. Mas  há quem não consiga, ainda que queira.” [2]</p>
<p style="text-align: justify;">Deixei de acreditar em um deus aos 16 anos. Hoje, com 30, tenho cada  vez mais convicção da inexistência de um deus e cada vez mais antipatia  pelas religiões instituídas. Sou hoje, sendo adulto, mais ateu que há 14  anos. E sei que crer em um deus não me faria mais feliz nem mais  completo. Não é uma vontade mal-suprida, algo que “não consigo, ainda  que queira”.</p>
<p style="text-align: justify;">Pelo contrário: a ideia de um deus me gera angústia e tristeza, pois  simboliza hierarquia, superioridade, poder, enquanto eu acredito na  radicalidade da liberdade e da igualdade, e que somente pela consciência  damos valor aos nossos atos. Fazer o bem obrigado por deus é como fazer  o bem obrigado pelos pais ou pela lei: é uma ação moralmente neutra.</p>
<p style="text-align: justify;">Não tem valor intrínseco, pois não partiu da consciência, e sim de  uma coação externa. Podemos nos conformar à lei por conveniência ou  medo, mas apenas quando fazemos o que é certo por livre escolha somos  pessoas verdadeiramente conscientes – mesmo que isso vá contra a  conveniência, o benefício pessoal e a própria lei (pois, como sabemos, o  direito e a ética frequentemente não coincidem).</p>
<p style="text-align: justify;">Daí, na minha opinião, o elevado valor de optar por um estilo de vida  vegano. Não quer dizer que os veganos sejam automaticamente pessoas  boas, melhores ou superiores. A ética humana não é linear: pode-se ter  uma grande consciência ética num campo e uma grave falha de caráter  noutro.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu bem sei que conheço alguns veganos completamente desprovidos de  caráter, da mesma forma que há onívoros com elevada consciência ética em  relação aos humanos, embora sejam todos deficientes éticos perante os  animais. Como disse Milan Kundera numa passagem que já citei, o  verdadeiro teste da bondade humana está perante aqueles que não podem  nos fazer nenhum mal, nem reagir ao mal que lhes infligimos, e contra  quem as injustiças praticadas não levam a algum tipo de punição. Estes  são os animais. E neste teste fundamental da bondade, a maioria dos  seres humanos falha miseravelmente.</p>
<p style="text-align: justify;">Outro caso: certa vez ouvi de uma católica fervorosa que não se  poderia afirmar com certeza que Gandhi teria sido aceito no paraíso.  Afinal, ele não professava a religião “correta”.</p>
<p style="text-align: justify;">Vindo daqueles que professam os pretensos altos valores morais de sua  fé, isso revela, ao contrário, o completo desprezo por eles: não  importa seu caráter ou a contribuição dada em vida para a paz, a  justiça, a liberdade. Importa apenas se você se curva diante do  “verdadeiro” deus. Não é apenas uma ideia como essa que é detestável.  Todo o sistema de crenças que lhe dá origem não pode ser senão um  completo equívoco.</p>
<p style="text-align: justify;">Alguns dos maiores crimes cometidos pela humanidade tiveram na  religião sua justificativa, senão seu motor principal. Dentre elas, as  religiões monoteístas abraâmicas – judaísmo, cristianismo e islamismo –  se mostraram particularmente sanguinolentas [3].</p>
<p style="text-align: justify;">O maior genocídio perpetrado em toda a história – o extermínio dos  povos nativos da América pelos conquistadores europeus – foi justificado  em nome do cristianismo, tanto católico quanto protestante. Cerca de  90% dos habitantes da América em 1492 foram exterminados num espaço de  poucas décadas [4].</p>
<p style="text-align: justify;">Também a maior migração forçada da história – de africanos para a  América – e o maior, mais recente e mais complexo sistema escravista que  a motivou vicejou e prosperou, em vez de minguar, sob os olhos  complacentes do cristianismo – de novo, tanto protestante quanto  católico.</p>
<p style="text-align: justify;">Cultuando a obediência e a hierarquia, defendendo o dever da expansão  da “verdadeira” palavra divina e inteligentemente utilizado pelos  conquistadores europeus, o cristianismo se revelou a ideologia perfeita  para o colonialismo. Você poderia matar, torturar, escravizar, explorar,  oprimir, e ainda alegar que estava promovendo e difundindo o bem.</p>
<p style="text-align: justify;">É absolutamente ocioso discutir se isso foi só uma  “instrumentalização” ou “distorção” da fé religiosa, por dois motivos:  primeiro, os colonizadores, em sua maioria, ainda que em grau maior ou  menor de fervor, eram sinceramente crédulos nas palavras da Bíblia;  segundo, as autoridades eclesiásticas, responsáveis pela salvaguarda da  doutrina, eram elas próprias coniventes com tais atrocidades e  corrompidas pela sede de poder e riqueza.</p>
<p style="text-align: justify;">Algumas das guerras mais sangrentas da história foram guerras  religiosas. Muito antes das Revoluções Francesa e Russa, antes do  nazismo e de sequer se imaginar a possibilidade de guerras mundiais ou  hecatombes nucleares, os indivíduos se matavam em nome de deus. O mais  prolongado conflito anterior ao século XX, a Guerra dos 30 Anos  (1618-1648), foi uma guerra religiosa.</p>
<p style="text-align: justify;">Em apenas um episódio, a Noite de São Bartolomeu, em 1572, milhares  de protestantes franceses foram massacrados pelos católicos. Proferir a  religião errada na Europa das Idades Medieval e Moderna era, se não um  terrível risco, como no caso da Inquisição, pelo menos um grande  inconveniente – que o digam os judeus, vítimas de leis discriminatórias e  violências sazonais (os chamados pogroms).</p>
<p style="text-align: justify;">Havia que se professar sua fé em silêncio e às escondidas para não  ser alvo de perseguição e violência. Quantos massacres não caíram no  esquecimento para que hoje a Igreja Católica possa projetar uma  autoridade moral da qual carece num mundo tão moralmente corrompido como  é o nosso?</p>
<p style="text-align: justify;">Isso para não mencionar os conflitos religiosos contemporâneos.  Fala-se muito de fundamentalismo islâmico hoje em dia, mas se esquece  que existe também um fundamentalismo cristão, sediado nos Estados Unidos  e que encontrou seu ápice no governo de George W. Bush, marcado por um  profundo desprezo pelo que não é judaico-cristão, um senso missionário  de exportação dos valores “americanos”, uma desconfiança e até  hostilidade à ciência e um forte conservadorismo de costumes.</p>
<p style="text-align: justify;">A repulsa pelo pensamento dissonante é tão profundo no cristianismo  que o maior pecado que pode cometer um cristão não é o assassinato, nem  mesmo o suicídio, mas o pecado da “heresia”. Séculos de discurso  religioso vendem ao termo “heresia” um sentido terrível. Na verdade,  porém, “heresia” é tão somente uma “distorção da fé”, isto é, uma  discordância e interpretação distinta da doutrina e do dogma religioso. É  precisamente isso que era o heliocentrismo: um pecado mortal contra a  doutrina religiosa, por afirmar que a Terra não era o centro do  universo.</p>
<p style="text-align: justify;">Por isso Galileu teve de se haver com a Inquisição. Se a verdade está  contra deus – pior para a verdade. Aliás, um axioma típico do  pensamento religioso. No filme Crimes e Pecados, de Woody Allen, um  personagem diz, a certa altura: “Se for necessário, eu sempre vou  escolher deus à verdade”.</p>
<p style="text-align: justify;">Não deveríamos temer a verdade. Mesmo a mais dolorosa verdade pode  nos libertar: conhecer a realidade é ter o poder de transformá-la. Em  outra passagem do filme, outro personagem diz: “o universo é um lugar  muito frio; somos nós que o investimos com nossos sentimentos”. Tal  passagem, aparentemente desoladora, de fato nos concede a autonomia  moral de optar o que vamos fazer de nossas vidas.</p>
<p style="text-align: justify;">Cabe somente a nós tomar as decisões corretas, optar se vamos  contribuir para o bem ou o sofrimento alheios. “Somos nós, em nossa  capacidade de amar, que atribuímos sentido ao universo indiferente”, por  fim, diz o mesmo personagem numa das últimas frases do filme.</p>
<p style="text-align: justify;">As chamadas religiões da “nova era” gostam de afirmar que deus está  em todas as coisas – o que nada mais é que uma versão pós-moderna do  deus onipotente, onipresente e onisciente. Porém, para acreditarmos que  existe uma conexão entre as consciências ou na energia que o corpo  humano emite, não precisamos chamar isso de deus nem muito menos crer em  deus.</p>
<p style="text-align: justify;">A energia é um fato físico cientificamente comprovado. Se não podemos  testar, reproduzir ou comprovar a existência de algum tipo de conexão  mental promovida pelo vínculo afetivo ou afinidade de ideias, isso não  significa que esse fato seja sobrenatural e não possa ser explicado um  dia – nem tampouco que existe uma inteligência superior que a tudo dá  sentido.</p>
<p style="text-align: justify;">Nossos pensamentos são ondas cerebrais. Como as ondas do rádio, é  possível que possamos “sintonizá-las” com outras mentes que operam na  mesma frequência. Se quisermos chamar essa sintonia de “deus”, isso se  deve tão somente à incapacidade de escapar da tradição judaico-cristã, e  não porque ela realmente manifeste a existência de um ser criador do  universo.</p>
<p style="text-align: justify;">De fato, creio que nem mesmo a possibilidade de vida após a morte  depende de um deus para ser válida. Por sinal, o budismo, que muitos  veem mais como uma filosofia que uma religião, aponta nesse sentido: um  universo que prescinde de deus, cujo objetivo é a evolução interior.  Afinal, se o universo depende de um criador, caímos num paradoxo: se há  um criador do universo, qual a origem do criador? Mistério insolúvel.</p>
<p style="text-align: justify;">Alegar que nossa limitação terrena impede a resposta, como afirmam os  religiosos, não soluciona o problema: se não podemos encontrar a  resposta para este dilema, então a hipótese de que não há criador em  absoluto é tão válida quanto a hipótese de que há – e esta os religiosos  não admitem.</p>
<p style="text-align: justify;">Por fim, quando me perguntam, então, por que não me mantenho aberto à  ideia da existência de um deus, me vejo forçado a afirmar: porque devo  estar disposto a aceitar o dogma judaico-cristão, e não o dogma hindu ou  das muitas outras religiões existentes no mundo?</p>
<p style="text-align: justify;">O agnosticismo assume uma postura subalterna diante do monoteísmo  abraâmico. Ou você já conheceu algum agnóstico que está aberto à ideia  da existência de Brahma, Vishnu e Shiva? Se estamos dispostos a admitir a  existência do deus abraâmico, por coerência, devemos admitir a  possibilidade de existência de outros deuses, pois não há nenhum fato  que demonstre que as religiões abraâmicas são as únicas que podem ser  “verdadeiras”.</p>
<p style="text-align: justify;">Adotar essa postura é por si só curvar-se ao monoteísmo abraâmico e  adotar uma postura etnocêntrica, ocidentalista e arrogante. Diversas  religiões já foram abandonadas e perdidas, seja voluntariamente ou por  imposição externa. Como não supor que issso também não possa ocorrer com  as religiões contemporâneas, inclusive as abraâmicas?</p>
<p style="text-align: justify;">Vejamos o caso do suicídio, que aludimos mais acima. Por que o  suicídio é particularmente condenado por todas as religiões? Os sinos da  Igreja não tocam por um suicida. Se ele for judeu, não pode ser  enterrado no cemitério judaico. Não há perdão ou compaixão para o  suicida – que deve ser justamente o ser humano mais necessitado de  ambos, devido ao estado de sofrimento que lhe faz abrir mão da própria  vida.</p>
<p style="text-align: justify;">Ora, os religiosos veem o suicídio (com razão, do seu ponto de vista)  como uma afronta a deus. Toda religião é baseada no medo da morte e na  necessidade de acreditar numa vida após a morte. Se o ser humano não  temer mais a morte, significa que não teme mais a deus. Por isso os  suicidas são os maiores inimigos das religiões: um exército de  “desgarrados” para quem deus não oferece mais nenhuma resposta.</p>
<p style="text-align: justify;">O que nos leva à própria relação inseparável entre religião e poder. O  antropólogo Pierre Clastres, em seu clássico A Sociedade contra o  Estado, levanta uma interessante hipótese: a de que o Estado surge não  pela propriedade, como afirmavam Rousseau e os marxistas, mas pela  autoridade religiosa.</p>
<p style="text-align: justify;">Nas sociedades tribais, bem como nas sociedades mais antigas de modo  geral, em que o conhecimento objetivo do universo não estava disponível  pelas limitações técnicas e científicas de suas épocas, e a  vulnerabilidade diante das intempéries da natureza era enorme, aqueles  indivíduos capazes de “interpretar” os sinais da natureza e  “intermediar” a relação do ser humano com o sobrenatural (o “divino”)  eram investidos de grande poder.</p>
<p style="text-align: justify;">Por isso, em todas as sociedades pré-modernas – incluída a Europa até  fins do século XVIII – as autoridades religiosas eram, senão as mais  poderosas, extremamente poderosas. Os soberanos políticos, não raro,  eram tidos como ungidos pela autoridade divina – como os reis da Europa –  ou divindades eles mesmos – como os faraós e o imperador azteca.</p>
<p style="text-align: justify;">E por que afinal os crentes supõem que um ateu não pode ser uma  pessoa boa? O que significa essa suposição? Significa dizer que o ser  humano é essencialmente mau e precisa de uma força externa para  comandá-lo a praticar o bem. Nesse caso, o bem não é praticado por  consciência, mas pelo medo da punição – o inferno, o karma ou coisa  parecida – ou, na melhor das hipóteses como “moeda” em troca de alguma  recompensa, uma “graça divina”. Existiria de fato alguma ética e bondade  no ser que age apenas movido pelo medo ou o interesse pessoal?</p>
<p style="text-align: justify;">Pelo contrário, a religião não nos ensina de fato sobre o bem e a  moral. A maioria dos seres humanos pode conjugar os dois fatores, mas na  verdade a ética é completamente autônoma da religião. Como afirmei no  último texto, o ser humano tem uma capacidade inata de distinguir entre o  certo e o errado.</p>
<p style="text-align: justify;">Essa capacidade pode ser estimulada e desenvolvida pela educação e a  vida social ou, ao contrário, distorcida e silenciada pela mesma, mas  está latente no ser humano por meio não só da razão vulgar, como dizia  Kant, mas também do sentimento de compaixão, como destacou Rousseau.</p>
<p style="text-align: justify;">Algumas questões complexas podem requerer o debate e a ajuda de um  especialista (diga-se, um estudioso da ética, e não uma autoridade  religiosa como costuma ser o caso), mas essas são as questões auxiliares  ou marginais, não as básicas. Todo ser humano SABE que é errado matar,  mentir, praticar agressão física, verbal ou moral, e assim por diante.</p>
<p style="text-align: justify;">Por tudo isso, tendo a concordar com Marx quando este disse, em A  Questão Judaica, que a verdadeira liberdade religiosa consiste em  libertar-se da religião. A religião não nos ensina sobre o bem não  apenas por conta da autonomia da ética, mas também porque frequentemente  males são praticados e justificados em nome da religião, como nos  inúmeros exemplos que dei ao longo do texto.</p>
<p style="text-align: justify;">Entretanto, não defendo, por isso, o ateísmo oficial ou a perseguição  religiosa como se viu nos regimes socialistas, dos quais sou  extremamente crítico, como sabe quem lê os meus textos. A busca da  espiritualidade responde a uma inclinação legítima do ser humano em  questionar-se sobre o sentido da vida e sua continuidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Essa busca interior deve ser respeitada como parte da liberdade  individual de crença e de pensamento. Porém, embora muito frequentemente  os crentes acusem os ateus de querer impor a não-fé, são as religiões  institucionalizadas as que promovem perseguições e cruzadas religiosas,  recorrem à violência, à exclusão e ao autoritarismo para preservar seu  poder. Pois o controle que detêm da linguagem simbólica ainda hoje é  fonte de grande poder, justamente por esta inclinação natural do ser  humano à busca do sentido da sua existência.</p>
<p style="text-align: justify;">É por esta razão que sou, antes de tudo, opositor das religiões  institucionalizadas, que são forças opressoras e disciplinadoras do ser  humano. O pensamento religioso é deficiente para responder à questão dos  direitos fundamentais do ser humano, pois é todo fundado em dogmas. Ou  os aceitamos, ou somos excluídos. Nós, como indivíduos, é que não  deveríamos dar importância às opiniões das igrejas. Espero que um dia a  humanidade possa libertar-se dessas amarras.</p>
<p style="text-align: justify;">De qualquer modo, não vejo sentido, por exemplo, nesses movimentos  para que a Igreja Católica mude suas posições sobre celibato,  homossexuais, camisinha, aborto… Ainda que seja questionável o direito  da Igreja Católica de condenar o divórcio, o sexo com camisinha ou a  homossexualidade, pelo que essas opiniões absurdas podem acarretar em  termos de preconceito e violação de direitos, as igrejas, como qualquer  organização da sociedade civil, têm o direito de escolher seus membros e  opinar sobre as questões da sociedade.</p>
<p style="text-align: justify;">Diante da epidemia de AIDS, por exemplo, a condenação da camisinha  não é apenas um equívoco, é moralmente duvidoso. Quanto à questão do  aborto, deveria ser debatida sobre bases éticas, racionais e  científicas, jamais religiosas [5]. Ainda assim, se você não concorda,  tanto melhor sair da Igreja, ora! Para que frequentar um espaço que não  aceita sua personalidade ou suas opiniões? Em vez disso, escolha-se a  liberdade! Parafraseando Groucho Marx: eu não gostaria de entrar (ou  permanecer) num clube que não me aceitasse como sócio [6].</p>
<p style="text-align: justify;">Sempre que escrevo sobre religião sou criticado por intolerância e  perseguição. Os mais benevolentes sugerem que aceite deus em meu  coração. Pois bem… como disse acima, não tenho nada contra pessoas  religiosas. Tenho amigos religiosos e respeito suas opiniões.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao escrever sobre ateísmo exerço tão somente minhas liberdades:  liberdade de pensamento, liberdade de expressão e… liberdade religiosa!  Pois tanto quanto um religioso tem o direito de ser respeitado pela sua  fé, praticá-la e expor suas opiniões, nós, ateus, temos o direito de  sermos respeitados pela nossa ausência de fé na religião e em um deus, e  também de expressarmos nossas opiniões.</p>
<p style="text-align: justify;">O ateísmo não representa, como muitos desejam, a ausência de  moralidade. Um ateu pode ser imoral, antiético e sem caráter como  qualquer outro indivíduo, mas isso nada tem a ver com o ateísmo em si. A  maioria da humanidade é religiosa, de modo que, se ética e religião  fossem realmente irmãs siamesas, já viveríamos no “paraíso”. Por outro  lado, não existe ética mais elevada do que aquela originada tão somente  da consciência individual, motivada pelo senso desinteressado do dever e  do respeito, e não pelo medo da punição ou desejo de recompensa.</p>
<p style="text-align: justify;">Por isso, a verdadeira ética não existe em ninguém apesar do ateísmo.  Pelo contrário, a ética pura, embora possa conviver e coabitar com a fé  religiosa, prescinde em si mesma, e por completo, de qualquer deus ou  religião, e só pode estar baseada na autonomia e consciência morais do  indivíduo.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">[1] Fonte: Revista Veja. “Como a Fé Resiste à Descrença”. 26 de  dezembro de 2006, edição 2040, pp. 70-7. Os dados da pesquisa estão na  página 72.</p>
<p style="text-align: justify;">[2] Fonte:  http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/veja-5-so-13-dos-brasileiros-votariam-num-ateu-para-presidente/</p>
<p style="text-align: justify;">[3] Adota-se essa terminologia porque as três grandes religiões  monoteístas têm a origem comum no patriarca Abraão.</p>
<p style="text-align: justify;">[4] Cf. TODOROV, Tzvetan. A Conquista da América. A Questão do Outro.  São Paulo: Martins Fontes, 1996, especialmente p. 123 e ss. Os dados  sobre o genocídio dos nativos americanos encontram-se na página 129.</p>
<p style="text-align: justify;">[5] Pessoalmente tenho objeções éticas ao aborto na maioria dos  casos, pelo direito à vida que o feto tem a partir do momento em que é  senciente.</p>
<p style="text-align: justify;">[6] A frase original do comediante, para quem não sabe, é: “eu não  entraria num clube que me aceitasse como sócio”.</p>
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		<title>Poesia: Involução não é opção</title>
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		<pubDate>Fri, 19 Feb 2010 16:25:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Robson Fernando</dc:creator>
				<category><![CDATA[Alienação e Conformismo]]></category>
		<category><![CDATA[Burrice e Malignidade]]></category>
		<category><![CDATA[Cidadania e Mobilização]]></category>
		<category><![CDATA[Contradições Humanas]]></category>
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		<category><![CDATA[Psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[Razão e Ceticismo]]></category>
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		<description><![CDATA[Poesia escrita em março de 2009 Não adianta. De nada adianta me pedirem para voltar a ser o que eu era antigamente Onívoro, consumidor de refrigerante, religioso e conformado com a realidade Garanto que isso não acontece por mais que me insistam Não vou ser feliz tentando ser tudo aquilo de novo Ser o contrário [...]


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<p style="text-align: justify;"><em>Poesia escrita em março de 2009</em></p>
<p style="text-align: justify;">Não adianta.<br />
De nada adianta me pedirem para voltar a ser o que eu era antigamente<br />
Onívoro, consumidor de refrigerante, religioso e conformado com a realidade<br />
Garanto que isso não acontece por mais que me insistam</p>
<p style="text-align: justify;">Não vou ser feliz tentando ser tudo aquilo de novo<br />
Ser o contrário do que sou hoje<br />
Pelo contrário, eu preferiria morrer a me degenerar<br />
Sofrer tentando involuir por causa da argumentação tronxa<br />
De quem tenta me convencer com emoção<br />
De que estou errado</p>
<p style="text-align: justify;">Digo isso porque sinto como é ser ocasionalmente pressionado<br />
Por quem não entende esta consciência<br />
Por quem acha que ser o que sou hoje<br />
[é tolice, frescura e não adianta nada para o mundo</p>
<p style="text-align: justify;">Já me sugeriram, em sessões de “aconselhamentos” passionais e tolos<br />
Com argumentações sem argumentos<br />
Que eu deixasse de ser vegano e amante de sucos<br />
Que eu abandonasse a vontade de interferir<br />
[nas injustiças que os antiéticos poderosos promovem contra nós<br />
Que eu voltasse a crer num deus pessoal<br />
[forjado por minhas necessidades psicológicas<br />
Que eu voltasse a acreditar na mitologia de Jesus como se fosse fato real<span id="more-2822"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Vociferam, em momentos de irritação<br />
Que “carne é bom e vegetarianismo é ruim”<br />
Que estou fraco por causa da minha alimentação ética<br />
Que a culpa por certo problema leve e passageiro de saúde<br />
[de que onívoros sofrem direto<br />
É do meu vegetarianismo<br />
Aquele mesmo que já me protegeu de tantos outros problemas mais sérios</p>
<p style="text-align: justify;">Falam que comprar refrigerante é melhor do que comprar suco<br />
Mesmo os próprios que me falaram isso<br />
[tendo, anos atrás, dito exatamente o contrário!<br />
O que os fazem pensar que vou esquecer tudo aquilo que eles próprios<br />
[me alertaram no passado, quando eu era viciado em refrigerante?<br />
Suco não é mais caro não<br />
E ainda por cima é muito mais saudável<br />
Veem que gripes não me derrubam mais?<br />
Foi graças a essa bebida tão deliciosa e salutar<br />
A polpa que eu misturo com água e adoçante e bato no liquidificador</p>
<p style="text-align: justify;">Me dizem, com um fervor fundamentalista<br />
Que Deus existe<br />
Mas quem é esse Deus?<br />
Javé, Odin, Zeus, Olorum, Rá, Allah, Lug, Júpiter, Marduk, Inti, Tupã?<br />
Quem é “Ele”?<br />
Como me provam que “Ele” existe?<br />
Como podem me provar<br />
Que todos esses anos de estudos e de interação com a Razão<br />
E com todo tipo de literatura científica e cética<br />
Me encaminharam ao erro?<br />
Como podem ter certeza<br />
De que meu conhecimento e consciência abençoados pela Antropologia<br />
E pelo estudo de Mitologia<br />
Estão equivocados e que apenas um deus entre dezenas de milhares<br />
[é real?</p>
<p style="text-align: justify;">Pregam, insistem, enchem a paciência<br />
Tentando me convencer, sem argumentos<br />
De que Jesus “é o Senhor”<br />
Repito o que eu disse: como podem me provar que esse é o único deus,<br />
[o único mito real?<br />
Como invalidam para mim o islamismo, a wicca, a religião inca, o hinduísmo<br />
[ou o zoroastrismo?</p>
<p style="text-align: justify;">Quando digo que vou para a rua protestar pacificamente contra um aumento<br />
Vêm logo tentando me convencer de que “não vai adiantar nada”<br />
Me dizendo indiretamente que o certo é ser conformista e aguentar tudo calado<br />
Não aceito o conselho<br />
Pensar assim é antidemocrático, é alienação<br />
E alienação numa democracia é para mim uma vergonha terrível</p>
<p style="text-align: justify;">Se não podem me aconselhar sobre como ser uma pessoa melhor<br />
Peço que se abstenham de falar<br />
De me prestar “conselhos” para que eu abandone minha consciência<br />
E regrida para uma pessoa alienada<br />
Que não acredita no poder cidadão<br />
Que não se importa mais com os animais e o meio ambiente<br />
Que é relaxada para com a própria saúde<br />
Que não vê lógica ou força psicológica em um ateu feliz</p>
<p style="text-align: justify;">Podem se irritar ou clamar a contraditória “justiça” do seu deus<br />
Que não vou regredir, involuir<br />
A um estado de consciência que eu tinha quando era preadolescente<br />
Eu deveria ser menos consciente e menos preocupado<br />
[com minha participação neste mundo?<br />
Não, não<br />
Involução não é opção<br />
Podem vociferar com irritação ou fé<br />
Que eu não vou ouvir<br />
Fico de bico fechado até que baixem o fogo<br />
E aceitem conversar direito e racionalmente<br />
Para dizer por que eu deveria regredir<br />
Em relação ao que sou, penso e gosto hoje<br />
Mas vou logo dizendo<br />
Que, se não é para conscientizar, não adianta insistir<br />
Não vou ser uma pessoa menos consciente só porque acham ser melhor assim.</p>
<p style="text-align: justify;">
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		<title>Resenha: O Mundo Assombrado pelos Demônios: a ciência vista como uma vela no escuro</title>
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		<pubDate>Thu, 21 Jan 2010 09:30:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Robson Fernando</dc:creator>
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<p align="justify">Bem que Carl Sagan, n’O Mundo Assombrado pelos Demônios, podia ter investido ainda mais contra a pseudociência, a superstição, a crendice e a religiosidade bitolada, mas seus esforços pela promoção da ciência e do ceticismo são enormemente bem vindos. Ele fez um ótimo trabalho na tentativa de promover esses dois perante a humanidade que ainda se deixa levar pela tendência a cair em crendices emocionadas, embora eu ache que ele poderia ter ido mais longe no combate frontal ao que não deveria ser acreditado e que reservou espaço demais para a crença em ETs seqüestradores.</p>
<p>O primeiro capítulo anuncia bem o que Carl pretendeu defender e combater: as conseqüências da não-valorização da ciência, alguns benefícios desta para a humanidade os episódios em que a mesma foi e é usada para o mal e as peripécias desvairadas da pseudociência (e as tragédias proporcionadas por ela). O segundo faz uma intensa propaganda da ciência, algo do tipo “como é gostoso viver a ciência”, inclusive mostrando-a como niveladora de egos – pela refutação de idéias não-comprovadas de seja lá quem for. Nada mal para introduzir o leitor ao gosto pelo pensamento científico, algo que é retomado muitos capítulos depois.</p>
<p>O terceiro já muda o foco, para a pareidolia, embora esse vocábulo não esteja presente ao menos na edição que li. Explora questões como o monte chamado de “A Face em Marte”, a “cratera da carinha sorridente” na Lua e aparições da Maria bíblica. Foi uma boa abordagem para começar o desmonte de crendices.</p>
<p>A partir do quarto, até o capítulo 11, 127 páginas de ETs atrás de ETs. O leitor tem a impressão de que os “demônios” do título do livro são na verdade uma metáfora para os alienígenas, que Carl mostra serem parte apenas do imaginário folclórico. As questões mais detalhadamente abordadas foram as (falsas) memórias das pessoas que dizem ter sido raptadas por ETs, levadas para discos voadores e vitimadas por vivissecção, as “provas” da presença de áliens vigiando a Terra e o suposto trabalho dos governos em esconder a “verdade” de que “eles” estão nos olhando, fazendo experimentos tecnologicamente rudimentares com humanos e cavando “sinais” em plantações. Questões de ceticismo religioso como os “julgamentos” da Inquisição e as visões alucinadas medievais de demônios ou santos aparecem, mas com pouca expressividade. Foi uma pena que o ET de Varginha e a febre das supostas aparições extraterrestres no Brasil não entraram no livro, até porque aconteceram na mesma época do lançamento do mesmo, leia-se 1996.</p>
<p>A partir do capítulo “A arte refinada de detectar mentiras”, o ceticismo e a pseudociência são abordados com vigor. É quando o leitor pensa – e com razão – “poxa, finalmente o livro começou a mostrar para que veio!” Tem destaque meu o “caso Carlos”, que foi a forja da incorporação de um jovem de descendência latina por um espírito, esquema montado pelo “mago do ceticismo” James Randi, e o breve desmascaramento de picaretagens como cirurgias mediúnicas e curas de doenças pela força da fé. Porém, eu acho que Carl Sagan ainda pegou muito leve com a pseudociência e a superstição. Poderia ter ido muito mais longe e abordado mais casos específicos de quando a picaretagem hipnotiza as mentes crédulas.</p>
<p>Mais adiante, a propaganda da ciência é retomada com muita força. Carl tem todo o meu apoio nessa parte. As mais variadas questões da ciência são abordadas, incluindo um pouco de antropologia – quando fala da tribo africana !Kung San e cita as semelhanças entre povos humanos pré-letrados ou da Pré-História, como a crença em deuses e/ou espíritos e o uso de tecnologia – e o alerta para o perigo do uso maligno da ciência, tendo destaque a história de Edward Teller, o pai da bomba H e defensor visceral das armas de destruição em massa. Entretanto, faltou totalmente uma importante denúncia do mau uso da ciência: as torturas da vivissecção animal.</p>
<p>Em seguida, a educação científica dos Estados Unidos é diagnosticada como tendo sérios problemas. Foi obviamente uma análise bem mais comportada do que aquele dossiê educacional também americano que Michael Moore levantaria no livro Stupid White Men, lançado cerca de cinco anos depois d’O Mundo Assombrado Pelos Demônios. As deficiências apontadas são denunciadas como causas da decadência da dedicação científica naquele país e sua retração na corrida dos países desenvolvidos pela excelência do tratamento acadêmico da pesquisa científica. Reconheço muita nobreza na postura de Carl Sagan em defender melhorias na educação americana e a valorização da heterodoxia pedagógica, aquela(s) forma(s) de ensinar que apaixonam os estudantes. E quanto ao “nerdismo” dos cientistas e pretendentes a cientistas, ele entrou na apaixonada defesa daqueles que são taxados de “nerds” por sua preferência às ciências exatas e naturais, citando o exemplo de James Clerk Maxwell, o pioneiro do eletromagnetismo.</p>
<p>Nos dois capítulos finais, a ciência e a atitude cético-científica é transformada em cetro da democracia, da liberdade e dos direitos humanos. Foi uma abordagem muito digna e inspiradora, ainda mais por ter enfrentado o comportamento de alienação social. Segundo Carl, o verdadeiro patriota tem um comportamento que questiona e não aceita qualquer porcaria política, servindo o último capítulo idealmente para os brasileiros, embora ele não tenha falado diretamente ao Brasil.</p>
<p>Ao longo da obra, houve questionamentos muito comportados e limitados à religião. Aliás, Carl demonstra um respeito um tanto medroso pela mesma, evitando lançar ataques condenatórios e críticas pesadas do tipo daqueles que Richard Dawkins direciona quando pratica o que chamam de pensamento neo-ateísta. Creio que ele tinha muitos amigos religiosos fervorosos e o medo de machucar a fé deles inibiu O Mundo Assombrado pelos Demônios de atacar a religião explicitamente. Pelo contrário, em alguns momentos Carl defende a “religião honesta” que estimula o pensamento filosófico e questionador, embora comprovemos no dia-a-dia que tal atitude comportamental é bastante rara na população se vinda de crentes comuns não engajados em profissões requerentes do exercício do pensamento. Também não podemos contar com o livro como priorizador da Razão sobre a emoção humana, embora a ciência tão defendida esteja diretamente ligada àquela, até porque falta uma apologia consolidada à racionalidade na obra.</p>
<p>O Mundo Assombrado pelos Demônios é uma obra nobre porque enobrece a ciência e o ato de pensar cientificamente. E, como Carl Sagan, todos devemos perceber que é esse o pensamento que pode proporcionar um mundo melhor, em vez da imaginação crédula e inocente e da alienação educacional.</p>
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