Arauto da Consciência
12mar/100

ACORDA! (Parte 23: “futuro São João Paulo” falhou)

Bastante atrasado, mas me chamou tanto a atenção que me senti na obrigação de trazer para cá.

Freira "curada" por João Paulo 2º continua doente

O jornal polonês Rzeczpospolita questionou o milagre atribuído ao papa João Paulo 2º, que pode lhe valer a santificação. Segundo o jornal, a freira francesa que teria sido curada de Mal de Parkinson após ter rezado durante dois meses para o papa está "novamente doente".

A nova informação foi veiculada pela agência de notícias católica Kathpress, também da Polônia. Antes, o diário havia dito que a religiosa sofreria de uma doença "com sintomas semelhantes aos do Mal de Parkinson".

"Trata-se do parkinsonismo, que é curável com medicamentos específicos, já o Mal de Parkinson não é curável", teria dito o neurologista Grzegorz Opala, de acordo com a publicação.

Para o Rzeczpospolita, a possível reviravolta no caso pode atrasar o processo de beatificação do papa morto em 2005, atualmente em andamento no Vaticano.

No fim do ano passado, o papa Bento 16 assinou o Decreto das Virtudes de seu antecessor, elevando-o ao título de "venerável". Agora, para que o polonês Karol Wojtyla seja beatificado, é necessário comprovar um milagre.

Para a assinatura do Decreto dos Milagres, foi escolhido justamente o caso da freira francesa. Fontes do Vaticano contestaram a informação veiculada pelo Rzeczpospolita, pois a consideram "totalmente privada de fundamento".

Há a expectativa de que o Vaticano pretenda declarar João Paulo 2º santo em outubro, aproveitando o aniversário do início de seu pontificado, em 1978.

Um dos pouquíssimos lados bons de a Record ser posse da Igreja Universal é que não tem papas na língua para denunciar fraudes católicas. Esse foi um dos muitos exemplos que provavelmente virão.

Essa foi para quem já começou a venerar o falecido papa como um espírito milagreiro. Infelizmente viram que algo aclamado como milagre de seu "quase-santo" falhou. Tanto quanto as charlatãs "curas milagrosas" anunciadas por igrejas evangélicas e médiuns espíritas que dizem incorporar espíritos de doutores falecidos.

Depois das "mil ave-marias contra a gripe suína", esse foi o segundo FAIL católico da semana, para a infelicidade de tant@s fiéis. Mas infelizmente é certo que será tratado como um caso isolado ou "não comprovado" de falso milagre. Continuarão acreditando que "fulano se curou da tuberculose graças a Nossa Senhora de ..." ou "o câncer de fulana foi curado, graças a São ...".

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10mar/102

Vão esforço católico contra a gripe suína / ACORDA! (Parte 22)

Me causou um certo constrangimento alheio essa comunidade no Orkut:

Não intenciono ridicularizar essa comunidade, mas sim fazer uma crítica cético-racional. Para a infelicidade d@s católic@s dessa comunidade, esse "esforço" não funcionará. Pelo contrário, a gripe suína até tornou-se mais poderosa do que as próprias religiões, como se pode ver aqui.

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7mar/100

O que Jesus não fez

Criado pelo NonStampCollector, um genial canal de desenhos esclarecedores no YouTube, o vídeo "O que Jesus não faria", dublado por Alessandro Magno e postado no blog Bule Voador, mostra o que Jesus deixou de fazer, coisas que poderiam confirmar a existência do deus cristão para toda a humanidade e, de quebra, melhorar ao extremo a vida da humanidade.

Se você tiver cerca de 9 minutos livres, assista e reflita. O desenho é muito inteligente.

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8fev/100

ACORDA! (revival de post: adeus a Aline Coelho)

O evento deste post aconteceu em novembro de 2009. Refere-se a um evento passado, cuja reflexão e discussão são atemporais.

Diario de Pernambuco anuncia a morte de Aline Coelho: a fé cristã de milhares de pessoas fracassou.

"Deus meu, Deus meu, por que nos desamparaste?!" -- É o que muita gente poderia estar dizendo agora.

Depois de mais de um ano de luta contra a leucemia, Aline Coelho faleceu. Essa triste notícia caiu como um enorme asteroide para tod@s que foram fazer o teste de compatibilidade de medula óssea nos últimos meses, incluindo para mim. Eu sinceramente jamais desejei postar este post "ACORDA!". Posto-o com tristeza.

O momento é de luto para tod@s nós. Presto toda minha solidariedade para @s amig@s e familiares dela e a tod@s que tentaram fazer sua parte.

Nesse momento, aproveito para uma reflexão. Aviso: se você, de tão abalad@, não se dispuser no momento a ler uma reflexão cética sobre o que "Deus" fez ou não fez ou se ele existe ou não, se não quer se sentir "ofendid@" em sua fé, não leia o restante deste post.

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10jan/102

Resenha: O Mundo Assombrado pelos Demônios: a ciência vista como uma vela no escuro

Bem que Carl Sagan, n’O Mundo Assombrado pelos Demônios, podia ter investido ainda mais contra a pseudociência, a superstição, a crendice e a religiosidade bitolada, mas seus esforços pela promoção da ciência e do ceticismo são enormemente bem vindos. Ele fez um ótimo trabalho na tentativa de promover esses dois perante a humanidade que ainda se deixa levar pela tendência a cair em crendices emocionadas, embora eu ache que ele poderia ter ido mais longe no combate frontal ao que não deveria ser acreditado e que reservou espaço demais para a crença em ETs seqüestradores.

O primeiro capítulo anuncia bem o que Carl pretendeu defender e combater: as conseqüências da não-valorização da ciência, alguns benefícios desta para a humanidade os episódios em que a mesma foi e é usada para o mal e as peripécias desvairadas da pseudociência (e as tragédias proporcionadas por ela). O segundo faz uma intensa propaganda da ciência, algo do tipo “como é gostoso viver a ciência”, inclusive mostrando-a como niveladora de egos – pela refutação de idéias não-comprovadas de seja lá quem for. Nada mal para introduzir o leitor ao gosto pelo pensamento científico, algo que é retomado muitos capítulos depois.

O terceiro já muda o foco, para a pareidolia, embora esse vocábulo não esteja presente ao menos na edição que li. Explora questões como o monte chamado de “A Face em Marte”, a “cratera da carinha sorridente” na Lua e aparições da Maria bíblica. Foi uma boa abordagem para começar o desmonte de crendices.

A partir do quarto, até o capítulo 11, 127 páginas de ETs atrás de ETs. O leitor tem a impressão de que os “demônios” do título do livro são na verdade uma metáfora para os alienígenas, que Carl mostra serem parte apenas do imaginário folclórico. As questões mais detalhadamente abordadas foram as (falsas) memórias das pessoas que dizem ter sido raptadas por ETs, levadas para discos voadores e vitimadas por vivissecção, as “provas” da presença de áliens vigiando a Terra e o suposto trabalho dos governos em esconder a “verdade” de que “eles” estão nos olhando, fazendo experimentos tecnologicamente rudimentares com humanos e cavando “sinais” em plantações. Questões de ceticismo religioso como os “julgamentos” da Inquisição e as visões alucinadas medievais de demônios ou santos aparecem, mas com pouca expressividade. Foi uma pena que o ET de Varginha e a febre das supostas aparições extraterrestres no Brasil não entraram no livro, até porque aconteceram na mesma época do lançamento do mesmo, leia-se 1996.

A partir do capítulo “A arte refinada de detectar mentiras”, o ceticismo e a pseudociência são abordados com vigor. É quando o leitor pensa – e com razão – “poxa, finalmente o livro começou a mostrar para que veio!” Tem destaque meu o “caso Carlos”, que foi a forja da incorporação de um jovem de descendência latina por um espírito, esquema montado pelo “mago do ceticismo” James Randi, e o breve desmascaramento de picaretagens como cirurgias mediúnicas e curas de doenças pela força da fé. Porém, eu acho que Carl Sagan ainda pegou muito leve com a pseudociência e a superstição. Poderia ter ido muito mais longe e abordado mais casos específicos de quando a picaretagem hipnotiza as mentes crédulas.

Mais adiante, a propaganda da ciência é retomada com muita força. Carl tem todo o meu apoio nessa parte. As mais variadas questões da ciência são abordadas, incluindo um pouco de antropologia – quando fala da tribo africana !Kung San e cita as semelhanças entre povos humanos pré-letrados ou da Pré-História, como a crença em deuses e/ou espíritos e o uso de tecnologia – e o alerta para o perigo do uso maligno da ciência, tendo destaque a história de Edward Teller, o pai da bomba H e defensor visceral das armas de destruição em massa. Entretanto, faltou totalmente uma importante denúncia do mau uso da ciência: as torturas da vivissecção animal.

Em seguida, a educação científica dos Estados Unidos é diagnosticada como tendo sérios problemas. Foi obviamente uma análise bem mais comportada do que aquele dossiê educacional também americano que Michael Moore levantaria no livro Stupid White Men, lançado cerca de cinco anos depois d’O Mundo Assombrado Pelos Demônios. As deficiências apontadas são denunciadas como causas da decadência da dedicação científica naquele país e sua retração na corrida dos países desenvolvidos pela excelência do tratamento acadêmico da pesquisa científica. Reconheço muita nobreza na postura de Carl Sagan em defender melhorias na educação americana e a valorização da heterodoxia pedagógica, aquela(s) forma(s) de ensinar que apaixonam os estudantes. E quanto ao “nerdismo” dos cientistas e pretendentes a cientistas, ele entrou na apaixonada defesa daqueles que são taxados de “nerds” por sua preferência às ciências exatas e naturais, citando o exemplo de James Clerk Maxwell, o pioneiro do eletromagnetismo.

Nos dois capítulos finais, a ciência e a atitude cético-científica é transformada em cetro da democracia, da liberdade e dos direitos humanos. Foi uma abordagem muito digna e inspiradora, ainda mais por ter enfrentado o comportamento de alienação social. Segundo Carl, o verdadeiro patriota tem um comportamento que questiona e não aceita qualquer porcaria política, servindo o último capítulo idealmente para os brasileiros, embora ele não tenha falado diretamente ao Brasil.

Ao longo da obra, houve questionamentos muito comportados e limitados à religião. Aliás, Carl demonstra um respeito um tanto medroso pela mesma, evitando lançar ataques condenatórios e críticas pesadas do tipo daqueles que Richard Dawkins direciona quando pratica o que chamam de pensamento neo-ateísta. Creio que ele tinha muitos amigos religiosos fervorosos e o medo de machucar a fé deles inibiu O Mundo Assombrado pelos Demônios de atacar a religião explicitamente. Pelo contrário, em alguns momentos Carl defende a “religião honesta” que estimula o pensamento filosófico e questionador, embora comprovemos no dia-a-dia que tal atitude comportamental é bastante rara na população se vinda de crentes comuns não engajados em profissões requerentes do exercício do pensamento. Também não podemos contar com o livro como priorizador da Razão sobre a emoção humana, embora a ciência tão defendida esteja diretamente ligada àquela, até porque falta uma apologia consolidada à racionalidade na obra.

O Mundo Assombrado pelos Demônios é uma obra nobre porque enobrece a ciência e o ato de pensar cientificamente. E, como Carl Sagan, todos devemos perceber que é esse o pensamento que pode proporcionar um mundo melhor, em vez da imaginação crédula e inocente e da alienação educacional.

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