Arauto da Consciência
9mar/100

Trens serviam os nazistas. Navios servem os pecuaristas

10 mil animais são embarcados em navio para serem mortos no Líbano

Neste domingo (7), 10 mil animais foram exportados do Porto de Rio Grande (RS), a caminho de novos centros de concentração de animais: as fazendas de criação e exploração localizadas no Líbano. A bordo do navio-curral Almawashi, do Panamá, os animais serão transportados até o Líbano, onde serão descarregados no porto de Beirute. A viagem leva até 23 dias.

O Brasil, como peça chave na criação e no fornecimento de animais, infelizmente, ainda protagoniza essa indústria cuja matéria prima é o sofrimento, a tortura e a exploração praticados contra esses seres que são, como nós, sujeitos de direito e cuja senciência é comprovada.

Esses animais condenados pelas mãos humanas ao sofrimento não são poupados em nenhum momento, sendo tratados sempre como se fossem meras mercadorias.

A pecuária é uma indústria mórbida, cruel e consiste na criação e exploração de animais para o consumo humano. No entanto, para que ela exista, é necessário que haja quem consuma o seu produto final, que é a carne derivada da morte desses animais. Enquanto houver um mercado de consumo, o negócio prospera.

Essa cadeia de sofrimento só terá fim quando houver uma mudança definitiva no comportamento de cada indivíduo que ainda consome os produtos derivados dessa indústria sanguinária e cruel.

As únicas diferenças entre o carregamento de vidas que está indo para o Líbano ser exterminado e os carregamentos de vidas que viajavam de trem para os campos de concentração para que as mesmas fossem também exterminadas são as espécies e o meio usado: o nazismo usava trens, a pecuária usa navios.

Ferrovia que rumava para um campo de concentração nazista. Hoje são navios que levam as vidas para serem ceifadas no destino.

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5mar/100

Vegetarianos/as não têm vez nos hotéis e pousadas daqui

Mais especificamente no Recife e em Porto de Galinhas. A não ser que se contentem com uma salada meia-boca ou frutas (de apenas alguns hotéis).

A pergunta que fiz foi:

Olá. Tenho amigos vegetarianos que querem vir para Recife e Porto e preciso saber se o hotel oferece para vegetarianos refeições sem nenhum alimento de origem animal (como carne, laticínios e alimentos contendo leite e ovos entre os ingredientes), e qual a variedade disponível. Aguardo vossa resposta.

Vejam uma lista de respostas que recebi numa breve pesquisa sobre refeições vegetarianas em hotéis e pousadas pernambucanos:

Bom dia,
Não temos alimentação variada pra vegetarianos.
A disposição

***************************************************

Infelizmente não.

Atenciosamente,...

***************************************************

Bom dia Senhor

Infelizmente não temos esta especialidade em nosso cardápio.

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5mar/104

A Cidade das Aflições onívoras contra a Segunda Sem Carne

Como explicado em outras épocas, a Cidade das Aflições é o capítulo do livro O Mundo Assombrado pelos Demônios, de Carl Sagan, em que ele põe uma lista de comentários das pessoas que se recusavam a entender um trabalho dele de ceticismo antiufológico publicado poucos anos antes do lançamento do livro -- e republicado em quase metade deste.

Vemos Cidades das Aflições em vários temas diferentes, onde as pessoas se manifestam, por exemplo, contra a homossexualidade (dando ataques de homofobia ou argumentos falaciosos contra a homossexualidade) e contra medidas econômicas contra a destruição da Amazônia.

Agora a mais nova Cidade milita contra uma proposta de trazer a ascendente campanha mundial de promoção da Segunda Sem Carne para Porto Alegre, divulgada na notícia abaixo:

Vereador propõe criação da “Segunda sem Carne”

O vereador Beto Moesch (PP) protocolou projeto de lei para instituir em Porto Alegre a “Segunda sem Carne”. Pela proposta, residências, restaurantes e demais estabelecimentos que comercializam gêneros alimentícios serão convidados a optar por refeições vegetarianas todas as segundas-feiras.

“O objetivo é promover mais reflexão e conscientização sobre o consumo excessivo de carne. A dieta vegetariana é ecológica, saudável, ética e compassiva. Precisamos disseminá-la o máximo possível entre a população”, defende o parlamentar.

A iniciativa conta com o apoio da Sociedade Vegetariana Brasileira, idealizadora da campanha nacional “Segunda sem Carne”, já adotada pelo governo de metrópoles como São Paulo.

A medida também procura promover o veganismo, filosofia de vida baseada nos direitos animais, cujos adeptos procuram não consumir produtos nem participar de atividades em que há exploração ou uso de bichos, excluindo os alimentos de origem animal.

A expansão da pecuária é uma das principais causas do desmatamento. Além disso, de acordo com pesquisa da Organização das Nações Unidas, cerca de 18% da emissão dos gases causadores do aquecimento global são gerados pela produção de carnes em larga escala.

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26fev/100

Espuma da morte, tecnologia de dar inveja aos nazistas

ESPUMA MORTAL

À primeira vista, o uso da tecnologia choca. Mas pode fazer toda a diferença num momento de crise. [A única crise que estou vendo é a crise de racionalidade da espécie humana, que foi capaz de criar mais essa máquina de assassinar em massa.] Ela foi desenvolvida para eliminar rapidamente grandes plantéis – mais precisamente, mil aves por minuto e preservar as condições sanitárias de toda a cadeia produtiva. A máquina que produz a “espuma assassina”, comprada pela Associação Catarinense de Avicultura (Acav), foi apresentada ontem em uma propriedade no município de Arutã, próximo a Concórdia, na região Oeste.

A foto [http://www.clicrbs.com.br/rbs/image/7809053.jpg] mostra o teste em que foram abatidos cerca de 400 frangos, ontem pela manhã. O equipamento fabricado nos Estados Unidos (imagem menor) garante a eliminação das aves de forma operacionalmente rápida e biologicamente segura, garante o presidente da Acav, Cléber Ávila. Por ter uma consistência maior do que uma espuma normal, ela mata os animais por asfixia.

Ele diz que a criação de uma estrutura operacional e logística para o extermínio rápido de grandes plantéis de aves é uma exigência do plano de emergência avícola que todos os estados deveriam adotar. Trata-se de um cenário hipotético, mas que deve ser imaginado como possível, para que todas as ações de intervenção sejam controladas. O equipamento, que ficará em Concórdia, custou R$ 200 mil, mas poderá ser deslocado para qualquer região em caso de identificação de um foco de doença. SC abate cerca de 700 milhões de aves por ano.

Parabéns a quem desenvolveu essa apreciável tecnologia de matança em massa. @ autor/a dessa façanha levou ao extremo o dogma de que a vida animal não tem nenhum valor fora o sangrento dinheiro da pecuária e desenvolveu mais uma máquina de fazer o mal, causar sofrimento, dor e morte em grandes proporções.

Essa pessoa deve estar orgulhosa agora. Agora o número de animais a serem mortos a cada dia vai crescer bastante graças ao eficiente engenho d@ Doutor/a Eichmann que irá, com muito sangue e sofrimento, aumentar os lucros da pecuária avícola. Porque, afinal, ela precisa matar mais para recuperar os lucros neste momento de crise, não é?

@ criador/a dessa espuma assassina merece o Prêmio Adolf Hitler de Ciência e Tecnologia.

Infelizmente, ao contrário de tantos nazistas que atuaram contra seres humanos, a entidade zoonazista criadora da espuma não será caçada e levada à Justiça por nenhum Simon Wiesenthal da vida.

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25fev/102

Dez frases que nunca direi

Obs.: a ordem não quer dizer nada.

1. Velha, me dá dinheiro pra comprar um galeto ali na esquina?

2. O homem [predicado qualquer, não relacionado a gênero, sobre biologia, filosofia ou ciências humanas].

3. Ainda vou comprar aquele Nike Shox made in China fuderoso.

4. [no telefone] Vou fazer um churrasco aqui na frente de casa nesse domingo, com carne de todo tipo, pra todos os gostos, e você está convidada.

5. É isso mesmo, eu deixei de ser vegetariano, desisti.

6. Tô chateado porque me esqueceram de convidar pra Vaquejada de Carpina.

7. [Algum/a colega vegetarian@], você deveria pensar nas crianças que estão passando fome no centro da cidade em vez de estar discutindo sobre animais irracionais.

8. Anuncio logo: vou querer de presente os últimos CDs de Jennifer Lopez e Amy Winehouse.

9. Esse cachorro tem dono [sic]?

10. Em nome do pai, do filho, do espírito santo, amém.

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24fev/100

Só essa vez? Pense bem!

Artigo escrito em dezembro de 2008

Você, um vegetariano completo convicto, ou que assim se diz, está numa festa tal. Diante de um aglomerado de doces e salgados com ingredientes de origem animal – leite e ovos na composição –, não resiste e come alguns. A desculpa é: “é só essa vez mesmo”. Caro amigo vegetariano que caiu em tentação, não é porque é apenas uma vez, apenas alguns gramas, que a ingestão de secreções animais – leia-se leite e/ou ovos, in natura, em forma de derivado ou como ingrediente de alguma guloseima composta – se torna isenta de objeção ética. Não é porque o consumo é mínimo que o leite e os ovos se tornam inofensivos para os animais que os expeliram. Isso vale também para quem se diz “veg” e, com a equivalente desculpa de que é só por uns instantes, de que é só um filete ou dois corações de galinha, não resiste à tentação da carne num evento “especial”.

Essa infeliz atitude acontece até com quem é vegetariano pelos animais, ironicamente. Pode vir com a desculpa de se “libertar” temporariamente da “limitação” de opções – já que não há disponibilidade de guloseimas vegetarianas/veganas na maioria das cidades. É, enquanto um humano se “liberta” de um cardápio que ele não luta para expandir, mais uma vida que poderia ter sido poupada de sofrimento e abusos é explorada graças a alguém que se diz seu defensor.

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23fev/100

Terra não aguenta o carnivorismo da humanidade

Obs.: o carnivorismo do título significa "consumo de carne", não a dieta exclusivamente à base de carne de felinos.

Terra é incapaz de acompanhar ritmo atual de consumo de carnes e pescado

No topo absoluto da cadeia alimentar, os seres humanos se dão ao luxo de comer de tudo, mas a um preço elevado: a pesca massiva está levando as espécies marinhas à extinção, e a piscicultura polui a água, o solo e a atmosfera - o que precisa fazer com que mudemos de hábitos.

Alimentar a humanidade - nove bilhões de indivíduos atpé 2050, segundo as previsões da ONU - exigirá uma adaptação de nosso comportamento, sobretudo nos países mais ricos, que precisarão ajudar os países em desenvolvimento.

Segundo um relatório da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), publicado nesta quinta-feira, a produção mundial de carne deverá dobrar para atender à demanda mundial, chegando a 463 milhões de toneladas por ano.

Um chinês que consumia 13,7 kg de carne em 1980, por exemplo, hoje come em média 59,5 kg por ano. Nos países desenvolvidos, o consumo chega a 80 kg per capita.

"O problema é como impedir que isso aconteça. Quando a renda aumenta, o consumo de produtos lácteos e bovinos segue o mesmo caminho: não há exemplo em contrário no mundo", destacou Hervé Guyomard, diretor científico em Agricultura do Instituto Nacional de Pesquisa Agrônima da França (INRA), responsável pelo relatório Agrimonde sobre "os sistemas agrícolas e alimentares mundiais no horizonte de 2050".

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23fev/105

FFFFFFFFUUUUUUUUU-

Essa infelicidade foi baseada em fatos reais. E aconteceu comigo!

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18fev/100

Resenha do filme Fast Food Nation

Chocante e escancarador. Um copo de ácido jogado no hambúrguer. Assim é o filme Fast Food Nation (2006), que, sob o disfarce da ficção, disseca a indústria do fast-food e exibe toda a podridão nela existente: carne contaminada com fezes, relações humanas deterioradas do matadouro até a lanchonete, anti-higiene na montagem do hambúrguer, acidentes de trabalho mais que terríveis... e, acima de tudo, o banho de sangue e sofrimento que é o abate dos bois cuja carne será comida por quem nem sonha com a verdadeira história do seu aparentemente inocente sanduíche.

O nome “Mickey’s”, da empresa central da trama – ao lado da IMP, que abate animais e processa e empacota as carnes –, você pode substituir livremente pelo de qualquer corporação cujos lanches você talvez coma. Na falta de evidências em contrário vindas de cada empresa, a realidade é genericamente identificável com qualquer fast-food, ou pelo menos é assustadoramente provável que a grande empresa cujos hambúrgueres você come tenha uma realidade interna semelhante à retratada no filme.

Paralelamente, é retratado um pouco da vida atordoante de mexicanos que emigram ilegalmente para os Estados Unidos, como é andar quilômetros num deserto, ser carregado num furgão, viver sob as ordens e até ameaças dos “coiotes”. Aliás, o que o filme mostra serve para qualquer pessoa do mundo inteiro que esteja iniciando uma emigração ilegal através da fronteira mexicana-estadunidense. Essa subtrama se liga ao fast-food do filme pela empregação (e exploração) de alguns desses imigrantes na IMP.

As outras duas subtramas centram-se em Don Anderson, alto-executivo da Mickey’s e criador do bem-sucedido hambúrguer “Big One” (“Grandão” na dublagem brasileira), investigando os processos do matadouro-frigorífico da IMP, ciente de que há traços significativos de fezes misturados na carne; e em Amber, adolescente que trabalha em uma lanchonete da Mickey’s.

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16fev/100

Reflexão sobre o duplipensar moral onívoro

Artigo escrito em dezembro de 2009

Israel, século 8 A.E.C.; Roma, século 1 A.E.C.; Arábia, século 6; Brasil, século 17. Escravos... Sendo de etnia ou nacionalidade dominada, eram tratados como propriedades. Sua existência era praticamente atrelada a seus senhores ou “donos”. Eram obrigados a lhes prover mão-de-obra, recebendo durante a vida apenas alimentação e algumas roupas em troca.

Como eram propriedades, seus senhores se viam livres para lhes causar violências diversas, que variavam de acordo com o país e época: marcação a ferro quente, gritos de ordem, espancamentos no caso de demonstração de rebeldia. A liberdade era palavra proibida. Não viviam mais como fins em si mesmos, por suas necessidades, anseios, prazeres e interesses próprios, mas estritamente para os interesses do senhor que os tinha como propriedade. Eram seres dotados de sentimentos, desejos, anseios e capacidade de sofrer, mas seus “donos” não se importavam com isso.

Qualquer lugar do mundo, século 21. Animais rurais... Sendo de espécie dominada, são tratados como propriedades. Sua existência é. na prática, atrelada a seus senhores ou “donos”. São obrigados a lhes fornecer matéria-prima, recebendo durante a vida apenas alimentação em troca.

Como são propriedades, seus senhores se veem livres para lhes causar violências diversas: marcação a ferro quente, fustigações como ordens, espancamentos no caso de demonstração de rebeldia. A liberdade é palavra proibida, um absurdo aos olhos da espécie dominante. Não vivem como fins em si mesmos, por suas necessidades, anseios, prazeres e interesses próprios, mas estritamente para os interesses do senhor que os tem como propriedade. São seres dotados de sentimentos, desejos, anseios e capacidade de sofrer, mas seus “donos” não se importam com isso.

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14fev/102

10 mandamentos para onívoros/as que convivem com vegetarianos/as

Um texto divertido e muitíssimo esclarecedor de Alison Green, traduzido por Mirian M. Costa e reproduzido pela internet, extraído do site de dr. Eric Slywitch. A quem come carne e insiste nas sabatinas, muitas vezes pouco amistosas, a nós vegetarian@s e às acusações de que o vegetarianismo nos faz mal.

10 Mandamentos para carnívoros que convivem com vegetarianos
Texto de Alison Green retirado da internet, tradução de Mirian M. Costa

Concluí, após cuidadosa análise, que comer carne era incompatível com meus valores, apesar de adorar carne e não gostar muito de verduras. Eu tinha certeza que minhas papilas gustativas iam se rebelar, talvez manter um ou dois brotos de feijão como reféns em minha boca até que eu pagasse o resgate com um hambúrguer ou um pedacinho de bacon.

Felizmente, não aconteceu bem como eu esperava, meu maior problema como vegetariana não foi a comida — que descobri ser deliciosa e tão satisfatória como a carne — mas as atitudes desconcertantes de minha família e dos amigos. Outros vegetarianos fazem as mesmas reclamações: os olhares estranhos, as perguntas tolas, os interrogatórios pouco amistosos. Parece que os vegetarianos —12 milhões só nos Estados Unidos, e aumentando a cada dia — são uma minoria na verdade tristemente mal compreendida.

Assim, eu bolei dez simples mandamentos para os carnívoros usarem em seus contatos com os vegetarianos:

1- Não pense que os vegetarianos são espartanos que se alimentam de cenouras cruas e brotos de feijão. [Nota do Arauto: e da indispensável alface, como @s onívor@s intolerantes adoram insistir em suas piadinhas]

A pergunta que mais ouço é "O que você come?" Esta me deixa desconcertada; o que pode responder uma pessoa que tem uma dieta razoavelmente variada? Eu como espaguete, refogados, humus, cozidos, sorvete de framboesa, minestrone, saladas, burritos de feijão, bolo de gengibre, lentilha, lasanha, espetinhos de tofu, waffles, hambúrgueres vegetarianos, alcachofras, tacos, bagels, arroz com açafrão, musselina de limão, risoto de cogumelos silvestres — o que você come?


2- Aprenda um pouco de biologia.

Eu ainda não sei bem o que fazer com pessoas que são inteligentes sob outros aspectos mas acham que uma galinha não é um animal. Só para constar, vegetarianismo significa não consumir carne vermelha, aves, ou peixe — nada que tenha um rosto. Já perdi a conta das vezes em que garçons sugeriram um prato de frutos do mar como entrada "vegetariana".

3- Principalmente se as pessoas forem vegetarianas por razões éticas, não julgue que elas não se importarão com "só um pouquinho" de carne em sua refeição.

Você aceitaria "só um pouquinho" de seu gato, ou "um bocadinho" do Tio Jim em sua sopa?

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10fev/101

Por que a pesca e a aquicultura fazem mal e são dispensáveis

Artigo escrito em agosto de 2009

Muito recomendados como alimentos nutritivos e saudáveis, os frutos-do-mar estão sendo valorizados nestes anos de combate à alimentação nutricionalmente ruim. A tal fonte de saúde e boa vida apregoada por nutricionistas e culinaristas, entretanto, esconde uma realidade muito triste que, uma vez conhecida, enfraquece quem vem recorrendo ao peixe, ao crustáceo e ao molusco como fontes de “boa carne”: o sofrimento e a morte dos animais que são capturados na água e os danos ambientais infligidos, estes quase sempre enormes.

Quem busca o melhor ao comer carnes vindas da água não sabe ainda que a saúde vendida pela indústria de “pescado” tem um custo altíssimo, ou melhor, impagável, que são os bilhões de vidas eliminadas anualmente pela pesca e pela aquicultura, sempre com enorme sofrimento, e os ecossistemas aquáticos e costeiros que vêm sendo destruídos e esvaziados por essas atividades.

A verdade precisa ser revelada para que se perceba que, mesmo que façam bem à saúde, os frutos-do-mar fazem muito mal aos animais e ao meio ambiente. E são substituíveis nutricionalmente.

A morte dos peixes

No caso de pescar com varas, primeiro a mandíbula é perfurada, com o anzol mordido varando a pele do peixe, e em seguida o bicho é içado velozmente, potencializando a dor do gancho. É como uma pessoa ser furada na coxa por um arpão vindo de cima e levantada com toda força de modo que fique pendurada pela lança. Já na pesca por rede de arrasto, um cardume é surpreendido por um obstáculo e põe-se em agitação máxima, no desejo incontrolável e desesperado de resistir ou fugir da predação.

Depois de ser posto no assoalho do barco, no samburá ou em outro lugar que guarde os corpos pescados, o animal começa um sofrimento que vai durar minutos. São longos instantes, que mais parecem uma eternidade, de uma luta pela vida que irá invariavelmente fracassar. Procura-se inutilmente por água que contenha oxigênio diluído. Debate-se longe da água, tanto na tentativa de se locomover para voltar ao seu ambiente aquático como pela agonia de não poder mais respirar.

Depois de geralmente menos de dez minutos de angustiada luta contra a morte, a indesejada das gentes e dos bichos vence. Um fim bastante triste, uma morte cujo sofrimento é comparável ao causado nos mais cruéis matadouros.

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23jan/102

Animais racionais (Parte 10)

Essa foi uma feliz reportagem da Globo, sem manipulações, mas que comete o vicioso ato de considerar animais propriedade.

Peixes adestrados recebem cafuné no Espírito Santo (vídeo disponível aqui)

Peixes que gostam de carinho e atendem quando são chamados. Parece mentira, mas é o que acontece no Espírito Santo. A reportagem é de André Junqueira.

Na correria da cidade parece que não sobra tempo para conversa. A cidade não pode parar, tem que seguir. Quem quer saber de história? Ainda mais quando a história parece ser de pescador. Imagina! Vai dizer que nunca ouviu falar de peixe adestrado?

”É mentira”, avisa uma mulher.

"Eles inventam muita coisa sem lógica, muita lenda", afirma a escrevente Sheila Brasil.

"Peixe adestrado? Já ouvi falar de cachorro e gato, mas agora é a primeira vez em que ouço falar de peixe adestrado", diz o técnico em cabeamento Whender Silva.

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10jan/100

Resenha do documentário Super Size Me: a dieta do palhaço

A experiência de Morgan Spurlock com os 30 dias de refeições de tamanho até “Super Size” no seu documentário Super Size Me foi algo quase suicida. E muito corajoso também. Ele debilitou seu corpo com um mês de dietas nada saudáveis para denunciar como o fast-food estraga o organismo e vem provocando um crescimento epidêmico da obesidade na população dos Estados Unidos – e também do mundo, se considerarmos a clientela global das empresas multinacionais de comida rápida.

Ele resolveu se jogar na aventura perigosíssima de comer durante trinta longos dias três refeições diárias só com alimentos provenientes da McDonald’s, escolhida por ser a maior corporação de fast-food dos EUA. Aceitaria sempre as porções de tamanho “super size” quando fossem oferecidas. Viajaria por várias cidades norteamericanas para testar o serviço das lanchonetes da empresa.

Antes da experiência, era um homem muito saudável, com todas as taxas fisiológicas e desempenhos físicos “fora de série” de acordo com os muitos exames feitos. Era vegetariano assim como sua esposa, mas resolveu fazer como o Jesus bíblico – sacrificar a si mesmo, assim como o seu vegetarianismo, pela iniciativa de salvar as pessoas.

Esteve ligado a vários/as doutores/as para verificar como sua saúde passaria os trinta dias de tormenta alimentar. Em cada dia ele vai mostrando à câmera o que come e bebe. Paralelamente, o documentário mostra os podres da indústria de fast-food e as aberrações corporativas cometidas.

Entre esses podres e aberrações, o lobby da indústria alimentícia não-saudável, a quantidade de propagandas de alimentos ruins comparada às dos saudáveis, a invasão do fast-food nas escolas, a omissão de exibir os valores nutricionais do que se serve nas lanchonetes... Também são denunciados os problemas de saúde e socioculturais – neste caso, a autodepreciação que garotas obesas vivem quando se deparam com propagandas e programas de TV com mulheres magras – que a epidemia de obesidade veio acarretando.

Ele também tentava entrar em contato com alguém da McDonald’s para pedir esclarecimentos sobre a antinutritividade dos alimentos oferecidos, mas as pessoas responsáveis eram quase incomunicáveis, dando desculpas atrás de desculpas para não atenderem às ligações.

Durante o filme, ele foi surpreendido pelo fechamento da clínica Hælth, onde ele fazia alguns de seus exames, uma amostra, segundo ele, de que a saúde não era valorizada nos EUA – o que Michael Moore confirmaria no documentário Sicko anos depois.

A cada dia, Morgan sentia os sintomas da deterioração de sua saúde. Sentia estufamento, momentos de depressão, falta de fôlego, formigamentos, falta de ar, dores internas, entre vários outros problemas. Seu peso aumentava vários quilos em poucos dias. Seu fígado estava a caminho da deterioração, um fenômeno que nem mesmo um dos doutores que ele estava consultando havia visto antes. Estava ficando impotente sexualmente. Adquiriu um princípio de vício de hambúrgueres e refrigerantes. Ele poderia morrer se persistisse com a dieta suicida por mais tempo.

Quem assiste ao documentário torce para que os trinta dias de sofrimento de Morgan acabem logo. A pessoa pode ficar um pouco nervosa, enquanto assiste ao filme, na espera pelo fim da aventura sacrificante dele, compadecendo do princípio de doença que ele estava sofrendo.

No 30º e último dia do terrível hábito alimentar, o/a telespectador/a sente um alívio: enfim Morgan encerrou sua dieta patológica! Em seguida, ele mostra como sua saúde se deteriorou tão fortemente. Descobrimos que ele ingeriu quantidades bombásticas de açúcar (quase 14kg somados) e gordura (mais de 5kg no total) no mês da “dieta do palhaço”.

No final, antes dos créditos, os desfechos: ele recuperou sua saúde em poucas semanas, embora até a conclusão do filme ele ainda estivesse perdendo o peso; o McDonald’s decidiu retirar do mercado os alimentos de tamanho “super size”, lançar pratos (questionavelmente) saudáveis e passou a patrocinar eventos esportivos – negando, no entanto, a influência do documentário sobre essas decisões –; o representante do lobby alimentício já não estava mais no cargo; Morgan, por motivos não esclarecidos, deixou o vegetarianismo – o único desfecho triste da história.

Duas citações são mais marcantes no filme: “[Você] precisa pensar que, se acredita que o sistema [de que você desfruta] é corrupto, imoral, errado e agressivo, você estará fazendo parte dele”, segundo Alexandra Jamieson, a namorada de Morgan; “Mas por que as empresas mudariam? A lealdade delas não é com você, e sim com os acionistas. A verdade é que isso é um negócio, não importa o que digam”, segundo o próprio Morgan.

Partindo para a análise crítica, não há praticamente nada do que reclamar do Super Size Me. O filme atinge seus objetivos e cumpre o que se habilitou a fazer: denunciar como o fast-food de hoje é imprestável em termos de saúde e nutrição e como seu empresariado não tem compromisso nenhum com o bem-estar humano – muito menos animal, visto a matança de animais que a pecuária promove, embora isso não tenha sido abordado no documentário.

Denúncias como a persuasão infantil ao mau hábito alimentar, a invasão do fast-food nas escolas, o lobby que inibe providências governamentais de combate à má alimentação e, mais notável, a epidemia de obesidade sem precedentes – todas referentes aos EUA, mas que, com o tempo, poderão contaminar outros países – são gravíssimas e o Super Size Me escancarou-as competentemente.

Morgan Spurlock, com seu documentário, juntou-se a Michael Moore no hall de cineastas corajosos que dão a cara à tapa – e, dependendo da perversidade dos denunciados, o corpo às balas – para mostrar que desgraças certas categorias políticas e econômicas do seu país são capazes de causar em prol de interesses escusos.

Bom seria se no Brasil tivéssemos gente do tipo deles, cineastas e escritores/as que conscientizam ludicamente a população, abrindo seus olhos para os problemas do país. É um dos melhores estilos de filme existentes: documentários educativos, que servem, com eficiência e competência, de apoio para as escolas e as campanhas de conscientização.

Super Size Me merece palmas, e Morgan, encorajamento para fazer mais documentários. Os EUA precisam de mais filmes do estilo. Depois de assistir ao filme, é de se duvidar que a pessoa vá continuar comendo regularmente fast-food. As pessoas menos resistentes a conscientizações vão muito provavelmente jurar nunca mais pôr os pés na McDonald’s, Bob’s, Burger King ou qualquer lanchonete do gênero. Obrigado, Morgan Spurlock, por ter dado uma de Jesus bíblico.

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10jan/101

Resenha do documentário Meat the Truth/Uma Verdade Mais Que Inconveniente

O vídeo Meat the Truth – traduzido no Brasil como “Uma verdade mais que inconveniente” –, um misto de documentário e apresentação stand-up, apresentado pela bonita deputada e ativista holandesa Marianne Thieme, foi bem-sucedido ao preencher a enorme lacuna que Al Gore deixou no seu Uma Verdade Inconveniente: a participação mais que relevante da pecuária nas mudanças climáticas que estão castigando o mundo. Vale apontar onde o vídeo acertou e onde errou – erros que, embora poucos, deram séria imperfeição ao vídeo.

Para dar comprovação aos dados mostrados, Marianne citou o estudo da FAO – Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação – que mostravam a pecuária como maior vilã do clima global. Com o devido embasamento, muitos pontos muito interessantes foram abordados com competência, tais como: Como é esse impacto tão grande da pecuária sobre o clima? Tornar-se vegetariano/a, ou deixar de comer carne um ou mais dias por semana, faz alguma diferença? Por que Al Gore convenientemente omitiu a pecuária na sua “verdade inconveniente”? Por que os governos são coniventes com o impacto ambiental dessa atividade?

Os principais pontos que a deputada holandesa mostrou em relação ao impacto ambiental pecuário foram a produção de metano, um gás-estufa muito mais poderoso que o gás carbônico, e o desmatamento de florestas como a Amazônia.

Como todo bom documentário apresentador da alternativa vegetariana de alimentação, mostrou diversos fatores relativos à crueldade nas fazendas-fábrica, principalmente a debicagem de aves e o confinamento intensivo dos animais. Fez também o favor de reexibir o The Meatrix, aquela paródia de Matrix em que os personagens são bichos de espécies exploradas pela indústria de alimentos de origem animal.

Também deu a oportunidade de participação ao PETA e à Humane Society, além de mostrar a história do “Mad Cowboy”, um ex-pecuarista que, depois de décadas na indústria da exploração animal, aprendeu a respeitar os animais e tornou-se vegetariano completo e militante pelos Direitos Animais.

Num dado momento, Marianne imitou propositalmente Al Gore e subiu numa plataforma para mostrar um gráfico que mostrava quanto a indústria da carne ameaça crescer nos próximos 40 anos se o consumo continuar aumentando como hoje.

O vídeo fez muito bem seu papel de completar o que Al Gore havia deixado pendente, mas cometeu falhas significativas:
- Enfocou menos que devia as questões de saúde. Mostrou pouco os males da carne vermelha ao organismo humano e deixou totalmente de mostrar por que o vegetarianismo é sustentável e confiável como alternativa alimentar ao onivorismo, o que deixa quem lhe assistiu com um sentimento de estar entre a cruz da carne e a espada de uma alimentação cuja confiabilidade não foi atestada no documentário;
- O vídeo de Johan Renck, que mostra o ânus de uma vaca expelindo fezes, certamente “convidou” e “convidará” muitas pessoas a fecharem o vídeo e acharem que estavam diante de “mais um filme vegetariano sem noção que não deveria ser levado a sério”. O aspecto nojento desse trecho afasta muitos/as espectadores/as e prejudica a transmissão da mensagem de conscientização vegetariana;
- Pouco mostrou dos efeitos das carnes brancas – de aves e peixes – no meio ambiente. O esvaziamento da fauna oceânica, que possui efeitos ainda pouco conhecidos no clima global, também é uma verdade extremamente inconveniente, mas o filme, num notável vacilo, omitiu. Deixou-se de evitar que a população que assistisse ao vídeo migrasse seus hábitos de consumo para o peixe, algo que também tem severíssimo impacto na natureza.

Faltas do vídeo à parte, a bela deputada fez bonito no esforço da conscientização. Meat the Truth é mais um documentário digno de ser exibido e distribuído para o máximo possível de pessoas, juntando-se aos brasileiros A Carne É Fraca e Não Matarás e ao tão falado Earthlings (Terráqueos). Para uma melhor eficácia na propagação da verdade inconveniente do impacto ambiental pecuário, será muito bom se alguma equipe tomar a iniciativa de dublar o documentário. Será um favor imprescindível para muita gente.

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