A distorção do veganismo pela mídia tradicional que o vem “divulgando”

O veganismo costuma ser retratado pela mídia como uma “seita esotérica” cujo princípio de combate à escravidão animal nada mais fosse do que um valor religioso desprovido de fundamentação factual e objetiva.
O veganismo vem sendo cada vez mais divulgado pelos meios de comunicação jornalística tradicionais – revistas, jornais, telejornais e noticiários de portais online. Muitos comemoram essa divulgação, que tira da obscuridade e da estigmatização preconceituosa aquele modo de vida encarregado de (ajudar a) promover a justiça para os animais não humanos. Mas até onde podemos comemorar essa propagação midiática do modo vegano de viver e ser ético?
A atenção dos holofotes ao veganismo e aos veganos é algo positivo, por revelar aos onívoros quem somos nós e uma (pequena) parte do que pensamos. Mas isso, por outro lado, não só vem tendo efeitos muito limitados sobre aquilo que realmente deveria ser focado – a necessidade da libertação animal – como tem mostrado a questão vegano-abolicionista de uma forma distorcida que ofusca a visão dos onívoros sobre ela. Isso por causa de um vício universal à mídia: mostrar o veganismo como um fim em si mesmo meramente subjetivo, e não como o meio essencial – ou, melhor dizendo, um dos meios essenciais – para um fim evidentemente objetivo.
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Na contramão dos Direitos Animais e da responsabilidade ambiental, o Ministério da Pesca e Aquicultura, dedicado pelo Governo Federal à matança de peixes nos rios, lagos e mar brasileiros, deu início, na última segunda-feira, a mais uma “Semana do Peixe”, criada para incentivar o consumo da carne de animais que foram cruelmente mortos nas águas do país.
O slogan é o mais alienante possível: “Pescado: dá água na boca e faz bem para a saúde”, ignorando as denúncias que vêm aparecendo pelo mundo sobre a concentração de metais pesados na carne dos peixes mortos pela indústria pesqueira e fazendo um apelo ao paladar – esta última que é uma das grandes “razões” de muitos onívoros recusarem considerar a adoção do vegetarianismo.
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Pela terceita vez em menos de 15 dias, a Rede Globo volta a difamar o vegetarianismo em suas novelas. Depois das cenas entre Cadinho, o onívoro, e Noêmia, a “vegetariana fanática”, em Avenida Brasil, a vez é da novela Amor Eterno Amor lançar ao ar uma cena desagradável e desinformativa.
A cena em questão, transmitida no capítulo de ontem, mostra entre os instantes 00:32 e 00:42 do vídeo a menina Clara dizendo: “Ó, eu adoro espinafre… Eu só não queria comer carne hoje não, pai, eu não quero comer bichinho”, sendo ela respondida pelo pai, Gabriel, que é médico: “Oh, Clara, mas aí vai faltar a proteína na tua comida, né?”. E o assunto terminou aí mesmo, sem qualquer questionamento posterior por parte de nenhum personagem.
Para quem é onívoro e leigo no tema vegetarianismo e é pouco afeito a questionar as informações verossímeis que ouve das novelas, a cena, mesmo durando apenas onze segundos, é suficiente para manter íntegra a crença carnista de que uma alimentação vegetariana não é saudável “porque não provê proteína suficiente”. E isso renova, por tabela, a sensação de conforto e segurança das pessoas que comem carne e temem que os veg(etari)anos as consigam convencer de que tanto é possível ser um vegetariano muito saudável como o consumo de alimentos de origem animal é dispensável e aumenta os riscos de certas doenças (como câncer, diabetes tipo 2, obesidade e doenças cardiovasculares).
E assim a Globo mostra novamente que não simpatiza com o veg(etari)anismo e pretende atrapalhar os esforços de conscientização veg(etari)ana que vêm ascendendo ao longo dos últimos anos, ou pelo menos manter sob controle uma parcela que ainda não teve a oportunidade de ouvir ou ler sobre vegetarianismo e veganismo.
Publicado originalmente em 04/06/11, trazido ao topo em 17/05/12 em razão da greve dos professores de diversas universidades
Nas greves de professores, desde os da Educação Infantil até os das pós-graduações, incluindo instituições públicas e privadas, geralmente vemos o mesmo método sendo usado: mestres interrompem seus trabalhos por tempo indeterminado, param o funcionamento da escola e deixam seus alunos em casa. Esse modelo de mobilização docente, apesar de tão tradicional e largamente usado nos momentos críticos, tem falhas e vacilos e por isso merece algumas críticas e sugestões de mudança, a serem debatidas, que faço abaixo.
Eu divido essas falhas em efeitos colaterais éticos e subestimações. Ambas relativas à atitude de deixar totalmente de lado os alunos, potenciais aprendizes de cidadãos, e atingi-los na prática muito mais do que aos próprios alvos das mobilizações – os diretores/proprietários das escolas e faculdades, no caso das instituições privadas, e o governo, no caso das públicas.
A consequência colateral ética eu posso resumir em uma frase nominal: alunos mais prejudicados do que os patrões.
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Na prática entrando na recente onda do conservadorismo científico em defesa da exploração de animais em pesquisas, a revista Galileu fez na última sexta-feira, em uma reportagem, sua parte em tentar convencer os internautas de que não haveria nada de mais em explorar cobaias nos laboratórios e biotérios. De linguagem “cool” e juvenil, o site visou “mostrar” aos jovens leitores de que a vida dos camundongos e ratos seria algo análogo a uma hospedagem em hotel de luxo, coisa que mesmo os seres humanos invejariam, num esforço alienante e manipulador que, visando perpetuar e naturalizar a escravidão animal perante a sociedade, ainda mais as gerações juvenis de hoje, deve ser denunciado e desmentido.
O texto, dividido em três páginas, já fala de “mordomias” e afirma que as futuras vítimas das pesquisas in vivo teriam mais “benefícios” em sua prisão do que o senso comum pensaria. Sabe disfarçar com denotações fantasiosas e atraentes a velha argumentação pseudo-bem-estarista de que as cobaias seriam “bem tratadas” sob “normas rígidas de higiene e conforto”.
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Fala-se muito no senso comum sobre a alienação. Sobre como a TV, certas revistas e jornais, as igrejas, os Estados controlados por regimes autoritários e, segundo alguns, mesmo o futebol e o Carnaval alienam as pessoas, roubando-lhes o senso crítico e a consciência sociopolítica. Mas muitas pessoas não entendem integralmente que conceito de alienação é esse, que virtualmente se diferencia da definição sociológica clássica de transferir para o controle de outrem algo que era ou deveria ser seu. Tantas chegam a usar frequentemente os termos alienação, alienar e alienado sem ao menos saber realmente conceituá-los.
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Campanha pró-vivisseção: quadrinhos para alienar os jovens

Trecho de história em quadrinhos criada para alienar jovens acerca da vivissecção. Fonte: etica(???)napesquisa.org.br
Em meio à campanha de “conscientização” sobre a dita importância das pesquisas com animais não humanos, iniciada no ano passado, descobri recentemente no site eticanapesquisa.org.br, seu site oficial, uma cartilha de visual e linguagem juvenis que inclui uma história em quadrinhos sobre a exploração de cobaias em laboratório. Basta uma lida atenta para percebermos como a historinha é tendenciosa e bastante preconceituosa, omite diversos aspectos críticos da vivissecção e desenha de forma muito depreciativa aqueles que são contrários a essa atividade.
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Em certas épocas percebo o quanto sou limitado em conscientizar as pessoas ao meu redor, mesmo algumas das mais próximas a mim. Num mundo ideal todos seriam abertos à mudança de hábitos nocivos e de crenças equivocadas, mas não é assim que funciona na realidade. Tenho este blog com o fim de conscientizar as pessoas interessadas (no bom sentido) na arte de pensar, mas na realidade vejo que alguns indivíduos (aliás, alguns não, muitos!) se fecham em sua ignorância e alienação e recusam qualquer mudança, mesmo que esta diga respeito à sua própria vida e às das pessoas que lhes são mais próximas e queridas.
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Ateofobia, uma intolerância tão gritante mas tão pouco notada (Parte 3)
Ler Ateofobia, uma intolerância tão gritante mas tão pouco notada (Parte 1)
Ler Ateofobia, uma intolerância tão gritante mas tão pouco notada (Parte 2)
Quando os próprios ateus “aceitam” ser preconceituados e discriminados
Por incrível que pareça, uma parte mais que significativa, senão a maioria, dos ateus são indiferentes ao preconceito e à discriminação que sua própria categoria sofre. Não tomam para si quando religiosos intolerantes declaram ódio, nojo e outros sentimentos repulsivos à generalidade dos descrentes no Twitter, quando cantores gospel declaram a imoralidade e depressão de uma vida “sem Deus” – e inspiram muitas vezes os fãs a adotar ou reforçar essa crença preconceituosa – ou quando celebridades ou pessoas públicas condenam o ateísmo ou os ateus.
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Ateofobia, uma intolerância tão gritante mas tão pouco notada (Parte 2)
Ler Ateofobia, uma intolerância tão gritante mas tão pouco notada (Parte 1)
Discriminação e violência ao vivo (incluindo na escola)
São muito frequentes os casos de descrentes que sofrem diversas formas de violência de quem não tolera sua não crença nem respeita seu direito à mesma. O tipo mais comum é a dissensão familiar, na qual os pais religiosos fanáticos (ou apenas o pai ou a mãe) investem-se em brigas sérias, muitas vezes violentas, com seus filhos quando desconfiam ou descobrem que deixaram de acreditar em divindades ou quando eles assumem sua descrença. Nada raro é ver pais assim expulsando o filho ateu de casa, mesmo quando este não criou qualquer condição de se emancipar.
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Ateofobia, uma intolerância tão gritante mas tão pouco notada (Parte 1)
Um preconceito gritante, mas pouco considerado – mesmo por suas próprias vítimas – e estudado, campeia no Brasil: a ateofobia, intolerância contra ateus – definida por Marcelo Druyan como “ódio, aversão ou discriminação de uma pessoa ou grupo de pessoas contra ateus e, consequentemente, contra o ateísmo”.
Desde declarações impunes de ódio no Twitter até desmembramentos violentos de famílias e amizades, a hostilidade ateofóbica acontece neste país com uma liberdade tão grande que os próprios ateus, que deveriam ser os primeiros a denunciá-la, permitem ser esculhambados e humilhados pelos religiosos que não aceitam o fato de existirem pessoas que não acreditam em nenhuma divindade.
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Elefanta Tai: a Globo reitera ser favorável à exploração animal
Como eu não simpatizo nem um pouco com a Globo, não costumo acompanhar suas notícias. Esta caiu de paraquedas, graças à comentarista Bruna, que me trouxe essa pérola da emissora, glamourizando, no Fantástico de domingo passado, toda a exploração imposta sobre a elefanta Tai, que foi obrigada a participar do boicotável filme Água para Elefantes.
Veja o vídeo em que o Fantástico enche a bola de quem explora animais para circos, produções cinematográficas e eventos diversos:
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