Arquivo Direitos Animais/Veganismo

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18

jul 2011

Postado originalmente em 29/07/10. Trazido de volta à primeira página em 18/07/11 por estar havendo novamente a fazendinha no mesmo shopping que visitei no ano passado.

Alguns shoppings brasileiros, diante da realidade ultraurbana das crianças das grandes cidades, muitas das quais crescem acreditando que carne, leite e ovos são fabricados do nada no supermercado, tomaram a iniciativa de montar “fazendinhas” em parte de seu interior, no intuito de diverti-las, “ensiná-las” de onde vem os produtos de origem animal da mesa onívora brasileira e pô-las em contato com o mundo rural – ainda que de forma bem limitada.

Nesses pedaços de ruralidade incrustados nas urbes, estão expostos os mais diversos animais das fazendas de verdade: bovinos, porcos, coelhos, galinhas, perus, cavalos (ou pôneis)… Pode-se andar de charrete, montar equinos, participar de pescaria, e até levar animais típicos do campo para casa. Parece muito bom e saudável mostrar à meninada acostumada com a selva de concreto um pouco da vida da fazenda…

Eu disse “parece”. Porque, na ótica da ética animal, não o é nem um pouco. Em vez de apreciação, reservo a essas “fazendinhas” de shopping uma indagação preocupada: o que estão ensinando aos nossos pequenos? (mais…)

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10

abr 2011

Vi essa nota na Folha.com e achei a história ao mesmo tempo comovente e convidante à reflexão:

Gato Arnesto transformou vida da dona em samba do crioulo doido

A história do gato Arnesto, 2, isso mesmo, o da música famosa do Adoniran Barbosa, começou no dia em que Vivian Andrade, de São Paulo, entrou numa loja de animais com o samba na cabeça.

Eu só queria xeretar os filhotinhos maravilhosos de american short hair que estavam à venda. Um gatinho lindo e serelepe logo chamou a minha atenção e de uma enorme plateia”, relata a dona.

“E não que é de repente ele se vira e me olha com seus lindos olhos verdes! Não resisti e caí no samba. Brincando, cantei pra ele ‘Arnesto nos convidou prum samba…’. Ficamos uns quinze minutos brincando e viramos amigos para sempre. Aí ele olhou nos meus olhos ainda mais fundo como que dizendo ‘sou teu pra sempre’. E então, nesse momento veio na minha cabeça a parte da música ‘Isso não se faz Arnesto’.”

Hoje faz dois anos que Arnesto está com Vivian. “Desde sua vinda minha casa se transformou num samba do crioulo doido, mas ‘nóis não se importa'”, diz a dona.

De mercadoria à venda num pet shop, Arnesto tornou-se um dos melhores amigos de Vivian. Sentimentos, emoções, personalidade, sensibilidade, talvez até amor… Tudo aquilo que por muito tempo aparentou-se exclusivo de seres humanos aflorou de um bichinho que naquela loja nada mais valia do que algumas dezenas de reais e vivia preso numa gaiola-vitrine como se fosse um brinquedo exposto. Posso apostar que o que explica parcialmente essa relação tão bonita é que Arnesto retribuiu sua tutora por tê-lo libertado daquela condição de prisão e desamor.

A reflexão que fica é: é justo que a humanidade trate seres dotados de tantas qualidades e capacidades cognitivas e emocionais, tantas coisas que os fazem muito similares a nós, como meras coisas à venda? Por que um ser humano tem direitos e um inalienável e inviolável valor intrínseco enquanto um animal não-humano tem apenas valor em dinheiro e em utilidade?

Quando alguém compra um cão ou gato filhotes, para a sociedade é “tudo bem”. Mas quando, depois de anos de relacionamento carinhoso, vende o mesmo animal adulto ou envelhecido, passa a ser alvo de repúdio e condenação por parte do próximo. Por quê? Por acaso o filhote vale menos do que um bicho adulto? Se sim, por quê?

Se não se pode vender um bicho adulto visto que ele ganhou um valor intrínseco, uma dignidade, o que é, afinal, que faz o animal ter seu valor em dinheiro substituído por um valor intrínseco comparável ao possuído por seres humanos?

Por que pet shops vendem animais domésticos mas orfanatos não vendem bebês encontrados abandonados? Por que existe uma “indústria” de vidas sencientes mas não uma de vidas humanas? Qual é a dignidade, o valor, o merecimento moral da invalorabilidade, que um não tem e o outro não?

E olhe que eu nem cheguei ainda na questão dos animais abandonados, acolhidos por abrigos cuja maioria se sustenta com precariedade e depende de doações. O que faz uma pessoa preferir comprar um animal num pet shop, tratá-lo como mercadoria mesmo sabendo que tem tantas características humanoides, a adotar um outro que é tão ou mais carente e demandante do amor de uma pessoa? Fora o puro desconhecimento sobre direitos animais, o que faz alguém preferir financiar uma “indústria” que vive de vender vidas a optar pela adoção, pelo pensamento de que vidas sencientes, sentimentos, amor, afeto, carinho etc. não têm preço?

Se você ainda é daquelæs que compram animais como se fossem brinquedos ou robozinhos, pense nessas perguntas, e, se puder, reproduza-as para mais alguém que trata animais como mercadoria.

Fecho este post com esperança de que Vivian, depois de ter conhecido Arnesto, nunca mais trate um animal como mercadoria.

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