Artigo
17

out 2014

voto-critico-em-dilma

Eu compartilhei da posição do deputado eleito Marcelo Freixo. Mas no final das contas, o tal projeto conservador prevaleceu, sob as mãos de Dilma.

Atualização (07/03/2015, 14h28): Me declaro envergonhado e parcialmente arrependido de ter votado em Dilma Rousseff. Ela mentiu para a população quando fez, em outubro de 2014, promessas de esquerda e centro-esquerda.

Prometeu a criminalização do heterossexismo, e o que se viu foi o arquivamento do PL 122/2006. Prometeu a continuidade do legado de Lula de investimento nas camadas mais pobres, e tivemos diversos aumentos de impostos para as classes trabalhadoras, além da explosão das tarifas de energia.

Gabou-se de ter proporcionado um recorde de emprego no final de 2014, e estamos tendo medidas de indução ao desemprego. Disse que não iria mexer em programas sociais e direitos trabalhistas, e hoje vemos cortes em diversos desses direitos e programas, além do intolerável corte nos investimentos em educação. Prometeu cuidar da inflação, e agora estamos diante de um aumento massivo de preços por causa do dólar, da energia, do combustível, da água e de outros fatores.

Prometeu pulso firme no governo, e estamos vendo hoje uma governante que nos parece fraca, amedrontada e incapaz de lidar com os urros de ódio da oposição “revoltada” de direita. Prometeu medidas contra a corrupção, e o que estamos vendo é passividade total dela e de seu partido perante o escândalo revelado pela Operação Lava-Jato. Prometeu um governo mais à esquerda do que em seu primeiro mandato, e “ganhamos” ministros neoliberais, ruralistas, higienistas urbanos e negacionistas do aquecimento global.

Os votos da esquerda “crítica” e da esperançosa “onda vermelha”, sem os quais Dilma teria perdido para Aécio Neves, foram deliberadamente queimados por ela depois do resultado do segundo turno eleitoral. Isso a torna indigna de confiança e digna do repúdio da esquerda, por mais sufoco que ela esteja passando.

Eu creio que não há motivos para ela ser afastada da presidência por um processo de impeachment, já que até o momento nada comprova participação dela nos escândalos de corrupção que estão sendo apurados pela Justiça. Mas eu pessoalmente não pretendo me solidarizar para com ela pelos ataques que tem recebido do PSDB, de boa parte do Congresso Nacional e da direita militante. Lavei minhas mãos, e ela não terá mais nenhum “voto crítico” meu, nem qualquer voto de apoio contra os que querem derrubá-la por meios não eleitorais.

Só não me arrependi completamente porque ainda creio que, mesmo que na teoria Dilma e Aécio sejam da mesma qualidade de governantes de direita, Aécio teria apoio amplo dos mais raivosos reacionários que têm ocupado a internet, as ruas e o Congresso. E isso, acredito, poderia fazer o tucano promover, de fato, um governo tendente à extrema-direita.

O texto abaixo continuará no ar para que eventualmente sirva de fonte para alguma pesquisa que aborde o fenômeno do “voto crítico” em Dilma que ocorreu em 2014.

***

Através do Consciencia.blog.br, declaro meu voto crítico em Dilma Rousseff nesse segundo turno presidencial. Estou longe de “morrer de amores” por ela e seu governo, que cometeram diversos erros e até perniciosidades – mas também acertos elogiáveis -, mas votarei nela para impedir que um governo ainda mais venenoso e reacionário suba ao poder e ameace os direitos das pessoas mais pobres, dos profissionais públicos, de todas aquelas pessoas que contam com serviços-direitos públicos e gratuitos (universidades, SUS, previdência social etc.), entre outras, e também em respeito ao que o atual governo dela tem feito de bom e deverá ter continuidade a partir do próximo ano. (mais…)

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