Antimilitarismo

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28

set 2011

Eis uma frase que, se relida no Certificado de Dispensa de Incorporação (CDI) de cada homem brasileiro, atormentaria no fundo da “alma” milhões de dispensados do serviço militar, mesmo hoje sendo improvável uma guerra a ameaçar o território brasileiro. Ela significa algo extremamente relevante: em caso de guerra, o Estado brasileiro irá confiscar nossa liberdade e se apropriar de nós, nos obrigando a pegar em armas, obedecer ordens aéticas como máquinas controladas, matar pessoas e correr altíssimo risco de sermos assassinados, mesmo que sejamos inimigos figadais da guerra e da violência e não tenhamos qualquer domínio no uso de armas e destreza física. (mais…)

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14

abr 2011

Pouco mais de um ano e dois meses depois do assassinato de Alcides do Nascimento, foi a vez de Fernanda Mateus. Em ambas as vezes, os grandes jornais de Pernambuco expuseram, de forma amplificada, toda a dor não só de família e amigos das duas vítimas da violência urbana que castiga a população. Inflamaram a indignação da sociedade. Fizeram-na se revoltar ainda mais com o constante clima de insegurança e a incerteza se vai voltar para casa são e salvo. Mas isso tem um outro lado.

Quando o povo, ou pelo menos uma pequena fração dele, vai às ruas para externalizar sua insatisfação com o estado de coisas, o qual inclui o “mando” dos bandidos e a perspectiva de se perder mais outros Alcides e Nandas, parte dos mesmos jornais que o incitaram à revolta passam a criticar a ação dos próprios revoltados.

Em outras palavras, os mesmos jornais que incham o povo com notícias ardentes e revoltantes não o deixam estourar. Incitam a revolta com um motivo, mas não deixam que as pessoas se revoltem nas ruas com essa mesma causa. E isso talvez se aplique a qualquer situação, desde os jovens que a bandidagem mata até a passagem de ônibus que aumenta. O que, afinal, querem de nós?

Megafonam nos nossos ouvidos que é inadmissível deixar mais jovens morrerem por força das armas, que a exclusão social é uma doença da sociedade ou que o aumento das passagens não é algo tolerável. Mas se voltam contra nós quando protestamos nas ruas a gritar que não toleramos aumentos de preços e assassinatos, que não queremos mais atos estatais pró-exclusão – vide a expulsão dos ambulantes do Centro do Recife – ou que queremos segurança pública com mais poder de ação.

Ainda não tivemos manifestações nas ruas contra o fim que levam Nanda, Alcides e centenas de outros que deixaram de ter uma vida toda pela frente, mas nos exemplos que existiram – o aumento das passagens de ônibus e a limpeza social anticamelô de diversas ruas do centro recifense –, o Diario de Pernambuco, exemplo mais nítido dessa atitude contraditória, reprimiu ideologicamente os protestos causados pelas notícias que ele próprio veiculou (não exclusivamente).

Alusões enormes aos engarrafamentos e à insatisfação de parte da população pela interrupção do trânsito. Atenção ínfima e com muita má vontade às razões dos estudantes e trabalhadores que foram às ruas contra o reajuste e a expulsão. Só faltou chamar os manifestantes de “baderneiros” e “vagabundos” e incitar a polícia à repressão deliberada em prol da “ordem”.

Diante desse comportamento manipulador, anticidadão e até antidemocrático, me pergunto se o DP vai usar esse mesmo comportamento contra, digamos, os estudantes de universidades que hipoteticamente forem à Avenida Conde da Boa Vista exigir segurança e punição máxima contra os assaltantes e assassinos de universitários como os dois citados acima.

É aí que me pergunto: se formos às ruas para reagir contra o destino dos assassinados com que essa imprensa escrita nos faz compadecer, será que ela vai se voltar contra nós de novo? Será que esse inchaço jornalístico dos crimes que chocam a sociedade é para mobilizar somente as autoridades, não também a população?

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