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Protestos como os atuais no máximo só poderão cortar folhas doentes, deixando a raiz da doença política brasileira intacta.

Protestos como os atuais no máximo só poderão cortar folhas doentes, deixando a raiz da doença política brasileira intacta.

Brasília se degenera a um ritmo mais assustador do que em outras épocas. Enquanto a população protesta contra Marco Feliciano, Renan Calheiros e outros personagens bizarros da política brasileira, o regressismo (forma fortalecida do conservadorismo, que não simplesmente conserva o que não presta, mas também revoga avanços nos direitos humanos e socioambientais) corporativo, empreiteiro, latifundiário e teocrático vem completando sua dominação sobre os poderes Executivo e Legislativo federais e de diversos estados e cidades. Os protestos empreendidos hoje em dia podem até derrubar os nomes mais podres, mas infelizmente não conseguirão fazer nada além disso, nada que vá cortar a raiz do mal que ronda a capital federal e impedir de verdade a escalada da direita retrógrada.

Nesses dias cada vez mais nebulosos, donos de grandes terras, teocratas evangélicos e empresários poderosos se aliam com o Governo Federal e impõem seus interesses privados goela abaixo da sociedade. Hidrelétricas destruidoras avançam com o apoio repressor da polícia militar e das forças armadas, destruindo rios, florestas e culturas indígenas e ribeirinhas. . Corruptos condenados e internacionalmente procurados brindam no alto escalão do poder. Leis antiambientais e antilaicas passam a despeito dos protestos populares e fazem o Brasil correr cada vez mais o risco de virar uma teocracia pentecostal e ruralista…

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O rei da soja matogrossense Blairo Maggi ocupa um lugar de onde nunca deveria sequer se aproximar: a Comissão de Meio Ambiente do Senado

O rei da soja matogrossense Blairo Maggi ocupa um lugar de onde nunca deveria sequer se aproximar: a Comissão de Meio Ambiente do Senado

Leia também: Invocar protestos contra Blairo Maggi não significa recuar da mobilização contra Marco Feliciano

Enquanto o Brasil ferve para derrubar o pastor Marco Feliciano da presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara, um silêncio de cemitério generalizado permite que o ruralista Blairo Maggi, ganhador da Motosserra de Ouro do Greenpeace alguns anos atrás e hoje presidente da Comissão de Meio Ambiente (CMA) do Senado, trabalhe em paz aguardando, com seus colegas de latifúndio, a próxima lei ambiental para rejeitar e a próxima lei pró-ruralismo para aprovar.

Mal sabe o Brasil que o barão da soja Maggi assumiu a CMA quase na mesma época em que o fundamentalista Feliciano assumiu a CDHM, e que a comissão ambiental tem entre seus 17 titulares os ruralistas Garibaldi Alves Filho, Ivo Cassol, Kátia Abreu e José Agripino e tem o também ruralista Eunício Oliveira como suplente de seu “companheiro de latifúndio” Ivo Cassol, não contando, em contrapartida, com nenhum nome ligado direta e conhecidamente à politização da causa ambiental (fontes: site do Senado e Wikipédia).

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Como eu imaginava – e esperava, visto que não espero mais nada de realmente bom dela -, Dilma não vetou todo o Novo Código Florestal. Apenas doze artigos, dentre 84, foram vetados. Outros 32 ou 35 (a mídia varia entre esses dois números) artigos foram apenas modificados.

Diz-se que os artigos vetados ou modificados foram aqueles que aumentariam a permissibilidade legal ao desmatamento e anistiariam desmatamentos ilegais. Do jeito que vi a mídia falar, parece ter sido algo bom. Mas a verdade é que a população, em sua grande movimentação que já durava pelo menos dois anos, desde os abaixo-assinados para o Congresso até o #VetaDilma, queria que todo o NCF fosse vetado, sem qualquer sanção ou modificação paliativa.

E outra questão é que, apesar do “otimismo” sutil da imprensa, não há a certeza de que o veto parcial realmente foi algo que satisfaça minimamente a população, visto que até o momento o NCF, com os vetos, modificações e sanções, não foi divulgado ainda a público (se você leitor/a encontrar o NCF com vetos e modificações disponível para consulta, por favor, me avise via comentários e divulgue).

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Em meio de tantas esperanças que eu venho tendo e tentando plantar sobre o nosso poder de mudar o mundo, algo vem excepcionalmente me deixando impotente e desanimado: a luta pela preservação do atual Código Florestal, contra a reforma ruralista que querem impor.

O famigerado código já passou na Câmara sem dificuldades realmente grandes, e o Senado dá grandes perspectivas de que, logo quando for votado, ele será aprovado em sua versão atual. Não sei se vai ser caso de voltar à Câmara pra nova votação, mas, se for, deverá ganhar de lavada de novo. Daí só restaria a “boa vontade” de Dilma Rousseff, que todo esquerdista sobrevivente da cooptação empreendida por PT, PSB e PCdoB sabe que é na verdade uma péssima vontade em se tratando de governar para o povo.

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Eu falei que traria algo refletindo minha opinião e decepção sobre a aprovação do Código (Anti)Florestal a qual aconteceu no fim de noite de anteontem.

Na verdade nem precisei escrever, porque o irmão de consciência Raphael Tsavkko escreveu aquilo que já reflete minha posição. Aliás, ele atacou dois retrocessos dessa semana: o Código (Anti)Florestal e a suspensão, ordenada por Dilma, do kit educativo anti-homofobia (pejorativamente chamada pelos reacionários de “kit gay”).

Abaixo o trecho inicial do artigo de Tsavkko. O texto completo está no blog dele porque não quero remover parte da audiência do recomendadíssimo Blog do Tsavkko: The Angry Brazilian.

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Abaixo o trecho inicial da reportagem da Istoé do último 6 de maio, sobre por que certos parlamentares estão fazendo tanta questão de aprovar tão rapidamente o desmonte do Código Florestal:

Por que um grupo de políticos quer mudar o código florestal
Levantamento de ISTOÉ mostra que pelo menos 27 deputados e senadores tinham pressa em aprovar a nova lei para se livrarem de multas milionárias e se beneficiarem de desmatamentos irregulares

PARLAMENTARES NA MIRA DO IBAMA
Deputado Giovanni Queiroz (PDT-PA)
Foi multado por exploração em área de manejo florestal em período de chuvas, vetado por lei

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Reproduzindo aqui texto encaminhado por e-mail:

 

Por que o novo Código Florestal não é bom…
… ou “Quando os ruralistas dizem uma coisa, na verdade dizem outra”.

A votação do novo Código Florestal está marcada para esta terça 10 de maio. Há alguns minutos [ontem], Aldo Rebelo em entrevista a Heraldo Pereira na Globo disse estar tentando negociar com o governo os ajustes para que a votação do novo Código Florestal possa ser levada à votação e aprovada consesualmente.

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