Direitos Humanos

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04

set 2012

A irresponsabilidade ética e publicitária ao autorizar um anúncio de entidade religiosa fundamentalista não foi exclusiva da Folha de Pernambuco. O Diario de Pernambuco também cometeu a presepada, divulgando anúncio da mesma entidade fundamentalista “Pró-Vida PE”, “mas” com outro tema: a criminalização do direito da mulher de decidir sobre seu próprio corpo – em outras palavras, a tradicional oposição ao aborto.

Foto retirada da notícia do site da Exame, mas em circulação no Facebook

A propaganda, divulgada no último domingo dia 2, foi “diferente”, mas a falta de senso de responsabilidade publicitária foi a mesma. Não só se divulga a defesa dos fundamentalistas de criminalizar o direito da mulher de abortar em casos em que a criação do bebê não encontra condições psicológicas e socioeconômicas de se prover, mas também dá-se espaço de mídia – portanto, uma forte voz – ao fanatismo religioso e à intromissão do mesmo em questões concernentes ao Estado e aos direitos alheios. (mais…)

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10

fev 2012

Versão "do bem" da capa do Diario de Pernambuco de 10/02/2012, montada pelo site humorístico Diário Pernambucano

Introdução: breve histórico

Pelo visto, é guerra. Os grupos detentores dos jornalões do Recife resolveram centrar seu fogo nos protestos, liderados pelos estudantes universitários e secundaristas, contra o aumento das passagens de ônibus. No dia 02 de fevereiro, a Folha de Pernambuco começou a apelação com a enorme palavra “BADERNA” estampada, com fundo preto, na sua capa.

Oito dias depois, em 10 de fevereiro, dois jornalões mostraram suas garras: primeiro o Diario de Pernambuco, com a sugestibilíssima capa “A cidade não aguenta mais isso”, e em seguida o Sistema Jornal do Commercio de Comunicação, por meio do perfil do NE10 no Facebook, faz uma “enquete” altamente tendenciosa intitulada “Você também foi afetado no trânsito pelo protesto dos estudantes? Compartilhe conosco a sua história”. (mais…)

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18

jan 2012

Ontem pude ver que o Diario de Pernambuco está divulgando que já começou o movimento social contra o aumento das passagens de ônibus no Recife e região metropolitana, que já se avizinha para os próximos dias:

Estou de olho no Diario de Pernambuco que sairá depois de cada dia de protesto. Porque no ano passado o jornal demonstrou que é contra a expressão em rua dos movimentos sociais – priorizando a ordem e o trânsito em detrimento da reação da população contra atos de opressão (leia a partir do segundo post da página deste link).

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04

dez 2011

Desde outubro passado a mídia pernambucana vem se engajando em denunciar um dos aspectos literalmente mais imundos da produção estadual da carne (de qualquer tipo terrestre) que abastece restaurantes, açougues, mercados e feiras livres: a insalubridade e clandestinidade da parcela majoritária dos matadouros pernambucanos.  Isso leva aos onívoros a conclusão – embora ela não seja explicitada na imprensa, que reluta em sugerir o não consumo de carne – de que, por mais que resistam, algum dia lhes será estritamente necessária a reflexão sobre mudanças na sua dieta, orientadas para a interrupção definitiva da ingestão pelo menos de carnes. (mais…)

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14

abr 2011

Pouco mais de um ano e dois meses depois do assassinato de Alcides do Nascimento, foi a vez de Fernanda Mateus. Em ambas as vezes, os grandes jornais de Pernambuco expuseram, de forma amplificada, toda a dor não só de família e amigos das duas vítimas da violência urbana que castiga a população. Inflamaram a indignação da sociedade. Fizeram-na se revoltar ainda mais com o constante clima de insegurança e a incerteza se vai voltar para casa são e salvo. Mas isso tem um outro lado.

Quando o povo, ou pelo menos uma pequena fração dele, vai às ruas para externalizar sua insatisfação com o estado de coisas, o qual inclui o “mando” dos bandidos e a perspectiva de se perder mais outros Alcides e Nandas, parte dos mesmos jornais que o incitaram à revolta passam a criticar a ação dos próprios revoltados.

Em outras palavras, os mesmos jornais que incham o povo com notícias ardentes e revoltantes não o deixam estourar. Incitam a revolta com um motivo, mas não deixam que as pessoas se revoltem nas ruas com essa mesma causa. E isso talvez se aplique a qualquer situação, desde os jovens que a bandidagem mata até a passagem de ônibus que aumenta. O que, afinal, querem de nós?

Megafonam nos nossos ouvidos que é inadmissível deixar mais jovens morrerem por força das armas, que a exclusão social é uma doença da sociedade ou que o aumento das passagens não é algo tolerável. Mas se voltam contra nós quando protestamos nas ruas a gritar que não toleramos aumentos de preços e assassinatos, que não queremos mais atos estatais pró-exclusão – vide a expulsão dos ambulantes do Centro do Recife – ou que queremos segurança pública com mais poder de ação.

Ainda não tivemos manifestações nas ruas contra o fim que levam Nanda, Alcides e centenas de outros que deixaram de ter uma vida toda pela frente, mas nos exemplos que existiram – o aumento das passagens de ônibus e a limpeza social anticamelô de diversas ruas do centro recifense –, o Diario de Pernambuco, exemplo mais nítido dessa atitude contraditória, reprimiu ideologicamente os protestos causados pelas notícias que ele próprio veiculou (não exclusivamente).

Alusões enormes aos engarrafamentos e à insatisfação de parte da população pela interrupção do trânsito. Atenção ínfima e com muita má vontade às razões dos estudantes e trabalhadores que foram às ruas contra o reajuste e a expulsão. Só faltou chamar os manifestantes de “baderneiros” e “vagabundos” e incitar a polícia à repressão deliberada em prol da “ordem”.

Diante desse comportamento manipulador, anticidadão e até antidemocrático, me pergunto se o DP vai usar esse mesmo comportamento contra, digamos, os estudantes de universidades que hipoteticamente forem à Avenida Conde da Boa Vista exigir segurança e punição máxima contra os assaltantes e assassinos de universitários como os dois citados acima.

É aí que me pergunto: se formos às ruas para reagir contra o destino dos assassinados com que essa imprensa escrita nos faz compadecer, será que ela vai se voltar contra nós de novo? Será que esse inchaço jornalístico dos crimes que chocam a sociedade é para mobilizar somente as autoridades, não também a população?

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15

mar 2011

Para o Diario de Pernambuco, o que importa nos protestos são as consequências no trânsito e no comércio, nunca realmente as causas da revolta popular a movê-los. A implicação do jornal é mais uma vez vista na edição de 15 de março de 2011, na qual se queixa dos engarrafamentos, das demoras dos ônibus e dos transtornos no funcionamento do comércio do Centro do Recife e deixa-se em segundo plano o que motivou a manifestação do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto.

O Diario mantém sua tradição de deixar a cidadania e a democracia de lado em nome da ordem social tão aclamada pela direita conservadora e pelos brasileiros despolitizados em detrimento do direito à manifestação popular da insatisfação do povo com os problemas e opressões a que é submetido. Torna o tráfego de veículos muito mais importante do que a situação vulnerável dos sem-teto, desprovidos da garantia do direito à moradia e obrigados a ocupar prédios ociosos por não terem um lar que possam habitar e chamar de seu.

Cerca de dois terços da notícia foram reservados para falar das consequências negativas do protesto dos sem-teto à ordem do comércio e trânsito locais, repetindo a imagem, vista na época dos protestos contra o aumento das passagens de ônibus, de que as passeatas de rua são o lado inconveniente e intolerável da democracia brasileira. E novamente omitiu-se quem apoiou o protesto dos necessitados de moradia, dando-se destaque total a quem se queixou da temporária e parcial antiordem estabelecida.

Curiosamente essa preocupação enorme com a tal da ordem não foi vista no Carnaval. Nesse, a cobertura da festa foi exaltante ao máximo nas várias edições do jornal no feriadão, e comparativamente muito pouco se falou dos transtornos da festança à vida dos não-foliões e de muitos dos próprios foliões, ambos os quais precisaram usar as delegacias, hospitais, ônibus etc., serviços lotados ou mesmo danificados (no caso dos ônibus) pela quantidade de gente que brincava o carnaval e tornados ainda mais precários, quase indisponíveis, para quem preferiu ficar em casa, de fora da festa. Ou seja, quando é uma festa que faz o povão esquecer seus problemas e opressões, a postura é exaltar o evento. Quando é um protesto em prol de direitos e de justiça, a atitude é cascavilhar e repudiar tudo o que é ruim nele, ignorando a nobreza da sua causa.

Diz-se que o jornal tem o direito a manifestar sua opinião, mas seria decente se fosse apenas isso – uma opinião particular, não um esforço de manipular e influenciar os leitores a adotar a visão de mundo dos proprietários do jornal, conservadora e adepta de uma democracia apenas parcial. Bom seria se essa imprensa opinasse à sua maneira, mas sem fazê-lo em forma de tendenciosidade, parcialidade descarada e desprezo ao outro lado do fato (no caso, a legítima necessidade dos sem-teto e a solidariedade dos trabalhadores possuidores de lar para com eles).

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04

fev 2011

Depois de uma estranha mas desmascarável trégua em 28 de janeiro, o Diario de Pernambuco voltou, na edição de 4 de fevereiro, à sua posição reacionária anterior, de hostilidade e tendenciosidade contra os manifestantes que lutam para cancelar o aumento das passagens de ônibus na região metropolitana do Recife.

Como não fui para o protesto dessa vez, pude me pôr pela primeira vez no papel de leitor desinformável, e tive uma ideia de como uma pessoa desavisada que usa pouco senso crítico na leitura de jornais pode ter uma ideia distorcida de como foi o protesto do dia 03/02 no centro do Recife.

De acordo com o que li no DP, a passeata foi algo repudiado pela população, que lamentou muito o seu acontecimento por causa dos engarrafamentos e bloqueios causados. De tão impopular, não recebeu o apoio de ninguém, mesmo que o aumento das tarifas tenha sido economicamente muito desagradável ao povo – porque ninguém favorável ao ato foi entrevistado, novamente apenas pessoas contrárias.

E também “vi” que só estudantes participaram, não havendo trabalhadores de fora das faculdades e escolas. Ou seja, uma baderna de jovens estudantes que afrontam a população com sua revolta vã.

Resumindo, o evento foi um transtorno só para a cidade, tendo suas causas tão pouca relevância que não mereceram muitas referências na notícia.

A impressão que me fica é que pouco há a discutir – aliás, “nada” mais a discutir, segundo o próprio DP do último dia 28 – sobre as causas das passeatas dos manifestantes, sobre a política de aumentar anualmente as tarifas de ônibus sem que a qualidade do serviço evolua.

Mas muito sobre a validade do direito aos protestos de rua, mesmo sendo este uma garantia constitucional e um osso do ofício da vida em sociedade.

Pelo visto, em todos os dias seguintes aos protestos contra o aumento das passagens, o DP irá sempre alienar e desinformar seus leitores, dando-lhes a impressão de que ir às ruas contra injustiças é condenável, tudo de ruim, e incitando-lhes o ódio de classe contra os cidadãos que não podem nem querem continuar pagando caro pelos direitos de ir e vir, estudar e trabalhar. Continuará seu esforço de jogar cidadãos contra cidadãos, desmobilizar e despolitizar as pessoas e assim deixar o terreno livre para os governos e as empresas continuarem oprimindo a população sem oposição.

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01

fev 2011

Protesto de 13 de janeiro em frente à Secretaria das Cidades de Pernambuco. O secretário Danilo Cabral deu uma banana para o povo ao quebrar a promessa da reunião com representantes populares e o Diario de Pernambuco ainda justificou esse boicote.

Nota: Por ter tido apenas tardiamente a ideia de comentar a frase do título em um artigo, só me impeli a escrever o texto no final do dia 31/01, quase quatro dias depois da veiculação da notícia pelo jornal e pela versão online.

Diferente das outras ocasiões – protestos de 27/12, 11/01 e 13/01 –, quando usou o noticiário para fazer panfletagem reacionária contra o direito dos estudantes e trabalhadores de promover protestos de rua, o Diario de Pernambuco de 28/01 mudou o tom e passou a prestar uma inédita atenção, ainda que parcialmente, aos manifestantes e sua causa, dedicando-se a ouvi-los e compreender os motivos de sua insatisfação – os aumentos das passagens de ônibus e dos salários dos parlamentares – e deixando de dar aquela ênfase total de outrora aos engarrafamentos.

A aparente mudança de atitude seria elogiável, ainda que o veículo tenha na verdade feito sua obrigação em prestar nesse momento um jornalismo razoável com respeito aos fatos e sem tendenciosidade, se não fosse a última frase do texto, que terminou maculando, se não anulando, o esforço do jornal de respeitar a nossa cidadania e democracia. O DP encerra a notícia com o seguinte dizer: “Em resposta aos estudantes, a Secretaria das Cidades informou que aguardava o posicionamento do MP para dar o respaldo aos manifestantes. Como o parecer foi favorável, não há mais o que ser discutido.” (grifo meu)

Não é novidade entre os mais entendidos de jornalismo pernambucano a suspeita que o Diario tem uma aliança tácita com o governo estadual, e esse trecho final acaba dando evidência à chapa-branca. Isso porque, pela altamente sugestiva frase final, tenta convencer os leitores de que não há mais o que se discutir em relação ao aumento das passagens e mesmo à qualidade do transporte público que temos. Declara extraoficialmente “fim de jogo” para os manifestantes, que passariam a não ter mais motivos para se opor à inflação das tarifas e consequentemente protestar nas ruas para incomodar e pressionar o governo.

É aquele caso em que uma única palavra fez toda a diferença. Se estivesse escrito “não haveria mais o que ser discutido”, poderíamos considerar a reportagem honesta, por apenas descrever neutramente a postura sacana do secretário Danilo Cabral. Mas o foi decisivo para escancarar que a posição do jornal foi declarar que os manifestantes perderam definitivamente a guerra contra o aumento e, logo, não tinham mais motivos para ir às ruas.

Em resposta a essa postura, me autorizo a dizer em nome dos cidadãos opostos à tunga financeira que os empresários de ônibus e o governo do estado nos impõem: editores e diretores do Diario, vocês estão errados. Há tudo para ser discutido. (mais…)

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14

jan 2011

O esperado aconteceu de novo: o Diario de Pernambuco voltou a destilar ódio reacionário contra as manifestações de rua dos estudantes e trabalhadores. O jornal de 14 de janeiro seguiu a linha das edições de 28/12/10 e 12/01/11 e demonstrou a plena oposição do jornal aos protestos que visam afrontar os aumentos dos salários dos parlamentares e das tarifas de ônibus da região metropolitana do Recife.

E dessa vez, ao contrário da edição do último dia 12, quando o jornal pareceu estar representando os que foram afetados pelos engarrafamentos causados pela passeata, a atitude foi simplesmente o ataque cego, sem dar espaço bastante a citações dos motoristas congestionados.

Entre outras atitudes tendenciosas da notícia intitulada “Mais uma tarde de caos no trânsito”, notaram-se o reducionismo que restringiu o atores da passeata a “entidades estudantis, (…) alguns movimentos e partidos de esquerda”, excluindo os diversos trabalhadores que participaram e discursaram no microfone do carro de som; a exclusão do segundo grande tema da atividade – o aumento dos salários dos poderes Legislativo e Executivo –; a omissão quase total dos motivos da mesma; o realce extremo das suas consequências negativas; a ridicularização do Comitê Contra o Aumento das Passagens, em dizer que ele era simplesmente um “grupo que se apresenta como um comitê contra os aumentos”; e a desfaçatez de dizer que os manifestantes foram (só) vaiados, ignorando-se que houve muito mais aplausos e acenos de apoio do que sinais de repulsa por parte da população.

E destacou-se o seguinte trecho: “No cruzamento entre as duas vias o grupo fez mais um bloqueio. Um motoboy tentou negociar com os estudantes. Disse que estava muito atrasado. Não foi ouvido e, quando tentou passar, foi agredido. A Polícia Militar teve que intervir.” Com tanta manipulação na notícia, é de se duvidar se isso aconteceu exatamente assim. Os manifestantes não foram ouvidos pelo Diario, para se poder confrontar as versões do fato. E se o motoqueiro tentou passar por cima, conforme relatos de diversos manifestantes? Essa possibilidade o Diario nunca vai cogitar.

E de novo não houve qualquer abertura por parte do jornal para se discutir as causas da manifestação, para se falar dos salários dos políticos e da qualidade do transporte coletivo, para se sugerir meios alternativos de protesto e pressão que não causem transtornos urbanos, para se dar sequer uma pista de como a sociedade pode agir de modo a não haver mais (a necessidade de se fazer) novos protestos no futuro. Em vez de tentar integrar socialmente a classe média, seu principal público-alvo, aos mais necessitados, joga-a contra eles de forma muito grosseira.

O Diario, assim, reitera sua posição reacionária, adversa aos movimentos sociais, ao exercício militante da cidadania e ao direito constitucional dos cidadãos à promoção de protestos de rua. Sua atitude se assemelha à posição assumida por José Serra em relação aos movimentos socioagrários. O ex-candidato a presidente, nos guias eleitorais e debates, criticava o MST e dizia que o Brasil governado por ele seria marcado pela “paz no campo”, sem conflitos agrários, mas não dizia como queria concretizar isso, se iria reprimir e calar os sem-terra. E da mesma forma o DP não diz o que fazer para haver um amanhã sem protestos e constrangimentos à vida urbana, parecendo, em última análise, defender implicitamente o silenciamento pela repressão policial.

Os cidadãos se perguntam: o que o Diario de Pernambuco quer, afinal de contas, ao abordar os protestos dos estudantes e trabalhadores de forma tão negativa, irrazoável e odienta? De quem ele está a serviço, para desqualificar de tal maneira a oposição popular aos abusos vindos do (ou consentidos pelo) poder público? Uma coisa, porém, é certa: o jornal está perdendo o respeito de milhares de leitores seus.

E, para encerrar este terceiro artigo contra a postura abusiva do DP, dou um alerta aos leitores do jornal: preparem-se para a possível chegada de editoriais e artigos carregados de reacionarismo e direitismo radical, no esforço de desqualificar mais ainda o exercício da cidadania protestante, nas próximas edições. Se nas notícias já esbanjam tanta raiva das manifestações de rua, imaginemos o que as seções de opinião explícita estão guardando para nós.

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12

jan 2011

Atualizado em 12/01/11 às 20:25

Chama atenção a nova onda de cidadania ativa que, abalando o centro do Recife, expressa a intolerância de parte do povo aos abusos vindos do poder público. Por outro lado, algo que também vem atraindo os olhares atentos da população é a atitude do Diario de Pernambuco, que vem tratando com verdadeiro ódio e patente tendenciosidade as manifestações de rua ocorridas no velho centro.

Repetiu-se, na edição de 12 de janeiro, o papelão da publicação do dia 28 de dezembro, em que se havia dedicado a notícia intitulada “Manifestação tumultua centro” para atacar o protesto cidadão contra o alto aumento dos parlamentares federais e estaduais. Mas dessa vez de forma ainda mais enfaticamente agressiva e repudiatória, praticamente sensacionalista.

Na primeira página (manchete “Quando o protesto sai pela culatra”) e na notícia chamada “Mais uma vez, a cidade refém”, deu-se ênfase máxima aos engarrafamentos que a paralisação sequencial das avenidas Conde da Boa Vista e Cais de Santa Rita causou, e reservou-se apenas uma descrição residual às causas e às consequências positivas do protesto. O leitor de mais senso crítico percebe que o Diario desistiu de posar de mídia imparcial e passou a investir num ponto de vista tornado óbvio – a apologia à ordem sociopolítica em detrimento da cidadania e da democracia.

Foi-se ainda mais longe do que os veículos integrantes do “PIG”, que ainda fingem imparcialidade por dar ao outro lado o direito ao gol de honra: a notícia em questão só mostrou pessoas que sofreram com os engarrafamentos. Só exibiu declarações e situações de quem discordou da manifestação. Só um lado foi mostrado. Totalmente omitidos foram os estudantes e trabalhadores que participaram do ato. E nem mesmo os transeuntes que simplesmente compreendiam a motivação do protesto tiveram voz na edição final desse DP.

Desde a capa, só se mostrou o congestionamento, os carros parados, a angústia de quem perdeu o compromisso, as grandes vias paradas, o transtorno causado à cidade. Sem falar que a primeira página chama o protesto de “pequeno” e diz que havia “poucos estudantes e militantes de esquerda”, ignorando a presença de trabalhadores sem ideologia declarada.

E quase nada sobre o motivo que levou aquelas centenas de jovens e adultos às ruas – as passagens cada vez mais caras, o transporte coletivo estavelmente ineficiente e desconfortável e os interesses de quem engessa propostas como o VLT e o passe livre custeado por impostos. Zero sobre a essência democrática e constitucional do ato. Ignorou-se que o protesto de rua, aquele que causa engarrafamentos e divide opiniões, é parte dos ossos do ofício de qualquer democracia do planeta.

Esqueceu-se de que, para não haver (a necessidade de) protestos, basta não haver opressão. Reclamou-se muito e muito da afetação temporária do direito de ir e vir dos motoristas de carros, mas omitiu-se por completo que o mesmo direito de ir e vir de quem depende dos ônibus – pessoas muito mais numerosas e necessitadas – é atacado e ameaçado permanentemente, todos os anos.

E preferiu-se, com ódio evidente, atacar o protesto e suas consequências a aproveitar o momento de discutir por que a cada ano temos que ver passagens aumentando e protestos paralisando a cidade. Não houve esforço nenhum de abordar a causa de todo o transtorno alardeado – a desproporcionalidade entre aumento dos preços e evolução da qualidade dos transportes públicos, a falta de linhas de VLT, a não realização de licitações, a limitação do metrô de superfície, a retirada de recursos como ar-condicionado e TVs etc. O DP reclamou tanto mas não deu receita nenhuma de como termos um futuro sem protestos recorrentes, sem os constrangimentos de chocar a insatisfação de parte do povo e a rotina da cidade.

Com tamanho papelão antidemocrático, o Diario de Pernambuco reincidiu em investir, dessa vez de forma recrudescida, contra a democracia e a cidadania ao satanizar o protesto e recusar atenção àqueles cujo grande “crime” foi ser cidadãos. O jornal segue no seu esforço de desmobilizar e despolitizar os leitores, induzindo-lhes a crença de que só basta o direito-dever da eleição para se fazer um Estado democrático. Deixa de lado quase 190 anos de credibilidade para se tornar um arauto do reacionarismo, um porta-voz de quem odeia a democracia em sua essência.

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