Artigo
19

dez 2015

educacao-ambiental-e-politica

Um dos princípios mais fundamentais da Educação Ambiental é sua natureza política, que visa intervir no mundo para acabar com injustiças, defender o bem público, fazer valer a democracia e afrontar interesses privados egoístas. É muito evidente, portanto, que EA que se preze promove também politização. (mais…)

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17

jul 2015

Os protestos contra Belo Monte em 2011 foram um exemplo de interseção entre o ambientalismo e diversas bandeiras sociais. É essa interseção que eu (também) pretendo estudar e ensinar em minha carreira acadêmica

Os protestos contra Belo Monte em 2011 foram um exemplo de interseção entre o ambientalismo e diversas bandeiras sociais. É essa interseção que eu (também) pretendo estudar e ensinar em minha carreira acadêmica

Tenho a pretensão de me tornar professor universitário nas áreas de Sociedade & Meio Ambiente e Educação Ambiental – além de algum outro ramo muito politizado da Sociologia. Almejando isso, me preocupo em ler bastante teoria socioambiental e desejo frequentar eventos centrados nessa área de conhecimento. Tenho nisso, além de um propósito profissional acadêmico, fortes ideais e desejos para o meio ambiente – incluindo desde as menos tocadas matas virgens até os centros das maiores supercidades.

A utopia do ecófilo

Considero-me um entusiasmado utopista, vislumbrador de um futuro bonito que não sabemos se será de fato viável na história da humanidade. Creio na possibilidade de construirmos um mundo onde a economia humana seja solidária e igualitária, livre de hierarquias, fruto da superação do capitalismo. Nesse mundo, as atividades humanas não terão mais impactos ambientais catastróficos, e tudo será o mais sustentável possível, com pegadas ecológicas mínimas e, se possível, até alguns impactos ecológicos positivos.

Essa utopia, importante dizer, é vegana. Nela a exploração animal não será admitida. Será reconhecido como um absurdo ético tratar seres sencientes como coisas ou escravos sob propriedade humana. Com isso, produtos – incluindo alimentos – de origem animal serão apenas memórias de um passado lamentado, peças de museus.

E não existirá mais a dicotomia “cultura dominante vs. natureza dominada”. Nem ela irá mais ser usada como “justificação” moral para seres autoarrogados “da cultura” oprimirem seres considerados “próximos da natureza”.

Nisso eu tendo a crer que esse futuro não será governado por Estados. Pelo menos ainda, não me considero anarquista, mas creio que, em algum dia talvez distante, as sociedades não precisarão mais condicionar parte de suas condutas ético-morais ao controle violento vindo de uma polícia e aos ditames dos três poderes. Nessa realidade vislumbrada, a democracia será o mais literal “governo pelo/do/para o povo” possível, baseado em valores solidários, éticos, com conciliação entre o coletivo e o indivíduo.

A sustentabilidade ambiental-social-econômica será “reinante” nessa realidade sem Estados, considerando os fortes laços entre os anarquismos pró-coletivos e a harmonização entre os humanos e a Natureza não humana. Mas, nesta época de fortalecimento da direita no Brasil e outros locais do mundo, não faço ideia de como poderá haver uma transição desses pesados reinados conjuntos do Estado e do Mercado para um mundo anarquista.

Levo em conta meus sonhos utópicos quando faço meus trabalhos – blogs, canal de vídeos, colaboração em outros blogs e sites, palestras etc. E os trarei comigo para a(s) universidade(s) onde trabalharei, fazendo do meu utopismo uma das forças motrizes de minha vocação. E isso incluirá especial e carinhosamente esforços meus em prol da socialização e politização da causa ambiental.

As preocupações em minha abordagem ambiental

Algo que já vislumbro hoje é contribuir para a conscientização ambiental politizando-a consistentemente. Quero desconstruir a tradicional crença na consciência ecológica como a soma de partes individualmente preocupadas em usar menos as torneiras, economizar eletricidade, separar lixo reciclável e assinar petições.

Me impulsiono em deixar claro que consciência ambiental é muito mais do que isso. Que é principalmente ação sociopolítica coletiva contra quem lucra com a destruição dos ecossistemas, a exaustão dos recursos naturais e o incentivo ao consumismo.

Preocupo-me também em contribuir para que a tão comum postura do “Ferrou, estamos perdidos!” seja substituída pela atitude punhos-cerrados-ao-alto do “Você pode fazer algo, ou melhor, nós podemos fazer juntos”. Acredito que o alarmismo, que tanto diz que estamos a poucos minutos de um armagedom ambiental global, fracassou em sua tentativa de conscientizar as pessoas em torno da urgência da atenção às questões ambientais.

Ele não alenta as pessoas sobre ações que elas podem tomar para intervir no quadro contemporâneo. Não as reconhece como agentes políticas que possam fazer
mais do que recorrer a práticas individuais, abaixo-assinados e e-mails a parlamentares. E corre o risco de fazer um gol contra olímpico e induzir comportamentos hedonistas e alienados, baseados na crença de que “já que está tudo rumando à perdição, vou então curtir esse ‘fim do mundo’ e fazer o que me der na telha”. Portanto, creio que o melhor a fazer é empoderar sociopoliticamentr as pessoas, ao invés de bancar o “arauto do apocalipse”.

Além do mais, percebo que, apesar de ter havido muitos avanços e amadurecimentos na teoria da Educação Ambiental nessas décadas de ascensão do ambientalismo, muito se insiste ainda em tradições antiquadas de “educação ambiental minúscula”. Ainda é comum, por exemplo, a EA de uma escola ser concentrada nas disciplinas de Biologia e Geografia, enquanto matérias potenciais aliadas do meio ambiente, como Filosofia e Sociologia, ignoram sua existência. E isso começa mesmo nos cursos de licenciatura.

Por exemplo, meu atual curso de graduação, a licenciatura em Ciências Sociais na UFPE, até hoje (em minna estadia) não dedicou sequer uma página de texto, uma meia-dúzia de minutos de aula em anos, para a importância da incorporação da Educação Ambiental no ensino de Sociologia nas escolas e nas instituições de ensino superior.

Pretendo, no futuro, ajudar a mudar esse quadro. Adorarei contribuir para que o curso de Ciências Sociais na(s) universidade(s) onde ensinarei valorize a Educação Ambiental, e que ela seja devidamente conectada às bandeiras sociais e à ação política dos cidadãos.

Meus princípios éticos e sonhos me fazem vislumbrar esses objetivos em minha futura vida profissional acadêmica. Trabalharei como for preciso por uma universidade e sociedade “ambientalizadas” e pelo avanço da politização do ambientalismo. Mesmo que eu não viva o suficiente para viver na utopia com a qual sonho, ficarei feliz em saber que terei feito minha parte, a saber, induzir outras pessoas a fazerem as suas.

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18

jul 2014

O conservacionismo individualista precisa ser superado na Educação Ambiental, e ser suplantado pela problematização sociopolítica

O conservacionismo individualista precisa ser superado na Educação Ambiental, e ser suplantado pela problematização sociopolítica

Uma postura muito equivocada entre educadores ambientais e entre muitas outras pessoas que se dizem “ambientalmente conscientes” é individualizar demais e despolitizar a busca pela sustentabilidade. Fala-se muito de posturas individuais que economizam alguns litros de água, quilowatts-hora de eletricidade e/ou quilos de lixo por dia, mês ou ano. Mas pensa-se de menos nos reais grandes degradadores ambientais e gastadores de recursos naturais e nas raízes sociopolíticas dessa degradação. Essa inversão de prioridades por parte de muitos defensores ou simpatizantes da sustentabilidade é um atraso enorme e tende a inviabilizar o próprio ideal de sociedade sustentável, e por isso precisa ser superada. (mais…)

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11

jan 2014

Pessoas em situação de risco social não vão ter disposição de pensar sobre a Mata Atlântica ou a poluição dos rios enquanto estão com medo de apanhar de maridos machistas ou tudo o que querem no momento é sum simples prato de comida.

Pessoas em situação de risco social não vão ter disposição de pensar sobre a Mata Atlântica ou a poluição dos rios enquanto estão com medo de apanhar de maridos machistas ou tudo o que querem no momento é um simples prato de comida.

Agradecimento especial à minha namorada Danielle, que me forneceu a ideia central deste artigo

Fala-se muito em levar a Educação Ambiental aos mais pobres e a outras parcelas da população em situação de risco social, de modo que ajustem seus hábitos cotidianos para que estes se tornem mais “ecoamigáveis” . Mas geralmente essa EA que se sugere estender a essas pessoas, conservacionista e individualista, não é adequada à vida delas, por sua incompatibilidade com a dura (sobre)vida que levam e por ser excludente – uma vez que não reconhece seus problemas sociais e a ligação destes com a própria questão ambiental. (mais…)

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20

nov 2012

Educação Ambiental não é simplesmente instruir educandos a abraçar uma árvore, mas também, fundamentalmente, formar pessoas que, coletivamente, impeçam os poderosos de derrubá-la e evitem comer aquilo que vai implicar sua derrubada.

De educação ambiental, em minúsculo mesmo, que se restringe a adestrar as pessoas e lhes imperar comportamentos individua(l)i(sta)s e omite o veganismo o mundo está cheio. Tanto no sentido de repleto como no de saco cheio. Percebe-se cada vez mais que esse modelo de e.a. (de novo em minúsculo) é inócuo perante um mundo cujos maiores problemas ambientais são aquilo que tal modelo deixa passar – a cultura individualista que inibe mobilizações coletivas, o capitalismo com seu paradigma de consumismo e progresso econômico infinito e o consumo de produtos de origem animal.

Ainda hoje abundam as iniciativas de e.a. conservacionista e individualista, meramente recomendando ações individuais – como economizar a água do chuveiro e das pias; racionalizar o consumo de eletricidade; preferir produtos reciclados, orgânicos e/ou certificados e consumir apenas aquilo que inspira necessidade verdadeira. Mas por outro lado, mesmo 35 anos depois de Tbilisi e 20 depois da Eco-92, ainda parecem ser pouco comuns as iniciativas intra e extraescolares de Educação Ambiental (essa sim com iniciais maiúsculas) que prezem pela profundidade, usem de transversalidade multi e interdisciplinar e incentivem diretamente a mobilização coletiva e política e o questionamento do sistema capitalista como um todo. (mais…)

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05

maio 2012

A Prefeitura de Riberão Preto/SP anunciou, no final de abril, que o edital de licitação para construção de um “recinto” onde será mantida em confinamento a elefanta Mayson, resgatada de um circo e mantida em um abrigo provisório no zoológico da cidade desde outubro do ano passado.

O confinamento, que não é um destino mais feliz à elefanta do que o circo de onde foi resgatada, terá 1.500 metros quadrados, muros de concreto armado e um fosso de segurança para mantê-la aprisionada, além de um lago para banho.

Afirma-se que a elefanta vai “participar” de um projeto de educação ambiental desenvolvido no zoológico. É de se perguntar, porém, que educação ambiental é essa que nega aos animais a integração a seu habitat natural e tenta “educar” crianças e adolescentes com a “lição” de que os animais não humanos podem ser mantidos sob aprisionamento como propriedade dos humanos, ao invés de livres.

Como representante dos Direitos Animais, o mestrando em Ciência da Engenharia Ambiental da USP Gabriel Clemente questionou a prefeita de Ribeirão Preto, Dárcy Vera, afirmando que o confinamento é um destino totalmente inapropriado para Mayson. Defende ele: “Não sou contra a Mayson em Ribeirão, mas defendo que ela fique em um espaço adequado, como um santuário. Da forma como estão fazendo, a Mayson vai sair de um circo e ir para outro, se tornando uma atração para os humanos. O foco tem que ser a qualidade de vida dos animais”.

De fato, na inviabilidade de Mayson voltar a seu lugar de origem, o santuário deveria de fato ser a única opção a ser vislumbrada pela Prefeitura de Ribeirão Preto, e não transferi-la de uma prisão para outra.

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17

jul 2011

Um texto que, ainda que pequeno, me obrigou a rever os conceitos do papel conscientizador que sempre atribuí ao Consciencia.blog.br, do blog Educação Ambiental Crítica.

 

A Educação Ambiental NÃO conscientiza ninguém!
por Bárbara de Castro Dias, do blog Educação Ambiental Crítica

Ao trabalharmos Educação Ambiental devemos nos preocupar em não reproduzir certos jargões ambientalistas, como, por exemplo, o uso da palavra conscientização. Isto se deve [ao fato de que] a Educação ambiental não tem como objetivo conscientizar, ela visa [sim] sensibilizar e motivar os envolvidos para o despertar em relação aos problemas socioambientais. A conscientização é intrínseca [a] cada um, e este processo só pode ser conseguido sozinho. (mais…)

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25

maio 2011

Publiquei agora há pouco a página estática reservada ao meu pensamento ambiental:

Minha teoria ambiental: o que penso hoje sobre o meio ambiente

O texto é grande, visto que abrange resumidamente grande parte do meu ideário ambiental(ista), mas, se você quiser saber minhas opiniões e ponto de vista sobre o tema meio ambiente, chegue lá para ler. Quem sabe você simpatize e até assimile algo.

O texto também servirá como meu fundamento teórico, minha “bússola” ideológica para minhas futuas ações e escritas envolvendo a temática ambiental. Se até hoje minhas postagens ambientais eram esparsas e se centralizavam na questão do desmatamento de Suape, é muito provável que minha opinião vá se tornar mais abrangente e cobrir muito mais assuntos.

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06

maio 2011

Ler Os mitos da racionalidade e do livre-arbítrio do onivorismo (Parte 1)

A segunda e final parte da refutação de seis mitos das alegações sobre a alimentação onívora ser fruto de livre vontade e escolha racional.

***

4. Comer carne é uma ação estritamente de foro íntimo

Ações que impliquem direta ou indiretamente consequências positivas ou negativas para outrem não são de foro íntimo, de forma alguma. Se algo passa a fazer bem ou mal para outra pessoa, um animal não humano, uma coletividade humana ou um ecossistema, mesmo sendo uma tradição, não é mais uma ação de cunho individual e privado. Torna-se algo de interesse público, mesmo sendo esse “público” um único indivíduo dotado de direitos. (mais…)

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05

maio 2011

Obs.: Este artigo não defende a pregação do veganismo de forma invasiva e inoportuna. Não é conveniente fazer o veganismo incorrer na mesma coerção social do consumo de alimetnos de origem animal.

Um dos argumentos mais usados pelos onívoros para tentarem proteger das críticas e conscientizações pró-vegetarianismo seu hábito de consumir alimentos de origem animal é que os vegetarianos militantes estariam “impondo” uma nova alimentação e violando a “liberdade alimentar” da sociedade. Dizem assim que a conscientização vegetariana estaria desrespeitando as pessoas onívoras e que o certo seria deixá-las continuar comendo carne, laticínios, ovos etc. livres de críticas e lições ético-ambientais. (mais…)

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