Antimilitarismo
12

jan 2016

falacia-batman

É comum pessoas de convicções reacionárias responderem a quem critica a abusiva polícia militar brasileira e defende sua reforma institucional e desmilitarização com a frase “Se não gosta da polícia, chama o Batman”. Esse argumento, além de falacioso, coloca pedras pesadas no caminho do Brasil rumo a se tornar um país mais seguro e pacífico. (mais…)

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17

set 2015

Pérola de direita que usa o malfadado "argumento do iPhone" contra alguém que (supostamente) critica o capitalismo

Pérola de direita que usa o malfadado “argumento do iPhone” contra alguém que (supostamente) critica o capitalismo

Há anos é usado o argumento de que pessoas de esquerda que possuem objetos típicos de pessoas de classes socioeconômicas privilegiadas, como o celular iPhone, são “hipócritas” e “não têm moral” para criticar o capitalismo. Essa tentativa de desqualificar a argumentação da esquerda, conhecida como “argumento do iPhone”, nada mais é do que uma descarada falácia. Em outros termos, um argumento que já nasce inválido e falha em defender que a direita capitalista “tem razão”. (mais…)

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28

ago 2015

Exemplo de imagem que cai na falácia das fotos localizadas

Exemplo de imagem que cai na falácia das fotos localizadas

Editado e atualizado em 20/12/2016. Removi as referências ao antiveganismo e só deixei o exemplo do falso contraste entre capitalismo “bom” e socialismo “ruim”.

Provavelmente você já viu uma foto assim.

De um lado, uma cidade cheia de luzes e prédios “bonitos” do centro financeiro de alguma megacidade, simbolizando a “glória” do capitalismo.

Do outro, uma favela, numa foto que realça as condições de miséria no local fotografado, como se exemplificasse um alegado empobrecimento generalizado causado pelo socialismo ou por outras políticas quaisquer de esquerda.

Essa estratégia, na verdade, é uma falácia, ainda que não seja hoje muito conhecida como tal.

É a falácia das fotos localizadas.

 

No que consiste esse tipo de falácia?

A falácia das fotos localizadas costuma ser utilizada, como se fosse um argumento bom e plausível, na tentativa de ilustrar e endossar argumentos de pessoas de direita defensoras do capitalismo.

Essa falácia consiste em comparar duas fotos: uma que favorece e “comprova” o ponto de vista do argumentador e outra que prova como a antítese desse ponto de vista é algo absurdo.

Ocorre, por exemplo, quando um defensor do capitalismo usa uma foto de um centro urbano esplendoroso, cheio de luzes, prédios e tecnologia avançada, como a downtown de Tóquio, e a contrasta com uma imagem de um local degradado, como uma favela de localização não determinada ou um beco deteriorado em Havana, capital de Cuba, rotulada como sendo de um “país socialista”.

Esse exemplo é usado para tentar argumentar que o capitalismo é “inquestionavelmente melhor” do que o socialismo. Afinal, segundo teorizam, cidades capitalistas seriam sempre belas, modernas e prósperas graças ao império do capital. Isso ao mesmo tempo em que cidades de países governados por políticos de esquerda seriam empobrecidas, antiquadas, malconservadas e decrépitas especificamente por estarem submetidos a um governo socialista.

 

Por que é uma falácia

 

Essa estratégia é falaciosa porque usa características bem localizadas, como se pudessem retratar todo o universo existente, respectivamente, de cidades capitalistas ou socialistas.

Essa é uma falácia já conhecida no meio acadêmico. É a chamada falácia cata-cereja, que usa dados esperta e cuidadosamente selecionados, como a foto noturna de um centro de megacidade capitalista contrastada com a de uma favela supostamente localizada na periferia de uma cidade de país “socialista”, para tentar endossar um determinado argumento, ignorando todas as evidências que lhe são contrárias.

A falácia ocorre aqui porque a foto do luminoso centro de megacidade corresponde a uma minoria da extensão territorial total dessa mesma cidade.

Em milhares de cidades situadas em países capitalistas ao redor do mundo, há bairros centrais ou periféricos bem cuidados, luminosos e “desenvolvidos” dividindo a extensão territorial municipal com locais, seja do próprio centro ou da periferia, maltratados pela ação do tempo e pela falta de revitalização.

Mesmo cidades que são tidas como foco do capitalismo globalizado, como Nova York, São Paulo, Londres, Tóquio, Roma, Pequim, Xangai, Berlim, Rio de Janeiro e Cidade do México, têm localidades padecendo com a carência de políticas públicas ou privadas de conservação e revitalização.

Por outro lado, há bairros bonitos e aparentemente prósperos em cidades de países considerados socialistas. O exemplo mais conhecido é Pyongyang, capital da Coreia do Norte, com bonitos edifícios na paisagem. E até certo ponto, é possível encontrar também fotos bonitas de cidades socialistas do passado, como Moscou na década de 70, quando era a capital da União Soviética, ostentando o padrão de “cidade moderna” da segunda metade do século 20, e uma foto bem tirada da noite de Havana.

No final das contas, tanto os países capitalistas como os “socialistas” possuem incontáveis contrastes entre locais belos e luminosos e regiões feias ou empobrecidas. E as fotos nada revelam sobre ambos os casos, exceto que em todos eles há desigualdade e seletividade nas políticas de gestão urbana e distribuição de renda.

Pelo contrário, é possível até usar essa estratégia para criticar o capitalismo, se eu tirar, por exemplo, uma foto da Avenida Paulista, em São Paulo, e colocá-la junto da imagem de uma favela da periferia da mesma cidade.

 

Considerações finais

Usar fotos contrastantes entre bairros ricos bonitos e bairros pobres feios nada depõe a favor do capitalismo e das políticas de direita. Pelo contrário, pode até depor contra a ordem desigual e injusta que ambos impõem aos seres humanos.

Então, se você compara o luminoso centro de Nova York com o beco degradado de Havana, reveja o uso desse argumento. Ou então, prepare-se para ser confrontado com, digamos, fotos de regiões degradadas da periferia da mesma Nova York e bonitos cartões postais do centro de Havana, ou mesmo dos bairros de elite de Pyongyang.

Reflita se o capitalismo é tão difícil de se defender ao ponto em que você precisa usar artifícios falaciosos para mostrar como é “bom” um sistema que permite a existência de centros superurbanos e bairros de elite em contraste com favelas e outros bairros muito pobres e degradados.

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