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18

jan 2012

Ontem pude ver que o Diario de Pernambuco está divulgando que já começou o movimento social contra o aumento das passagens de ônibus no Recife e região metropolitana, que já se avizinha para os próximos dias:

Estou de olho no Diario de Pernambuco que sairá depois de cada dia de protesto. Porque no ano passado o jornal demonstrou que é contra a expressão em rua dos movimentos sociais – priorizando a ordem e o trânsito em detrimento da reação da população contra atos de opressão (leia a partir do segundo post da página deste link).

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19

dez 2011

Os terminais integrados do SEI eram originalmente planejados para trazer mais comodidade e rapidez para o transporte público do Recife e região metropolitana. Mas isso pode mudar no mês que vem: ao invés de comodidade e rapidez, um terminal SEI que está para abrir trará inconveniente e lentidão. (mais…)

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04

fev 2011

Depois de uma estranha mas desmascarável trégua em 28 de janeiro, o Diario de Pernambuco voltou, na edição de 4 de fevereiro, à sua posição reacionária anterior, de hostilidade e tendenciosidade contra os manifestantes que lutam para cancelar o aumento das passagens de ônibus na região metropolitana do Recife.

Como não fui para o protesto dessa vez, pude me pôr pela primeira vez no papel de leitor desinformável, e tive uma ideia de como uma pessoa desavisada que usa pouco senso crítico na leitura de jornais pode ter uma ideia distorcida de como foi o protesto do dia 03/02 no centro do Recife.

De acordo com o que li no DP, a passeata foi algo repudiado pela população, que lamentou muito o seu acontecimento por causa dos engarrafamentos e bloqueios causados. De tão impopular, não recebeu o apoio de ninguém, mesmo que o aumento das tarifas tenha sido economicamente muito desagradável ao povo – porque ninguém favorável ao ato foi entrevistado, novamente apenas pessoas contrárias.

E também “vi” que só estudantes participaram, não havendo trabalhadores de fora das faculdades e escolas. Ou seja, uma baderna de jovens estudantes que afrontam a população com sua revolta vã.

Resumindo, o evento foi um transtorno só para a cidade, tendo suas causas tão pouca relevância que não mereceram muitas referências na notícia.

A impressão que me fica é que pouco há a discutir – aliás, “nada” mais a discutir, segundo o próprio DP do último dia 28 – sobre as causas das passeatas dos manifestantes, sobre a política de aumentar anualmente as tarifas de ônibus sem que a qualidade do serviço evolua.

Mas muito sobre a validade do direito aos protestos de rua, mesmo sendo este uma garantia constitucional e um osso do ofício da vida em sociedade.

Pelo visto, em todos os dias seguintes aos protestos contra o aumento das passagens, o DP irá sempre alienar e desinformar seus leitores, dando-lhes a impressão de que ir às ruas contra injustiças é condenável, tudo de ruim, e incitando-lhes o ódio de classe contra os cidadãos que não podem nem querem continuar pagando caro pelos direitos de ir e vir, estudar e trabalhar. Continuará seu esforço de jogar cidadãos contra cidadãos, desmobilizar e despolitizar as pessoas e assim deixar o terreno livre para os governos e as empresas continuarem oprimindo a população sem oposição.

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01

fev 2011

Protesto de 13 de janeiro em frente à Secretaria das Cidades de Pernambuco. O secretário Danilo Cabral deu uma banana para o povo ao quebrar a promessa da reunião com representantes populares e o Diario de Pernambuco ainda justificou esse boicote.

Nota: Por ter tido apenas tardiamente a ideia de comentar a frase do título em um artigo, só me impeli a escrever o texto no final do dia 31/01, quase quatro dias depois da veiculação da notícia pelo jornal e pela versão online.

Diferente das outras ocasiões – protestos de 27/12, 11/01 e 13/01 –, quando usou o noticiário para fazer panfletagem reacionária contra o direito dos estudantes e trabalhadores de promover protestos de rua, o Diario de Pernambuco de 28/01 mudou o tom e passou a prestar uma inédita atenção, ainda que parcialmente, aos manifestantes e sua causa, dedicando-se a ouvi-los e compreender os motivos de sua insatisfação – os aumentos das passagens de ônibus e dos salários dos parlamentares – e deixando de dar aquela ênfase total de outrora aos engarrafamentos.

A aparente mudança de atitude seria elogiável, ainda que o veículo tenha na verdade feito sua obrigação em prestar nesse momento um jornalismo razoável com respeito aos fatos e sem tendenciosidade, se não fosse a última frase do texto, que terminou maculando, se não anulando, o esforço do jornal de respeitar a nossa cidadania e democracia. O DP encerra a notícia com o seguinte dizer: “Em resposta aos estudantes, a Secretaria das Cidades informou que aguardava o posicionamento do MP para dar o respaldo aos manifestantes. Como o parecer foi favorável, não há mais o que ser discutido.” (grifo meu)

Não é novidade entre os mais entendidos de jornalismo pernambucano a suspeita que o Diario tem uma aliança tácita com o governo estadual, e esse trecho final acaba dando evidência à chapa-branca. Isso porque, pela altamente sugestiva frase final, tenta convencer os leitores de que não há mais o que se discutir em relação ao aumento das passagens e mesmo à qualidade do transporte público que temos. Declara extraoficialmente “fim de jogo” para os manifestantes, que passariam a não ter mais motivos para se opor à inflação das tarifas e consequentemente protestar nas ruas para incomodar e pressionar o governo.

É aquele caso em que uma única palavra fez toda a diferença. Se estivesse escrito “não haveria mais o que ser discutido”, poderíamos considerar a reportagem honesta, por apenas descrever neutramente a postura sacana do secretário Danilo Cabral. Mas o foi decisivo para escancarar que a posição do jornal foi declarar que os manifestantes perderam definitivamente a guerra contra o aumento e, logo, não tinham mais motivos para ir às ruas.

Em resposta a essa postura, me autorizo a dizer em nome dos cidadãos opostos à tunga financeira que os empresários de ônibus e o governo do estado nos impõem: editores e diretores do Diario, vocês estão errados. Há tudo para ser discutido. (mais…)

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14

jan 2011

O esperado aconteceu de novo: o Diario de Pernambuco voltou a destilar ódio reacionário contra as manifestações de rua dos estudantes e trabalhadores. O jornal de 14 de janeiro seguiu a linha das edições de 28/12/10 e 12/01/11 e demonstrou a plena oposição do jornal aos protestos que visam afrontar os aumentos dos salários dos parlamentares e das tarifas de ônibus da região metropolitana do Recife.

E dessa vez, ao contrário da edição do último dia 12, quando o jornal pareceu estar representando os que foram afetados pelos engarrafamentos causados pela passeata, a atitude foi simplesmente o ataque cego, sem dar espaço bastante a citações dos motoristas congestionados.

Entre outras atitudes tendenciosas da notícia intitulada “Mais uma tarde de caos no trânsito”, notaram-se o reducionismo que restringiu o atores da passeata a “entidades estudantis, (…) alguns movimentos e partidos de esquerda”, excluindo os diversos trabalhadores que participaram e discursaram no microfone do carro de som; a exclusão do segundo grande tema da atividade – o aumento dos salários dos poderes Legislativo e Executivo –; a omissão quase total dos motivos da mesma; o realce extremo das suas consequências negativas; a ridicularização do Comitê Contra o Aumento das Passagens, em dizer que ele era simplesmente um “grupo que se apresenta como um comitê contra os aumentos”; e a desfaçatez de dizer que os manifestantes foram (só) vaiados, ignorando-se que houve muito mais aplausos e acenos de apoio do que sinais de repulsa por parte da população.

E destacou-se o seguinte trecho: “No cruzamento entre as duas vias o grupo fez mais um bloqueio. Um motoboy tentou negociar com os estudantes. Disse que estava muito atrasado. Não foi ouvido e, quando tentou passar, foi agredido. A Polícia Militar teve que intervir.” Com tanta manipulação na notícia, é de se duvidar se isso aconteceu exatamente assim. Os manifestantes não foram ouvidos pelo Diario, para se poder confrontar as versões do fato. E se o motoqueiro tentou passar por cima, conforme relatos de diversos manifestantes? Essa possibilidade o Diario nunca vai cogitar.

E de novo não houve qualquer abertura por parte do jornal para se discutir as causas da manifestação, para se falar dos salários dos políticos e da qualidade do transporte coletivo, para se sugerir meios alternativos de protesto e pressão que não causem transtornos urbanos, para se dar sequer uma pista de como a sociedade pode agir de modo a não haver mais (a necessidade de se fazer) novos protestos no futuro. Em vez de tentar integrar socialmente a classe média, seu principal público-alvo, aos mais necessitados, joga-a contra eles de forma muito grosseira.

O Diario, assim, reitera sua posição reacionária, adversa aos movimentos sociais, ao exercício militante da cidadania e ao direito constitucional dos cidadãos à promoção de protestos de rua. Sua atitude se assemelha à posição assumida por José Serra em relação aos movimentos socioagrários. O ex-candidato a presidente, nos guias eleitorais e debates, criticava o MST e dizia que o Brasil governado por ele seria marcado pela “paz no campo”, sem conflitos agrários, mas não dizia como queria concretizar isso, se iria reprimir e calar os sem-terra. E da mesma forma o DP não diz o que fazer para haver um amanhã sem protestos e constrangimentos à vida urbana, parecendo, em última análise, defender implicitamente o silenciamento pela repressão policial.

Os cidadãos se perguntam: o que o Diario de Pernambuco quer, afinal de contas, ao abordar os protestos dos estudantes e trabalhadores de forma tão negativa, irrazoável e odienta? De quem ele está a serviço, para desqualificar de tal maneira a oposição popular aos abusos vindos do (ou consentidos pelo) poder público? Uma coisa, porém, é certa: o jornal está perdendo o respeito de milhares de leitores seus.

E, para encerrar este terceiro artigo contra a postura abusiva do DP, dou um alerta aos leitores do jornal: preparem-se para a possível chegada de editoriais e artigos carregados de reacionarismo e direitismo radical, no esforço de desqualificar mais ainda o exercício da cidadania protestante, nas próximas edições. Se nas notícias já esbanjam tanta raiva das manifestações de rua, imaginemos o que as seções de opinião explícita estão guardando para nós.

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12

jan 2011

Atualizado em 12/01/11 às 20:25

Chama atenção a nova onda de cidadania ativa que, abalando o centro do Recife, expressa a intolerância de parte do povo aos abusos vindos do poder público. Por outro lado, algo que também vem atraindo os olhares atentos da população é a atitude do Diario de Pernambuco, que vem tratando com verdadeiro ódio e patente tendenciosidade as manifestações de rua ocorridas no velho centro.

Repetiu-se, na edição de 12 de janeiro, o papelão da publicação do dia 28 de dezembro, em que se havia dedicado a notícia intitulada “Manifestação tumultua centro” para atacar o protesto cidadão contra o alto aumento dos parlamentares federais e estaduais. Mas dessa vez de forma ainda mais enfaticamente agressiva e repudiatória, praticamente sensacionalista.

Na primeira página (manchete “Quando o protesto sai pela culatra”) e na notícia chamada “Mais uma vez, a cidade refém”, deu-se ênfase máxima aos engarrafamentos que a paralisação sequencial das avenidas Conde da Boa Vista e Cais de Santa Rita causou, e reservou-se apenas uma descrição residual às causas e às consequências positivas do protesto. O leitor de mais senso crítico percebe que o Diario desistiu de posar de mídia imparcial e passou a investir num ponto de vista tornado óbvio – a apologia à ordem sociopolítica em detrimento da cidadania e da democracia.

Foi-se ainda mais longe do que os veículos integrantes do “PIG”, que ainda fingem imparcialidade por dar ao outro lado o direito ao gol de honra: a notícia em questão só mostrou pessoas que sofreram com os engarrafamentos. Só exibiu declarações e situações de quem discordou da manifestação. Só um lado foi mostrado. Totalmente omitidos foram os estudantes e trabalhadores que participaram do ato. E nem mesmo os transeuntes que simplesmente compreendiam a motivação do protesto tiveram voz na edição final desse DP.

Desde a capa, só se mostrou o congestionamento, os carros parados, a angústia de quem perdeu o compromisso, as grandes vias paradas, o transtorno causado à cidade. Sem falar que a primeira página chama o protesto de “pequeno” e diz que havia “poucos estudantes e militantes de esquerda”, ignorando a presença de trabalhadores sem ideologia declarada.

E quase nada sobre o motivo que levou aquelas centenas de jovens e adultos às ruas – as passagens cada vez mais caras, o transporte coletivo estavelmente ineficiente e desconfortável e os interesses de quem engessa propostas como o VLT e o passe livre custeado por impostos. Zero sobre a essência democrática e constitucional do ato. Ignorou-se que o protesto de rua, aquele que causa engarrafamentos e divide opiniões, é parte dos ossos do ofício de qualquer democracia do planeta.

Esqueceu-se de que, para não haver (a necessidade de) protestos, basta não haver opressão. Reclamou-se muito e muito da afetação temporária do direito de ir e vir dos motoristas de carros, mas omitiu-se por completo que o mesmo direito de ir e vir de quem depende dos ônibus – pessoas muito mais numerosas e necessitadas – é atacado e ameaçado permanentemente, todos os anos.

E preferiu-se, com ódio evidente, atacar o protesto e suas consequências a aproveitar o momento de discutir por que a cada ano temos que ver passagens aumentando e protestos paralisando a cidade. Não houve esforço nenhum de abordar a causa de todo o transtorno alardeado – a desproporcionalidade entre aumento dos preços e evolução da qualidade dos transportes públicos, a falta de linhas de VLT, a não realização de licitações, a limitação do metrô de superfície, a retirada de recursos como ar-condicionado e TVs etc. O DP reclamou tanto mas não deu receita nenhuma de como termos um futuro sem protestos recorrentes, sem os constrangimentos de chocar a insatisfação de parte do povo e a rotina da cidade.

Com tamanho papelão antidemocrático, o Diario de Pernambuco reincidiu em investir, dessa vez de forma recrudescida, contra a democracia e a cidadania ao satanizar o protesto e recusar atenção àqueles cujo grande “crime” foi ser cidadãos. O jornal segue no seu esforço de desmobilizar e despolitizar os leitores, induzindo-lhes a crença de que só basta o direito-dever da eleição para se fazer um Estado democrático. Deixa de lado quase 190 anos de credibilidade para se tornar um arauto do reacionarismo, um porta-voz de quem odeia a democracia em sua essência.

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