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Encontrar conteúdo antimilitarista em português é bem difícil, mas felizmente há pessoas que, como eu, também repudiam a práxis – e também a existência – das organizações militares (Forças Armadas e polícias militares). É o caso de Leandro Cruz, colunista do Jornal do Povo e autor do blog Viagem no Tempo.

Leandro escreve muito daquilo que eu adoraria escrever – e até poderia escrever algum dia, mas ele já me poupou desse trabalho. Abaixo estão o trecho inicial do primeiro artigo (é uma trilogia de textos) e o link dos três artigos da trilogia.

Militar com menos de 30 em 2012 (parte 1)
por Leandro Cruz

Militar com menos de 30. Não leve a mal nada que eu venha a dizer. Não pode ser desacato à autoridade, pois não falo à autoridade, mas às pessoas. Não me dirijo às fardas, mas às mulheres e homens por baixo das fardas. A pessoas de carne vermelha e ossos quebráveis, que nascem igualmente nus e invariavelmente não podem fugir do destino final comum a todos os homens. Não é dirigida à “classe militar”. É dirigida ao nossos irmãos, humanos, que trabalham para instituições militares (polícias e Forças Armadas). Mas é às pessoas, não ao trabalho delas. Não me peça pra falar com o tenente ou o chefe do tenente. É com você mesmo. Mesmo que você diga: “Eu só cumpro ordens”, eu não quero falar com quem dá as ordens, mas é com você mesmo. Você, militar nascido em 1982 ou depois. Você, barbeado e de cabelo curto. Ou você, mulher de coque e boné. Não é com seu cabelo, nem com sua arma, nem com uma testa franzida. Não é com sua farda.

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Os oficiais das Forças Armadas são péssimos para ensinar. Tudo o que eles ensinam aos soldados, em todo o tempo em que estes ficam atados ao quartel, são quatro míseras letras do alfabeto:

O, B, D, C.

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Eis uma frase que, se relida no Certificado de Dispensa de Incorporação (CDI) de cada homem brasileiro, atormentaria no fundo da “alma” milhões de dispensados do serviço militar, mesmo hoje sendo improvável uma guerra a ameaçar o território brasileiro. Ela significa algo extremamente relevante: em caso de guerra, o Estado brasileiro irá confiscar nossa liberdade e se apropriar de nós, nos obrigando a pegar em armas, obedecer ordens aéticas como máquinas controladas, matar pessoas e correr altíssimo risco de sermos assassinados, mesmo que sejamos inimigos figadais da guerra e da violência e não tenhamos qualquer domínio no uso de armas e destreza física.

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Postado originalmente em 10/09/2010. Repostado em virtude do Dia da Independência, dia de desfiles militares em todo o Brasil

Quando penso nos desfiles militares de 7 de setembro, não sinto nenhum orgulho. Pelo contrário, me lembro de como não simpatizo nem um pouco com a existência das forças armadas. Os fundamentos históricos e regimentais da existência de corpos militares são algo cuja extinção faria um bem inestimável à humanidade, que passaria a viver muitíssimo mais próxima da paz perpétua.

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