Consciencia.VLOG.br

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11

fev 2013

conscienciaVLOGbr-miniaturaDepois de alguns dias de atividades atribuladamente intensas, arranjei um tempinho neste carnaval para voltar a gravar vídeos para o Consciencia.VLOG.br. E me interessou comentar dois fatos bizarros desse carnaval: o verdadeiro júri público que se estabeleceu para se julgar e criticar o bumbum da modelo Gracyanne Barbosa, como se ela não tivesse o direito de ter o bumbum com o formato que ela bem quiser, e a tentativa da Gillette/P&G de impor um padrão de beleza para homens, estigmatizando e discriminando homens com pelos no tórax e no abdômen.

Meu comentário, como é de se esperar, parte de uma perspectiva feminista e aborda a questão da imposição coercitiva de padrões de beleza para mulheres e agora (?) para homens. Vale a pena saber o que um/a feminista tem a dizer sobre esses assuntos.

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06

jan 2013

Atualizado em 10/01/2013

quarto-da-escola-de-princesas

Na sexta-feira passada, o MG TV da filial da Globo no Triângulo Mineiro passou uma reportagem sobre uma “escola de princesas” em Uberlândia (MG). Menos detalhes do que nos interessaria foram passados na matéria, mas o que foi mencionado já nos convida a uma discussão franca sobre a socialização de meninas num papel de gênero determinado e a adultização de meninas que deveriam estar brincando – ao invés de se maquiando como adultas. No curso, crianças entre 8 e 12 anos aprendem noções de como princesas de famílias reais se comportam – ou, aliás, são obrigadas a se comportar – diante de um jantar de uma família real de uma monarquia, nos cuidados (muito precoces) com maquiagem, com vestuário etc.

É bastante perceptível o teor de aculturação de crianças num papel de gênero que a sociedade patriarcal ocidental, desde a Europa medieval até ainda hoje, espera de mulheres. A reportagem fala claramente de “cuidar da beleza”, serem meigas, usar maquiagens, arrumar quartos coloridos de rosa, usar brinquedos convencionalmente reservados a meninas, preparar a mesa do jantar, entre outros aspectos que de fato acostumam as pequenas garotas à ideia de que os princípios culturais das princesas de reinos europeus são bons para a sua “feminilidade”.

Nisso a “escola de princesas” acaba reforçando que o papel da mulher é ser dócil e encantadora (ou seja, dentro dos padrões de beleza vigentes) para a inspiração dos homens e se dedicar aos serviços domésticos – embora o curso de férias das pequenas “princesas” também fale da filantropia sócio-humanitária empreendida por princesas da modernidade, algo que, porém, pode ser feito por qualquer mulher, independentemente de status e classe social. Fora o engajamento filantrópico, não parece ensinar as meninas a se tornarem mulheres decididas, independentes e dispostas a mudar as raízes dos problemas do mundo – entre eles a própria diferenciação sociopolítica entre princesas moradoras de palácios e mulheres comuns.

Acaba passando assim, apesar da intenção da fundadora da escolinha de (tentar) realizar sonhos de criança – sonhos, diga-se de passagem, culturalmente induzidos e condicionados –, um incentivo ao comportamento submisso e ao conservadorismo social – no qual a filantropia aparece para aliviar os piores sintomas das injustiças e desigualdades sociais mas nada pode fazer para curá-las e subverter a ordem injusta que as causa.

Outro aspecto que chama atenção para a discussão é o uso de maquiagens e o ensinamento de modos comportamentais típicos de princesas europeias adultas, o que caracteriza uma incitação à adultização das crianças e ao consequente abandono do espírito de infância delas. Quando deveriam estar com seus anseios voltados a brincar (e se sujar muito como toda criança deveria) e estudar em suas escolas de ensino fundamental, estão sendo induzidas a adquirir comportamentos e preocupações que, além de serem tipicos de mulheres já crescidas, limitam bastante o potencial de ser criança dessas meninas.

Crianças não deveriam ter preocupação nenhuma em obedecer a arbitrários padrões de beleza e papéis de gênero nem em atender a etiquetas comportamentais típicas de uma realidade incompatível com o seu tempo (século 21, época de hegemonia das repúblicas ditas democráticas, questionamento de tradições de desigualdade social e negação dos valores essenciais do Estado-nação) e espaço (Brasil, América Latina, distante das tradições das monarquias europeias). Atentar-se a esses costumes a tão tenra idade prejudica sua infância e anula sua vontade de ser criança e se comportar como tal. Por isso, a “escola de princesas” acaba tendo um papel ainda mais prejudicial na formação dessas garotas.

Isso torna muito discutíveis a perpetuação cultural da tradição de admiração dos padrões de beleza, riqueza material e comportamento das princesas de reinos da Europa medieval e moderna e também a adultização das crianças – e consequente inibição da infância em promoção de uma precocidade nociva. E ainda pode haver muito mais a se criticar sobre isso. Portanto, tal tema vem tendo, com toda razão, a atenção das feministas e também dos defensores dos direitos da criança e do adolescente.

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17

out 2012

No Brasil, a raça ainda é um determinante se a pessoa vai ou não se dar bem na vida. O caso do mendigo branco de olhos azuis de Curitiba é um exemplo emblemático disso.

Uma história em que pobreza, padrão eurocêntrico de beleza e cultura racista se chocam vem movimentando a internet. Um mendigo fotografado em Curitiba está sendo assunto em todo o Brasil, por ser um branco de olhos azuis “mas” ter sido castigado pela pobreza mendicante. Quando sabemos dessa novidade e a comparamos com a vida de milhares de outros mendigos pelo Brasil, percebemos o quanto a cultura brasileira ainda é muito impregnada de racismo.

O mendigo branco, cujo nome ainda não foi revelado, vive nas ruas de Curitiba e posou para a foto desejando “ser colocado no rádio” para ficar famoso. A fotografia foi posta no Facebook e agora campeia pelo Brasil inteiro, chamando atenção de mulheres e homens. Ora é considerado “lindo de morrer”, com muitas mulheres querendo namorá-lo e abrigá-lo encantadas com a beleza dele; ora vem sendo candidato às passarelas da moda, como o modelo “dos sonhos” das grifes; ora tem sua mendicância posta em dúvida principalmente por ser um branco de olhos azuis, parecido demais com um europeu para ter sua pobreza reconhecida. As opiniões convergem em sua maioria a um ponto: ele é “lindo” demais para continuar mendigo. (mais…)

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10

jun 2012

Um outro texto me fez pensar e pegar a mim mesmo no flagra com uma atitude discriminatória que fui acostumado a ter. É a trilogia de textos de Alex Castro, do blog Papo de Homem, em que ele denuncia o pensamento, muito recorrente na sociedade, de que ser branco é ser o brasileiro padrão, é ser “normal”, e ser negro é uma exceção, é algo “fora do normal”.

E de fato, quando me pedem para pensar em um ser humano, acabo pensando num homem branco. Quando me pedem para imaginar que pessoa seria um boneco-palito, penso no homem branco. Quando me falam de uma brasileira, penso inicialmente que ela é branca. Infelizmente tenho esse pensamento de vez em quando, e nada melhor é para mudar isso do que admitirmos essas falhas a que fomos acostumados a cometer, e também passar a policiar nossa mente, de modo que paremos de ter esse (pre)conceito do branco como sendo o “normal”, o padrão.

Abaixo, o trecho inicial da primeira parte do texto de Alex Castro, e os links dos três segmentos completos.

 

O privilégio de não ser negão (Racismo e normalidade – Parte 1)
por Alex Castro

De repente, aparece o Simonal e ela diz, empolgada:

– Meus deus, que negão lindo.

Daqui a pouco, de novo:

– Olha o charme desse negão, ele é o dono da plateia!

Eu não digo nada, mas abro os ouvidos. Ela também é fã do Roberto:

– Caramba, Alex, olha como esse homem era lindo. O que o tempo faz com as pessoas, meu deus? (mais…)

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04

maio 2012

No ano passado falei do Miss Brasil 2011, no qual não houve nenhuma finalista negra ou mulata apesar do Brasil ter uma das maiores populações negro-mulatas do mundo. Esse cenário de padrão racista de beleza se repetiu no concurso Gata do Paulistão 2012. Todas as finalistas eram brancas, metade delas eram loiras – algo mais que desproporcional à população feminina brasileira ou paulista -, apenas uma possuía algumas feições de ancestralidade indígena e de novo não houve nenhuma negra ou mulata no páreo.

Percebe-se novamente, em tal cenário de exclusão racial espontânea – em que a exclusão das negras não se deu por regra, mas sim pela preferência da audiência ou dos selecionadores -, que o padrão de beleza predominante no Brasil é sim racista e eurocêntrico – à exceção da preferência pela voluptuosidade corporal combinada com abdome fino, que difere da magreza do padrão europeu. (mais…)

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