Direitos Humanos

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08

mar 2014

facepalm

Está (ou parece estar) crescendo, a cada ano, a consciência de que o Dia Internacional da Mulher é uma data feminista, na qual se reforça a disposição das mulheres a continuarem lutando contra o patriarcado e todo o flagelo machista-misógino trazido por ele, em vez de um dia de “homenagens” baseadas em florezinhas e cartões cor-de-rosa. É o dia de as mulheres mostrarem aos homens que não querem “homenagens” “fofinhas” e pseudocarinhosas, nem 24 horas de “respeito a mais”, mas sim que os machistas tomem semancol e as hierarquias e papéis de gênero sejam abolidos. E nisso, vale desmoralizar culturalmente o costume das “homenagens” melosas que desvirtuam o sentido da data de hoje e, infelizmente, ainda são muito comuns.

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12

mar 2013

Mike Mika é um exemplo de homem. Compadecido com a chateação de sua filhinha de três anos de idade, que não podia jogar como Pauline, a namorada de Mario no game de Donkey Kong (quando DK ainda era o vilão) que jogava no emulador do Nintendo de 8 bits, ele fez um mod (modificação de um jogo) de uma das versões de DK no qual não era mais Mario quem salvava Pauline, no papel de “donzela em apuros”, mas sim ela que salvava o encanador-aventureiro. Certamente sua filhinha ficou muito feliz. E não foi a única a ficar com um sorriso largo no rosto – a comunidade feminista de todo o mundo adorou.

Mika atuou como um notável feminista, ao, inspirado na filha, negar o conformismo perante o velho papel da “donzela em apuros” e invertê-lo, dando à mulher o papel de heroína e tirando dela aquele arquétipo marcado pela passividade, fragilidade e inabilidade. Ressalte-se também que a pequenina filha dele jogava como a princesa Peach (antigamente chamada Toadstool) em Super Mario Bros. 2, o primeiro jogo da franquia Mario em que a princesa também era uma protagonista. Aliás, uma queixa minha sobre a franquia Mario é a pouca variedade de jogos de aventura em que há uma mulher como personagem jogável, em comparação com os tantos jogos em que Mario, com ou sem Luigi, monopoliza o protagonismo e precisa salvar Peach.

Pai e feminista exemplar, Mike Mika mostra como é possível enfrentar o sexismo nos games, subverter os papéis de gênero e incluir as meninas e mulheres no público-alvo dos games mais aclamados. Por sua ousadia igualitária, merece ser felicitado nos comentários do vídeo (em inglês). E seu mod precisa ser baixado (esse download é de um patch que pode ser aplicado a uma versão recente do jogo em rom de Donkey Kong para Nintendo de 8 bits) e jogado.

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06

jan 2013

Atualizado em 10/01/2013

quarto-da-escola-de-princesas

Na sexta-feira passada, o MG TV da filial da Globo no Triângulo Mineiro passou uma reportagem sobre uma “escola de princesas” em Uberlândia (MG). Menos detalhes do que nos interessaria foram passados na matéria, mas o que foi mencionado já nos convida a uma discussão franca sobre a socialização de meninas num papel de gênero determinado e a adultização de meninas que deveriam estar brincando – ao invés de se maquiando como adultas. No curso, crianças entre 8 e 12 anos aprendem noções de como princesas de famílias reais se comportam – ou, aliás, são obrigadas a se comportar – diante de um jantar de uma família real de uma monarquia, nos cuidados (muito precoces) com maquiagem, com vestuário etc.

É bastante perceptível o teor de aculturação de crianças num papel de gênero que a sociedade patriarcal ocidental, desde a Europa medieval até ainda hoje, espera de mulheres. A reportagem fala claramente de “cuidar da beleza”, serem meigas, usar maquiagens, arrumar quartos coloridos de rosa, usar brinquedos convencionalmente reservados a meninas, preparar a mesa do jantar, entre outros aspectos que de fato acostumam as pequenas garotas à ideia de que os princípios culturais das princesas de reinos europeus são bons para a sua “feminilidade”.

Nisso a “escola de princesas” acaba reforçando que o papel da mulher é ser dócil e encantadora (ou seja, dentro dos padrões de beleza vigentes) para a inspiração dos homens e se dedicar aos serviços domésticos – embora o curso de férias das pequenas “princesas” também fale da filantropia sócio-humanitária empreendida por princesas da modernidade, algo que, porém, pode ser feito por qualquer mulher, independentemente de status e classe social. Fora o engajamento filantrópico, não parece ensinar as meninas a se tornarem mulheres decididas, independentes e dispostas a mudar as raízes dos problemas do mundo – entre eles a própria diferenciação sociopolítica entre princesas moradoras de palácios e mulheres comuns.

Acaba passando assim, apesar da intenção da fundadora da escolinha de (tentar) realizar sonhos de criança – sonhos, diga-se de passagem, culturalmente induzidos e condicionados –, um incentivo ao comportamento submisso e ao conservadorismo social – no qual a filantropia aparece para aliviar os piores sintomas das injustiças e desigualdades sociais mas nada pode fazer para curá-las e subverter a ordem injusta que as causa.

Outro aspecto que chama atenção para a discussão é o uso de maquiagens e o ensinamento de modos comportamentais típicos de princesas europeias adultas, o que caracteriza uma incitação à adultização das crianças e ao consequente abandono do espírito de infância delas. Quando deveriam estar com seus anseios voltados a brincar (e se sujar muito como toda criança deveria) e estudar em suas escolas de ensino fundamental, estão sendo induzidas a adquirir comportamentos e preocupações que, além de serem tipicos de mulheres já crescidas, limitam bastante o potencial de ser criança dessas meninas.

Crianças não deveriam ter preocupação nenhuma em obedecer a arbitrários padrões de beleza e papéis de gênero nem em atender a etiquetas comportamentais típicas de uma realidade incompatível com o seu tempo (século 21, época de hegemonia das repúblicas ditas democráticas, questionamento de tradições de desigualdade social e negação dos valores essenciais do Estado-nação) e espaço (Brasil, América Latina, distante das tradições das monarquias europeias). Atentar-se a esses costumes a tão tenra idade prejudica sua infância e anula sua vontade de ser criança e se comportar como tal. Por isso, a “escola de princesas” acaba tendo um papel ainda mais prejudicial na formação dessas garotas.

Isso torna muito discutíveis a perpetuação cultural da tradição de admiração dos padrões de beleza, riqueza material e comportamento das princesas de reinos da Europa medieval e moderna e também a adultização das crianças – e consequente inibição da infância em promoção de uma precocidade nociva. E ainda pode haver muito mais a se criticar sobre isso. Portanto, tal tema vem tendo, com toda razão, a atenção das feministas e também dos defensores dos direitos da criança e do adolescente.

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16

ago 2012

Vi hoje no Facebook essa seguinte “piada”, que mostra bem como o machismo determina que os homens e mulheres heterossexuais devam se comportam:

Para o autor da fanpage “Gina Indelicada” e o machismo que aflora de sua mentalidade, rapazes héteros não podem ser românticos, sensíveis, atentos, gentis e amorosos para com moças. Essas seriam características exclusivas de homens gays, e os héteros “devem” ser o inverso disso ou pelo menos não ter tais virtudes.

É assim que o machismo travestido de “piadas politicamente incorretas” impõe como os homens devem ser e se comportar. “Devem” ser rudes, frios, insensíveis e indelicados para com mulheres caso queiram manter sua masculinidade, senão “automaticamente” não gostam de mulheres, estarão sendo “gays, logo reprováveis” e/ou “femininos, parecidos com mulheres, logo inferiores”. Determina que orientação sexual molda comportamento e também caráter, estereotipando o homem “machão, indiferente e rude, logo hétero e por tabela bom e admirável” e o homem “sensível, romântico e atento, logo gay e feminino e por tabela ruim e repudiável”. (mais…)

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