Um fato que vem me chamando a atenção cada vez mais é o fato de diversas fanpages de humor memético do Facebook (por exemplo, Humormemes, Pai Troll e Chaves) alternarem suas postagens de humor com pregação cristã. Agem como se todos os seus milhares de fãs fossem cristãos e não houvesse nenhum não cristão curtindo tais páginas, e como se fossem páginas feitas apenas para cristãos.
Esse comportamento, de não aceitar que existem pessoas de outras religiões e também pessoas sem religião, é recorrente entre muitos cristãos (não sei se entre a maioria). E vem incomodando os fãs que de fato não são cristãos. Afinal, curtimos tais páginas para rir e nos descontrair, não para ler postagens religiosas das quais não somos o público alvo – ainda mais a contragosto.
A não laicidade dessas fanpages, com todo o seu proselitismo, remete a um artigo que escrevi no passado: A “pregação-spam” também é uma forma de intolerância religiosa. Porque os pregadores não aceitam que continuemos sendo ateus, judeus, pagãos, afrorreligiosos, budistas, deístas etc., não respeitam o fato de termos crenças diferentes. E, no caso das fanpages de humor, não admitem que queremos apenas rir e não somos obrigados a receber mensagens acerca de crenças que nos são alienígenas. Também nos incomoda muito a ideia de, eventualmente, acabarmos sendo respondidos com algo como “Se não gosta das mensagens desta página, deixe de nos curtir então” e sermos privados de receber mensagens/imagens humorísticas em nossos murais.
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O site do jornal Agora Paraná revelou algo que contraria a laicidade estatal e incide em preconceito contra o ateísmo e a irreligião: o Centro Operacional de Medidas Socioeducativas (Comse) do município paranaense de Araucária vem promovendo proselitismo religioso aos adolescentes infratores que cumprem pena em regime aberto.
Revela a reportagem:
“Em todas as reuniões de mulheres e com pais e responsáveis, nós começamos tratando do lado espiritual com uma oração em que eles participam voluntariamente. A nossa equipe considera que sem Deus não tem transformação. Estamos percebendo mudanças”, disse a coordenadora [do Comse].
A coordenadora (cujo nome está na reportagem do Agora Paraná), quando faz essa afirmação, acaba revelando a crença de que adolescentes infratores ateus seriam incapazes de se regenerar, e que um tratamento socioeducativo desprovido de pregação religiosa seria ineficaz. Além disso, é improvável que adolescentes infratores de crenças não monoteístas, como afrorreligiosos ou pagãos, sejam atendidos pela medida socioeducativa religiosa. O que, evidentemente, também infringe a laicidade do Estado.
Protestos por parte de ateus e (outros) humanistas seculares podem ser enviados ao formulário Voz do Cidadão, do site da Prefeitura de Araucária, ou ao e-mail daquela prefeitura.
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